O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne ministros e beneficiários nesta quinta-feira (3), às 15h, no Palácio do Planalto, para anunciar o fim da fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O ato, batizado de "Atendimento Sem Fila na Previdência Social", acontece a um mês do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro.
Zerar a fila do INSS é uma promessa que Lula carrega desde a campanha de 2022, e ele a tratou como prioridade no discurso de posse no Congresso Nacional, em 1º de janeiro de 2023.
"Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição."
A data do anúncio foi marcada pelo próprio presidente. Na sabatina da TV Globo de 27 de agosto, Lula disse ao jornalista César Tralli: "Se você prometer que vai a Brasília, eu, na semana que vem, vou anunciar que a fila zerou". Na mesma entrevista, afirmou que, a partir do anúncio, "a espera de 45 dias vai estar apenas em 251 mil pessoas, que é o normal". Segundo o Poder360, o governo considera a fila zerada quando nenhum requerimento ultrapassa o prazo legal de análise de 45 dias. Hoje, cerca de 1,3 milhão de pessoas aguardam a análise de benefícios, segundo o G1.
Recorde de concessões e de recusas
Os dados do Ministério da Previdência Social mostram queda expressiva na fila: eram 3,07 milhões de requerimentos iniciais em janeiro e 1,55 milhão no fim de julho, o menor nível em 21 meses. Segundo o G1, a redução no ano chega a 74%. Na mesma velocidade, cresceram as negativas. Os indeferimentos se aproximaram de 1 milhão em junho, alta de 70% no acumulado do ano, e o Poder360 calcula uma média de 812,6 mil rejeições por mês entre fevereiro e julho, recorde histórico. As concessões também bateram recorde, com 769,9 mil benefícios aceitos por mês em média no período. Entre os pedidos mais negados estão os de benefícios de incapacidade, como o auxílio por incapacidade temporária e a aposentadoria por incapacidade permanente.
Troca no comando acelerou a queda
O governo trocou a chefia do INSS em abril. Lula demitiu Gilberto Waller, que havia assumido em abril de 2025 em meio ao escândalo de descontos irregulares em benefícios, e nomeou a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira, que está no instituto desde 2003 e presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social por quase três anos. A mudança foi defendida pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT). Em junho, Lula fixou setembro como prazo para zerar a fila.
O que vem agora: o número exato da fila de agosto só será divulgado no fim de setembro, com o boletim estatístico da Previdência Social, segundo o Poder360. O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro.