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Trump anuncia tarifa de 50% sobre automóveis e aço do Canadá a partir de 2027

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CFPor Camila Ferreira•24 de agosto de 2026•Fontes: G1 Economia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (24) que as tarifas sobre carros, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá subirão para 50% a partir de 1º de janeiro de 2027. Segundo o g1, a medida foi publicada na Truth Social e marca uma nova escalada na guerra comercial entre os dois países, dias depois do fracasso das negociações para um acordo bilateral.

Na publicação, Trump afirmou que o Canadá "vem explorando os Estados Unidos há anos" e criticou as tarifas canadenses sobre produtos agrícolas americanos, que, segundo ele, criaram um déficit de US$ 60 bilhões entre os dois países.

"Suas tarifas absurdamente altas sobre nossos agricultores e produtos agrícolas tornaram a vida impossível para esses grandes patriotas americanos. Isso não é sustentável, e NÃO ACONTECERÁ MAIS!", escreveu Trump, segundo o g1.

O presidente disse que a nova alíquota valerá para "todos os carros, caminhões, grandes e pequenos, autopeças e aço", mas que produtos fabricados em solo americano ficarão isentos: "Produza nos EUA e não haverá tarifas". Trump ainda afirmou que os canadenses "estão entre as piores nações do mundo para se negociar", escreveu que "nós não precisamos do Canadá, eles precisam de nós" e alegou que 95% dos negócios do Canadá são feitos com os Estados Unidos.

O anúncio amplia a tensão iniciada no fim da semana passada. Na terça-feira (18), Trump havia suspendido por três dias a aplicação das tarifas de 50%, alegando um entendimento preliminar, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou "progressos substanciais" nas conversas. As negociações, porém, fracassaram na sexta-feira (21), e as tarifas americanas entraram em vigor à 0h01 de sábado (22), no horário de Washington, sobre cerca de US$ 20 bilhões (R$ 102 bilhões) em produtos canadenses. Em resposta, Carney anunciou retaliação "dólar por dólar" a partir de 8 de setembro, com taxas sobre aço, laticínios, eletrodomésticos e eletrônicos, segundo a BBC Brasil.

Carney rejeitou o que chamou de "mau acordo" e afirmou que os Estados Unidos "pediram demais e ofereceram muito pouco", incluindo cláusulas que limitariam a capacidade do Canadá de firmar acordos comerciais com outros parceiros. "Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados", declarou no sábado, ao classificar as tarifas americanas como um "erro de cálculo" destinado a "prejudicar e dividir" os canadenses. Nesta segunda, o premiê disse não se surpreender com a nova ameaça e afirmou que um acordo mutuamente benéfico ainda é possível. Em Washington, o secretário dos Transportes, Sean Duffy, disse à Fox News ser "insensato" o Canadá achar que sairia vencedor de uma guerra comercial contra Trump.

Ontário ameaça cortar energia e minerais

Também nesta segunda, o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, ameaçou cortar o fornecimento de eletricidade e de minerais críticos aos Estados Unidos se a disputa piorar, em entrevista à Associated Press repercutida pela CNN Brasil. "Tudo está na mesa", disse Ford, citando o níquel de alta qualidade e o urânio refinado no Canadá e sugerindo que petróleo e potássio também poderiam ser usados como alavanca. Segundo ele, Trump "declarou guerra contra seu amigo e aliado mais próximo" e subestima a disposição dos canadenses de suportar a dor econômica: "Aqui, todos estão prontos para uma guerra econômica". Ford já havia usado a eletricidade como instrumento de pressão em uma fase anterior da disputa, quando Ontário impôs uma sobretaxa de 25% sobre a energia exportada para Michigan, Minnesota e Nova York. Na entrevista, o premiê afirmou que o ex-presidente Ronald Reagan, defensor do livre comércio, estaria "enojado" com a política tarifária de Trump, mas defendeu que o Canadá siga negociando: "Eu nunca acredito em sair da mesa".

Segundo a BBC Brasil, o Canadá envia cerca de 70% de suas exportações para os Estados Unidos, e estados como Michigan, Kentucky, Indiana e Ohio estão entre os mais expostos à disputa. Uma pesquisa da Leger indicou que 56% dos canadenses querem que o governo mantenha uma postura firme, sem novas concessões. O boicote de consumidores canadenses já custou cerca de US$ 2,35 bilhões em receita de viagens aos EUA no ano passado, e as exportações americanas de vinho ao Canadá caíram 78% depois que províncias retiraram bebidas americanas das prateleiras. A reportagem da BBC destaca ainda que o Canadá enfrenta um dilema semelhante ao do Brasil, alvo de tarifas americanas de até 37,5%: o governo brasileiro avalia acionar a lei de reciprocidade econômica e abriu consultas contra a medida na Organização Mundial do Comércio (OMC).

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