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Bets avisam clubes do Brasileirão sobre rompimento imediato de patrocínios

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DSPor Diego Santana•24 de setembro de 2026•Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo, Terra

Casas de apostas que patrocinam times das Séries A e B do Campeonato Brasileiro notificaram extrajudicialmente os clubes sobre a possibilidade de romper os contratos de patrocínio com efeito imediato, caso o governo federal aprove a Medida Provisória que proíbe a operação das bets no país. A informação é da Folha de S.Paulo desta quinta-feira (24). Quatro empresas já se movimentaram: Betano (Flamengo), Superbet (São Paulo e Fluminense), Novibet (Santos) e Esportes da Sorte (Corinthians). As casas também notificaram emissoras com as quais mantêm contratos, como Globo, Band e RedeTV.

As principais empresas do setor aguardam a divulgação da MP para definir os próximos passos. No cenário defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de veto total às bets, o rompimento é visto como inevitável. Se o governo mantiver alguma flexibilidade, suspendendo apenas jogos online como o Tigrinho, os contratos ainda terão de ser renegociados: estimativas de pessoas ligadas à operação das empresas, citadas pela Folha, apontam que esses jogos representam até 80% do faturamento do setor, o que levaria à redução dos aportes aos clubes.

Clubes correm atrás de substitutos

À espera da definição em Brasília, alguns clubes já fizeram sondagens iniciais no mercado em busca de novos parceiros. O Flamengo, dono do maior contrato entre um clube e uma bet do país, foi um dos primeiros a estudar alternativas: recebe R$ 268,5 milhões por ano da Betano, em um vínculo de três anos e quatro meses. Segundo o UOL, citado pelo jornal O Globo, o rubro-negro ainda não havia sido notificado oficialmente pela casa, que já procurou a diretoria para tratar das consequências da MP e cobra uma posição mais firme do clube. O Corinthians foi notificado pela Esportes da Sorte e trata o aviso como protocolar. O Fluminense confirmou o recebimento da notificação; seu contrato máster com a Superbet vai até o fim de 2029, com R$ 53 milhões fixos e R$ 33 milhões em bônus.

O dinheiro em risco é bilionário. Levantamento da consultoria Convocados, citado pela Folha, mostra que o patrocínio das bets aos clubes da Série A somou cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, alta de aproximadamente 66% sobre os R$ 618 milhões do ano anterior. O valor equivale a 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos times da elite no ano passado.

Há um detalhe contratual que acelera a saída. Como o mercado de apostas é regulado pelo governo e sujeito a mudanças, a maioria dos contratos prevê cláusula de proteção às casas por "motivo de força maior", segundo apuração do O Globo. Em termos práticos: se a MP for aprovada, as bets podem encerrar os acordos sem pagar multa e deixar o clube com a camisa vazia de uma hora para a outra. Lula voltou a defender o veto total às casas nesta semana, criticou a postura dos times e já disse que eles terão de aprender a viver sem as apostas.

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