O letreiro segue aceso, mas a porta não abre. Desde a quinta-feira (10), fotos de agências da Caixa paralisadas, com faixas de greve na fachada, foram publicadas em estados como a Paraíba e Rondônia. Nesta quarta-feira (16), no sétimo dia da paralisação, os dois lados voltam a se sentar à mesma mesa: o banco e as entidades representativas dos empregados retomam a negociação do acordo coletivo, com a greve ainda sem prazo para terminar.
A reunião só entrou na agenda depois de uma cobrança formal. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) enviou um ofício ao banco pedindo o retorno ao diálogo, e o encontro vai tratar da renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos empregados da Caixa. A paralisação começou quando a categoria rejeitou a proposta anterior do banco: segundo a Contraf-CUT, mais de 90% das bases sindicais votaram contra o texto.
O impasse do Saúde Caixa
O ponto mais difícil da negociação é o Saúde Caixa, o plano de assistência médica dos empregados. Os trabalhadores rejeitam mudanças no modelo de custeio que, na avaliação da categoria, podem elevar os gastos de empregados, aposentados e dependentes. Os sindicatos pedem que o banco passe a financiar uma parcela maior do plano e que os direitos já conquistados sejam mantidos. A pauta também inclui reajuste salarial acima da inflação, novas contratações, melhores condições de trabalho e valorização da carreira.
A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, disse que a retomada da mesa é fruto da mobilização da categoria:
"O que vai resolver a campanha é o diálogo. A Caixa precisa ouvir os trabalhadores e apresentar uma saída negociada para o impasse."
Na véspera, às 17h da terça-feira (15), o Comando Nacional dos Bancários se reuniu para avaliar o movimento nacional, e houve também reunião do Comando de Greve; após os encontros, o sindicato deve divulgar um balanço da paralisação. A Fenae, federação das associações de empregados do banco, também se reuniu com as entidades para definir estratégias e informou que a greve chegou ao sexto dia com atos em diversos estados. Enquanto não houver acordo, as regionais estarão abertas a partir das 7h para orientar empregados e oferecer apoio jurídico, e o movimento continua na quarta, mesmo dia da nova rodada.
A versão do banco
Em nota enviada ao g1, a Caixa afirmou que reabriu a mesa de negociação por acreditar que o diálogo é o melhor caminho para a construção de um acordo, e que busca uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade. Segundo o banco, foram realizadas 54 reuniões de negociação coletiva nesta campanha, com quatro propostas distintas apresentadas. Durante a greve, a orientação aos clientes é usar os canais digitais, como o aplicativo da Caixa e o Caixa Tem, além das lotéricas e dos correspondentes bancários.
Na frente da agência, o letreiro continua aceso e a porta, trancada. Até o fim desta quarta, a resposta sobre quando ela volta a abrir segue com a mesa de negociação.