Nove homens morreram na tarde desta terça-feira (15) durante uma ação da Polícia Militar em Cajazeiras, na periferia de Salvador. Segundo a corporação, a operação tinha como alvo o crime organizado e os mortos são suspeitos de integrar a facção criminosa Bonde do Maluco (BDM). As identidades deles não haviam sido divulgadas até a publicação desta reportagem.
A versão da polícia
Em nota, a PM afirmou que equipes do Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO) faziam incursões de patrulhamento, entre os bairros Cajazeiras V e Cajazeiras XI, quando se depararam com homens armados que dispararam contra os policiais e fugiram por uma área de mata. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), houve confronto durante a tentativa de prisão de integrantes de uma facção criminosa e alguns suspeitos ficaram feridos. Os nove foram socorridos e levados ao Hospital Eládio Lasserre, em Cajazeiras II, mas não resistiram aos ferimentos. A PM disse que nenhum policial ficou ferido e que um homem foi preso.
Segundo o g1 e a Folha de S.Paulo, foram apreendidas 11 armas de fogo: quatro fuzis, cinco pistolas, uma carabina 9 mm e uma espingarda calibre 12 automática. O Correio registrou o mesmo total, mas com composição distinta: quatro fuzis, cinco pistolas e duas carabinas. Também foram recolhidos carregadores, munições, porções de drogas e aparelhos celulares, além de uma placa de colete balístico que, segundo a SSP-BA, pode ter sido desviada do Exército Brasileiro.
Investigação
A sequência que levou à ação começou há cerca de um mês, quando, segundo a Folha, o grupo teria feito ataques armados contra rivais na região. Uma investigação prévia da PM mapeou imagens em redes sociais nas quais os suspeitos exibiam armas e assinaturas da facção. A troca de tiros ocorreu em área de mata e foi ouvida em diferentes pontos do bairro. A corporação informou que "o patrulhamento permanece reforçado na região".
O homem preso e o material apreendido foram apresentados na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Itapuã, onde o caso será apurado. A PM afirmou que as circunstâncias das mortes e a atuação dos policiais militares envolvidos passarão pelos procedimentos legais cabíveis, "observadas as atribuições dos órgãos competentes". A ligação dos mortos com a facção é uma alegação policial ainda em apuração, sem decisão judicial.