A Ucrânia afirmou nesta sexta-feira (28) ter acertado um bombardeiro estratégico russo Tupolev Tu-95MS, com capacidade nuclear, dentro de sua própria base. Se confirmada, será a 12ª perda do modelo na guerra, o equivalente a 20% da frota que Vladimir Putin tinha antes da invasão de 2022, segundo a Folha de S.Paulo.
O anúncio partiu do presidente Volodimir Zelenski, que creditou a ação à Equipe Alfa do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), unidade especializada em drones de longa distância. Ele não disse como o ataque foi feito. A Rússia não se pronunciou.
Por ora, a única evidência pública é um grande incêndio registrado no aeródromo de Engels-2, a cerca de 800 km da fronteira ucraniana. Uma foto de satélite de origem incerta circulou nas redes mostrando dano menor na asa de um Tu-95 na base, mas a imagem não parece consistente com a fumaça vista em vídeo, segundo a Folha. O estado real do avião segue sem confirmação.
O alvo explica a jogada. O Tu-95MS é um quadrimotor turboélice que lança mísseis de cruzeiro a grande distância, sem precisar entrar no espaço aéreo ucraniano. Acertar o avião no chão, parado na base, elimina a plataforma de lançamento antes que ela dispare, e é assim que Kiev tenta cortar os bombardeios na origem.
Engels-2 não é um alvo qualquer. A base sedia parte da frota de Tu-95 e todos os 14 Tu-160 supersônicos, os mais modernos da Rússia, além de cofres com mísseis de cruzeiro equipados com ogivas nucleares. Não há registro de dano a essas instalações.
A base já foi atacada outras vezes na guerra, mas escapou da Operação Teia de Aranha, no ano passado, quando drones ucranianos escondidos em caminhões atingiram ao menos oito Tu-95 em cinco outras bases russas. Segundo a agência estatal Ukrinform, Zelenski também confirmou nesta sexta ataques à refinaria de petróleo Slavneft-YANOS, na região de Yaroslavl, e a alvos no mar Negro.