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Gestão Trump negocia fatia nas reservas de petróleo da Venezuela, diz Axios

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CFPor Camila Ferreira•29 de agosto de 2026•Fontes: InfoMoney, G1

Na costa de Curaçao, a poucas dezenas de quilômetros da Venezuela, os tanques de uma velha refinaria ainda exibem o logotipo da PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana, como uma lembrança enferrujada do tempo em que o país vizinho era uma potência energética. É sobre esse império de petróleo, o maior conjunto de reservas conhecidas do planeta, que Washington agora negocia. A gestão Donald Trump conversa com o governo interino da Venezuela para assumir uma participação acionária nas reservas do país, segundo o site americano Axios, que diz ter ouvido dois altos funcionários da Casa Branca.

Reportagem da agência Bloomberg, publicada pelo InfoMoney, acrescenta detalhes ao desenho do acordo em discussão. Pessoas familiarizadas com as conversas, que pediram anonimato, afirmam que uma das propostas em análise prevê um arrendamento de 100 anos de vários campos petrolíferos venezuelanos. As negociações continuam em andamento e os termos ainda podem mudar. A Casa Branca se recusou a comentar, e o Ministério da Informação da Venezuela não respondeu a um pedido de posicionamento.

As conversas acontecem num país em plena mutação política. Em 3 de janeiro, uma operação militar americana invadiu a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro, levado a Nova York, onde permanece preso aguardando julgamento. Em seu lugar assumiu como presidente interina Delcy Rodríguez, vice de Maduro, cujo governo tem adotado medidas alinhadas a Washington, como a libertação de dissidentes políticos e o envio de petróleo para os Estados Unidos.

A Doutrina Donroe e o petróleo no centro do tabuleiro

Segundo o g1, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, é apontado como a autoridade que de fato dita as ordens em Caracas. O republicano defende a aproximação com o governo interino principalmente pelo peso da Venezuela no mercado de petróleo, tema que ganhou ainda mais relevância na Casa Branca depois da escalada do conflito com o Irã, que pressionou os preços internacionais da commodity, e das tentativas de Teerã de restringir o tráfego no Estreito de Ormuz. Rubio já afirmou que a Venezuela passaria por três etapas após a saída de Maduro: estabilização econômica, reorganização política e transição para eleições.

Um acordo desse tipo representaria uma intervenção praticamente sem precedentes dos Estados Unidos na economia de outro país, mas estaria alinhado à chamada Doutrina Donroe, tese defendida por Trump para ampliar a influência americana no Hemisfério Ocidental. Desde a captura de Maduro, Washington flexibilizou sanções para permitir o retorno de empresas americanas e prestadoras de serviços do setor de petróleo à Venezuela, e o presidente prometeu controlar as vendas do produto, mantendo os recursos em contas bancárias nos Estados Unidos. Até agora, o governo americano não divulgou quanto arrecadou com essas vendas.

Enquanto o petróleo avança na mesa de negociação, a política patina. A oposição venezuelana e entidades de defesa dos direitos humanos têm pedido um avanço mais rápido das negociações políticas, cobrança que encontra apoio entre parlamentares democratas e republicanos no Congresso dos Estados Unidos.

Em Curaçao, os tanques da PDVSA seguem ali, de frente para o mar, esperando para ver de quem será o nome pintado sobre o aço daqui em diante.

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