Sete entidades do setor produtivo, entre elas a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgaram nesta quarta-feira (9) o "Manifesto à Nação Brasileira". O documento cobra que o Supremo Tribunal Federal (STF) examine, em sessão pública do Plenário e com urgência, os fatos relacionados à crise na Corte. Segundo o G1, o texto foi publicado em página própria na internet e em jornais impressos.
O que o documento exige
Para as entidades, o país atravessa uma "crise institucional de extrema gravidade" e o STF é o epicentro dessa situação. O texto evita citar nomes de ministros e detalhar episódios específicos. Afirma que a perda de legitimidade de um tribunal compromete a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a paz social. "O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, mas guardião algum está dispensado de prestar contas", diz o manifesto, que na versão citada pelo Congresso em Foco acrescenta: "Cada dia é um dia a mais de descrédito".
"A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a Nação aguarda não admite prazo!"
Ao lado da CNI, da Fiesp e da CNC, assinam a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e a FecomercioSP. Segundo o Congresso em Foco, a Fiesp lidera a mobilização e a página ficou aberta a adesões: eram 2.764 registros até o início da manhã desta quarta-feira (9), de associações, federações e sindicatos patronais de setores que incluem o automotivo, a construção, as finanças, o agronegócio, o comércio e a advocacia. Entre os signatários estão também a Associação Comercial de São Paulo e a Anfavea, entidade das montadoras.
A cobrança acontece em meio ao confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e aos desdobramentos das investigações ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, conforme o Congresso em Foco. Na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, episódio que elevou a tensão em Brasília.
Alerta da indústria
Em nota separada, intitulada "Não vamos desistir do Brasil", o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que "as sucessivas crises que ocorrem em Brasília colocam as instituições em risco" e pede que as decisões considerem os efeitos sobre a competitividade, a produtividade e a geração de empregos. "Não podemos deixar que questões políticas, eleitorais ou crises institucionais travem o desenvolvimento. Não podemos, mais uma vez, perder as oportunidades de crescimento no cenário internacional", escreve.
O argumento econômico das entidades conecta os dois extremos da cadeia. Para quem produz, o manifesto ata a legitimidade questionada do tribunal à segurança jurídica, base das decisões de investimento e contratação. Para quem consome, Alban projeta os riscos em emprego, competitividade e crescimento, e alerta que o país pode perder espaço em mercados externos enquanto a crise seguir sem resposta.