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Fiesp articula abaixo-assinado para o plenário do STF debater crise institucional

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ANPor André Nakamura•6 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, Folha de S.Paulo

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) começou a convocar sindicatos patronais e associações setoriais para um abaixo-assinado que pede que o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) se pronuncie sobre a crise institucional derivada do escândalo do Banco Master. Segundo a Folha de S.Paulo, a entidade já tem um rascunho do texto, que afirma que a República enfrenta um teste de integridade inédito e que as crises de Brasília colocam as instituições em risco.

A divulgação está prevista para a próxima semana, entre os dias 8 e 10 de setembro. A ACSP (Associação Comercial de São Paulo) também trabalha no documento e diz ter alcançado mais de mil assinaturas de associações e federações comerciais, segundo a Folha. Entre os que já assinaram estão o Sindibrinquedos, da indústria de brinquedos, e a Abinee, do setor elétrico e eletrônico.

Organizadores ouvidos pela Folha decidiram não publicar o texto no feriado de 7 de setembro para evitar a leitura de que o movimento faz uso político da crise em período eleitoral. A CNN Brasil reportou na sexta-feira (4) o mesmo cuidado: o manifesto deve sair depois das manifestações do feriado para não ser interpretado como apoio ao candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nem impulsionar protestos convocados por seus apoiadores.

Quem está por trás e o que pede o documento

Segundo a CNN Brasil, entidades como Fiesp, OAB-SP, Secovi e a própria ACSP debateram o manifesto com grandes empresários paulistas da indústria e do agronegócio, e a Febraban também será procurada para subscrevê-lo. Na sexta, o canal reportou que os termos ainda estavam em discussão; na noite de sábado (5), a Folha noticiou que a Fiesp já tinha um rascunho em mãos. O texto se dirige ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e conclama a Corte a apurar com rigor as relações do banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, com o ministro Alexandre de Moraes. A mensagem, segundo uma das fontes da CNN, é de defesa do STF como instituição, que não deve ser confundida com nenhum de seus integrantes, com garantia de ampla defesa e sem que os fatos fiquem "embaixo do pano".

Há resistência entre os potenciais signatários. A Folha reporta receio de acusações de partidarização da Fiesp, como já ocorreu no passado: em 2022, sob a presidência de Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, a entidade viveu uma crise interna com tentativa de destituição, motivada em parte por um manifesto que exaltava o papel do Judiciário em defesa da democracia. Segundo a CNN, uma das lideranças das articulações descreve uma indignação percebida como inédita em comparação com crises recentes, como a Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff.

Da indústria ao consumidor

Na ponta da cadeia, o abaixo-assinado alcança quem produz: indústria, comércio, agro, transportes e cooperativas estão entre os setores abordados, de brinquedos a eletrônicos. Para essas empresas, o movimento é uma aposta de que a disputa saia do embate entre gabinetes e chegue ao plenário da Corte, com efeitos sobre o ambiente institucional em que se decide investimento. Para o consumidor, o documento não mexe hoje em preço nem em crédito; o risco para quem está no fim da cadeia é o de a crise se arrastar pela eleição presidencial, cujo resultado definirá a política econômica dos próximos anos.

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