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Futebol sempre viveu sem bets, diz ministro do Esporte; governo chama clubes

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DSPor Diego Santana•27 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, G1

O ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, defendeu a proibição das apostas on-line com uma frase que resume a posição do governo: "o futebol sempre viveu sem as bets". Ao mesmo tempo, o Planalto costura para a próxima semana uma reunião com representantes dos clubes para discutir as demandas abertas pela Medida Provisória que baniu os sites e aplicativos de apostas de quota fixa, publicada na sexta-feira (25).

Segundo o G1, o encontro está sendo organizado pelo próprio ministro, que antecipou que o governo pretende ouvir os times e avaliar como pode contribuir para evitar possíveis prejuízos. O InfoMoney acrescenta que os dirigentes serão chamados em comissão, que o objetivo inicial é fazer um diagnóstico das perdas e que o formato de eventual ajuda ainda não foi decidido. O ministro já conversou com os clubes para reduzir a tensão, informa a reportagem.

Clubes reagem e contam perdas

Os grandes times reagiram mal. Numa publicação que gerou críticas da torcida, o Flamengo afirmou:

"Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório."

O Fluminense defendeu um "período de transição adequado" e, segundo o InfoMoney, já recebeu da Superbet, parceira até o fim de 2029, um comunicado sobre a possibilidade de rompimento do contrato. Antes da confirmação da proibição, as casas de apostas pressionaram os clubes com notificações sobre rescisões.

Em 2025, as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value citado pelo G1. O Flamengo é o mais exposto: recebe R$ 268,5 milhões por temporada, contrato que o InfoMoney atribui à Betano, e disse não ter "plano B" para tapar o rombo no orçamento. O Fluminense aparece na sequência, com R$ 52 milhões por temporada segundo o G1; o InfoMoney aponta R$ 58 milhões ao ano na conta da Superbet.

O corte dói porque atinge a peça que sustenta o resto do balanço: o patrocínio principal de uma bet costuma pagar boa parte da folha salarial, e a perda chega no meio do calendário, com orçamentos já fechados contando com essa receita.

Prazos e calendário eleitoral

As empresas devem sair do ar até 6 de outubro, quando sites e aplicativos serão bloqueados, e os apostadores têm até 5 de outubro para sacar o saldo restante. O mesmo prazo vale para a retirada de peças publicitárias e marcas ligadas a contratos de patrocínio. O governo também enviou ao Congresso um projeto de lei que criminaliza a exploração, a operação e a divulgação das apostas de quota fixa, com pena de 4 a 6 anos de reclusão, além de multa, aplicada mesmo a quem tem autorização de autoridade estrangeira. A pressa tem data: o primeiro turno das eleições é no dia 4 de outubro, e o InfoMoney relata que o governo tenta conter a revolta dos times às vésperas da votação.

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