A Forbes Brasil divulgou nesta semana a 13ª edição de sua lista de bilionários do país. São 255 nomes, 55 a menos que os 300 do levantamento de 2025, com patrimônio somado de R$ 1,53 trilhão, segundo a revista. O topo não mudou: Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, é o brasileiro mais rico pelo terceiro ano consecutivo, com fortuna estimada em R$ 162,9 bilhões, informou a Folha de S.Paulo.
A segunda posição ficou com Vicky Safra e família, controladores do Banco Safra, com R$ 130,6 bilhões. Ela é a única mulher entre os dez primeiros e está R$ 32,3 bilhões atrás de Saverin. Na sequência aparecem Jorge Paulo Lemann e família (3G e Ambev, R$ 103,5 bilhões), André Esteves (BTG Pactual, R$ 66,1 bilhões), os irmãos Fernando Roberto e Pedro Moreira Salles (Itaú, R$ 50,3 bilhões e R$ 46,6 bilhões), Marcel Herrmann Telles (3G e Ambev, R$ 38,8 bilhões), Miguel Krigsner (O Boticário, R$ 35,7 bilhões) e Carlos Alberto Sicupira e família (3G e Ambev). Segundo o G1, a lista dos dez maiores traz uma estreia: Ricardo Faria, empresário conhecido como "Rei do Ovo", que entrou para o top 10 nesta edição.
Quem entrou e como a conta é feita
Cinco nomes estreiam na lista de 2026. Luana Lara, fundadora da Kalshi, plataforma americana de mercados de previsão, aparece com R$ 13,4 bilhões e já é a segunda mulher mais rica do país, segundo a Folha. Também entram Rosangela Maggi Schmidt, do grupo de agronegócio AMaggi; Ari de Sá Cavalcante Neto, da Arco Educação; e os herdeiros do banco Daycoval, Carlos Moche Dayan e Salim Dayan.
Do total de 255 bilionários, 146 aumentaram o patrimônio em relação ao levantamento anterior, 77 perderam dinheiro e 27 mantiveram os valores, de acordo com a Forbes. As 50 mulheres do ranking somam R$ 329,2 bilhões. A revista calcula as fortunas com base em informações públicas, usando principalmente o valor das ações em bolsa em 30 de junho de 2026. Imóveis, obras de arte, aviões e embarcações ficam fora da conta na maioria dos casos, e a própria publicação admite que os patrimônios podem estar subestimados.
De onde vem o dinheiro
O desenho da lista mostra onde está o capital brasileiro. Bancos concentram quatro das maiores fortunas do top 10: Safra, BTG Pactual e os irmãos Moreira Salles, do Itaú. O trio da 3G, ligado à Ambev, responde por outras três posições. O agronegócio ganhou representantes novos, com a entrada da AMaggi, um dos maiores grupos de produção de grãos do país, e a ascensão de Ricardo Faria, do setor de ovos, ao grupo dos dez primeiros. Segundo o G1, São Paulo reúne 95 bilionários, seguido pelo Rio de Janeiro, com 37, e Minas Gerais, com 20.
O contraste geracional também aparece. Os mais velhos da lista, João Jacob Vontobel, cuja família fundou a engarrafadora de Coca-Cola Vonpar, e Daniel Miguel Klabin, herdeiro da fabricante de papel e celulose Klabin, têm 97 anos. A mais jovem, Amelie Voigt Trejes, da família controladora da WEG, tem 21, de acordo com o G1.
Lida pela ponta do negócio, a lista confirma que as maiores fortunas do país seguem atreladas a empresas que vendem direto ao consumidor, como bancos, cervejarias e cosméticos, e a grupos que compram do produtor rural, caso do agronegócio que colocou nomes novos no ranking. A redução de 300 para 255 bilionários em um ano indica retração no topo da pirâmide, sem mudança na origem do dinheiro: finanças, consumo e campo continuam respondendo pela maior parte do capital.