O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou na manhã deste sábado (19), em comício na praça Tancredo Neves, em Florianópolis, que o agronegócio foi muito ajudado por seu governo e que, se a relação do setor com o Planalto dependesse do dinheiro público, os produtores catarinenses deveriam fazer mais do que votar nele: deveriam se ajoelhar para ele. A declaração foi dada ao lado de Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina apoiado pelo petista, na reta final da campanha para o primeiro turno das eleições de outubro.
Segundo a Folha de S.Paulo, Lula disse que colocou Merísio na disputa estadual para "desmascarar" o governador Jorginho Mello (PL), que tenta a reeleição, e para discutir com o agronegócio. O presidente sugeriu que o candidato reunisse representantes do setor, sem nenhum papel na mão, para perguntar por que eles não apoiam o PT.
"Por que eles não votam em nós? Porque o problema contra nós acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino? Ou porque eu sou pobre? Porque, se dependesse de dinheiro do governo, eles deveriam não só votar, mas se ajoelhar pra mim."
Recursos e mercados
Em seguida, Lula afirmou que nunca houve tantos recursos federais disponíveis para o setor, que a Folha descreve como importante para a economia catarinense. No discurso, o presidente citou as ações de seu governo para o agro. "São 118 mercados que o Lulinha que eles não gostam abriu para eles venderem os produtos deles", disse, conforme a CNN Brasil, em referência à abertura de mercados externos às exportações brasileiras. E perguntou por que os produtores são bolsonaristas, "porque não pode ser pela educação, pela saúde", mencionando o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Palanque catarinense
O ato em Florianópolis teve ainda, segundo a Folha, pedidos para conquistar eleitores indecisos e para vencer já no primeiro turno. Estiveram presentes a primeira-dama, Janja, e os candidatos ao Senado Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT), conforme a CNN Brasil. Lula também disse que quer ganhar as eleições para "manter" Jair Bolsonaro na cadeia, em resposta à linha de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário, que afirma querer se eleger para tirar o pai da prisão.
Para produtores rurais, a fala resume a conta que o governo faz no fim da campanha: crédito recorde e mercados abertos, nos números citados pelo próprio Lula, não se converteram em apoio eleitoral no campo, e o presidente agora cobra esse retorno no palanque. Para consumidores, a disputa chega travada sobre o mesmo setor que abastece a mesa brasileira, onde crédito rural, exportações e preço dos alimentos se encontram.