A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) instaurou um processo administrativo sancionador para apurar a suspeita de manipulação do mercado de capitais por executivos da Marfrig, um dos maiores frigoríficos do mundo. A investigação baseia-se em gravações internas de conversas entre diretores que apontam para uma atuação coordenada com o objetivo de influenciar o valor das ações da companhia na bolsa de valores brasileira, a B3, segundo informações divulgadas pela colunista Natália Portinari, do UOL.
De acordo com os autos analisados pelo órgão regulador, os registros de áudio mostram discussões sobre ordens de compra e venda de papéis para sustentar ou elevar artificialmente as cotações em momentos estratégicos. A prática de manipulação de mercado é vedada pela Lei 6.385 de 1976 e pelas normas da CVM, sujeitando os envolvidos a penalidades como multas, inabilitação temporária para cargos de administração em companhias abertas e eventuais desdobramentos penais junto ao Ministério Público Federal.
Cadeia de capital e impactos no setor
No setor de proteína animal, a estabilidade das cotações em bolsa define a capacidade de captação de dívida e as condições de financiamento para compra de gado e expansão industrial. A Marfrig movimenta bilhões de reais em fluxo de caixa entre pecuaristas, tradings de grãos para confinamento e redes varejistas no Brasil e no exterior. Qualquer distorção artificial no valor de mercado afeta o custo de capital da empresa e altera a precificação de ativos em toda a cadeia de suprimentos.
Para os pecuaristas que fornecem animais aos frigoríficos, a governança corporativa e a higidez financeira dos grandes compradores garantem a liquidez necessária para a venda de lotes e o planejamento de pasto e confinamento. Na ponta final, a integridade do mercado de capitais assegura que os custos repassados às prateleiras de supermercados e aos consumidores reflitam a dinâmica real de oferta e demanda de carne, sem o peso de distorções financeiras provocadas por manobras corporativas.