A Alibaba Cloud, braço de computação em nuvem do grupo chinês Alibaba, anunciou nesta quinta-feira (27) a instalação de dois data centers no Brasil, os primeiros da companhia no país. Segundo a Folha de S.Paulo, os complexos de processamento de dados vão sustentar a recém-lançada operação de infraestrutura de nuvem da empresa na América do Sul, com sede em território nacional.
A companhia não detalhou o valor do aporte no Brasil. Informou apenas que o investimento faz parte de um compromisso global de US$ 53 bilhões (cerca de R$ 273 bilhões) em infraestrutura de inteligência artificial. Também não especificou quando pretende iniciar a operação voltada à IA na América do Sul.
Do lado da oferta, a Alibaba Cloud chega como a maior fornecedora de infraestrutura computacional como serviço na China, com mais de 30% do mercado local, à frente de Huawei e Tencent, segundo dados da consultoria Omdia citados pela Folha. A entrada no país dá sequência a uma expansão que já levou a empresa a abrir operações no México, na França, no Japão, na Coreia do Sul e na Malásia. Do lado da demanda, os clientes em potencial são empresas que alugam capacidade de processamento e armazenamento para rodar sistemas e treinar modelos de IA, mercado hoje disputado no Brasil por AWS, Microsoft e Google.
Modelos Qwen como porta de entrada
A ofensiva comercial se apoia na família de modelos de código aberto Qwen. Segundo a Folha, o Qwen 3.8-Flash, com 3,8 bilhões de parâmetros, está entre os três modelos mais usados e elogiados na plataforma Hugging Face, onde programadores combinam tecnologias abertas para criar novas soluções, e custa menos que os serviços das rivais americanas OpenAI e Anthropic. A versão mais avançada, com 2,4 trilhões de parâmetros, também aparece bem em testes de desempenho, embora analistas ouvidos pelo jornal apontem que os modelos chineses costumam ser treinados para maximizar resultados nesses benchmarks.
Para as empresas brasileiras que compram nuvem, a chegada de mais um fornecedor global tende a ampliar a disputa por contratos corporativos e pode pressionar os preços de processamento e armazenamento, num momento em que a demanda por capacidade de IA cresce. Para o consumidor final, o efeito é indireto: qualquer redução de custo só chega ao bolso se as empresas que alugam essa infraestrutura repassarem a diferença nos serviços digitais que oferecem.