Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo as demonstrações financeiras divulgadas pela estatal neste sábado (29). O g1 arredonda o número para R$ 5,6 bilhões. É o 16º trimestre consecutivo de déficit, e a perda cresce 30,4% sobre os R$ 4,26 bilhões do mesmo período de 2025, de acordo com o jornal O Globo.
No segundo trimestre, o prejuízo ficou em R$ 2,39 bilhões, melhora de 24,4% frente aos R$ 3,16 bilhões do primeiro trimestre, que, segundo o g1, foi recorde. A receita líquida subiu 3,8% entre os três meses, de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões. A companhia reconheceu que o avanço ainda não basta. "O resultado acumulado do semestre permanece desafiador e reforça a necessidade de continuidade e execução consistente das medidas de reestruturação", declarou.
De onde vem e para onde vai o dinheiro
A receita líquida somou R$ 7,87 bilhões no semestre, R$ 320 milhões menos que nos seis primeiros meses de 2025, e as despesas subiram R$ 972 milhões, segundo o g1. O desequilíbrio vem principalmente das encomendas internacionais: R$ 355 milhões no período, contra R$ 815 milhões um ano antes. O segmento, que já respondeu por 22,2% da receita total, agora representa 4,3%. A queda acompanha o programa Remessa Conforme, que desde 2023 cobra imposto de importação de 20% nas compras internacionais de até US$ 50, a "taxa das blusinhas". Mesmo com o fim da cobrança, o volume não voltou, porque o programa seguiu em vigor, segundo o g1. Em sentido contrário, a receita de logística para empresas saltou de R$ 205 milhões para R$ 423 milhões.
Entre as despesas, a folha de pagamentos, apontada como um dos maiores problemas da empresa, caiu R$ 20 milhões na comparação anual e fechou em R$ 5,2 bilhões, 15% abaixo do previsto. Custos atrelados, como planos de saúde e previdência, recuaram R$ 260 milhões. Já as despesas financeiras subiram 161%, para R$ 1,7 bilhão, com juros e multas que incluem o empréstimo de R$ 12 bilhões contratado no fim de 2025 e previsto para gerar R$ 22,4 bilhões em juros ao longo da vigência.
Crédito novo e dinheiro público
Nas notas explicativas ao balanço, os Correios informam que estruturam uma nova operação de crédito de R$ 7 bilhões, com a União como fiadora em caso de calote.
"Encontra-se em estágio avançado de estruturação uma nova operação de crédito no montante aproximado de R$ 7 bilhões. A operação vem sendo discutida com potenciais instituições financeiras participantes, estando seus principais elementos econômico-financeiros e contratuais em fase avançada de alinhamento", afirma a empresa.
A estatal também negocia R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento, o banco do grupo Brics, e encerrou junho com caixa de R$ 4,9 bilhões, segundo O Globo. O balanço confirma ainda o compromisso do governo federal de aportar R$ 6 bilhões até o final de 2027, valor que deve constar do projeto de Lei Orçamentária Anual do ano que vem.
O resultado foi divulgado dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartar a privatização da empresa em sabatina na TV Globo. "A crise dos Correios é que não se adaptou aos novos tempos", disse Lula na quinta (27). "É uma empresa muito importante para o Brasil, porque ela está em todos os municípios." A reestruturação em curso prevê programas de demissão voluntária, que já levaram à saída de 6,5 mil funcionários, e o fechamento de 1 mil pontos entre agências e unidades de tratamento de carga. Um novo PDV aberto pela empresa teve baixa adesão, segundo o g1.
Para quem vende, o plano encolhe a rede de coleta e entrega usada por e-commerces e pequenos produtores para despachar pedidos. Para o consumidor e o contribuinte, a conta chega pela porta do Tesouro: a União garante o empréstimo de R$ 7 bilhões, assume o risco de calote e se comprometeu com R$ 6 bilhões de capital até 2027, dinheiro que passa a concorrer com outras prioridades do Orçamento federal.