A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou na noite desta quarta-feira (2) que Benjamin Steinbruch deixa a presidência executiva da companhia e volta a presidir o Conselho de Administração, cargo do qual havia saído em abril. A partir de quinta-feira (3), o comando executivo passa a Fabio Schvartsman, que já foi presidente da Vale e da Klabin, conforme fato relevante divulgado pela empresa.
Steinbruch, de 73 anos, assumiu o comando da CSN depois de liderar, em 1993, o consórcio que venceu o leilão de privatização da siderúrgica. Em 33 anos à frente do grupo, a companhia saiu do aço e passou a operar também em mineração, cimento, logística e energia, segundo o G1 e o InfoMoney. Ele ainda liderou, em 1997, o consórcio que comprou o controle da então Companhia Vale do Rio Doce por US$ 3,3 bilhões; a CSN deixou a estrutura de controle da mineradora em 2001. Steinbruch também foi primeiro vice-presidente da Fiesp.
Reestruturação e dívida
A troca acontece em meio a um programa de venda de ativos para reduzir o endividamento. Em janeiro, a CSN anunciou um plano de desinvestimentos que inclui a venda da unidade de cimento. Em junho, anunciou a venda de participação relevante em ativos de infraestrutura, entre eles terminais portuários, a fatia na ferrovia MRS e a participação na empresa de logística Tora, segundo o InfoMoney. No segundo trimestre deste ano, a dívida líquida somava R$ 42,13 bilhões, e as ações da companhia acumulam queda de 33,6% em 2026, com avaliação de mercado de R$ 7,9 bilhões, de acordo com o InfoMoney.
Quem assume
Schvartsman é engenheiro de produção formado pela Escola Politécnica da USP, com pós-graduação pela FGV, segundo o G1. Passou dez anos na Duratex e 22 no Grupo Ultra, de onde saiu em 2007, comandou a Telemar e a San Antonio Internacional e, entre 2011 e 2017, presidiu a Klabin, fabricante de papel e celulose.
Na Vale, ficou de maio de 2017 até 2019. A gestão terminou com o rompimento da barragem I da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que deixou 270 mortos em janeiro de 2019; Schvartsman deixou o cargo cerca de um mês depois. Em janeiro de 2023, o Ministério Público Federal denunciou o executivo e outras 15 pessoas por homicídio duplamente qualificado e crimes ambientais. Conforme o G1, as ações penais foram trancadas em março de 2024 pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região, mas a Sexta Turma do STJ as restabeleceu em abril deste ano, e em 7 de maio ele foi formalmente reincluído, com processos separados dos demais réus.
Para quem compra da CSN, de construtoras a indústrias que usam aço e cimento, a troca de comando não muda contratos nem produção no curto prazo. O que segue em movimento é o programa de vendas: cada operação muda o dono de uma unidade de cimento, de terminais portuários e de uma ferrovia de carga. Para o consumidor final, o efeito é indireto e passa pelos custos de construção e de bens industrializados no país. A meta declarada da companhia é reduzir a dívida líquida de R$ 42,13 bilhões apurada no segundo trimestre.