O Tribunal Superior do Trabalho determinou que os Correios mantenham 80% do efetivo em atividade durante a greve da categoria. A decisão saiu no sábado (12), dois dias após o início da paralisação, e o caso vai a julgamento no tribunal em 21 de setembro.
A ordem é do presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho. Ele atendeu em parte um pedido urgente da estatal, que considera a greve abusiva e havia recorrido para garantir o funcionamento mínimo da empresa. Para o ministro, o serviço dos Correios é essencial e a paralisação pode impactar as eleições de 2026, em plena campanha.
"A atividade essencial desenvolvida pela suscitante se agiganta em face dos compromissos assumidos com entes públicos e privados relacionados ao pleito eleitoral de 2026, cujo período de campanha encontra-se em curso, o que agrava os impactos à sociedade do movimento paredista", escreveu o ministro.
Como funciona a regra dos 80%
Segundo o InfoMoney, o percentual alcança unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas indispensáveis à cadeia postal. E há um detalhe que aperta o jogo: os 80% são aferidos unidade por unidade e, quando aplicável, turno por turno, sem compensação entre equipes. Uma agência cheia não cobre outra parada.
Por que a greve começou
Os trabalhadores pararam na quinta-feira (10), depois que as negociações do acordo coletivo de trabalho 2025/2026 terminaram sem acordo. Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), o ponto mais duro do impasse é o plano de saúde de empregados, aposentados e suas famílias. Os sindicatos também contestam o plano de reestruturação da estatal, que prevê fechamento de agências e redução de distritos postais, e afirmam que a categoria não pode ser responsabilizada pela crise financeira da empresa.
Em nota, os Correios informaram que acionaram um plano de continuidade de negócios, com mobilização de empregados administrativos para a operação, remanejamento de veículos e mutirões para preservar o fluxo logístico. Segundo a empresa, a rede de agências permanece aberta ao público.
O placar financeiro pesa nos dois lados. A estatal registrou prejuízo de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre e aguarda para esta semana a liberação de um empréstimo bancário de R$ 7 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, segundo o InfoMoney. Até o julgamento do dissídio coletivo, marcado para 21 de setembro às 13h30, as partes ainda podem fechar acordo.