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Nubank negocia compra do banco britânico Monzo por até 10 bilhões de libras

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O Nubank está em conversas preliminares para comprar o Monzo, banco digital britânico, em uma operação que avaliaria a fintech entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras, o equivalente a algo entre R$ 55 bilhões e R$ 68,7 bilhões. A informação é do Financial Times, reproduzida neste sábado (26) pela Folha de S.Paulo, e foi noticiada antes pela Sky News. Segundo o jornal, que cita duas pessoas a par do assunto, uma eventual compra seria paga com uma combinação de dinheiro e ações da controladora Nu Holdings. O Monzo não quis comentar.

O Monzo tem sede em Londres, foi fundado por Tom Blomfield em 2015 e conta hoje com 16 milhões de clientes, quase todos no Reino Unido. No ano fiscal encerrado em março de 2026, registrou lucro antes de impostos de £ 87,3 milhões (R$ 600 milhões), ante £ 60,5 milhões (R$ 415 milhões) no período anterior, com receita 39% maior, de £ 1,7 bilhão (R$ 11,6 bilhões), segundo a reportagem. Na última captação, uma rodada secundária em 2024, o banco foi avaliado em £ 4,5 bilhões (R$ 30,9 bilhões). No processo, é assessorado pelo Morgan Stanley e pelo banco de tecnologia Qatalyst.

A venda ao Nubank é apenas uma das saídas em estudo. O Monzo também negocia com gestoras de private equity a venda de uma participação de até 15%, para injetar capital e acelerar o crescimento, e avalia uma rodada mais tradicional de capital de risco. Internamente, o banco atravessa um momento delicado: depois da saída repentina do presidente-executivo TS Anil, no ano passado, investidores como Accel e Iconiq exigiram mudanças no conselho. A atual presidente-executiva, Diana Layfield, no cargo desde fevereiro, fechou as operações nos Estados Unidos e concentrou o crescimento na Europa, com estreia na Irlanda e na Espanha.

Para o Nubank, a compra aceleraria a expansão internacional. Fundado há 13 anos em São Paulo, é a maior fintech da América Latina, tem 140 milhões de clientes nas Américas e valor de mercado de US$ 65 bilhões (R$ 337,2 bilhões), com ações da controladora Nu Holdings negociadas em Nova York. A empresa também obteve uma licença bancária nos Estados Unidos. Na Europa, cruzaria com um rival de peso: o Revolut, maior concorrente doméstico do Monzo, que tem 80 milhões de clientes e operações em mais de 40 países.

Bolsa de Londres e o preço da operação

Uma venda ao grupo brasileiro seria mais um golpe para a Bolsa de Valores de Londres, que há tempos trata o Monzo como candidato a abertura de capital. O momento de um IPO já era motivo de divergência entre os acionistas, com alguns alertando contra uma listagem apressada.

Pelo lado de quem paga, o valor em discussão, de £ 8 bilhões a £ 10 bilhões, equivale a cerca de duas vezes a avaliação da rodada de 2024, e o pagamento combinaria dinheiro com ações da Nu Holdings, que usaria o próprio papel como moeda. Pelo lado de quem usa banco, o efeito é menos imediato: o cliente brasileiro do Nubank não deve sentir mudança no curto prazo, enquanto os 16 milhões de clientes britânicos do Monzo teriam um dono latino-americano. A aposta em negociação é escala: uma base europeia pronta de clientes, permitindo ao Nubank diversificar a receita além do crédito nas Américas.

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