A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou na segunda-feira (14) a compra da Nova AVB, estrutura que controla a Avibras, pela Globe Investimentos, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A operação foi notificada ao órgão em agosto, e os valores seguem sob sigilo, informa o G1.
A área técnica do conselho classificou o negócio como uma "substituição de agente econômico". Como a Globe não atuava no mercado de defesa nem em segmentos vizinhos aos da Avibras, não há sobreposição horizontal nem integração vertical. Na prática, a compra não junta dois concorrentes do mesmo mercado nem coloca etapas diferentes de uma mesma cadeia produtiva sob um comando único. Ainda corre um prazo para contestações; sem recurso, a aprovação se torna definitiva e o negócio pode ser fechado.
O que a fábrica produz
A Avibras atua nos setores de defesa e espacial e fabrica sistemas de artilharia, mísseis, foguetes e soluções antiaéreas. Segundo o processo citado pela Folha de S.Paulo, essas são as linhas que interessam aos irmãos Batista, com destaque para o sistema de artilharia Astros, que o Exército brasileiro opera e cuja versão 2020 foi desenvolvida e projetada pela própria empresa. Estão na lista, ainda, mísseis, foguetes, veículos espaciais e soluções civis como propulsores e foguetes de treinamento. A fábrica de Jacareí, no Vale do Paraíba (SP), voltou a operar em maio.
A reativação vem de uma reestruturação que já trocou de donos uma vez. A Avibras entrou em recuperação judicial em março de 2022 e passou cerca de três anos paralisada, depois que funcionários entraram em greve por falta de pagamento, relata o G1. Em 2025, o Brasil Crédito assumiu o controle ao comprar a dívida de um antigo acionista indonésio, em acordo com João Brasil Carvalho Leite, filho do fundador. Os ativos industriais e tecnológicos foram então concentrados na Nova AVB, enquanto a empresa original ficou com os passivos da recuperação judicial.
O dinheiro e a decisão
A Globe é o family office dos irmãos Batista e não integra o conglomerado J&F, que reúne a JBS, a Âmbar Energia, a Eldorado Papel e Celulose e o Banco Original, segundo a Folha. No pedido ao Cade, os compradores pediram o rito sumário, de análise simplificada, e apresentaram a compra como porta de entrada na defesa nacional e no setor aeroespacial, dizendo que ela contribuiria "para a reestruturação e para o fortalecimento dessas atividades no Brasil". Nos autos, afirmaram:
"A operação é simples e incapaz de produzir efeitos concorrenciais, destacando-se a ausência de sobreposição horizontal e integração vertical entre as atividades das requerentes nos mercados relevantes envolvidos."
Para o lado da produção, a aprovação dá à planta de Jacareí um novo dono que se comprometeu, nos autos, a contribuir com a reestruturação da atividade no país. Para o lado da compra, muda pouco: o Exército segue com o mesmo fornecedor de artilharia, agora sob outro controle, e a concorrência no mercado de defesa, na leitura do Cade, permanece igual. O que ninguém sabe é o preço: os valores da transação continuam em sigilo.