A economia brasileira encolheu pelo segundo mês seguido. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, recuou 0,2% em julho ante junho, com ajuste sazonal, informou o BC nesta quarta-feira (16). O número veio pior do que o esperado: a pesquisa da Reuters apontava queda de 0,1%, segundo a Folha de S.Paulo.
A segunda queda consecutiva, após o recuo de 0,9% em junho, tem explicação concentrada no campo. A agropecuária caiu 1,2% em julho, a maior retração entre os três setores acompanhados pelo índice; a indústria perdeu 0,4% e os serviços ficaram estáveis. O resultado inverte o papel do setor no trimestre anterior, quando o PIB oficial cresceu 0,5% puxado pela agropecuária, segundo o IBGE.
No acumulado, a atividade segue em expansão. O IBC-Br subiu 1,1% em julho na comparação com julho de 2025 e avançou 1,5% na parcial do ano e outros 1,5% em 12 meses, informou o BC, sem ajuste sazonal nesses cálculos. Para o ano fechado, analistas consultados pelo g1 projetam crescimento de cerca de 1,9%, contra 2,3% em 2025.
O índice e os juros
O IBC-Br é calculado pelo BC com estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos; o lado da demanda, presente no PIB do IBGE, fica de fora. O índice é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a Selic, a taxa básica de juros: atividade mais quente pressiona preços e trava o afrouxamento monetário. Em ano eleitoral, o governo federal estimula o consumo com a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, a liberação do FGTS e crédito mais barato. O BC, por sua vez, afirma que uma desaceleração da economia faz parte da estratégia de conter a inflação. Na ata da última reunião do Copom, divulgada em agosto, avaliou que a economia ainda opera acima do potencial. Nesta quarta (16), o comitê volta a se reunir, e o mercado projeta o quinto corte seguido da Selic, para 13,75% ao ano.
Para o produtor rural, julho mostra o setor trocando de papel: de motor do crescimento no segundo trimestre, a agropecuária virou o principal freio da atividade. Para o consumidor, o efeito passa pelo outro lado da cadeia. Na leitura do BC, atividade menor alivia a pressão sobre os preços e encurta o caminho de queda dos juros, que já estão em corte; o custo disso é uma economia andando mais devagar até a inflação ceder.