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Henrique Barros

justice · justiça · segurança · security

Cobre justiça e segurança pública: tribunais, investigações e o sistema penal brasileiro.

Corruption

BC de Campos Neto aprovou diretor investigado do Master após alerta da CVM

O Banco Central aprovou, em 4 de agosto de 2021, a diretoria do Banco Master que incluía Angelo Antonio Ribeiro da Silva, executivo que estava sob apuração da CVM por suposta manipulação de preços e cujo caso já havia sido comunicado formalmente à autoridade monetária. A revelação é do ICL Notícias, com base em relatório da própria Comissão de Valores Mobiliários citado em decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgada na quinta-feira (24). A homologação ocorreu na gestão de Roberto Campos Neto à frente do BC e incluiu também Daniel Vorcaro e Luiz Antonio Bull.Angelo respondia pela emissão de ordens de negociação do então Banco Máxima com cotas do fundo imobiliário CARE11, ligado ao setor funerário. A área técnica da CVM identificou 455 operações de compra entre setembro de 2018 e dezembro de 2019 e concluiu que o banco atuou de forma coordenada e sistemática, sobretudo nos últimos pregões de cada mês; em períodos relevantes, respondeu por entre 48,9% e 87% das compras. Em gravação reproduzida no processo, o executivo diz que a operação era "pra não cair" e pede ao operador uma "protegida no papel".A apuração resultou no Processo Administrativo Sancionador 19957.006441/2021-87, com proposta de responsabilização do banco e do executivo. O mérito não chegou a ser julgado: em novembro de 2022, a CVM aceitou acordo pelo qual o Máxima se comprometeu a pagar R$ 2,208 milhões e Angelo, R$ 736 mil, total de R$ 2,944 milhões, sem reconhecimento de culpa. Em sua defesa, o banco afirmou que acreditava na valorização dos ativos do setor funerário, que as compras faziam parte de sua estratégia de investimento e que a baixa liquidez do fundo explicava o efeito das ordens sobre a cotação. Não há condenação contra Angelo, que permanece na condição de investigado no âmbito do caso Master.Linha do tempoEm fevereiro de 2019, o BC rejeitou a transferência do controle do Máxima para Vorcaro por insuficiência de informações sobre a origem dos recursos. Oito meses depois, já sob Campos Neto, a diretoria colegiada reconsiderou e autorizou a operação. Em 2020, a supervisão do próprio BC apontou problemas de liquidez e alertou Vorcaro de que o descumprimento das exigências poderia levar à liquidação extrajudicial. Em 2021, o Máxima virou Master, Angelo foi homologado diretor e o BC autorizou a aquisição do Banco Vipal. Entre 2022 e 2024, a fiscalização enviou 31 ofícios ao conglomerado determinando ajustes. Em novembro de 2025, já na gestão de Gabriel Galípolo, o banco foi liquidado com base em diagnóstico de grave crise de liquidez.Inquérito no STFNa quinta (24), Dino determinou que a Polícia Federal investigue a atuação da CVM no caso Master por suposta omissão. Segundo o G1, um dos focos é o arquivamento, em 2022, de denúncia encaminhada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) que apontava mais de R$ 3 bilhões aplicados em ativos ilíquidos, de um total de cerca de R$ 5 bilhões captados com cobertura do fundo. O relatório do grupo de trabalho da CVM registrou que "não houve qualquer ação apuratória" após o recebimento do relato. Levantamento do ICL Notícias mostra que o BC recebeu quatro comunicações da CVM sobre o universo Master entre 2020 e 2022, todas na gestão Campos Neto, além de outras duas em 2025 e em janeiro de 2026. Procurado, o BC não respondeu quais medidas adotou.Campos Neto afirma que decisões como intervenção e liquidação não dependiam exclusivamente dele e que nenhuma proposta nesse sentido chegou à diretoria colegiada em sua gestão. Segundo reportagem do Estadão citada pelo ICL Notícias, ele evitou medidas mais extremas em pelo menos duas ocasiões em 2024, quando o Master se comprometeu a captar R$ 15 bilhões em recursos de longo prazo e conseguiu cerca de R$ 2 bilhões. Os próximos passos têm data: a PF deve apresentar o primeiro relatório do inquérito em até 60 dias, contados de 24 de setembro; a CVM foi intimada a entregar em 72 horas a integralidade do processo arquivado; e Galípolo confirmou ao Estadão e ao O Globo que deporá à PF como testemunha em outubro.

HBHenrique Barros
Elections

Kassio reage a decisão de Dino e cobrará de Fachin medidas contra manipulação no STF

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, prepara uma reação à decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que derrubou ordem da corte eleitoral sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Segundo a Folha de S.Paulo, Kassio se reúne nesta segunda-feira (28) com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, para alertá-lo sobre o que considera interferências indevidas de ministros do Supremo no tribunal eleitoral e cobrar medidas institucionais contra a manipulação do sistema de escolha de relatores.Linha do tempoNa sexta-feira (25), o ministro do TSE André Mendonça atendeu a um pedido da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou que cinco plataformas removeSsem publicações "notoriamente inverídicas" que associavam o candidato à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. No domingo (27), Dino anulou a liminar e mandou restabelecer os posts. O ministro afirmou que não havia, nas publicações, "grau de certeza de ilicitude para extrair duríssimas consequências contra a liberdade de expressão e, em última análise, contra a própria liberdade religiosa".O ato que deu a Dino a competência para derrubar a ordem não guarda relação com a disputa presidencial. O ministro analisou um requerimento do ator Antônio Tabet, um dos perfis atingidos pela decisão de Mendonça, dentro de um processo que tramitava em seu gabinete desde maio, sobre censura a posts acerca da inelegibilidade do ex-deputado Deltan Dallagnol. De acordo com a Folha, Kassio disse a um interlocutor ter visto na estratégia uma violação ao princípio do juiz natural: para o presidente do TSE, é como se a defesa de Tabet tivesse burlado o sorteio do STF e escolhido o magistrado que analisaria seu pedido, em busca de um resultado favorável.O que cada lado sustentaDe um lado, Dino derrubou a liminar por falta de motivação e proporcionalidade, sem se pronunciar sobre o conteúdo das publicações, conforme resumiu a coluna Encaminhado com Frequência, da própria Folha. De outro, Kassio classifica como frequentes as manobras para direcionar pedidos a ministros específicos e pretende pedir a Fachin regras que fechem o expediente. No fundo da disputa está um boato da reta final da campanha: a BBC News Brasil apurou que o único projeto de lei para retirar da santa o título de padroeira foi apresentado em 2007, pelo então deputado Victório Galli (PMDB-MT), e arquivado em 2008, sem registro de participação de Flávio Bolsonaro. O candidato nega a informação e recorreu à Justiça Eleitoral para pedir a remoção dos posts.A reunião entre Fachin e Kassio já estava prevista desde a semana passada, segundo a Folha, e o presidente do TSE pretende usá-la para tratar do que vê como risco de escalada de tensões entre as duas cortes. O próximo passo do caso é o próprio encontro, marcado para esta segunda-feira (28), a uma semana do primeiro turno das eleições.

HBHenrique Barros
justice

Governo bloqueia 506 sites de apostas e planeja reunião técnica com big techs

Uma força-tarefa coordenada pelos ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda retirou do ar 506 sites com indícios de operação irregular de apostas no Brasil. A ofensiva administrativa e técnica ocorre após a publicação da Medida Provisória assinada na sexta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou a proibição da exploração comercial e da publicidade de apostas de quota fixa e jogos online no país. Monitoramento cibernético e anúncios irregulares Segundo relatório do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública, o monitoramento identificou a continuidade de peças publicitárias em redes sociais e plataformas digitais mesmo após a edição da MP. Os investigadores apontam que parte desse material foi produzido e veiculado após a entrada em vigor da proibição legal. De acordo com a nota conjunta divulgada pelas duas pastas, os técnicos constataram manobras para burlar a fiscalização, incluindo o uso de nomes de páginas divergentes das marcas exibidas e links com domínios mascarados. As autoridades afirmam que esses artifícios configuram indícios de tentativa de ocultar os reais anunciantes e o destino final do tráfego dos usuários. "O trabalho busca interromper o acesso a plataformas que operem sem autorização e impedir que novos endereços sejam usados para oferecer apostas ao público brasileiro", afirmaram os ministérios. Cronograma legal e convocação das plataformas A cronologia da medida governamental estabeleceu regras de transição. Desde a publicação da MP em 25 de setembro, novos depósitos em plataformas de apostas estão expressamente proibidos. As empresas têm prazo até as 23h59 do dia 5 de outubro para manter seus sistemas operacionais exclusivamente para o resgate de saldos por parte dos apostadores e para remover anúncios que já estavam no ar antes da norma. Como a maioria dos sistemas digitais não informa publicamente a data de início da veiculação dos anúncios, o governo federal planeja convocar os representantes das principais empresas de tecnologia para uma reunião técnica. A pauta inclui a implementação de filtros para impedir novos anúncios, a remoção do material irregular, o controle de conteúdos divulgados por influenciadores e a preservação de registros telemáticos dos anunciantes para eventuais responsabilizações legais. O próximo passo formal está marcado para o dia 6 de outubro, quando o governo dará início a uma operação conjunta com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) para o bloqueio integral e definitivo de todos os endereços não autorizados.

HBHenrique Barros
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Gilmar vê 'dano reputacional' a Gonet no caso Master e defende juiz de garantias no STF

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste sábado (26) que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sofreu um "dano reputacional consumado" na condução do caso Master. Em publicação na rede social X, o ministro disse que a decisão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), de sexta-feira (25), confirmou que "nada havia que impedisse" Gonet de seguir atuando nos processos ligados ao Banco Master, e defendeu a extensão da figura do juiz de garantias aos inquéritos que correm na Corte.O CSMPF rejeitou, na sexta (25), um pedido de investigação contra Gonet por uma suposta relação com Daniel Vorcaro e manteve o procurador-geral à frente das investigações sobre o Banco Master, segundo o R7. As críticas de Gilmar atingem o ministro André Mendonça, ex-relator do caso Master no STF, conforme registra a revista Veja. Segundo o decano, o então relator já havia reconhecido em plenário a fragilidade das insinuações antes da decisão do conselho, só que depois de o sigilo ter sido levantado e as manchetes terem circulado."O sigilo já havia sido levantado e as manchetes já haviam circulado. O dano reputacional já estava consumado. O que fica é um retrato sem filtro de vazamentos seletivos, em um inquérito que, curiosamente, ganhou tração conforme avançava o ciclo eleitoral."Para Gilmar, a decisão do conselho foi um "reparo tíbio e conveniente para quem causou o dano, mas inútil para quem carrega suas consequências". "Tarde demais, e com uma tranquilidade desconcertante diante da qual não me calei", acrescentou, na versão da Veja. O ministro também questionou o momento escolhido para o fim do sigilo, em plena campanha eleitoral, e afirmou que a exposição submeteu "a reputação de um homem honrado a ataques rasteiros nas redes sociais" antes que se reconhecesse que "nada de grave havia naquelas conversas". Nas reportagens consultadas, não há resposta pública de Mendonça à publicação.No mesmo texto, Gilmar citou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que segundo a Veja foi determinado por decisão individual de Mendonça e revertido em seguida. O ministro classificou a medida como "desproporcional e de efeitos imprevisíveis", recordou o R7, e ligou os dois episódios: "São episódios diferentes, mas que lançam luz sobre o mesmo problema. Decisões individuais de enorme alcance, tomadas de afogadilho na fase de investigação, cujos efeitos sobre reputações e sobre instituições são irreparáveis."Juiz de garantias no STFInstituído em 2019 pelo Pacote Anticrime, o juiz de garantias separa as funções de investigar e julgar: um magistrado controla a legalidade do inquérito e autoriza buscas, prisões e quebras de sigilo, e outro conduz a instrução e profere a sentença. Em 2023, o STF declarou a figura constitucional e tornou sua implantação obrigatória para todos os tribunais brasileiros, regra que não alcança a própria Corte. Diante dos episódios recentes, Gilmar defendeu estender o mecanismo ao STF para conter a concentração de poderes nas mãos de um único relator durante a fase de investigação.Segundo a CNN Brasil, Gilmar integra a ala aliada ao ministro Alexandre de Moraes que mais duramente critica a conduta de Mendonça; os dois protagonizaram embates na sessão plenária que analisou a eventual abertura de investigação contra Moraes por mensagens trocadas com Vorcaro. Enquanto isso, as investigações do Banco Master seguem sob o comando de Gonet, e não há data definida para o plenário do STF retomar o debate sobre o juiz de garantias na Corte.

HBHenrique Barros
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MPF e promotorias de 7 estados descumprem regra de transparência salarial

O MPF (Ministério Público Federal) e as promotorias de sete estados descumpriam até a última quinta-feira (24) a resolução do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) que determina a transparência sobre os rendimentos de promotores e procuradores. O levantamento é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, publicada neste sábado (26) com assinatura de Artur Búrigo, e aponta falhas na divulgação nominal e discriminada das verbas indenizatórias e dos chamados penduricalhos, o que, segundo o jornal, dificulta o controle social sobre supersalários.A regra descumprida tem origem na Resolução 338/2026 do CNMP, datada de 26 de agosto segundo a Folha e publicada no Diário Eletrônico do conselho em 15 de setembro. A norma revogou dispositivo incluído em 2023 no regulamento da Lei de Acesso à Informação no Ministério Público (Resolução 89/2012) que permitia aos órgãos exigir identificação pessoal, por CPF ou cadastro no sistema GovBR, de quem quisesse consultar a remuneração individual e nominal de membros e servidores. Segundo o próprio conselho, a exigência ofendia os princípios constitucionais da publicidade e da transparência administrativa e impunha obstáculos ao controle social e à liberdade de imprensa quanto à regularidade dos gastos públicos.O detalhamento exigido não vem só do CNMP. A Instrução Normativa 84/2020 do TCU (Tribunal de Contas da União) determina a divulgação individualizada de remuneração, subsídio, auxílios, ajudas de custo, jetons e outras vantagens pecuniárias de servidores ativos, inativos e pensionistas. Neste ano, o conselho também editou a Resolução 334/2026, que torna obrigatórios a padronização das rubricas de pagamento e o contracheque único em todos os ramos do Ministério Público.Como o caso chegou até aqui2023: o CNMP edita a Resolução 281/2023, que institui política de proteção de dados pessoais no Ministério Público e condiciona o acesso a dados remuneratórios à identificação prévia do interessado.14 de agosto de 2026: o plenário virtual do STF começa a julgar a ADI 7.892, ajuizada pela Abraji contra a exigência.17 de agosto de 2026: a análise da exigência é suspensa no tribunal, segundo o Consultor Jurídico.26 de agosto de 2026: o plenário do CNMP aprova a Resolução 338/2026, apresentada pelo corregedor nacional do Ministério Público, conselheiro Fernando Comin; a norma foi publicada em 15 de setembro.24 de setembro de 2026: a Folha constata que o MPF e promotorias de sete estados seguiam descumprindo a regra.O que cada lado dizA exigência de identificação chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) pela ação da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), a ADI 7.892, que questiona dispositivos da Resolução 281/2023, entre eles o artigo 172, segundo o qual informações individuais e nominais sobre remuneração só seriam disponibilizadas após identificação do interessado. Na ação, a entidade sustenta que a regra cria obstáculos ao controle social, produz efeito inibidor sobre o jornalismo investigativo e possibilita constrangimentos e práticas de assédio judicial contra jornalistas. O relator, ministro Gilmar Mendes, votou pela procedência do pedido e pela declaração de inconstitucionalidade do dispositivo: para ele, condicionar a consulta à identificação converte a transparência ativa em passiva e torna a busca "visível e rastreável" pela própria instituição fiscalizada.No voto, conforme o Migalhas, Gilmar Mendes afirmou que a Lei de Acesso à Informação e a LGPD convivem sem conflito. "Os dois regimes não se excluem: harmonizam-se sistematicamente, cada qual delimitando o campo de incidência do outro", escreveu. O ministro citou o Tema 483, fixado pelo STF, segundo o qual é legítima a publicação nominal de vencimentos e vantagens de servidores, com salvaguardas como a omissão de CPF e de endereço residencial. Segundo o Consultor Jurídico, o relator apontou ainda, além da identificação, outras medidas presentes nos sites dos MPs que restringem o acesso à informação.O julgamento da ADI 7.892 segue em aberto. A análise foi suspensa em 17 de agosto, conforme o Consultor Jurídico, e não havia data anunciada para a retomada até este sábado. Enquanto isso, a Resolução 338/2026 está em vigor desde 15 de setembro, e a nota oficial do CNMP que a anuncia não menciona prazo para que os órgãos se adaptem, o que deixa em aberto quando MPF e promotorias passarão a divulgar integralmente as remunerações.

HBHenrique Barros
justice

Carbono Oculto: mensagens ligam compra da Terrana a investigado com elo no PCC

Mensagens extraídas de celulares de investigados mostram que decisões sobre a compra da distribuidora de combustíveis Terrana passavam por Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", investigado por elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os diálogos foram detalhados pelo g1 neste sábado (26), dois dias após a deflagração da terceira fase da operação Carbono Oculto, batizada Crédito Oculto, conduzida pelo Gaeco, grupo especial do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com a Receita Federal. A fase cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a executivos do Banco Genial e a um delator do caso Banco Master.Nos diálogos, o empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral, que figurou formalmente como comprador da Terrana, afirma que uma decisão sobre os termos da operação "depende do Primo". Humberto Tupinambá, então sócio e diretor do Banco Genial, responde: "Sim, vou falar com ele". A decisão judicial que autorizou as buscas destaca que, segundo as conversas, o tomador de decisões era o "Primo". Para o Gaeco, um grupo de WhatsApp chamado "Novo direção Terrana", criado no fim de 2024, depois da compra, reunia os responsáveis pela condução financeira, contábil e administrativa da distribuidora: Narcélio, Mohamad e outros três operadores, que compartilhavam documentos sobre a operação societária que transferiu o controle da empresa.As mensagens registram também o desconforto do grupo quando reportagens passaram a relacionar a aquisição à Copape, a Mohamad e ao PCC. Ao encaminhar uma das matérias a Humberto Tupinambá, Narcélio escreveu "Cagada!" e afirmou que "o primo está mais nervoso que eu", em referência que os investigadores atribuem a Mohamad. Segundo a investigação, Narcélio relatou que integrantes do grupo colocavam pessoas com nomes falsos dentro da empresa. A decisão judicial menciona que Ioná Patrícia de Lima Andrade passou a usar o nome "Camila Junqueira" depois que uma reportagem a relacionou à distribuidora.O comprador de fachada, segundo o MPPara o Ministério Público, Narcélio foi recrutado como comprador formal porque era um nome conhecido no setor de combustíveis e poderia passar pelos procedimentos de compliance exigidos na venda. Ele receberia comissão de 0,75% sobre a transação, além de remuneração mensal por três meses durante a gestão inicial da empresa. Em uma das mensagens citadas na decisão, ele fala em "manter a imagem de que a empresa foi comprada por mim", trecho destacado pelo juiz ao fundamentar as medidas. A aquisição foi formalizada pelas holdings Berna e Branson, criadas em setembro de 2024 com capital social de R$ 1 mil cada, com Narcélio como titular formal. Segundo os investigadores, R$ 100 milhões do grupo passaram em poucos minutos por contas de empresas usadas como passagem até a Usina Itajobi, em Marapoama (SP), foram aplicados no fundo Radford e transformados em um certificado de depósito bancário no Banco Genial, que emprestou o mesmo valor às duas holdings. O negócio completo é estimado em até R$ 153 milhões.Linha do tempo e próximos passosSetembro de 2024: as holdings Berna e Branson são criadas e a Terrana, que chegou a figurar entre as dez maiores distribuidoras do país, é comprada.Agosto de 2025: primeira fase da Carbono Oculto; Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad passam à condição de foragidos, segundo reportagem do Estadão reproduzida pelo Brasil de Fato.24 de setembro de 2026: terceira fase, Crédito Oculto, cumpre mandados contra 13 pessoas e 19 empresas em sete estados, 26 deles em São Paulo.26 de setembro de 2026: o g1 detalha as mensagens que sustentam as suspeitas do Gaeco.Os alvos da fase incluem Humberto Tupinambá e seus irmãos, André e Bruno, e o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", dono da Entre Investimentos e colaborador da PGR nas investigações sobre o Banco Master. A Entre aparece no fluxo de dinheiro do esquema e, segundo apuração do Estadão citada pelo Brasil de Fato, a usina usada na estrutura recebeu R$ 20 milhões da empresa de Freixo. A Entre é a mesma firma que o banqueiro Daniel Vorcaro usou para enviar ao menos US$ 12,3 milhões ao fundo americano que financiou "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Nenhum dos citados nesta fase foi denunciado ou condenado; Beto Louco e Mohamad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta pagamento de R$ 400 milhões em propina a políticos e autoridades.Em nota, o Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando foi destituído. A investigação, porém, trata de acontecimentos anteriores a essa data. Os mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva (SP), onde o processo corre em segredo de justiça. Não há data definida para o oferecimento de denúncia nem para novas fases da operação.

HBHenrique Barros
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Fachin determina que a PGR analise pedidos pendentes nos casos Master e INSS

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (25) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os pedidos pendentes nas investigações do caso Master e do INSS. Entre eles estão requerimentos de revogação de prisões preventivas e um pedido da Polícia Federal de prorrogação de inquéritos. A Procuradoria tem cinco dias para apresentar parecer; depois, os autos voltam ao gabinete de Fachin.No despacho, Fachin pediu que a PGR avalie a pertinência, a necessidade e a adequação das providências solicitadas, além da eventual repercussão delas sobre as investigações em andamento. A Procuradoria também deve se pronunciar sobre a quem cabe decidir esses pedidos: à Presidência do tribunal ou ao relator dos processos, ministro André Mendonça. Ainda não está definido o que ocorrerá depois do parecer nem quem ficará responsável pelos casos.Os processos tramitam hoje na Presidência do STF, que decidiu submeter os pedidos à PGR antes de qualquer decisão. Defesas pediram a revogação da prisão de sete investigados no caso Master: Henrique Vorcaro, Felipe Vorcaro, Rodrigo Franco, Marilson Roseno da Silva, Fabiano Zettel, Daniel Monteiro e Sebastião Monteiro Júnior. No INSS, a defesa do ex-presidente do instituto Alessandro Stefanutto recorreu à Presidência do tribunal contra a prisão preventiva dele, que já dura mais de 300 dias, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo.Como os casos chegaram à PresidênciaA disputa em torno dos inquéritos atravessou o mês de setembro. O G1 e a CNN Brasil noticiaram que o ministro Alexandre de Moraes pediu apuração da atuação de Mendonça no caso Master, e a BBC Brasil informou que Fachin adiou, no dia 17, o julgamento sobre o tema. Antes da decisão desta sexta, havia dúvida sobre se Fachin analisaria os requerimentos ou devolveria os processos ao relator. O despacho mostrou o caminho intermediário: ouvir primeiro a Procuradoria, chefiada pelo procurador-geral Paulo Gonet.No mesmo dia, o Conselho Superior do Ministério Público Federal discutia o próprio Gonet. O órgão analisava representações motivadas por menções ao procurador-geral em mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso no âmbito do escândalo financeiro, em meio ao desgaste provocado pela divulgação de uma foto dos dois em uma confraternização em Londres. O placar provisório era de 3 a 0 para manter Gonet à frente do caso e de 2 a 1 contra a abertura de investigação contra ele, com votos ainda em curso; a subprocuradora Janice Ascari defendeu a coleta de informações preliminares. O relator, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, afirmou que "não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada ou descontextualizada". Gonet, que não presidiu a sessão por figurar como alvo do procedimento, nega proximidade com Vorcaro e classificou o contato entre ambos como "brevíssimo e banal".O que vem a seguirO próximo passo é o parecer da PGR, com prazo de cinco dias. De volta ao STF, caberá a Fachin decidir os pedidos de revogação de prisão e a prorrogação dos inquéritos, ou encaminhar os processos ao relator, conforme a posição da Procuradoria. Todas as prisões citadas são preventivas, decretadas dentro de inquéritos, e todas as pessoas citadas têm a condição de investigados, sem condenação registrada até agora.

HBHenrique Barros
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Conselho do MPF faz 3 a 0 por manter Gonet no caso Master; 2 votos pelo arquivamento

O Conselho Superior do Ministério Público Federal formou maioria parcial, nesta sexta-feira (25), contra o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do comando das investigações do caso Master. Os três conselheiros que já votaram são por mantê-lo à frente do caso; na análise de mérito, o placar é de 2 a 1 pelo arquivamento da notícia-crime contra o PGR, e a subprocuradora Janice Ascari defendeu a coleta de informações preliminares. A sessão prossegue com os votos dos demais conselheiros.O colegiado examina um procedimento interno aberto a partir de menções a Gonet em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso no escândalo financeiro. Gonet não participou da sessão por ser o alvo do procedimento; a mesa é presidida pelo vice-presidente do conselho, subprocurador-geral Nicolao Dino. Segundo o g1, o PGR afirma que não tinha relação de proximidade com o banqueiro e classificou o contato entre os dois como "brevíssimo e banal".Os votosO relator, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, dividiu a análise em duas partes. Primeiro, votou contra o afastamento de Gonet por questão processual. Depois, negou o pedido de designação de um subprocurador-geral para conhecer das representações, o que rejeita a abertura de investigação. Segundo o Poder360, ele afirmou que, das mais de 200 páginas do relatório da PF, não há registro de comunicação direta entre Vorcaro e o PGR: as menções aparecem em conversas entre terceiros, entre elas as do ex-advogado do banqueiro, Ciro Soares, "sem qualquer participação direta ou indireta do procurador-geral da República". O conselheiro Celso de Albuquerque acompanhou integralmente o voto do relator."Não se pode examinar frases ou troca de mensagens de forma isolada ou descontextualizada para não criar uma situação artificial e que não corresponde à realidade dos fatos", afirmou Sanseverino.Janice Ascari divergiu em parte. Ela votou contra o afastamento de Gonet, mas acolheu parcialmente a representação para que um subprocurador ou uma subprocuradora seja designado para conhecer da notícia-crime e das peças a ela vinculadas, posição equivalente a colher informações preliminares antes de qualquer decisão de mérito.O caso e os próximos passosPara quem chega agora ao caso: Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, que apura crimes financeiros ligados ao Banco Master. No celular dele, a PF encontrou mensagens em que Ciro Soares se apresentava como interlocutor com o procurador-geral e repassava mensagens do PGR. Em 19 de junho de 2025, segundo o Poder360, o advogado enviou ao banqueiro uma foto em que Gonet e Vorcaro aparecem sentados juntos em um evento em Londres, acompanhados de outros dois homens, com a mensagem "PG me mandou". O relatório da PF, que também traz referências ao ministro Alexandre de Moraes e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, gerou debates no STF e levou à abertura do procedimento interno.Sanseverino ainda afirmou que eventual crime de responsabilidade do procurador-geral cabe ao Senado avaliar, e que o conselho só pode verificar indícios de crime comum. Sobre o prazo pedido pela PGR, em março de 2026, antes de se manifestar sobre o pedido de prisão de Vorcaro, o relator disse que não houve beneficiamento: havia excesso de documentação em prazo de 72 horas para analisar a terceira fase da operação. Os próximos passos dependem dos votos restantes, ainda nesta sexta (25), sem horário previsto para o encerramento: se prevalecer o arquivamento, o procedimento é encerrado; se o conselho entender que há indícios de crime comum, um subprocurador-geral será designado para analisar o material.

HBHenrique Barros
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PF prende candidato a deputado do PL suspeito de treinar milícia na Raposa Serra do Sol

A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (25), em Boa Vista, o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL), por suspeita de compra de votos. A prisão ocorreu durante a Operação Cunhambebe, que apura o envolvimento do político na criação e no treinamento de uma milícia privada para atuar na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao norte de Roraima. Trindade é investigado e mantém a presunção de inocência.A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, em endereços ligados ao candidato em Boa Vista e no município do Cantá. Os mandados foram autorizados pelo juiz Victor Oliveira de Queiroz, da 4ª Vara Federal Criminal de Roraima. Segundo apurou a Rede Amazônica, os agentes encontraram durante as buscas indícios de crimes eleitorais, e o candidato foi levado para a sede da PF no estado. O g1 informou que tenta contato com a defesa de Trindade, que não havia se pronunciado até a publicação.Como o caso começouAs investigações começaram em maio deste ano, depois que agentes da Polícia Rodoviária Federal e do Ibama foram atacados durante uma ação contra o garimpo ilegal na comunidade Napoleão, uma das áreas mais afetadas pela extração de ouro com uso de cianeto dentro da terra indígena. Integrantes de um grupo tentaram bloquear a passagem das viaturas, e vídeos registrados na região mostram os agentes perseguidos por motocicletas, em meio a sons semelhantes a tiros. A PF descobriu então que Trindade ministrava um curso de segurança privada clandestino, sem autorização do órgão, que ensinava táticas operacionais. A pedido da polícia, a Justiça suspendeu o curso por 180 dias. Segundo o g1, o candidato é apontado como responsável por incentivar crimes e tentar barrar a fiscalização ambiental na região, e a milícia seria formada por indígenas.Suspeitas da PF e restrições da JustiçaEm nota oficial, a Polícia Federal, que não cita o nome do candidato, afirma que o objetivo da operação é esclarecer a extensão dos fatos, identificar eventuais participantes e interromper atividades ilícitas em curso, e lista os crimes suspeitados:"Segundo os elementos reunidos até o momento, há indícios da prática, em tese, dos crimes de constituição de milícia privada, incitação ao crime, receptação qualificada, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, exercício ilegal de atividade econômica e embaraço à fiscalização ambiental."Na decisão, o juiz Victor Oliveira de Queiroz proibiu Trindade de entrar em qualquer terra indígena de Roraima e de manter contato com membros da comunidade Napoleão ou com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima. Ele determinou a apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos para perícia e autorizou que o candidato seja revistado em via pública, já que viaja constantemente pelo interior em campanha eleitoral. Se descumprir qualquer restrição, o político pode ter a prisão preventiva decretada.Os próximos passos são a perícia do material apreendido nas buscas desta sexta e a apresentação de Trindade à Justiça Federal, para a qual ainda não havia data divulgada até a publicação. Acusações de compra de votos são julgadas pela Justiça Eleitoral, que pode cassar a candidatura em caso de condenação. Trindade concorre a deputado federal por Roraima nas eleições de outubro.

HBHenrique Barros
Elections

Quem é o miliciano Peixe, que intermediou emenda de Flávio Bolsonaro a ONG

Robson Calixto da Fonseca, o Peixe, ex-assessor do ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão e condenado a nove anos de prisão por integrar a organização criminosa do caso Marielle Franco, é apontado pela Polícia Federal como intermediário de uma emenda parlamentar de R$ 200 mil do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, a uma ONG investigada sob suspeita de desvio de dinheiro público. O jornal O Globo detalhou nesta sexta-feira (25) a trajetória do miliciano. A verba foi destinada em novembro de 2023 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), para um projeto esportivo com crianças na Taquara, no Rio.A negociação apareceu em mensagens de WhatsApp apreendidas no celular de Peixe durante a investigação do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes, mortos em 2018. Os diálogos foram revelados primeiro pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela revista piauí. Em 24 de outubro de 2023, Peixe escreveu a Maria de Fátima Bezerra Castro, a Fafá, secretária parlamentar do gabinete de Flávio no Senado descrita pela PF como "interlocutora direta" do miliciano: "Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar". Fafá pediu um ofício e, dois dias depois, convidou Peixe para um evento com a presença do senador, ao qual ele deveria levar o então deputado Chiquinho Brazão. "Você vai também e reforça o pedido com o senador", escreveu. Em 6 de novembro, Peixe cobrou: "Não esquece do Ifop não, vê se o senador consegue nos agraciar". Em 29 de novembro de 2023, a emenda de R$ 199.999,79 foi enviada ao Ministério do Esporte, que repassou o valor ao Ifop por termo de fomento ao projeto Jogadores do Futuro, que previa a compra de chuteiras. Em janeiro de 2024, já após o repasse, Fafá pediu ao miliciano quatro ingressos para o desfile das campeãs no camarote Arpoador, segundo a PF.Da Alerj à condenação no STFPeixe é policial militar reformado. Foi assessor de Domingos Brazão na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e o acompanhou quando o político assumiu o TCE-RJ. Para a Procuradoria-Geral da República, funcionava como uma espécie de operador do grupo: geria negócios imobiliários irregulares e atuava como procurador informal e "laranja" dos irmãos Brazão. Na delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, que assumiu os disparos contra Marielle, Peixe é descrito como "homem de confiança" e "faz tudo" de Domingos, e teria conseguido a submetralhadora HK MP5 usada no crime, versão que ele nega. Relatos do Disque-Denúncia de 2018, citados em relatório da PF, o apontavam como responsável por recolher dinheiro de extorsões praticadas por milicianos na região da Taquara.Os irmãos Brazão, condenados como mandantes do assassinato, foram presos em março de 2024. Peixe foi preso em maio daquele ano e julgado em fevereiro deste ano pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que o condenou a nove anos de prisão e à perda do cargo por organização criminosa armada. Diferentemente dos Brazão, ele não foi condenado pelos homicídios de Marielle e de Anderson. No voto, o ministro Alexandre de Moraes escreveu que ele atuava na construção de imóveis e loteamentos clandestinos, na extorsão, na grilagem de terras e na exploração de "gatonet", as ligações ilegais de TV a cabo.Operação Emendatio e as defesasO repasse entrou na mira da Operação Emendatio, deflagrada pela PF em julho com autorização de Moraes para apurar, junto com a Controladoria-Geral da União (CGU), suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em emendas a entidades ligadas ao grupo Brazão. Segundo o O Globo, que revelou a investigação da emenda de Flávio em maio, organizações indicadas por Peixe a deputados e senadores receberam R$ 268 milhões entre 2020 e 2024. O Ifop recebeu ao todo R$ 2 milhões públicos, os únicos de sua história: os R$ 200 mil de Flávio, R$ 300 mil da deputada Chris Tonietto (PL-RJ) e R$ 1,5 milhão de Chiquinho Brazão, liberados em 2025, já após a prisão do então deputado. Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2025 apontou que a empresa contratada para coordenar o projeto esportivo é uma sociedade individual de advocacia cujo responsável é o próprio presidente do instituto, e pais de alunos relataram que as chuteiras previstas não foram entregues. Flávio e Tonietto não foram alvo de mandados na operação.Procurado, Flávio afirmou que a emenda seguiu a legislação e que a fiscalização cabe aos órgãos de controle. Em nota publicada pelo Estadão, o senador declarou:"A emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei."Flávio não comentou os diálogos de Fafá com Peixe; a assessora e a defesa do miliciano não responderam. O Ifop negou ter qualquer relação com o miliciano ou com os irmãos Brazão e afirmou que os recursos foram aplicados em aulas de futebol para crianças. A defesa de Domingos Brazão disse que não atua no caso, e a de Chiquinho Brazão afirmou não ter conhecimento da investigação. A apuração segue em curso no STF, sem data prevista para conclusão. É a segunda investigação recente da PF em que o nome de Flávio aparece, depois do inquérito sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse, e o caso ganhou peso político: Flávio disputa a Presidência nas eleições de outubro.

HBHenrique Barros
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STJ afasta regra do CDC e libera bancos para encerrar contas unilateralmente

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que os bancos podem encerrar contas-correntes de clientes por iniciativa própria sem que isso configure prática abusiva prevista no Código de Defesa do Consumidor. Em julgamento concluído em 3 de setembro e com acórdão publicado na quarta-feira (23), a Segunda Seção da corte afastou a aplicação do artigo 39, inciso IX, do CDC, que veda recusar a venda de bens ou a prestação de serviços a quem se disponha a pagar. Como o tema foi julgado sob o rito dos recursos repetitivos, a tese passa a orientar os tribunais do país.O relator, ministro Humberto Martins, afirmou que o próprio CDC abre exceção para serviços cuja intermediação é regulada em leis especiais, o que abrange o setor bancário. Normas do CMN (Conselho Monetário Nacional) já permitem, segundo ele, que qualquer uma das partes rescinda o contrato de conta-corrente. O ministro listou ainda dois outros fundamentos: a regra do CDC vale para relações de pronto pagamento, enquanto a conta-corrente é um contrato de longa duração com vários serviços associados; e o dispositivo trata da recusa em contratar antes de a relação começar, situação distinta do encerramento de conta já aberta.Martins observou também que a regulação bancária obriga o encerramento de contas em casos de fraude e lavagem de dinheiro, o que seria incompatível com a vedação do CDC. Mesmo autorizando o fechamento unilateral, o relator fixou deveres para o banco.Devem ser respeitados, todavia, o direito à informação, a prévia notificação e a não retenção do saldo, bem como os procedimentos para o correntista adimplir seus compromissos com a instituição financeira ou legais.Linha do tempo do casoO processo escolhido como representativo da controvérsia foi movido por quatro empresas contra um banco, que as avisou de que as contas seriam encerradas por "desinteresse comercial". Elas pediram na Justiça para manter as contas ou receber prazo para transferir suas operações a outra instituição.fevereiro de 2019: as quatro empresas são notificadas do encerramento de suas contas-correntes;primeira instância: pedidos negados;TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo): derrota em segunda instância;3 de setembro de 2026: a Segunda Seção do STJ julga o repetitivo;23 de setembro de 2026: publicação do acórdão, que torna a tese obrigatória para todos os tribunais.Segundo o acórdão, o núcleo de precedentes do tribunal havia identificado cerca de 17 acórdãos e 1.224 decisões individuais de ministros sobre o mesmo assunto. Há cerca de duas décadas, o STJ já vinha decidindo que o dispositivo do CDC não se aplicava ao encerramento de contas. No caso concreto, o recurso das quatro empresas não foi conhecido.ReaçõesPara a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a decisão fortalece a segurança jurídica do sistema financeiro. "A decisão traz maior clareza sobre as condições em que uma relação contratual bancária pode ser encerrada, preservando a autonomia das partes", afirmou a entidade. A federação também defendeu que o encerramento de contas é importante para o combate a fraudes e à lavagem de dinheiro e lembrou que o setor tem regras autorreguladas sobre o tema, inclusive para comunicar a decisão aos clientes.A advogada especialista em direito do consumidor Beatriz Quintas de Melo Teixeira, ouvida pela Folha, afirmou que o julgamento não criou um novo poder para os bancos. "O repetitivo só consolidou esse entendimento e o tornou obrigatório para todos os tribunais. Não é uma inovação, é uma unificação", disse. Segundo ela, o termo "desinteresse comercial" funciona como um guarda-chuva e pode abrigar motivos variados, como suspeita de uso ilícito da conta, risco reputacional, cliente investigado, conta deficitária, reavaliação de risco de crédito ou simples perda de interesse na relação.Com o acórdão publicado, os processos individuais sobre o tema passam a ser julgados nas demais instâncias segundo a tese fixada. Para as quatro empresas do caso-modelo, o desfecho já está definido: o STJ não conheceu o recurso.

HBHenrique Barros
justice

TST determina que 60% dos funcionários da Caixa trabalhem durante a greve

O ministro Maurício Godinho Delgado, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), determinou que pelo menos 60% dos funcionários da Caixa Econômica Federal permaneçam em atividade durante a greve nacional da categoria. A medida vale para cada agência, de forma presencial ou remota, e foi concedida em caráter liminar na noite de quinta-feira (24), dentro do dissídio coletivo que o banco abriu na Justiça do Trabalho.Em caso de descumprimento, cada sindicato estará sujeito a multa diária de R$ 100 mil. Segundo a Folha de S.Paulo, a ordem passa a valer a partir da divulgação ou intimação da decisão, e o ministro pediu urgência para intimar as partes ainda nesta sexta-feira (25). A Caixa havia pedido a manutenção de 80% do efetivo; o TST atendeu o pedido apenas em parte e fixou o patamar menor.Linha do tempoOs funcionários estão parados desde 10 de setembro, quando rejeitaram a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), vencido em 31 de agosto. Na segunda-feira (21), a categoria recusou uma segunda proposta do banco. Segundo a Caixa, as negociações para o ciclo de 2026 a 2028 não chegaram a um consenso, principalmente por causa do novo modelo de custeio do plano Saúde Caixa. Na manhã de quinta (24), o banco levou o caso ao TST.O que cada lado sustentaA Caixa alega que a paralisação afeta serviços essenciais, como a compensação bancária e o pagamento de benefícios sociais, entre eles o Bolsa Família. O banco também pediu que os empregados fossem proibidos de realizar qualquer atividade que dificultasse o livre acesso às agências. Godinho Delgado negou esse ponto: afirmou que a lei já exige greve pacífica e que não há indícios de que o movimento esteja sendo conduzido com desvios ou excessos.Para as duas confederações que representam os trabalhadores no processo, a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e a Contec (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito), a liminar manteve provisoriamente as cláusulas do ACT 2024/2026 até decisão definitiva, o que preserva proteção aos empregados. Segundo o TST, o relator pesou a necessidade de manter o atendimento diante de demandas inadiáveis dos clientes e da sociedade em geral, sem inviabilizar o direito constitucional de greve. O ministro também liberou o segredo de Justiça que havia no processo.O dissídio coletivo será julgado pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST na terça-feira (29), às 14h30. Até lá, a liminar permanece em vigor.

HBHenrique Barros
Lula

Berger, assessor de Lula, é aconselhado a deixar cargo após presentes de lobista

O chefe de gabinete adjunto da Presidência, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, foi aconselhado por pessoas do entorno do presidente Lula a pedir demissão, informou o Metrópoles na noite desta quinta-feira (24). A pressão veio um dia depois de a coluna do site revelar que o assessor recebeu presentes de dezenas de milhares de reais da lobista Roberta Luchsinger, sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Segundo a reportagem, ainda não está claro se Berger deixará o cargo ou quando. A definição ocorre a dez dias do primeiro turno das eleições.Entre os presentes listados pelo Metrópoles, com base em mensagens obtidas da lobista, estão um relógio Cartier Tank de ouro de R$ 66 mil, comprado em 29 de abril de 2024; um quadro do pintor Antonio Veronese adquirido por 13 mil euros, cerca de R$ 83 mil na cotação da época; um anel para a mulher do assessor; e uma festa de aniversário em camarote do estádio Mané Garrincha, em Brasília, em 9 de novembro de 2024, durante show de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Na época, Berger era o número dois do Ministério da Saúde, na gestão da então ministra Nísia Trindade, e, segundo a reportagem, atuava com Luchsinger na liberação de recursos para estados e municípios. O camarote da festa pertence à empresa 3Structure, para quem Luchsinger fazia lobby; a empresa conquistou contratos públicos de R$ 86 milhões no governo Lula, segundo o site.Nas mensagens divulgadas, o assessor agradece a festa de seus 67 anos:"Bom dia, amiga. Agradeço demais toda a consideração e amizade. A festa que você e demais amigos me dedicaram estava linda, impecável."Como o caso chegou ao PlanaltoA crise nasceu das investigações da Polícia Federal sobre Lulinha. Segundo a Folha de S.Paulo, a PF analisa mensagens e movimentações financeiras em três inquéritos que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência, e suspeita que Luchsinger defendia interesses privados junto a órgãos federais em parceria com dois sócios ocultos: Lulinha e o empresário Fernando Bittar. Pelo menos quatro integrantes ou ex-integrantes do governo são citados nas apurações: Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social; José Martinho Ferreira de Araújo; Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula; e Swedenberger. A saída de Marcola do governo, no início de agosto, levou a crise à antessala do Planalto, noticiou a Gazeta do Povo. Em sabatina na TV Globo, no dia 27 de agosto, Lula negou conhecer a lobista. "Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça", disse o presidente, que a chamou de "pilantra".O Metrópoles também relata que Luchsinger providenciou roupas, ingressos de shows e uma peça de joalheria para Cláudia Troiano, a Claudinha, secretária pessoal do presidente, que teria se hospedado no apartamento da lobista em São Paulo, em março de 2025. Quando a relação entre Berger e Luchsinger veio a público, o Palácio do Planalto decidiu mantê-lo no cargo para não "queimar a largada", registrou o site.Em nota, o Planalto afirmou que Berger e Claudinha negam "categoricamente" ter recebido presentes ou vantagens indevidas de Luchsinger. Berger mantém silêncio sobre as acusações; nas mensagens, porém, ele agradece pela festa e envia foto do quadro de Veronese pendurado em casa, acompanhada de emoji de coração. Não há, até agora, indiciamento divulgado de qualquer pessoa citada nas apurações. O próximo passo imediato é político: segundo o Metrópoles, o entorno do presidente aguarda a decisão de Berger sobre o cargo. Quanto aos inquéritos da PF, a Folha não informa prazo para conclusão.

HBHenrique Barros
justice

STF iguala licença-maternidade de mães biológicas e adotantes em 120 dias

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (23) que mães biológicas e adotantes têm direito ao mesmo período de licença-maternidade, independentemente do vínculo de trabalho. No julgamento da ADI 7495, o Plenário garantiu 120 dias de afastamento remunerado, prorrogáveis por mais 60 dias, a celetistas, servidoras públicas federais, militares das Forças Armadas e integrantes do Ministério Público da União. O relator do caso foi o ministro Alexandre de Moraes.O Plenário declarou inconstitucionais as regras que davam tratamento diferenciado a gestantes e adotantes no Estatuto dos Servidores Públicos Civis da União (Lei 8.112/1990), na Consolidação das Leis do Trabalho, na Lei Orgânica do Ministério Público da União, no Programa Empresa Cidadã e na norma que trata das licenças parentais nas Forças Armadas. A licença passa a contar do nono mês de gestação, do parto, da alta hospitalar do recém-nascido ou da mãe (o que ocorrer por último), da adoção ou da obtenção da guarda para fins de adoção.Linha do tempo e os argumentosA ação foi ajuizada pela Procuradoria-Geral da República, que apontava discrepâncias de prazo conforme o vínculo da trabalhadora. Antes da decisão, a CLT garantia 120 dias, prorrogáveis por 60 se a empresa aderisse ao Empresa Cidadã; servidoras federais adotantes tinham direito a 90 dias na adoção de criança de até um ano e a 30 dias nos demais casos; as Forças Armadas não previam licença para adotantes; e a lei da carreira do MPU assegurava apenas 30 dias a adotantes de crianças de até um ano. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu que a Corte assegurasse 180 dias de licença a todas as mães, sem distinção de regime. O julgamento começou em 16 de setembro e foi concluído em 23 de setembro, com o colegiado acompanhando o voto do relator; segundo o site jurídico Legalcloud, a aprovação foi unânime.Nos votos, os ministros sustentaram que a licença-maternidade serve, antes de tudo, aos interesses da criança. O ministro André Mendonça lembrou que, entre setembro de 2024 e outubro de 2025, o STF analisou mais de uma dezena de casos sobre o tema, com precedentes contrários à discriminação entre mães biológicas e adotantes. Para o ministro Nunes Marques, as necessidades de cuidado da criança não variam conforme a condição profissional da mãe."A Constituição protege realidades humanas, e não a natureza jurídica do vínculo profissional de mães e pais", afirmou Nunes Marques, segundo a nota do tribunal.Para quem trabalha com carteira assinada, a mudança prática é pequena, porque a CLT já garantia 120 dias à mãe biológica e também previa o benefício na adoção, informou a Folha de S.Paulo. Segundo a advogada trabalhista e previdenciária Adriana Faria, ouvida pelo jornal, a decisão consolida o entendimento de que a proteção deve ser aplicada independentemente da forma de constituição da maternidade e do vínculo funcional.Efeitos imediatos e próximos passosAcolhendo sugestão do ministro Cristiano Zanin, o Tribunal definiu que a decisão tem eficácia desde a conclusão do julgamento, em 23 de setembro, e não a partir da publicação da ata. O objetivo, segundo o STF, é proteger mães e crianças que já estão em curso de licença e poderiam ter dificuldade para obter a prorrogação. Licenças já encerradas não são atingidas. O Plenário registrou ainda que cabe ao Legislativo definir se e como o período pode ser repartido entre os integrantes do núcleo familiar. Proceduralmente, o próximo passo é a publicação da ata de julgamento, mas os efeitos da decisão já valem para todas as licenças em curso ou futuras.

HBHenrique Barros
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Conselho do MPF decide nesta sexta se abre apuração sobre Gonet no caso Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decide nesta sexta-feira (25) se abre uma apuração sobre a possível prática de crime pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. A sessão extraordinária está marcada para as 10h, em Brasília. O ponto de partida são menções ao chefe do MPF em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o g1, o caso é inédito no Conselho.De acordo com o g1, os nove conselheiros vão avaliar a atuação de Gonet na condução das investigações sobre o banco, na prisão de Vorcaro e no andamento das apurações ligadas ao Banco Master, e decidir se as referências ao procurador devem ser arquivadas ou se há elementos suficientes para aprofundar a análise. O Metrópoles detalha que o procedimento é uma notícia de fato sobre a conduta do PGR em processos no STF, em especial as petições 15.556/DF e 16.662/DF, que reúnem relatórios da Polícia Federal com mensagens de Vorcaro citando o nome de Gonet. O colegiado também discute se Gonet deveria ter se declarado suspeito ou impedido de atuar nos casos do Master.O casoAs menções a Gonet se tornaram públicas em julho. Desde então, segundo o g1, o procurador-geral vinha reunindo apoio de subprocuradores e da base do MPF. O cenário mudou com a divulgação de uma foto de Gonet ao lado de Vorcaro em uma confraternização em Londres, no Reino Unido, na qual o PGR aparece com um charuto nas mãos, diante de uma mesa com copos de uísque. Segundo o g1, a imagem teria sido feita em 2024, após um evento, e foi enviada pelo advogado Ciro Soares em junho de 2025. A publicação rendeu críticas internas ao chefe do MPF.Gonet nega proximidade com o banqueiro. Ele afirmou que a única ligação entre os dois foi "brevíssima e banal". Em ofício ao subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, relator do procedimento, o PGR disse que o único encontro presencial ocorreu em abril de 2024, em um evento jurídico público em Londres do qual participavam outras autoridades. Como citou a coluna Manoela Alcântara, do Metrópoles, ele escreveu:"Não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado."A defesa de Gonet sustenta que a participação em evento patrocinado por um empresário que depois se tornou investigado não basta para caracterizar parcialidade. Aliados do PGR apostam que a maioria do Conselho votará pelo arquivamento, e conselheiros mais críticos à atual gestão admitem ao menos questionamentos na sessão, segundo o g1. Pessoas próximas a Gonet ouvidas pelo analista de política Teo Cury, da CNN Brasil, mostram-se otimistas; conselheiros com quem ele falou relataram "surpresa, incômodo e desconforto" com as mensagens.Rito da sessão e próximos passosA sessão será presidida pelo vice-presidente do Conselho, subprocurador-geral da República Nicolao Dino, irmão do ministro do STF Flávio Dino, segundo a CNN Brasil. Gonet não deve comparecer, embora presida o colegiado. Após a abertura, o relator Sanseverino apresenta o procedimento e os conselheiros votam do mais novo para o mais antigo. O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, participa da votação.Se a maioria entender que há indícios a apurar, um subprocurador-geral da República será designado para analisar os dados e verificar a possível existência de crime. Ao concluir, apresentará um relatório ao Conselho. Se forem identificados indícios de crime, os fatos serão encaminhados ao STF, que decidirá sobre a eventual abertura de um inquérito. O encaminhamento se explica porque o procurador-geral responde penalmente perante o Supremo. O próximo passo é a decisão desta sexta-feira (25): arquivar as menções ao PGR ou aprofundar a apuração.

HBHenrique Barros
Corruption

PF: lobista Roberta Luchsinger pagou servidores do Ministério do Desenvolvimento

A Polícia Federal encontrou, no celular da lobista Roberta Luchsinger, mensagens que registram pagamentos em dinheiro vivo a dois servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Segundo reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, exibida na noite desta quinta-feira (24), os repasses ocorreram em junho de 2023, em depósitos de R$ 20 mil. Seis meses depois, a pasta contratou por mais de R$ 31 milhões uma empresa de tecnologia representada pela lobista.Os diálogos foram extraídos pela PF no âmbito de investigação que apura suspeita de tráfico de influência envolvendo Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois são alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março de 2023, Ulisses Barbosa, motorista e auxiliar pessoal da lobista, escreveu: "Trouxe a mala. Um lado tá os 500k - 500 mil. Dou o outro lado tá o que sobrou da mala, 90 mil mais ou menos".Os pagamentos de junho de 2023De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, citado pelo G1, parte desses valores foi entregue ao empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha. As mensagens registram ainda uma ordem de Luchsinger para que o motorista entregasse R$ 193 mil a Bittar. Em 2 de junho de 2023, a lobista pediu:"Vai lá no meu quarto e no meu armário na parte de cima tem uma sacola com dinheiro. Você pega 60 mil, por favor, para fazer uns pagamentos para mim".Na sequência, ela orientou depósitos de R$ 20 mil em pelo menos três contas. Quase três horas depois, o motorista escreveu: "Já estou no banco. Acima de 50 mil por dia, por CPF, a moça disse que o Banco Central já fica de olho. Já aciona tipo um alerta lá. Só avisando...". Luchsinger respondeu: "Ok. Pode fazer". A PF identificou fotos de dois comprovantes de depósito de R$ 20 mil: um para Rannier Costa Ciriaco, secretário-executivo adjunto do ministério, e outro para José Martinho Ferreira, chefe do cerimonial da pasta.Contratos posteriores e defesasEm dezembro de 2023, o ministério contratou a empresa 3Structure, do empresário de tecnologia Cleber Ribas, então representado por Luchsinger, por mais de R$ 31 milhões. Houve aditivo de R$ 2 milhões em novembro de 2025 e um novo contrato, de R$ 19 milhões, em abril de 2026. O ministério negou que tenha havido favorecimento na licitação, realizada por pregão eletrônico, e afirmou que os dois servidores citados não têm ligação com a área de tecnologia e não participaram do certame.Segundo o site Brasil em Folhas, o inquérito relatado pelo ministro André Mendonça, do STF, apura se Lulinha atuou em negócios da estatal Dataprev para beneficiar Ribas, e o site registra que o chefe de cerimonial já havia sido preso, em 2014, transportando R$ 180 mil quando trabalhava como motorista de Wellington Dias, atual ministro da pasta. Ainda segundo o site, a defesa de Lulinha, pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que ele desconhece a natureza dos pagamentos e não tem relação com irregularidades, e a defesa de Luchsinger disse que não comentaria "vazamentos ilegais nas vésperas de uma eleição". O G1 reportou que não houve retorno das defesas de Rannier, de José Martinho, de Ribas, de Ulisses Barbosa e de Bittar.Nenhum dos citados foi denunciado. Os inquéritos seguem em curso no STF e, se a PF os concluir, caberá ao procurador-geral da República decidir sobre o oferecimento de denúncia à corte. A divulgação das mensagens ocorre a dez dias do primeiro turno da eleição presidencial, na qual o presidente Lula disputa a reeleição.

HBHenrique Barros
justice

TST decide por maioria que greve dos Correios não é abusiva

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta quinta-feira (24) que a greve dos trabalhadores dos Correios não é abusiva. O julgamento, realizado na Seção de Dissídios Coletivos do tribunal, encerrou a análise do caso duas semanas após o início da paralisação, em 10 de setembro. Prevaleceu integralmente o voto da relatora, ministra Maria de Nazaré Medeiros Rocha, segundo a Folha de S.Paulo.A decisão foi tomada por maioria de votos. Ficaram vencidos a ministra Maria Cristina Peduzzi e os ministros Ives Gandra da Silva Martins Filho e Caputo Bastos, que defendiam a declaração de abusividade, informa o g1. Os Correios pediam ainda multa de R$ 100 mil às entidades representativas dos profissionais, conforme a Folha. O tribunal autorizou a compensação dos dias parados, ponto que não gerou divergência entre os magistrados. "Declaro a não abusividade do movimento grevista e já nesta linha declarar a compensação dos dias parados", afirmou o presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, ao encerrar a sessão.Como o caso chegou ao tribunalA greve começou em 10 de setembro, depois que empresa e trabalhadores não chegaram a acordo nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho. O principal impasse é o plano de saúde dos funcionários, aposentados e dependentes. Segundo o g1, os Correios acionaram a Justiça no dia seguinte ao início do movimento. A Folha relata que o TST concedeu liminar determinando o funcionamento de 80% das atividades e que a estatal sustenta não ter sido cumprida; na avaliação de Vieira de Mello Filho, as ocorrências pontuais registradas durante o movimento não demonstraram bloqueio efetivo das atividades nem descumprimento de determinações judiciais. "É natural que haja na greve algum tipo de trabalho no sentido de conscientizar os trabalhadores sobre o movimento paredista. Isso não significa dizer que descumpriram a decisão que eu proferi", afirmou o ministro. O julgamento havia começado na segunda-feira (21) e foi suspenso naquele dia para que os sindicatos tivessem 48 horas para analisar documentos novos apresentados ao processo pelos Correios.O que dizem as partesA Findect, federação que representa a categoria, afirma que as negociações avançaram nos demais pontos e que o plano de saúde é o único obstáculo à assinatura do acordo. Os trabalhadores reivindicam a manutenção do modelo atual, no qual os Correios atuam como mantenedores do benefício. Segundo a entidade, uma mudança no modelo pode aumentar os gastos das famílias, e a preocupação envolve mais de 170 mil trabalhadores, aposentados e dependentes. A federação diz ainda que já solicitou formalmente à empresa a retomada das negociações. Os Correios informam que as agências permanecem abertas e funcionando normalmente e que adotaram um plano de ação contra os impactos da greve, com servidores administrativos apoiando a operação e mutirões de entrega.Sobre os efeitos práticos da decisão, os relatos divergem. A Folha noticiou que o tribunal determinou o retorno ao trabalho nesta sexta-feira (25), dentro do julgamento do dissídio coletivo. Já o g1 destacou que a rejeição da abusividade afasta, ao menos por enquanto, o risco de encerramento imediato do movimento por determinação judicial. No relatório, a relatora negou pedidos dos trabalhadores sem correspondência com a proposta da empresa, entre eles o vale-cultura e o adicional de complexidade, e confirmou a data-base da categoria em 1º de agosto de 2026.O próximo marco definido é a sexta-feira (25), data de retorno fixada pela decisão, conforme a Folha. No campo negocial, os sindicatos aguardam resposta ao pedido formal de retomada das tratativas sobre o plano de saúde. O tema também se conecta a uma disputa anterior: quatro cláusulas do acordo coletivo anterior, entre elas a do plano de saúde, foram suspensas por liminar de 26 de janeiro (Ticket Extra, Plano de Saúde, Trabalho em Dia de Repouso e Gratificação de Férias de 70%).

HBHenrique Barros
justice

Ex-chefe de gabinete de Lula tratou do caso Master com advogado de Vorcaro no WhatsApp

O então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, tratou da situação do Banco Master com Walfrido Warde, advogado do banqueiro investigado Daniel Vorcaro, em um grupo de WhatsApp chamado "Amigos". As mensagens, trocadas em julho de 2025, fazem parte do material extraído pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e analisado no inquérito do caso Master. A revelação é do jornal O Globo, nesta quinta-feira (24), e foi noticiada também pela rádio CBN.Na conversa, Warde pediu que Marcola levasse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um recado contra o Banco Central. Para o advogado, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, estaria "embarreirando" as negociações para a venda do Master ao BRB, banco público de Brasília. "@Marco Aurélio Marcola teremos de ir pra cima do Bacen. Peço pra avisar o presidente", escreveu Warde, que acrescentou: "O Gabriel não tem estofo pro cargo. Avise o chefe por favor". Quatro minutos depois, veio a resposta do então chefe de gabinete: "Vixe. Blz".Os diálogos ocorreram depois de Vorcaro relatar ter tomado conhecimento de uma reunião em que Galípolo teria apontado erros contábeis no Master. "Não dá mais (...) Temos que ir pro embate", escreveu o banqueiro a Warde. "Avise presidente amanhã e vamos pra guerra", pediu em seguida. "Ja fiz isso", respondeu o advogado. Quando Warde voltou a reclamar que Galípolo "pediu para fazer a operação do BRB e está embarreirando", Marcola escreveu: "Avisarei aqui. Dou notícias". Segundo O Globo, à época o BC já havia identificado, em auditorias, indícios de gestão fraudulenta em operações do Master envolvendo o BRB, encaminhados ao Ministério Público Federal.Linha do tempo do casoAbril de 2024: segundo O Globo, Warde inicia uma articulação com Marcola para colocar Vorcaro em contato com Lula; em áudio, o advogado diz que o chefe de gabinete cobrava um e-mail com os assuntos de interesse do banqueiro para marcar uma reunião.4 de dezembro de 2024: único encontro entre Lula e Vorcaro, segundo o governo.Julho de 2025: mensagens no grupo "Amigos", do qual participavam também o advogado Rafael Valim, sócio de Warde.Setembro de 2025: o BC formaliza a rejeição da compra do Master pelo BRB, após cinco meses de análise.24 de setembro de 2026: O Globo publica as conversas apreendidas pela PF.Defesas e respostasProcurado, Marcola, que deixou o cargo, afirmou por meio de assessoria que "nunca intermediou negociações, encaminhou documentos referentes a compras e licitações públicas ou atuou em favor de qualquer interesse privado". Em nota, disse que o caso "dizia respeito à ameaça de liquidação de um banco" e que, ao ser procurado por interlocutores da instituição, "apenas informou que faria os encaminhamentos institucionais e levaria as informações às instâncias cabíveis". Na versão veiculada pela CBN, a defesa acrescentou que ele apenas pediu a formalização de eventual pedido de audiência. Warde não se manifestou; a defesa de Vorcaro também não comentou.A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou que Lula se encontrou uma única vez com Vorcaro, em 4 de dezembro de 2024. "Não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro. O presidente não tem conhecimento da suposta articulação" de Warde e "tampouco enviou recado", diz a nota. Na ocasião, Vorcaro teria dito que se sentia alvo de perseguições, e Lula teria respondido que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. Procurado, o BC informou que não vai se pronunciar.O inquérito da PF sobre o Master segue em curso. Galípolo confirmou nesta quinta-feira (24) que foi intimado para depor como testemunha, com depoimento previsto para o começo de outubro. Também foram convocados o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, o dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, segundo reportagem do Estado de Minas (Folhapress). Na mesma investigação, dois ex-gestores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, são investigados sob suspeita de atuar em favor dos interesses de Vorcaro dentro do regulador; a defesa de ambos nega qualquer favorecimento. Nenhum dos citados neste episódio foi condenado.

HBHenrique Barros
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MP: delator do Master aparece 570 vezes como ganhador de R$ 176 milhões em apostas

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro" e delator do caso Banco Master, aparece como "ganhador" em 570 comunicações sobre apostas e prêmios registradas entre janeiro de 2020 e junho de 2025, em operações que somam R$ 176,4 milhões, aponta o Ministério Público de São Paulo. Os dados sustentaram mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (24) na terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada Crédito Oculto, conduzida pelo Gaeco com apoio da Receita Federal. Freixo é investigado por lavagem de dinheiro e não foi denunciado nesta fase da operação.Segundo o g1, as comunicações sobre prêmios e apostas chegaram ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por apresentarem sinais considerados atípicos, e Freixo figura em todas as 570 ocorrências na condição de "ganhador". Os promotores apontam um padrão de triangulação: terceiros fariam os jogos, mas os prêmios seriam transferidos diretamente para contas de empresas ligadas ao empresário, como a Cactus Assessoria e Serviços Ltda. Para o MP, a frequência incomum das premiações, o volume movimentado e o uso de casas lotéricas indicam que os registros poderiam servir para dissimular a origem de recursos, em vez de representar ganhos por sorte. As loterias não são investigadas nem integram o suposto esquema."Descortinou-se para além de atos característicos de lavagem de capitais, uma rede de estruturação financeira fraudulenta envolvendo prêmios e apostas, aparentemente, com o intuito em lavar dinheiro dos seus clientes", escreveram promotores do Gaeco na representação à Justiça, citada pelo InfoMoney.Linha do tempo do casoFreixo ficou conhecido nas investigações do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, extinto no rastro das apurações. Em agosto, ele fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, homologado em setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na delação, detalhou operações financeiras com Vorcaro, entre elas repasses ao fundo que financiou o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo o InfoMoney. Sua holding, a Entre Investimentos, já havia sido liquidada pelo Banco Central em março, na esteira da Operação Compliance Zero, que investigou fraudes no Master. Freixo começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy, passou pelo mercado financeiro e fundou o Grupo Entre em 2016.A ligação com os combustíveisNa fase atual, a investigação o descreve como líder do Grupo Entre Investimentos e um dos principais prestadores de serviços de blindagem financeira e lavagem de capitais para a organização criminosa atribuída a Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e a Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", ambos foragidos e ligados ao setor de distribuição de combustíveis. O elo com esse mercado aparece por meio de empresas dele: a EntrePay recebeu R$ 166,5 mil da Ceopag, fintech que teria sido usada por empresas ligadas aos dois foragidos, e a Entre Investimentos repassou R$ 620 mil à Quimicolor, apontada como parte de uma estrutura de pagamentos envolvendo metanol desviado para adulteração de combustíveis. O g1 ressalva que a existência dessas transações não significa que Freixo tenha sido apontado como integrante da organização.Segundo a Receita Federal, os mandados envolveram 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas em sete estados: 26 cumprimentos em São Paulo e um em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A autorização foi do juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva (SP), segundo o InfoMoney. Na coletiva de imprensa, o superintendente da Receita Federal afirmou que "existe uma indústria de fornecimento de estruturas financeiras para lavar dinheiro", nas palavras registradas por O Globo e pela UOL. O objetivo declarado da fase é desvendar estruturas de lavagem usadas para comprar uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país; segundo o órgão, uma usina sucroalcooleira teria recebido R$ 100 milhões que atravessaram contas de passagem em fintechs em poucos minutos.O g1 informou que tentava localizar a defesa de Freixo para ouvi-lo sobre a operação, sem sucesso até a publicação desta reportagem. Como investigado, ele mantém a presunção de inocência. O próximo passo da apuração é a análise dos documentos e equipamentos apreendidos, e os promotores afirmam buscar esclarecer o contexto e a finalidade das movimentações. A colaboração premiada do empresário com a PGR, homologada em setembro, segue em vigor no STF.

HBHenrique Barros
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Galípolo confirma intimação da PF e deve depor como testemunha no caso Master em outubro

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira (24), em Brasília, que foi intimado pela Polícia Federal para depor como testemunha no inquérito que apura o caso do Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O depoimento deve ocorrer no início de outubro. Perguntado sobre a data exata, Galípolo disse não lembrá-la, segundo a CNN Brasil.Além do presidente da autoridade monetária, a PF também intimou o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, o dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino, para prestar informações. A ordem de intimação foi noticiada pelo G1 no dia 9 de setembro.O inquérito investiga dois ex-gestores do Banco Central: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária. Segundo o inquérito, relatou a Folha de S.Paulo, eles teriam atuado em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BC e repassado informações sobre a fiscalização do regulador. As defesas dos dois negam que tenham adotado medidas de favorecimento ao ex-banqueiro. A conduta dos dois também é analisada pela CGU (Controladoria-Geral da União) desde março, em processo administrativo disciplinar que pode levar à demissão dos servidores. Nenhum dos citados no caso foi condenado.Como o caso chegou até aquiFevereiro de 2022: a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abre processo com base em comunicação do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) com indícios de problemas no Master; o caso foi depois arquivado sem apurações, aponta decisão do ministro Flávio Dino, do STF.Março: a CGU abre processo administrativo disciplinar sobre a conduta dos dois ex-gestores do BC.9 de setembro: o G1 informa que a PF mandou intimar Galípolo, Campos Neto e Esteves para depor.24 de setembro: Galípolo confirma a intimação; no mesmo dia, Dino determinou à PF a abertura de inquérito para apurar suposta omissão da CVM.Reportagens da Folha com base em mensagens extraídas do celular de Vorcaro apontam pagamentos do Master, em 2025, a empresas ligadas a um parente de servidor do BC e a um ex-servidor: R$ 120 mil à LR Consultoria, de Leonardo Eyer Harris, irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do diretor Gilneu Vivan, e R$ 3 milhões à JGM Solutions, de João André Calviño Marques Pereira, ex-chefe do departamento de Regulação do Sistema Financeiro. Ricardo Eyer Harris disse ter comunicado a alta administração da autarquia sobre o contrato do irmão e negou participação direta ou indireta em decisões ligadas ao Master; João André afirmou que os pagamentos começaram em agosto de 2025, depois de sua exoneração, em junho daquele ano. Galípolo defendeu a presunção de inocência do servidor e disse que ele informou seus superiores diretos sobre a consultoria prestada pelo irmão a Vorcaro na área de mineração.O próximo passo é o depoimento de Galípolo à PF, na condição de testemunha, no início de outubro. Nenhuma data foi divulgada para os depoimentos de Campos Neto, Esteves e Aquino.

HBHenrique Barros
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Dino determina inquérito da PF sobre suposta omissão da CVM no caso Master

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (24) a abertura de inquérito policial para apurar eventual omissão da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no caso do Banco Master. A decisão foi tomada em ação que discute a capacidade de fiscalização da autarquia, vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável por regular o mercado de capitais brasileiro. A Polícia Federal vai apurar possíveis ilícitos na atuação de agentes públicos do órgão e de autoridades de alto escalão que possam ter influenciado seus processos decisórios.O eixo central da apuração é um processo aberto em fevereiro de 2022 a partir de uma comunicação formal do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o fundo privado que garante depósitos bancários no país. Segundo o G1, o relatório da CVM citado na decisão de Dino registra que a comunicação trazia indícios detalhados de possível insuficiência financeira do Grupo Master, de inconsistências em demonstrações contábeis e de manipulação de cotações de fundos abertos. A área técnica da autarquia, à época, tratou o documento como denúncia anônima "desprovida de elementos suficientes" e o arquivou sem realizar apurações, como registrou a Folha de S.Paulo.De acordo com o G1, o alerta apontava ainda o uso de recursos captados com cobertura do FGC para comprar ativos de baixa liquidez, estimados em mais de R$ 3 bilhões de um total de R$ 5 bilhões, e um mecanismo em que novos aportes serviam para honrar resgates anteriores, antecipando riscos que só se tornaram públicos anos depois.O que a decisão determinaDino escreveu que há suspeitas que "ultrapassam a esfera de possíveis irregularidades exclusivamente administrativas ou regulatórias". Em trecho citado pela Folha, o ministro afirmou:"Há indícios que configuram o dever legal de apuração de eventuais ilícitos relacionados à atuação funcional de agentes públicos ligados à Comissão de Valores Mobiliários, bem como de autoridades de alto escalão que teriam influenciado em processos decisórios na autarquia."Para o ministro, a tramitação do processo arquivado "descreve circunstâncias que, em tese, ultrapassam o domínio de simples falhas operacionais ou deficiências regulatórias". Dino manteve o novo inquérito sob sua relatoria, por entender que ele tem conexão com a investigação já em curso sobre operações financeiras entre o Master, do empresário Daniel Vorcaro, e concessionárias de cemitérios do município de São Paulo. A CVM foi intimada a entregar, em até 72 horas, cópia integral do processo arquivado e a informar quais unidades técnicas e agentes tiveram acesso ao material, os fundamentos do sigilo aplicado e as providências adotadas depois do arquivamento. A PF deve apresentar o primeiro relatório em até 60 dias.Linha do tempo do casoFevereiro de 2022: o FGC encaminha à CVM comunicação formal com indícios detalhados sobre o Grupo Master.Posteriormente: a área técnica da CVM classifica o material como denúncia anônima sem elementos suficientes e arquiva o processo, sem apurações.24 de setembro de 2026: Dino determina inquérito da PF sobre a atuação da CVM; a autarquia tem 72 horas para entregar o processo arquivado.A decisão não aponta nomes. Caberá à PF identificar eventuais responsáveis, que responderão apenas como investigados até eventual denúncia e condenação. No inquérito mais amplo do caso Master, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou nesta quinta-feira ter sido intimado pela PF para prestar depoimento como testemunha em outubro, segundo a Folha.

HBHenrique Barros
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STF iguala licença-maternidade de mães adotivas e biológicas em 120 dias

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, nesta quarta-feira (23), igualar a licença-maternidade de mães biológicas e adotivas. Todas as mães passam a ter direito a afastamento remunerado de 120 dias, prorrogável por mais 60 dias, tanto para trabalhadoras regidas pela CLT quanto para servidoras públicas de regime estatutário. O relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, teve o voto acompanhado pelos dez demais integrantes da Corte.O julgamento, iniciado em 16 de setembro, foi concluído nesta quarta. A decisão vale para licenças novas e para as que estavam em curso em 23 de setembro; períodos já encerrados não são alcançados. O prazo será contado a partir do 9º mês de gestação, do parto, da adoção, da obtenção da guarda para fins de adoção ou da alta hospitalar do recém-nascido ou da mãe, o que ocorrer por último. Os ministros também vedaram a discriminação na concessão do benefício com base no vínculo de trabalho da mãe.A regra anterior e a ação da PGRNo funcionalismo federal, a mãe biológica estatutária tinha 120 dias de licença remunerada, enquanto a mãe adotante tinha 90 dias se a criança tivesse até um ano e apenas 30 dias se fosse mais velha. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que rege a iniciativa privada, já equiparava os dois casos. A ação, proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), pedia a declaração de incompatibilidade dessas normas com a Constituição, para vincular tanto órgãos do Poder Judiciário quanto a administração pública.Segundo a PGR, o STF já havia decidido, em 2023, que não é possível discriminar o tempo de licença entre mães biológicas e adotantes, citando os princípios da dignidade humana, da igualdade entre filhos e do melhor interesse da criança. Para a Procuradoria, porém, aquele precedente serviu de base apenas para órgãos do Judiciário, não suspendeu a eficácia das leis em contrário e a distinção seguiu ocorrendo na prática."Entende-se, portanto, ser cabível esta ação direta, que se dirige não somente a afastar a aplicação de disposições normativas que, na atualidade, acabam por configurar um tratamento discriminatório quanto à concessão de licença parental, como também fixar no plano jurídico-objetivo a tese de que o sistema de proteção parental há de se submeter a um regime jurídico uniforme, independentemente do vínculo laboral da categoria que dele se beneficie", argumentou a PGR.Como foi o julgamentoNa abertura do julgamento, em 16 de setembro, Moraes foi acompanhado pelos ministros Cármen Lúcia, Flávio Dino e Dias Toffoli. Nesta quarta, seguiram o relator Cristiano Zanin, André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux, Gilmar Mendes e o presidente da Corte, Edson Fachin. "Se todos são filhos, a mãe é mãe de todos, dos filhos naturais, biológicos, adotivos, então a licença maternidade deve ser igual para todos", afirmou o relator, segundo o G1.O ministro Kassio Nunes Marques sustentou que o regime jurídico "pode disciplinar inúmeros aspectos da relação de trabalho ou funcional, mas não pode alterar a intensidade da proteção constitucional devida à maternidade e à infância". "A criança não necessita de mais ou menos cuidado conforme sua mãe seja empregada, servidora ou militar", completou. Cármen Lúcia afirmou que "o filho é filho e pronto". O tribunal negou apenas um pedido da PGR, o compartilhamento da licença parental entre os integrantes do núcleo familiar; conforme a CNN Brasil, os ministros entenderam que cabe ao Legislativo regulamentar essa divisão. Com o encerramento do julgamento, o caso segue para a lavratura do acórdão, que será publicado no Diário da Justiça Eletrônico, ainda sem data definida.

HBHenrique Barros
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PF aponta que lobista amiga de Lulinha ordenou R$ 60 mil em depósitos a cúpula do MDS

A Polícia Federal aponta em investigação que a lobista Roberta Luchsinger ordenou ao seu motorista e auxiliar pessoal, Ulisses Barbosa, pagamentos em dinheiro a dois integrantes da cúpula do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), pasta comandada pelo ministro Wellington Dias, e a uma terceira pessoa ligada a um deles. Os depósitos, num total de R$ 60 mil em espécie, foram feitos em 2 de junho de 2023.As mensagens foram encontradas no celular de Roberta e publicadas nesta quarta-feira (23) pelo jornal O Estado de S. Paulo, que afirma ter tido acesso às conversas e aos comprovantes dos depósitos. A Folha de S.Paulo confirmou as informações após examinar o mesmo material e acrescenta que a lobista guardava dinheiro vivo em malas na residência.Segundo a PF, uma das contas é de Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS e hoje o número 3 do ministério. Outra é de José Martinho Ferreira de Araújo, atual coordenador do cerimonial da pasta, que já trabalhou como motorista do gabinete de Wellington Dias no Senado. A terceira conta pertence, segundo os investigadores, à mãe da filha de José Martinho.Como os pagamentos ocorreramNos diálogos, Roberta pediu a Ulisses que retirasse de sua casa os R$ 60 mil em dinheiro vivo e fizesse os depósitos nas três contas no mesmo dia. O auxiliar demonstrou preocupação com o volume e com o controle bancário, e executou a ordem mesmo assim."Esse montante de 60k tem que ser diluído para depositar.. pq o banco faz uma série de questionamentos", escreveu Ulisses. Ao chegar ao banco, ele avisou: "Já estou no banco. Acima de 50 mil por dia por CPF a moça disse que o Banco Central já fica de olho... já aciona tipo um alerta lá. Só avisando."Roberta é investigada, junto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência. Todos os citados são investigados; ninguém foi denunciado ou condenado por esses fatos. Etapas anteriores da investigação já haviam revelado pagamentos de R$ 217 mil da lobista ao ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.Segundo a Folha, o MDS fechou um contrato com um empresário de tecnologia representado por Roberta cerca de seis meses após os pagamentos. Procurado, o ministério não se manifestou, e a defesa de Ulisses Barbosa não foi localizada.Linha do tempo2014: José Martinho é detido pela Polícia Rodoviária Federal na Bahia transportando R$ 180 mil em dinheiro vivo de Brasília ao Piauí, sem comprovação da origem; na época, trabalhava para o gabinete de Wellington Dias no Senado.2 de junho de 2023: Ulisses Barbosa faz os depósitos de R$ 60 mil, por ordem de Roberta.Cerca de seis meses depois: o MDS contrata empresário de tecnologia representado pela lobista, segundo a Folha.23 de setembro de 2026: o Estadão publica as mensagens apreendidas; a Folha confirma ter tido acesso ao material.O que dizem as defesasA defesa de Roberta, pelo advogado Roberto Podval, disse desconhecer as conversas. "A defesa desconhece tais conversas, insiste que os autos estão sob sigilo e lamenta esses vazamentos ilegais com puro interesse político eleitoreiro. Estamos seguros de que as autoridades não ficarão passivas diante de tais vazamentos", afirmou.O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, sustentou que não é possível confirmar a autenticidade das mensagens e negou a relação do cliente com os depósitos. "O Fábio reitera que não tem relação com qualquer tipo de irregularidade nem qualquer desvio ou suspeita relacionada a dinheiro público. Ele fala apenas por si", disse.Segundo o Estadão, o próximo passo é a análise, pela PF, da quebra dos sigilos de Roberta Luchsinger, para apurar se houve pagamentos a outros servidores da pasta. Os inquéritos seguem sob sigilo e não há data definida para sua conclusão.

HBHenrique Barros
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A pedido de Flávio, TSE manda Lula tirar do ar vídeo sobre caso Master

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou na terça-feira (22) que o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, retire das redes sociais, em até 24 horas, um vídeo gravado no Palácio da Alvorada em que comenta o caso Master. A decisão, liminar, atende a representação do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial. Às 8h45 desta quarta-feira (23), o vídeo ainda estava no ar no YouTube e no Instagram do presidente, segundo o G1.No vídeo de um minuto e vinte segundos, gravado e publicado em 3 de setembro em perfis registrados na Justiça Eleitoral como canais oficiais da campanha, Lula defende um código de ética para o Judiciário e critica o que chama de vazamentos seletivos no caso Master, que reúne investigações sobre o Banco Master. As afirmações sobre o caso são do próprio presidente; nenhum investigado foi condenado."O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos", disse Lula no vídeo.O que a decisão dizNa representação, Flávio Bolsonaro acusa a chapa formada por Lula e pelo vice Geraldo Alckmin (PSB) de conduta vedada pelo artigo 73 da Lei das Eleições, que proíbe o uso de bens públicos em benefício de candidatura. Uma resolução do TSE permite que presidentes gravem conteúdo eleitoral em um cômodo da residência oficial, desde que o ambiente seja neutro. Para Nunes Marques, a exigência não foi cumprida: as imagens mostram Lula com a bandeira nacional ao fundo e o estandarte presidencial, elementos de caráter institucional."A realização de manifestação de conteúdo eleitoral em cômodo da residência oficial não é, portanto, por si só, proibida. Sua licitude depende, contudo, do cumprimento cumulativo das condições estabelecidas pelo dispositivo, entre elas a utilização de ambiente neutro, desprovido de elementos associados ao poder público ou ao cargo ocupado", escreveu o ministro.O ministro também proibiu o uso do vídeo, inteiro ou em trechos, no horário eleitoral gratuito de rádio e TV, e determinou que as plataformas removam o material. Segundo a CNN Brasil, o pedido de que as redes preservassem os dados das publicações foi negado, porque um relatório técnico já anexado ao processo documenta o conteúdo.Próximos passosNunes Marques deu cinco dias para a Presidência da República, a Secretaria de Comunicação (Secom) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) informarem ao TSE o registro de acesso ao Alvorada, quem autorizou a entrada, a identificação da equipe técnica que participou da gravação, os servidores e equipamentos usados na produção e a origem do custeio do material. As respostas servem para apurar se houve também uso de servidores e serviços públicos, vedado pelo mesmo artigo.Lula e Alckmin terão cinco dias para apresentar defesa depois de citados. A decisão é liminar, proferida em processo que ainda tramita, e não encerra a apuração. Procurada pela CNN Brasil, a campanha de Lula não havia respondido até a publicação desta reportagem.

HBHenrique Barros
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R$ 14,3 bi em ações judiciais estão na raiz da influência de Vorcaro, aponta Folha

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tinha ao menos R$ 14,3 bilhões aplicados em 16 ações judiciais cujo resultado dependia de decisões dos tribunais. O mapeamento é da Folha de S.Paulo, publicado nesta quarta-feira (23), e se apoia em relatório do escritório Galdino Advogados obtido pelo jornal. Conhecidos no mercado como pré-precatórios, esses direitos a indenizações futuras pagas pela União formavam um dos principais negócios do Master e, segundo a reportagem, estão na raiz da rede de contatos que Vorcaro montou no Judiciário.O documento foi elaborado em 2024, pago pelo próprio Vorcaro e depois entregue ao Banco Central para embasar a fiscalização do Master, que apurava inconsistências na instituição. O parecer estimava a chance de os créditos contra a União se converterem em pagamento e o prazo para isso. Ele não avaliava se o preço atribuído a esses ativos no balanço do banco estava correto, uma lacuna apontada por investigadores do caso, segundo a Folha.Como funcionava a apostaO caso principal envolve a fixação de preços pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) nas décadas de 1980 e 1990. Usinas alegaram que a política as obrigava a vender álcool e açúcar abaixo do custo de produção e pediram indenizações à Justiça. A Advocacia Geral da União estima em 178 o número de ações sobre o tema. Segundo o Conselho da Justiça Federal, os títulos já expedidos no setor sucroalcooleiro somam cerca de R$ 47,8 bilhões; a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025 projeta impacto fiscal de R$ 79,6 bilhões.A lógica do negócio era comprar esses direitos por valores na faixa de 20% do estimado para cada ação. Quando o STJ ou o STF acolhia teses favoráveis ao pagamento das indenizações, os detentores dos créditos embolsavam diferenças bilionárias, pagas pela União. Um contrato obtido pelo Portal Metrópoles mostra a dimensão: honorários de R$ 427 milhões, correspondentes a 5% líquidos sobre o que o banco viesse a receber em 12 processos capazes de destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios.Mensagens e defesasAs relações de Vorcaro com magistrados vêm sendo expostas por mensagens extraídas do celular dele, apreendido na investigação do caso Master, que corre no STF sob a relatoria do ministro André Mendonça. Em uma conversa citada pela Folha, o ex-banqueiro e o diretor jurídico Luiz Rennó discutem o pagamento de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Segundo o jornal, Kevin acumulou quase R$ 28 milhões em pouco mais de dois anos de advocacia.Em nota, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou:"Nunca votou a favor de Daniel Vorcaro, nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele. São irresponsáveis quaisquer tentativas de relacionar a atuação do Ministro com os serviços prestados pelo filho ou quaisquer terceiros."O Master também mantinha contrato de R$ 129 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Procurado pela assessoria do STF, o ministro não respondeu. No STJ, conversas mostram o ministro Benedito Gonçalves dizendo a Vorcaro estar "sempre à disposição"; ele não respondeu aos questionamentos da Folha quando as mensagens foram reveladas. Parte dos investigadores do caso passou a chamar o ex-banqueiro de "concierge do Judiciário".A linha do tempo a seguir resume o caso:Anos 1980 e 1990: o IAA fixa preços de álcool e açúcar; usinas recorrem à Justiça contra a União pedindo indenizações.2024: Vorcaro paga o parecer do Galdino Advogados sobre os créditos; o documento é entregue ao Banco Central.Julho de 2026: a Polícia Federal envia aos ministros do STF o HD com as mensagens extraídas do celular de Vorcaro.Setembro de 2026: os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes exigem a íntegra do arquivo; a Folha publica o mapeamento dos R$ 14,3 bilhões.Vorcaro é investigado e está preso no âmbito do caso Master. O próximo passo conhecido é o exame, pelos ministros da Corte, da íntegra do HD enviado pela PF, reivindicada na semana passada. Mendonça nega conduzir a apuração de forma direcionada. Não há data divulgada para os próximos atos do inquérito.

HBHenrique Barros
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Moraes arquiva investigação contra ex-diretores da PRF por blitzes na eleição de 2022

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (22) o arquivamento da investigação contra três ex-diretores da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acusados de tentar dificultar ou impedir o deslocamento de eleitores no segundo turno das eleições de 2022. A decisão seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que concluiu não haver elementos para manter a apuração contra os três.O arquivamento beneficia Djairlon Henrique Moura, ex-diretor de Operações; Luis Carlos Reischak Junior, ex-diretor de Inteligência e ex-superintendente da PRF no Rio Grande do Sul; e Rodrigo Cardozo Hoppe, ex-diretor substituto de Inteligência. Segundo o G1, Moraes afirmou que, diante do entendimento da PGR, o caso deve ser encerrado.Como o caso chegou até aquiA apuração nasceu das blitzes realizadas pela PRF em 30 de outubro de 2022, dia do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). As fiscalizações se concentraram no Nordeste, região em que Lula liderava as pesquisas de intenção de voto. Um relatório obtido na época pelo blog da jornalista Andréia Sadi, do G1, mostra que a corporação fiscalizou 2.185 ônibus no Nordeste contra 571 no Sudeste entre 28 e 30 de outubro.Na véspera da votação, o então diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, havia declarado voto em Bolsonaro. No dia da eleição, Moraes determinou a suspensão imediata das blitzes, sob pena de prisão do diretor-geral. A ordem foi desrespeitada pela corporação, relatam o G1 e o portal Imprensa 24h.Em janeiro de 2025, a Polícia Federal indiciou cinco pessoas no inquérito, entre elas os três ex-diretores. A corporação reuniu indicações dos crimes de desobediência, prevaricação, restrição ao exercício do direito de voto e participação, por omissão, em tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Indiciamento é uma etapa policial e não configura condenação.O que significa o arquivamentoO arquivamento encerra a persecução penal contra os três ex-diretores sem que denúncia tenha sido oferecida e sem julgamento de mérito. A medida seguiu o entendimento da PGR de que faltavam elementos contra os ex-gestores e não equivale a um veredito de inocência ou culpa. Pela legislação processual penal, a apuração pode ser reaberta se surgirem novas provas. Não há atos futuros agendados nesta linha do inquérito, e o G1 não detalha a situação dos outros dois indiciados no caso.

HBHenrique Barros
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Desembargador do TRF-1 votou a favor do Master antes de contrato de R$ 427 mi da esposa

O desembargador federal Newton Pereira Ramos Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), votou em duas ocasiões, em janeiro e junho de 2024, contra recursos da União e a favor dos interesses do Banco Master em um processo da Usina Cansanção de Sinimbu, de Jequiá da Praia (AL). Cerca de seis meses depois do segundo voto, a esposa do magistrado, a advogada Camilla Rose Ewerton Ferro Ramos, e um filho dele firmaram com o banco um contrato que previa honorários de até R$ 427 milhões. A apuração é do O Estado de S. Paulo, publicada nesta terça-feira (22) e também relatada pela Folha de S.Paulo.Os dois votos foram dados em sessões virtuais da 11ª Turma do TRF-1, sempre por unanimidade, segundo o Estadão. Na primeira, entre 22 e 26 de janeiro de 2024, a turma acolheu recurso da usina e limitou a perícia que servirá para calcular a indenização devida pela União; o governo defendia uma análise mais ampla, com novos documentos. Na segunda, entre 3 e 7 de junho, o colegiado rejeitou os recursos da União e manteve, na prática, a restrição ao trabalho dos peritos.A usina está em recuperação judicial e cobra da União uma indenização por prejuízos que atribui à política de controle de preços do setor sucroalcooleiro. O Master atuou no processo em conjunto com a empresa e, segundo a Polícia Federal, comprava direitos creditórios de usinas em recuperação para inflar artificialmente a liquidez do banco, do empresário Daniel Bueno Vorcaro, preso no curso das apurações, conforme noticiou a Folha. O contrato posterior, assinado por Camilla e pelo filho do magistrado, Gabriel Ribeiro Gonçalves Ramos, previa pagamento em caso de êxito em 12 ações que somavam R$ 8,5 bilhões, ligadas a precatórios do setor. Segundo a Folha, Camilla é apontada ao lado de Newton como integrante da "Turma do KN", expressão que seria uma referência ao ministro do STF Kassio Nunes Marques, amigo do desembargador, de quem Newton foi juiz auxiliar.Como o caso chegou até aquiJaneiro de 2024: em sessão virtual da 11ª Turma do TRF-1, Newton Ramos vota com a maioria que acolhe recurso da usina e limita a perícia de cálculo da indenização.Junho de 2024: a turma rejeita recursos da União e mantém a restrição à perícia.Cerca de seis meses depois: a esposa e o filho do desembargador assinam o contrato de honorários de até R$ 427 milhões com o Master, depois revelado em apurações sobre o caso.22 de setembro de 2026: o Estadão publica a relação entre os votos e o contrato, e um advogado protocola reclamação disciplinar contra o desembargador no CNJ.A defesa do desembargadorProcurado pelo Estadão, Newton Ramos afirmou que o julgamento não teve caráter isolado. "Foi julgado em bloco, em sessão virtual com aproximadamente 300 processos", disse o magistrado, que completou ao jornal:"À época, não havia nos autos indicação de interesse do Banco Master, cujo ingresso ocorreu somente após o julgamento e, desde então, o impedimento legal encontra-se devidamente anotado."A advogada Camilla Ramos não se manifestou até a publicação da reportagem do Estadão. A Folha informou que procurou, nesta terça, a assessoria de imprensa do TRF-1 e o escritório da advogada, sem resposta até o fechamento desta matéria.Nesta terça, o advogado Alex Ferreira Borralho apresentou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma reclamação disciplinar pedindo a abertura de apuração sobre a conduta do desembargador. "Importante seja apurado se existe um comprometimento funcional na atuação do requerido (Newton Ramos) em benefício de terceiro (Daniel Bueno Vorcaro) e de sua esposa, com contornos de dimensões profundas que realçam relações e conexões econômico-financeiras e interesses privados voltados para aquele e para o Banco Master", escreveu Borralho na petição.O próximo passo é o exame da reclamação pelo CNJ, que decidirá se abre procedimento disciplinar contra o desembargador. Não há prazo divulgado para a decisão, e o tribunal e o escritório de Camilla ainda podem se manifestar sobre as novas informações. Até o momento, nenhuma acusação formal foi apresentada contra Newton Ramos, que responde apenas à reclamação disciplinar.

HBHenrique Barros
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PF prende em flagrante vereador Jorge Canella com dois fuzis e submetralhadora no Rio

A Polícia Federal prendeu em flagrante, na manhã desta terça-feira (22), o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil), coronel da reserva da Polícia Militar. Segundo a PF, agentes encontraram dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito, em desacordo com a previsão legal, em um imóvel na Barra da Tijuca. A ação é a sétima fase da Operação Unha e Carne, deflagrada para apurar suspeita de posse irregular de armas de fogo de uso restrito contra um dos investigados do caso.A PF cumpriu três mandados de busca e apreensão, na Barra da Tijuca, no Recreio dos Bandeirantes e na Câmara Municipal do Rio. Segundo a CNN Brasil, as ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que conduz a investigação. A emissora relatou que não havia mandado de prisão contra o parlamentar; a prisão em flagrante decorreu do encontro das armas. O vereador, cujo nome de registro é Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, segundo a revista Veja, foi levado com o armamento à Superintendência Regional da PF no Rio.Em nota, a PF afirmou que ele responderá pelo crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. A CNN Brasil informou ter tentado contato com a defesa do vereador e não ter recebido resposta até a publicação. Segundo a emissora, a polícia apura a ligação entre Jorge Canella e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil); a Veja descreve o vereador como ligado ao ex-prefeito.O caminho até a sétima faseA Operação Unha e Carne investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro no Rio que, de acordo com um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) citado pela CNN Brasil, movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A PF suspeita que uma rede de postos de combustíveis da região metropolitana servia de plataforma para o esquema, com participação de agentes públicos. Em fases anteriores, foram presos os políticos Rodrigo Bacellar, TH Joias e Thiago Rangel e o pastor Márcio Poncio, todos investigados.Na sexta fase, em 7 de julho, Márcio Canella, então presidente estadual do União Brasil e pré-candidato ao Senado, foi preso em flagrante após a PF encontrar um fuzil de calibre .556 em seu carro. Ele negou ser o proprietário da arma e, segundo a PF, era apontado como braço político do grupo investigado.Preso em flagrante, Jorge Canella deve ser apresentado a um juiz em audiência de custódia em até 24 horas, prazo previsto na legislação brasileira. Na audiência, o juiz decidirá se mantém a prisão ou converte o flagrante em outra medida cautelar. O ato é o próximo passo do caso e não tinha horário divulgado até o fechamento desta reportagem.

HBHenrique Barros
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Fraude com senha de juíza adultera mandado de prisão de réu no caso 'Escorpião do PCC'

O Tribunal de Justiça de São Paulo afirma que credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul foram usadas para adulterar, no BNMP (Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões), o mandado de prisão do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, apontado pela polícia como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) e conhecido como Baianão ou "Escorpião do PCC". A principal suspeita é de ação hacker, segundo a Justiça gaúcha. O caso foi noticiado pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (22), único veículo, até agora, a relatar a fraude.Com a alteração, o cadastro do réu passou a exibir o nome e o CPF de outra pessoa. Na prática, Alex deixou de constar como procurado quando seu nome era consultado pelas polícias do país, segundo o jornal. A fraude teria ocorrido em 23 de agosto. Uma verificação do TJ-SP constatou que o RJI (Registro Judiciário Individual) do réu foi alterado por meio da senha e do login de uma magistrada da cidade de Planalto, no Rio Grande do Sul.Como o caso chegou até aquiAlex é réu sob a acusação de matar a companheira Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, na madrugada de 29 de novembro de 2025, no 10º andar de um prédio na Vila Andrade, zona sul de São Paulo. Segundo a investigação, ele teria jogado a jovem da sacada do apartamento onde viviam. O Metrópoles noticiou que a decisão que converteu a prisão em preventiva, assinada pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, citou informações de que o acusado se vangloriava de ser "escorpião do PCC" e uma condenação criminal anterior.Em 6 de agosto deste ano, o juiz Antonio Carlos Pontes de Souza concedeu liberdade provisória ao empresário, que foi solto, segundo a Folha. O Metrópoles relatou que a soltura veio acompanhada de medidas cautelares, como o afastamento das testemunhas e o comparecimento periódico à Justiça. O Ministério Público paulista recorreu, e o desembargador Hermann Herschander restabeleceu a ordem de prisão em 10 de agosto, citando a "periculosidade" do acusado. Segundo o MP, Alex é considerado foragido. A adulteração no BNMP foi descoberta quando a promotoria percebeu, em 16 de setembro, que o mandado de prisão não aparecia mais no sistema.Apuração e próximos passosSegundo a Folha, a Justiça do Rio Grande do Sul afirma que as credenciais da magistrada teriam sido "hackeadas/roubadas" e usadas também para modificar e assinar fraudulentamente outros documentos. O episódio foi encaminhado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que apura a fraude. Ao jornal, o conselho disse que não comenta casos específicos. O Ministério Público informou que, até o momento, não foi identificado o responsável pela adulteração.A defesa do empresário nega o crime, afirma que a jovem cometeu suicídio e nega que ele pertença à facção criminosa. Alex segue réu no processo por homicídio, que continua em curso na Justiça de São Paulo. Não há prazo divulgado para a conclusão da apuração do CNJ.

HBHenrique Barros
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Mensagens apreendidas indicam que Vorcaro bancou viagem e homenagem a Fux em NY

Mensagens trocadas por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, indicam que ele usou duas empresas para custear, em maio de 2024, uma viagem do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), a Nova York e um almoço em homenagem ao magistrado. A reportagem é da Folha de S.Paulo desta terça-feira (22). As conversas constam do telefone de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal dentro da investigação sobre o banco. Vorcaro é investigado e não há condenação relacionada ao caso.Segundo o jornal, entre março e maio de 2024 Vorcaro deu orientações a uma funcionária para comprar as passagens e hospedagens de Fux e da esposa do ministro, Eliane Fux, e pediu que as despesas fossem feitas por meio de Antonio Camarotti, CEO e publisher da revista Forbes no Brasil. Em uma das trocas, um funcionário diz a Vorcaro que Camarotti havia confirmado a presença do ministro em um dos eventos que a revista realizava em Nova York."Nós vamos emitir a passagem e hospedagem dele e esposa. Pode seguir?", escreveu o funcionário. "Pode, mas temos que fazer via o Camarotti. Nao podemos nos mesmos fazermos [sic] a emissão", respondeu Vorcaro.Em nota enviada pela assessoria de imprensa do STF, Fux afirma que nunca trocou mensagens com Vorcaro e que "nunca foi convidado por ele para eventos". O ministro diz que foi "convidado diretamente pela Forbes" e que "proferiu palestra em evento da revista, em maio de 2024, sobre segurança jurídica e o risco Brasil". Sustenta ainda que não teve contato com Vorcaro durante o almoço.O almoço foi organizado pela Forbes com patrocínio da BeFly, empresa do mercado de turismo que teve o banco de Vorcaro como parceiro financeiro. Os diálogos apreendidos indicam que o ex-banqueiro apoiou os eventos da revista por meio dessa agência, segundo a Folha. Em nota, a Forbes Brasil confirma que a BeFly patrocinou o almoço em homenagem a Fux e que o Master foi um dos apoiadores da Forbes Party em Nova York, feita no dia seguinte, e defende que se trata de "relações comerciais de patrocínio, formais, regulares e transparentes".Linha do tempoO Master comprou, em 2023, o direito de receber precatórios por meio de fundos administrados por empresas hoje investigadas na Operação Compliance Zero, conforme apuração do G1. A Polícia Federal suspeita de títulos expedidos pela Justiça antes do fim dos processos, quando a União ainda podia recorrer. O Cade aprovou a venda do banco ao BRB em maio de 2025. O telefone de Vorcaro foi apreendido pela PF e, um dia depois de virem a público conversas entre o ex-banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro, Fux pediu aos investigadores os dados do aparelho.O caso Master domina o noticiário da campanha eleitoral a 12 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Não há, até agora, data divulgada para o próximo passo processual ligado a este episódio.

HBHenrique Barros
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A 13 dias da eleição, Tarcísio lança policiamento de motos com fuzis em SP

O governo de São Paulo lança nesta terça-feira (22) um novo modelo de policiamento com motocicletas e uso de fuzis para rondas em corredores urbanos da capital, principalmente nas áreas com grande incidência de roubos. A coluna Painel, da Folha de S.Paulo, antecipou o anúncio e destacou o calendário: a medida entra em operação a 13 dias da eleição. O estado é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos).A estrutura vai mobilizar 250 policiais e 150 motocicletas na capital paulista, com foco nos corredores urbanos, segundo o Brasil 247, que descreveu a força como uma estrutura militar. A reportagem da Folha traz foto de uma dupla de policiais do Bravo, o Batalhão de Resposta Avançada Operacional.Da proposta de campanha ao lançamentoA ideia não nasceu nesta semana. Em 12 de agosto, a Jovem Pan listou um batalhão de motos com fuzil entre as propostas de segurança pública apresentadas por Tarcísio, ao lado de um boletim de ocorrência (B.O.) integrado. Nesta terça, o plano saiu do papel.O objetivo declarado do programa é conter roubos nos corredores urbanos, vias de tráfego rápido que cortam a capital. Sobre o momento do anúncio, os dois veículos que noticiaram o lançamento apontam o mesmo detalhe: ele chega a 13 dias da eleição.As rondas começam a operar na capital ainda nesta semana, 13 dias antes de os eleitores irem às urnas.

HBHenrique Barros
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Kassio avalia rever afastamento e voltar a julgar caso Master após eleições

O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), avalia rever sua decisão de se afastar e voltar a votar os processos da investigação do Banco Master depois das eleições de outubro. A informação é da Folha de S.Paulo. O ministro se declarou impedido de participar da sessão de 15 de setembro, em que o plenário começou a analisar o relatório que reúne mensagens do banqueiro investigado Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.Segundo interlocutores ouvidos pela Folha, o afastamento se explicaria pelo receio do impacto eleitoral da análise, já que Kassio preside a Justiça Eleitoral em plena campanha. Ele teria dito a pessoas próximas que a decisão valeu para aquele momento específico, e que cada nova discussão será avaliada de forma independente. O portal Metrópoles registrou avaliação semelhante: o impedimento declarado em relação a Moraes não se estenderia automaticamente ao pedido de investigação contra o ministro André Mendonça, relator do caso Master, por suposto abuso de autoridade. Auxiliares ouvidos pelo portal esperam que ele vote contra a abertura de inquérito, mas a decisão ainda não está tomada.Linha do tempo do impasseO impasse tem origem na investigação que apura a compra de precatórios pelo Banco Master, de Vorcaro, títulos de dívidas judiciais do poder público que são negociados com desconto. Depois que a Polícia Federal apreendeu o celular do banqueiro, mensagens extraídas do aparelho mostraram contatos com autoridades, entre elas Moraes e familiares. Chegaram ao STF pedidos para investigar Moraes e Mendonça. Na sessão de 15 de setembro, o plenário discutiu uma questão de ordem sobre o julgamento conjunto dos dois pedidos: o placar parcial ficou em 4 a 3 contra, e o ministro Flávio Dino pediu vista, o que suspendeu a análise. A sessão marcada para a quarta-feira (23) foi adiada pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin.Kassio e o ministro Dias Toffoli ficaram fora dessa votação. Toffoli declarou-se suspeito após a divulgação de relações comerciais com Vorcaro e deixou de atuar nos julgamentos ligados ao caso. Kassio afirmou, ao anunciar o impedimento, que o ideal seria não participar de julgamento com potencial de produzir efeitos nos rumos da eleição. Segundo a Folha, ele sustenta nos bastidores que o cargo de presidente da corte eleitoral o coloca como árbitro da disputa, em posição mais delicada que a dos colegas. A ausência enfraqueceu Mendonça: Kassio vinha votando ao lado dele em todos os processos até então.O nome de Kassio nas mensagensO nome do ministro também aparece no material da investigação. Horas antes da sessão de 15 de setembro, vazaram trechos de mensagens do celular de Vorcaro com citações a Kassio, entre elas diálogos que mencionam pagamentos a seu filho, o advogado Kevin Marques, conforme a Folha. O g1 relatou que a apuração aponta um grupo apelidado de "turma do KN", iniciais atribuídas a Nunes Marques, ao qual estariam ligados o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e a advogada Camilla Ramos. Em uma conversa de junho de 2025, ela comemorou com Vorcaro uma vitória de usinas na 2ª Turma do STF, com placar de 3 a 2 e "um excelente voto do Min Nunes Marques". Em nota, o ministro afirmou que "nunca autorizou ninguém a falar em nome dele". As citações seguem sob investigação, e nenhuma das pessoas mencionadas foi condenada.Kassio e Mendonça dividem ainda tarefas no TSE: integram, ao lado da ministra Estela Aranha, a comissão que trata dos processos sobre propaganda eleitoral, segundo a Folha. Por enquanto, o julgamento dos pedidos contra Moraes e Mendonça segue suspenso pelo pedido de vista de Dino, e a sessão de quarta-feira foi retirada da pauta por Fachin. Se mantiver a avaliação atual, a volta de Kassio ao plenário no caso Master só deverá ocorrer depois da eleição de outubro.

HBHenrique Barros
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PF: contrato de Vorcaro previa até R$ 427 mi a escritório de esposa de desembargador

A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de contrato, datada de março de 2024, que previa pagamentos de até R$ 427 milhões do Banco Master ao escritório de advocacia Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, da advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A apuração foi publicada pelo Metrópoles nesta segunda-feira (22) e confirmada pelo g1.O contrato tratava da atuação do escritório em processos ligados a precatórios da indústria sucroalcooleira, com honorários de 5% líquidos sobre o valor recebido pelo banco em cada ação. Segundo o g1, as causas somavam R$ 8,5 bilhões e, em caso de vitória integral, os honorários poderiam chegar a R$ 427 milhões. Trata-se de minuta de prestação de serviços; a reportagem não informa se o contrato foi efetivado.Mensagens com o desembargadorDepois da formalização da minuta, Vorcaro mandou mensagem a Newton para lembrá-lo de um "julgamento dia 4 [de dezembro]" de interesse do banco e recebeu como resposta "lembrei" e "tudo certo", segundo a reportagem. Em 3 de junho de 2025, a PF identificou uma mensagem de Camilla ao banqueiro comemorando uma vitória das usinas no Supremo Tribunal Federal (STF), com elogio ao voto do ministro Kassio Nunes Marques, e uma tentativa de marcar encontro com o desembargador para "falar rapidamente"."Grande vitória hoje para as Usinas na 2a Turma do STF! Placar 3x2 a favor das Usinas, para não aplicar o Tema 826. E um excelente voto do Min Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização", escreveu Camilla Ramos.A investigação aponta que Camilla e Newton integrariam a "Turma KN", expressão usada por assessores de Vorcaro para o grupo de pessoas ligadas a Nunes Marques, cujas iniciais "KN" seriam do ministro. Em 20 de fevereiro de 2025, o operador de viagens do banqueiro avisou que a "turma do KN/Newton" havia enviado seis nomes para entrar na lista de um camarote do Carnaval do Rio de Janeiro bancado por Vorcaro. As mensagens indicam ainda que o Carnaval de 2025 de Newton e do grupo, com hospedagens nos hotéis Fasano de Salvador e do Rio, foi organizado e pago pelo banqueiro. Em maio de 2025, dias antes de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), uma assistente de Vorcaro repassou um pedido do desembargador de "tarifa promocional" para o ministro Nunes Marques se hospedar no Fasano. "Pode pegar e colocar na minha conta", respondeu Vorcaro, segundo o g1. Em outros momentos, o desembargador pediu ao banqueiro ingressos para um show em um hotel de São Paulo e para a Fórmula 1.Defesa e próximos passosNunes Marques disse, em nota, que "nunca autorizou ninguém a falar em nome dele". A reportagem do g1 não registra nota de defesa do desembargador Newton Ramos, da advogada ou do escritório. Ninguém citado foi condenado; as mensagens integram investigação em curso e os nomes envolvidos são, até agora, apenas investigados ou citados em conversas apreendidas.Para quem chega agora ao caso: o Banco Master comprou em 2023 o direito de receber precatórios, dívidas da União reconhecidas pela Justiça, por meio de fundos de investimento administrados por empresas investigadas na Operação Compliance Zero. A suspeita é de que parte dos precatórios foi expedida antes do fim dos processos, quando a União ainda podia recorrer. As mensagens de Vorcaro alimentaram uma crise no STF: em 15 de setembro, a corte começou a analisar relatório com conversas do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, e Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou-se impedido de votar na sessão por receio de impacto eleitoral. Segundo a Folha de S.Paulo, o afastamento veio depois de diálogos citarem pagamentos a seu filho, o advogado Kevin Marques, e o ministro avalia voltar a participar dos julgamentos sobre o Master após as eleições de outubro, ainda sem data definida.

HBHenrique Barros
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PF: presidente da CVM teria apelidado Vorcaro de 'leãozinho da montanha'

Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado no escândalo do banco, mostram que o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, o teria apelidado de "leãozinho da montanha" enquanto buscava apoio para permanecer no comando da autarquia. Em outros diálogos, Vorcaro se definia como "o número 1" do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). As conversas foram reveladas nesta segunda-feira (21) pelo jornal O Globo e detalhadas pelo Valor Econômico, que informou ter obtido acesso ao material da PF.Em áudio enviado a Vorcaro em 19 de julho de 2025, o advogado Ciro Soares relatou que Lobo, que na época respondia interinamente pela CVM, pediu ajuda para falar com o senador Otto Alencar porque queria ficar na presidência do órgão. Segundo Soares, Lobo teria criado o apelido ao falar do então banqueiro."O Otto Lobo da CVM me pedindo uma ajuda para falar com o senador Otto (Alencar). (...) Até falou comigo que chama você de 'leãozinho da montanha'. Eu falei: 'Gostei do apelido, viu'. E ele falou: 'Sim, o leãozinho da montanha, o moleque é danado, trabalhador'"Vorcaro respondeu: "Ótimo ele. Tem que colocar ele na presidência". Nos diálogos seguintes, Soares afirma que levaria Lobo ao Senado e ao senador Jaques Wagner (PT-BA) para "trabalhar para esse cara ficar". "Vamos fazer acontecer. Vou falar com minha turma", respondeu Vorcaro. Soares completou: "Toca de um lado, eu toco do outro".Em nota, Lobo afirmou que "não possui conhecimento nem ingerência sobre conversas privadas de terceiros" e que "nunca teve relações ou procurou apoio de Daniel Vorcaro". Ele destacou que foi aprovado pelo Senado em 20 de maio de 2026, dois meses depois de a CVM criar um grupo de trabalho sobre o Banco Master, e que a autarquia já aplicou multas de cerca de R$ 200 milhões no caso, das quais R$ 20 milhões recaíram sobre Vorcaro. Lobo também defendeu seu voto de desempate na oferta de ações da Ambipar, decisão que, segundo ele, o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou correta em dois processos. A defesa de Jaques Wagner negou que a conversa citada tenha ocorrido e disse que o senador não tem relação com Vorcaro nem atuou em favor do banco. O Valor informou que procurou os demais citados e não obteve retorno até a publicação.Vorcaro se apresentava como "número 1" de Hugo MottaEm conversa de 2 de fevereiro de 2025 com o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, Vorcaro disse estar em Brasília "com Davi e Hugo", referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e ao deputado. Questionado se transitava bem com Motta, respondeu: "Transito bem? Kkkk. Sou 'number 1'. Amigo irmão". A mensagem foi enviada um dia depois da eleição de Motta para a presidência da Câmara, no primeiro turno, com 444 votos e apoio de 17 partidos. Procurado pela reportagem, Motta não havia se manifestado até a publicação.Segundo apurações da PF citadas pelo O Globo, Vorcaro pagou suítes de hotel em Lisboa, em 2024, para Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito pela polícia de ter recebido vantagens indevidas por atuar em favor do banco no Congresso. Motta disse à época não ver problema no pagamento das diárias, pois o evento era "corporativo e jurídico". O presidente da Câmara também aparece entre as autoridades presentes em uma degustação de uísque e charutos promovida por Vorcaro no Carnegie Club, em Nova York, em 14 de maio de 2024, com conta total de US$ 1.023.646, o equivalente a R$ 5.257.036 na conversão feita pela PF.Linha do tempo do casoMarço de 2024: a cunhada de Motta, Bianca Medeiros, contrata com o Master um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões para comprar um terreno em João Pessoa, segundo a Folha de S.Paulo.Maio de 2024: Motta participa da degustação no Carnegie Club, em Nova York, com conta de US$ 1.023.646.2024: a PF aponta que Vorcaro custeou a hospedagem de Motta e de Ciro Nogueira em Lisboa.1º de fevereiro de 2025: Motta é eleito presidente da Câmara com 444 votos; no dia seguinte, Vorcaro se diz "number 1" do deputado em mensagem.19 de julho de 2025: no áudio a Vorcaro, Ciro Soares relata que Otto Lobo quer apoio para ficar na presidência da CVM e cita o apelido "leãozinho da montanha".Março de 2026: a CVM cria grupo de trabalho sobre o Banco Master; em 20 de maio o Senado aprova Lobo para a presidência, e ele toma posse em junho.21 de setembro de 2026: O Globo e Valor publicam as mensagens extraídas pela PF do celular de Vorcaro.Os próximos passos ainda não têm data marcada. Segundo a nota de Lobo, outras denúncias envolvendo o Banco Master estão sob análise da área técnica da CVM e serão apreciadas pelo colegiado da autarquia no futuro. As mensagens agora divulgadas integram o material que a PF extraiu do celular de Vorcaro no inquérito do caso Master. O O Globo informou que mantém aberto espaço para que Motta se manifeste sobre os diálogos.

HBHenrique Barros
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Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por rede de collabs

A coligação "O Brasil Pronto pra Mais", formada pelo PT e partidos aliados que apoiam a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no domingo (20), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede a cassação do registro da chapa presidencial encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). A ação, distribuída ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, alcança também o vice na chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), e o deputado Mario Frias (PL), candidato à reeleição.Segundo a petição, relatada pelo Valor Econômico e pela coluna de Matheus Leitão no Metrópoles, os três teriam se beneficiado de uma rede de páginas de apoio no Instagram organizada por publicações colaborativas, as collabs. O recurso faz a mesma publicação aparecer simultaneamente no perfil de todos os coautores e alcançar os seguidores de cada um. A tese da coligação é que a associação entre contas de campanha e páginas de apoio não declaradas faria a propaganda circular além dos limites legais e contornaria as restrições impostas às contas eleitorais nos sistemas de recomendação da plataforma.Os estudos anexados à ação medem o crescimento da rede. No corte de 7 de setembro, o levantamento identificou 508 publicações únicas, das quais 492 eram collabs com 324 perfis, organizados em 13 grupos. Na atualização, com dados até 17 de setembro, o total subiu para 1.826 collabs e 492 perfis, alta de 271,1% em dez dias, e a soma nominal de seguidores das contas passou de 130,9 milhões para 147,4 milhões. Os próprios pesquisadores ressaltam que essa soma tem sobreposição de públicos e não representa pessoas únicas. O estudo registrou ainda 74 contas ligadas a candidaturas ou campanhas presentes em 207 das 492 collabs iniciais (42,1% do total) e apontou que, na atualização, 68,6% das publicações reutilizavam conjuntos exatos de coautores.A petição também trata de monetização. Segundo o Valor, o levantamento identificou 11 perfis que divulgavam links para a venda de produtos ligados à eleição na Shopee, nove deles em um mesmo grupo da rede, somando mais de 10 milhões de seguidores; o InfoMoney, citado pela Amazônia Online, contabiliza 12 perfis. Entre os produtos mencionados está um boné com o número 22. O Metrópoles reporta que as prestações de contas de Flávio e de Michelle Bolsonaro registram valor zero na rubrica "Comercialização de Bens". O perfil oficial de Mario Frias aparece em dez collabs do primeiro estudo, nove delas com a página @flaviobolsonaroapoio e seis com a @flaviobolsonaros2, ambas diferentes do perfil oficial de Flávio. Entre os perfis mapeados, apenas a conta @matheus_cambui consta na base de 61.511 endereços eletrônicos informados à Justiça Eleitoral.Em caráter liminar, a coligação pede que a Meta preserve dados dos perfis e das collabs, incluindo registros de cadastro, acesso, metadados e o histórico de convites e aceites das coautorias, e que sejam suspensos os links de venda, sob multa diária de R$ 50 mil. A ação requer ainda documentos da Meta e da Shopee para identificar os responsáveis pelas contas e pela loja e o destino das receitas, além de informações da Câmara e do Senado sobre servidores, contratos e despesas dos gabinetes de Flávio, Alfredo Gaspar e Frias desde 1º de fevereiro. No mérito, pede a cassação dos três registros e a declaração de inelegibilidade por oito anos, sob alegação de uso indevido dos meios de comunicação social e abuso dos poderes econômico e político. A coligação quer que o caso também seja enviado ao procurador-geral eleitoral, para apurar a participação de outros candidatos nos tribunais regionais eleitorais.O que os estudos admitem não provarAs acusações são alegações em fase inicial, sem condenação ou decisão de mérito. Os próprios estudos anexados à ação, conforme o Valor, reconhecem que a existência das collabs não comprova, por si só, quem controla as páginas, se houve remuneração ou quem comanda a rede: a coautoria demonstra apenas a publicação compartilhada, e titularidade, comando e remuneração dependem de outras evidências. Até a segunda-feira (21), não havia resposta pública da campanha de Flávio Bolsonaro nas reportagens consultadas, e o TSE ainda não havia se pronunciado sobre os pedidos. A ação chega em meio ao confronto jurídico entre as duas campanhas: em 15 de setembro, segundo o G1, a campanha de Flávio pediu ao TSE que proibisse Lula de fazer transmissões ao vivo do Palácio da Alvorada durante o período eleitoral.Linha do tempo26 de agosto: collab citada na ação reúne o perfil oficial de Frias, a conta @mariofrias_noticias, o perfil @jorgeseifjunior e as páginas de apoio a Flávio, em publicação em que Frias agradece apoio à reeleição.7 de setembro: primeiro corte do levantamento identifica 492 collabs e 324 perfis.8 a 17 de setembro: nova coleta registra 1.334 collabs adicionais; a rede chega a 1.826 publicações.20 de setembro: a coligação protocola a AIJE no TSE; a ação é distribuída ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.Próximo passo: decisão do relator sobre os pedidos urgentes, entre eles a preservação de dados pela Meta. Não há data definida; o julgamento do mérito vem depois.

HBHenrique Barros
justice

Vorcaro pediu prioridade para voo de jatinho da família Moraes, aponta Estadão

O ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro instruiu uma funcionária que, segundo as investigações, agenciava suas viagens a dar prioridade ao voo que atenderia a advogada Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos foram transcritos pela Polícia Federal e detalhados em reportagem do Estadão publicada no domingo (20). Um dia depois das mensagens, em 22 de agosto de 2025, o próprio ministro viajou no jatinho de prefixo PP-NLR, um Legacy 650 pertencente à Prime You, empresa ligada ao banqueiro, segundo imagens divulgadas pelo jornal O Globo.Segundo as transcrições, em 21 de agosto de 2025 Vorcaro consultou o contato identificado como "Thatiane Prime" sobre o fretamento de um voo de Brasília a Roraima. Um contato do setor respondeu que a aeronave já estava reservada: "Temos o voo da Barci no PP-NLR, decolando do Catarina às 13:00", diz a mensagem, em provável referência ao Aeroporto Executivo São Paulo Catarina, em São Roque, no interior de São Paulo. Vorcaro respondeu: "Não deixe de atender Barci." O Estadão relata que o voo tinha como destino o Aeroporto Santos Dumont, no Rio, onde o vídeo mostra o casal desembarcando no dia 22, quando Moraes foi painelista de um fórum do Lide, grupo que reúne executivos.Procurado, o escritório Barci de Moraes, que tem Viviane como sócia, admitiu contratar serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, entre elas a Prime Aviation, operadora do voo. Em nota, afirmou que Vorcaro nunca esteve presente nas aeronaves da empresa e que "em determinados voos, Viviane Barci de Moraes foi acompanhada por seu marido, o ministro Alexandre de Moraes"."A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas", diz a nota, que reitera ainda que a firma não tem contrato com a Prime Aviation nem adquiriu cotas da empresa.A admissão contrasta com a nota divulgada pelo gabinete do ministro em 31 de março. À época, depois de a Folha de S.Paulo registrar que Moraes teria estado em ao menos oito voos em aviões ligados a Vorcaro, o gabinete classificou a reportagem como "fantasiosa" e afirmou que ele "jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro". Em defesa escrita apresentada ao STF em 15 de setembro, Moraes negou a existência de um segundo contrato, de R$ 50 milhões, que a PF aponta ter sido assinado em 12 de maio de 2025 entre o escritório e a Viking Participações, representada por Vorcaro.Linha do tempoJaneiro de 2024: o Banco Master firma com o escritório Barci de Moraes contrato de R$ 131 milhões, em 36 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões, segundo a PF.12 de maio de 2025: a PF aponta a assinatura de contrato de R$ 50 milhões com a Viking Participações; acordo de 19 de maio previa quitar R$ 40 milhões com participações em empresas de aeronaves.21 e 22 de agosto de 2025: Vorcaro pede prioridade ao voo da família ("Não deixe de atender Barci"); no dia 22, Moraes e Viviane aparecem em vídeo desembarcando do PP-NLR no Santos Dumont.31 de março de 2026: o gabinete do ministro nega que ele tenha voado em aeronaves ligadas a Vorcaro.15 de setembro de 2026: em defesa escrita ao STF, Moraes nega o segundo contrato.20 de setembro de 2026: o O Globo divulga o vídeo, o Estadão publica as transcrições e o escritório admite o uso da Prime Aviation.No STF, o episódio alimenta o confronto entre Moraes e o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Master. Moraes acusa o colega de abuso de autoridade e de agir politicamente para atingi-lo. Mendonça, por sua vez, pediu ao plenário a apuração das mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes; a petição está parada desde que o ministro Flávio Dino pediu vistas e, segundo o blog de Valdo Cruz, do G1, só deve voltar ao plenário depois das eleições. Ex-ministros do tribunal defendem que a relação entre o banqueiro e o magistrado seja apurada.Nenhum tribunal reconheceu crime em relação aos voos. Vorcaro é investigado no inquérito do Master, e tanto o escritório quanto o ministro negam irregularidades. O próximo passo processual é o prazo que termina nesta segunda-feira (21) para Mendonça responder, por escrito, às acusações de abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade feitas por Moraes, segundo o Estadão.

HBHenrique Barros
Politics

Ministério da Justiça demite Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da PF

O Ministério da Justiça e Segurança Pública demitiu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, do cargo de escrivão da Polícia Federal. O ato foi assinado em 18 de setembro pelo ministro Wellington César Lima e Silva e publicado nesta segunda-feira (21) no Diário Oficial da União. Segundo o G1, a demissão tem como base a infração disciplinar de abandono de cargo, aplicada a quem falta ao serviço "injustificadamente pelo período superior a trinta dias consecutivos".Eduardo ingressou na PF em 2010, após aprovação em concurso público, e estava afastado das funções para exercer o mandato de deputado federal eleito por São Paulo. O mandato foi cassado no fim de 2025 por excesso de faltas, com base na regra da Constituição que veda a deputados e senadores faltar a mais de um terço das sessões deliberativas do ano. As fontes divergem sobre a data exata: o G1 registra 18 de dezembro, e o Metrópoles, 18 de novembro de 2025.Processo disciplinarSem o mandato, Eduardo deveria ter voltado ao posto de escrivão no Rio de Janeiro, o que não aconteceu. Segundo o Metrópoles, um processo administrativo disciplinar (PAD) foi aberto no início deste ano e concluído pela PF em julho, com relatório final divulgado em 21 de julho; a decisão final cabia ao ministro da Justiça. O corregedor regional da PF no Rio também determinou a entrega da carteira funcional e da arma de fogo.Defesa e processo criminalEduardo mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Ele afirma que se mudou do Brasil para fugir de uma suposta perseguição política e jurídica, em busca de refúgio. No âmbito criminal, foi condenado em junho deste ano a quatro anos e dois meses de prisão, a serem cumpridos em regime semiaberto, por tentar interferir no julgamento do pai no caso da trama golpista, segundo o G1. A condenação também o torna inelegível por 12 anos, até 2038.Na sexta-feira (18), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou por unanimidade um recurso da defesa contra a condenação. O relator, ministro Alexandre de Moraes, foi seguido por Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin no plenário virtual. A demissão da PF produz efeitos a partir da publicação no Diário Oficial desta segunda. Os relatos não apontam data para o início do cumprimento da pena nem eventuais novos recursos da defesa.

HBHenrique Barros
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Dino dá 90 dias para o governo rever regras da CVM após caso Master

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou neste domingo (20) que o governo federal revise as regras que disciplinam o mercado de capitais e a atuação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com foco nas normas sobre fundos de investimento e prevenção à lavagem de dinheiro. A União tem 90 dias para apresentar as conclusões, as medidas propostas e as respectivas justificativas técnicas, em trabalho coordenado pelo Ministério da Fazenda, pasta à qual a autarquia é vinculada.A decisão foi proferida em ação apresentada pelo partido Novo que discute a estrutura orçamentária e a capacidade de fiscalização da CVM. Segundo a Folha de S.Paulo, o processo recebeu novo material depois de um ofício enviado ao Supremo pela Transparência Internacional. O O Globo acrescenta que Dino analisou documentos também do GT Master, grupo de trabalho criado dentro da própria autarquia. Para o ministro, os problemas da CVM não se limitam à falta de recursos e envolvem governança e mecanismos de supervisão, dificuldades que, na avaliação da decisão, se agravaram após mudanças regulatórias de 2021 e 2022.Um dos pontos que motivaram a ordem foi o tratamento dado a uma denúncia apresentada à CVM em 2022. Pelos documentos citados por Dino, a comunicação antecipava, "com elevado grau de detalhamento", irregularidades depois identificadas no Banco Master, entre elas ativos ilíquidos, manipulação de cotações e recompra de créditos. A área técnica arquivou o caso com a justificativa de que as informações eram inverossímeis. A decisão também aponta falhas na proteção de denunciantes: denúncias sensíveis teriam sido processadas fora da plataforma Fala.BR, sem mecanismos adequados de preservação da identidade dos informantes, o que os exporia a risco de retaliação.Linha do tempo do caso Master2021 e 2022: a CVM edita normas que flexibilizam o mercado de fundos, entre elas a Resolução 175, de 2022.2022: denúncia que detalhava irregularidades no Banco Master é arquivada pela área técnica da CVM.4 de março de 2026: a PF prende preventivamente, em São Paulo, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outras três pessoas; conforme a Conjur, foi a segunda prisão dele no caso. Vorcaro, investigado, chegou a pedir a revogação da prisão, segundo a Folha.20 de setembro de 2026: Dino manda a União rever as regras da CVM e fixa prazo de 90 dias.O que a revisão deve alcançarDe acordo com o O Globo, a determinação alcança três resoluções da CVM. A central é a Resolução 175, que permite que fundos invistam em cotas de outros fundos semelhantes em camadas sucessivas e sem limite quantitativo. "Essa circunstância dificulta a visualização da composição econômica final das operações e aumenta os desafios inerentes à supervisão regulatória", escreveu o ministro. Dino citou ainda a expansão do mercado: o número de fundos regulados saiu de 14,4 mil em 2014 para 32,3 mil em 2026, e os FIDCs, fundos de investimento em direitos creditórios, cresceram 810% no período. Ele também pediu reavaliação de regras que transferiram aos gestores a verificação da existência dos créditos das carteiras, antes feita por custodiantes independentes, com checagem por amostragem ou dispensada em certos casos.No campo da lavagem de dinheiro, o ministro afirmou que as normas atuais obrigam o mercado a monitorar e comunicar operações suspeitas, mas não exigem a recusa de um negócio quando não é possível identificar o beneficiário final de estruturas societárias complexas. Na avaliação da decisão, o cenário de baixa transparência teria criado, em tese, condições para fraudes de grande repercussão econômica e para o uso do mercado regulado por estruturas criminosas. Na decisão, Dino escreveu:Essas dificuldades acabam ampliando a atuação de organizações criminosas que se dedicam a gravíssimos delitos (narcotráfico; tráfico de armas; corrupção; desvio de emendas parlamentares; compra e venda de decisões judiciais envolvendo magistrados, assessores e advogados; fraude em licitações; mercado de precatórios ilegais, entre outros).Esta é a segunda determinação de Dino na mesma ação. Antes, ele já havia decidido que a CVM aplique 70% do que arrecada com a taxa de fiscalização em sua própria estrutura, sem recolher os recursos ao Tesouro Nacional. Segundo a Folha, o ministro também sugeriu que a Fazenda revise a norma da CVM sobre processos sancionadores. Nas reportagens consultadas, não há registro de manifestação da CVM ou do Ministério da Fazenda sobre a decisão. O próximo passo é o prazo: as conclusões da revisão, sob coordenação da Fazenda, devem ser entregues em 90 dias, que, contados da decisão de 20 de setembro, encerram-se por volta de 19 de dezembro.

HBHenrique Barros
Politics

PF encontra foto de Gonet com Vorcaro em Londres; oposição pede afastamento

A Polícia Federal localizou, entre os arquivos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e investigado no caso, uma foto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com um charuto nas mãos, sentado ao lado do ex-banqueiro em um evento em Londres. A imagem foi revelada neste sábado (19) pelo jornal O Globo e reproduzida pelo G1, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou sua autenticidade. No mesmo dia, a oposição passou a cobrar o afastamento do procurador.Segundo o G1, a foto chegou ao aparelho de Vorcaro em 19 de junho de 2025, enviada pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, com a mensagem "PG me mandou", iniciais de Paulo Gonet. Na cena, o procurador-geral aparece perto de Vorcaro e de outros dois homens, com copos de uísque sobre duas mesas. A CNN Brasil informa que o evento ocorreu em abril de 2024, o mesmo encontro citado por Gonet em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 15 de setembro. A cronologia de mensagens divulgada pelo G1 registra, porém, tratativas de uma viagem a Londres com Gonet e o filho dele em março e abril de 2025.À reportagem do G1, a PGR afirmou que o próprio Gonet já admitiu publicamente ter participado do evento, organizado por Vorcaro e com a presença de outras autoridades, e lembrou que o ministro André Mendonça, relator das investigações do caso Master no STF, já classificou a menção ao procurador-geral nas mensagens como algo sem gravidade. Citado no relatório da PF, Gonet sustenta a nulidade do documento: para a PGR, ele foi produzido a pedido de Mendonça sem requisição prévia da própria PGR ou da PF, e seria necessária autorização do plenário do STF para investigar. Na sessão de 15 de setembro, o procurador-geral disse que não teve relacionamento de proximidade com Vorcaro e que a única ligação entre os dois foi "brevíssima e banal".Linha do tempo do casoAbril de 2024: em mensagens a Vorcaro, Ciro Soares escreve que "Gonet é firme"; segundo as mensagens, Gonet teria ajudado a viabilizar a eleição de Jarbas Soares Júnior para a presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).Março de 2025: após a mensagem "Ele quer falar com você", a perícia registra quatro chamadas seguidas entre Vorcaro e Ciro, o que, para a PF, indica que o banqueiro falou com Gonet pelo aparelho do advogado; dias depois, Ciro repassa mensagens atribuídas ao procurador, como "Oba!!! Tomara que tenha charuto e macalan!" (referência ao uísque The Macallan), e trata da ida de Gonet e do filho dele a Londres, com despesas aprovadas por Vorcaro.1º de setembro: Mendonça torna público relatório da PF com as mensagens do celular de Vorcaro, que também citam o ministro Alexandre de Moraes, e pede ao presidente do STF, Edson Fachin, que leve o caso ao plenário.15 de setembro: o plenário do STF começa a analisar o caso; Gonet nega proximidade com o banqueiro, e o ministro Flávio Dino interrompe o julgamento com pedido de vista.19 de setembro: O Globo publica a foto de Gonet e Vorcaro em Londres; a oposição cobra o afastamento do procurador-geral.Pressão da oposiçãoA divulgação da imagem abriu nova frente de pressão. Neste sábado, o deputado e candidato à Presidência Nikolas Ferreira (PL) protocolou representação ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo que a Corte analise o afastamento cautelar de Gonet. Para o deputado, a fotografia, as mensagens e as referências ao procurador-geral e a familiares no material da investigação justificam examinar possível conflito de interesses; ele pede que Fachin encaminhe o caso ao órgão competente do STF e que a discussão vá ao plenário. O candidato Romeu Zema (Novo) defendeu a renúncia de Gonet e associou a crise ao governo Lula, responsável pela indicação dele para o cargo. Flávio Bolsonaro (PL) publicou a foto nas redes sociais e afirmou que os envolvidos estariam "rindo da cara do povo sofrido".Os próximos passos estão no STF. O julgamento iniciado em 15 de setembro está suspenso desde o pedido de vista de Dino, e não há data definida para a retomada. A representação de Nikolas aguarda decisão de Fachin sobre o encaminhamento. A CNN Brasil informou ter procurado a PGR para se manifestar sobre a foto e que o espaço segue aberto.

HBHenrique Barros
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TSE suspende em liminar candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná

O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) teve a candidatura ao Senado pelo Paraná suspensa em decisão liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite deste sábado (19). A medida, assinada pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, atendeu pedido da Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança, que têm o PT e o PDT entre seus membros. Até o julgamento do recurso pelo colegiado do tribunal, Dallagnol fica impedido de receber e usar recursos públicos e de fazer campanha.Na prática, ele perde o acesso ao Fundo Partidário e ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), fica proibido de exibir propaganda eleitoral no rádio e na televisão e não pode praticar atos de campanha, segundo a CNN Brasil. O ministro concluiu que há indícios de que o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) contrariou entendimento do TSE ao manter a candidatura no último dia 9. Para ele, a decisão regional foi tomada "em afronta" ao tribunal superior, "sem o mínimo respaldo jurídico" e com "efeitos disturbadores do processo eleitoral"."Um candidato inelegível pode mudar, com os votos a ele dedicados, de forma irreversível o resultado da eleição, pois seus eleitores terão sido impedidos de fazer outra combinação de voto a seu critério"escreveu Floriano na decisão, expedida em caráter de urgência. O pedido que levou à suspensão foi assinado pelos advogados Eduardo Peccinin, Ângelo Ferraro, Miguel Novaes, Dylliardi Alessi, Juliana Bertholdi e Priscilla Bartolomeu, que atuam para a coligação e a federação adversárias na disputa. Segundo o Estadão, a decisão deve ser analisada em julgamento colegiado.Linha do tempo2022: Dallagnol pediu exoneração do cargo de procurador da República 11 meses antes das eleições, enquanto respondia a procedimentos internos no Ministério Público Federal, e candidatou-se à Câmara dos Deputados. O TRE-PR aprovou o registro; houve recurso ao TSE, mas, sem decisão definitiva, ele concorreu, foi eleito e assumiu o mandato.2023: o TSE cassou o registro da candidatura. O relator, ministro Benedito Gonçalves, entendeu que houve fraude à Lei da Ficha Limpa, porque o pedido de exoneração foi feito de forma antecipada para evitar procedimentos disciplinares que podiam levar à demissão e, em consequência, à inelegibilidade. A Câmara dos Deputados confirmou a perda do mandato meses depois.9 de setembro de 2026: o TRE-PR acolheu, por 4 votos a 3, recurso da defesa de Dallagnol e permitiu o registro de sua candidatura ao Senado.19 de setembro de 2026: o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, suspendeu a candidatura em liminar, a pedido da coligação adversária, até o julgamento colegiado do recurso.Os dois lados e os próximos passosNo Paraná, a tese da defesa havia prevalecido por 4 votos a 3 no tribunal regional. Diante do risco de perder a vaga em definitivo, Dallagnol já discutiu publicamente um plano alternativo: em entrevista ao podcast A Tia Pod, em junho, afirmou que pode indicar a esposa, Fernanda Dallagnol, ou o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins, para disputar o Senado em seu lugar caso o registro seja negado, segundo o site O Antagonista.A suspensão recai sobre um dos nomes à frente nas pesquisas de intenção de voto para o Senado no Paraná, segundo levantamento da Paraná Pesquisas citado pela CNN Brasil, a duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O próximo passo é o julgamento do recurso pelo colegiado do TSE, que definirá se Dallagnol pode disputar a eleição; nenhuma data foi divulgada até o fechamento desta reportagem. A liminar é provisória e não decide o mérito da candidatura.

HBHenrique Barros
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PF: Vorcaro chamava Otto Alencar de 'conselheiro' e 'comandante' em mensagens

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal mostram que o dono do Banco Master tratava o senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, como "conselheiro" e "comandante". Segundo reportagem do jornal O Globo publicada nesta sexta-feira (19), um relatório da PF aponta que o advogado Ciro Soares atuava como intermediário entre os dois: avisava Vorcaro quando estava com o parlamentar, enviava fotos ao lado dele e telefonava para repassar recados atribuídos ao senador. Otto Alencar nega proximidade com o banqueiro e, de acordo com o jornal, não é investigado no caso.O caso, em resumoVorcaro foi preso em novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta, na Operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos de crédito falsos. Em seguida, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que as fraudes investigadas podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. O conteúdo do celular do banqueiro, estimado em 500 gigabytes, foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) com acesso restrito, e trechos dele alimentam relatórios da polícia, como o que menciona Otto Alencar.As mensagensO primeiro diálogo citado nos autos é de 30 de maio de 2024, quando Otto integrava a CCJ e a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que analisa projetos de interesse do setor financeiro. "Otto queria falar com vc", escreveu Soares. Depois de uma ligação, Vorcaro respondeu: "Mande abraço pro nosso comandante aí. Esse aí é conselheiro e comandante nosso". Em 5 de dezembro daquele ano, o advogado voltou ao assunto: "Dani, muito importante falarmos. Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj". O banqueiro respondeu que estava "num momento muito complicado".Os registros continuam ao longo de 2025, ano em que Otto assumiu a presidência da CCJ. Em 12 de novembro, dias antes da prisão de Vorcaro, Soares escreveu: "Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc". O banqueiro respondeu: "Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês". Na mesma conversa, em termos chulos, o advogado disse que o senador havia sido duro naquele dia na sabatina de recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aprovada no mesmo dia. Em 19 de junho, após uma ligação não atendida, Soares mandou mensagem: "Ottão está dizendo que está com saudades de vc". "E eu tô dele", respondeu Vorcaro, que em seguida incentivou a ida do senador a um evento em Londres patrocinado pelo Master: "Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan", em referência ao uísque. Os relatórios apontam ainda tentativas de organizar encontros presenciais entre os dois em Salvador e Brasília.As versõesProcurado, Otto Alencar afirmou inicialmente que é amigo de Soares, advogado do PSD na Bahia, e negou qualquer contato com Vorcaro. "Nunca o vi ou troquei mensagem. Nunca fui em festa, Londres ou intermediei conversa com Vorcaro nem absolutamente ninguém", disse o senador, que também negou ligações ou outros contatos. Depois da publicação da reportagem, Otto reconheceu ter conversado com o banqueiro "duas ou três vezes por telefone", pelo aparelho do advogado, e afirmou que Vorcaro pediu apoio à chamada emenda Master, que ampliaria de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo as investigações, a proposta foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em acordo com o banco, mas rejeitada pelo relator da PEC da Autonomia do Banco Central, Plínio Valério (PSDB-AM). Otto disse que discordava da iniciativa e que já havia sido alertado dos riscos pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.Soares, que segundo O Globo também não é alvo de inquéritos ligados ao caso, afirmou que seria "natural uma reunião entre líder político e líder empresarial", mas negou ter organizado almoços ou encontros entre os dois. A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as mensagens e reitera, segundo o jornal, que o banqueiro está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. Nesta sexta (19), os ministros do STF André Mendonça e Luiz Fux informaram à PF que não conseguiram acessar as cópias do celular que receberam e pediram auxílio técnico, segundo o G1. Não há, até aqui, investigação em curso contra Otto Alencar nem contra Soares no caso Master.

HBHenrique Barros
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Mendonça e Fux não conseguem abrir cópia do celular de Vorcaro e pedem ajuda à PF

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux comunicaram à Polícia Federal, em ofícios enviados neste sábado (19), que não conseguiram acessar a cópia da íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero. Nos documentos, os dois pediram apoio técnico para examinar o material, de cerca de 500 gigabytes, entregue pela PF aos gabinetes na quinta-feira (17).De acordo com a InfoMoney, cada ministro enviou um ofício separado ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Os dois textos registram que os gabinetes não tiveram, até a tarde deste sábado, "acesso efetivo ao material ali contido". Apontam as mesmas hipóteses para o problema, "dificuldades de ordem técnica operacional" ou "algum tipo de defeito contido na mídia entregue", e afirmam que, por isso, os dados seguem indisponíveis para exame e análise. Os ministros pediram à PF "o auxílio técnico operacional necessário" e a conferência da "higidez do material especificamente entregue", com o objetivo de verificar a integridade da mídia.Como o caso chegou até aqui18 de novembro de 2025: a PF apreende o celular de Vorcaro na primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes no Banco Master. O aparelho é identificado nos ofícios pelo número de série e por dois códigos IMEI.Revelações: mensagens extraídas do aparelho alimentam uma crise no STF. O material inclui conversas do investigado com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, e referências ao ministro Kassio Nunes Marques.Distribuição: ministros do tribunal solicitam acesso ao material, e a PF entrega cópias da íntegra dos dados a gabinetes do STF. A última entrega, na quinta (17), foi para Fux e Mendonça, que haviam pedido o acesso.Terça (15): em sessão, Mendonça afirmou que só naquele momento tomou conhecimento de referências a outros integrantes do tribunal no material, e que uma cópia de segurança recebida antes seguia lacrada, sem acesso, em seu gabinete.Sobre quem já recebeu cópias, as apurações divergem. Segundo o g1, o material foi disponibilizado pela PF aos gabinetes de Mendonça, Fux, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques. A InfoMoney, citando o jornal O Globo, informa que a entrega de quinta elevou para cinco o número de ministros com o conteúdo: além de Fux e Mendonça, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já o haviam recebido diretamente da PF.O que há no materialSegundo relatos feitos ao g1, os dados estão divididos em pastas com conversas, áudios e logs, os registros de atividades feitas no aparelho. A organização coube ao software de perícia IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), que indexa as evidências e permite buscas por palavras-chave em conversas e documentos. Peritos também usaram ferramentas para recuperar dados apagados ou protegidos por senha e rastrear registros de envio de mensagens e arquivos. Para dimensionar o volume, o g1 estima que os 500 GB comportam cerca de 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil arquivos de áudio em MP3 e cerca de 40 horas de filmes em alta definição.Até o fechamento desta reportagem, a PF não havia se manifestado publicamente sobre os ofícios. O próximo passo é a resposta da corporação, com o suporte técnico pedido pelos ministros e a verificação da integridade da mídia entregue aos dois gabinetes. Nenhuma das fontes menciona prazo para isso.

HBHenrique Barros
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Mensagem do Master chama advogada que recebeu R$ 33 milhões de 'sócia' de Gilmar

Executivos do Banco Master tratavam a advogada Dalide Corrêa, que recebeu R$ 33 milhões da instituição, como "sócia" do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A referência aparece em mensagens de dezembro de 2024 trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujo celular foi apreendido pela Polícia Federal. Os diálogos foram obtidos pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, e o caso foi repercutido neste sábado (19) pela Folha de S.Paulo. O gabinete do ministro diz que a afirmação é falsa.Na conversa, o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, pressionava Vorcaro a liberar uma fatura de R$ 15 milhões destinada à advogada, que cobrava pagamentos em atraso. As iniciais "GM" citadas na mensagem se referem a Gilmar, decano da Corte."Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse", escreveu Rennó, segundo os diálogos obtidos pela PF.Além da suposta proximidade com o ministro, a mensagem menciona a operação da advogada com o BTG Pactual, banco que Vorcaro via como rival, segundo a coluna.Linha do tempo do casoSegundo O Globo, Dalide atuava a favor dos interesses de Vorcaro no mercado de precatórios. As disputas do setor sucroalcooleiro tramitam há mais de 30 anos e derivam de pedidos de usinas por indenizações pelo tabelamento de preços imposto pelo governo federal nas décadas de 1980 e 1990. São causas bilionárias acompanhadas de perto pelo Master. Veja os principais pontos:Até novembro de 2016: Dalide foi diretora-geral do IDP, instituição de ensino fundada por Gilmar e hoje comandada por um dos filhos dele, cargo que ocupou por cerca de nove anos, segundo ela própria.Abril de 2024: Gilmar recebeu Vorcaro e advogados do Master em seu gabinete no STF para tratar de um processo sobre precatório da Usina Alcídia, segundo informação prestada pelo próprio gabinete à coluna. O ministro votou contra os interesses do banco.27 de agosto de 2024: Rennó cobrou de Vorcaro autorização urgente para a fatura de R$ 15 milhões de Dalide. "Aquela fatura de 15m para a Dra Dalide! André te mandou a explicação ontem! Obtivemos vitória importante no caso da Catende!", escreveu, citando a usina pernambucana de Catende.Dezembro de 2024: em nova rodada de cobranças, Rennó chamou a advogada de "sócia do GM stf".Setembro de 2026: a coluna de O Globo divulga os diálogos; Gilmar e Dalide negam qualquer sociedade.O que dizem as defesasEm nota, o gabinete de Gilmar classificou como "falsa" a associação feita pelos executivos e afirmou que o ministro nunca teve qualquer sociedade com Dalide, nem no IDP nem em qualquer outra empresa. Segundo a nota, a advogada ocupou "cargo técnico de diretora-geral" do instituto e saiu em novembro de 2016. O gabinete sustenta que o ministro "não tem conhecimento de atuação" dela em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro e que Gilmar votou contra o pagamento em todos os processos do setor que julgou, em linha com as teses da União: "Em nenhum deles o voto foi favorável aos interesses do Banco Master".Dalide negou qualquer sociedade com Gilmar e qualquer vínculo societário com o IDP, e disse não ter relação com o BTG. Segundo seu escritório, ela atuou em processos movidos inicialmente por empresas que venderam créditos ao Master e que depois tiveram o banco como sucessor nas ações. À Folha, Gilmar afirmou não ter relação pessoal ou profissional com a advogada, tratando-a apenas como ex-funcionária. Já a coluna de O Globo apurou que os dois seguem próximos até hoje.O valor de R$ 33 milhões pago ao escritório de Dalide foi detectado por uma auditoria interna do BRB, banco estatal de Brasília que tentou comprar o Master, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. A PF também encontrou mensagens em que o executivo Alberto Félix trata a advogada como "canal direto com o STF". Ninguém foi condenado, e os diálogos integram o material do celular de Vorcaro em análise nas investigações do caso Master. Segundo o G1, os ministros André Mendonça e Fux informaram à PF, em ofícios, que não conseguem acessar a íntegra da cópia do celular e pediram auxílio técnico. Não há data definida para os próximos passos.

HBHenrique Barros
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TSE admite ação de Flávio Bolsonaro contra Lula e Alckmin por desfile de escola de samba

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitiu, na sexta-feira (18), uma ação de investigação judicial eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB), candidatos à reeleição, por suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, em fevereiro, no Carnaval do Rio. A decisão é do corregedor eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, e apenas permite que o processo siga, sem julgamento do mérito nem reconhecimento de qualquer ilícito.A ação foi apresentada pelo candidato à reeleição presidencial Flávio Bolsonaro (PL) e seu vice, Alfredo Gaspar, adversários de Lula e Alckmin na disputa de 2026. Também figuram como investigados a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, o candidato a deputado federal pelo PT Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. Segundo o G1, o ministro determinou a citação de todos e fixou prazo de cinco dias para a defesa. Se julgada procedente ao final, a ação pode levar à cassação do registro ou do diploma do candidato beneficiado e à inelegibilidade por oito anos, previstas no artigo 22 da Lei Complementar 64 de 1990.Como o caso chegou ao TSEJulho de 2025: segundo a petição, é anunciado o enredo da Acadêmicos de Niterói dedicado à trajetória pessoal e política de Lula.15 de fevereiro de 2026: a escola desfila no Carnaval do Rio com o enredo sobre o presidente, segundo o Brasil 247.Sexta-feira, 18 de setembro: o corregedor eleitoral admite a ação, cita os investigados e abre prazo de cinco dias para a defesa.O que a petição alegaFlávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar sustentam que os municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, o estado do Rio e a Embratur destinaram, juntos, R$ 9,65 milhões à escola depois do anúncio do enredo, em julho de 2025. Segundo os autores, haveria ainda receitas privadas não esclarecidas, possivelmente de empresas com contratos públicos e sem histórico de patrocínio a escolas de samba. Alegam também uso indevido dos meios de comunicação: o desfile teria sido transmitido em rede nacional de televisão aberta por cerca de 79 minutos, e a gravação seguiria disponível em plataformas digitais, exposição que, na leitura dos candidatos, escaparia às regras da propaganda eleitoral.Na petição, os autores pedem a produção de provas em órgãos e entidades públicas e privadas e o depoimento de Janja, Freixo e Rodrigo Neves. Caso o abuso seja reconhecido, pedem a cassação de Lula e Alckmin e a declaração de inelegibilidade deles pelos oito anos seguintes.Ao examinar o processo, Antonio Carlos Ferreira concluiu que os fatos narrados bastam, em tese, para enquadrar abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Segundo o Brasil 247, a petição veio acompanhada de comprovantes de pagamento, publicações oficiais, documentos de tribunais de contas, do Livro Abre-Alas da escola e de uma lista de testemunhas. "Desta forma, em primeira análise, entendo que a petição inicial preenche os requisitos de admissibilidade", escreveu o ministro. Para Márcio Nogueira, presidente da OAB de Rondônia e especialista em direito eleitoral ouvido pelo G1, a ação de investigação judicial é um dos instrumentos "mais severos de responsabilização na Justiça Eleitoral" e se distingue das representações eleitorais, voltadas a infrações específicas, como propaganda irregular.O instrumento já teve uso de peso na política brasileira: as duas condenações do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no TSE, que o tornaram inelegível até 2030, ocorreram em ações de investigação judicial eleitoral, uma sobre a reunião com embaixadores em julho de 2022 e outra sobre os eventos do bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022. Sobre o caso atual, o G1 informou ter procurado a assessoria de campanha do PT e não ter obtido resposta. Lula, Alckmin e os demais citados têm a condição de investigados e mantêm a presunção de inocência. O próximo passo é a defesa, no prazo de cinco dias contados da citação; na sequência, o processo avança para a produção de provas. Os veículos consultados não informaram uma data para essa etapa.

HBHenrique Barros
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Vorcaro encomendou a 'Sicário' certificados de vacinação retroativos, indicam mensagens

Mensagens trocadas em 12 de dezembro de 2024 indicam que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro encomendou dois certificados internacionais de vacinação contra a febre amarela com data retroativa de aplicação das doses. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste sábado (19), os diálogos foram obtidos pelo jornal e ocorreram com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, apontado pela Polícia Federal como chefe da milícia particular do banqueiro. Na conversa, Vorcaro enviou dados pessoais da atriz Monique Alfradique e recebeu dois certificados com registro de aplicação em 9 de abril de 2024.A troca de mensagens aconteceu entre 8h57 e 13h30, segundo a Folha. Às 8h57, Vorcaro encaminhou a Sicário um certificado de vacinação e escreveu: "Precisa do (sic) tirar dois certificados desses". Por volta do meio-dia, Sicário repassou ao ex-banqueiro mensagem de um interlocutor não identificado: "Chef aquele lá tá pronto já. Quer inserir sistema não?". Em seguida, pediu: "CPF dela. Só está precisando disto. Te envio agora tudo pronto e resolvido". Vorcaro então enviou o nome completo, o CPF e a data de nascimento de Monique Alfradique.Às 13h25, Sicário encaminhou novas mensagens do interlocutor, que afirmava ter registrado a vacina nos sistemas públicos: "Coloquei aplicação no dia 09/04/2024... Outra coisa, está processando o RNDS [Rede Nacional de Dados em Saúde], que é o responsável por gerar o PDF". O auxiliar mandou ainda o link do site Meu SUS Digital, do governo federal, com a observação de que o registro "já deve está disponível" na carteira digital de vacinação, disse "qualquer coisa só me chamar" e enviou dois certificados a Vorcaro.Procurada pela Folha, a assessoria da atriz disse que "as duas doses da vacina contra a febre amarela ministradas em Monique Alfradique ocorreram de forma absolutamente regular, nos postos de saúde devidamente credenciados, em observância aos protocolos oficiais". A última dose teria ocorrido em 22 de abril de 2024, na Fiocruz. O jornal ressalva que não está claro se a atriz tinha conhecimento do pedido. O Ministério da Saúde informou que os sistemas do SUS contam com "mecanismos de segurança, controle de acesso e rastreabilidade" e que "não há nenhum registro de comprometimento desses mecanismos". A defesa de Vorcaro não se manifestou.Linha do tempo do casoDezembro de 2024: as mensagens sobre os certificados são trocadas em 12 de dezembro.Novembro de 2025: Vorcaro é preso pela primeira vez no escândalo do Master.4 de março de 2026: Sicário é preso por ordem do ministro André Mendonça, do STF, na terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele morreu por suicídio na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.Junho de 2026: a Folha revelou que mensagens do celular de Vorcaro apontam que ele mandou Sicário "moer" uma empregada de Monique Alfradique; a assessoria da artista disse que ela desconhecia qualquer ameaça.Setembro de 2026: relatório da PF sobre o celular de Vorcaro é tornado público por Mendonça em 1º de setembro; o plenário do STF começa a analisá-lo no dia 15, quando o ministro Flávio Dino pediu vista.Investigadores descreviam Sicário como chefe da "Turma", grupo que, segundo a Polícia Federal, obtinha informações sigilosas para Vorcaro e ameaçava adversários do banqueiro. Documentos do celular do ex-banqueiro foram encaminhados à CPI do INSS, na qual um contato da atriz constava cadastrado como "Alan TI", segundo a Folha. O episódio guarda paralelo com a investigação sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela suposta falsificação de certificado de vacinação contra a Covid: a PF o indiciou por inserção de dados falsos em 2024, mas a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento em 2025, ao entender que não há elementos para responsabilizá-lo.As investigações do caso Master correm no STF sob relatoria de André Mendonça. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado no relatório da PF, sustenta a nulidade do documento, por entender que a produção do material precisaria de pedido prévio da PGR ou da própria PF e de autorização do plenário da corte. A análise em plenário, iniciada na terça-feira (15), foi interrompida pelo pedido de vista de Dino e ainda não tem data para ser retomada. Vorcaro é investigado e conserva a presunção de inocência.

HBHenrique Barros
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Arquivo de 500 GB do celular de Vorcaro chega ao STF com acesso restrito

Gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a analisar, sob acesso restrito, as cópias dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master. O arquivo compactado, enviado pela Polícia Federal (PF) por determinação de ministros da Corte, tem 500 gigabytes. Segundo relatos feitos ao g1 neste sábado (19), os ministros ainda não decidiram os próximos passos da apuração e não há prazo para o fim da análise, que ocorre em meio à crise que paralisou pautas importantes da Corte em plena campanha presidencial.Para dar uma dimensão do volume, o tamanho comporta cerca de 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil arquivos de áudio em MP3 ou cerca de 40 horas de filmes em alta definição, em comparação feita pelo g1. Os dados estão divididos em pastas com conversas, áudios e logs, os registros de atividades do aparelho. A organização coube ao software de perícia IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), que permite buscas por palavras-chave e gera um código que assegura a integridade das provas e identifica tentativas de alteração. Peritos também usaram ferramentas para recuperar dados apagados ou protegidos por senha. A varredura, segundo o g1, combina uma busca geral sobre pontos de atenção indicados pelos próprios ministros com a verificação do recorte feito pela PF para a produção dos relatórios, com cuidado para preservar questões pessoais presentes na extração. Em nota, a PF afirmou:"As cópias entregues são idênticas à extração realizada do aparelho. O material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital."A cópia foi encaminhada aos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, segundo o g1. Até quinta-feira (17), cinco deles haviam recebido o material, informou o Poder360. O envio decorre de uma disputa interna pelo acesso irrestrito ao acervo digital de Vorcaro: Zanin e Gilmar acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, cobrando a entrega da integralidade do espelhamento do aparelho, e Fachin decidiu ouvir Mendonça, relator do caso Master, que alegou que a divulgação provocaria tumulto no julgamento. Mesmo sem decisão do presidente do STF, Zanin, Gilmar e Moraes determinaram que a PF enviasse cópias, e Mendonça e Fux também requisitaram o material. Mendonça afirmou que a cópia que recebeu era de segurança, criptografada e lacrada, funcionando como contraprova caso o original sofresse extravio, e que não manuseou a mídia.Como o caso chegou até aquiO celular foi apreendido pela PF em 17 de novembro de 2025, no dia da primeira prisão preventiva de Vorcaro decretada pela Justiça. A extração identificou interlocução do ex-banqueiro com autoridades dos Três Poderes, incluindo ministros do STF e parentes, deputados, senadores e diretores do Banco Central. O material já embasou buscas contra os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). No dia 12 de setembro, Fachin suspendeu provisoriamente as relatorias de Mendonça nos casos do Master e das fraudes nos descontos do INSS, segundo o Poder360. Em 15 de setembro, o STF iniciou sessão para decidir sobre a abertura de apuração contra Moraes, depois que Mendonça retirou o sigilo de relatório da PF que identifica o ministro como interlocutor de 52 mensagens de Vorcaro. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino.Segundo o relatório da PF, elaborado por ordem de Mendonça, Moraes atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões assinado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, esposa do ministro. A PF aponta ainda que, dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Moraes se tinha que deixar o Brasil, e que pediu ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. O relatório registra oito encontros entre os dois. Moraes classificou de fantasiosas as mensagens em que a PF o identifica como interlocutor de Vorcaro e afirmou que nunca favoreceu o ex-banqueiro ou o Master. O ministro também pediu abertura de apuração contra Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa, e Fachin determinou que esse pedido só será pautado depois de concluída a questão de ordem sobre o caso Vorcaro-Moraes.Próximos passosCom Mendonça afastado provisoriamente das relatorias e o julgamento interrompido pelo pedido de vista, as investigações do Master e do INSS estão paralisadas na prática, segundo o Poder360, e a retomada da análise do caso Vorcaro-Moraes pode ficar para meados de dezembro. Nos bastidores do tribunal, os ministros dizem que ainda não decidiram o que fazer após a leitura do material, e não há prazo definido para o encerramento da apuração.

HBHenrique Barros
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Advogado do Master mandou a Vorcaro foto de Gonet com charuto em Londres: "PG me mandou"

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro registram que o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, encaminhou ao ex-banqueiro, em 19 de junho de 2025, uma foto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, fumando charuto ao seu lado em um clube privado de Londres. Logo em seguida, o advogado escreveu: "PG me mandou", iniciais do nome do procurador-geral. A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem e informou que não vai comentar, segundo reportagem do Globo desta sexta-feira (18).Na foto, Vorcaro aparece sentado próximo a Gonet, que segura um charuto diante de uma mesa com copos de uísque; o próprio Ciro Soares está na imagem, ao lado do ex-banqueiro. Segundo a Folha de S.Paulo, pessoas com conhecimento das investigações afirmam que o registro foi feito em 25 de abril de 2024, durante uma degustação de uísque no George Club, clube privado do bairro londrino de Mayfair, evento que teria sido custeado por Vorcaro. A colunista Malu Gaspar, do Globo, registrou que o então dono do Master desembolsou R$ 3,2 milhões para promover a degustação de uísques Macallan.Cada lado apresentou sua versão. À Folha, a assessoria da PGR afirmou que a foto é do evento de 2024, do qual o próprio Gonet disse ter participado junto com várias outras autoridades, e lembrou que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), reconheceu que não há nada de irregular nas menções ao procurador-geral. Já a assessoria de Ciro Soares afirmou que a imagem "é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre o empresário Daniel Vorcaro" e que "não há qualquer irregularidade na foto".Em sessão do STF na terça-feira passada, Gonet afirmou que teve um único encontro com Vorcaro, em abril de 2024, com várias autoridades presentes."Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal. A atuação do Ministério Público Federal em primeiro grau e no Supremo Tribunal Federal sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal", disse o procurador-geral.Como as mensagens vieram a públicoAs conversas entre Gonet e Vorcaro, intermediadas por Ciro Soares, começaram a vazar há cerca de duas semanas, quando Mendonça tornou público um relatório da PF com o conteúdo extraído do celular do ex-banqueiro, preso preventivamente nas investigações sobre o Banco Master. O documento também cita o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que levasse o tema ao plenário. O julgamento começou na terça (15) e foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem data para ser retomado.Citado no relatório, Gonet sustenta a nulidade do documento da PF. Para o procurador-geral, o material foi produzido a pedido de Mendonça, sem solicitação prévia do Ministério Público ou da própria Polícia Federal, e a lei exige autorização do plenário do STF para investigar um integrante da Corte. Em sessão, Mendonça diferenciou as mensagens que citam Gonet dos demais diálogos apreendidos: "Aqui não estou fazendo juízo de valor em relação ao procurador-geral, até porque as informações que vieram, são informações, na minha avaliação, de outra densidade".As trocas entre Soares e Vorcaro registradas pela PF vão além da foto de Londres. Em abril de 2024, o advogado escreveu ao então banqueiro "Amizade é tudo viu irmão" e, na sequência, "Gonet é firme". Em março de 2025, mandou uma foto ao lado do procurador com o recado "Liga aqui. Ele quer falar com você". Também encaminhou mensagens que apresentou como enviadas por Gonet, entre elas "Que bom! Estou na torcida por vocês!" e "Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma". Sobre a segunda edição de um fórum jurídico patrocinado pelo Master em Londres, depois cancelada, repassou o recado "Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan". No dia seguinte, perguntou se o filho de Gonet poderia acompanhar o grupo na viagem; Vorcaro respondeu: "Óbvio, né".Próximos passosNesta sexta (18), a defesa de Vorcaro pediu a Fachin a revogação da prisão preventiva. A PGR, chefiada por Gonet, deve se manifestar sobre o pedido nos próximos dias. No STF, a análise do caso Master segue suspensa até que Dino conclua seu exame e devolva os autos ao plenário.

HBHenrique Barros
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Foto extraída do celular de Vorcaro mostra Gonet com charuto e uísque em Londres

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal registram uma foto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, segurando um charuto, diante de uma mesa com copos de uísque, ao lado do dono do Banco Master, em um clube privado de Londres. A imagem foi obtida pela Folha de S.Paulo, e a assessoria da PGR confirmou a autenticidade, sem comentar o conteúdo. Segundo o Valor Econômico, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do Master, enviou a foto ao ex-banqueiro em 19 de junho de 2025, acompanhada da mensagem "PG me mandou", em referência às iniciais de Gonet.Pessoas com conhecimento das investigações ouvidas pela Folha afirmam que o registro é de 25 de abril de 2024, durante uma degustação de uísque no clube privado George Club, no bairro de Mayfair, evento que teria sido custeado por Vorcaro. O Valor Econômico aponta que o banqueiro desembolsou R$ 3,2 milhões para promover a degustação privada do rótulo Macallan, que também contou com as presenças do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.O que diz cada ladoEm manifestação enviada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) na quinta-feira (17), Gonet negou ter amizade com Vorcaro e admitiu um único encontro presencial com o ex-banqueiro, em abril de 2024, durante o que descreveu como um evento jurídico público em Londres, com a participação de outras autoridades. As reportagens que revelaram a foto caracterizam a ocasião como uma degustação privada bancada pelo banqueiro."Não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado."Sobre uma ligação de 15 de março de 2025 citada em relatórios da PF, o procurador-geral afirmou que foi uma "breve saudação", a pedido de Soares, sem assunto relevante e anterior a qualquer ciência sua de atividades ilícitas. Ele também disse que Soares lhe foi apresentado "como bem-sucedido advogado e empresário". A assessoria de Soares afirmou que a foto "é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre o empresário Daniel Vorcaro" e que "não há qualquer irregularidade na foto". Já a assessoria da PGR lembrou à Folha que o ministro André Mendonça, do STF, reconheceu que "não há nada demais nas menções ao procurador-geral".Como o caso chegou até aquiAs mensagens entre Soares e Vorcaro integram o material apreendido pela PF nas investigações sobre o Banco Master, em que Vorcaro, hoje preso preventivamente, é investigado. Segundo apontou a PF, a interlocução entre Gonet e o banqueiro começou por meio de Soares em abril de 2024, quando o advogado escreveu "Amizade é tudo viu irmão" e, na sequência, "Gonet é firme", em conversas que tratavam inicialmente de Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais. Em 2025, os dois tratavam da segunda edição de um fórum jurídico em Londres patrocinado pelo Master, depois cancelado. Nas trocas de mensagens, Soares repassou a Vorcaro uma comunicação atribuída a Gonet sobre o encontro: "Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan". Vorcaro respondeu agradecendo o carinho e acrescentou: "vamos marcar de estar juntos".25 de abril de 2024: degustação de Macallan no George Club, em Mayfair, bancada por Vorcaro; a foto registra Gonet ao lado do banqueiro.15 de março de 2025: ligação breve entre Gonet e Vorcaro, admitida pelo procurador em manifestação ao CSMPF.19 de junho de 2025: Soares encaminha a foto a Vorcaro com a mensagem "PG me mandou".15 de setembro de 2026: o STF adia a discussão sobre o relatório da PF que cita Gonet e Moraes, após pedido de vista do ministro Flávio Dino.17 de setembro de 2026: Gonet nega amizade com Vorcaro em manifestação ao CSMPF; no dia seguinte, Folha e Valor publicam a foto e detalhes das conversas.As mensagens vieram a público quando o ministro André Mendonça, do STF, encaminhou à Corte um relatório da PF que também menciona Moraes e pediu que o caso fosse levado ao plenário, que deve avaliar se autoriza ou não uma investigação do magistrado. Citado no documento, Gonet defende a nulidade do relatório, por ter sido produzido a pedido de Mendonça sem solicitação prévia do Ministério Público ou da PF, e lembra que a lei exige autorização do plenário do STF para investigar integrante da Corte.O próximo passo é o retorno do tema ao plenário do STF, ainda sem data definida. Em paralelo, a manifestação de Gonet sobre sua relação com Vorcaro permanece sob exame no CSMPF.

HBHenrique Barros
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Ex-presidente da Câmara de SP, Milton Leite se entrega e é preso em Mogi das Cruzes

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite apresentou-se à Polícia Civil na tarde desta sexta-feira (18), na sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e foi preso por força de um mandado de prisão temporária de 30 dias. Segundo a Folha de S.Paulo, é naquela delegacia que tramita o inquérito da Operação Vectura Corrupta, que apura suspeita de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo paulista. Leite é investigado e nega as suspeitas; não há denúncia ou condenação contra ele.O ex-vereador era considerado foragido desde a quinta-feira (17), quando agentes não o encontraram no endereço residencial dele durante a deflagração da operação. Ele afirmou à época que se apresentaria em 24 horas e negou as acusações. Na manhã desta sexta, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) foram até Sorocaba, no interior paulista, procurá-lo em um imóvel de um assessor. Não o encontraram, mas apreenderam cerca de R$ 740 mil em dinheiro vivo, parte em dólares, dentro de uma mala, e identificaram uma passagem secreta entre o imóvel do assessor e uma casa de Leite, segundo o InfoMoney. A origem do dinheiro não foi informada pelas autoridades.O que aponta a investigaçãoDeflagrada na quinta pela Polícia Civil e pelo MP-SP, a Vectura Corrupta investiga a suspeita de que empresas de ônibus que operam transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes do PCC após a obtenção de licitações. Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, dez haviam sido cumpridos antes da entrega de Leite, e outras cinco pessoas seguem foragidas, entre elas Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do clube de futebol Água Santa. A investigação também apura suspeita de corrupção de funcionários públicos e de financiamento de campanhas pelo PCC nas eleições municipais de 2024 e na disputa atual. A ação é desdobramento da Operação Dercúrio, de agosto de 2024, contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas atribuído à facção.A prisão de Leite foi autorizada pelo desembargador Sergio Ribas. Na decisão, citada pelo InfoMoney, ele escreveu que o ex-vereador é "citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC" e que há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que Leite seria o dono de fato da Transwolff. A empresa de ônibus gerenciou por anos linhas da capital paulista e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo rompido em 2024, após ser alvo da Operação Fim da Linha do MP-SP sob suspeita de envolvimento com a facção, que a companhia nega.O que dizem as defesasLeite negou as suspeitas. "Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]", afirmou o político, segundo a Folha. Já a defesa da Transwolff afirmou que ele nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários, e que afirmações nesse sentido são equivocadas. Vereador por sete mandatos consecutivos, Leite presidiu a Câmara Municipal por seis anos e deixou o Legislativo ao final de 2024, após 28 anos, mas seguiu com influência na política paulista.A prisão temporária vale por 30 dias, prazo que se encerra por volta de 18 de outubro. Até lá, Polícia Civil e MP-SP devem concluir o inquérito ou pedir à Justiça a conversão da custódia em prisão preventiva, enquanto a defesa pode pedir a revogação da medida. O delegado Fabrício Intelizano, da Dise de Mogi das Cruzes, disse em coletiva que a possibilidade de vazamento da operação será apurada, embora não haja confirmação de que isso tenha ocorrido.

HBHenrique Barros
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Lula anuncia força-tarefa contra roubo de cargas nas rodovias federais do RJ

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (18) uma força-tarefa entre os governos federal, estadual e municipal para reforçar o combate ao roubo de cargas nos principais corredores rodoviários do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito às 10h, na Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Irajá, na zona norte da capital, durante evento sobre ações integradas de enfrentamento ao crime organizado, ao lado do governador em exercício do estado, Ricardo Couto.Segundo o G1, a ação prevê a atuação da PRF nas estradas, o uso de imagens e dados de inteligência do Civitas, plataforma de monitoramento da Prefeitura do Rio, e o apoio das polícias Militar e Civil do estado. O programa vai atuar, inicialmente, em quatro eixos: Via Dutra (BR-116 Sul), Washington Luís (BR-040), Niterói-Manilha (BR-101 Norte) e Arco Metropolitano.Uma estratégia mais amplaO Poder360 relata que a força-tarefa amplia um acordo definido na quinta-feira (17) entre o governo federal e o governo estadual. A estratégia reúne a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), a Polícia Federal, a PRF e as forças de segurança do Rio, com o objetivo de integrar policiamento, fiscalização, inteligência e investigação. As áreas de atuação incluem a Avenida Brasil, as linhas Vermelha e Amarela e os acessos ao Porto do Rio de Janeiro e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, contra roubos de cargas e veículos, receptação e organizações que movimentam armas, drogas e recursos de origem criminosa.Linha do tempoO reforço federal chega após um mês marcado por ataques a cargas nas mesmas rodovias. Em 29 de agosto, o soldado da PM Paulo Roberto dos Santos Ferreira Júnior, de 36 anos, foi baleado durante uma abordagem a um veículo suspecho de roubo de carga e não resistiu aos ferimentos, segundo o jornal O Globo. Na segunda-feira (14), uma ação conjunta da Polícia Civil e da PRF na BR-040 e na Via Dutra, parte de uma força-tarefa que reúne sete delegacias especializadas, deixou um suspeito morto e três presos. Segundo a investigação, eles integram uma quadrilha especializada em roubo de cargas e centros de distribuição, que atua em bandos de até 30 pessoas e também é investigada pela morte do policial.O delegado Vinícius Domingos, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas, explicou ao jornal o destino da mercadoria roubada."A mercadoria roubada vai para o Parque União e de lá é pulverizada até para outros estados, como São Paulo. É a maior quadrilha de roubo de carga. Não em quantidade de roubos, mas em aparato, armamento bélico, violência."O anúncio acontece a menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro. Segundo o Poder360, depois do evento no Rio, Lula seguiu para Guarulhos (SP), onde participa às 19h de um ato de campanha. A força-tarefa começa a operar nos quatro corredores rodoviários; nenhuma data foi divulgada para a expansão às vias urbanas.

HBHenrique Barros
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Milton Leite segue foragido após não cumprir prazo de 24 horas para se entregar

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) segue foragido da Justiça, mais de 24 horas depois de anunciar que se entregaria às autoridades para provar sua inocência. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (18) ao g1 por fontes da Polícia Civil e do Ministério Público (MP), que mantêm diligências para localizá-lo e prendê-lo. Ele é investigado por suspeita de integrar um esquema que liga operadoras do transporte coletivo paulistano ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e nega todas as acusações.Milton é alvo de mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pelo MP e pela Polícia Civil. Como não foi localizado em sua residência durante o cumprimento dos mandados, disse por telefone à Folha de S.Paulo que estava fora de São Paulo e que se organizava com seus advogados para se apresentar em 24 horas. Também divulgou nota pela assessoria de imprensa naquela manhã:"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações."Diligências em SorocabaNa manhã desta sexta, policiais e membros do MP foram a um imóvel em Sorocaba, no interior paulista, onde suspeitavam que o ex-vereador estivesse escondido. Milton não foi encontrado. Segundo o g1, no local havia dinheiro e documentos com outra pessoa, que não soube explicar a origem: foram apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil (cerca de R$ 457 mil). A Folha apurou que Milton teria passado pelo imóvel na quarta-feira, véspera da operação, mas já não estava lá nesta sexta.Ao todo, a Justiça decretou 16 prisões temporárias e expediu 18 mandados de busca e apreensão, cumpridos na capital e em Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Segundo o g1, dez investigados foram presos e seis seguem foragidos, entre eles o ex-vereador, cuja defesa não foi localizada para comentar o descumprimento do prazo. Entre os detidos estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual.O que aponta a investigação e o que dizem as defesasA Vectura Corrupta é desdobramento da Operação Decúrio, de 2024, e apura lavagem de dinheiro, corrupção e uso de empresas de ônibus para movimentar recursos ligados à facção. O MP sustenta que ao menos 12 das 22 empresas de transporte da capital seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC, alegação da investigação ainda sujeita à apuração judicial. A decisão que autorizou a operação aponta Milton como "dono de fato" da Transwolff, empresa investigada na Operação Fim da Linha em 2024 e acusada de lavar dinheiro para a facção. Segundo a Folha, o mandado contra o ex-vereador se apoia principalmente em menções de terceiros: uma conversa de julho de 2024 do empresário José Daniel Satilite, da Translider, com um advogado, e uma mensagem de um sargento da PM que o chamou de "chefe".Milton nega participação na Transwolff e qualquer relação com o PCC. A empresa também nega as acusações e afirmou que o ex-vereador nunca teve participação societária, nunca participou da gestão nem deu ordens na companhia. Como investigado, ele mantém a presunção de inocência até decisão judicial em sentido contrário. As buscas pelos seis foragidos continuam. Em caso de prisão ou de apresentação espontânea, Milton deve passar por audiência de custódia, procedimento obrigatório em até 24 horas após a detenção, no qual um juiz avalia a legalidade e a necessidade da prisão.

HBHenrique Barros
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PF mapeia cinco viagens de Flávio Bolsonaro com advogado investigado no caso do INSS

A Polícia Federal identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas em conjunto pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e pelo advogado Willer Tomaz, investigado sob suspeita de envolvimento no esquema de fraude do INSS, no primeiro semestre de 2025. Os registros estão em fotos, reservas e e-mails apreendidos em agosto, durante buscas no escritório do advogado em Brasília, segundo reportagem do jornal O Globo publicada nesta sexta-feira (18). Além das viagens, a amizade incluiu o uso, durante a campanha eleitoral, de um apartamento em São Paulo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, e virou fonte de desgaste para o presidenciável a menos de três semanas do primeiro turno.A viagem mais emblemática ocorreu em março de 2025, nove meses antes de Flávio lançar a candidatura. Em um roteiro de uma semana pela África do Sul, que incluiu um safári, o senador foi acompanhado de familiares, de Willer e do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado no caso do INSS. Em uma foto localizada pela PF, Flávio, Weverton e Willer aparecem com crianças em área de savana, todos com camisetas iguais estampadas com animais africanos e a inscrição "Big Five", termo do turismo de safári para elefante, leão, leopardo, rinoceronte e búfalo. Segundo O Globo, houve ainda viagens a Portugal, à França e aos Estados Unidos, e, em janeiro de 2025, os dois embarcaram em um jatinho da Prime You, empresa que teve Vorcaro entre os sócios, dos Estados Unidos para Brasília.O apartamento na Vila Nova ConceiçãoNo início de agosto, Flávio se instalou em um apartamento de 158,87 m² no edifício l'Adresse, na Vila Nova Conceição, um dos bairros mais caros de São Paulo. No imóvel, cedido por Willer, o candidato gravou vídeos para o horário eleitoral e reuniu a equipe que definiu as últimas estratégias da campanha. Até fevereiro, o apartamento pertencia a Fabiano Zettel, cunhado e apontado pela PF como principal operador de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master preso sob suspeita de comandar a maior fraude contra o sistema financeiro do país. A revelação do uso do imóvel é da revista piauí, de 16 de setembro, e foi confirmada por O Globo. Segundo a piauí, que atribui a revelação do negócio à Folha de S.Paulo, Zettel comprou o apartamento por R$ 5,5 milhões em abril de 2025 e o vendeu por R$ 3,5 milhões em fevereiro deste ano à empresa do advogado, uma perda nominal de R$ 2 milhões.A transferência foi registrada em cartório em 4 de março, dois meses depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar o bloqueio dos bens de Zettel e no mesmo dia em que ele foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes envolvendo o Banco Master. O uso do imóvel por Flávio virou alvo de questionamento de adversários no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o argumento de que a cessão deveria ter sido declarada como doação de campanha, segundo O Globo. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) a investigação do caso, segundo o site PSOL 50. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) recorreu ao TSE para pedir a apuração de possível abuso de poder econômico na campanha, informou o Sul 21.O inquérito do INSS e as respostasWiller foi alvo de operação da PF em agosto, sob suspeita de manter uma estrutura de empresas e operadores financeiros para lavar ou ocultar recursos obtidos com desvios ilegais de aposentadorias. Em relatório que embasou as buscas, a corporação afirma que o advogado atuava como "hub financeiro, patrimonial e logístico" do grupo investigado, sustentado por "empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos". O documento cita o repasse de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Willer para a mulher de Weverton. O senador do Maranhão, alvo de operação em dezembro, é descrito pela PF como "liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras" do grupo que fraudou o INSS. Willer nega ser investigado por fraude contra o sistema previdenciário; Weverton nega irregularidades. A conexão entre Flávio e o advogado entrou na mira da PF dentro desse inquérito.Procurado, Flávio disse manter com Willer uma "relação de amizade" "legítima" e afirmou que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos". Ele não informou se teve despesas pagas pelo advogado. Willer afirmou, em nota, que as viagens "são de caráter estritamente privado", foram "custeadas com recursos próprios" e "nada têm a ver com função pública, com contratos ou com qualquer interesse de terceiros", e que "jamais manteve" relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro. Segundo a piauí, em um primeiro contato por telefone o advogado negou que Flávio tivesse usado o apartamento. Weverton disse que Willer é seu "compadre e amigo há muitos anos" e que as viagens em família são "relações privadas, que não envolvem dinheiro ou interesses públicos". O Globo ainda relata que Willer emprestou uma casa em Angra dos Reis para a festa de aniversário de uma filha do senador em fevereiro e que os dois atuam juntos, como advogados, em um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ).Os próximos passos estão com a Justiça. O TSE ainda não decidiu se abre investigação sobre o uso do imóvel, e a PGR não se manifestou sobre o pedido de Erika Hilton. Na PF, investigadores seguem analisando o material apreendido de Willer dentro do inquérito da fraude do INSS. O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro, a 16 dias.

HBHenrique Barros
justice

Moraes vota por igualar licença-maternidade de mães adotivas e biológicas no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta quarta-feira (16) a ação que discute a igualação da licença-maternidade entre mães biológicas e adotivas. O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou por garantir a todas as mães o mesmo afastamento remunerado de 120 dias, prorrogável por mais 60, e foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Flávio Dino. O julgamento foi suspenso por causa do horário e será retomado na próxima semana, segundo o g1.A ação direta de inconstitucionalidade ADI 7.495, proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), contesta normas que dão tratamento distinto conforme a forma de constituição da maternidade e o vínculo profissional, e alcança trabalhadoras da iniciativa privada, servidoras públicas civis e militares e integrantes do Ministério Público. Hoje, uma mãe biológica com vínculo estatutário federal tem 120 dias de licença remunerada; uma mãe adotante tem 90 dias se a criança tiver até um ano e 30 dias se for mais velha, de acordo com o g1. A CLT já equipara os dois casos, mas algumas leis estatutárias mantêm diferenças formais.Pelo voto do relator, todas as mães terão licença de idêntico conteúdo, independentemente de serem regidas pela CLT ou por estatuto funcional. O prazo será contado a partir do nono mês de gestação, do parto, da adoção ou da obtenção da guarda para fins de adoção e, nos casos de internação, da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido. Moraes afirmou que a licença-maternidade é um direito dos filhos tanto quanto da mulher. "A Constituição protege essas duas pessoas", disse."Se todos são filhos, a mãe é mãe de todos, dos filhos naturais, biológicos, adotivos, então a licença maternidade deve ser igual para todos."Moraes negou apenas um pedido da PGR, o compartilhamento da licença parental entre os integrantes do núcleo familiar. Nesse ponto, seguiu precedentes da corte e afirmou que a definição da repartição dos períodos cabe ao Legislativo, relata o Migalhas. O relator também considerou inconstitucional a redução da licença conforme a idade da criança adotada, critério que, para ele, não tem razoabilidade e pode dificultar ainda mais a adoção de crianças mais velhas. A ministra Cármen Lúcia disse que a interpretação do relator é mais coerente com a Constituição: "Mãe é só uma e todo filho é único para nós. O filho é filho e pronto".Linha do tempo do casoEm 2023, o STF decidiu que não é possível discriminar o tempo de licença-maternidade entre a mãe biológica e a adotante, com base nos princípios da dignidade humana, da igualdade entre filhos biológicos e adotados e do melhor interesse da criança. A PGR sustenta, porém, que aquela decisão serviu de base apenas para órgãos do Poder Judiciário e não alcançou a administração pública, de modo que a discriminação continuou a ocorrer. A ADI 7.495 pede a declaração de incompatibilidade das normas com a Constituição para vincular tanto o Judiciário quanto a administração pública. A análise começou no plenário virtual, onde Moraes e Dino já haviam votado pelo fim da diferenciação, e foi levada ao plenário físico por pedido de destaque do próprio relator. Em sustentação oral, o defensor público Gustavo Zortea, da Defensoria Pública da União, defendeu 120 dias prorrogáveis por 60 para todas as beneficiárias e a extensão da proteção ao pai que exerça sozinho a parentalidade.Primeiro voto após a crise no tribunalA votação ocorreu um dia depois da sessão extraordinária em que o plenário debateu o processo que envolve o próprio Moraes, marcada por embates entre ministros e classificada por integrantes do tribunal como "vergonhosa", segundo o g1. A sessão terminou sem decisão sobre a união ou a separação dos casos dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, após pedido de vista de Dino. Moraes não estava presente ao início da sessão desta quarta-feira (16); chegou depois, pediu vista em outro processo da pauta e então proferiu seu voto na ADI 7.495, segundo o acompanhamento ao vivo do g1. Foi seu primeiro voto em plenário desde a sessão de terça-feira (15).Moraes, Toffoli, Cármen Lúcia e Dino formam, por ora, quatro votos pela igualação, sem registro de votos contrários até a suspensão. Ainda devem votar os ministros Edson Fachin, presidente da corte, Gilmar Mendes, Fux, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Zanin, presentes à sessão. O julgamento será retomado na próxima semana, sem data definida na cobertura consultada.

HBHenrique Barros
Politics

Eduardo Bolsonaro pede à equipe de Trump sanções a Moraes, Gilmar e Dino

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta-feira (16) com integrantes do governo do presidente americano Donald Trump, no Departamento de Estado, em Washington, e pediram sanções dos Estados Unidos contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. O pedido amplia a ofensiva que, até agora, tinha Moraes como único alvo na corte. Segundo a CNN Brasil, o encontro ocorreu um dia depois de uma sessão do STF que examinaria um relatório da Polícia Federal sobre o ministro no âmbito do Caso Master e terminou sem qualquer decisão.Figueiredo afirmou à CNN Brasil que os dois disseram ao governo americano que Moraes deveria voltar à lista de sancionados do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Tesouro dos Estados Unidos. O OFAC havia anunciado, em dezembro de 2025, a remoção da designação do ministro e sua retirada da lista."Nossa posição é a de que Moraes continua sob a designação da Lei Global Magnitsky e que não há razão para que ele não seja reincluído na lista SDN [lista de pessoas designadas e bloqueadas] do OFAC", disse Figueiredo à CNN Brasil.Quanto aos outros dois alvos, o empresário sustentou haver base para incluí-los: "Há elementos suficientes para demonstrar que Flávio Dino e Gilmar Mendes estão prestando apoio material a um indivíduo designado. E, portanto, devem ser designados também". Segundo Figueiredo, a reunião tratou principalmente da crise institucional no Brasil e do combate ao crime organizado, e citou o documento enviado pelo governo Trump ao Congresso americano na terça-feira (15), em que o presidente dos EUA afirmou que o Brasil falhou ao confrontar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho. O governo Lula nega falhas e omissões no enfrentamento das facções, noticiou a Gazeta do Povo.A sessão da vésperaO encontro em Washington veio um dia depois da sessão de terça-feira (15) no STF, convocada pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin, para examinar a petição 16.662, sobre relatório da PF que liga Moraes ao banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito do Caso Master. O plenário não chegou ao mérito: os ministros passaram o dia debatendo uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, por sugestão de Dino, que propunha unificar esse julgamento com o marcado para 23 de setembro, sobre a petição 16.704, baseada em relatório de inteligência da PF que sugere irregularidades na condução do caso pelo relator, ministro André Mendonça. Dino pediu vista e o julgamento ficou interrompido, sem data para retornar. Segundo a BBC News Brasil, a sessão terminou sem decisão, e nenhum ministro citado nos relatórios foi condenado: os documentos ainda aguardam exame do tribunal.Durante o julgamento, Dino leu em plenário manchetes sobre novas sanções e chamou a manobra de "ambiente de pressão ilegítima" do governo americano para tentar direcionar as decisões da Justiça no Brasil. Ele sugeriu que a corte encaminhasse manifestação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao chanceler Mauro Vieira sobre o assunto. Eduardo Bolsonaro, apontado pela VEJA como articulador das medidas da Casa Branca contra ministros do STF, respondeu no X: "A punição internacional de criminosos não ofende a soberania nacional, muito menos nossa Constituição". Na terça, ele já havia anunciado o passo: "Tudo registrado e pronto para expor em [Washington] DC onde, Deus quiser, se iniciará uma nova rodada de sanções".Próximos passosNos Estados Unidos, a palavra final sobre novas sanções cabe ao Tesouro, por meio do OFAC, e nenhum anúncio havia sido feito até a publicação desta reportagem. Figueiredo disse esperar medidas em breve: "Eu estou otimista de que os brasileiros de bem vão gostar das notícias vindas dos EUA nas próximas semanas. E os bandidos não".No Brasil, o STF está convocado para 23 de setembro para a petição 16.704, sobre o relatório que sugere irregularidades de André Mendonça no Caso Master. Já o exame do relatório que envolve Moraes segue suspenso pelo pedido de vista de Dino, sem data para voltar à pauta.

HBHenrique Barros
Politics

Dino apontou impedimento de Moraes em ofício; voto na sessão do STF é criticado

O ministro Flávio Dino apontou, em ofício, que o colega Alexandre de Moraes estava impedido de atuar no processo que trata do relatório da Polícia Federal com supostos diálogos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Mesmo assim, Moraes, que é parte no procedimento e vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, votou normalmente na questão de ordem da sessão de terça-feira (15). Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo e pela BBC News Brasil criticam o voto e a ausência de contestação dos demais ministros.O ofício de DinoSegundo a Folha, o documento foi enviado ao decano da corte, ministro Gilmar Mendes, e foi usado na sessão pela ala favorável a Moraes para embasar a questão de ordem, embora o próprio texto afirmasse que o ministro era impedido no caso. No ofício, Dino contesta decisões do presidente do tribunal, Edson Fachin, que suspendeu liminares de colegas e assumiu a relatoria do processo. Dino afirma que o presidente se valeu de uma manobra irregular e que, por isso, estaria impedido de atuar no caso e de apreciar o pedido. Como também considerou impedido Moraes, Dino citou artigo do regimento interno para justificar o encaminhamento do ofício ao decano.A discussão preliminar consumiu a sessão, marcada por bate-bocas entre os ministros e classificada por integrantes do próprio tribunal como "vergonhosa", segundo o g1. O ponto central era se o caso de Moraes seria julgado junto com o do ministro Mendonça, alvo de acusações feitas pelo próprio Moraes, e se a relatoria ficaria com Fachin ou seria redistribuída. A questão de ordem, proposta por Gilmar Mendes, pedia o julgamento conjunto. Segundo a BBC News Brasil, a votação estava empatada quando Dino pediu vista, prazo para analisar os autos; Fachin acatou o pedido, anunciou placar parcial de 4 a 3 pelo julgamento separado e desconsiderou o voto de Dino, que não protestou. O Supremo encerrou a sessão sem definir se junta ou mantém separados os casos, informou o g1.Por que o voto é criticadoEspecialistas consultados pela Folha criticam tanto que Moraes tenha votado quanto o silêncio dos demais ministros. Para parte deles, a corte parece ter adotado o entendimento de que o ministro poderia votar nessa questão preliminar, ainda que venha a se declarar impedido no futuro. Juristas ouvidos pela BBC avaliam que Moraes e Mendonça puderam votar porque a questão de ordem é preliminar e não o cerne do julgamento, mas Ivar Hartmann, doutor em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), sustenta que ambos deveriam estar impedidos de votar no restante do processo. Os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli já se declararam suspeitos e não votarão no julgamento, segundo a BBC.O julgamento que originou a crise não decide se Moraes cometeu ilicitude. Ele avalia se o relatório da PF, que registra mensagens em que Vorcaro pede consultoria a um contato atribuído ao ministro, é válido e se deve ser aberta investigação. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questionou o documento e afirmou que Mendonça não poderia ter solicitado relatório da PF contra outro ministro sem autorização prévia do plenário. Mendonça responde que pediu à polícia apenas a identificação do destinatário das mensagens de Vorcaro e que remeteu o caso à corte quando Moraes foi identificado. Em reação, Moraes apresentou acusações contra Mendonça, que teria atuado de forma ilegal e com viés político na condução dos inquéritos dos casos Master e INSS.O julgamento dessas acusações está marcado para 23 de setembro, mas Fachin ainda avalia se o adiará, apurou a BBC News Brasil. No caso de Moraes, Dino tem até 15 de dezembro, prazo de 90 dias após a vista, para liberar a retomada do julgamento. Como o STF entra em recesso em 20 de dezembro e retorna em 1º de fevereiro, a retomada pode ocorrer apenas em 2027, depois das eleições e da posse do próximo presidente da República.

HBHenrique Barros
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Polícia considera foragido Milton Leite em operação contra o PCC nos ônibus de SP

A Polícia Civil de São Paulo considera foragido o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil), alvo da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público e pela Polícia Civil para apurar a suspeita de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no poder público e no transporte coletivo da capital. Policiais foram à casa dele para cumprir mandado de prisão temporária de 30 dias e não o encontraram. Uma funcionária relatou aos agentes que o ex-parlamentar saiu na noite de quarta (16) para um compromisso de campanha.A ação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos, em sete cidades: São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Segundo a investigação, os alvos seriam integrantes de núcleos da facção em funções de liderança. Os trabalhos são conduzidos pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Gaeco, o grupo especial de combate ao crime organizado do MP paulista.O que aponta a investigaçãoPara o Ministério Público, "foram identificadas pelo menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros em operação na cidade de São Paulo que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC", parte delas já alvo de inquéritos anteriores, "inclusive com denúncias já ofertadas". Segundo apuração da GloboNews, decisões estratégicas dessas empresas dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Leite, conclusão sustentada por interceptações telefônicas de operadores e por outros procedimentos sobre seu papel decisório. No pedido que embasou os mandados, o ex-vereador é citado como responsável direto pela operação de parte das companhias, e o documento menciona declarações de policiais militares, prestadas em processo no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff. As empresas citadas são Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes.Como o caso chegou até aquiA Vectura Corrupta é desdobramento da Operação Decúrio, de agosto de 2024, que mapeou uma rede de comunicação mantida pelo PCC entre seus integrantes, inclusive presos, e supostas lideranças dos núcleos Sintonia Restrita e Sintonia dos Gravatas, este formado por advogados que, segundo a polícia, atuariam em benefício da facção. Ainda em 2024, o MP conduziu a Operação Fim da Linha, que atingiu a Transwolff e levou à prisão do então presidente da empresa, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, suspeito de vínculo com a organização. Segundo a Polícia Civil, as empresas Alfa Rodobus e Sancetur assumiram linhas antes operadas pela Transwolff e pela UpBus após a ação daquele ano. Os investigadores apuram ainda o suposto financiamento de campanhas pela facção nas eleições municipais de 2024 e na disputa eleitoral em curso neste ano.Outros presos e a defesaTambém foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, a autarquia que gerencia o transporte coletivo da capital, e Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e teve cassado o registro de candidatura a deputado estadual. Segundo os investigadores, Levi mantinha encontros periódicos com José Daniel Satilite, apontado como um dos personagens centrais do esquema, para tratar de interesses da facção no setor após a Operação Fim da Linha. Sobre Danilo, a polícia aponta "forte vínculo" com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha de 2024 teria sido financiada pela organização.Leite foi vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024, presidiu a Câmara Municipal quatro vezes e deixou a vida pública no ano passado. Hoje preside o União Brasil na capital e, em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista, formada com o PP. Ele é investigado, não réu, e mantém a presunção de inocência. Em nota, negou as acusações:"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações."O mandado de prisão temporária contra o ex-vereador vale por 30 dias. Dentro desse prazo, cabe ao Ministério Público pedir prorrogação ou, ao fim do inquérito, oferecer denúncia à Vara Estadual de Garantias. O próximo passo conhecido é a apresentação de Leite às autoridades, anunciada por ele para as próximas 24 horas.

HBHenrique Barros
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PCC tinha poder de decisão sobre financiamento de campanhas em SP, diz Justiça

A decisão judicial que autorizou a prisão temporária de Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, aponta que integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) tinham poder de decisão sobre aportes financeiros em campanhas políticas na capital paulista. A conclusão integra o documento que embasou a Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.De acordo com a investigação citada pela Justiça, 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo são controladas pela facção. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP-SP) informou que são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em sete cidades: São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Até a manhã desta quinta, nove suspeitos haviam sido presos. A reportagem da Folha fala em mandados de prisão contra 13 pessoas. Todos os alvos são investigados; ninguém foi condenado.O que diz a decisãoUm dos pontos centrais da investigação foi a análise do aparelho celular do investigado José Daniel Satilite, proprietário da empresa de ônibus Translider. Segundo o documento judicial citado pela Folha, os diálogos recuperados tratavam da atuação da facção junto ao sistema judiciário e ao poder público:"Os diálogos tratariam de questões relacionadas à 'Sintonia dos Gravatas' [setor que reúne advogados ligados ao PCC], pagamento de honorários, estratégias jurídicas em favor de integrantes presos, medidas judiciais de interesse da facção e articulações com agentes políticos."É nesse contexto que a decisão aponta que membros da facção definiam aportes de dinheiro a campanhas eleitorais em São Paulo, segundo a Folha. O Poder360 descreveu a fase atual como a apuração do "braço político" do PCC, e a nota da SSP-SP afirma que as investigações identificaram "advogados e políticos que integravam a estratégia criminosa". A revelação chega a menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.A defesa e os próximos passosEsta é a terceira fase da Vectura Corrupta, conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, com apoio do MP-SP. As fases anteriores investigaram a infiltração da facção no transporte coletivo da capital. Leite, que já presidiu a Câmara Municipal, não foi encontrado nos endereços cadastrados. Por telefone, disse à Folha que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", afirmou.Leite nega todas as acusações, entre elas a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf. Em áudio enviado ao Poder360, afirmou:"Nego veementemente todo e qualquer relação com o PCC, desconheço qualquer membro dele nessa cidade ou neste país. A minha relação com as empresas de ônibus são uma relação institucional, considerando que, a pedido do senhor prefeito Bruno Covas, em 2019, ele me pediu para que conduzisse a essa pasta, a pasta dos transportes [...] Ademais, não estou foragido, vou me apresentar em 24 horas."O próximo passo esperado no caso é a apresentação de Leite à polícia, prometida para dentro de 24 horas, ou seja, até esta sexta-feira (18). A prisão temporária é medida cautelar destinada à investigação e não configura condenação. Após o cumprimento dos mandados, caberá ao Ministério Público decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia contra os investigados.

HBHenrique Barros
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Gilmar questiona condução de Fux na sessão que afastou o diretor-geral da PF

O ministro Gilmar Mendes questionou, em ofício ao presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, a forma como o colegiado conduziu a sessão que referendou, em 8 de setembro, o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O documento, enviado em 11 de setembro e tornado público nesta quinta-feira (17), sustenta que houve um "prévio ajuste" entre Fux e o relator do caso, ministro André Mendonça, sem comunicação antecipada aos demais integrantes.O que diz o ofícioGilmar, decano da Corte, escreveu que a sequência de horários registrada nos sistemas do tribunal "demonstra que a designação dessa sessão virtual extraordinária ocorreu mediante entendimento direto entre Vossa Excelência e o relator, sem prévia comunicação a parte dos integrantes do colegiado". Para ele, o Regimento prevê que a Turma é "colegiado de cinco membros", cujo presidente coordena os trabalhos "mediante diálogo com todos os integrantes, sem inclinação por qualquer deles". A convocação da sessão, avaliou, não seria compatível com o princípio da colegialidade nem com a lealdade institucional entre os ministros."Não escrevo este ofício por apego a formalidades, nem por inconformismo com o colegiado. Escrevo-o porque entendo indispensável preservar a instituição a que pertencemos."Os horários citados no documento mostram a velocidade do episódio. A decisão individual de Mendonça foi registrada às 8h43 de 8 de setembro; às 9h29 o processo entrou em pauta para referendo; às 9h38 o gabinete de Gilmar foi informado de que haveria uma sessão virtual extraordinária às 10h. Gilmar pediu vista na abertura. Às 10h04, Fux adiantou o voto acompanhando o relator e, às 10h06, o ministro Kassio Nunes Marques votou no mesmo sentido. Em pouco mais de uma hora, segundo a CartaCapital, a decisão que afastou dois chefes da PF foi expedida, divulgada, pautada e submetida a julgamento.No dia seguinte, o ministro Flávio Dino derrubou o afastamento e reintegrou Andrei Rodrigues ao cargo, de acordo com o Metrópoles. O episódio se insere na crise aberta pela investigação do Banco Master, que apura supostas fraudes bilionárias e os contatos do dono do extinto banco, Daniel Vorcaro, hoje preso, com integrantes do próprio STF. O afastamento do comando da PF e as mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, apontadas em relatório da corporação, estão no centro dos embates entre os ministros.O que vem a seguirAs críticas de Gilmar atravessaram a sessão de 15 de setembro, em que o plenário discutiu os próximos passos da apuração sobre as mensagens entre Vorcaro e Moraes. O julgamento terminou em racha, com placar de 4 a 3 pela separação dos processos, e Dino pediu vista, com prazo de até 90 dias para devolver o caso ao plenário, segundo o Metrópoles. Nesta quinta, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirou da pauta o julgamento sobre a atuação de André Mendonça, previsto para 23 de setembro, e escreveu que "a inclusão em pauta será oportunamente redesignada". Fachin também cancelou uma sessão extraordinária do plenário após os atritos públicos entre Gilmar e Mendonça.

HBHenrique Barros
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PF entrega a Fux e Mendonça a íntegra dos dados do celular de Vorcaro

A Polícia Federal entregou nesta quinta-feira (17) aos gabinetes dos ministros Luiz Fux e André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e investigado no âmbito do chamado caso Master. A entrega foi confirmada pelo portal Metrópoles e pela reportagem da Folha de S.Paulo.Os dois ministros solicitaram o acesso na quarta-feira (16); os pedidos foram divulgados pelo Metrópoles e confirmados pela Folha. O pedido de Fux ocorreu um dia depois de virem a público mensagens encontradas no aparelho em que o ex-banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro, exibem uma relação de proximidade, relata a Folha. Na terça-feira (15) também foram revelados diálogos que tratam de pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques.O material é o mesmo que a PF já havia entregue aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes na segunda-feira (14), segundo o Metrópoles. De acordo com a Folha, os dados também foram encaminhados a Alexandre de Moraes, e Nunes Marques deve solicitar o acesso.Como o caso chegou até aquiVorcaro está preso no âmbito do caso Master, conjunto de inquéritos que apura suspeitas ligadas ao banco por ele controlado. Em maio, a PF prendeu o pai dele, o também investigado Henrique Vorcaro, sob suspeita de integrar o chamado "núcleo violento" do grupo, formado pelas células "A Turma" e "Os Meninos" e apontado, segundo uma fonte da corporação ouvida pelo blog de Andreia Sadi, do G1, por crimes de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. Em junho, o STF confirmou a manutenção da prisão preventiva.O acesso à íntegra virou motivo de disputa na corte. Antes da sessão de terça (15), Zanin havia pedido a Mendonça, então relator do caso, o conteúdo completo do celular. O ministro respondeu que os elementos necessários à análise já estavam disponíveis e que a divulgação da íntegra poderia "tumultar" a sessão; segundo ele, uma cópia completa dos dados permanecia lacrada em seu gabinete. A PF informou então ao presidente do STF, Edson Fachin, que mantinha uma cópia e poderia fornecer versões idênticas aos ministros sem comprometer a cadeia de custódia. Zanin e Gilmar passaram a solicitar o material diretamente à corporação, e Gilmar pediu a Fachin que todos os ministros tivessem acesso.Próximos passosA disputa pelos dados se somou às divergências públicas entre os ministros. Na sessão de terça, o julgamento de uma questão de ordem foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino, sem decisão sobre a abertura de investigação relacionada às mensagens atribuídas a Vorcaro e a Moraes, cujas interpretações são, segundo o Metrópoles, objeto de controvérsia e parte de investigações em andamento. Gilmar criticou publicamente a atuação de Mendonça e Fux na tramitação do caso; Mendonça rebateu e afirmou haver "preocupação seletiva" com a exposição de terceiros nas mensagens divulgadas. Durante a sessão, ele também disse que só tomou conhecimento naquele momento das referências a colegas.No plano policial, a PF intimou Daniel e Henrique Vorcaro a depor em 30 de setembro, às 14h e 16h, respectivamente, último ato previsto antes da conclusão da terceira fase da investigação, segundo o blog de Andreia Sadi, do G1. A defesa de Henrique pediu na quarta (16) a revogação da prisão, alegando que ele está preso há mais de 90 dias e que o STF ainda não julgou nenhum recurso contra a prisão. No tribunal, a retomada do julgamento interrompido por Dino não tem data definida, e Nunes Marques ainda pode solicitar acesso ao celular.

HBHenrique Barros
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Tarcísio chama de "institucional" relação com Milton Leite, alvo em operação do PCC

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (17) que sua relação com o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), alvo de mandado de prisão temporária na operação que apura a infiltração do PCC no transporte coletivo da capital, "sempre foi institucional". A declaração foi dada a jornalistas durante visita às obras do Hospital Regional de Itapetininga, no interior paulista."Sempre foi um relacionamento institucional, um relacionamento propositivo, voltado a projetos, e é assim que a gente tem trabalhado. Isso não tem nada a ver com outras questões, que aí são objeto de investigação", disse o governador, segundo o InfoMoney. Segundo o veículo, Tarcísio citou como exemplo da interlocução com Leite discussões sobre saneamento básico e a chegada do trem a Parelheiros, na zona sul da capital, e não respondeu diretamente se a operação altera seu apoio às candidaturas dos filhos do ex-vereador. "Da nossa parte, o que houve sempre foi relação institucional", reiterou. Para o governador, "as operações não enxergam pessoas, não enxergam partidos, não enxergam posicionamentos políticos. Elas enxergam fatos".Como o caso chegou até aquiA Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta pela Polícia Civil e pelo Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), cumpriu, segundo o InfoMoney, 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão para apurar a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de ônibus da capital. Leite, que presidiu a Câmara Municipal por seis anos, é suspeito de integrar o esquema, é considerado foragido pela polícia e negou as acusações em entrevista à Folha de S.Paulo. Veja os principais momentos:30 de agosto: Tarcísio participou do lançamento das candidaturas dos filhos de Leite, Alexandre Leite (deputado estadual) e Milton Leite Filho (deputado federal), ambos do União Brasil, em evento no bairro de Campo Grande, na zona sul da capital. O ex-presidente da Câmara doou R$ 60 mil às campanhas dos filhos, R$ 30 mil para cada um, segundo a Folha.17 de setembro: a operação foi deflagrada e Leite virou alvo de prisão temporária. Em vídeo, Alexandre Leite disse que ele e o irmão suspenderam as agendas de campanha "até a gente conseguir se reestruturar" e que soube do pedido de prisão do pai pela imprensa. No mesmo dia, Tarcísio falou sobre o caso em Itapetininga.Reações e próximos passosEm vídeo divulgado nas redes sociais, Alexandre Leite chamou a decisão judicial de "covardia"."É uma covardia, uma pessoa de 70 anos com uma carreira pública ilibada em um momento como esse, às vésperas da eleição, [sofrer] esse tipo de decisão."Segundo o InfoMoney, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aliado de Leite, elogiou a "história" do ex-presidente da Câmara e afirmou que cabe a ele provar sua inocência. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e Tarcísio não disse se mantém o apoio aos filhos do investigado.O mandado de prisão temporária contra Leite segue sem ser cumprido, e a polícia o mantém como foragido. Outro alvo na mesma condição é o empresário Paulo Korek, conhecido como Paulinho Camarão, apontado pela investigação como "testa de ferro" da facção no setor de transportes; sua defesa informou ao G1 que ele pretende se apresentar às autoridades, e a empresa A2 Transportes nega envolvimento com o PCC. A prisão temporária, prevista na Lei 7.960/89, tem prazo determinado, e o fim desse prazo define o próximo passo processual: caberá ao MP-SP decidir se oferece denúncia contra os investigados.

HBHenrique Barros
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Mendonça rejeita pedido de Zé Trovão para barrar reajuste do Bolsa Família

O ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), rejeitou nesta quinta-feira (17) o pedido do deputado federal Zé Trovão (PL-SC) para suspender o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado horas antes pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sorteado relator do caso, Mendonça extinguiu o processo sem analisar o mérito da questão e entendeu que o parlamentar, candidato à reeleição em Santa Catarina, não tem legitimidade para acionar em juízo eleitoral um candidato à Presidência, cargo disputado em circunscrição nacional.Segundo o relator, a jurisprudência do TSE exige que as duas partes disputem cargos na mesma circunscrição eleitoral para que um candidato possa apresentar representação contra outro, critério aplicado em decisões recentes da corte em casos de candidatos à Câmara que tentam questionar fatos ligados à corrida presidencial, como registrou a Folha de S.Paulo. Mendonça fez questão de deixar claro que o encerramento do processo não equivale a um aval à medida do governo."Ressalto que o reconhecimento da ilegitimidade ativa não importa pronunciamento acerca da legalidade ou da constitucionalidade do reajuste do Programa Bolsa Família, tampouco acerca de sua eventual subsunção ao art. 73, § 10, da Lei nº 9.504/1997", escreveu o ministro na decisão, citada pelo G1.Como o caso chegou ao TSENa manhã desta quinta, Lula anunciou a correção de 15,04% no benefício, que eleva o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. O valor mínimo estava congelado desde 2022, quando o governo de Jair Bolsonaro (PL) elevou o benefício em 50%, de R$ 400 para R$ 600, também às vésperas de um pleito presidencial, conforme lembrou a BBC News Brasil. O benefício médio pago sai de cerca de R$ 675 para R$ 777.Horas depois do anúncio, feito a 17 dias do primeiro turno, Zé Trovão, aliado do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), protocolou representação no TSE acusando o chefe do Executivo de abuso de poder político no período eleitoral. Na petição, citada pelo G1, o deputado sustentou ser "necessária a intervenção da Justiça Eleitoral" para impedir que a estrutura administrativa e os recursos públicos fossem usados de modo a "comprometer a igualdade de oportunidades entre os candidatos". Ele pediu que Mendonça determinasse, de forma provisória, o não reajuste até o julgamento definitivo da ação ou o fim das eleições, e argumentou que a abrangência nacional da medida e o número de pessoas beneficiadas podem repercutir na escolha do eleitor.Defesa do governoO governo nega qualquer leitura eleitoral. O Ministério da Fazenda afirmou, segundo o G1, que a correção apenas repõe as perdas inflacionárias dos últimos anos, o que não equivaleria a um aumento do benefício, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, negou relação com o pleito. "A lei do Bolsa Família nos concede uma autorização para fazer a reposição inflacionária, para garantir o poder de compra dos beneficiários do Bolsa Família, a população mais vulnerável desse país", disse Moretti, que citou o INPC acumulado de 15,04% desde a versão atual do programa, criada em 2023. Para a Advocacia-Geral da União, essa lei autoriza o Poder Executivo a corrigir os valores dos benefícios e proíbe sua redução. Segundo o Ministério do Planejamento, o reajuste terá custo de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22,7 bilhões em 2027.A decisão encerra a representação protocolada na quinta, informou o InfoMoney, mas o tribunal não se pronunciou sobre a compatibilidade do reajuste com as regras eleitorais. O próximo marco do caso é prático: os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, no intervalo entre o primeiro e o eventual segundo turno.

HBHenrique Barros
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Polícia vai indiciar quatro por homicídio com dolo eventual por desabamento na Penha

A Polícia Civil de São Paulo afirmou nesta terça-feira (15) que vai indiciar pelo menos quatro pessoas por homicídio com dolo eventual pelo desabamento de um prédio em construção na rua Tequici, no distrito da Penha, zona leste da capital. A estrutura caiu sobre uma casa na madrugada de sábado (12) e matou seis pessoas, entre elas cinco imigrantes bolivianos e uma paraguaia, segundo a Folha de S.Paulo. Entre os alvos estão os três investigados ligados à construtora New Home e uma fiscal da Prefeitura de São Paulo. Ninguém foi condenado: o indiciamento é um ato da polícia dentro do inquérito e não define culpa.Segundo o delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira, serão indiciados os três investigados que já têm prisão temporária decretada e a servidora municipal. Para a polícia, o dolo eventual significa, em tese, que os responsáveis conheciam os riscos capazes de levar à morte e, ainda assim, teriam prosseguido com a obra. Doze pessoas já foram ouvidas no inquérito.Linha do tempo do casoOs problemas no endereço têm pelo menos cinco anos, conforme a Prefeitura. Em 2021, o município pediu na Justiça a demolição de uma construção irregular no local e aplicou multa de R$ 119 mil. Em 2022, a construtora apresentou um novo projeto, e em 2023 a prefeitura emitiu alvará condicionado à demolição da estrutura anterior. Em fevereiro de 2024, vistoria da Subprefeitura da Penha registrou a demolição de 154 m². No relatório, a fiscal Viviane Rodrigues de Palma, 54, escreveu que a demolição "foi efetuada em sua integralidade, dando lugar à execução de edificação nova em andamento". As fotos anexadas ao documento, porém, parecem mostrar o prédio erguido desde 2019, e o advogado da construtora confirmou, após o desabamento, que nada tinha sido demolido.O depoimento da fiscal e a defesaOuvida por cerca de duas horas na terça-feira, Viviane admitiu que não entrou na obra durante a vistoria."Quando eu cheguei no local, a obra estava paralisada e já tinha um bom andamento, já tinha alguns andares, mas ela não estava finalizada. (...) a gente não entra numa obra particular sem autorização."A fiscal negou ter atestado a demolição. "Em momento algum eu declarei que aquela edificação teria sido demolida", afirmou, segundo o G1. A Prefeitura a afastou por 120 dias para evitar que interfira nas investigações.O empresário Ronaldo Vivacqua, 63, apontado pela polícia como sócio oculto da New Home, teve a prisão temporária mantida em audiência de custódia. Ele não aparece nos documentos das empresas, mas testemunhas relataram à polícia que ele "agia, administrava e geria e participava efetivamente da obra". Seu filho, o engenheiro Cristiano Vivacqua, autor do projeto e responsável pela execução, e Isis Brandão, que figura como proprietária formal da empresa, seguem foragidos. A defesa nega que Ronaldo seja sócio oculto, diz que ele apenas acompanhava o filho, considera as prisões prematuras e pediu soltura ou prisão domiciliar alegando "grave e documentada condição de saúde". Na segunda-feira (14), os advogados afirmaram que o casal se entregaria nos próximos dias. A New Home informou que abriu investigação interna, que ainda não há elementos para determinar a causa do colapso e que não se exime de eventual responsabilidade apontada pelas apurações.O indiciamento ainda será formalizado no inquérito, com a individualização da conduta de cada investigado, e a participação de cada um será detalhada pela polícia. Pendem ainda a decisão sobre o pedido de soltura de Ronaldo e a localização do casal foragido. A Prefeitura, por sua vez, paralisou nesta terça 26 empreendimentos ligados às construtoras responsáveis pela obra.

HBHenrique Barros
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Crise no STF trava julgamentos de pejotização, uberização e Previdência

A crise institucional no STF (Supremo Tribunal Federal) deve atrasar julgamentos com efeito direto sobre trabalhadores, empresas e as contas públicas. Segundo a Folha de S.Paulo, processos sobre pejotização, uberização, a reforma da Previdência de 2019 e direito tributário estão parados enquanto a corte discute o caso Banco Master. Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que as pautas trabalhistas e previdenciárias não serão julgadas antes das eleições deste ano e podem ser adiadas para 2027.Como a crise começouA paralisia tem origem nas investigações do Banco Master, hoje extinto. O relator do caso, ministro André Mendonça, levantou o sigilo de relatórios da Polícia Federal, e um dos documentos apontou 52 mensagens entre o fundador do banco, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois e de um contrato de R$ 130 milhões entre a instituição e o escritório da esposa de Moraes, segundo o G1. Nenhum ministro é réu ou condenado. O que o plenário discute é se abre uma apuração contra Moraes, algo inédito contra um integrante da própria corte.Na terça-feira (15), em sessão extraordinária, os ministros votaram por 4 a 3 manter separadas as análises da conduta de Moraes, na relação com Vorcaro, e de Mendonça, na condução da relatoria, segundo o G1. Pela separação votaram Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia; Gilmar Mendes, Zanin e Moraes defendiam o julgamento conjunto. Antes do fim, o ministro Flávio Dino pediu vista e suspendeu o julgamento por até 90 dias, prazo que se encerra em dezembro."Eu tenho que interromper esta situação porque nós temos uma questão de ordem. Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior, e a sociedade está assistindo a algo diferente do rito que a lei manda", disse Dino.No embate entre os dois lados, Moraes acusou Mendonça de parcialidade e de ter pressionado a PF a incluí-lo em uma delação premiada. "Quem tem medo da Polícia Federal?", questionou. Mendonça rebateu: "Isso é mentira". O relator também nega ter feito liberação seletiva dos autos e afirma ter mantido sob sigilo apenas o necessário para preservar investigações em andamento e dados de terceiros. Já Nunes Marques declarou-se impedido de votar por presidir o TSE em ano eleitoral, e Dias Toffoli declarou-se suspeito.O que fica paradoCom o plenário ocupado pelo caso Master, ficam sem data ações de amplo alcance econômico: a validade do contrato de PJ (pessoa jurídica), o vínculo de emprego de motoristas de aplicativo e disputas sobre a reforma da Previdência de 2019, que afeta o déficit do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). "A pejotização é uma questão ainda mais central porque pode atingir diferentes setores da sociedade e produzir efeitos não apenas sobre os direitos dos trabalhadores, mas também sobre a Previdência e outras estruturas de proteção social", afirma a professora Olívia Pasqualeto, da Escola de Direito de São Paulo da FGV, à Folha. Para ela, a decisão afetará empresas que usam esse tipo de contratação e trabalhadores PJ, e o ideal é que o julgamento ocorra com os ânimos mais calmos, embora já exista debate suficiente para decidir.O próximo passo cabe ao presidente da corte, Edson Fachin: manter para 23 de setembro o julgamento sobre as acusações de Moraes contra Mendonça ou adiar a sessão, como querem ministros alinhados ao relator. Se Dino não se manifestar dentro dos 90 dias, o processo sobre Moraes volta automaticamente à pauta.

HBHenrique Barros
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Ação da PM deixa nove mortos em Cajazeiras, na periferia de Salvador

Nove homens morreram na tarde desta terça-feira (15) durante uma ação da Polícia Militar em Cajazeiras, na periferia de Salvador. Segundo a corporação, a operação tinha como alvo o crime organizado e os mortos são suspeitos de integrar a facção criminosa Bonde do Maluco (BDM). As identidades deles não haviam sido divulgadas até a publicação desta reportagem.A versão da políciaEm nota, a PM afirmou que equipes do Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO) faziam incursões de patrulhamento, entre os bairros Cajazeiras V e Cajazeiras XI, quando se depararam com homens armados que dispararam contra os policiais e fugiram por uma área de mata. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), houve confronto durante a tentativa de prisão de integrantes de uma facção criminosa e alguns suspeitos ficaram feridos. Os nove foram socorridos e levados ao Hospital Eládio Lasserre, em Cajazeiras II, mas não resistiram aos ferimentos. A PM disse que nenhum policial ficou ferido e que um homem foi preso.Segundo o g1 e a Folha de S.Paulo, foram apreendidas 11 armas de fogo: quatro fuzis, cinco pistolas, uma carabina 9 mm e uma espingarda calibre 12 automática. O Correio registrou o mesmo total, mas com composição distinta: quatro fuzis, cinco pistolas e duas carabinas. Também foram recolhidos carregadores, munições, porções de drogas e aparelhos celulares, além de uma placa de colete balístico que, segundo a SSP-BA, pode ter sido desviada do Exército Brasileiro.InvestigaçãoA sequência que levou à ação começou há cerca de um mês, quando, segundo a Folha, o grupo teria feito ataques armados contra rivais na região. Uma investigação prévia da PM mapeou imagens em redes sociais nas quais os suspeitos exibiam armas e assinaturas da facção. A troca de tiros ocorreu em área de mata e foi ouvida em diferentes pontos do bairro. A corporação informou que "o patrulhamento permanece reforçado na região".O homem preso e o material apreendido foram apresentados na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Itapuã, onde o caso será apurado. A PM afirmou que as circunstâncias das mortes e a atuação dos policiais militares envolvidos passarão pelos procedimentos legais cabíveis, "observadas as atribuições dos órgãos competentes". A ligação dos mortos com a facção é uma alegação policial ainda em apuração, sem decisão judicial.

HBHenrique Barros
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Filho de Fux chamou Vorcaro de 'irmão' e falou em 'tapete vermelho'

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso por suspeita de fraudes, mostram uma relação de proximidade entre o banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos vão de maio de 2024 a agosto de 2025 e foram reproduzidos na terça-feira (15) pelo Metrópoles e pelo portal Metro1. O conteúdo do aparelho havia sido entregue na segunda (14) aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que pediram acesso ao material para subsidiar a sessão em que o STF analisava a relação entre Moraes e o ex-banqueiro.Em diferentes momentos, Rodrigo Fux se refere a Vorcaro como "irmão". Em 17 de maio de 2024, abre uma conversa com "Fala irmão. Tudo bem?"; em novembro, ao se dizer livre para uma ligação, escreve "Vamos irmão? Liberei". Em 4 de dezembro de 2024, ao combinar um encontro em seu escritório, no Rio, o advogado disse que remarcou outro compromisso para receber o banqueiro às 14h e, na sequência, enviou: "Tapete vermelho irmão". Vorcaro respondeu: "Valeu irmao!". Um mês antes, o banqueiro havia pedido "Quero te chamar pra me ajudar num caso". O filho do ministro respondeu "Será um prazer, se eu puder ajudar" e, depois de uma videoconferência, recebeu um documento para análise.O elo com o gabinete de FuxA conexão direta com o ministro aparece nas conversas de março de 2025, segundo o Metro1. No dia 11, Rodrigo Fux procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília e disse que passaria antes pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. Às 10h12 do dia 12, avisou: "Bom dia. 10:30hs tô aí". Às 13h29, perguntou "Qual a data de Londres mesmo?" e pediu que o material sobre o compromisso fosse enviado ao e-mail dele e a Patrícia, secretária de Luiz Fux no STF. "E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim", escreveu, indicando endereço de domínio institucional do tribunal. Vorcaro respondeu "Vou pedir!". Para o Metro1, os diálogos indicam que o advogado articulou a participação do pai em um evento ligado a Vorcaro em Londres, mas não esclarecem qual seria o papel do ministro nem permitem concluir que ele tenha se encontrado com o banqueiro.Os limites do material são destacados nas próprias reportagens: as mensagens não identificam quem participaria dos encontros combinados e, isoladamente, não permitem afirmar que Luiz Fux estivesse envolvido nas reuniões. As conversas misturam assuntos profissionais e sociais. Segundo o Metrópoles, houve encontro em Brasília em fevereiro de 2025, em casa indicada por Vorcaro no Lago Sul, e, no Carnaval do Rio de 2025, o banqueiro convidou o advogado e a família para um camarote.Em nota, o escritório Fux Advogados afirmou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo. Para o escritório, o tom das mensagens reflete uma tentativa de aproximação comercial do banqueiro e de sócios, que não se concretizou e ocorreu mais de um ano antes das notícias sobre suspeitas de fraudes e implicações criminais envolvendo Vorcaro. Procurado pela assessoria do STF, o ministro não havia se manifestado até a publicação. Nenhuma das reportagens cita acusação formal contra Rodrigo Fux.Como o caso chegou até aquiO celular foi apreendido pela PF nas investigações sobre o Banco Master, e o conteúdo veio a público horas antes da sessão de terça (15), em que o STF analisava supostos diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, cuja mulher, Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de R$ 131 milhões com o banco, segundo o G1. Na mesma leva de mensagens, conversas entre Vorcaro e o ex-diretor jurídico do Master mencionavam supostos pagamentos de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Kevin negou ter recebido esses valores e disse ter sido remunerado em R$ 281,6 mil pela empresa de consultoria Consult, por serviços tributários sem relação com o STF. Nunes Marques afirmou que o filho nunca prestou serviços ao Master e se declarou impedido de participar do julgamento, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).A sessão terminou sem decisão sobre a condução dos casos de Moraes e do ministro André Mendonça, relator do caso Master: o placar chegou a 4 a 3 pela análise separada, o ministro Flávio Dino pediu vista e o julgamento foi interrompido. Segundo a Folha de S.Paulo, a retomada pode levar até 90 dias e ficar para depois das eleições de 4 de outubro. As mensagens envolvendo Rodrigo Fux integram o material da PF em análise pelos ministros.

HBHenrique Barros
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Lula nega responsabilidade por Moraes e diz que "quem cometeu delito tem que pagar"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) que não pode ser responsabilizado pelas indicações dos ministros Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques e André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF), porque não ocupava a Presidência da República quando eles foram nomeados. Foi a primeira vez que o presidente citou nominalmente os ministros desde a sessão de terça-feira (15), em que a Corte suspendeu, sem decisão, a análise sobre a abertura de investigação contra Moraes. Em entrevista ao podcast "Desce a Letra Show", Lula defendeu julgamento com direito de defesa e punição a quem cometer crime."Todo mundo que cometeu erro tem que ser julgado. Eu defendo julgamento justo, direito de defesa, mas, se cometeu delito, tem que pagar. Vale para mim, vale para o Fachin, vale para o Moraes. Essa é a minha tese."Antes, o presidente já havia sustentado que a responsabilidade pelas nomeações é de quem estava no Planalto na época. "Eu não era presidente quando o ministro Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kássio. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça", disse. Moraes foi indicado pelo então presidente Michel Temer, em fevereiro de 2017; Nunes Marques e Mendonça foram indicados por Jair Bolsonaro. Segundo o G1, quando o Senado confirmou Moraes, Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro e só assumiu mandato de senador em janeiro de 2019, de modo que não votou naquela indicação, ao contrário do que Lula sugeriu.Como começou a criseA crise na Corte nasceu do escândalo do Banco Master. No fim de agosto, Mendonça, relator das investigações sobre o banco, pediu à Polícia Federal um relatório que identificou Moraes como destinatário de mensagens suspeitas do banqueiro Daniel Vorcaro, preso e apontado como suspeito de fraudes bilionárias, e encaminhou o material ao ministro Edson Fachin, que levou o caso ao plenário. Segundo a Folha de S.Paulo, as mensagens mostrariam Vorcaro consultando Moraes, dias antes da prisão, sobre a possibilidade de fugir do país, e a reportagem registrou um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro. Nenhuma dessas suspeitas foi provada, e não há investigação aberta contra Moraes.Na sessão de terça, o plenário discutiu se abre a investigação, mas o ministro Flávio Dino pediu vista antes do exame do mérito e o julgamento terminou sem conclusão, marcado por trocas de acusações entre os ministros. O decano Gilmar Mendes chamou Mendonça de "desfaçatez" e de agir com "sentimento policialesco"; Mendonça respondeu gritando "desfaçatez de vossa excelência" e negou irregularidade, afirmando que apenas pediu à PF que identificasse o remetente das mensagens de Vorcaro.Peso eleitoralAs declarações têm peso eleitoral: Lula disputa a reeleição em outubro contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que na terça publicou um vídeo associando o presidente a Moraes. Segundo a Folha, Flávio é investigado no escândalo do Master. "A raiva dele é porque o Moraes mandou prender quem matou Marielle. E porque prendeu o pai dele e golpistas. Esse é o pavor dele", afirmou Lula, em referência à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 2018, e ao processo que levou Jair Bolsonaro à prisão. Na mesma entrevista, o presidente elogiou o ministro: "Eu acho que o Moraes prestou um serviço à democracia", disse, citando o período em que Moraes presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na eleição de 2022, marcada pelos ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas. Desde o início da crise, no começo do mês, Lula evitava comentar o caso; interlocutores ouvidos pelo G1 atribuem a estratégia à tentativa de separar a campanha do desgaste entre os ministros.O próximo passo cabe a Dino, que tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário, em data a ser marcada por Fachin. O caso que reúne as acusações que Moraes apresentou contra Mendonça, por supostos abusos na condução dos inquéritos do Master e do INSS, segue na pauta da sessão de 23 de setembro. Segundo a BBC News Brasil, porém, não está garantido que esse julgamento ocorra naquela data.

HBHenrique Barros
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PF apreende quase R$ 1 milhão em espécie e 21 carros em operação contra Adail Filho

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 990 mil em espécie, além de US$ 10 mil e € 1.255, no cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Dinastia do Lago, deflagrada nesta quarta-feira (16). A ação apura suspeitas de fraudes em contratos públicos da gestão de Coari, no interior do Amazonas, e tem entre os principais alvos o deputado federal Adail Filho (MDB-AM) e o pai dele, o prefeito Adail Pinheiro (Republicanos), ambos tratados como investigados.Em Manaus, os agentes federais apreenderam R$ 352.750, US$ 10 mil e € 1.255, além de 11 carros em endereços ligados aos investigados, entre eles a residência do deputado. Em Coari, a PF encontrou cerca de R$ 637.750 e outros 10 veículos, o que eleva para 21 o total de carros apreendidos. Imagens divulgadas pela corporação mostram ainda relógios e joias entre os bens recolhidos, sem valor estimado informado. Segundo o site Congresso em Foco, foram cumpridos 29 mandados nas duas cidades.O que apura a operaçãoSegundo a PF, a investigação aponta possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, com suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras para pagamento de vantagens indevidas e para ocultar a origem e os destinatários finais dos valores. Os fatos podem configurar, em tese, os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, peculato e organização criminosa. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Adail Pinheiro, que segundo o Congresso em Foco cumpre o quarto mandato, e secretários municipais foram afastados dos cargos por 90 dias. Adail Filho foi alvo de busca e apreensão, mas permanece no exercício do mandato na Câmara dos Deputados.Como começou o casoA operação é desdobramento de um inquérito instaurado no STF por Moraes, após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação começou após a prisão em flagrante de três empresários, Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho, no aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Eles transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília e não apresentaram, na ocasião, comprovação da origem do dinheiro.Documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos foram analisados com autorização judicial e, segundo o processo, apontaram movimentações financeiras suspeitas, empresas ligadas aos investigados com contratos com a Prefeitura de Coari e repasses de emendas parlamentares destinadas ao município em 2024 e 2025. Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, a pedido da PF, que citou a complexidade dos fatos e a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Em um dos despachos, o ministro escreveu:"Na mesma ocasião, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos que, após análise autorizada judicialmente, revelaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício do Deputado Federal Adail Filho e de seu pai, Manoel Adail, prefeito do Município de Coari/AM."A defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmou que recebeu o cumprimento dos mandados "com surpresa". O advogado Fabricio de Melo Parente classificou o afastamento do prefeito como "desnecessário" e disse que apresentará as medidas cabíveis após ter acesso ao conteúdo da investigação. Para os advogados, as buscas não representam formação de culpa nem reconhecimento da prática de crimes, e os investigados não teriam relação com os fatos que deram origem ao inquérito. O g1 informou que tenta localizar a defesa dos três empresários presos em 2025. O próximo passo é a análise, pela PF, do dinheiro, dos veículos e dos documentos apreendidos nesta quarta, que pode subsidiar eventual indiciamento a ser reportado ao STF, enquanto o afastamento do prefeito vale por 90 dias.

HBHenrique Barros
Federal Police

Dino avoca ao STF caso da mala de R$ 510 mil apreendida com mulher de Cezinha

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os procedimentos investigativos sobre a apreensão de R$ 510 mil em espécie, ocorrida em 25 de agosto no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, sejam remetidos à Corte. Em decisão tornada pública nesta segunda-feira (14), o ministro registrou nominalmente que o dinheiro estava em uma bagagem de mão transportada pela advogada Valéria Rodrigues Linhares, descrita no documento como esposa do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), investigado por suspeita de tráfico de influência.Segundo o g1, que teve acesso à decisão, o dinheiro foi apreendido pela Polícia Federal quando Valéria embarcava para Brasília e foi abordada no raio-X de bagagens. Para Dino, a apreensão é relevante porque contratos localizados em um celular já apreendido pela PF previam honorários de êxito de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 2 milhões para a sociedade individual de advocacia de Valéria. O dinheiro em espécie, escreveu o ministro, poderia dificultar a rastreabilidade desses pagamentos, o que reforçou a necessidade de apreender documentos, contratos, registros financeiros e dispositivos eletrônicos dos investigados.O que aponta a investigaçãoA apuração, terceira fase da Operação Transparência, investiga suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, a PF aponta uma atuação articulada entre a advogada Mariângela Fialek, responsável por captar e formalizar causas e elaborar memoriais; Valéria; e o próprio deputado, a quem a investigação atribui a atuação junto a ministros de tribunais superiores. Mensagens extraídas do celular de Fialek levaram a polícia a apontar uma parceria para obter decisões favoráveis em processos no STF com o auxílio do parlamentar. Nesta segunda, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo, contra o deputado e o escritório de Valéria, com autorização para apreender documentos, dispositivos eletrônicos e dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil.A decisão ressalva que os ministros do STF, do STJ e do TSE citados nas mensagens não são investigados. Segundo Dino, não há nos autos notícia de solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Judiciário; os magistrados aparecem como possíveis destinatários da influência que teria sido oferecida pelos investigados.Entenda o casoOs contratos e as conversas citados na decisão são de maio a julho de 2025 e envolvem reclamações que tramitavam no STF. A Operação Transparência começou em dezembro de 2025, para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares, segundo o Congresso em Foco. Em 25 de agosto deste ano, a PF apreendeu os R$ 510 mil com Valéria em Congonhas; nesta segunda, a decisão de Dino foi divulgada e as buscas foram cumpridas.À época da apreensão, Valéria afirmou que o dinheiro havia sido declarado no Imposto de Renda e que apresentaria a comprovação da origem. A defesa sustenta que os valores vêm de honorários advocatícios recebidos de um cliente e que a comprovação fiscal será apresentada posteriormente. O deputado não estava com ela no momento da abordagem. A decisão a descreve como esposa de Cezinha; a defesa de Valéria diz que ela é ex-esposa do parlamentar.A defesa do deputado, do escritório Carneiros Advogados, negou irregularidades e criticou o momento da operação, deflagrada a menos de três semanas do primeiro turno das eleições. Para os advogados, medidas com esse grau de repercussão deveriam ser adotadas "com a devida distância de qualquer circunstância política ou eleitoral". Em nota, afirmaram:"Com a tranquilidade de quem confia plenamente na Justiça e certo de sua conduta sempre ilibada, o deputado federal Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários."Com a decisão, o STF passa a concentrar a supervisão dos dois procedimentos, o da apreensão do dinheiro e o da investigação sobre o deputado, sobre os quais Dino afirmou existir conexão probatória. O ministro registrou que a Corte avaliará posteriormente se os casos devem ou não ser separados; não há data definida. Todos os investigados mantêm a presunção de inocência.

HBHenrique Barros
retail

Cerca de 3 mil demitidos das Casas Bahia seguem sem verbas rescisórias

Cerca de 3 mil trabalhadores dispensados pelo Grupo Casas Bahia continuam sem receber as verbas rescisórias, mais de um mês após o início da onda de demissões que precedeu o pedido de recuperação judicial da varejista. Segundo o G1, os valores ficaram bloqueados porque a empresa incluiu os demitidos na lista de credores do processo, e ex-empregados relatam ainda dificuldades para acessar o FGTS e o seguro-desemprego até esta terça-feira (15).A sequência começou em 13 de agosto, quando o grupo iniciou dispensas em massa e o fechamento de 298 lojas no país. O quadro de pessoal já vinha caindo, de 41.866 empregados em 2023 para 30.117 em meados deste ano, uma redução de cerca de 28%, segundo o InfoMoney. Em 16 de agosto, a companhia pediu recuperação judicial para renegociar dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões. Documentos da própria empresa no processo apontam cerca de 3 mil desligamentos nesta etapa; a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) fala em cerca de 1,9 mil.O que decidiu a Justiça do TrabalhoEm 19 de agosto, a juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, da 11ª Vara do Trabalho de Brasília, suspendeu os efeitos das dispensas coletivas por ausência de intervenção sindical prévia, com base no Tema 638 do Supremo Tribunal Federal. Segundo o InfoMoney, a liminar determinou o restabelecimento provisório dos vínculos de emprego, a reinclusão dos atingidos na folha de pagamento e, em 48 horas, a volta dos planos de saúde e benefícios assistenciais cancelados por causa das demissões. A decisão fixou multa de R$ 500 por trabalhador já demitido caso a empresa não cumprisse as determinações em cinco dias.O corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro José Roberto Freire Pimenta, negou em seguida um pedido da empresa para derrubar a liminar, que segue valendo e também condiciona novas dispensas coletivas à intervenção sindical prévia. O grupo aguarda a análise de um recurso no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), sem data definida.Fila de credoresPela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o prazo para pagar a rescisão é de 10 dias corridos após o fim do contrato. Com a recuperação judicial, as verbas dos demitidos entraram na Classe I de credores, categoria destinada a créditos trabalhistas e com prioridade sobre as demais dívidas. Como os créditos gerados antes do pedido podem ser incluídos no plano de pagamento, o recebimento depende do cronograma que vier a ser aprovado pela Justiça."O trabalhador entra na fila de credores e passa a aguardar a definição do plano de pagamento. Muitos sequer sabem quanto têm a receber ou quando isso acontecerá", afirma João André Vidal de Souza, que representa a CNTC. A entidade pede que as verbas rescisórias fiquem fora do regime dos créditos concursais da recuperação e sejam pagas com prioridade.Entre os atingidos, os relatos são de atraso generalizado. A ex-vendedora Talita Magalhães, de 42 anos e oito de empresa, diz ter recebido a chave de acesso ao FGTS, mas não as verbas rescisórias nem a multa de 40% do fundo. Segundo ela, o plano de saúde foi cancelado e ex-colegas seguem sendo cobrados por parcelas do carnê de funcionário. "Passaram os 10 dias e ninguém recebeu nada. Não recebemos explicação e ficamos completamente no escuro", relata.Em nota ao G1, o Grupo Casas Bahia afirmou que os direitos dos trabalhadores desligados continuam assegurados e que os valores das rescisões passaram a seguir as regras e os procedimentos previstos no processo de recuperação. A empresa disse ainda ter disponibilizado orientações para o acesso ao seguro-desemprego e ao saque do FGTS. O próximo passo no embate sobre a validade das demissões é o julgamento do recurso no TRT-10, ainda sem data pautada.

HBHenrique Barros
Politics

Mendonça cita "rede de influência" de Vorcaro para justificar diligência à PF

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que determinou à Polícia Federal a identificação de pessoas mencionadas em relatórios sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para esclarecer quem integraria uma suposta rede de influência e monitoramento comandada por ele. A explicação foi enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, no fim da segunda-feira (14), à véspera da sessão em que o plenário começa a analisar o relatório da PF sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a CNN Brasil, o documento responde a um dos questionamentos de Fachin sobre a condução das investigações ligadas ao caso Master.Mendonça supervisiona no STF os desdobramentos da Operação Compliance Zero, braço da apuração do caso Master. Em 24 de agosto, ele intimou pessoalmente, em seu gabinete, os delegados responsáveis pela investigação e lhes deu 72 horas para apresentar informações atualizadas sobre integrantes ainda não identificados da suposta organização criminosa. Um relatório produzido pela PF a pedido do ministro trouxe à tona mensagens e registros envolvendo Moraes e Vorcaro e deflagrou a atual crise entre os ministros. Fachin, então, deu prazo para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem esclarecimentos antes da análise do material pelo plenário.O que diz o despachoSegundo o texto, ao qual a CNN Brasil e o portal TMC tiveram acesso, elementos obtidos a partir do celular de Vorcaro indicaram que o investigado teve acesso antecipado a informações sobre investigações em andamento que poderiam prejudicá-lo, inclusive apurações do Banco Central. Os dados também levantaram a hipótese de que ele buscava intervir junto a autoridades envolvidas nesses processos. Mendonça escreve que os elementos apontavam uma "verdadeira rede de monitoramento e influência", com potencial de infiltração em instituições públicas, e que, como a PF indicou que restavam integrantes sem identificação, cobrou dos delegados, em 72 horas, dados sobre a chamada "rede de influência e monitoramento". O ministro sustenta que a ordem não tinha o propósito de investigar autoridades da PF ou do Ministério Público.O despacho, registrado na Petição 16.704/DF, explica ainda por que os delegados foram intimados presencialmente, em 24 de agosto, às 17h40. Um dos relatórios da PF mencionava Andrei Rodrigues e Paulo Gonet em uma nota enviada por Vorcaro a um interlocutor ainda não identificado, depois reenviada pelo WhatsApp e reproduzida em documento da corporação. Diante das menções, afirmou o ministro, a medida foi adotada "por cautela", para preservar o sigilo e a conduta da investigação, "sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja". Para Mendonça, era preciso preservar a higidez dos autos, com compartimentação das atividades de inteligência e de polícia judiciária.Reta final antes da sessãoDo outro lado, a PGR (Procuradoria-Geral da República) defende formalmente a anulação e o arquivamento do relatório da PF por supostos vícios formais: segundo o G1, o documento foi produzido a pedido de Mendonça sem provocação do Ministério Público ou da própria polícia e sem aviso à Presidência do tribunal. Gonet é citado no relatório, e delegados da PF chegaram a pedir que ele se declarasse impedido de atuar nas apurações; a expectativa é de que participe da sessão. Moraes nega favorecimento a Vorcaro e já qualificou a investigação de "inconstitucional e ilegal".O plenário se reúne nesta terça-feira (15), às 10h, em sessão extraordinária. Fachin, relator do caso, apresenta seu voto primeiro, após a manifestação da PGR. Entre as saídas em debate está declarar a nulidade do relatório por vício de origem e enviar os dados a um novo subprocurador-geral para avaliar a abertura de investigação formal. Interlocutores ouvidos pelo G1 estimam placar apertado, de 4 a 3, pela abertura de algum tipo de apuração sobre as mensagens; um eventual pedido de vista, com prazo regimental de 90 dias, empurraria o desfecho para fevereiro de 2027. Segue em aberto se Moraes e Mendonça podem votar. O ministro Dias Toffoli não deve votar, por ter se declarado suspeito em desdobramentos do caso Master.

HBHenrique Barros
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Dino pede julgamento conjunto de Moraes e Mendonça em 23/9 e critica Fachin

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta terça-feira (15) que o julgamento sobre o relatório da Polícia Federal que trata de supostas trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes seja adiado para o dia 23 de setembro e decidido em conjunto com a sessão já marcada para examinar os indícios envolvendo a conduta do ministro André Mendonça no caso Master. Em uma questão de ordem apresentada logo depois da leitura do relatório pelo presidente da Corte, Edson Fachin, Dino afirmou que há irregularidades na condução dos processos pela presidência, que reuniu vários relatórios no gabinete.O argumento central de Dino é que o regimento do tribunal não autoriza o presidente a "avocar", ou seja, tomar para si a relatoria de processos distribuídos a outros ministros. Ele diz que as matérias deveriam ter sido redistribuídas por sorteio e que houve "clara ruptura legal, com posterior alteração da competência jurisdicional para julgamento do feito, sem qualquer suporte constitucional ou legal" quando Fachin retirou as relatorias e passou a supervisionar o tema."Ocorre que inexiste previsão de 'avocação' de processos... de relatoria de outros Ministros pelo Ministro Presidente da Corte, sob quaisquer hipóteses, condições e/ou situações. Nem a Constituição Federal, nem qualquer outra legislação vigente no ordenamento brasileiro, traz tal permissivo", escreveu Dino.Dino pede que a Corte reconheça a suposta irregularidade e que as duas análises, uma sobre Moraes e outra sobre os indícios envolvendo Mendonça, sejam julgadas juntas por um relator que não seja o presidente. "A apuração deve alcançar todos os que se envolveram com o caso, sem recortes de ordem política ou ideológica, nem preferências pessoais", defendeu. O pedido foi endereçado ao decano Gilmar Mendes, ministro com mais tempo de casa e que, segundo Dino, seria o substituto legal do presidente para decidir a matéria. Gilmar defendeu a questão de ordem e afirmou haver uma motivação político-eleitoral por trás do pedido contra Moraes; ouviu de Mendonça, relator do caso, que estava sendo "leviano". A sessão foi suspensa para um intervalo e retomada às 14h.Como o caso chegou até aquiRelatórios de inteligência da PF analisaram a atuação do relator dos casos Master e INSS e levantaram suspeita de possível direcionamento das investigações. Os próprios documentos registravam não ter valor probatório, segundo o InfoMoney.Mendonça passou a questionar a origem e o conteúdo dos relatórios, classificando-os como apócrifos. Em manifestação a Fachin, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que os documentos foram produzidos regularmente e entregues em cumprimento a uma determinação de Moraes no inquérito das fake news.No dia 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. Fachin suspendeu depois o afastamento e também uma decisão de Dino que havia reintegrado os delegados, mantendo Andrei no comando da corporação.Moraes passou a acusar Mendonça de tentar direcionar a atuação da PF contra ele. Nesta terça, disse ter testemunhas do suposto pedido para que investigadores buscassem elementos contra ele e mencionou uma tentativa de incluí-lo em uma colaboração premiada.O embate escalou no plenário. Interrompido por Mendonça, Moraes indagou: "Vamos chamar essa testemunha? Vamos chamar?". O colega respondeu: "Não pode chamar quem quiser". Moraes também perguntou "quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada", classificou a apuração contra ele de "fraudulenta" e defendeu o julgamento conjunto dos temas: "Não dá para julgar uma coisa sem outra". Mendonça nega ter conduzido ilegalmente as investigações. Nenhum dos ministros é réu ou investigado por crime neste ponto: a sessão decide apenas se há elementos para abrir uma investigação contra Moraes.Ao retomar os trabalhos às 14h, o plenário precisa primeiro decidir a questão de ordem de Dino: acolher o adiamento e unificar as matérias para 23 de setembro, ou rejeitar o pedido e seguir ao voto sobre a abertura de investigação contra Moraes. A sessão de 23 de setembro sobre Mendonça já está na pauta definida pela presidência. Segundo o G1, os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não participam do julgamento desta terça, o primeiro por se declarar suspeito e o segundo por estar impedido.

HBHenrique Barros
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PCC aparece em investigações sobre produtora de 'Dark Horse'; SP nega lacres violados

O Primeiro Comando da Capital (PCC), considerada a maior facção criminosa do Brasil, é citado em decisões do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), dentro das investigações que apuram suspeita de direcionamento de recursos públicos ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo a BBC News Brasil. O elo apontado é o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, réu por feminicídio e apontado pela polícia como controlador da empresa Favela Conectada, subcontratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto é comandado por Karina Ferreira da Gama, também proprietária da produtora Go Up, responsável pelo longa.As menções à facção aparecem em duas decisões recentes de Dino, relator do caso no STF. Em 10 de setembro, ao determinar a Operação Make Up, da Polícia Federal, e unificar na PF e no STF as apurações sobre desvios de emendas parlamentares, o ministro citou "atos ligados" ao PCC e afirmou que, segundo "órgãos de inteligência da polícia", um dos investigados era integrante da facção. Segundo a BBC, o investigado era Alex Bispo. Em 13 de setembro, ao determinar a retirada do sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo, Dino escreveu que se fortalecia a hipótese de:"Imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos [...] Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos."A suspeita de pertencimento de Alex ao PCC não nasceu na apuração sobre o filme. Ela aparece primeiro no inquérito pelo feminicídio de Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, morta após cair do 10º andar de um prédio na Vila Andrade, zona sul de São Paulo, em 29 de novembro de 2025. O Ministério Público denunciou o empresário pelo crime e o Tribunal de Justiça recebeu a denúncia, tornando-o réu. Em áudio gravado por um vizinho antes da morte e transcrito no relatório da Polícia Civil, Alex diz: "Tenho escorpião do PCC, não devo satisfação". Os investigadores destacaram ainda as tatuagens de escorpião, carpa e dragão do empresário e escreveram que a combinação dos símbolos reforça "a ideia de um membro que superou grandes desafios" dentro da facção.O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco de Presidente Prudente, afirmou ao g1 que Alex tem extensa ficha criminal e cumpriu pena em duas unidades prisionais onde estão detidos integrantes da cúpula do PCC, os presídios de Mirandópolis e Presidente Venceslau, no oeste paulista. Levantamento do g1 no arquivo do Conselho Nacional de Justiça mostra que ele é citado em mais de 60 processos judiciais, o que não significa que seja réu em todos. Procurada pela BBC, a defesa de Alex negou que ele faça parte do PCC ou de qualquer organização criminosa.Como o caso chegou até aquiJunho de 2024: o ICB firma com a Prefeitura de São Paulo, na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), contrato para instalar wi-fi gratuito nas periferias; o g1 informa R$ 108 milhões por ano, e a Polícia Civil calcula R$ 157 milhões no total.Novembro de 2025: morte de Maria Katiane Gomes da Silva; a Favela Conectada, de Alex, já havia instalado mais de 900 pontos de internet e recebido mais de R$ 3,8 milhões.Dezembro de 2025: os portais The Intercept Brasil e Metrópoles revelam os contratos entre o ICB e a empresa de Alex.Janeiro de 2026: o controle da Favela Conectada passa a Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que mora no mesmo endereço de Alex, segundo a Jucesp; a empresa é renomeada Urban Connect.Junho de 2026: a Operação Wi-Fi, da Polícia Civil, cumpre mandados em endereços ligados a Karina e apreende 27 aparelhos.Setembro de 2026: Dino determina a Operação Make Up, da PF, unifica as investigações e cita o PCC; no dia 13, retira o sigilo de documentos.O contrato previa 5 mil pontos de wi-fi gratuito nas periferias até junho de 2025, mas apenas 3.200 foram instalados, e ao menos três aditivos mudaram o prazo, segundo o g1. O primeiro contrato entre o ICB e a Favela Conectada foi de R$ 12 milhões, assinado logo depois de a ONG ser contratada pela prefeitura, embora não tivesse experiência no serviço e terceirizasse a instalação.Lacres de 27 aparelhos e a resposta do governo de SPOs documentos liberados por Dino detalharam um impasse sobre a cadeia de custódia dos 27 aparelhos apreendidos na Operação Wi-Fi, em 1º de junho: 9 notebooks, 5 celulares e 13 pen drives. Em ofícios de 3 de junho, a perita criminal Viviane Menezes recusou os materiais e escreveu que as embalagens "apresentam vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação dos dados no interior do equipamento". Cinco dias depois, os aparelhos foram devolvidos à 2ª Delegacia de Investigações Sobre Crimes Contra a Administração Pública para "readequação dos invólucros" e, relacrados, aceitos pela perícia. Segundo o g1, os autos não registram se foi apurada a integridade dos dados.Nesta segunda-feira (14), a Secretaria da Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), comandada pelo delegado Osvaldo Nico Gonçalves, negou que houve violação. "Não houve acesso, extração ou manipulação dos dados, tampouco comprometimento da cadeia de custódia", afirmou a pasta, que sustentou que os lacres estavam íntegros, que algumas embalagens apresentavam "pequenos espaços" e que a recusa inicial da perícia teve "caráter preventivo". A secretaria acrescentou que "a fotografia utilizada pela imprensa não retrata os objetos apreendidos na operação".Karina, alvo da Make Up junto com o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do longa, negou à CNN Brasil, segundo a BBC, que o filme tenha recebido recursos de emendas parlamentares e relatou ameaças que atribui a pessoas com quem teve relações profissionais e pessoais. As apurações sobre emendas e sobre o contrato municipal seguem unificadas na Polícia Federal, sob relatoria de Dino no STF. Alex permanece preso preventivamente desde fevereiro e é réu no processo de feminicídio, que corre na Justiça de São Paulo.

HBHenrique Barros
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Justiça do DF manda Spribe cortar Aviator de bets ilegais sob multa de R$ 100 mil/dia

A Justiça do Distrito Federal deu 10 dias para a Spribe, fabricante do jogo de apostas online Aviator, conhecido no Brasil como jogo do aviãozinho, cortar o fornecimento do produto a plataformas sem licença para operar no país. A decisão foi assinada na segunda-feira (14) pela juíza Luciana Correa Sette Torres de Oliveira, da 7ª Vara Cível de Brasília, em ação civil pública do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Em caso de descumprimento, a empresa paga multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a R$ 10 milhões, segundo o Metrópoles.Em tutela de urgência, a magistrada determinou que a Spribe suspenda imediatamente integrações, credenciais, licenças e acessos que permitam a operadores não autorizados oferecer o Aviator no Brasil. A empresa também deve apresentar relatório com operadores, agregadores, distribuidores e parceiros autorizados, informar domínios, integrações, credenciais e APIs usados na distribuição do jogo, criar e comprovar mecanismos de monitoramento contínuo, rastreabilidade, georrestrição e bloqueio, e preservar contratos, registros, logs e auditorias. A juíza negou, por ora, o pedido do MP de suspender o jogo também nas plataformas autorizadas, por considerar a medida "excessivamente gravosa e desproporcional", e pode reexaminar o ponto após o contraditório. Parte dos autos segue sob acesso restrito.Como o caso chegou à JustiçaA apuração do MPDFT começou em junho, para verificar se a Spribe fornecia o jogo ao mesmo tempo para casas de apostas regulares, licenciadas pelo Ministério da Fazenda, e para sites clandestinos. Em três diligências virtuais entre julho e setembro, investigadores acessaram plataformas ilegais, registraram a presença do jogo e preservaram as evidências, o mesmo método usado na ação contra a casa de apostas Blaze que citou a influenciadora Virgínia Fonseca, relata a Folha de S.Paulo.Notificada, a Spribe auditou os endereços apontados, retirou o jogo de parte deles e informou ter encontrado "possível clonagem não autorizada do produto". As plataformas, porém, voltaram ao ar com pequenas alterações de subdomínio ou de parâmetros técnicos. "Identificamos mais de 30 novos endereços no curso da investigação, sendo que 10 surgiram após a Spribe alegar ter adotado medidas de remoção", afirmou o promotor Paulo Roberto Binicheski na ação. Um dos sites verificados pela promotoria seguia no ar na manhã desta terça-feira (15), com o Aviator listado como o caça-níquel mais jogado. O caso também chegou à Senacon, órgão de defesa do consumidor do Ministério da Justiça, que abriu investigação própria sobre a desenvolvedora.O que cada lado sustentaPara a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, a empresa colhe "expressivos ganhos financeiros com a alta popularidade do jogo, com receita global estimada em US$ 200 milhões", enquanto externaliza para os consumidores os custos da ilicitude. Na ação, Binicheski escreveu:"A persistência da oferta irregular, mesmo após comunicações e remoções pontuais, sugere falhas estruturais nos mecanismos de licenciamento, autenticação, georrestrição, rastreabilidade, distribuição, auditoria e supervisão."Em nota, a defesa da Spribe afirmou que vai acatar a decisão e destacou que a juíza considerou desproporcional o bloqueio total pedido pelo Ministério Público. "Temos auxiliado contínua e proativamente na remoção de sites não autorizados, adotado medidas firmes para restringir o acesso aos nossos produtos em plataformas irregulares", diz o texto. Para a empresa, o problema descrito pela promotoria é estrutural e afeta todos os provedores de jogos. "A assimetria de tratamento, ao direcionar a medida a apenas uma empresa em vez de enfrentar a situação do setor como um todo, suscita preocupações e será devidamente tratada no processo."A decisão entra no esforço do governo contra as chamadas "bets" ilegais: as casas autorizadas pagam licença de R$ 30 milhões ao Ministério da Fazenda. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mais de 56 mil aplicativos e sites de apostas ilegais foram removidos entre janeiro de 2025 e junho de 2026, e quase mil perfis de influenciadores foram excluídos das redes sociais. Contados da assinatura da decisão, em 14 de setembro, os 10 dias de prazo terminam em 24 de setembro. Após a defesa da empresa no processo, a juíza pode reavaliar a suspensão total do Aviator nas plataformas autorizadas. A expectativa da Fazenda é publicar ainda este ano as regras para fornecedores de cassinos online.

HBHenrique Barros
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PGR aponta "dupla nulidade" em investigação de Moraes e pede extinção

A Procuradoria-Geral da República concluiu que há "dupla nulidade" na ordem dada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para que a Polícia Federal aprofundasse informações sobre o ministro Alexandre de Moraes. A posição consta de parecer lido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, na sessão do plenário desta terça-feira (15) que analisa a Petição 16.662, procedimento que concentra a crise entre os dois ministros, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Para a PGR, o relator deve reconhecer a nulidade e extinguir a petição.Segundo o parecer, citado pelo Poder360, a primeira nulidade está na origem da ordem, dada "sem pedido do Ministério Público" e "sem iniciativa da autoridade policial". Nas palavras do órgão, "a ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público, sem iniciativa da autoridade policial, é nula por exceder os limites da competência do magistrado na fase pré-processual". O texto acrescenta que "paradigmáticas decisões do STF não deixam dúvida de que a assunção de juiz de funções alheias às suas é causa de nulidade que afeta os resultados da ação"."A ordem para investigação dada pelo ministro relator e os elementos por ela colhidos sofrem, portanto, de dupla nulidade."A segunda nulidade decorre, segundo a Procuradoria, do fato de a apuração envolver outro integrante do próprio tribunal. Mesmo que houvesse indícios de irregularidades penais, diz o parecer, não caberia a Mendonça aprofundar as pesquisas sobre o colega: ele deveria ter se dirigido ao presidente da Corte "para que o plenário pudesse avaliar o acerto da sua impressão, concordando ou não com a investigação". O texto conclui que "sendo nula a ordem e o seu resultado, cabe ao relator reconhecê-lo e extinguir a petição".Como o caso começouA crise teve início em 1º de setembro, quando Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, tornou público um relatório da PF que aponta interlocução entre Moraes e Vorcaro, investigado como líder da maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional, segundo o Poder360. Desde então, o caso alcançou outros ministros: Dias Toffoli declarou-se suspeito e Kassio Nunes Marques, impedido, e ambos ficaram fora do julgamento. Nesta terça, o plenário passou a discutir, pela primeira vez na história da Corte, a abertura de uma investigação contra um ministro em exercício, segundo o G1.A sessão e os próximos passosO julgamento acabou suspenso antes do mérito. Por 4 votos a 3, formou-se maioria para manter separadas as análises das situações de Moraes e de Mendonça, com votos de Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia; Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes defendiam o exame conjunto. O ministro Flávio Dino, que acompanhava essa corrente, pediu vista e suspendeu a sessão. Segundo o G1, o julgamento será retomado na próxima semana, sem data definida.Na sessão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que a atuação do Ministério Público Federal "sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal" e negou proximidade com Vorcaro: "Não existe e não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro". Ao se defender das críticas, Mendonça afirmou que não considerou verdadeiro o conteúdo dos arquivos nem concluiu que houve crime e que pediu informações à PF para entender o contexto das mensagens, sob sigilo. Em paralelo, o Conselho Superior do Ministério Público Federal marcou para 25 de setembro a análise de mensagens de Vorcaro que citam Gonet, informou o G1.

HBHenrique Barros
banking

Caixa desiste de dissídio no TST e greve nacional dos bancários segue sem prazo

A Caixa Econômica Federal desistiu de entrar com dissídio coletivo no TST (Tribunal Superior do Trabalho) contra a greve nacional dos bancários, iniciada na quinta-feira (10), depois que a categoria rejeitou a proposta de acordo apresentada pelo banco público. O dissídio é o caminho pelo qual uma das partes leva a disputa coletiva à Justiça do Trabalho. Sem a ação, a paralisação das agências segue em todo o país por tempo indeterminado.Segundo a Folha de S.Paulo, a decisão foi comunicada na noite de domingo (13), em resposta a ofício da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). No documento, o banco informou a reabertura da mesa de negociação e disse que suspenderá as sanções contra os grevistas que havia anunciado antes. Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a resposta da Caixa reconheceu a importância da negociação coletiva e reafirmou a manutenção dos canais de diálogo.Linha do tempo do conflitoAs tratativas do acordo coletivo de trabalho (ACT) específico da Caixa começaram em junho e somaram 13 rodadas em mais de dois meses, segundo o sindicato paulista. Na quarta-feira (9), a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e as entidades sindicais assinaram a convenção coletiva da categoria bancária, com reposição integral da inflação medida pelo INPC e aumento real de 0,6% em 2026 e 2027, válida para cerca de 414 mil trabalhadores de 171 bancos. Como os pontos específicos da Caixa não avançaram, a greve foi deflagrada na quinta (10), após a rejeição da proposta de renovação do ACT por mais de 90% das bases sindicais, segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE). No Banco do Brasil, a paralisação é parcial e ocorre apenas nas bases que negaram o acordo. Na noite de sexta (11), os empregados da Caixa rejeitaram em assembleia a oferta do banco; na maior base da categoria, São Paulo, Osasco e Região, 68% dos votos foram contrários.O impasse do Saúde CaixaO plano de saúde é o principal ponto de divergência. A oferta negada previa prêmio de reconhecimento de R$ 3.000 por funcionário, pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) na sexta-feira (18) e ampliação do teto de custeio do Saúde Caixa de 6,5% para 8%. No plano, os bancários pagariam entre 2,30% e 4,10% do salário-base, conforme a idade, além de R$ 480 a R$ 660 por dependente. A Caixa ofereceu ainda antecipar sua parcela da 13ª mensalidade do plano de 2028, 2029 e 2030 para cobrir o déficit do Saúde Caixa, pagar valores do PAMS (Programa de Assistência Médico-Supletiva) a partir de 2027 e aplicar R$ 236 milhões em ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027.Para as entidades sindicais, além do Saúde Caixa, a pauta inclui a aplicação da NR-1, norma de segurança e saúde no trabalho, o combate a metas consideradas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis. Durante a paralisação, a Caixa orienta os clientes aos canais digitais, como o aplicativo, o internet banking, o Caixa Tem, os caixas eletrônicos e as lotéricas, e informa que a greve não suspende, por si só, o pagamento de benefícios.Em nota divulgada no início da greve, a Caixa afirmou que:"mantém o diálogo aberto com as entidades representativas dos empregados e retornou à mesa de negociação com o objetivo de construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas".A mesa de negociação foi reaberta, mas não havia, até o fechamento desta reportagem, data anunciada para a próxima rodada. A orientação das entidades sindicais é de que a greve continue até que eventuais avanços sejam submetidos às assembleias da categoria.

HBHenrique Barros
justice

MPT processa Luciano Hang e a Havan em R$ 30 milhões por suposto assédio eleitoral

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou ação civil pública contra o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, pedindo R$ 30 milhões de indenização por dano moral coletivo por suposto assédio eleitoral. A ação tramita na Justiça do Trabalho, em Goiânia. Para o órgão, o caso configura reincidência: em 2018, o MPT já havia processado Hang e a empresa por manifestações políticas diante de funcionários durante aquele período eleitoral.O caso nasceu de um discurso de Hang em 29 de agosto, na inauguração de uma unidade da Havan em Caldas Novas, interior de Goiás, quando o empresário criticou a proposta de acabar com a escala de trabalho 6x1 para os contratados da nova loja, segundo o InfoMoney. O vídeo do discurso circulou nas redes sociais e teve ampla repercussão. "Vocês vão ter que arranjar outro emprego. Um subemprego. (...) Isso não é nada mais nada menos do que um estelionato eleitoral. Eles querem ganhar o voto de vocês em outubro", afirmou Hang, segundo a transcrição feita pelo MPT.Antes de ajuizar a ação, o MPT notificou o empresário sobre o que considerava uma possível irregularidade. Para os procuradores, a fala associou o voto dos empregados nas eleições a um prejuízo pessoal: quem apoiasse candidatos favoráveis ao fim da escala 6x1 poderia perder o emprego.Os pedidos do MPTAlém dos R$ 30 milhões por dano moral coletivo, o MPT pede indenização individual não inferior a 20 vezes o último salário para cada empregado afetado. Requer também que Hang grave, em até 48 horas, um vídeo de retratação e que a Havan libere os funcionários nos dias 4 e 25 de outubro, datas do primeiro e do segundo turnos das eleições, sem desconto salarial. A ação pede ainda a proibição de novas manifestações políticas em lojas e eventos da rede e a criação de um programa permanente de neutralidade político-eleitoral. O órgão quer que a Justiça do Trabalho de Goiânia determine as medidas e reconheça a responsabilidade da empresa e do empresário pelas condutas apontadas.O MPT sustenta que o alvo da ação é o contexto do discurso, proferido por um empregador em evento interno voltado a funcionários, e afirma não pretender cercear a liberdade de expressão do empresário."O que separa o exercício legítimo da liberdade de expressão do ilícito não é o conteúdo da opinião, e sim a presença do elemento coercitivo e a assimetria de poder inerente à relação de emprego. Dirigentes representam a empresa institucionalmente e suas manifestações naturalmente são lidas como orientação, pressão ou favorecimento", escreveram os procuradores, em comunicado do órgão.Linha do tempo e próximos passosA sequência até aqui: o discurso em 29 de agosto, a notificação do MPT na sequência e, sem entendimento, a ação ajuizada nesta semana. O roteiro repete o de 2018, quando o MPT levou à Justiça episódio semelhante envolvendo Hang e a Havan, na eleição vencida por Jair Bolsonaro, candidato apoiado pelo empresário. Segundo o g1, o assédio eleitoral pode configurar crime previsto no Código Eleitoral e também caracterizar abuso de poder econômico, na avaliação do Ministério Público Federal. Ainda segundo o g1, o MPT já recebeu 223 denúncias de assédio eleitoral em 2026.Por ora, a ação representa apenas a acusação apresentada pelo MPT e ainda será analisada pela Justiça. Não houve, até a publicação das reportagens consultadas, resposta pública de Hang ou da Havan. O próximo passo é a decisão da Justiça do Trabalho de Goiânia sobre os pedidos, que o órgão quer ver aplicados antes do primeiro turno, em 4 de outubro.

HBHenrique Barros
banco-master

Dino proíbe a PF de investigar Mendonça no caso dos cemitérios e informa Fachin

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (17) o envio à Polícia Federal de indícios de crimes nas operações do Banco Master com concessionárias de cemitérios da Prefeitura de São Paulo e comunicou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a citação do ministro André Mendonça nos autos. Dino, relator do caso, vedou à PF qualquer ato investigatório sobre o colega e pediu que Fachin tome as providências cabíveis."Esclareço ser vedado qualquer ato investigativo, que possa atingir o Exmo. Ministro André Mendonça, pois este encaminhamento compete exclusivamente ao Presidente do STF junto ao Colegiado", escreveu Dino.No despacho, Dino aponta um "adensamento de indícios de crimes" e amplia o escopo da apuração: além da concessionária Cortel, citada em decisão de 15 de setembro, os aparentes vínculos do conglomerado do Master alcançam a Cemitérios e Crematórios SP, do Grupo Maya. Segundo documentos citados na decisão, o banco financiou R$ 78 milhões a empresas que eram donas da concessionária, e elas entregaram ao Master todas as ações como garantia do empréstimo. Os contratos dariam ao credor o poder de orientar o voto dos acionistas em determinadas situações, e os créditos teriam transitado por estruturas da Master Holding nas Ilhas Cayman, segundo o ministro.Dino encaminhou o material ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou a inclusão do Grupo Maya nas apurações e deu 15 dias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para levantar as relações do grupo com fundos de investimento e com todas as concessionárias privadas de cemitérios da cidade. O grupo também entrou na lista de fiscalização prioritária. A decisão reúne denúncias contra a prestação dos serviços, como a cobrança de R$ 12 mil pelo sepultamento de um recém-nascido no Cemitério da Saudade. Segundo o G1, o despacho não afirma que houve favorecimento de Mendonça, e qualquer encaminhamento sobre o ministro cabe ao presidente do STF junto ao colegiado.Em nota, a SP Regula, agência municipal que regula os serviços públicos de São Paulo, afirmou que "as relações financeiras mantidas pelas concessionárias de serviços funerários na cidade de São Paulo com bancos ou fundos privados não configuram, por si, qualquer irregularidade contratual". A autarquia disse que a capacidade econômico-financeira das empresas é acompanhada de forma permanente e que a Procuradoria Geral do Município "foi notificada e está analisando a situação".Como o caso chegou até aqui7 de março de 2025: na ADPF 1196, ação do PCdoB que questiona a privatização e os valores cobrados por cemitérios e serviços funerários no município, Dino concede liminar e manda a prefeitura ampliar a divulgação dos critérios para pedir gratuidade e aprimorar a fiscalização das concessionárias.14 de março de 2025: o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, encontra-se com Mendonça. Segundo reportagem do Uol reproduzida na decisão, Vorcaro tinha créditos garantidos por ações de uma concessionária que seria afetada por um julgamento no STF.15 de março de 2025: Mendonça pede vista no julgamento do referendo da liminar. Quando o caso foi retomado, em abril de 2025, ele votou contra a decisão de Dino.15 de setembro de 2026: Dino aponta, em decisão, que Mendonça teria favorecido interesses do Master e da prefeitura em troca de verbas ao Instituto Iter, fundado pelo ministro, que teria firmado com a prefeitura um contrato de R$ 380 mil em setembro de 2025. O ministro também citou o irmão de Mendonça, Alexandre de Almeida Mendonça, que atua na área funerária e cemiterial da SP Regula. No mesmo dia, a sessão do plenário sobre a tramitação do caso foi interrompida após vista de Dino.17 de setembro de 2026: Dino publica o despacho desta reportagem. No mesmo dia, Fachin cancelou a sessão extraordinária do plenário e retirou de pauta, sem nova data, o julgamento sobre a atuação de Mendonça marcado para 23 de setembro.Agora a PF apura as operações do Master com as concessionárias, e a CVM tem até o início de outubro para cumprir o prazo de 15 dias. No STF, Dino tem até 90 dias para devolver ao plenário o processo que recebeu com vista em 15 de setembro. Sobre a sessão sobre Mendonça, Fachin escreveu que a inclusão em pauta "será oportunamente redesignada", ainda sem data.

HBHenrique Barros
Politics

Lula defende julgamento conjunto de Moraes e Mendonça e cobra dados do caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (17) que os casos envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e André Mendonça devem ser julgados juntos pela Corte, e cobrou a divulgação das informações já reunidas sobre o caso Master. Em entrevista à Rádio Itatiaia, em Brasília, o presidente, candidato à reeleição, disse que a apuração do escândalo ligado ao Banco Master está longe do fim. "O caso Master não foi desvendado", afirmou."Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se telefonema é verdade, se [Luiz] Fux está envolvido, se [André] Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] está envolvido. O que não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois. Todo mundo agora já tem material, é só tornar público."Segundo o G1, Lula disse que o tribunal já dispõe do material necessário para esclarecer os fatos e defendeu tratamento igual para todos os citados nas investigações. Ele defendeu a atuação de Moraes nos processos ligados aos ataques à democracia, mas admitiu que eventual punição caberia à própria Corte decidir: "Se o Alexandre de Moraes cometeu erro, é decisão da Suprema Corte. Se tiver errado, vai ter que pagar pelo que cometeu. Mas queremos o mesmo para todo mundo." Lula também voltou a associar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao escândalo e afirmou que o parlamentar terá de responder às acusações.O que a Corte analisaO pedido de Lula ecoa uma disputa que já dividia o tribunal. Segundo a BBC News Brasil, correm no STF dois procedimentos distintos. A petição 16.662 reúne um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, citado nas investigações do caso Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, questiona a validade do documento e sustenta que Mendonça não poderia ter pedido à PF apuração contra outro ministro sem autorização prévia do plenário. Mendonça responde que pediu o levantamento apenas para identificar o destinatário das mensagens encontradas no celular de Vorcaro, e que remeteu o caso aos colegas quando Moraes foi identificado. Já a petição 16.704, apresentada por Moraes, reúne acusações contra Mendonça, amparadas em relatório da PF solicitado por Moraes que aponta supostas condutas irregulares do colega. Segundo Moraes, ele atuou de forma ilegal e com viés político na condução das investigações dos casos Banco Master e INSS. Nenhum dos dois ministros é réu; as acusações ainda passam por análise preliminar no plenário. Esta semana trouxe dois desdobramentos principais:15 de setembro: em sessão sobre a petição 16.662, o ministro Gilmar Mendes apresentou questão de ordem pedindo que os casos de Moraes e Mendonça fossem julgados conjuntamente. A votação ia em 4 a 3 pela análise separada quando o ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo o julgamento.17 de setembro: Dino afirmou ter identificado indícios de ligação de Vorcaro com uma nova concessionária de cemitérios e determinou o envio das informações à PF, que intimou o ex-banqueiro e o pai dele a prestar depoimento, segundo o G1. Mendonça negou irregularidades e atuação por motivação política, disse que já esperava represálias e afirmou não ter "nada a temer". O presidente do STF, Edson Fachin, retirou da pauta o julgamento das acusações contra Mendonça, marcado para 23 de setembro, cancelou a sessão e citou em despacho a "direta relação" entre a questão de ordem e o caso, incluindo "questionamento sobre a regularidade da própria relatoria".Próximos passosDino tem até 15 de dezembro, prazo de 90 dias previsto nas regras do STF para o pedido de vista, para autorizar a retomada da votação, e o retorno à pauta depende de Fachin, que escreveu no despacho que a inclusão "será oportunamente redesignada". Como o tribunal entra em recesso em 20 de dezembro e volta em 1º de fevereiro, a BBC News Brasil aponta que os casos podem voltar a ser julgados somente no ano que vem, depois das eleições presidenciais e da posse do novo presidente. Lula disse que os fatos devem ser esclarecidos de forma transparente e que a Corte "tem que ser respeitada": "Se não tiver respeito, fica difícil acreditar que é a guardiã da Constituição. É a única instância da qual não se pode recorrer."

HBHenrique Barros
justice

PF intima Daniel e Henrique Vorcaro a depor no dia 30 em inquérito sobre milícia privada

A Polícia Federal intimou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o pai, Henrique Vorcaro, a prestar depoimento no dia 30 de setembro no inquérito que apura suspeita de uso de uma milícia privada para intimidação e invasão de sistemas. Daniel foi convocado para as 14h e Henrique para as 16h, segundo a Folha de S.Paulo e o blog de Andréia Sadi, no G1.As audiências tinham sido marcadas para a semana passada e foram adiadas a pedido da defesa do dono do Banco Master. A nova data é tratada pela PF como o último ato antes da conclusão desta fase da investigação. O blog do G1 apurou que o temor dos investigadores é que pai e filho, ambos presos, sejam soltos antes de serem ouvidos.Linha do tempo do inquéritoAs investigações apontam dois núcleos de atuação. O primeiro, chamado A Turma, é investigado por fazer ameaças sob determinação do ex-banqueiro e era ligado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, suspeito de ter atuado para Vorcaro na milícia privada. Ele cometeu suicídio em março, quando estava sendo preso. O segundo núcleo, Os Meninos, reunia, segundo as apurações, hackers pagos para derrubar perfis de redes sociais de críticos a Vorcaro e ao Master e para invadir dispositivos e contas de opositores.Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio, na sexta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de integrar o que uma fonte da PF descreveu ao G1 como o "núcleo violento" do grupo. Também foram presos na mesma operação um agente da Polícia Federal e três hackers. Em junho, o STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou a prisão preventiva. Continua preso desde março Fabiano Zettel, cunhado de Daniel e investigado como operador financeiro do grupo.As defesas e a indefinição no STFO advogado de Henrique, Eugênio Pacelli, afirmou à Folha que o cliente pede para ser ouvido há três meses. Na quarta-feira (16), a defesa pediu ao STF a revogação da prisão, sob o argumento de que ele está preso há mais de 90 dias sem que nenhum recurso pela soltura tenha sido julgado. A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada e não se manifestou. Já os advogados de Zettel disseram temer que a "excepcional reorganização da condução dos feitos produza um vácuo jurisdicional" sobre o cliente.Os pedidos se apoiam na indefinição que tomou o caso no STF. O presidente da corte, Edson Fachin, determinou o envio das investigações do caso Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ao seu gabinete. Segundo a Folha, as apurações da PF seguem em curso, e só ficam pendentes os pedidos que dependam de despacho do ministro André Mendonça, relator dos casos. Também está paralisado o julgamento que decidiria se será aberta apuração sobre as relações de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes.O próximo passo está marcado: os depoimentos de Daniel e Henrique no dia 30, às 14h e às 16h. Depois das oitivas, a PF deve encerrar esta fase do inquérito, e o caso segue nas mãos de Mendonça no STF, onde ainda aguarda julgamento o pedido de revogação da prisão de Henrique.

HBHenrique Barros
Elections

Nunes Marques nega à PF mandado de busca contra ACM Neto na Overclean

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kássio Nunes Marques negou o pedido da Polícia Federal para cumprir mandado de busca e apreensão contra ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e candidato do União Brasil ao governo da Bahia, dentro do inquérito da Operação Overclean, que apura suposto desvio de recursos de emendas parlamentares. A decisão foi conhecida nesta quinta-feira (17), o mesmo dia em que a décima fase da operação foi deflagrada, e ocorreu mesmo com a anuência da Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia concordado com o pedido da polícia, segundo o G1.A nova fase cumpre 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Paraná, Espírito Santo e Bahia, todos autorizados por Nunes Marques, relator do caso no STF. O foco são contratações da Secretaria de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025; ao menos três procedimentos resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões. "Apuram-se indícios de direcionamento de procedimentos para o fornecimento de serviços e de materiais didáticos", informou a PF.Entre os alvos dos mandados estão Bruno Barral, ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte, exonerado em abril de 2025 depois de ser alvo da terceira fase da Overclean, e o empresário baiano José Marcos Moura, o "Rei do Lixo", indiciado pela PF em agosto por suspeita de participação no esquema. Também figura na lista Alex Maciel, descrito pelos investigadores como empresário e sócio de Moura. A fase apura crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Nenhuma das reportagens publicadas até agora menciona indiciamento ou denúncia contra ACM Neto; a única medida a seu respeito noticiada é o mandado de busca que Nunes Marques negou.Linha do tempoAbril de 2025: Bruno Barral, então secretário de Educação da capital mineira, é exonerado após ser alvo da terceira fase da operação.Janeiro deste ano: a PF protocola o pedido da décima fase, autorizada apenas nas últimas semanas, segundo reportagem do Estadão veiculada pelo InfoMoney.Agosto: José Marcos Moura é indiciado pela PF por suspecha de participação no esquema de desvio de emendas.17 de setembro: a décima fase cumpre 24 mandados em seis estados; o pedido de busca contra ACM Neto é negado por Nunes Marques, embora a PGR tivesse concordado com ele.Procurado, o gabinete de Nunes Marques informou que não comentaria a decisão, e os motivos da negativa não foram divulgados. O candidato, por sua vez, ainda não havia se manifestado publicamente até a publicação das primeiras reportagens. O caso tramita no STF sob a relatoria do ministro, e a Overclean segue apurando um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de contratos e emendas parlamentares que, desde o início das apurações, mira empresários, agentes públicos e operadores.A decisão chega a menos de três semanas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, quando ACM Neto disputa o governo da Bahia. O inquérito permanece em curso no STF, e novos atos da PF na operação dependem de autorização do relator.

HBHenrique Barros
police

Overclean: PF mira ex-secretário de Educação de BH e o 'Rei do Lixo'

A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (17) 24 mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral, o empresário baiano José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", e o sócio dele, Alex Parente. A ação é a décima fase da Operação Overclean, autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e apura suspeitas de fraude em contratos e direcionamento de licitações na Secretaria de Educação da capital mineira.Segundo a PF, entre abril de 2024 e abril de 2025 o núcleo político de uma organização criminosa instalada na Bahia teria infiltrado membros na gestão da pasta para dirigir contratos públicos de fornecimento de serviços e materiais didáticos a empresas associadas ao grupo. A investigação identificou seis processos de contratação, dos quais três resultaram em contratos que somam quase R$ 84 milhões, com mais de R$ 77 milhões já efetivamente pagos. Os mandados são cumpridos em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Segundo o g1, cerca de R$ 230 mil em espécie foram apreendidos em Ervália, na Zona da Mata mineira, e em São Paulo.Quem são os alvosBarral deixou a Secretaria de Educação de Belo Horizonte em abril de 2025, depois da terceira fase da Overclean. Antes de assumir a pasta na capital mineira, ele havia sido secretário municipal de Educação de Salvador, na gestão de ACM Neto, segundo o Metrópoles. A CNN Brasil reporta que a investigação aponta que ele teria feito parte do grupo de José Marcos Moura para contratar, em Belo Horizonte, empresas do empresário e de Alex Parente.Moura, que atua no setor de limpeza urbana, e os irmãos Fábio e Alex Parente são alvos antigos da operação. Segundo a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, os três foram presos na primeira fase, deflagrada em dezembro de 2024, e depois colocados em liberdade, sob medidas cautelares. Em agosto deste ano, Moura e outras 24 pessoas foram indiciadas pela PF na frente que apura desvio de recursos de emendas parlamentares. Ainda segundo a coluna, o deputado ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia, é formalmente investigado sob suspeita de participação na indicação de um secretário para a Prefeitura de Belo Horizonte. A PF pediu ao STF autorização para uma busca contra o parlamentar, a Procuradoria-Geral da República se manifestou favoravelmente, mas Nunes Marques negou o pedido por considerar insuficiente a base legal. Por isso, ACM Neto não está entre os alvos dos mandados desta quinta.O que dizem as partesEm nota, a Polícia Federal afirmou:"Os envolvidos são investigados pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em contratação e pagamentos superfaturados, peculato, corrupção passiva e ativa, integração de organização criminosa e lavagem de dinheiro."A corporação trata os fatos como suspeitas e a apuração segue em andamento. Nenhum dos investigados foi denunciado ou condenado, e o indiciamento é um ato da própria polícia, sem efeito de culpa. O g1 informou que tentou contato com as defesas dos investigados e não havia obtido resposta até a publicação.Procurada pela TV Globo, a Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que a atual gestão não firmou contratos para aquisição de materiais didáticos e que a rede municipal utiliza livros do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do governo federal."A Secretaria de Educação ressalta que não recebeu qualquer solicitação ou demanda relacionada à investigação da Operação Overclean, mas que está à inteira disposição das autoridades competentes e dos órgãos de controle para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários."O inquérito tramita no STF, sob a relatoria de Nunes Marques. A PF afirma que outros processos de contratação ainda são analisados, o que pode elevar o montante apurado, e que equipes seguem em campo. Encerrada a investigação, caberá à Procuradoria-Geral da República decidir sobre o oferecimento de denúncia contra os investigados. Não há data prevista para essa etapa.

HBHenrique Barros
crime

Overclean: PF apura fraude de R$ 80 milhões em contratos da Educação de BH

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a 10ª fase da Operação Overclean, com 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, para apurar suspeita de fraude em contratos de mais de R$ 80 milhões firmados pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Segundo a PF, ao menos três contratos já analisados somam esse valor, e outros procedimentos de contratação também estão sob exame, o que pode aumentar a cifra final.Os mandados foram cumpridos em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Durante as buscas foram apreendidos cerca de R$ 230 mil em espécie, em Ervália, na Zona da Mata mineira, e em São Paulo capital, informa o G1. Ainda havia equipes em campo e o valor podia aumentar. De confirmadas as suspeitas, os investigados podem responder por crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.Entre os alvos da fase estão o ex-secretário de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral, que também já ocupou secretaria em Salvador, e pessoas ligadas ao empresário José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", segundo a CNN Brasil. A investigação aponta que Barral teria favorecido a contratação de empresas de Moura e do empresário Alex Parente na capital mineira. Barral já havia sido alvo de fase anterior da operação. Para a PF, os fatos ainda são suspeitas apuradas em inquérito, e todos os alvos mantêm a presunção de inocência.Como o caso chegou até aquiA Overclean foi autorizada pela Justiça Federal em dezembro de 2024, para apurar irregularidades em uma contratação do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) na Bahia. Como o caso tem ligação com políticos com foro privilegiado, foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o relator é o ministro Nunes Marques. Segundo os investigadores, o grupo movimentou R$ 1,4 bilhão e se dedicava a desviar verbas públicas de contratos de engenharia, inclusive por meio de emendas parlamentares. Em agosto, a PF indiciou José Marcos Moura e outras 24 pessoas, entre agentes públicos e privados. À época do indiciamento, Moura negou irregularidades.A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que a atual gestão não firmou contratos para aquisição de material didático e que usa livros disponibilizados pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do governo federal. A prefeitura disse ainda que não recebeu nenhuma solicitação ou demanda relacionada à operação e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos.O próximo passo é a análise do material apreendido, que será incorporado ao inquérito em curso no STF. A PF não divulgou prazo para a conclusão das apurações nem anunciou novas fases. Segundo o G1, a corporação trata os fatos como suspeitas e considera a investigação em andamento.

HBHenrique Barros
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Inquérito da PF detalha R$ 1 bi em descontos de servidores da BA no caso Master

Duas associações de servidores públicos da Bahia investigadas no caso Banco Master somavam, em 2025, mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores estaduais, em uma carteira estimada em R$ 1 bilhão. Os números constam de inquérito da Polícia Federal cujo sigilo foi suspenso em 10 de setembro pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), conforme revelou reportagem de João Pedro Pitombo, da Folha de S.Paulo, publicada nesta quinta-feira (17).As entidades são a Asteba e a Asseba. Segundo o Jornal de Brasília, a Asseba reúne servidores da saúde e a Asteba, servidores técnico-administrativos da administração direta do estado. As duas são ligadas ao empresário baiano Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Foram alvo de busca e apreensão na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025. Lima, investigado, chegou a ser preso, foi solto no fim de novembro e hoje usa tornozeleira eletrônica.Como as associações entraram no casoO Master informou ao Banco Central, em ofício de 25 de março de 2025, que as duas associações estavam na origem de créditos consignados que integravam uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao BRB (Banco de Brasília). Depois, o banco de Vorcaro recuou da versão e passou a atribuir os créditos à empresa Tirreno, segundo a Folha. Trecho do inquérito citado pelo Banda B afirma que as entidades, "controladas por Augusto Lima", foram indicadas pelo Master ao BC como originadoras dos créditos vendidos.A PF atribui a Lima a elaboração de carteiras fraudulentas. Uma auditoria estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao banco público pela compra desses ativos. Em escala maior, um relatório da PF citado pelo Jornal do Comércio aponta que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master na compra de carteiras de crédito.Defesas, governo da Bahia e próximos passosA defesa de Lima rechaça as alegações e diz que elas não se sustentam diante dos elementos reunidos pela investigação; os advogados sustentam que a informação sobre a origem dos créditos foi prestada de forma equivocada ao BC pelo próprio Master. Em nota de junho ao Poder360, assinada pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebastián Mello, a defesa afirmou que Lima "sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública". Procuradas pela Folha, as entidades não se manifestaram: na Asteba, uma funcionária disse que não havia membros da direção no local e não houve retorno aos recados; na Asseba, ninguém atendeu às ligações. A Secretaria de Administração da Bahia, do governo Jerônimo Rodrigues (PT), informou que não se manifestaria sobre os contratos de cooperação com as associações, que prestam serviços como planos odontológicos, compra de celulares e assistência jurídica.O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central após o início da Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 pela 10ª Vara Federal de Brasília. Vorcaro foi preso em 17 de novembro, ao tentar deixar o país, e solto em 29 de novembro. O caso passou a tramitar no STF em dezembro de 2025, primeiro com o ministro Dias Toffoli; desde fevereiro, a relatoria é de André Mendonça. Vorcaro voltou a ser preso no início de março e apresentou proposta de delação premiada, ainda em análise. Em junho, a nona fase da operação citou Lima em apuração sobre a relação entre gestores do Master e o senador Jaques Wagner (PT-BA). O inquérito segue em andamento e, segundo a Gazeta do Povo, a defesa de Vorcaro pediu novamente, em 11 de setembro, o adiamento do depoimento dele à PF sobre os negócios com o BRB; não há nova data divulgada.

HBHenrique Barros
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Promotoria diz que operadores da Lava Jato criaram 'banco do crime' a serviço do PCC

Promotores do Ministério Público de São Paulo denunciaram 19 pessoas suspeitas de montar uma rede clandestina de serviços financeiros descrita pela Promotoria como um "banco do crime", que teria servido para lavar dinheiro de integrantes e colaboradores do PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo a Folha de S.Paulo, a denúncia foi apresentada na segunda-feira (14); a reportagem do Metrópoles registra a entrega na sexta-feira (11). Os denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros crimes conforme a atuação individual de cada um.Para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o esquema funcionou ao menos entre 2019 e 2025. O serviço principal era a chamada "troca de TED por vivo": o grupo recebia dinheiro em espécie que sabia ter origem ilícita e, mediante comissão, realizava transferência bancária de valor equivalente por contas próprias, de laranjas ou de empresas de fachada. A operação também ocorria no sentido inverso, com recursos bancários convertidos em dinheiro vivo. Mensagens obtidas em celulares apreendidos nas operações Recidere e Bazaar indicam, segundo a denúncia, que os envolvidos conheciam a procedência do dinheiro e usavam essa informação para calcular o "deságio" cobrado em cada transação. A ação resulta das operações Janus e Bazaar, que investigaram movimentação de valores ilícitos e um suposto esquema de corrupção na Polícia Civil paulista; a Janus foi deflagrada em julho deste ano, segundo o Metrópoles.Na denúncia, os promotores descrevem assim a estrutura:"central de serviços financeiros ilícitos, ou verdadeiro 'Banco do Crime', colocada à disposição de integrantes e colaboradores do PCC para a ocultação e a dissimulação da origem, da natureza e da propriedade de bens e valores provenientes do tráfico de drogas e de outros crimes".Da Lava Jato ao PCCSegundo o G1, o Gaeco coloca três operadores no centro da estrutura: Cléber Azevedo dos Santos, Leonardo Meirelles, foragido, e Paulo Rogério Silva, o "Paulo Barão". A Promotoria afirma que os três já foram implicados em outras investigações e ações penais e teriam movimentado "quantias bilionárias" ao longo de suas atividades. Entre os denunciados também está a contadora Meire Bonfim da Silva Poza, que atuou em esquemas revelados pela Operação Lava Jato, deflagrada em 2014; segundo o MP, ela recebia R$ 70 mil por mês de Cléber Azevedo pela exclusividade de seus serviços, valor reconhecido pela própria contadora em mensagem de fevereiro de 2023. Raphael Flores Rodriguez, o "Batata", igualmente foragido, já foi condenado no âmbito da Lava Jato; a denúncia afirma que sua participação ia além da condição de cliente, com compra de imóveis em sociedade com outros operadores e compartilhamento de caixas com recursos de atividades criminosas.Entre os apontados como usuários dos serviços estão Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho", preso desde 6 de agosto de 2024, e Alexandre Salles Brito, o "Buiú", já denunciado na Operação Fim da Linha por suspeitas ligadas ao PCC e à empresa de ônibus UpBus. Segundo o MP, ao menos dez operações, somando R$ 232 mil, foram feitas em benefício de Buiú. Mensagens interceptadas citadas pela Folha indicam que contas bancárias teriam sido indicadas por Léo a um dos prestadores do serviço, que recebeu depósitos na casa de dezenas de milhares de reais. O Metrópoles relata que uma das empresas ligadas ao esquema movimentou mais de R$ 28 milhões em seis meses, embora tivesse faturamento anual declarado de cerca de R$ 5 milhões."Tribunal do crime" e corrupçãoA denúncia afirma que os operadores financeiros conheciam termos internos da facção, participavam de sessões do chamado "tribunal do crime" e chegavam a recorrer ao poder de coerção da organização para resolver disputas patrimoniais próprias. A estrutura também teria contado com corrupção de agentes públicos: segundo o Gaeco, o denunciado Marlon Antonio Fontana intermediava e operacionalizava pagamentos de vantagens. Uma cópia integral dos autos foi encaminhada à Justiça Militar para a abertura de inquéritos sobre três coronéis da PM citados no documento, José Augusto Coutinho, Luiz Carlos Pereira Martins e um oficial identificado apenas como "Patricio"; nenhum dos três foi denunciado nesta ação, e o documento não especifica qual crime cada um teria praticado.O advogado Rodrigo Antunes Benetti, que representa Léo do Moinho, disse à Folha que "restará demonstrada a inocência do senhor Leonardo" e contestou as acusações contra o cliente, preso desde agosto de 2024. O Ministério Público pede ainda que os denunciados paguem, de forma solidária, indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e sociais. Cabe agora à Justiça de São Paulo analisar a denúncia e decidir se recebe a peça e abre ação penal contra os envolvidos; segundo a Folha, não há prazo para essa decisão. Até uma sentença definitiva, todos os denunciados são presumidamente inocentes.

HBHenrique Barros
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PF cumpre 106 mandados de prisão contra o crime organizado em 19 estados

As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) cumpriram nesta quarta-feira (16) 106 mandados de prisão e 173 mandados de busca e apreensão em 19 estados, segundo o G1. A ação conjunta foi batizada pela Polícia Federal de Operação Força Integrada IV e mobilizou 20 bases das FICCO, segundo o balanço do próprio órgão. As decisões judiciais expedidas para a operação também determinaram bloqueios, sequestros e outras restrições patrimoniais que somam mais de R$ 508 milhões.Os mandados alcançam investigados suspeitos de envolvimento em tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outras infrações ligadas a organizações criminosas violentas. As medidas patrimoniais atingem imóveis, veículos, ativos financeiros e outros bens vinculados aos grupos investigados. Um dos objetivos declarados, segundo o G1, é atingir a estrutura financeira dos grupos por meio da descapitalização das organizações.Como as ações foram articuladasAs FICCOs funcionam como forças-tarefas coordenadas pela PF que reúnem órgãos de segurança pública de diferentes esferas: polícias civis, militares e penais, guardas municipais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e secretarias estaduais de Segurança Pública. Na manhã desta quarta, o noticiário oficial da PF registrou, no mesmo dia, ações paralelas de bases estaduais das FICCO: em Sergipe, três buscas contra um grupo investigado por agiotagem, extorsão e ameaças; no Tocantins, dois mandados contra lavagem de dinheiro e tráfico transnacional de drogas, com bloqueio de até R$ 412,5 milhões; no Rio Grande do Norte, a Operação Enclave cumpriu prisões em Natal, Caicó e Ceará-Mirim; e, na Paraíba, a segunda fase da Operação Trapiche, em conjunto com o Gaeco, atuou contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.Todos os atingidos pelos mandados têm, neste momento, a condição de investigados e se beneficiam da presunção de inocência prevista na Constituição. As reportagens consultadas não citam nomes dos alvos nem manifestações de defesa publicadas até o fechamento desta edição.O balanço final, com o número de prisões efetivadas, ainda não havia sido divulgado. Como próximo passo processual, os presos em cumprimento de mandado devem ser apresentados aos juízos que expediram as ordens, e os bloqueios e sequestros de bens ficam sujeitos à confirmação judicial nos processos em curso. A PF não informou datas para novas fases da operação.

HBHenrique Barros
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Fux defende afastamento de Andrei Rodrigues; Mendonça fala em 'PF paralela'

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (15) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça e submetido à Segunda Turma da Corte. Os comentários foram feitos durante a sessão do plenário que analisa se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes a partir de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.Segundo o G1, Fux afirmou: "Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF". Em concordância com o colega, Mendonça, que falava fora do microfone, declarou: "Temos hoje uma PF paralela"."A Segunda Turma percebeu uma série de desvios de finalidade na atuação do diretor-geral da PF. [...] O que não pode é a PF trabalhar contra o Poder Judiciário; instrumentalizar pessoas para sustentarem posições contra o Poder Judiciário", disse Fux, que também afirmou ter "a maior admiração pela Polícia Federal".Linha do tempo da criseA crise na cúpula da corporação nasceu das investigações do caso Master, das quais Mendonça é relator. O ministro retirou o sigilo de relatório da PF produzido a seu pedido, com mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Os diálogos faziam menção direta ao nome "Andrei", identificado pela própria Polícia Federal como o diretor-geral. Segundo o G1, o material também apontou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes e um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.Na sequência, Moraes retirou o sigilo de seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma oculta pela PF ao longo de agosto. Os documentos traziam apontamentos sobre a atuação de Mendonça nos casos Master e do INSS e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento de Andrei e do diretor de inteligência Leandro Almada, alegando que os papéis revelavam atuação irregular contra integrantes do STF e outras autoridades. O ministro Flávio Dino chegou a reintegrar os dois delegados, mas o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões e manteve Andrei no comando da PF.Versões e próximos passosAndrei Rodrigues nega irregularidade. Em manifestação encaminhada a Fachin, segundo o InfoMoney, o diretor-geral afirmou que os relatórios foram produzidos regularmente e entregues em cumprimento a determinação de Moraes no inquérito das fake news. Os próprios documentos registravam que não tinham valor probatório. Mendonça classifica os relatórios como apócrifos, sem assinatura e sem elementos formais de identificação, e sustenta que houve desvio de finalidade. Moraes rebate que os papéis não são apócrifos, porque foram elaborados por delegados, e chama a apuração contra ele de "fraudulenta". Nesta terça, o ministro acusou o colega de tentar direcionar a atuação da PF e disse ter testemunhas; Mendonça respondeu que a acusação "é mentira".O julgamento virtual da Segunda Turma já conta com maioria de votos para referendar o afastamento, segundo o G1, mas a conclusão foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A situação definitiva de Andrei Rodrigues será definida por Fachin. As acusações de Moraes contra Mendonça estão marcadas para o plenário de 23 de setembro.

HBHenrique Barros
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Mensagens de Vorcaro citam supostos R$ 500 mil mensais a filho de Nunes Marques

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraudes, mencionam supostos pagamentos de R$ 500 mil por mês ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos foram trocados com Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do banco, e vieram a público nesta terça-feira (15), horas antes de a corte abrir a sessão que analisa se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A apuração é do G1.Segundo o G1, em 4 de julho de 2025 Rennó encaminhou a Vorcaro o contato de Kevin e perguntou: "Esse aqui - 500 mil mês - mantém?". Depois acrescentou: "Então esse aqui já era né". Em 1º de outubro de 2024, o ex-diretor jurídico havia relatado ao banqueiro a vitória do Master no processo da "Alcídia", disputa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, e informado que os votos favoráveis tinham sido dos ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques. Na sequência, enviou o contato do filho do ministro com a mensagem "Dominado aqui".A Consult e a negativa de Kevin MarquesO material também registra a empresa Consult. Quando Rennó enviou, em agosto de 2025, uma lista de consultorias e escritórios ligados a autoridades e perguntou sobre prioridades, Vorcaro respondeu: "Consult? Guido e Lewandowski". Em 8 de agosto, Rennó escreveu: "Dos pagamentos essenciais está faltando a consult". De acordo com o G1, a Consult pertence a um sócio do filho do ministro e tem o mesmo endereço de e-mail do IPTF (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária), de propriedade de Kevin.Em nota, Kevin Marques negou ter recebido recursos de Vorcaro e afirmou que sua atuação como advogado não tem relação com o STF:"Como informado anteriormente, o advogado Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, empresa à qual prestou serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal."O que disse Nunes MarquesNo início da sessão, Nunes Marques pediu a palavra e defendeu sua isenção. "Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco ou foi remunerado pelo banco", afirmou, segundo a BBC News Brasil. O ministro disse que nunca julgou processo relacionado ao Master, que nunca trocou mensagens com Vorcaro e que o sigilo bancário do filho já foi quebrado: "Não adianta especular de outra forma". "Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado de alguma forma, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, de seu pai e de outras pessoas envolvidas", acrescentou.Em seguida, declarou-se impedido de participar do julgamento, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e deixou o plenário. "Na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento", disse, ao sustentar que a decisão pode impactar o cenário das eleições de 4 de outubro. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito, por foro íntimo, e também não votará. As mensagens divulgadas nesta terça integram o mesmo material extraído do celular de Vorcaro em que aparece o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, e um filho do ministro Luiz Fux.Como o caso chegou até aquiVorcaro foi preso em novembro de 2025, na operação Compliance Zero. Em 1º de setembro, Mendonça derrubou o sigilo de um relatório da PF sobre as interações entre o banqueiro e Moraes, que tratavam, entre outros pontos, do contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório Barci de Moraes, da mulher do ministro. Moraes nega irregularidades e, em 3 de setembro, pediu investigação contra Mendonça. Neste sábado (12), o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria da petição 16.662, na qual a corte decide se valida o relatório da PF e se abre investigação contra Moraes. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade da apuração.A sessão prossegue nesta terça-feira (15), com os votos ainda em aberto e sem horário previsto para o encerramento. Antes de deliberar sobre o destino de Moraes, os ministros precisam decidir se Mendonça agiu de forma irregular ao pedir à PF o relatório sem consultar o colegiado.

HBHenrique Barros
Federal Police

Mendonça nega irregularidade em relatório da PF que citou Moraes

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça informou ao presidente da corte, Edson Fachin, que não cometeu irregularidades ao determinar a produção do relatório da Polícia Federal que identificou o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A resposta foi apresentada um dia antes da sessão em que, pela primeira vez na história do tribunal, os ministros reúnem-se para decidir se um colega deve ser investigado.Em petição ao STF, Mendonça afirmou que o material lhe foi entregue presencialmente pela PF em agosto e que, diante da menção, nas conversas, ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, "impunha-se, com ainda maior razão, a adoção de providência", segundo a Folha de S.Paulo. A BBC News Brasil reporta que o ministro sustentou ter convocado os delegados de forma direta e presencial por cautela, "sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja", e que a apuração deveria observar a separação entre as atividades de inteligência e de polícia judiciária, a preservação do sigilo e o princípio da funcionalidade.O que alega MoraesNa véspera da sessão, Moraes enviou a Fachin um ofício de 44 páginas dividido em 121 pontos, no qual nega qualquer irregularidade e acusa o colega de "vingança" e de uso "político-eleitoral" do inquérito do Banco Master. Ele argumenta que não houve interferência sua para beneficiar Vorcaro antes da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025."Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal", escreveu o ministro.Segundo a BBC News Brasil, os diálogos levantados pela PF mostram que Vorcaro cobrava atenção especial aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em 8 de fevereiro de 2024, o tesoureiro do banco enviou a Vorcaro o comprovante de uma transferência de R$ 3,42 milhões para o escritório. Moraes nega favorecimento e não responde a inquérito formal.O procurador-geral da República também questionou a conduta de Mendonça. Em manifestação apresentada em 1º de setembro, dia em que o ministro tornou públicas as mensagens, Gonet pediu que a decisão fosse declarada nula. Para a PGR (Procuradoria-Geral da República), a investigação extrapolou os limites da atuação de um magistrado na fase pré-processual, e caberia ao próprio STF decidir sobre eventual apuração contra um de seus integrantes.Linha do tempo do casoNovembro de 2025: Vorcaro é preso; ele é investigado por suspeita de fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões no Banco Master.Agosto de 2026: a PF entrega presencialmente a Mendonça, relator do inquérito das fraudes, relatório que identifica Moraes como interlocutor de Vorcaro, com 52 mensagens trocadas.1º de setembro: Mendonça torna as mensagens públicas; abre-se no STF a petição 16.662, que originou a sessão desta terça; a PGR pede a anulação da ordem.14 de setembro: Moraes envia o ofício em que fala em "farsa" e "vingança"; Mendonça responde negando irregularidades.Na sessão desta terça-feira (15), Fachin, que assumiu a relatoria do caso e vota primeiro, afirmou que "compete ao plenário do Supremo Tribunal Federal investigar seus integrantes" e leu trecho da manifestação da PGR, segundo a qual a ordem para investigar Moraes é nula por "exceder os limites da competência do juiz". Dois ministros deixaram o colegiado de julgamento: Kássio Nunes Marques declarou-se impedido por presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em ano eleitoral, e Dias Toffoli declarou-se suspeito, por foro íntimo. Nunes Marques negou ter julgado processos ligados ao Master e disse que seu filho nunca prestou serviços ao banco.Segundo o G1, Fachin sinalizou aos colegas a disposição de concluir o julgamento ainda nesta terça-feira (15). A ala de Moraes não descarta pedir vista, o que daria mais tempo para análise e adiaria a decisão. Autorizada a abertura, Moraes passaria à condição de investigado em inquérito no STF.

HBHenrique Barros
Federal Police

Mendonça explica ao STF ordem que levou a PF a identificar Moraes

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou na segunda-feira (14) ao presidente da Corte, Edson Fachin, uma explicação sobre a decisão de 24 de agosto em que intimou pessoalmente delegados da Polícia Federal para identificar os destinatários de mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O relatório produzido a partir do pedido apontou o ministro Alexandre de Moraes como um dos interlocutores de Vorcaro. O documento chegou horas antes da sessão desta terça-feira (15), a primeira na história do tribunal em que os ministros se reúnem para decidir se abrem investigação contra um colega. A explicação atende a prazo fixado por Fachin para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem informações antes do julgamento.Na manifestação, Mendonça afirma que agiu "por cautela", "buscando preservar a higidez dos autos e a eficiência das investigações", "sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja". Segundo ele, as conversas mencionavam Gonet e Andrei Rodrigues, o que, em sua leitura, exigia ainda mais cuidado com o sigilo. O ministro também sustenta que pediu a identificação para esclarecer uma "verdadeira rede de monitoramento e influência coordenada pelo investigado, com potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República". Segundo a Folha de S.Paulo, ele negou a Fachin ter cometido irregularidades e afirmou que a PF lhe entregou o material presencialmente em agosto.Gonet havia pedido, em 1º de setembro, que Mendonça declarasse nula a decisão que levou a PF a produzir o relatório. Para a Procuradoria-Geral da República, a apuração "excedeu os limites da competência do juiz" na fase pré-processual, e caberia ao próprio plenário do STF decidir sobre a investigação de um de seus integrantes. Moraes respondeu na segunda, em ofício de 44 páginas separado em 121 pontos. Segundo a BBC News Brasil, ele chama o caso de "farsa" e fala em "vingança" com motivação político-eleitoral. Ele ainda escreve que a tentativa de golpe "não se encerrou em 8 de janeiro de 2023" e que o Supremo "saberá resistir"."Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA", escreveu Moraes, que nega qualquer irregularidade e diz que nunca favoreceu Vorcaro.Como o caso chegou até aquiVorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi preso em novembro de 2025, na operação Compliance Zero, e é investigado por suspeita de fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões. Chegou a ser solto e foi detido novamente em março deste ano. Mendonça relatava no tribunal o inquérito das fraudes quando, em 1º de setembro, retirou o sigilo de documentos e tornou públicas mensagens que associam Moraes a Vorcaro, abrindo caminho para a petição 16.662, agora sob análise dos ministros. Segundo o G1, o relatório da PF aponta 52 mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro. Os diálogos mostram Vorcaro cobrando atenção especial aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com uma transferência de R$ 3,42 milhões documentada em fevereiro de 2024. Nenhuma investigação foi aberta contra Moraes até agora, e a sessão desta terça decide justamente se ela será autorizada.A sessão inédita desta terçaAo abrir os trabalhos, Fachin fez um apelo institucional. "Esta instituição não nos pertence. Temos o dever de preservá-la no presente", afirmou, antes de ler a manifestação da PGR e sustentar que "compete ao plenário do Supremo Tribunal Federal investigar seus integrantes". Dois ministros saíram do colegiado de julgamento: Kassio Nunes Marques declarou-se impedido por presidir o Tribunal Superior Eleitoral a semanas das eleições e afirmou nunca ter trocado mensagens com Vorcaro, além de negar que seu filho tenha prestado serviços ao banco; Dias Toffoli declarou-se suspeito, por "foro íntimo", e disse que seguirá na sessão e poderá usar da palavra. Gilmar Mendes apresentou questão de ordem para debater, antes da votação, documento em que o ministro Flávio Dino pede a Fachin apuração de elo entre o Banco Master e um instituto ligado a Mendonça.A partir da leitura do relatório de Fachin, os ministros devem votar se autorizam a abertura de investigação contra Moraes. Fachin sinalizou a colegas disposição de concluir o julgamento nesta própria terça, mas a ala próxima do ministro não descarta pedir vista, ou seja, mais tempo para análise, segundo a coluna de Valdo Cruz no G1. A sessão ocorre a 19 dias do primeiro turno das eleições gerais, e o caso já entrou na campanha presidencial: Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema comentaram o julgamento ao longo da manhã, segundo o G1.

HBHenrique Barros
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PGR pergunta a Fachin se Mendonça decidiu pedido da PF sobre autoridade com foro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que verifique se o ministro André Mendonça, relator do caso Master, tomou alguma decisão sobre um pedido da Polícia Federal (PF) protocolado há cerca de seis meses. Em março de 2026, a PF pediu ao gabinete do ministro autorização para obter, junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a complementação de um relatório de inteligência financeira que envolve uma autoridade com prerrogativa de foro. A manifestação foi reportada pelo g1 nesta segunda-feira (14).A PGR não revela o nome da autoridade. O texto cita, entre os registros expostos pela queda do sigilo de mais uma frente do caso, uma "Representação formulada pela Polícia Federal, protocolada em março do corrente ano, para a obtenção, junto ao COAF, de complementação de Relatório de Inteligência Financeira, mantido sob sigilo pela Unidade de Inteligência, por se referir a autoridade com prerrogativa de foro". Segundo o jornal O Globo, o relatório enviado pelo Coaf protegia com tarjas o nome da autoridade."Como não consta dos autos disponibilizados nenhum registro do andamento posterior do feito, e não tendo, como já dito, o Ministério Público Federal se manifestado sobre a representação policial, o pedido é para que certifique o Gabinete do Ministro Relator se não houve, de fato, nenhuma decisão, e, em caso contrário, e na hipótese do deferimento, se o documento encontra-se disponível para a consulta dos Ministros, conforme requerido", escreveu a PGR.Linha do tempoO caso Master investiga o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília. Durante as apurações, a PF solicitou ao Coaf relatórios de inteligência financeira de pessoas físicas e jurídicas ligadas à investigação. Um deles, que se refere à autoridade com foro, seguiu sob sigilo. No domingo (13), o ministro Alexandre de Moraes pediu a Fachin o levantamento do sigilo do inquérito antes do julgamento desta terça-feira (15). A PGR se manifestou a favor, Fachin solicitou a Mendonça o levantamento dos sigilos, e o STF já tornou públicos 53 procedimentos de apurações relacionados ao caso.O Relatório de Inteligência Financeira (RIF) é um documento técnico que aponta movimentações atípicas ou suspeitas. O Coaf o elabora a partir de alertas enviados por bancos, seguradoras e outras instituições obrigadas por lei, com dados sobre valores globais, partes envolvidas e indícios de crimes como lavagem de dinheiro.O que vem a seguirA cobrança da PGR chega na véspera da sessão de terça-feira (15), em que os ministros do STF decidem se abrem investigação sobre a relação de Moraes com Vorcaro. Em paralelo, o gabinete de Fachin precisa dar andamento ao pedido de certificação. A manifestação da PGR não fixa prazo para a resposta, e não há registro, nos autos já disponibilizados, de qualquer decisão de Mendonça sobre o pedido da PF de março.

HBHenrique Barros
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Mensagens em poder da PF apontam almoço de filho de Fux com Vorcaro em NY

Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e em poder da Polícia Federal registram um almoço em 14 de maio de 2024, em Nova York, entre o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, e o então dono do Banco Master. A informação é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (14). Segundo o jornal, o encontro ocorreu durante a Brazil Week, evento de negócios realizado na cidade.A Folha reporta que os registros não mostram o assunto da conversa nem identificam o restaurante do encontro. Na mesma data, Rodrigo Fux participou de uma degustação de uísque patrocinada por Vorcaro, com cerca de 40 convidados. O nome do advogado já havia aparecido, antes, na lista de convidados do camarote do banqueiro na Sapucaí, no carnaval de 2025. Reportagens de junho do jornal O Globo e do site Metrópoles localizaram a degustação no Carnegie Club, nas imediações do Central Park, e apontaram custo de cerca de US$ 1 milhão, com base em dados da PF, e presença de políticos como Cláudio Castro, Hugo Motta e Ciro Nogueira.A assessoria de Rodrigo Fux afirmou à Folha que o advogado não almoçou a sós com Vorcaro e não se sentou à mesma mesa que o banqueiro. Segundo a assessoria, a participação dele na degustação foi breve e não houve contato com o ex-dono do Master. O ministro Luiz Fux não se manifestou sobre o episódio. Nenhuma acusação decorre do almoço, e os registros, por si sós, não indicam irregularidade.Linha do tempo do casoO caso Master começou como investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master e virou crise institucional no STF neste ano, depois que mensagens do celular de Vorcaro, apreendido pela corporação, foram associadas ao ministro Alexandre de Moraes. Nos últimos dias, a PF entregou cópias dos dados do aparelho aos ministros Moraes, Zanin e Gilmar Mendes, e o ministro André Mendonça derrubou o sigilo sobre a rede de pagamentos do banco e de seu ex-dono. Vorcaro é alvo das apurações; ele afirma não lembrar o destinatário de uma mensagem que a PF atribui a Moraes.Aliados de Moraes passaram a usar os encontros de Rodrigo Fux para questionar a participação de Luiz Fux na sessão desta terça-feira (15). Segundo apuração do site Poder360, os filhos de Fux e do ministro Nunes Marques já haviam sido citados em reportagens sobre o entorno do Banco Master, sem que tenha surgido evidência de que as relações familiares tenham influenciado votos na corte.Próximos passosO plenário do STF se reúne nesta terça (15) para definir se abre investigação contra Moraes no caso Vorcaro. Segundo o Poder360, o julgamento começa pela análise de suspeição. Vorcaro estava marcado para depor à PF nesta segunda (14), no inquérito do caso Master-BRB, mas a oitiva foi remarcada para 24 de setembro após pedido de adiamento da defesa, informa o Brasil 247.

HBHenrique Barros
justice

Mendonça derruba sigilo de pagamentos de Vorcaro; nome de autoridade segue oculto

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta segunda-feira (14) o fim do sigilo do processo que reúne detalhes da rede de pagamentos atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado pela Polícia Federal. A decisão atendeu a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, formulado horas antes a partir de requerimento do ministro Alexandre de Moraes e da PGR (Procuradoria-Geral da República), na véspera da sessão em que o plenário discutirá a eventual abertura de investigação contra Moraes.O arquivo tornou público um impasse que atravessa a investigação desde março. Segundo a CNN Brasil, que teve acesso ao processo, a PF pediu ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) os relatórios de inteligência financeira dos investigados para rastrear possível movimentação de dinheiro ilícito de Vorcaro. O Coaf atendeu só a parte do pedido: ao identificar pagamentos a pessoas que teriam foro privilegiado, informou que só poderia repassar esses dados com autorização expressa do STF. A PF então pediu essa autorização a Mendonça. Segundo O Globo, o pedido aguarda resposta há seis meses, e não há registro no processo de despacho do ministro sobre o assunto. O nome da autoridade beneficiada, portanto, segue em segredo.A CartaCapital reporta que o relatório de inteligência menciona ao menos 303 pessoas físicas e 520 pessoas jurídicas e aponta possível incidência de beneficiários com foro por prerrogativa de função no STJ e no próprio STF. A PF argumentou ao gabinete de Mendonça que a liberação completa é indispensável para evitar lacunas no rastreamento financeiro e afastar risco de nulidade processual.O que os documentos mostramEntre os destaques do relatório do Coaf entregue à PF está a movimentação de mais de R$ 57 milhões da Igreja Batista da Lagoinha entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. A instituição, segundo a CNN Brasil, foi alvo de apuração na CPMI do INSS e de suspeitas de desvio de emendas parlamentares. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, atuava como pastor na igreja e transferiu R$ 19,2 milhões à instituição no período analisado. A CartaCapital acrescenta que outros repasses suspeitos somaram R$ 28 milhões direto à conta da igreja, cujo faturamento anual presumido era de R$ 950 mil. A reportagem procurou a Lagoinha e não obteve retorno até a publicação.Como o caso chegou até aquiO caso Master levou a PF a apreender o celular de Vorcaro, um iPhone 17 Pro, e um relatório da corporação apontou mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. A divulgação deflagrou uma disputa interna na Corte pelo acesso integral aos dados. Os principais passos:Março de 2026: a PF pede a Mendonça autorização para o Coaf repassar pagamentos feitos a autoridade com foro privilegiado, segundo O Globo e o site Cláudio Dantas; o pedido segue sem despacho.Domingo (13): Moraes pede o fim do sigilo de todas as petições do caso Master e a liberação dos autos a todos os ministros antes da sessão de terça.Segunda (14): Fachin atende Moraes e a PGR e pede a Mendonça o levantamento do sigilo; a PF entrega cópias dos dados do celular de Vorcaro aos gabinetes de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes; Mendonça derruba o sigilo dos pagamentos.Terça (15): o plenário do STF analisa o relatório da PF sobre as mensagens entre Vorcaro e Moraes e decide se abre investigação contra o ministro.Na disputa pelo acesso, Moraes afirmou que o processo contém "elementos essenciais" para a sessão e declarou que "não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento". Gilmar Mendes sustentou que a retenção dos dados compromete o equilíbrio interno e a paridade da Corte. Mendonça, por sua vez, já afirmou ter levantado o sigilo de todas as informações e explicou que guarda uma cópia de segurança criptografada e lacrada, como contraprova, sem ter manuseado a mídia.A PGR, que defendeu a divulgação, informou que sequer tinha conhecimento da existência desses arquivos no sistema da Corte, segundo a CartaCapital. Vorcaro segue na condição de investigado no caso Master.O próximo passo é a sessão do plenário de terça-feira (15). O pedido da PF de março, sobre o repasse integral dos dados do Coaf, segue sem data para decisão.

HBHenrique Barros
Politics

PF entrega cópias do celular de Vorcaro a Moraes, Zanin e Gilmar Mendes

A Polícia Federal informou nesta segunda-feira (14) que entregou aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em nota, a corporação afirmou que as cópias "são idênticas à extração realizada do aparelho", um iPhone 17 Pro recolhido em operações do caso Master, e que o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de "cadeia de custódia formalmente documentada", com lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital.O repasse atende a pedidos formalizados nos últimos dias pelos três ministros junto ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e ocorre na véspera da sessão plenária de terça-feira (15), convocada para tratar da crise entre os gabinetes. O colegiado deve examinar o relatório da PF que apontou mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes e decidir se abre investigação para apurar a conduta do ministro, que hoje não é réu nem investigado formalmente.O impasse entre os gabinetesZanin argumentou que o colegiado precisa conhecer o contexto completo dos dados para deliberar e lembrou que a própria defesa de Vorcaro já teve acesso à integralidade do conteúdo. Moraes endossou o pedido e escreveu a Fachin que "não cabe ao ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento". Gilmar Mendes, decano da corte, apontou que a retenção do acervo apenas no gabinete do relator, André Mendonça, compromete o equilíbrio interno e a paridade do tribunal, e assegurou que o material ficará submetido a "regime rigoroso de restrição", com acesso limitado ao seu gabinete.Mendonça, relator do caso Master, sustentou em despacho no domingo que todo o material necessário ao julgamento já está disponível na íntegra aos ministros e que liberar o restante "somente contribuiria para tumultuar o julgamento", além de colocar em risco "todo o seguimento e êxito das investigações". Ele afirmou ter recebido, em março, apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, mantida lacrada como contraprova e nunca manuseada. A PF informou a Fachin, no entanto, que essa cópia não corresponde ao material original, que "jamais deixou a custódia da instituição".Da prisão de Vorcaro à sessão de terçaVorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi preso em novembro de 2025 e é investigado por suspeita de fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões. A crise no STF veio à tona em 1º de setembro, quando Mendonça levantou o sigilo de um relatório da PF com indícios de que Vorcaro teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes. Dois dias depois, Moraes retirou o sigilo de relatórios da inteligência da corporação sobre supostas condutas irregulares de Mendonça. Em 9 de setembro, Fachin tirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News e marcou a sessão de terça; na quinta-feira (10), determinou o fim do sigilo dos registros ligados ao banco. Mendonça liberou então parte dos documentos, o que levou Moraes a apontar, em ofício, uma "escolha seletiva" do relator.O próximo passo é a sessão plenária extraordinária de terça-feira (15), a partir das 10h de Brasília, segundo o G1. Além do exame do relatório, o professor de direito constitucional da Universidade Federal de Minas Gerais Emílio Peluso, citado pela BBC News Brasil, avalia que o julgamento pode ser ampliado para outros episódios do embate entre os ministros. Vorcaro segue na condição de investigado, sem condenação, e nenhum dos apontamentos que envolvem os ministros resultou até aqui em acusação formal.

HBHenrique Barros
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Andrei nega espionagem e diz a Fachin que relatório sobre Mendonça foi ordem de Moraes

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, que o relatório da corporação que embasou um pedido de investigação contra o ministro André Mendonça foi enviado ao STF por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Em manifestação entregue nesta sexta-feira (11), Andrei negou que a PF tenha monitorado ou investigado o colega de Corte.Segundo o documento, com acesso da Folha de S.Paulo e da CNN Brasil, a entrega do material ocorreu em cumprimento a ordem judicial proferida no inquérito das fake news, que tramitava sob a relatoria de Moraes. Andrei defendeu a "absoluta licitude" dos relatórios e negou que tenham decorrido de "ações de vigilância, coleta clandestina de dados ou qualquer medida invasiva". Para a defesa, eram análises de cenário, feitas a partir de informações que os policiais já conheciam no exercício das funções, e não um monitoramento "dirigido e contínuo" de alguém. "Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de Ministro deste E. STF e tampouco do Ilmo. Advogado-Geral da União", registrou o texto."O órgão policial não deu causa a qualquer divulgação do material sigiloso nem sequer a encaminhamentos externos por iniciativa própria, salvo, como dito, para cumprimento de ordem judicial advinda do STF", escreveu Andrei.Linha do tempoA crise entre o STF e a PF começou na terça-feira (8), quando Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, e ordenou que a Corregedoria da corporação apurasse a produção dos relatórios. A decisão foi uma reação ao uso do documento por Moraes, que pediu ao STF a apuração da conduta de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução dos casos do Banco Master e do INSS. Segundo Moraes, o colega teria direcionado as investigações, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos". Já Mendonça afirma que a PF produziu relatórios sobre autoridades com foro privilegiado. Horas depois do afastamento, o ministro Flávio Dino, em outro processo, determinou a volta dos dois diretores aos cargos. Na quarta-feira (9), Fachin suspendeu as duas decisões, falou em "inconciliável conflito de posições judiciais", deu 48 horas para Andrei prestar informações e 72 horas para Mendonça explicar o afastamento.Na manifestação, Andrei também atacou o fundamento do seu afastamento. A medida havia sido pedida pelo partido Novo, e a defesa sustenta que uma legenda não tem legitimidade para requerer medidas cautelares contra uma autoridade, porque isso depende de pedido do Ministério Público. A Folha relata que integrantes da corporação, sob reserva, já haviam afirmado que o relatório foi produzido para consumo interno e enviado ao gabinete de Moraes a pedido dele. O inquérito das fake news foi retirado da competência de Moraes por decisão de Fachin.O próximo passo está no plenário do STF. Fachin convocou sessão extraordinária para a terça-feira (15), quando os ministros devem analisar a crise aberta entre Moraes e Mendonça. Nesta sexta, o presidente da Corte também determinou que Mendonça retire, em até 24 horas, o sigilo das investigações ligadas ao Banco Master, com reserva para diligências em andamento. Sobre Andrei, Fachin ainda não decidiu se ele permanece no comando da PF.

HBHenrique Barros
justice

Lula reclama a aliados de inoperância do ministro da Justiça, mas descarta troca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem reclamado, em conversas de bastidores com aliados, do que considera inoperância do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. A troca no comando da pasta, porém, está descartada para o momento. A informação é da coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, publicada neste sábado (12).Segundo a Folha, as queixas ocorrem em meio a uma crise de proporções inéditas que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal. O Ministério da Justiça, pasta de Wellington, é a que comanda a PF, instituição no centro do embate entre ministros do tribunal.Como a crise chegou até aquiA disputa no STF nasceu das investigações da PF sobre fraudes no Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e sobre o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um relatório da corporação apontou mais de 50 mensagens de Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Outro documento, de inteligência e sem valor probatório, foi enviado ao tribunal por ordem de Moraes, no inquérito das fake news, e questiona a conduta do relator André Mendonça nos casos Master e INSS, citando suposta falta de imparcialidade.Neste sábado, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, rejeitou o pedido de Moraes para que os dois temas fossem julgados em conjunto. Moraes acusa Mendonça de fazer uma "escolha seletiva" ao retirar o sigilo de apenas parte dos procedimentos, com cerca de 180 peças omitidas. Mendonça nega e classificou a manutenção do segredo em parte dos arquivos como uma medida "prudente e responsável". Nenhum dos dois ministros é réu: as sessões do STF vão decidir se abrem investigações contra eles.Próximos passosO tribunal se reúne na terça-feira (15), em sessão extraordinária, para analisar o relatório da PF sobre as mensagens entre Vorcaro e Moraes. Em 23 de setembro, o plenário examina os questionamentos sobre a condução de Mendonça nos casos Master e INSS.Uma troca no Ministério da Justiça é ato do presidente da República. Até este sábado, segundo a Folha, não há previsão de substituição de Wellington Lima e Silva.

HBHenrique Barros
Flavio Bolsonaro

Cachê de US$ 4 milhões: PF detalha números de 'Dark Horse' prometidos a Vorcaro

A planilha de custos do filme Dark Horse, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou ao banqueiro Daniel Vorcaro, previa US$ 4 milhões (cerca de R$ 20,48 milhões na cotação atual) para o protagonista da produção, o ator americano Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os números constam do inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades no financiamento do longa, tornado público na noite de sexta-feira (11/9) por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citados no relatório, ao menos US$ 12,3 milhões (R$ 63 milhões) dos US$ 24 milhões (R$ 123 milhões) solicitados pelo senador ao banqueiro foram efetivamente pagos.Caviezel não é citado nominalmente. As duas primeiras parcelas que Vorcaro deveria pagar, de US$ 2 milhões cada, aparecem descritas como "talento principal parte 1" e "talento principal parte 2", termo usado pela indústria do cinema para se referir a artistas. Como a planilha registra apenas o orçamento previsto, não há como saber se o pagamento foi realizado nem qual foi o custo final da obra, ressalta a BBC News Brasil, que teve acesso ao inquérito.No relatório, a PF destaca o descompasso entre os valores de Dark Horse e os observados no mercado audiovisual brasileiro, com a ressalva de que a diferença, isoladamente, não configura crime."Embora não caracterize por si só qualquer ilícito penal, reforça a necessidade de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada", diz o documento.Comparações com HollywoodOs US$ 4 milhões são considerados exagerados por profissionais da indústria cinematográfica ouvidos pela BBC em caráter reservado. Como parâmetros do próprio mercado americano, Robert Downey Jr. recebeu a mesma quantia por Oppenheimer, ainda que em papel coadjuvante de peso, e o protagonista do filme, Cillian Murphy, teria recebido US$ 10 milhões. Joaquin Phoenix ganhou US$ 4,5 milhões para viver o Coringa no primeiro filme da franquia, e só chegou a cerca de US$ 20 milhões na sequência depois que a primeira produção ultrapassou US$ 1 bilhão em bilheterias. Os produtores de Dark Horse projetam arrecadar US$ 100 milhões no cenário mais otimista, o mesmo valor que Rivais, filme recente estrelado por Zendaya, alcançou nos cinemas.A cronologia do casoO inquérito integra as investigações ligadas ao Banco Master. A PF lista uma série de encontros, ligações e mensagens entre Flávio e Vorcaro a partir de 20 de agosto de 2025. Em 8 de setembro, o senador cobrou em áudio repasses em atraso e manifestou receio de dar "calote" em figuras prestigiadas do cinema americano, citando Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Uma ligação registrada em 16 de setembro coincide com a última remessa de US$ 1,66 milhão feita pela Entre Investimentos ao fundo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, conforme apurou o Coaf. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, ao tentar embarcar em um jato particular para o exterior, na véspera da primeira fase da Operação Compliance Zero.Flávio Bolsonaro chegou a negar que havia pedido recursos a Vorcaro e, depois, confirmou a solicitação. Ele diz que os contatos integraram uma relação privada de captação de patrocínio e nega ter recebido qualquer valor diretamente ou cometido irregularidades. Sua assessoria encaminhou questões sobre Dark Horse à produtora Go Up Entertainment, que não respondeu à BBC até a publicação. Nowrasteh, por sua vez, defendeu os custos no X. "A comparação de custos que a imprensa brasileira vem fazendo é falha", escreveu, argumentando que orçamentos nos Estados Unidos são divulgados sem os custos de marketing. A BBC ressalta que a planilha entregue a Vorcaro não traz despesas de distribuição, categoria que inclui marketing, e que essa etapa costuma corresponder a pelo menos 30% das demais despesas de um filme.A PF aponta que Flávio atuou como interlocutor direto do banqueiro na viabilização dos aportes e recomenda aprofundar as apurações sobre a origem dos recursos, o papel de empresas intermediárias, a função do fundo Havengate, registrado no Texas, e os beneficiários finais do dinheiro. Os documentos foram abertos após o presidente do STF, Edson Fachin, acolher pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Não há, por ora, data definida para um próximo ato decisório neste inquérito, que segue sob investigação.

HBHenrique Barros
Politics

PF diz que Jaques Wagner negou senhas de celulares apreendidos em Salvador

O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, se recusou a fornecer à Polícia Federal as senhas de dois celulares apreendidos em busca cumprida em sua casa, em Salvador, no dia 18 de junho. O registro consta de relatório da corporação tornado público nesta sexta-feira (11), depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou a retirada de sigilo de processos ligados ao caso Banco Master, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Wagner é investigado, não réu, e mantém a presunção de inocência garantida pela Constituição.Segundo o relatório da diligência, acessado pela CNN Brasil, os agentes recolheram logo no início da busca um celular Samsung preto e outro aparelho branco. "O investigado negou o fornecimento de senhas dos aparelhos", registrou a PF. Na mesma diligência, os policiais apreenderam R$ 16,5 mil, US$ 16.795 e € 39.675 em espécie, além de relógios de luxo. Parte do dinheiro estava em uma mala atribuída ao senador e outra parte em um cofre no closet de sua mulher. Conforme o documento, Wagner disse que os valores eram usados em viagens e que os relógios foram adquiridos ao longo dos anos, sem apresentar notas fiscais. O valor dos relógios "somente poderá ser aferido com precisão após a realização das perícias cabíveis", escreveu a PF.O que apura a Operação Compliance ZeroA busca fez parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, hoje preso. No inquérito de Wagner, a PF investiga a relação do senador com o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, e apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas de empresários e estruturas ligadas ao banco. Entre os episódios investigados estão viagens em aeronaves particulares, ingressos para shows e a negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador. A BBC News Brasil ressalva que não está claro se o imóvel foi de fato adquirido, nem por quem.O relatório aponta "robustos indícios" de corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos nos diálogos do senador, segundo a BBC. Entre 17 de novembro de 2023 e 25 de maio de 2025, foram contabilizadas 74 chamadas telefônicas entre Wagner e Lima, somando 5h30 de conversa. Sobre o vínculo entre os dois, os investigadores escreveram:"Para além de uma eventual amizade, o relacionamento entre ambos, do que se depreende dos diálogos, parece ser uma via de mão única: em regra, o Senador recebe ou solicita vantagens ou favores, e o empresário os concede."A PF sustenta ainda que Wagner atuou no Senado pela emenda 11 à PEC 65/2023, a chamada "Emenda Master", que elevava o limite de aplicações protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em agosto de 2024, o senador teria escrito a Lima: "Vamos marcar, que eu precisava conversar com você pra saber como estão as coisas do banco". O documento não registra contatos diretos entre o parlamentar e Vorcaro, mas afirma que houve "ao menos algum grau de interlocução".Posições e próximos passosA defesa de Wagner foi procurada pela CNN Brasil e não respondeu até a publicação da reportagem; a BBC News Brasil também informou buscar posicionamento da assessoria e do gabinete do senador. Aliado histórico do presidente Lula, Wagner deixou a liderança do governo no Senado após virar alvo das investigações e disputa a reeleição em outubro com apoio do petista. Em entrevista à TV Globo no fim de agosto, o presidente defendeu o aliado: "Eu tenho consciência que o Wagner é honesto... Até que se prove o contrário, todos são inocentes".No plano processual, as perícias sobre os bens apreendidos ainda devem apurar o valor dos relógios. O inquérito tramita no STF, para onde o presidente da corte, Edson Fachin, remeteu neste sábado (12) as investigações sobre o Master e o INSS. Segundo o G1, os casos ficam paralisados até nova decisão de Fachin, que pode assumir a relatoria dos processos ou submeter a definição ao plenário.

HBHenrique Barros
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Perícia da PF confirma fraude de R$ 17 bilhões entre Master e BRB e cita seis diretores

Uma perícia da Polícia Federal concluiu que houve gestão fraudulenta de ex-dirigentes do Banco de Brasília (BRB) na compra de carteiras do Banco Master, em aquisições que somaram R$ 17,5 bilhões entre 2024 e 2025. Elaborado em agosto, o laudo teve o sigilo retirado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das principais investigações do caso Master. Segundo o Estadão, o Terra e o G1, a perícia concluiu que as fraudes entre os dois bancos somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram estruturadas com produção massiva de documentos falsos e o uso de uma empresa de fachada.Os peritos analisaram operações que somam R$ 47,8 bilhões e concentraram a conclusão de fraude em 25 aquisições de carteiras aprovadas pela diretoria colegiada do BRB, de R$ 17,5 bilhões ao todo. O Master, banco do empresário Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central. Para os peritos, estão descartadas explicações como insucesso econômico, assunção de risco elevado ou falha procedimental isolada."Conclui-se, portanto, que o acervo permite caracterizar, sob a perspectiva técnico-pericial, a prática de gestão fraudulenta no processo de aquisição de carteiras do Banco Master, materializada pela manipulação da sequência de governança, pela formalização retrospectiva de controles, pela burla material ao regime de alçadas e pela continuidade objetiva das operações apesar de alertas prudenciais e fragilidades concretamente identificadas", afirma o laudo.O que a perícia apontouSegundo o relatório, o BRB tinha "sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes sobre o Banco Master, formalmente incorporados ao seu ambiente informacional, mas não demonstrou sua consideração no processo decisório". Os peritos identificaram 22 operações, de R$ 7,63 bilhões, em que pareceres técnicos só foram emitidos depois dos pagamentos. Das 25 aquisições, 21 ficaram exatamente no teto de R$ 750 milhões da diretoria, valor que dispensava aprovação do Conselho de Administração, prática que a perícia descreve como fracionamento para evitar análise agregada. O banco também não comprovou ter feito uma due diligence estruturada sobre o Master, apesar de alertas internos e externos sobre riscos de liquidez, capital e modelo de negócios. Um grupo de trabalho criado pelo próprio BRB já havia apontado fragilidades de lastro, documentação, averbações, repasses financeiros e cadeia de originação dos créditos. Em junho de 2025, o Master respondia por 90,31% da exposição do BRB, que somava R$ 19,78 bilhões naquele mês.Os diretores apontadosA perícia vinculou documentalmente às aprovações seis ex-integrantes da diretoria colegiada do BRB. Segundo o laudo, eles participaram de deliberações sobre a continuidade das operações, novas aquisições, a flexibilização de alertas de risco e a complementação posterior de documentos, e as decisões foram aprovadas por unanimidade. O apontamento é técnico e integra investigação em curso; os citados mantêm a presunção de inocência. São eles, com os cargos que ocupavam:Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, presidenteCristiane Maria Lima Bukowitz, diretora executiva de Gestão de PessoasDario Oswaldo Garcia Junior, diretor executivo de Finanças e ControladoriaLuana de Andrade Ribeiro, diretora executiva de Controle e RiscosDiogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor executivo de Atacado e GovernoJosé Maria Correa Dias Junior, diretor executivo de TecnologiaO então diretor jurídico, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, não foi vinculado às aprovações porque, segundo as atas analisadas, não tinha direito a voto ou estava ausente nas deliberações.Em síntese, o caso se desenrolou assim: as compras ocorreram entre 2024 e 2025, com pico de concentração em junho de 2025; o Master foi liquidado pelo Banco Central; as investigações passaram a tramitar no STF, sob relatoria de Mendonça; a perícia foi feita em agosto, para conferir as informações já levantadas pela PF e analisar documentos enviados pelo BRB; e o sigilo do laudo caiu em 10 de setembro.Em nota, o BRB afirmou que foi vítima dos crimes e que os ex-dirigentes não podem ser confundidos com a instituição, sem comentar a situação de cada um deles. A defesa de Vorcaro, que está preso, não comentou o laudo.Na sexta-feira (12), o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria da discussão sobre a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro e determinou a remessa à Presidência da Corte dos processos das investigações sobre o Master e o INSS. Os dois casos ficam paralisados até nova decisão de Fachin, que pode assumir a relatoria das investigações ou submeter a questão ao plenário. Não há data definida para esse pronunciamento. Na terça-feira (15), o STF se reúne para discutir a validade do relatório da PF sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro.

HBHenrique Barros
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Dino derruba sigilo de material da polícia de SP sobre financiamento de 'Dark Horse'

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou neste domingo (13) o sigilo do material que a Polícia Civil de São Paulo reuniu sobre o possível uso de recursos públicos no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na mesma decisão, proferida na Petição nº 16.669/DF, o ministro determinou que o inquérito que corria na polícia estadual passe a tramitar publicamente no STF e ordenou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo entregue à Polícia Federal os celulares, computadores, documentos e o conteúdo bruto extraído dos aparelhos apreendidos na última quinta-feira (10). Segundo a BBC Brasil, Dino justificou o levantamento do sigilo pela necessidade de transparência e de prevenção contra vazamentos seletivos.Entre os documentos agora públicos está o relatório da investigação paulista, batizada de Operação Wi-Fi. Segundo o G1, a apuração engloba verbas federais de emendas parlamentares e recursos municipais de termos celebrados com a Prefeitura de São Paulo, e o relatório sustenta haver "consistentes suspeitas" de desvio de verbas do programa municipal de internet gratuita WiFi Livre SP para o longa, gravado em inglês com elenco e direção de Hollywood:"Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo."A "investigada" citada no texto é Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB). Ao examinar o conjunto, Dino escreveu que os elementos indicam um possível "sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos", com destaque para emendas parlamentares federais. O ministro mencionou ainda, sem detalhar o papel da facção nem identificar integrantes, uma linha investigativa de "vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital)". Sobre o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor executivo do filme, registrou: "Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mario Frias, que no terreno hipotético da investigação ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa". Frias e Karina são investigados e negam irregularidades.Circuito financeiro fechadoA decisão transcreve representações da Polícia Federal segundo as quais a empresa Complexsys Soluções Integradas, contratada pelo ICB para executar projetos custeados com recursos públicos, recebeu repasses diretos do próprio Frias e devolvia valores ao instituto e à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização gerida pela mesma administradora do ICB. Para a PF, "essa circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária" evidencia "um circuito financeiro fechado". Os investigadores apontam ainda confusão patrimonial: o ICB, a Go Up e a G07 Assessoria funcionavam no mesmo endereço da Avenida Paulista, e peritos identificaram faturas emitidas em sequência numérica na mesma data e notas fiscais de R$ 2 milhões canceladas logo após a emissão. Conforme a BBC Brasil, a apuração aponta repasse de R$ 2 milhões de Frias a Karina. A polícia estima o custo do filme entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões.Linha do tempoA Polícia Civil pede desde maio, em ao menos quatro solicitações, acesso a relatórios de inteligência financeira do Coaf sobre Karina e o ICB. Em 28 de agosto, o juiz Nelson Augusto Bernardes negou o pedido; em 3 de setembro, a polícia enviou informações complementares. Na quinta-feira (10), cumpriram-se mandados de busca contra Frias e Karina, sem prisões. Neste domingo, ao derrubar o sigilo, Dino também autorizou o acesso aos dados do Coaf, segundo o G1. No STF tramita, separadamente, outra investigação sobre o financiamento do filme: a origem de recursos enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, após pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com a BBC Brasil.A defesa de Karina recebeu a decisão "com absoluto respeito" e a considerou "positiva". "Quem já apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação não teme transparência", disse o advogado Ricardo Sayeg em nota, acrescentando que "investigação não é acusação, muito menos, condenação". Frias, em vídeo publicado na quinta, chamou a operação de "cortina de fumaça" em período eleitoral, disse que a emenda investigada custeava projeto esportivo e de letramento digital para crianças e afirmou ter documentos e notas que comprovam a licitude da ação. Em maio, ele havia classificado como "absolutamente falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória" a tese de que teria destinado emendas ao filme.O próximo passo é a entrega do material bruto apreendido à Polícia Federal e o início da tramitação pública do inquérito unificado no STF, sob a relatoria de Dino. As reportagens consultadas não informam prazo para a transferência.

HBHenrique Barros
justice

Perícia de SP recusou 27 dispositivos do caso 'Dark Horse' por falhas na lacração

O Instituto de Criminalística de São Paulo recusou 27 dispositivos eletrônicos apreendidos pela Polícia Civil na investigação que apura o financiamento do filme "Dark Horse". Segundo a Folha de S.Paulo, que teve acesso aos termos de recusa, falhas na lacração dos pacotes permitiam retirar as peças ou acessar os dados dos aparelhos sem romper os selos de segurança. Os documentos listam 13 pendrives, nove notebooks e cinco celulares.As recusas ocorreram em duas etapas. Em 2 de junho, um dia depois das buscas, o instituto devolveu quatro guias de remessa porque os pacotes tinham aberturas grandes o bastante para permitir a retirada das peças. "As guias 278035, 277890, 278028 e 277899 apresentam vão suficiente para retirada da peça a ser periciada", registrou o primeiro termo. Entre os equipamentos recusados havia pendrives apreendidos em endereços da Make One e da Complexys/Fast Future, empresas subcontratadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) na execução do programa de internet.Em 3 de junho, a perita criminal Vivian Menezes recusou outros 13 lotes, com aberturas que permitiam conectar cabos a celulares e notebooks."As guias apresentam vão suficiente para a entrada de cabo de alimentação e transferência de dados, sendo possível a manipulação de dados no interior do equipamento."Os peritos anexaram imagens do que chamaram de "defeito formal no invólucro do plástico" e devolveram os aparelhos à delegacia para readequação do lacre, informa o InfoMoney. Depois da reembalagem, o processo passou de 17 para 18 guias, o que indica que ao menos um invólucro foi desmembrado. Uma única guia reunia dez pendrives.O casoOs equipamentos haviam sido recolhidos em buscas realizadas em 1º de junho em residências e empresas ligadas ao ICB, organização presidida por Karina Ferreira da Gama. Ela também dirige a Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O inquérito da Polícia Civil de São Paulo, batizado de Operação Wi-Fi, apura suspeitas de fraude e desvio em um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo ICB com a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter 5.000 pontos gratuitos de internet em comunidades de baixa renda. Uma das hipóteses é a de que parte do dinheiro público tenha sido direcionada a atividades privadas ligadas a Karina, entre elas a produção do filme.O material tornou-se público neste domingo (13), quando o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), levantou o sigilo da investigação e unificou sob sua relatura inquéritos estaduais e federais. Ao analisar os documentos, segundo o InfoMoney, Dino escreveu que se fortaleceu a hipótese de um "sofisticado esquema" de desvio de recursos públicos e que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) ocuparia, "no terreno hipotético da investigação", posição de liderança na suposta "arquitetura criminosa". Para a Polícia Federal, o movimento de recursos entre o parlamentar, o ICB e a empresa Complexsys configura um "circuito financeiro fechado".Frias nega irregularidades. Na quinta-feira (10), o deputado classificou a operação policial como "cortina de fumaça", declarou-se à disposição para colaborar com a entrega de documentos e afirmou confiar no arquivamento do processo. Nenhuma das pessoas citadas na apuração foi denunciada até agora. Os inquéritos unificados seguem em curso no STF, e o material colhido pela Polícia Civil paulista foi compartilhado com a Polícia Federal por determinação do ministro.

HBHenrique Barros
crime

"Máfia dos celulares": operação prende 15 e revela esquema de R$ 460 milhões em SP

Uma operação do Ministério Público de São Paulo e das polícias Civil e Militar prendeu 15 pessoas apontadas como integrantes da "máfia dos celulares", rede suspeita de furto, roubo, receptação e revenda de aparelhos no estado. Segundo as investigações, o grupo movimentou cerca de R$ 460 milhões ao longo de cinco anos. A ação, batizada de Operação Frankmobile, foi executada no dia 10 de setembro em São Paulo e Goiás, e seus resultados foram detalhados no domingo (13) pelo programa Fantástico, da TV Globo.Os números do mercado ilegal são grandes. O MP estima que mais de 830 mil celulares tenham sido roubados ou furtados no Brasil em um ano, o equivalente a um aparelho a cada 38 segundos, e que na cidade de São Paulo, a maior do país, apenas 6% dos dispositivos são recuperados. A investigação durou cerca de dois anos e mapeou uma cadeia dividida em ao menos quatro núcleos: roubo e furto (incluindo quebra de vidros de carros em congestionamentos, latrocínios e furtos em grandes eventos), desbloqueio e acesso a dados das vítimas, revenda e desmonte para venda de peças.Da Rua Guaianases à adulteração do IMEISegundo os investigadores, o aparelho retirado da vítima seguia rapidamente para pontos de receptação, onde começavam as tentativas de acesso a contas bancárias e aplicativos. Uma testemunha protegida, que participou dos crimes e colaborou com as apurações, afirmou que os celulares já tinham destino definido logo após o furto: a Rua Guaianases, no centro da capital paulista."A gente provou que, de fato, a rua Guaianases sempre foi esse entreposto fundamental para a primeira receptação desses aparelhos celulares. É onde eles já começam a fazer tentativas de transferências bancárias. E outros acessos a aplicativos e conteúdos que a vítima tem no aparelho celular", disse o promotor Luiz Fernando Bugiga.Depois da receptação, os aparelhos iam para núcleos especializados em adulterar o IMEI, o número de identificação único de cada celular. Segundo o Ministério Público, o esquema substituía o IMEI de aparelhos roubados por números de celulares inativos e se valia de falhas na integração de informações entre fabricantes, operadoras, lojas e órgãos públicos. Sites hospedados no exterior apoiavam o processo, notas fiscais fraudulentas davam aparência legal à revenda e um quarto núcleo desmontava os aparelhos para vender as peças separadamente.Prisões, cães farejadores e 60 toneladas de materialA megaoperação mobilizou 1.700 agentes e cumpriu 84 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária, todos cumpridos segundo a Polícia Civil. Flagrantes e prisões de procurados elevaram o total para 15 pessoas presas. A Justiça autorizou o sequestro e o bloqueio de bens e valores acima de R$ 5 milhões, e a Secretaria da Fazenda suspendeu as inscrições estaduais das 18 empresas alvo da ação. Para localizar aparelhos escondidos, a Polícia Penal usou cães farejadores treinados para detectar componentes químicos presentes nos celulares. Cerca de 10 mil itens, entre aparelhos, peças e acessórios, foram apreendidos; como eram muitos para contar um a um, os peritos estimaram o peso: cerca de 60 toneladas.Todos os presos são investigados, e nenhum foi condenado. As reportagens do Fantástico e de O Globo não registram manifestação das defesas. Os próximos passos citados pelas autoridades são a análise do material apreendido, para identificar vítimas e responsabilizar envolvidos, e o início dos procedimentos para cassar os registros das 18 empresas; nenhum prazo foi divulgado. Para dificultar novas fraudes, o governo paulista passou a exigir o IMEI na emissão de notas fiscais eletrônicas de celulares.

HBHenrique Barros
police

Cabo do Exército é apontado como fornecedor de armas e munições a facções na Bahia

Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia aponta um cabo do Exército como fornecedor de armamentos e munições de uso restrito a organizações criminosas que atuam em Salvador. Segundo reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, exibida no domingo (13), o cabo Deivison dos Santos Ferreira, lotado no 6º Batalhão de Polícia do Exército, teria negociado munições de fuzil, granadas e armas com integrantes de um grupo que revendia drogas e armamentos a facções na capital baiana. O militar é investigado e, segundo sua defesa, nega todas as acusações.As evidências descritas na reportagem vieram de celulares apreendidos em abril, em uma casa usada para armazenar e preparar drogas em Itapuã, bairro de Salvador. Um dos aparelhos pertencia a Gabriel Reis Oliveira, apontado pela polícia como responsável pela compra e revenda de armas e drogas para diferentes facções, e nele os investigadores localizaram conversas atribuídas ao militar. Embora tenha usado apenas um emoji para se identificar nos diálogos, o cabo teria fornecido CPF e chave Pix para receber pagamentos, informação que permitiu confirmar sua identidade.Como o caso chegou até aquiA investigação começou em março deste ano, conforme o G1 Bahia, e resultou em uma operação deflagrada nesta semana com cerca de 250 agentes. Segundo o Fantástico, a ação prendeu 33 pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa: 27 em Salvador e região metropolitana, duas no interior da Bahia, três em Sergipe e uma em São Paulo. A fase executada na quinta-feira (10), relatada pelo G1 Bahia, prendeu 23 pessoas em cidades como Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Simões Filho, Juazeiro e Senhor do Bonfim, além de municípios de São Paulo, Sergipe e Espírito Santo. Segundo a Polícia Civil, o grupo movimentou mais de R$ 4 milhões e dividia as atividades em núcleos de comando, finanças, armazenamento, logística e venda de drogas, com munições do calibre 5,56 transportadas por uma empresa de fachada.Para os investigadores, somente para esse grupo o cabo teria vendido cerca de mil munições de fuzil dos calibres 5,56 e 7,62. Há registros de negociações envolvendo granadas, mas a quantidade desviada ainda não foi identificada. A principal linha de investigação sustenta que munições e granadas teriam sido desviadas durante exercícios militares: o material que sobrava dos treinamentos, realizados inclusive em Paulo Afonso, no interior baiano, deveria retornar ao paiol da unidade, e os investigadores suspeitam que registros de estoque eram alterados para esconder as diferenças. O militar também oferecia pistolas e fuzis nas conversas, embora não haja confirmação de que esses armamentos tenham saído de estoques do Exército.Posição do Exército e da defesaEm nota ao Fantástico, o Comando da 6ª Região Militar informou que o cabo está preso preventivamente desde agosto, por determinação da Justiça Militar, em investigação relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos, e que permanecerá custodiado em unidade militar à disposição da Justiça. Um dos mandados da operação desta semana tinha o militar como alvo, mas ele já estava detido.A defesa do cabo afirmou, em nota, que ele nega todas as acusações e que "no momento oportuno, todos os fatos serão esclarecidos". Os advogados disseram ainda que trabalham para revogar as prisões.Os próximos passos estão com a Polícia Civil e o Ministério Público. Os investigadores buscam esclarecer a origem das armas e munições negociadas e identificar outros participantes do esquema, já que, em diferentes conversas, o cabo faz referência a outras pessoas envolvidas no fornecimento de granadas e munições. Para a Polícia Civil, ainda é prematuro afirmar que outros militares participavam da organização, mas a hipótese não foi descartada. Não foram divulgadas datas para novos atos da investigação.

HBHenrique Barros
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Mensagens da PF mostram 'A Turma' lamentando saída de Toffoli do caso Master

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que integrantes de "A Turma", grupo que, segundo os investigadores, era pago pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para intimidar pessoas e obter informações sigilosas, consideraram uma piora e lamentaram a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal). A apuração é da Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (13), com base em material da investigação da PF.Em uma conversa de WhatsApp interceptada em 27 de fevereiro, Bruno Correa Lopes, apontado pela PF como responsável pela compra de imóveis e pela intermediação de negócios da família Vorcaro, conversou com Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, também investigado na operação Compliance Zero. Manolo enviou o link de uma reportagem sobre supostos desvios de Daniel e Henrique Vorcaro, e a dupla passou a discutir a deterioração dos negócios da família com o avanço das investigações. O diálogo ocorreu duas semanas depois de Toffoli pedir para deixar o caso."Cobra aí, por favor, porque o que acontece... senão enfraquece, eu não posso cobrar dele, né? Depois que pega tudo, a gente não consegue ficar cobrando. Quero resolver isso hoje", disse Bruno, segundo a Folha.Linha do tempo do caso12 de fevereiro: Toffoli admite integrar o quadro societário da empresa Marindt, administrada por parentes, e pede para deixar a relatoria; os dez ministros assinam nota conjunta afastando suspeição.27 de fevereiro: a PF intercepta a conversa em que integrantes de "A Turma" tratam a saída de Toffoli como uma piora.28 de agosto: Vorcaro presta depoimento à PF e diz não se lembrar do destinatário de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes.Início de setembro: o ministro André Mendonça retira o sigilo de relatório da PF que apontou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes, e a crise se instala no STF.Por que Toffoli deixou o casoA saída ocorreu em 12 de fevereiro, mesmo dia em que o ministro reconheceu que integra o quadro societário da Marindt, empresa administrada por parentes e que integrou o grupo do resort Tayayá, no Paraná, investigado por suspeitas de irregularidades. Segundo reportagens de A Tarde e do UOL, o pedido veio após uma reunião dos dez ministros, que assinaram nota conjunta reconhecendo "a inexistência de suspeição ou de impedimento" e a plena validade dos atos praticados por Toffoli na relatoria. O caso foi enviado para livre redistribuição. Toffoli não é réu nem alvo de acusação penal no caso Master; as mensagens registram a leitura do grupo investigado sobre a mudança, e não qualquer conduta do ministro.Segundo relatório da PF citado pelo Times Brasil, "A Turma" tinha seis integrantes e recebia cerca de R$ 400 mil por mês. O líder do grupo, segundo os investigadores, seria o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Entre os membros estava Felipe Mourão, o Sicário (Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão), que se matou após ser detido pela PF, segundo a Folha. A corporação sustenta que o grupo era remunerado para obter informações, inclusive sigilosas, comprar servidores públicos, invadir sistemas oficiais e intimidar quem contrariasse interesses de Vorcaro.Vorcaro é investigado por suspeita de pagar propina a diretores do Banco Central e por suposto vazamento de investigações contra o banqueiro. Em depoimento à PF em 28 de agosto, ele disse não se lembrar do destinatário de mensagens que os investigadores atribuem a Moraes e afirmou que o "G" citado em uma nota provavelmente era o presidente do BC, Gabriel Galípolo. A defesa disse ao delegado que Vorcaro está disposto a colaborar, mas apenas em uma futura delação premiada.Próximos passosO plenário do STF pode decidir nesta terça-feira (15) se abre uma apuração contra Moraes a partir do relatório da PF com as 52 mensagens. Em 23 de setembro, a corte analisará o relatório de inteligência apresentado por Moraes, sem valor probatório segundo o G1, que questiona a atuação de Mendonça na condução das investigações do Master e do INSS.

HBHenrique Barros
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PGR defende fim do sigilo sobre rede de pagamentos de Vorcaro no caso Master

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (14), a retirada do sigilo de mais uma frente de investigação do caso Master: o processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília, e do banco extinto. A decisão sobre tornar o material público cabe ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.O parecer responde a um pedido do ministro Alexandre de Moraes, apresentado no domingo (13). Ele quer que o processo, identificado como Pet 15.645 e distribuído por prevenção ao ministro André Mendonça, seja aberto e disponibilizado a todos os ministros antes do julgamento desta terça-feira (15) sobre o relatório da Polícia Federal que aponta uma suposta relação entre ele e Vorcaro. Segundo a CNN Brasil, Moraes afirma que a petição contém "elementos essenciais" para o julgamento.A manifestação da PGR é assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho. Segundo ele, a Procuradoria não havia se manifestado antes sobre o tema porque não tinha ciência da existência do processo, que sequer aparecia visível à instituição no sistema do STF. A PGR diz ter defendido a abertura de todos os pedidos de retirada de sigilo já analisados no caso."Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser retirado o sigilo", escreveu o vice-procurador-geral.Como o caso chegou até aquiVorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A PF localizou 52 mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro entre 21 de dezembro de 2023 e a data dessa prisão. Um relatório da corporação, produzido por determinação de Mendonça, afirma que o ministro atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes. A PGR, porém, defende no STF o arquivamento do relatório, sob o argumento de que sua produção foi irregular: teria sido determinada sem comunicação prévia à Presidência do tribunal, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.A disputa por documentos ocupa a Corte há dias. Na sexta-feira (11), Mendonça retirou o sigilo de dezenas de procedimentos após cobranças da PGR e de ministros por maior acesso ao material das investigações. Moraes criticou o que classificou como divulgação "seletiva" e afirmou que arquivos digitais continuavam fora do conjunto liberado. Segundo o G1, o STF já tornou públicos 53 procedimentos relacionados ao caso Master, após pedido de Fachin.O que vem a seguirCabe agora a Fachin decidir se a Pet 15.645 será tornada pública. O próximo passo do caso está marcado para esta terça-feira (15), quando o plenário do STF julga o relatório da PF sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro, em sessão que deve definir se a Corte abre investigação contra o ministro. Nenhuma das pessoas citadas foi condenada, e Moraes ainda não é alvo de inquérito.

HBHenrique Barros
Politics

PGR concorda com Moraes e pede retirada de sigilo de pagamentos do Banco Master

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se nesta segunda-feira (14) a favor da retirada do sigilo de dados de pagamentos do Banco Master, detalhados em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A manifestação é do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, e atende a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), feito na véspera da sessão do plenário da Corte marcada para esta terça-feira (15). O documento foi enviado ao presidente do STF, Edson Fachin.Para a PGR, o sigilo deve ser retirado porque se trata de "documento tido como relevante para que ministro desse tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve". O órgão também registrou que os autos relativos ao caso não estavam visíveis à Procuradoria. A informação é da Folha de S.Paulo.O pedido original é de Moraes, em petição enviada a Fachin no domingo (13). O ministro pediu o levantamento do sigilo da PET 15645, distribuída por prevenção ao ministro André Mendonça, relator do caso Master, sob o argumento de que o inquérito reúne "elementos essenciais" para o julgamento da PET 16662, previsto para terça. "Solicito à Vossa Excelência que seja determinado o levantamento do sigilo da PET 15645 e a disponibilização dos autos a todos os integrantes do colegiado, antes do referido julgamento", escreveu o ministro, segundo o G1. Fachin acionou a PGR na mesma noite e pediu uma manifestação "com a brevidade".O caso e a sessão de terçaA disputa pelo sigilo é um capítulo da crise aberta no STF pelas investigações do caso Master. Segundo o G1, a Polícia Federal localizou 52 mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, entre 21 de dezembro de 2023 e 17 de novembro de 2025, data da primeira prisão do empresário. O relatório da PF, produzido por determinação de Mendonça, aponta uma suposta relação entre os dois e afirma que o ministro atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes. Não há investigação formal aberta contra o ministro: caberá ao plenário decidir se o material justifica esse passo.A PGR já se posicionou, no mesmo processo, pelo arquivamento do relatório da PF. Para o órgão, a elaboração foi determinada por Mendonça sem comunicação prévia à Presidência do tribunal, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento, o que configuraria um vício de origem. Já em março, segundo a Folha, a própria Polícia Federal havia pedido a Mendonça acesso a dados sigilosos do relatório de inteligência financeira, ainda não analisado pelo relator, para detalhar o sistema de pagamentos do Master e de fundos ligados ao banco.O próximo passo está marcado para terça-feira (15), quando o plenário julga a PET 16662. Se os ministros acatarem a tese do vício de origem, defendida pela PGR, o mérito das mensagens pode nem ser discutido. Se a rejeitarem, a Corte passará a decidir se as mensagens justificam a abertura de uma investigação contra Moraes.

HBHenrique Barros
stf

Ministros do STF discutem se Moraes e Mendonça votam na sessão de terça

O Supremo Tribunal Federal chega à sessão desta terça-feira (15) sem definição sobre o quórum que analisará o relatório da Polícia Federal que apontou 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo o G1, ministros discutem nos bastidores se Moraes e o colega André Mendonça devem participar do julgamento, que pode abrir uma apuração contra Moraes.A pauta da sessão é a regularidade do relatório da PF. O tribunal confirmou apenas que os trabalhos serão transmitidos pela TV Justiça e que o acesso ao plenário será restrito. Moraes indicou, em conversas internas, que ainda não decidiu se vai pedir para se manifestar e votar, segundo o G1. Neste domingo (13), o presidente da corte, Edson Fachin, submeteu à Procuradoria-Geral da República o pedido de Moraes de acesso a uma petição sigilosa ligada a pagamentos do Banco Master, sem decidir sobre o acesso, aponta o InfoMoney.Posições nos bastidoresUma ala do tribunal avalia que o ideal seria que Moraes não comparecesse ao plenário, para não representar pressão sobre os colegas. No campo oposto, ministros alinhados a Moraes discutem levantar questão de ordem para impedir a participação de Mendonça, com o argumento de que os questionamentos sobre a condução do relatório o impediriam de votar no caso. Em despacho no domingo, Mendonça afirmou que "todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os ministros" e que a inserção de elementos adicionais "somente contribuiria para tumultuar o julgamento".A Procuradoria-Geral da República defendeu a nulidade do relatório e argumentou que Mendonça direcionou a busca de dados contra Moraes pela PF e não consultou a Presidência do tribunal sobre as medidas contra colegas. Se os ministros não decidirem o afastamento por iniciativa própria, uma das possibilidades é que a questão vá ao plenário.Como o caso chegou até aquiVorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi preso em novembro de 2025 e é investigado por suspeita de fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões, segundo a BBC News Brasil. Em 1º de setembro, Mendonça levantou o sigilo de relatório da PF com indícios de que Vorcaro teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes. Dois dias depois, Moraes retirou o sigilo de relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça. Na quarta-feira (9), Fachin tirou o caso de Mendonça, assumiu a relatoria e marcou a sessão de terça. Ele conversou com Mendonça no sábado (12) e afirmou que, a depender do resultado da sessão, poderia ser aplicado trecho do Código de Processo Civil sobre o impedimento do relator; a medida foi elogiada por ministros alinhados a Moraes.Nos bastidores, segundo o G1, também se discute a participação de outros ministros citados no caso Master, como Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além de Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso após a PF apontar relação entre uma empresa de sua família e Vorcaro. Os três negam qualquer irregularidade, e a tendência é que o plenário aceite a participação de Fux e de Nunes Marques. Não se descarta um pedido de vista ou o adiamento da sessão. O próximo passo é a abertura da sessão plenária desta terça-feira (15), quando questões preliminares, entre elas o quórum, devem ser debatidas antes do mérito do relatório.

HBHenrique Barros
Politics

Gilmar Mendes ordena à PF envio do conteúdo do celular de Vorcaro ao seu gabinete

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) que a Polícia Federal envie ao seu gabinete o conteúdo integral extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A ordem segue a decisão do ministro Cristiano Zanin, que deu à corporação prazo até as 23h deste domingo para entregar cópia do aparelho. Na decisão, Gilmar afirma que "não se cogita qualquer levantamento indevido dos dados", segundo o O Globo. O embate ocorre a dois dias da sessão em que o plenário decidirá se abre investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes.O aparelho é um iPhone 17 Pro apreendido em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras do Banco Master estimadas em R$ 12,2 bilhões. Vorcaro é investigado e não foi condenado. Um relatório da PF apontou 52 mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e Moraes; segundo os investigadores, Vorcaro pedia ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. Parte das respostas atribuídas a Moraes teria sido enviada por mecanismos de visualização única ou apagada, o que impediu a recuperação integral das conversas, segundo o InfoMoney. Em depoimento no dia 28 de agosto, Vorcaro disse não se lembrar do destinatário das mensagens que a PF lhe atribui, e a defesa afirmou que ele está disposto a colaborar em uma futura delação.O que cada lado sustentaO relator da Compliance Zero, ministro André Mendonça, é contrário à abertura integral do conteúdo neste momento. Ele sustenta que o compartilhamento "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e colocaria "em risco todo o seguimento e êxito das investigações", e diz que todos os ministros já contam com o material necessário. Mendonça citou o presidente da Corte, Edson Fachin, segundo o qual "a gravidade dos fatos não autoriza atalhos", e acrescentou que também não se toleram "subterfúgios ou desvios de rotas".Zanin rebateu o relator: "não existe hierarquia entre os ministros do STF", escreveu, sustentando que as provas pertencem ao plenário, e não a um ministro específico, e que "não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações". Lembrou que a própria defesa de Vorcaro já teve acesso à íntegra e afirmou precisar do material completo para formar convicção e julgar o caso na terça (15). Moraes endossou o pedido e escreveu que "não cabe ao ministro relator escolher" os documentos acessíveis ao colegiado. Gilmar apontou que a retenção dos dados apenas no gabinete de Mendonça compromete o equilíbrio interno e a paridade da Corte, e garantiu que o material ficará sob "regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete". A Procuradoria-Geral da República também pediu que todos os ministros acessem a íntegra e defende a nulidade do relatório da PF, por entender que a apuração foi conduzida de forma irregular, segundo o InfoMoney.A PF informou a Fachin que o aparelho e a extração original nunca saíram da instituição, mantidos com lacres íntegros e cadeia de custódia documentada, e que tem "plenas condições técnicas" de produzir e enviar cópia idêntica aos gabinetes que solicitarem. A corporação esclareceu que o arquivo remetido em março ao gabinete de Mendonça era cópia dos dados extraídos, enviada a pedido formal do gabinete, e não o material original. O ministro, por sua vez, informa possuir apenas uma cópia de segurança criptografada e lacrada, que diz nunca ter manuseado.Como o caso chegou até aqui18 de novembro de 2025: Vorcaro é preso na primeira fase da Compliance Zero; o iPhone é apreendido.Março de 2026: cópia dos dados extraídos é enviada ao gabinete de Mendonça, relator das investigações.1º de setembro: Mendonça levanta o sigilo do relatório da PF com as mensagens entre Vorcaro e Moraes (petição 16.662).3 de setembro: Moraes retira o sigilo de relatórios de inteligência da PF sobre a atuação de Mendonça.9 e 10 de setembro: Fachin tira de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News, marca a sessão de 15 de setembro e determina o fim do sigilo dos registros do caso Master.12 de setembro: Gilmar pede a Fachin acesso à íntegra; o presidente dá 24 horas para a PF explicar a guarda do aparelho.13 de setembro: a PF diz estar pronta para enviar cópias, e Zanin e Gilmar expedem suas determinações à corporação.O próximo passo é a sessão do plenário desta terça-feira (15), quando os ministros devem analisar o relatório sobre as mensagens e decidir se há elementos para abrir investigação contra Moraes. O pedido de Moraes para que o plenário também delibere sobre uma investigação de Mendonça está pautado para 23 de setembro, segundo o G1. O professor Emílio Peluso, de direito constitucional da Universidade Federal de Minas Gerais, avaliou à BBC News Brasil que o julgamento pode ser ampliado para discutir outras frentes da disputa entre os ministros.

HBHenrique Barros
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Zanin ordena acesso à íntegra do celular de Vorcaro e nega hierarquia no STF

O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou neste domingo (13) que a Polícia Federal entregue ao seu gabinete, até as 23h, uma cópia integral do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no inquérito do Banco Master. No despacho, dirigido ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, Zanin afirmou que "não existe hierarquia entre os ministros do Supremo Tribunal Federal". A frase responde ao colega André Mendonça, que horas antes havia se manifestado contra a liberação do material.O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido em 18 de novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. Segundo a PF, os dados extraídos estão entre os materiais que embasam as investigações sobre o banco e incluem registros relacionados ao ministro Alexandre de Moraes. A decisão de Zanin chega dois dias antes da sessão de terça-feira (15), em que o plenário do STF deve analisar o relatório da polícia sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. Segundo a InfoMoney, a sessão pode definir se há elementos para abrir investigação formal contra o ministro.O embate entre os ministrosZanin sustentou que precisa da íntegra do aparelho para formar sua convicção no julgamento de terça, "independentemente de outras implicações que o material possa indicar". Para ele, os elementos de prova "pertencem ao plenário do Supremo Tribunal Federal e aos seus integrantes e não a um integrante específico", e a sessão do dia 15 ainda não tem objeto definido, podendo demandar análise de material extraído do celular do investigado."Não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações, até porque todos eles estão submetidos ao dever de sigilo e de bem desempenhar suas funções, com imparcialidade e independência."Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, enviou ofício neste domingo contra a abertura do conteúdo completo neste momento. Para ele, o compartilhamento "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" de terça e colocaria "em risco todo o seguimento e êxito das investigações" sobre suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master. O ministro alegou que todos os colegas já contam com o mesmo material necessário ao julgamento. Ao se posicionar, citou manifestação do presidente da corte, Edson Fachin, segundo a qual "a gravidade dos fatos não autoriza atalhos", e acrescentou: "Também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça".Na manhã de domingo, a PF comunicou a Fachin que tem "plenas condições técnicas" de fornecer cópias dos dados, com preservação da cadeia de custódia. Zanin destacou que o material já foi disponibilizado aos advogados de Vorcaro e frisou que a entrega ao seu gabinete ocorre "sem prejuízo de outros gabinetes que possam encaminhar idêntica requisição". Além de Zanin, Moraes e Gilmar Mendes manifestaram interesse na íntegra, e a Procuradoria-Geral da República também pediu o conteúdo completo, para avaliar o contexto das mensagens.O caso até aquiA crise no tribunal tem como pano de fundo as investigações sobre o Master, banco de propriedade de Vorcaro. O celular em disputa foi apreendido em novembro de 2025. Desde então, a PF produziu relatório com mensagens em que Vorcaro procurou Moraes enquanto as apurações avançavam; parte das respostas atribuídas ao ministro foi enviada por mecanismos de visualização única ou apagada, o que impediu a recuperação integral das conversas, segundo a InfoMoney. Na sexta-feira (11), Fachin decidiu manter na pauta da sessão de terça apenas o julgamento sobre o caso do relatório de investigação e assumiu a relatoria da matéria. O próximo passo é o plenário do STF se reunir na terça-feira (15).

HBHenrique Barros
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Polícia prende Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da obra que desabou na Penha

A Polícia Civil prendeu neste domingo (13) Ronaldo Vivacqua, apontado pela investigação como sócio oculto de uma das empresas responsáveis pela obra do prédio em construção que desabou sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo, e matou seis pessoas na madrugada de sábado (12). Segundo o G1, a Justiça decretou a prisão temporária de três investigados ligados à construção. Além de Ronaldo, são alvos o filho dele, Cristiano Vivacqua, apontado como autor do projeto e engenheiro responsável pela execução da obra, e Isis Brandão, que aparece formalmente como proprietária da empresa. Cristiano e Isis são considerados foragidos. Nenhum dos três foi condenado; todos figuram no inquérito como investigados.Segundo a Polícia Civil, o nome de Ronaldo não consta dos documentos das duas empresas apontadas como responsáveis pela obra, mas depoimentos de testemunhas e documentos antigos indicam que ele administrava a companhia e participava efetivamente da construção. "Nós descobrimos que ele, na realidade, é um sócio oculto", afirmou a delegada Safira Borges Moreira Parente. Ronaldo negou, em oitiva preliminar, ter envolvimento com a construtora responsável pela obra. O pedido de prisão temporária foi fundamentado no fato de os investigados não terem se apresentado às autoridades desde o início das apurações. O delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira, disse que policiais tentaram localizar o proprietário da empresa e o engenheiro responsável logo após o desabamento, sem sucesso, e que equipes também foram aos endereços registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). Para a delegada Safira, os investigadores identificaram indícios de uma "tentativa de ocultação".A defesa contesta o apontamento. O advogado das empresas ligadas à obra afirmou que Ronaldo não exercia função de direção na construtora e negou que ele fosse sócio oculto; segundo a defesa, ele apenas acompanhava o filho, responsável técnico pela obra. A defesa considera "prematura" a decretação das prisões temporárias e informou que pretende pedir a revogação da prisão de Ronaldo. A New Home Construtora, apontada como responsável pela obra, já informou que abriu uma apuração interna sobre o desabamento.Linha do tempo das irregularidadesO terreno acumulava medidas da Prefeitura antes do acidente. Em 2019, a obra foi autuada e interditada por falta de alvará, um alvará pedido pela construtora foi negado pelo município e houve multa de R$ 119 mil, segundo a CNN Brasil. Em 2021, a Prefeitura entrou na Justiça pedindo a demolição da estrutura irregular erguida no local. A autorização para a nova edificação foi concedida sob a condição de derrubar a estrutura anterior, que tinha cerca de cinco ou seis andares. Uma vistoria de fevereiro de 2024, assinada por uma servidora da Subprefeitura da Penha, registrou a demolição como cumprida, e o processo judicial foi extinto. Depois do desabamento, apurações preliminares da Controladoria Geral do Município (CGM) indicam que a demolição exigida não teria sido realizada, e a servidora responsável pelo laudo foi afastada inicialmente por 30 dias. "Se aquele documento for falso, essa pessoa também vai responder, civil e criminalmente, pelo ato que fez", declarou o prefeito Ricardo Nunes (MDB), segundo o Metrópoles. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a obra estava embargada e que houve incompatibilidade entre a execução e o que havia sido autorizado.O desabamento e a investigaçãoO prédio de 12 andares em construção desabou por volta das 2h de sábado sobre uma casa na Rua Tequici; imagens de câmera de segurança registram a queda às 1h58, segundo o Metrópoles. Oito pessoas que estavam no imóvel foram atingidas. Duas foram resgatadas com vida, um homem e uma criança, e seis morreram: três mulheres, uma delas grávida, dois homens e uma menina de 7 anos. O corpo da menina, última vítima que permanecia desaparecida, foi encontrado na tarde deste domingo, e os bombeiros encerraram o trabalho emergencial de buscas, segundo o G1.A Polícia Civil apura se os responsáveis tinham conhecimento de problemas de estabilidade antes do desabamento. Vizinhos procuraram espontaneamente os investigadores e relataram rachaduras na casa atingida. Um homem que tinha familiares na residência contou que tentou entrar em contato com a pessoa de quem o imóvel havia sido alugado para relatar as rachaduras, mas não conseguiu resolver o problema. A linha de investigação, segundo a delegada Safira, é esta:Começamos a investigar a possibilidade de ele ter sido não totalmente um fato imprevisível, e sim algo que os responsáveis poderiam ter tido conhecimento, da instabilidade daquela edificação.A polícia ressalta que ainda não determinou a causa do desabamento; a conclusão depende, entre outras provas, do laudo pericial de engenharia da Polícia Científica. Ronaldo foi levado ao 24º DP (Ponte Rasa), onde prestará depoimento, segundo o governo do estado informou à CNN Brasil. A participação de cada um dos três investigados ainda será individualizada durante o inquérito, e a defesa pretende pedir a revogação da prisão temporária de Ronaldo.

HBHenrique Barros
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Polícia prende sócio da construtora do prédio que desabou na Penha; mortes chegam a seis

A Polícia Civil de São Paulo prendeu neste domingo (13) Ronaldo Vivacqua, apontado pela investigação como sócio oculto de uma das empresas responsáveis pela obra do prédio que desabou sobre uma casa na Penha, zona leste da capital, na madrugada de sábado (12). Segundo o G1, a Justiça decretou a prisão temporária de três investigados ligados à construção. Levado ao 24º Distrito Policial (Ponte Rasa), Ronaldo deve prestar depoimento.Com a localização do corpo de uma menina de 7 anos, última vítima que permanecia desaparecida, o número de mortos subiu para seis neste domingo. Os outros dois mandados são contra Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e apontado pela polícia como autor do projeto e engenheiro responsável pela execução da obra, e contra Isis Brandão, que figura formalmente como proprietária da empresa; segundo a Polícia Civil, ambos são considerados foragidos. Segundo a Folha de S.Paulo, os crimes pelos quais os investigados devem responder ainda não foram confirmados. Nenhum deles foi condenado: as prisões são temporárias e todos são tratados como investigados.Linha do tempoA edificação em construção, de 11 pavimentos segundo a Folha (a CNN Brasil fala em 12 andares), ruiu por volta das 2h de sábado na rua Tequici. Os escombros atingiram uma casa vizinha, que abrigava nove pessoas, todas bolivianas, e funcionava também como oficina de costura na qual a família trabalhava. Oito estavam no imóvel no momento do desabamento; duas foram resgatadas com vida. As seis vítimas mortas são três mulheres, uma delas grávida, dois homens e a menina de 7 anos. Segundo a Folha, eram bolivianas e viviam há nove anos no Brasil. Com a recuperação do corpo, o Corpo de Bombeiros encerrou o trabalho emergencial de buscas, e a remoção dos escombros passou a ser feita pela Prefeitura.O terreno acumulava irregularidades antes do desabamento. Segundo a CNN Brasil, a construtora teve um alvará negado pela Prefeitura em 2019 e, em 2021, uma ação judicial pediu a demolição de construção irregular no local; fiscalizações da Subprefeitura da Penha interditaram a obra e aplicaram multas, uma delas de R$ 119 mil. A Polícia Civil afirma que o alvará para a nova edificação foi condicionado à demolição da estrutura anterior, de cinco ou seis andares, e que a condição não foi cumprida. Uma vistoria de fevereiro de 2024 registrou que a demolição havia sido feita, o que levou à extinção do processo judicial. Após o acidente, a Prefeitura abriu apuração na Controladoria Geral do Município; pelas conclusões preliminares, a demolição não teria ocorrido, e a servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias. O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a obra estava embargada e que houve incompatibilidade entre a execução e o que havia sido autorizado. A Defesa Civil disse não ser possível afirmar relação com as chuvas que atingiram a cidade na mesma madrugada.O que dizem polícia e defesaSegundo a polícia, o pedido de prisão temporária foi fundamentado no fato de os investigados não terem se apresentado às autoridades desde o início das apurações. O delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira, disse que policiais tentaram localizar o proprietário da empresa e o engenheiro responsável logo após o desabamento, sem sucesso. Equipes foram aos endereços das empresas encontrados nos registros da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) e identificaram, na avaliação da delegada Safira Borges Moreira Parente, indícios de uma "tentativa de ocultação". "Nós descobrimos que ele, na realidade, é um sócio oculto", disse a delegada sobre Ronaldo, que não aparece formalmente nos documentos das empresas. A corporação informou que Ronaldo negou, em oitiva preliminar, ter envolvimento com a construtora responsável pela obra."Começamos a investigar a possibilidade de ele ter sido não totalmente um fato imprevisível, e sim algo que os responsáveis poderiam ter tido conhecimento, da instabilidade daquela edificação", afirmou a delegada Safira, segundo o G1.Vizinhos relataram à polícia que a casa atingida já apresentava rachaduras antes do acidente, e um homem que tinha familiares no imóvel disse ter tentado, sem sucesso, contatar a pessoa de quem o aluguel foi feito para tratar do problema. A causa do desabamento não foi determinada e dependerá, entre outras provas, do laudo pericial de engenharia da Polícia Científica.A defesa contesta a tese da polícia. O advogado das empresas ligadas à obra afirmou que Ronaldo Vivacqua não exercia função de direção na construtora e negou que fosse sócio oculto: ele apenas acompanhava o filho, responsável técnico pela obra. As prisões foram consideradas "prematuras", e o pedido de revogação da prisão de Ronaldo será apresentado. Em nota anterior, a New Home Construtora, que responde pela obra, disse que "não há elementos que permitam afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de conduta da construtora" e, segundo o G1, abriu apuração interna. Procurada pela Folha, a empresa disse, por meio do advogado, que não deve se pronunciar no momento.Os próximos passos: Ronaldo Vivacqua presta depoimento no 24º DP, e a defesa deve pedir a revogação da prisão temporária. Os mandados contra Cristiano Vivacqua e Isis Brandão seguem para cumprimento. O inquérito vai individualizar a participação de cada investigado, e a conclusão sobre as causas depende do laudo pericial de engenharia, ainda sem prazo divulgado.

HBHenrique Barros
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Dino levanta sigilo do 'Dark Horse', unifica inquéritos e cita possível elo com PCC

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino levantou neste domingo (13) o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo sobre o caso Dark Horse e unificou sob sua relatoria os inquéritos que apuram um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares federais, contratos ligados à Prefeitura de São Paulo e pessoas vinculadas ao deputado federal Mário Frias (PL-SP). Na decisão, o ministro afirma haver indícios de conexão entre as apurações, menciona a hipótese investigativa de uma organização criminosa voltada à captação, circulação e ocultação de recursos públicos e registra uma linha de investigação sobre possíveis vínculos do grupo com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital).O material liberado veio da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens do Foro Central Criminal Barra Funda, na capital paulista. Segundo a Folha de S.Paulo, Dino determinou que a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo entregue à Polícia Federal todo o material bruto extraído dos celulares das pessoas físicas e jurídicas investigadas, além de computadores e documentos, que passarão à custódia da PF com todas as cautelas legais.Circuito financeiro fechadoSegundo o despacho, a empresa de tecnologia Complexsys Soluções Integradas, contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama e beneficiária de recursos de emendas parlamentares, recebeu transferências do deputado Mário Frias e também repassou valores de volta ao próprio instituto. A empresa ainda enviou recursos à Academia Nacional de Cultura (ANC), organização sem fins lucrativos também presidida por Karina Gama. Para a Polícia Federal, citada na decisão, a circulação sugere a atuação coordenada de um mesmo núcleo."Essa circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária não se compatibiliza com relações negociais independentes e economicamente justificadas. Ao contrário, evidencia um circuito financeiro fechado, característico de estruturas destinadas à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo de atuação", escreveu Dino.A decisão também reproduz a representação da PF sobre uma possível "confusão patrimonial" entre o ICB, empresas contratadas pela entidade e pessoas ligadas ao grupo, com vínculos societários cruzados, faturamento declarado incompatível com os valores movimentados e devoluções sucessivas de recursos sem justificativa econômica aparente. Os investigadores apontam ainda que Frias transferiu à Go Up Entertainment, empresa ligada a Karina Gama, valores incompatíveis com sua renda declarada, o que, na avaliação da PF, afasta a hipótese de que o deputado tenha atuado apenas como autor de emendas depois desviadas por terceiros e o coloca como possível participante ativo da engrenagem financeira. Os fatos seguem sob investigação.Como o caso chegou até aquiO filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, virou alvo de apurações após o site The Intercept revelar, em maio, áudios gravados em novembro do ano passado em que o senador e candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para finalizar a obra. O senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida e afirmou que os recursos repassados eram integralmente privados. O repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro à produção é apurado em processo à parte, sob a relatoria do ministro André Mendonça, que cuida do caso Master no STF; a frente das emendas parlamentares ficou com Dino. Na quinta-feira (10), a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, na chamada Operação Make Up, que teve Frias e Karina Gama entre os alvos; segundo a Folha, 29 pessoas foram atingidas. As apurações apontam desvios da ordem de centenas de milhões de reais, com irregularidades registradas até julho deste ano, em crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.Em vídeo publicado nas redes sociais, sua primeira manifestação após a operação, Frias classificou a ação como "cortina de fumaça": negou irregularidades, disse que vai colaborar com as investigações e entregar todos os documentos necessários e afirmou acreditar no arquivamento do caso. A defesa de Flávio Bolsonaro, por sua vez, pediu ao menos quatro vezes ao STF que o caso ficasse concentrado nas mãos de Mendonça, sem sucesso. Karina Gama não havia respondido a pedidos de entrevista da Agência Brasil. Nenhuma denúncia foi oferecida até agora e todos os citados são apenas investigados. O próximo passo definido na decisão é a transferência do material da polícia civil paulista à custódia da Polícia Federal; a partir daí, os inquéritos seguem tramitando sob a relatoria de Dino, ainda sem data anunciada para conclusão.

HBHenrique Barros
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STF autoriza bloqueio de R$ 1,7 bilhão em bens de bancos ligados a Vorcaro no exterior

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou em 24 de julho o bloqueio, no exterior, de bens e ativos de bancos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Segundo reportagem do G1 publicada neste sábado (12), 11 itens listados somam mais de R$ 1,7 bilhão, e outros sete ainda não tiveram valores informados. Os documentos só se tornaram públicos agora, depois de o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, determinar que Mendonça retirasse o sigilo das investigações ligadas ao banco.A listagem foi encaminhada ao STF pelo escritório que representa a EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do Banco Master, do Banco Master de Investimento e do Banco Master Múltiplo. Os valores são estimativas desse escritório, e o material não inclui imagens dos itens. Os bens a recuperar nos Estados Unidos incluem:valor referente à venda de uma aeronave: R$ 280 milhões;apartamento duplex em Miami: R$ 130 milhões;residência de veraneio e residência para visitas em Miami: R$ 500 milhões;residência e fazenda de luxo no Colorado: R$ 500 milhões;residência de luxo em Miami: R$ 150 milhões;iate atracado na Flórida: R$ 80 milhões;barco modelo Cigarette 52 Thunder, na Flórida: R$ 2 milhões;quadro "Mousquetaire", de Pablo Picasso: R$ 40 milhões;quadro "Untitled (Everybody's 2 Cents)", de Jean-Michel Basquiat: R$ 27,5 milhões;quadro "Untitled", de Jean-Michel Basquiat: R$ 25 milhões;barco Benetti modelo Oasis 40, que está no Brasil: R$ 154,2 milhões.Linha do tempoOs bancos ligados a Vorcaro estão em liquidação extrajudicial conduzida pelo Banco Central, com a EFB como liquidante, e o caso penal corre no STF, que apura fraudes ligadas ao Master e ao INSS. Em 19 de junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o chamado sequestro dos ativos, medida cautelar do processo penal que reserva bens para garantir eventual reparação de dano e não equivale a condenação. Mendonça atendeu ao pedido em 24 de julho. Investigadores ainda tentam localizar mais itens no exterior, e justiças dos Estados Unidos, das Bahamas e das Ilhas Cayman reconheceram a liquidação judicial do Master pelo Banco Central e a condição da EFB como liquidante.Os argumentosAo pedir a medida, Gonet afirmou que "o avanço das investigações revelou que as operações ilícitas do Banco Master S.A foram muito mais vastas e que o prejuízo causado pelas infrações atingiu cifras bilionárias". Para ele, "o sequestro de todos os ativos acessados pelas liquidações extrajudiciais, nesse contexto, é a única medida capaz de garantir a correta destinação do patrimônio em sua ordem legal e o valor de mercado dos bens arrecadados". Na decisão, Mendonça negou que a medida interfira na gestão das massas liquidandas e escreveu:A finalidade imediata da decisão é impedir a dispersão ou destinação prematura dos ativos já acessados ou futuramente identificados nas liquidações extrajudiciais. (...) O objetivo é estabelecer controle judicial penal sobre a destinação final de bens e valores potencialmente relevantes à recomposição dos danos.A divulgação dos papéis ocorre em meio ao embate interno no STF em torno do caso Master. Neste sábado, Fachin assumiu a relatoria da discussão sobre a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro e remeteu à Presidência da Corte os processos das investigações sobre o Master e o INSS, que ficam paralisados até nova decisão dele. Na terça-feira (15), o plenário discute o relatório da Polícia Federal que apontou a suposta relação entre Moraes e o ex-banqueiro; a PGR pediu a nulidade do material e sustentou que Mendonça não poderia ter pedido a apuração sobre um colega sem autorização do plenário.

HBHenrique Barros
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PF detalha 'fábrica de documentos' no Master para validar créditos vendidos ao BRB

A Polícia Federal encontrou, em um HD corporativo entregue pelo liquidante do Banco Master, uma apresentação de PowerPoint que descreve passo a passo uma "fábrica de documentos" montada por funcionários da instituição para dar aparência de legitimidade a R$ 7,155 bilhões em créditos vendidos ao Banco de Brasília (BRB). O achado consta da Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A nº 1390980/2026), concluída em 23 de março, e foi detalhado pelo g1 neste sábado (12), depois da queda de sigilo de documentos do caso Master.Segundo o relatório, o arquivo "Revisão - processos e documentos.pptx" estava armazenado no SharePoint do banco, tinha 26,7 MB e 30 slides, um deles oculto. Os registros técnicos indicam que foi criado em 23 de outubro de 2025, às 12h09, e modificado pela última vez no dia seguinte, às 17h45. A apresentação descrevia um fluxo que começava com a extração de dados reais de clientes e contratos do CredCesta, programa de crédito consignado do Master, passava pelo processamento dessas informações em softwares desenvolvidos especificamente para a tarefa e terminava no que a PF classifica como "geração industrial de documentos financeiros".Entre os papéis estavam Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), documentos usados para formalizar dívidas, além de Termos de Consentimento e Procurações, estas últimas geradas por mala direta. A apresentação também registra alterações em documentos: retirada de datas de Termos de Consentimento, extração de páginas específicas e separação das páginas de assinatura. Funcionários solicitavam ainda comprovantes de transferências financeiras sem informações que permitissem rastrear as operações. Para a PF, o conjunto dessas atividades envolvia áreas diferentes do banco em uma "operação coordenada".Como os papéis chegaram ao BRBOs documentos serviam para sustentar a cessão de créditos simulada com a Tirreno Consultoria, empresa criada em outubro de 2024 com R$ 100 de capital social, sem funcionários e sem capacidade operacional, segundo a perícia. Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, Master e Tirreno assinaram 28 instrumentos de cessão de crédito consignado, com mais de 1 milhão de contratos lançados nos sistemas do banco. Não houve liquidação financeira real: a conta corrente da Tirreno, aberta depois, permaneceu inativa, e os valores ficaram restritos a lançamentos escriturais internos em uma conta gerencial reservada do próprio Master. Os papéis foram então repassados ao BRB, que aceitou os créditos mesmo diante das irregularidades, segundo o g1.O caso até aquiO Master, controlado por Daniel Vorcaro, investigado no caso, e hoje em liquidação, é alvo da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase ocorreu em novembro de 2025. Como não conseguiu copiar todo o acervo nas buscas, a PF pediu os equipamentos ao liquidante, que entregou o HD em 27 de novembro de 2025. Veja os principais fatos apurados:1º de outubro de 2024: é criada a SX 016, depois renomeada Tirreno, com R$ 100 de capital social.24 de dezembro de 2024 a 14 de maio de 2025: Master e Tirreno assinam 28 contratos de cessão somando R$ 7,155 bilhões.23 de junho de 2025: André Seixas Maia, que assinou os contratos pela Tirreno, envia ao BRB link com 1.785 kits documentais.23 e 24 de outubro de 2025: a apresentação sobre a produção de documentos é criada e alterada no SharePoint do Master.27 de novembro de 2025: o liquidante entrega o HD à PF, que localiza o arquivo.23 de março de 2026: a PF conclui a IPJ-A nº 1390980/2026.As conclusões têm natureza investigativa e não equivalem a condenação; todas as pessoas citadas gozam de presunção de inocência. A reportagem do g1 não traz manifestação do Banco Master, do BRB ou das defesas sobre o conteúdo da apresentação. O Valor Econômico também noticiou o relatório neste sábado. O caso Master tramita no Supremo Tribunal Federal e alimenta a crise entre ministros do tribunal. O próximo passo é a sessão de terça-feira (15), mantida pelo presidente, Fachin, apenas para o caso do ministro Alexandre de Moraes; em 23 de setembro, o STF se reúne para apreciar pedido do ministro André Mendonça, relator do caso Master, segundo o g1.

HBHenrique Barros
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PF: empresa de R$ 100 simulou R$ 7,15 bilhões em consignados do Banco Master

Uma empresa criada com R$ 100 de capital social, sem funcionários e sem movimentação bancária efetiva, foi usada pelo Banco Master, do fundador Daniel Vorcaro, para simular a origem de R$ 7,155 bilhões em empréstimos consignados. A conclusão é da perícia da Polícia Federal, em relatório detalhado pelo G1 neste sábado (12) e pelo Poder360 na sexta-feira (11). Segundo a PF, o dinheiro das cessões nunca chegou à empresa: os valores eram registrados internamente pelo próprio banco, que lançou no seu sistema mais de 1 milhão de contratos atribuídos à companhia.A empresa nasceu em 1º de outubro de 2024 como SX 016 Empreendimentos e Participações S.A., com R$ 100 de capital, dos quais apenas R$ 10 foram integralizados, R$ 5 de cada sócio fundador, Daniel Moreira Bezerra e Katia Caroline Cunha Silva. Em dezembro de 2024, mudou de nome para Tirreno Consultoria Promotora de Crédito e Participações S.A., passou a ter como atividade formal a promoção de crédito e teve o capital declarado elevado para R$ 30 milhões, a serem integralizados em até 12 meses por Henrique S. S. Peretto. A perícia afirma não ter encontrado evidência ou documento de que os R$ 30 milhões tenham sido pagos.Entre 24 de dezembro de 2024 e 14 de maio de 2025, Master e Tirreno assinaram 28 contratos de cessão de crédito somando R$ 7,155 bilhões. Vinte e cinco deles, cerca de R$ 5,96 bilhões, foram firmados antes de as alterações de nome, atividade e administração serem registradas na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), o que ocorreu em 15 de abril de 2025. André Felipe de Oliveira Seixas Maia assinou os 28 contratos em nome da empresa, embora só tenha passado a constar formalmente como diretor depois. As firmas de um lote de 26 contratos, de R$ 6,34 bilhão, foram reconhecidas em cartório de uma só vez, em 13 e 14 de maio de 2025. A PF classificou o achado como formalização cartorária tardia e pediu validação da cadeia documental.A investigação identificou padrões incomuns nos contratos, empregadores com inconsistências cadastrais e produção de documentos em escala dentro da própria estrutura do Master. Em 22 de maio de 2025, quando o banco pediu dados cadastrais da Tirreno, faturamento, patrimônio líquido, clientes e fornecedores vieram zerados ou em branco. A primeira conta corrente da empresa só foi aberta em 23 de maio, no próprio Master, e permaneceu sem saldo e sem movimentação, segundo a PF.Repasse ao BRB e "fábrica de documentos"Os créditos foram depois revendidos ao Banco de Brasília (BRB), que comprou as carteiras sem checagem adequada no início e só mais tarde passou a exigir documentos, segundo a corporação. Em 23 de junho de 2025, Seixas Maia enviou ao BRB um link de armazenamento com 1.785 kits documentais sobre as cobranças. Em 4 de julho, o comitê de prevenção à lavagem de dinheiro do Master decidiu dar baixa nos alertas de irregularidade e não comunicar o Coaf, o órgão que recebe suspeitas de operações financeiras. Em outubro de 2025, os créditos atribuídos à Tirreno representavam 64% de todos os recebíveis de consignados administrados pelo Master no sistema Função 13.Segundo o G1, a PF também descreveu uma "fábrica de documentos" montada por funcionários do banco. Uma apresentação em PowerPoint encontrada em um HD corporativo, entregue pelo liquidante do Master em 27 de novembro de 2025, detalha a extração de dados reais de clientes do programa CredCesta, o processamento em softwares dedicados e a geração industrial de Cédulas de Crédito Bancário, termos de consentimento e procurações, com retirada de datas e de páginas de assinatura. As constatações integram a Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 1390980/2026, concluída em 23 de março de 2026.O que dizem as partesA PF classificou a operação como "completamente atípica". Segundo o Poder360, o presidente do BRB disse em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Tirreno nunca recebeu os recursos, versão que, de acordo com a corporação, é corroborada por Vorcaro, investigado no caso. Vorcaro teria admitido que a operação com a Tirreno foi cancelada e que o dinheiro não foi entregue nem à empresa nem ao BRB. "Como uma empresa que não recebeu valor algum (Tirreno) e teve a operação cancelada, pode ter se comprometido a recomprar carteiras no valor de 7 bilhões de reais", questiona a PF na representação.A Sociedade de Crédito Direto Cartos, apontada pela PF como controladora da Tirreno, negou em nota ter relação contratual, comercial ou operacional com a empresa e afirmou que não originou, estruturou, comercializou, intermediou nem cedeu créditos do caso. O BRB não respondeu ao Poder360. O caso Master corre no STF sob a relatoria do ministro Edson Fachin, que marcou para 23 de setembro a sessão em que analisa pedidos ligados à investigação, segundo o G1. A apuração está em fase de inquérito e nenhum dos investigados foi condenado.

HBHenrique Barros
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Fachin nega julgamento conjunto e mantém sessão do dia 15 apenas para o caso de Moraes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou neste sábado (12) os pedidos de julgamento conjunto dos casos que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A sessão extraordinária de terça-feira (15) segue pautada exclusivamente para o exame do relatório da Polícia Federal que registrou mais de 50 mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Moraes. No mesmo despacho, Fachin marcou para 23 de setembro a análise dos questionamentos sobre a conduta de Mendonça nos casos Master e INSS.Segundo o G1, Moraes havia pedido à Presidência da Corte que o plenário decidisse em conjunto a abertura ou não de investigações contra ele e contra Mendonça. O ministro alegou "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual" na apreciação separada dos processos. A Folha de S.Paulo reporta que Fachin também negou ofício do decano, ministro Gilmar Mendes, que pedia incluir o relatório sobre Mendonça na mesma sessão e adiar a data. Nenhuma das duas frentes conseguiu alterar a pauta.Para Fachin, os processos estão em fases distintas. O caso das mensagens de Moraes já estava pronto e liberado para julgamento, enquanto o procedimento sobre Mendonça ainda tem prazos abertos para colheita de informações e manifestações formais. Levar o segundo ao plenário antes do encerramento desses prazos inviabilizaria a análise, concluiu o presidente. Na decisão, citada pela Folha, manter na terça apenas o caso de Moraes "assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste Tribunal, viabilizando a apreciação de matéria cujo contraditório e elucidação preliminar já se terá aperfeiçoado".Como o caso chegou até aquiO embate é desdobramento das apurações da Polícia Federal sobre fraudes no Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, que levou Vorcaro à prisão. Um relatório da PF produzido a pedido de Mendonça registrou as mensagens entre o banqueiro e Moraes, divulgadas primeiro pelo Estadão. De acordo com a Folha, em vésperas da prisão, Vorcaro pediu a Moraes informações sobre a investigação, marcou encontros com ele e chegou a perguntar se deveria fugir do país. O documento também registra menções ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Moraes reagiu com base em um "relatório de inteligência" da corporação, sem valor probatório, enviado ao STF por sua ordem no inquérito das fake news, e pediu que o colega fosse investigado por abuso de autoridade.O que cada lado alegaMoraes acusa Mendonça de fazer uma "escolha seletiva" na divulgação dos documentos do caso Master. Segundo ele, o relator retirou o sigilo de apenas parte dos procedimentos e omitiu cerca de 180 peças e arquivos do sistema do tribunal, e por isso cobra a derrubada total do sigilo. Mendonça nega ter atuado de forma seletiva e afirma ter tornado públicos todos os procedimentos disponíveis. O relator disse ter cumprido o prazo fixado por Fachin, que acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República pela queda do segredo, e classificou a manutenção do sigilo sobre trechos como medida "prudente e responsável", para preservar investigações em curso e proteger dados pessoais, bancários e fiscais dos envolvidos. O relatório de inteligência que sustenta o contra-ataque aponta falta de imparcialidade e um suposto direcionamento seletivo das apurações contra alvos políticos, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o próprio Moraes.O plenário examinará agora os dois casos em datas separadas. Na terça (15), os ministros analisam o relatório sobre as mensagens e devem decidir se abrem investigação contra Moraes. No dia 23, a Corte examina os questionamentos sobre a conduta de Mendonça nos casos Master e INSS. O julgamento ocorre no que a Folha descreve como a maior crise da história recente do tribunal, dentro do contexto mais amplo das apurações do Banco Master, que incluem o suposto direcionamento de emendas parlamentares para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

HBHenrique Barros
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PF aponta que Vorcaro e investigados ligados ao PCC usavam a mesma estrutura financeira

Documentos da Polícia Federal apontam que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e empresários investigados por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis recorriam à mesma estrutura financeira para movimentar dinheiro e ocultar patrimônio. Segundo o G1, que teve acesso aos papéis encaminhados à 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo e que tiveram o sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal nesta semana, o ponto de encontro entre os dois grupos era a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e seu diretor, Artur Martins de Figueiredo.A conexão surgiu na Operação Quasar, que apurava o uso de fundos para esconder bens atribuídos a Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e a Mohamad Hussein Mourad, o Primo, apontados pela PF como chefes de um esquema criminoso no setor de combustíveis. Ao analisar o celular apreendido de Artur durante as buscas, os investigadores encontraram conversas sobre operações ligadas ao Banco Master. Nas mensagens, Ascendino Madureira Garcia, conhecido como Dino, repassava a Artur ordens atribuídas a Vorcaro e cobrava a execução técnica das operações por meio dos fundos administrados pela Trustee. Em uma das trocas, depois de receber uma planilha com a rede de fundos, empresas e cotistas envolvidos, Ascendino respondeu com uma figurinha de Leonardo DiCaprio no filme "O Lobo de Wall Street".A mesma engrenagemPara a PF, Vorcaro seria o beneficiário final das operações, Ascendino atuaria como intermediário e Artur seria o responsável pela execução técnica e pela formalização dos documentos nos fundos da Trustee. Os investigadores sustentam que a distribuidora aparece nos dois lados do esquema: administrava fundos usados nas operações atribuídas ao núcleo de Mohamad e, ao mesmo tempo, executava demandas relacionadas ao Banco Master. A estrutura usava fundos de investimento, empresas e sociedades de propósito específico para criar camadas entre os recursos e os beneficiários finais, com ajustes contábeis e alterações na avaliação de ativos destinados a dar aparência legítima a transações sob suspeita, segundo o relatório. No braço dos combustíveis, o objetivo seria proteger o patrimônio dos empresários de fiscalizações e execuções tributárias. O Banco Central decretou em 3 de setembro a liquidação extrajudicial da Trustee e da Banvox, distribuidoras ligadas a um ex-sócio do Master, fato noticiado também pelo UOL e pela InfoMoney. A Receita Federal já apontou, em levantamento citado pelo G1, que o PCC controla ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio de mais de R$ 30 bilhões.Como o caso chegou até aquiAté a descoberta das mensagens, os dois inquéritos tinham objetos distintos: um apurava lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com foco em fundos administrados pela Trustee, pela Reag e pela antiga Ruby Capital; o outro investigava operações financeiras do Banco Master. O exame do aparelho levou a PF a pedir o compartilhamento das provas entre as duas investigações. Beto Louco e Mohamad já foram denunciados por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica em um esquema de R$ 1 bilhão e são considerados foragidos. Segundo a PF, Beto Louco seria integrante do PCC e proprietário de fato do grupo econômico, que inclui a Aster Petróleo e a Copape, enquanto Mohamad atuaria no núcleo operacional.As defesas negam as acusações. Em nota sobre a Operação Carbono Oculto, a defesa de Mohamad afirmou que as investigações apresentam "fatos não provados" dentro de uma "narrativa desconexa da realidade". Já a defesa de Beto Louco declarou que demonstrará a improcedência das acusações. O G1 informou ter procurado as defesas de Vorcaro, de Ascendino, de Artur e da Trustee, sem resposta até a publicação. Todos os citados no relatório seguem na condição de investigados, sem condenação.O caso do setor de combustíveis corre na 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, para onde os documentos foram encaminhados. Os próximos passos registrados são o tratamento do pedido da PF de compartilhamento de provas entre os dois inquéritos e as respostas das defesas de Vorcaro, de Ascendino, de Artur e da Trustee, que ainda não se pronunciaram publicamente sobre este relatório.

HBHenrique Barros
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Produtor americano do 'Dark Horse' só entregará documentos à PF com ordem dos EUA

O produtor americano Michael Brian Davis, que se identifica como sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC nos Estados Unidos, recusou entregar voluntariamente à Polícia Federal dados sobre as despesas do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em e-mail de 2 de setembro anexado ao inquérito do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), Davis afirmou que documentos da empresa custodiados em território americano só serão repassados às autoridades brasileiras mediante ordem de um juiz dos Estados Unidos.Segundo o G1 e a Folha de S.Paulo, a PF enviou em 19 de agosto um ofício à produtora Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up no Brasil, com prazo de dez dias para a apresentação voluntária de documentos. A Polícia Federal pediu cópias de faturas emitidas e recebidas no exterior, contratos com atores estrangeiros, entre eles Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro, além de comprovantes de pagamento, instrumentos de câmbio, notas fiscais e documentos societários ligados ao financiamento. Karina repassou o ofício a Davis em 2 de setembro e pediu apoio para elaborar a resposta; o produtor respondeu no mesmo dia com a recusa.Na mensagem, reproduzida na íntegra pelo G1, Davis escreveu:"Conforme orientação de nossos advogados nos Estados Unidos, informo que, na minha condição de sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, não autorizo o encaminhamento às autoridades brasileiras ou a quaisquer terceiros de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos Estados Unidos sem a estrita observância do devido processo legal norte-americano."Davis escreveu ainda que requisições de autoridades brasileiras sobre documentos sob jurisdição americana devem ser formalizadas "exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes, incluindo, quando aplicável, carta rogatória ou pedido de assistência judiciária mútua". Na sua avaliação, qualquer entrega só pode ocorrer "mediante ordem emanada de juiz norte-americano". Ele pediu que nenhum documento da empresa seja compartilhado sem validação prévia dos advogados da Go Up nos EUA.O caso, em resumoO filme é baseado na biografia de Jair Bolsonaro (PL), que, segundo a Folha, está preso por tentativa de golpe. A produção ganhou notoriedade depois que o site Intercept Brasil divulgou conversas em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência nas eleições de 2026, pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra. Desde julho, Flávio é formalmente investigado no inquérito relatado pelo ministro André Mendonça, do STF, que apura repasses de pelo menos US$ 24 milhões, cerca de R$ 122,7 milhões na cotação atual, de Vorcaro para o filme. Investigadores suspeitam, segundo o G1, que parte do dinheiro não tenha sido usada na produção. Um segundo inquérito, do ministro Flávio Dino, apura se a Go Up usou emendas parlamentares para bancar o filme. Na quinta-feira (10), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra suspeitos de desvio de emendas, entre os alvos o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina. Os e-mails se tornaram públicos após Mendonça levantar o sigilo de documentos do caso na sexta-feira (11).A Folha relata que Flávio prometeu uma prestação de contas pública sobre o financiamento do filme, mas passou a terceirizar para a Go Up a divulgação de um balanço. Flávio e os demais citados no inquérito figuram como investigados e mantêm a presunção de inocência.Próximos passosCom a recusa à entrega voluntária, a PF só pode alcançar os registros mantidos nos Estados Unidos por meio de cooperação jurídica internacional, exatamente o caminho indicado por Davis. Um pedido de assistência judiciária mútua ou uma carta rogatória precisa tramitar pela Justiça americana antes de qualquer entrega, e não há data definida para essa formalização. No STF, os inquéritos de Mendonça e Dino seguem em curso. Investigadores defendem o aprofundamento da apuração para identificar a origem do dinheiro, o trânsito dos valores e os beneficiários finais da operação, segundo o G1.

HBHenrique Barros
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PF aponta propina a chefes do Banco Central que assessoravam Vorcaro

A Polícia Federal aponta que dois servidores que ocupavam postos de comando na supervisão bancária do Banco Central receberam propina de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para atuar como consultores informais do banqueiro junto à instituição que tinham o dever de fiscalizar. Segundo a corporação, Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Belline Santana, chefe do departamento, preparavam Vorcaro para reuniões com diretores e com o então presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, e revisavam documentos de fiscalização. As alegações constam de uma representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 27 de fevereiro de 2026, tornado pública na quinta-feira (10) depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de procedimentos ligados ao Master, conforme noticiou a BBC News Brasil. As conclusões estão em fase de investigação e não há condenação de nenhum dos citados.Na leitura dos investigadores, a dupla defendia os interesses do Master dentro do Banco Central e se comportava, em diversas ocasiões, como "empregados" do banqueiro. A consultoria teria começado em outubro de 2023, quando Paulo Sérgio assumiu o cargo: ele sugeriu estratégias, antecipou posicionamentos internos e orientou Vorcaro sobre o que dizer em encontros com a cúpula da instituição, sustenta a PF. A corporação diz ter encontrado indícios de que Belline também atuou de forma consistente e recorrente como consultor informal, com reuniões privadas e interlocução direta com Vorcaro. Em dezembro de 2023, segundo o G1, Paulo Sérgio sugeriu pontos a serem abordados em reuniões do banqueiro com o "Presi"; em depoimento, confirmou que "Presi" era Roberto Campos Neto. Os principais marcos do caso, segundo os documentos agora públicos, são:Outubro de 2023: Paulo Sérgio assume a chefia adjunta do Desup e, segundo a PF, começa a assessorar Vorcaro; Fabiano Zettel registra o primeiro pagamento a Belline.Fevereiro de 2024: antes de encontro de Vorcaro com o diretor de fiscalização, Ailton Aquino, Paulo Sérgio alerta o banqueiro sobre possíveis perguntas envolvendo a gestora Reag, segundo a BBC News Brasil.Janeiro de 2025: lista de pagamentos pendentes do mês reserva R$ 750 mil só para Belline.28 de março de 2025: o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, anuncia acordo para comprar 58% do capital total do Master; a Operação Compliance Zero aponta aportes de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de consignados de origem "altamente duvidosa".2 de outubro de 2025: Belline cria o grupo de WhatsApp "Master", com Vorcaro e Paulo Sérgio.27 de fevereiro de 2026: a PF assina a representação ao STF.10 de setembro de 2026: Mendonça retira o sigilo e o material se torna público.Viagem à Disney e pagamentos mensaisPara a PF, as mensagens mostram que o serviço em favor do banqueiro tinha um preço. Os dois servidores teriam recebido vantagens materiais custeadas por Vorcaro: uma viagem de luxo à Disney para Paulo Sérgio e a família e pagamentos mensais e reiterados a Belline. Os repasses a Belline eram tratados por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro. Em outubro de 2023, Zettel escreveu: "Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?". Vorcaro respondeu: "Ok". Em janeiro de 2025, Zettel enviou a Vorcaro a lista de pagamentos pendentes do mês: só para Belline, R$ 750 mil.A peça também reproduz o trabalho de revisão de documentos. Em 25 de abril de 2025, Vorcaro pediu que Paulo Sérgio analisasse uma minuta de resposta a um termo de comparecimento; o servidor propôs trocar "captação de receitas" por "captação de recursos", corrigiu uma data e encerrou: "Importante protocolar rapidamente". Em 27 de outubro de 2025, o banqueiro compartilhou no grupo "Master", aberto por Belline com a mensagem "Criei esse grupo, no intuito de facilitar nossa interlocução", a minuta de um ofício de atualização de ações dirigido ao próprio Desup: "Segue minuta para avaliação". Paulo Sérgio ainda recomendou cautela em relação ao BRB: "entendo imprudente citar problema no canal BRB".Depoimento e defesasAo depor, Paulo Sérgio disse que a orientação se deu em um contexto específico, de Vorcaro reclamando de perseguição dentro do sistema financeiro: "Se o S1 está te perseguindo, quem pode fazer alguma coisa é a diretoria. Então, aproveite para falar com o Roberto". Questionado pelo delegado, classificou a situação como "muito específica". O delegado respondeu:Pelo menos para quem não está habituado ao trabalho dos senhores, fica parecendo muito mais um trabalho quase de consultor do banco do que consultor do Banco Central. O senhor está trabalhando quase como um gestor estrategista do Banco Master.As defesas de Paulo Sérgio de Souza e de Belline Santana afirmaram que os dois sempre atuaram dentro de suas atribuições no Banco Central e que os contatos com o Banco Master foram estritamente institucionais, sem qualquer interferência nas atividades de fiscalização. As defesas de Daniel Vorcaro e de Fabiano Zettel não quiseram se manifestar.As mensagens integram os procedimentos sobre o Banco Master que correm no STF sob responsabilidade do ministro André Mendonça. Aos investigados cabe a presunção de inocência até decisão final. Os próximos passos dependem da formalização de eventuais acusações pela PF e pela Procuradoria-Geral da República e das decisões do ministro sobre o andamento da apuração. Não há data marcada.

HBHenrique Barros
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Mendonça defende afastamento de Andrei da PF e nega lesão à ordem pública

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça defendeu nesta sexta-feira (11) a decisão que afastou preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. Em despacho enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, o ministro negou que a medida represente lesão à ordem pública, critério usado para suspender o afastamento, e rejeitou a acusação de invasão de competências do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o G1.A manifestação, assinada na noite desta sexta, responde ao pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para manter suspensa a decisão que afastou os dois delegados, conforme noticiou o Metrópoles. Mendonça rebateu o argumento do órgão de que a saída dos dois desorganizaria a cadeia de comando da PF e sustentou que a corporação tem quadro técnico para substituí-los sem prejuízo ao seu funcionamento."Com a devida vênia à AGU, a Polícia Federal é instituição de Estado, composta por milhares de membros, que ingressaram em suas carreiras após aprovação em rigoroso concurso público, possuindo, portanto, amplo e valoroso quadro de profissionais técnicos e qualificados para assunção dos cargos diretivos de mais elevado relevo", escreveu o ministro, segundo reportagem do Metrópoles.O ministro também negou interferência no Executivo. Para ele, a medida não impede o chefe do governo de nomear outros nomes para os cargos nem de exonerar os atuais ocupantes. Mendonça citou precedentes do tribunal que admitem afastamento cautelar de servidores por decisão judicial, entre eles a decisão do ministro Alexandre de Moraes que barrara a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da PF.Linha do tempo do casoO afastamento foi determinado por Mendonça na terça-feira (8). Na quarta (9), o ministro Flávio Dino reintegrou Andrei ao cargo em decisão própria e, horas depois, Fachin suspendeu as duas determinações, manteve o diretor-geral em funções até que o plenário decida o tema e classificou as medidas como "grave lesão à ordem pública", conforme a Folha de S.Paulo. O episódio é desdobramento da crise entre Mendonça e Moraes no caso Master, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Andrei nega espionagem e afirmou que o relatório sobre Mendonça foi elaborado a pedido de Moraes, segundo o Poder360 e a Gazeta do Povo. Ninguém foi condenado e o afastamento tem caráter meramente cautelar.Na sexta, a AGU reafirmou sua posição em peça assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias. Para o órgão, afastamento cautelar "sem justa causa" interfere diretamente na competência constitucional do presidente sobre a direção da administração federal, e medida dessa natureza pressupõe circunstâncias excepcionais, relata o Metrópoles. No mesmo dia, Mendonça respondeu também ao ministro Cristiano Zanin e afirmou que o celular de Vorcaro apreendido está sob custódia da própria PF, restando em seu gabinete apenas uma cópia "lacrada e intocada" dos dados, segundo o InfoMoney.O próximo passo é o plenário do STF, que decidirá se o afastamento se mantém. Fachin ainda não definiu a data do julgamento. Nesta sexta, o ministro Gilmar Mendes pediu a Fachin que assuma o caso envolvendo Moraes e que o relatório da PF sobre Mendonça seja analisado em conjunto com as demais questões, segundo o G1.

HBHenrique Barros
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Coaf aponta R$ 57 milhões atípicos em conta de igreja ligada a cunhado de Vorcaro

Uma conta da Igreja Batista da Lagoinha do bairro Belvedere, em Belo Horizonte, movimentou R$ 57,1 milhões entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025, em operações que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) considerou atípicas. O relatório foi enviado à Polícia Federal em fevereiro e só se tornou público na noite de quinta-feira (10), após o fim do sigilo das investigações do caso Master no Supremo Tribunal Federal. A igreja era administrada por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e apontado por investigadores como operador financeiro do grupo. Vorcaro e Zettel estão presos e figuram como investigados; nenhum dos dois foi condenado.Segundo a Folha de S.Paulo, que teve acesso ao documento, a conta aberta no Banco do Brasil registrou R$ 28.493.311 em créditos e R$ 28.617.002 em débitos no período, o que soma R$ 57.110.313. O volume é cerca de 60 vezes o faturamento anual presumido da instituição religiosa, estimado em R$ 950 mil. Para o Coaf, as operações, "por sua habitualidade, valor e forma", podem configurar "artifício para burla da identificação da origem, do destino, dos responsáveis ou dos destinatários finais".O Band detalhou outros trechos do relatório. Zettel consta como procurador e representante legal da igreja e como remetente de 26 lançamentos que somam R$ 19,2 milhões na conta. O documento indica que os recursos recebidos eram repassados principalmente a empresas de construção civil, entre elas a AFEB Estruturas Metálicas, que recebeu R$ 86,2 mil, e a BPO Gestão de Disponível, pagada em R$ 62,6 mil. Ao todo, o texto menciona 823 pessoas ligadas ao entorno de Zettel: 303 pessoas físicas e 520 empresas.O documento também descreve gastos com bens de luxo. A Moriah Asset, empresa ligada a Zettel, comprou em abril de 2025 uma Range Rover por R$ 1,53 milhão, com entrada de R$ 1,23 milhão de origem não identificada; em dezembro do mesmo ano, adquiriu um Cadillac Escalade por R$ 1,6 milhão e um Audi RS6 por R$ 650 mil. Em operações imobiliárias da Super Empreendimentos, também representada por Zettel, um imóvel foi negociado por R$ 48 milhões quando o valor de referência era de R$ 6,99 milhões, e outro, por R$ 16,99 milhões, contra referência de R$ 3,74 milhões. Em ambos os casos houve pagamento antecipado, de R$ 5 milhões e de R$ 11 milhões, sem registro do meio utilizado.Como o caso chegou até aquiDezembro de 2024 a dezembro de 2025: período das movimentações flagradas pelo Coaf na conta da igreja.Fevereiro de 2026: o Coaf encaminha o relatório à Polícia Federal, que investiga Vorcaro e aliados na Operação Compliance Zero.Março de 2026: Zettel é preso, segundo o ICL Notícias, e a unidade Belvedere é fechada.Quinta-feira (10): o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, levanta o sigilo da Petição 15.556, considerada a principal investigação, a pedido do presidente da corte, Edson Fachin.Sexta-feira (11): os relatórios chegam à imprensa e a defesa de Vorcaro pede filtragem do que ainda está lacrado.A Lagoinha Global, rede presidida pelo pastor André Valadão, afirmou que as igrejas locais têm liderança própria e autonomia financeira. Em nota, a denominação disse ter sido informada, à época, de que os recursos seriam usados em reformas e melhorias nas dependências da igreja, e que a informação recebida era a de que os valores não eram dízimos nem ofertas, mas recursos captados por Zettel para as obras."Os montantes envolvidos nas movimentações agora divulgadas, contudo, não eram de conhecimento da instituição e sua dimensão só se tornou conhecida a partir das investigações."Próximos passosA defesa de Vorcaro sustenta que a publicidade dos arquivos pode expor material pessoal, como imagens de familiares e mensagens trocadas com advogados, e pediu ao relator "extrema prudência" na liberação do que segue sob sigilo. O próximo compromisso no calendário é a sessão do plenário do STF na terça-feira (15), convocada para discutir a validade do relatório da Polícia Federal sobre o ministro Alexandre de Moraes, julgamento que levou à abertura dos autos. As reportagens consultadas não registram manifestação da defesa de Zettel sobre o relatório.

HBHenrique Barros
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Mendonça procura Fachin após reintegração de Andrei e cobra resposta do STF

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça procurou o presidente da Corte, Edson Fachin, nesta quarta-feira (9), e cobrou uma resposta institucional para o conflito aberto com a decisão do ministro Flávio Dino que reintegrou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao cargo. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, Mendonça foi pego de surpresa pela decisão e considera ilegal a medida, que derrubou na prática o afastamento por ele determinado na terça-feira (8). O ministro não pretende reagir nos autos.Interlocutores ouvidos pela Folha afirmam que a expectativa de Mendonça é que Fachin conduza a solução do impasse. Na avaliação do grupo do ministro, Dino teria atropelado os procedimentos conduzidos pelo presidente do tribunal e o julgamento da Segunda Turma, que havia formado maioria para manter o afastamento de Andrei. Outros integrantes da Corte também aguardam uma manifestação de Fachin diante da sucessão de decisões conflitantes, segundo o jornal.Dino reintegrou Andrei e o diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada, ao atender pedido apresentado em uma investigação sob sua relatoria sobre emendas parlamentares destinadas ao filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Para o ministro, o afastamento tinha vício de origem porque partiu de requerimento do partido Novo, sem legitimidade para pedir medidas cautelares penais. "É inequívoca a ilegitimidade ativa do Partido Novo para requerer a medida cautelar", escreveu Dino. Ele também afirmou que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são atribuição privativa do presidente da República, defendeu que a controvérsia seja decidida pelo plenário, proibiu novas medidas cautelares pessoais contra os dois delegados e determinou o retorno das atividades da Diretoria de Inteligência. Ao registrar que Mendonça aparece mencionado nos relatórios de inteligência que fundamentaram o afastamento, Dino perguntou se "uma parte pode ser juiz de si mesma".Como o caso chegou até aquiA crise entre ministros do tribunal tem origem em relatórios de inteligência da PF que, segundo Mendonça, mostrariam monitoramento ilegal e "arapongagem" contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, produzidos para embasar medidas do ministro Alexandre de Moraes. Na terça (8), Mendonça afastou preventivamente Andrei e Almada, proibiu a confecção e o compartilhamento de relatórios de inteligência sobre magistrados, procuradores e policiais e encaminhou a decisão à Segunda Turma, que a referendou por maioria, conforme a BBC Brasil. Andrei recorreu a Dino, que reverteu o quadro na quarta (9). Na decisão, Dino classificou a suspensão do trabalho de inteligência como medida inédita na história da corporação e mencionou notícia de um encontro de Mendonça com o empresário Daniel Vorcaro, preso nas investigações sobre o Banco Master, registrando que não faz julgamento sobre o episódio.Dentro do tribunal, a pressão sobre Fachin aumentou. Ministros avaliam, segundo a Folha, que o presidente da Corte tem agido sem senso de urgência, enquanto Fachin diz a pessoas da sua equipe que prefere cautela e discrição para preservar as instituições. Pressionado, ele cancelou a sessão plenária desta quarta (9). A Corte está dividida em dois blocos: Mendonça conta com os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, e Moraes, que acumula desgaste por interlocuções com Vorcaro, tem o apoio de Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Cármen Lúcia ainda não definiu sua posição, e Dias Toffoli declarou-se impedido de atuar em processos ligados ao Master.O que vem a seguirO próximo passo cabe a Fachin. O presidente da Corte já havia fixado prazo de 72 horas para Mendonça se manifestar sobre o afastamento antes de submeter o tema ao plenário, e Dino afirmou que sua decisão de reintegração está submetida à autoridade do colegiado. Com a sessão plenária de quarta cancelada, não há data definida para o julgamento, que chega ao tribunal no meio da campanha eleitoral de 2026.

HBHenrique Barros
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STJ mantém limite de atrasados do INSS e veda negativa automática por robôs

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou nesta quarta-feira (9) a limitação do pagamento de atrasados a segurados que processam o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para conseguir a concessão ou a revisão de benefícios. Na mesma sessão, a corte definiu regras para a concessão automática de benefícios por sistemas robotizados. A decisão veio do julgamento dos embargos de declaração do tema 1.124, sem debates no plenário, em decisão em bloco que seguiu o voto do relator, ministro Paulo Sérgio Domingues.Segundo a Folha de S.Paulo, para os ministros o segurado que foi à Justiça antes de esgotar a discussão administrativa com a Previdência pode perder valores atrasados e, em algumas situações, até o direito ao benefício. A regra alcança aposentadorias, pensões, auxílios, salário-maternidade e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). O ponto central é a data de pagamento dos atrasados: ela passa a contar de quando o segurado procurou a Justiça, ou da citação do instituto no processo, e não mais do dia da entrada do requerimento no INSS.Como o caso chegou até aquiA tese original foi fixada em novembro de 2025 pela Primeira Seção do STJ, segundo o IEPREV, instituto de estudos previdenciários que participou do julgamento como amicus curiae e publicou a tese na íntegra. Pelas regras, o requerimento administrativo precisa vir com documentação mínima: pedido sem esses requisitos, situação que a corte chamou de indeferimento forçado, pode ser negado de imediato, e o segurado perde o interesse de agir na Justiça. Quem quiser apresentar documentos ou fatos novos precisa primeiro fazer novo requerimento no INSS, com base no tema 350 do STF (Supremo Tribunal Federal), julgado em 2014. Em contrapartida, se o INSS recebe um pedido apto, mas mal instruído, e deixa de intimar o segurado para completar a documentação, o interesse de agir fica caracterizado. As parcelas anteriores aos cinco últimos anos contados da propositura da ação estão prescritas.Os embargos de declaração, pedidos de esclarecimento de pontos de uma decisão, foram apresentados pelo IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário) em uma tentativa de melhorar as condições de pagamento dos atrasados. A advogada Jane Berwanger, do instituto, sustenta que o tema 350 do STF dá ao segurado a chance de acionar diretamente a Justiça, sem passar pela Previdência, em hipóteses específicas, como quando o INSS não aceita o pedido. Ela também questionou as negativas automáticas: segundo a advogada, citada pelo Jornal do Comércio, auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) apontou que 2,2 milhões de requerimentos receberam decisão automática em 2023, alta de 70%, sem análise humana.No voto acolhido pela corte, o relator manteve a concessão automática. Para o ministro Paulo Sérgio Domingues, o INSS pode continuar deferindo benefícios por robôs, mas, sempre que forem necessários documentos para confirmar o direito, o segurado deve ser orientado a apresentá-los, pelo próprio robô ou por servidor, e não pode haver negativa automática.Com o fim dos embargos, a tese do tema 1.124 permanece válida e vinculante para os tribunais de todo o país. O acórdão da sessão desta quarta ainda será publicado no Diário da Justiça, e os processos individuais sobre o assunto passam a ser decididos com base nas regras agora confirmadas.

HBHenrique Barros
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OAB/DF aprova pedidos de impeachment e investigação contra Moraes e Toffoli

O Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB/DF) aprovou, por maioria, um posicionamento institucional que pede o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por indícios de crime de responsabilidade. A decisão saiu de uma reunião extraordinária iniciada na noite de terça-feira (8) e encerrada na madrugada desta quarta-feira (9), e os pedidos serão encaminhados ao Conselho Federal da OAB, que se reúne na tarde de hoje com os presidentes das seccionais.Segundo o Correio Braziliense, o conselho deliberou sete medidas. As principais:propositura, perante o Senado Federal, de processos de impeachment contra Moraes e Toffoli, por indícios de crime de responsabilidade;apuração profunda e transparente do envolvimento de autoridades nos fatos investigados, incluindo membros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), com afastamento cautelar dos investigados, se necessário;investigação de Moraes e Toffoli pela gravidade das condutas apuradas pela Polícia Federal; segundo o Correio Braziliense, o mesmo pedido alcança o ministro André Mendonça, pelo levantamento seletivo de sigilo das investigações do Inquérito do Banco Master;levantamento do sigilo das investigações em curso que envolvam autoridades, ressalvados os procedimentos cautelares sigilosos;que o presidente do STF, Edson Fachin, assuma as investigações de pessoas sem foro privilegiado na Corte e as remeta aos juízes competentes;arquivamento do Inquérito das Fake News, com publicidade dos autos;elaboração de carta aberta à sociedade sobre as medidas e propostas para a Reforma do Poder Judiciário.Como a crise começouOs pedidos ocorrem no contexto da crise aberta no STF pelo relatório da Polícia Federal sobre o celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o g1, o material reconstituiu mensagens enviadas por Vorcaro a um número registrado no aparelho do ex-banqueiro como "Alexandre de Moraes BRASILIA", com menções à família do ministro, entre elas a discussão de dois contratos com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e a afirmação do banqueiro de que tinha uma "dívida de vida" com ele. O relator do caso Master na Corte, André Mendonça, retirou o sigilo do material no dia 1º de setembro, o que deflagrou o embate entre ministros que segue em curso. Em abril, dados obtidos pela Folha de S.Paulo e noticiados pelo g1 indicaram que Toffoli teria voado em avião de empresa ligada a Vorcaro. O g1 ressalva que o relatório da PF reconstitui apenas o lado de quem enviou as mensagens, sem registro do que foi recebido ou respondido. Nenhum ministro foi denunciado ou condenado.Na terça-feira (8), o presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, conhecido como Poli, determinou a abertura de procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório Barci & Barci Advogados, da esposa de Moraes, com base no relatório da PF da Operação Compliance Zero.Reação e próximos passosEm nota oficial, a entidade declarou:"A OAB/DF reafirma que as deliberações se orientam exclusivamente pela defesa da Constituição, da legalidade e da harmonia entre os Poderes, sem qualquer viés político-partidário, e confia que os órgãos competentes examinarão os pedidos com o rigor e a imparcialidade que a gravidade do momento exige."Segundo a CNN Brasil, a OAB-DF pedirá ainda ao Conselho Federal uma "apuração profunda, isenta e transparente" sobre o envolvimento de qualquer autoridade nos fatos. A OAB nacional já havia afirmado que acompanha a crise com "atenção e extrema preocupação" e defendido apuração rigorosa "em relação a quem quer que seja", com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência. As seccionais do Paraná, Rondônia, Ceará e Santa Catarina pediram o afastamento cautelar de Moraes do STF; as de Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Goiás, Pernambuco, Amazonas e Rio de Janeiro defenderam apuração rigorosa, independente e transparente.O próximo passo é a reunião do Conselho Federal da OAB nesta quarta-feira (9). A participação do presidente do STF, Edson Fachin, estava prevista, mas foi cancelada diante da escalada da crise. Caso o Conselho Federal adote os pedidos, o encaminhamento do impeachment caberá ao Senado, órgão competente para processar e julgar ministros do STF por crime de responsabilidade.

HBHenrique Barros
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Produtora de 'Dark Horse' pagou R$ 102 mil em dinheiro vivo por SUV e acionou o Coaf

Karina Ferreira da Gama, produtora do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, comprou um SUV híbrido BYD Song Plus por R$ 102.190, pagos integralmente em dinheiro vivo. A compra ocorreu em 13 de janeiro de 2025, na concessionária BYD Dahruj, em São Paulo, e foi comunicada ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter sido quitada com "valores totais em espécie", segundo o G1. O detalhe consta da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).Operações pagas em dinheiro acima de R$ 50 mil no sistema financeiro e de R$ 100 mil em cartórios geram comunicação automática ao Coaf, mesmo sem indício de crime, porque quantias elevadas em espécie são difíceis de rastrear. A decisão registra ainda que o veículo, um Song Plus 1.5 16V automático híbrido, modelo 2025, valia R$ 184.858 na Tabela Fipe, R$ 82.668 acima do preço pago. O documento não explica a diferença entre os dois valores.A comunicação ao Coaf, por si só, não significa que a compra seja criminosa. Karina é investigada no inquérito e mantém a presunção de inocência. A operação desta quinta não teve mandados de prisão: a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Karina e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, estão entre os alvos. A Go Up, empresa produtora, não está nos mandatos; duas entidades de propriedade de Karina, o Instituto Conhecimento Brasil (ICB) e a ANC, foram alvo de buscas, segundo a Agência Brasil. Os crimes investigados são peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.Linha do tempo do casoO inquérito apura suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares. Uma auditoria da CGU apontou, em maio, suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades ligadas a Karina, como gastos sem comprovação. Segundo a decisão de Dino, o ICB, presidido pela produtora, recebeu recursos de emendas de autoria de Frias, e a Go Up recebeu dinheiro de pessoas e empresas do núcleo investigado, o que poderia indicar "possível integração patrimonial e operacional" com entidades beneficiadas por emendas. A PF afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema, com tentativas de ocultação dos desvios até julho deste ano. Em paralelo, o STF apura, sob relatoria do ministro André Mendonça, dentro do caso Banco Master, o repasse de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro ao filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro.O que dizem as partesEm maio, Frias enviou manifestação ao STF na qual negou que as emendas destinadas a ONGs ligadas à produtora tenham sido enviadas a "qualquer produção cinematográfica". O senador Flávio Bolsonaro, citado na investigação paralela, negou ter combinado qualquer vantagem indevida com Vorcaro e afirmou que os recursos repassados ao filme eram integralmente privados. Procurados pelo G1 e pela Agência Brasil, os citados na operação não haviam se pronunciado até a publicação das reportagens.O inquérito segue sob a relatoria de Dino no STF. Os próximos passos são a análise, pela PF e pela CGU, do material apreendido nas buscas desta quinta e, eventualmente, a avaliação pela Procuradoria-Geral da República sobre o oferecimento de denúncia. Não há data definida para essa etapa.

HBHenrique Barros
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PF aponta triangulação de R$ 6,1 milhões do wi-fi de SP e indícios de lavagem

O relatório da Polícia Federal que embasou a autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a operação deflagrada na quinta-feira (10) contra a produtora do filme Dark Horse aponta indícios de triangulação financeira de pelo menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas à empresária Karina da Gama. Segundo o documento, citado pelo g1, o dinheiro saiu do Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina, passou por empresas terceirizadas e retornou a outra entidade da empresária, a organização social da cultura Academia Nacional de Cultura (ANC).As duas entidades funcionam no mesmo endereço, no bairro dos Jardins, em São Paulo, segundo a decisão do ministro. Para a suposta triangulação, Karina teria usado a Complexsys Soluções Integradas e a Fastfuture Tecnologias Emergentes, do casal André Feldman e Débora Gomes Feldman, empresas que prestaram serviços no contrato de R$ 157 milhões que o ICB mantém com a Prefeitura de São Paulo para operar a rede municipal de wi-fi. A PF cita ainda outras duas companhias no esquema: a Ultra IP Tecnologia e Serviços, do empresário William Silva Ferreira, que também recebeu recursos do wi-fi da capital, e a Distribuidora de Produtos LMS."A ANC aparece repetidamente como destinatária de recursos provenientes de diferentes empresas financiadas pelo ICB. (...) As movimentações narradas apresentam fortes indícios de retorno dos recursos públicos pagos ao ICB para a esfera de disponibilidade dos próprios responsáveis pela OSC, com potencial caracterização de desvio e contornos de lavagem de dinheiro", escreveu Dino na decisão.A investigação lista os repasses recebidos pela ANC das empresas pagas pelo ICB:Complexsys: R$ 2.626.949,69 e R$ 1.308.986,33;Ultra IP: R$ 1.336.201,50;Fastfuture: R$ 603.136,12;Distribuidora LMS: R$ 300.000,00.O somatório apontado chega a R$ 6.175.273,64.Os donos das três empresas foram alvo de busca e apreensão na quinta e estão proibidos de deixar o Brasil. Segundo a Agência Brasil, a fase, batizada de Operação Make Up, cumpriu 49 mandados expedidos pelo STF em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. A PF apura crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios, com desvios estimados, segundo as autoridades, em centenas de milhões de reais. De acordo com a Folha, Dino também proibiu o deputado Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, de sair do país e determinou o fim do sigilo do inquérito, no qual os investigadores suspeitam de que ao menos R$ 750 mil repassados à produtora Go Up Entertainment durante as filmagens tenham origem em emendas parlamentares de Frias.De onde vem o casoDark Horse é uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro produzida por Karina da Gama, com Frias como roteirista e produtor-executivo. Em maio, o site The Intercept publicou áudios de uma conversa de novembro do ano passado em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar as gravações; o senador negou qualquer vantagem indevida e afirmou que os recursos repassados ao filme eram privados. O inquérito sobre o suposto desvio de emendas parlamentares corre no STF sob a relatoria de Dino. Em paralelo, o ministro André Mendonça apura o repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro à produção.O que dizem os citadosPor nota, a defesa de Karina da Gama informou que ajuizou na quinta uma reclamação constitucional em jurisdição criminal perante a Presidência do STF, medida que "não discute o mérito da investigação". Segundo os advogados, a empresaria "estava contribuindo espontânea e voluntariamente", tanto que atendeu, na última sexta-feira, à solicitação da Polícia Federal e entregou mais de 20 mil laudas de documentos, o que, para a defesa, prova sua "boa-fé e lealdade processual". Frias classificou a operação como "cortina de fumaça" e negou irregularidades: segundo ele, a emenda de R$ 2 milhões investigada contemplava um projeto esportivo e outro de letramento digital.A Complexsys, de André Feldman, afirmou que "a operação da Polícia Federal vai comprovar, novamente, que os recursos recebidos pela empresa foram usados somente no contrato para manutenção da rede do Wi-Fi na cidade de São Paulo, sem qualquer vínculo com o financiamento para produção do filme, objeto de investigação". Segundo a empresa, "a perícia independente, já anexada nos inquéritos policiais, também comprova que não existe nenhuma relação entre o contrato da empresa com a produtora Go UP". O g1 e a GloboNews procuraram as defesas de todos os envolvidos e não receberam retorno de parte delas.A Prefeitura de São Paulo, do prefeito Ricardo Nunes (MDB), disse repudiar "qualquer tentativa de criar relações entre projetos e programas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro". A gestão afirmou que a obra "não recebeu recursos municipais" e que a execução do termo de colaboração com o ICB "não tem qualquer irregularidade identificada". Segundo a nota, o Programa Wifi Livre segue em funcionamento, com 3.200 pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados.Nenhum dos citados foi denunciado: todos respondem como investigados e mantêm a presunção de inocência. O próximo passo definido é o exame da reclamação constitucional de Karina pela Presidência do STF, que decidirá se sustenta as medidas determinadas por Dino. O inquérito segue em curso sob a relatoria do ministro, sem data prevista para conclusão.

HBHenrique Barros
Federal Police

PF: Vorcaro pagou viagens e jantares de servidores do BC afastados no caso Master

A Polícia Federal afirma, em relatórios enviados ao STF (Supremo Tribunal Federal), que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro custeou viagens e jantares internacionais dos dois servidores do Banco Central afastados do cargo sob suspeita de favorecer o Banco Master. Segundo a Folha de S.Paulo, que teve acesso aos documentos após o fim do sigilo decretado na noite de quinta-feira (10), Vorcaro teria pago parte de uma viagem do ex-chefe de Supervisão Bancária, Belline Santana, e da esposa dele a Paris, além de despesas do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza em viagem à Disney, nos Estados Unidos.Sobre a passagem por Paris, o relatório da PF diz que Vorcaro organizou a programação do casal e manteve contato direto com prestadores de serviço no exterior:"Tratou diretamente com prestadores de serviços no exterior sobre reservas de restaurantes, recepção e logística, chegando inclusive a encaminhar o contato pessoal do servidor para que a programação fosse finalizada"Em mensagens citadas no documento, o ex-banqueiro orientou que fosse organizado um jantar no restaurante Lapérouse e um almoço no Loulou. Para a PF, a indicação de que deveriam ser pedidos bons vinhos e comida sugere que as contas ficariam por conta dele. O relatório registra que Belline e a mulher viajaram a Paris no período das mensagens, mas não aponta outras despesas pagas nem os valores.Em depoimento à PF no dia 24 de agosto, ouvido como testemunha, o empresário Leo Serrano, dono da agência de viagens Signature Luxury, afirmou que Vorcaro pagou US$ 38 mil por um "guia vip" que acompanhou Paulo Sérgio pelos parques da Disney e da Universal, em Orlando, em janeiro de 2024. Segundo o Valor Econômico, que teve acesso à íntegra do depoimento, a empresa arcou com o valor e depois enviou a fatura a Vorcaro. Sobre Belline, Serrano disse que nenhuma reserva solicitada para a viagem a Paris, em 2025, chegou a ser paga ou concretizada.As defesas negam irregularidades. A de Paulo Sérgio, em nota do advogado Odel Antun, afirma que ele tem documentação de que custeou integralmente a viagem com a família e que só aceitou, no dia do embarque, uma vaga em pacote de acesso prioritário aos parques oferecida por Vorcaro, mediante pagamento de US$ 8 mil em espécie, por intermédio de pessoa indicada pelo ex-banqueiro. A de Belline, assinada pelo advogado Leonardo Palazzi, sustenta que "não houve qualquer prestação de serviços de turismo, logística ou concierge" a ele e criticou o vazamento do depoimento. Procurados pela Folha na madrugada desta sexta (11), os advogados não responderam até a publicação.Como o caso chegou ao STFBelline e Paulo Sérgio foram afastados do Banco Central e são investigados sob suspeita de terem recebido propina para favorecer os interesses do Master enquanto atuavam na fiscalização do extinto banco de Vorcaro. A apuração integra a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro ligado ao Master, e alcançou o STF porque envolve acusações contra parlamentares e contra o ministro Alexandre de Moraes.1º de setembro: o relator do caso, ministro André Mendonça, levanta o sigilo de relatório da PF com indícios de que Vorcaro pediu conselhos e trocou informações com Moraes.3 de setembro: Moraes retira o sigilo de relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça.9 de setembro: o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tira de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News e marca sessão plenária para o dia 15.10 de setembro: a pedido de Fachin, Mendonça levanta o sigilo da Petição 15.556, núcleo original da operação, e de outros procedimentos vinculados.O próximo passo está marcado para a terça-feira (15), quando o plenário do STF analisa o relatório da PF que aponta Moraes como interlocutor de Vorcaro e o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) de anulação do documento. Ninguém foi condenado e todos os citados têm direito à presunção de inocência.

HBHenrique Barros
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Zanin pede a Fachin liberação integral da mídia do celular de Vorcaro

O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, pedindo a liberação integral da mídia do celular do empresário Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. O pedido chega dois dias antes de o plenário se reunir, na terça-feira (15), para decidir o destino de um relatório da PF que aponta o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro no caso Master.Na noite de quinta-feira (10), Fachin pediu ao relator do caso, ministro André Mendonça, a retirada do sigilo de parte dos procedimentos da investigação. Mendonça atendeu, mas liberou os relatórios da PF sobre o conteúdo do aparelho, e não a íntegra das mídias, como fotos, vídeos e notas, segundo a Folha de S.Paulo. No ofício, Zanin afirma que o material disponível no celular do ex-banqueiro está diretamente relacionado ao caso e que a decisão de Fachin pelo levantamento do sigilo já abrange esse conteúdo. Para o ministro, a disponibilização permitirá a apreciação "necessária e completa" do julgamento da próxima semana. Segundo o G1, Zanin sustenta que a mídia estaria coberta tanto pela decisão de compartilhamento dos autos quanto pelo desigilo determinado por Mendonça.Linha do tempo do casoO chamado caso Master tem origem em operações da PF, como "Sem Desconto" e "Compliance Zero", e corre no STF sob a relatoria de Mendonça. Vorcaro, ex-banqueiro investigado na apuração, teve o celular apreendido em novembro de 2025. Em 1º de setembro, a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a anulação do relatório da PF que reúne diálogos entre Moraes e Vorcaro. Na quinta (10), Fachin pediu a abertura dos autos; os arquivos foram divulgados na sexta (11), e no mesmo dia Moraes, Zanin e a PGR enviaram ofícios a Fachin pedindo ampliação do acesso aos documentos.As divergências dentro da CorteMoraes afirmou que Mendonça fez uma "escolha seletiva" do que veio a público e pediu o levantamento imediato de todo o sigilo. Segundo o ofício dele, foram liberados 15 procedimentos de forma parcial, com exclusão de 180 peças e documentos digitais; a Folha contabiliza 14 procedimentos com sigilo retirado. Moraes classificou Mendonça como "diretamente interessado no julgamento" e pediu ainda que duas petições sejam julgadas em conjunto: a que trata das mensagens trocadas entre ele e Vorcaro e a que reúne relatórios da PF sobre a atuação do relator nas operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero"."O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (...) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", escreveu Moraes.A PGR também se manifestou na sexta. O vice-procurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho pediu a retirada do sigilo de todos os documentos do caso para não "induzir à ideia equivocada de transparência". Segundo o órgão, a lista encaminhada por Mendonça omitiu grande parte dos procedimentos correlatos à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero.O próximo passo é a sessão de terça-feira (15), quando o plenário deve analisar petições ligadas às investigações, entre elas a do relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro. O julgamento pode resultar na abertura de uma investigação contra Moraes ou na anulação do relatório, conforme pedido da PGR em 1º de setembro. Fachin ainda define o rito da sessão, segundo o G1. Nenhum dos citados foi condenado, e os procedimentos seguem em curso.

HBHenrique Barros
Federal Police

PF classifica Flávio como 'interlocutor direto' de Vorcaro sobre 'Dark Horse'

A Polícia Federal apontou, em representação enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), elementos que indicam que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou como "interlocutor direto" de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, nas tratativas de financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para a corporação, o senador aparece nas evidências em "cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações". O documento foi encaminhado em 8 de julho e teve o sigilo retirado na noite de quinta-feira (10), após decisão do presidente do STF, Edson Fachin.Flávio é formalmente investigado no inquérito, instaurado em 22 de julho a pedido da própria PF, por suspeitas, ainda em tese, de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Segundo o G1, Vorcaro repassou R$ 61 milhões aos produtores por meio do fundo Havengate, nos Estados Unidos, e Flávio teria negociado um aporte de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época. A produtora afirma ter gasto R$ 75,1 milhões com a obra. Além do senador, a PF lista Eduardo Bolsonaro, o deputado Mário Frias, o publicitário Thiago Miranda e outras três pessoas ligadas à produção entre aquelas cuja atuação precisa ser esclarecida.Linha do tempo do casoDezembro de 2024: mensagens extraídas do celular de Vorcaro registram agendamento de encontro com Flávio para tratar do "filme do presidente", com participação prevista de Mário Frias, idealizador do projeto.Agosto de 2025: a PF registra "interlocução direta" entre os dois, com mensagens que indicam encontro presencial no dia 20.Setembro de 2025: o senador envia áudio cobrando os pagamentos do filme; para os investigadores, ele demonstrava preocupação com o risco de inadimplemento perante o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.22 de outubro de 2025: Flávio informa que o filme estava no terceiro dia de gravações e "no limite", e pede que Vorcaro o avise caso não consiga fazer o aporte, para que ele busque outro caminho com urgência.7 de novembro de 2025: o senador envia vídeo ao banqueiro e diz que a produção só estava acontecendo por causa da ajuda dele.16 e 17 de novembro de 2025: na véspera da fase ostensiva da Operação Compliance Zero, Flávio tenta contato telefônico com Vorcaro e envia mensagem; no dia seguinte, o banqueiro é preso ao tentar embarcar em jato particular com destino a Dubai."Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!"A mensagem acima foi enviada por Flávio a Vorcaro em 16 de novembro, conforme transcreve a PF na representação.Projeção de bilheteria e delaçãoSegundo o jornal O Globo, o plano de negócios da produção previa superar em mais de três vezes a bilheteria recorde de "Minha mãe é uma peça 3", e o UOL noticiou que a PF viu suspeita de lavagem de dinheiro nessa projeção de bilheteria recorde. A corporação também pediu ao STF a identificação dos beneficiários finais dos fundos Havengate Development Fund LP e Havengate Development Fund GP LLC.A investigação ganhou novo material com o acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, firmado com a Procuradoria-Geral da República em 8 de agosto e homologado por Mendonça na quarta-feira (9). Segundo o G1, ele afirmou ter feito sete repasses, a título de "subscrições de cotas", ao fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025, a mando de Vorcaro, num total de US$ 12,333 milhões, cerca de R$ 62,8 milhões. O repasse de setembro, de US$ 1,666 milhão, contraria a versão de Flávio de que o último pagamento teria ocorrido em maio.A defesaEm Manaus, nesta sexta-feira (11), o senador defendeu o fim de todo o sigilo. "Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto. Porque vão só confirmar o que eu sempre falei, que não tem nada de errado em relação ao filme", disse, segundo a Folha de S.Paulo. Ele também elogiou o relator do caso: "André Mendonça está certo. Ele está sendo juiz. Queria muito que todos do Supremo fossem iguais a ele, que não pesassem para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência, mostra para a imprensa, para o povo".Parte do inquérito segue sob sigilo porque envolve diligências em andamento, e a PF ainda pretende obter contratos, comprovantes de pagamento e instrumentos de câmbio do financiamento. Não há prazo divulgado para a conclusão, que depois será analisada pela Procuradoria-Geral da República. O desdobramento ocorre a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial, em que Flávio é candidato.

HBHenrique Barros
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Dino manda PF apurar exclusivamente contrato de wi-fi de SP com ONG de Karina da Gama

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (11) que a Polícia Federal abra um inquérito exclusivo para apurar suspeitas de fraude no contrato de fornecimento de wi-fi na periferia de São Paulo entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade da empresária Karina da Gama, investigada por lavagem de dinheiro. Segundo o G1, a decisão, ainda sob sigilo judicial, também manda a Polícia Civil de São Paulo transferir para o STF o inquérito estadual sobre a ONG e suspende qualquer pagamento de contratos do poder público com o instituto.Na avaliação do ministro, as apurações estaduais sobre contratos do ICB estão diretamente conectadas às investigações federais sobre o desvio de emendas parlamentares, que correm no STF por envolver o deputado federal Mário Frias (PL-SP), detentor de foro privilegiado. Para Dino, há fortes indícios de que os fatos integram um único esquema de desvio e lavagem de dinheiro, o que levou o tribunal a assumir o caso. O congressista e Karina da Gama foram alvos, na quinta (10), da Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, com recolhimento de passaportes e proibição de contato entre os investigados. A PF apura peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental, organização criminosa e crimes licitatórios, e estima desvios da ordem de centenas de milhões de reais.O contrato de wi-fi do ICB com a Prefeitura de São Paulo é de R$ 157 milhões, segundo o relatório da PF que embasou a decisão do ministro. O documento aponta indícios de triangulação financeira de ao menos R$ 6,1 milhões: recursos saíram do instituto para empresas terceirizadas, entre elas a Complexsys e a Fastfuture, do casal André Feldman e Débora Gomes Feldman, e voltaram para outra entidade de Karina da Gama, a Academia Nacional de Cultura (ANC), que funciona no mesmo endereço do ICB, nos Jardins, na zona central da capital. Segundo o G1, a compra de um carro com cerca de R$ 100 mil em dinheiro vivo chamou a atenção do COAF, órgão de fiscalização de operações financeiras do Ministério da Fazenda.Antes da decisão, na manhã desta sexta, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia dito que consultaria o STF para saber se a vedação de contratos com entidades investigadas, fixada na quinta (10), vale para acordos já assinados. Se valer, afirmou, a gestão romperá o contrato, que segundo o prefeito representa R$ 108 milhões por ano. "Se a empresa realmente não puder ter mais contrato com ninguém (...) a gente vai ter que romper o contrato. E deixar de ter 3200 pontos de wi-fi nas comunidades e favelas", disse. Nunes defendeu a licitação, aberta por 30 dias, e afirmou que a Controladoria do Município apura a prestação de contas sem identificar ilegalidade da parte da Prefeitura.Linha do tempoMaio de 2026: o site The Intercept divulga áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse"; o caso gera apurações no STF, hoje divididas entre Dino (emendas) e André Mendonça (financiamento do filme).Quinta-feira (10): a PF cumpre 49 mandados da Operação Make Up contra Mário Frias e Karina da Gama, investigados por suspeita de desvio de emendas parlamentares.Sexta-feira (11), pela manhã: Ricardo Nunes anuncia que consultará o STF sobre a necessidade de romper o contrato de wi-fi com o ICB.Sexta-feira (11): Dino determina inquérito exclusivo da PF sobre o contrato, atrai o inquérito estadual para o STF e suspende pagamentos ao instituto.Questionado sobre a compra do carro em dinheiro vivo, Nunes declarou: "Absolutamente ninguém está acima da lei. Nem prefeito, nem jornalista, nem juiz". Frias chamou a operação de "cortina de fumaça" em período eleitoral e afirmou ter documentos que comprovam a licitude da emenda, destinada, segundo ele, a um projeto esportivo e de letramento digital para crianças. Flávio Bolsonaro, investigado em inquérito paralelo sobre o financiamento de "Dark Horse", sustenta que o filme foi feito com dinheiro privado: "Ali foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado". A Agência Brasil informou que não obteve resposta de Karina da Gama.Todos os citados são investigados e têm garantida a presunção de inocência até condenação definitiva. Caberá agora à PF instaurar o inquérito exclusivo e reunir os autos estaduais enviados pela Polícia Civil, sem prazo divulgado, já que o caso segue sob sigilo. A Prefeitura aguarda resposta do STF sobre o rompimento do contrato, que mantém 3.200 pontos de wi-fi em comunidades e favelas.

HBHenrique Barros
Federal Police

Diretor-geral da PF nega a Fachin que Mendonça tenha sido monitorado

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, negou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que a corporação tenha monitorado o ministro André Mendonça ou o advogado-geral da União, Jorge Messias, identificado pelo Metrópoles. A manifestação foi entregue na tarde desta sexta-feira (11), dentro do prazo de 48 horas fixado por Fachin, que decidirá se o delegado permanece no comando da PF."Não existiu, em absoluto, qualquer monitoramento ilícito de Ministro deste E. STF e tampouco do Ilmo. Advogado-Geral da União. Os documentos que foram questionados pela decisão proferida na Pet 16662 não são decorrentes de ações de vigilância, coleta clandestina de dados, ou qualquer medida invasiva", escreveu Andrei, em trecho reproduzido pelo G1.No documento, o diretor-geral defendeu os relatórios de inteligência questionados na Pet 16662, processo em que o impasse tramita. Segundo ele, o envio dos papéis ao ministro Alexandre de Moraes foi cumprimento de ordem judicial, e classificá-los como apócrifos é um equívoco: foram produzidos por setores plenamente identificáveis e registrados no sistema da corporação, conforme apontado na própria decisão de Mendonça. A ausência do nome do analista, argumentou, decorre do dever de proteção aos profissionais de inteligência imposto pelo Decreto nº 8.793/2016.Linha do tempo do impasseTerça (8): Mendonça determina o afastamento preventivo de Andrei e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, e a abertura de procedimentos investigatórios, penais e administrativos, sobre a produção dos relatórios. Pede que a Segunda Turma analise a decisão em sessão virtual; o colegiado forma maioria de três votos por manter os afastamentos, mas o julgamento é interrompido por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, sem resultado final.Quarta (9): o ministro Flávio Dino, atendendo a pedido de Andrei, reconduz os dois delegados aos cargos. Para Dino, o Partido Novo, autor do pedido que levou ao afastamento, não tinha legitimidade para requerer cautelares penais, e a medida poderia comprometer investigações em curso, entre elas a do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro sob relatoria dele.Quarta (9), ao fim da tarde: Fachin suspende as decisões de Mendonça e de Dino, aponta "conflito de posições judiciais" e leva o impasse ao plenário do STF. Fixa 48 horas para Andrei prestar informações sobre sua permanência na Direção-Geral da PF.Para justificar o afastamento, Mendonça classificou os relatórios como tecnicamente frágeis, anônimos e incompatíveis com a atividade de inteligência, e falou em "arapongagem institucional", expressão usada no Brasil para a espionagem irregular de autoridades. Segundo o ministro, haveria indícios de uso indevido da estrutura de inteligência para monitorar ministros do STF e outras autoridades, e a permanência de Andrei no comando poderia permitir interferência nas apurações, acesso antecipado a diligências e influência sobre testemunhas ou provas. O afastamento é cautelar: não há condenação em nenhuma das frentes."A interpretação com base na referida premissa equivocada inviabilizaria a atividade de inteligência em si, uma vez que não se pode qualificar como vigilância a análise, pelo órgão, das circunstâncias institucionais que afetam as investigações que ele próprio conduz", respondeu Andrei, para quem não houve qualquer ingerência na esfera de privacidade ou na atuação funcional das autoridades mencionadas.Com a resposta entregue antes de o prazo se esgotar por volta das 18h, o caso volta à mesa de Fachin. O presidente do STF analisará a permanência de Andrei na Direção-Geral da PF à luz do art. 33, parágrafo único, da LOMAN (Lei Orgânica da Magistratura Nacional). O impasse entre Mendonça e Dino segue para o plenário da Corte, e o julgamento da Segunda Turma permanece interrompido pelo pedido de vista de Gilmar Mendes. Nenhuma data foi divulgada até agora para essas decisões.

HBHenrique Barros
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PF aponta indícios de irregularidade em R$ 7,15 bilhões cedidos ao Banco Master

A Polícia Federal identificou fortes indícios de irregularidades na cessão de R$ 7,15 bilhões em créditos da empresa Tirreno Consultoria Promotora de Créditos e Participações ao Banco Master em 2024 e 2025. A conclusão está em laudo pericial cujo sigilo foi retirado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das principais investigações ligadas ao banco que tramitam na corte.Segundo reportagem do G1, os peritos concluíram que a Tirreno não tinha capacidade compatível com a originação dos créditos, ou seja, com a geração ou a concessão dos empréstimos que compunham a carteira. Na formação dos títulos vendidos ao Master, o laudo aponta "padrões recorrentes e incomuns de distribuição de valores, replicação de contratos e concentração de atributos, que são indícios fortes de artificialidade".A PF também não encontrou evidências de que o Master tenha pago pelas cessões. "Os exames realizados não identificaram evidências de liquidação financeira efetiva das cessões mediante disponibilização dos recursos em conta corrente de livre movimentação da Tirreno", diz o documento. A única conta corrente da empresa identificada no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS) foi aberta em 23 de maio de 2025, já depois de todas as cessões examinadas, e não teve movimentação financeira.Como o caso chegou até aquiNovembro de 2024: é criada a SX 016 Empreendimentos e Participações, depois rebatizada Tirreno. Um mês depois, acontece a primeira cessão de créditos ao Master, de cerca de R$ 280 milhões.2024 e 2025: as cessões examinadas pela PF somam R$ 7,15 bilhões. Segundo a corporação, parte desses direitos creditórios foi repassada depois ao Banco Regional de Brasília (BRB).2026: a crise do Master vem à tona, o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, é preso em Brasília e a atual gestão do BRB atribui à crise um rombo de R$ 8,8 bilhões.10 de setembro de 2026: a pedido do presidente do STF, Edson Fachin, Mendonça retira o sigilo de 14 procedimentos, além do inquérito principal, e o laudo vem a público.O BRB está no centro das investigações sobre a origem da carteira adquirida pelo banco público. Segundo a atual gestão da instituição, a crise revelou um rombo de R$ 8,8 bilhões associado a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Para reduzir o prejuízo, o banco aprovou aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões.Vorcaro está preso e é investigado por comandar o que se acredita ser a maior fraude financeira do país, segundo a Folha de S.Paulo. A divulgação dos documentos atendeu a um pedido feito horas antes pelo presidente do STF, Edson Fachin, com ressalva para preservar diligências cujo sigilo seja imprescindível às apurações. Continuam sob sigilo, entre outras frentes, as investigações sobre o filme "Dark Horse" e sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA), segundo o G1.As conclusões do laudo têm, por enquanto, valor de indício em inquérito em curso, e nenhuma pessoa ou empresa citada foi condenada. O próximo passo previsto é a discussão, no plenário do STF, do relatório da PF sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro, ainda sem data definida.

HBHenrique Barros
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PF aponta que grupo de Vorcaro acessou sigilosos do MPF sobre Master e BRB

Um grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Master, obteve informações de processos sigilosos do MPF (Ministério Público Federal), entre elas, segundo a Folha de S.Paulo, dados sobre o próprio Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). A constatação está em um relatório da Polícia Federal enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo a PF, as consultas ficaram registradas nos logins funcionais de servidores do órgão. O material veio a público depois que o ministro André Mendonça derrubou, na quinta-feira (10), o sigilo das principais investigações do caso, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.Reportagem da Folha publicada nesta sexta-feira (11) detalha os episódios. Em um deles, um documento atribuído ao MPF foi usado para obter informações sobre quem havia contratado um helicóptero que teria sobrevoado a casa do ex-banqueiro na Bahia. Mensagens reproduzidas no relatório mostram Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário e identificado como Felipe Mourão nas conversas, oferecendo a Vorcaro a possibilidade de pesquisar pessoas e empresas e encaminhando resultados de consultas a sistemas internos, inclusive de procedimentos protegidos por sigilo. Em junho de 2024, ele enviou uma lista com nomes de pessoas e empresas e afirmou que Vorcaro poderia acrescentar outros "pra puxar os sigilosos". Perguntado, em outra conversa, quais documentos desejava receber, Vorcaro respondeu: "Todos, obviamente".Segundo a PF, Mourão recebia R$ 1 milhão por mês para atuar como executor operacional de Vorcaro. A lista de tarefas descrita pela Folha inclui acesso a informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês; a CNN Brasil acrescenta monitoramento, retirada de conteúdo da internet, ataques hackers e articulação com criminosos. Os investigadores descrevem Mourão como integrante do núcleo conhecido como A Turma, apresentado pela Folha como suposta milícia que servia para monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias ou ligadas às apurações sobre o banco.O que diz o relatórioAo analisar o conteúdo extraído do celular de Vorcaro, a PF concluiu que ele formou uma "estrutura organizada, com divisão funcional de tarefas", voltada à prática reiterada de condutas ilícitas em diversas frentes. Os acessos ocorriam por meio de logins funcionais de terceiros, da extração indevida de documentos e de consultas não autorizadas em sistemas internos, segundo o documento."As mensagens evidenciam que havia acesso recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central", afirma o relatório citado pela CNN Brasil.No quadro de pessoas citadas na investigação, a PF registra que o login de dois servidores do MPF foi usado repetidamente para acessar processos sigilosos do órgão, com anotação de "possível uso indevido, com ou sem participação consciente". As informações protegidas por sigilo eram usadas para finalidades "alheias ao interesse público", diz o documento.Linha do tempoO caso Master reúne no STF apurações sobre fraudes atribuídas ao grupo do Banco Master, controlado por Vorcaro e hoje liquidado. O banco ganhou notoriedade após o site Intercept Brasil divulgar conversas em que o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pedia recursos a Vorcaro para o filme "Dark Horse"; o ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores, via fundo nos Estados Unidos, segundo o G1.A PF investiga o grupo em fases sucessivas da operação Compliance Zero.4 de março: Mourão é preso na Compliance Zero e morre enforcado na cela da Superintendência da PF em Minas Gerais; a morte é confirmada dois dias depois.Quinta-feira (10): Mendonça atende pedido de Fachin e levanta o sigilo das principais investigações; parte dos documentos é divulgada na mesma noite.Sexta-feira (11): a Folha detalha o acesso a dados sigilosos do MPF sobre o Master e o BRB.Em depoimento à PF, Vorcaro negou ter obtido informações privilegiadas do Banco Central e voltou a acenar com uma proposta de delação, segundo a CNN Brasil. As apurações seguem sob sigilo parcial: Mendonça manteve reservados, entre outros, os inquéritos sobre o financiamento de "Dark Horse" e sobre a relação do senador Jaques Wagner com o ex-sócio do Master Augusto Ferreira Lima, informa o G1. O relatório da PF permanece sob análise da Corte, onde as investigações do caso Master tramitam sob a relatoria de Mendonça.

HBHenrique Barros
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Grupo de Vorcaro acessou processos sigilosos do MPF com logins de servidores, diz PF

Um grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master em liquidação, obteve informações de processos sigilosos do MPF (Ministério Público Federal) por meio de consultas registradas nos logins funcionais de servidores do próprio órgão, aponta a Polícia Federal. A conclusão está em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) e divulgado na noite de quinta-feira (10), depois que o ministro André Mendonça, que responde pelo caso na Corte, retirou o sigilo de parte das investigações a pedido do presidente do tribunal, Edson Fachin.Segundo a CNN Brasil, a análise do conteúdo extraído do celular de Vorcaro revelou acessos recorrentes e irregulares a procedimentos sob sigilo não apenas no MPF, mas também na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central. "As mensagens evidenciam que havia acesso recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central", afirma o relatório. Para a PF, os acessos ocorriam com uso de logins funcionais de terceiros, extração indevida de documentos e consultas não autorizadas em sistemas internos, e as informações protegidas eram usadas para "finalidades alheias ao interesse público". No quadro de pessoas citadas na investigação, a corporação registra que o login de dois servidores do MPF foi utilizado repetidamente para acessar processos sigilosos do órgão, e fala em "possível uso indevido, com ou sem participação consciente", deixando em aberto se os funcionários sabiam que suas credenciais serviam de porta de entrada.As mensagens e o "executor operacional"As mensagens reproduzidas no documento mostram Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela PF como "executor operacional" de Vorcaro e identificado como "Felipe Mourão" nas conversas, encaminhando ao então banqueiro resultados de consultas a sistemas internos. A Folha de S.Paulo relata que as consultas alcançaram apurações sobre o próprio Master e sobre o BRB (Banco de Brasília) e que, entre as mensagens obtidas, figura um "quero tudo" atribuído ao grupo. Em junho de 2024, segundo o relatório, Mourão enviou uma lista com nomes de pessoas e empresas e disse que Vorcaro poderia acrescentar outros "pra puxar os sigilosos". Perguntado sobre quais documentos desejava receber, Vorcaro respondeu: "Todos, obviamente".Em um dos episódios descritos pelos investigadores, um documento atribuído ao MPF foi usado para obter informações sobre quem havia contratado um helicóptero que teria sobrevoado a casa do ex-banqueiro na Bahia. A PF diz que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês por um trabalho que incluía acesso a informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês, e o situa no núcleo chamado "A Turma", descrito no relatório como suposta milícia formada para monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias ou ligadas às apurações sobre o banco. Para a corporação, Vorcaro montou uma "estrutura organizada, com divisão funcional de tarefas" voltada à "prática reiterada de condutas ilícitas em diversas frentes de atuação".Linha do tempoO Master, hoje em liquidação, é alvo da Operação Compliance Zero, da PF, que apura suspeitas de fraude envolvendo o banco. Mourão foi preso nessa operação em 4 de março, se enforcou na cela da Superintendência da PF em Minas Gerais no mesmo dia e teve a morte confirmada dois dias depois, segundo a Folha. As investigações sobre o caso também correm no STF, onde Mendonça determinou na quinta a liberação de parte dos autos.Vorcaro é investigado e não há condenação contra ele. Em depoimento à PF, ele negou ter obtido informações privilegiadas do Banco Central, segundo a CNN Brasil. O sigilo do inquérito foi retirado apenas parcialmente, e a abertura de novos trechos depende de decisão do relator.

HBHenrique Barros
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PF detalha articulações de Vorcaro antes da prisão e aponta que ele sabia da ação

A Polícia Federal detalhou, em documento que teve o sigilo retirado na noite de quinta-feira (10), as articulações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro nos dias que antecederam a sua prisão na Operação Compliance Zero, núcleo do chamado caso Master. Segundo a corporação, Vorcaro tinha conhecimento da ação policial antes de ser detido, e é "improvável" que a viagem ao exterior na noite anterior ao cumprimento dos mandados "seja mera coincidência".O material integra a Petição 15.556, procedimento central da investigação, liberado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Ao todo, 14 procedimentos ligados ao caso Master deixaram de ser sigilosos, segundo o g1. Veja a linha do tempo do caso:17/11/2025: Vorcaro é interceptado no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, quando embarcaria em jato particular com destino final aos Emirados Árabes.18/11/2025: a PF deflagra oficialmente a Operação Compliance Zero, fase 1.Fim de novembro de 2025: o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determina a soltura de Vorcaro e de outros quatro executivos do Banco Master.27/02/2026: a PF assina novo pedido de prisão preventiva do banqueiro com base nos elementos agora públicos.Março de 2026: Vorcaro é preso novamente.10/09/2026: o STF retira o sigilo dos autos principais do caso Master.O que o documento apontaNa reconstituição da PF, Vorcaro registrou em 21 de outubro de 2025, no aplicativo Notas do celular, os nomes de representantes da corporação que participaram de reunião reservada com o Banco Central, o que, para os investigadores, indica acesso antecipado a informações protegidas. Dois dias antes da operação, em 16 de novembro, anotou uma pergunta sobre eventual proximidade de um terceiro com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável por autorizar medidas contra ele. Como o inquérito era sigiloso, a PF vê nesse registro reforço à suspeita de vazamento.Em 17 de novembro, véspera da deflagração, Vorcaro recebeu às 7h28 mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde e mudou os planos: às 8h48 informou que agendaria voo saindo de Congonhas. A partir das 7h41 conversou com o jornalista Diego Escosteguy sobre uma reportagem em preparo; depois das 11h recebeu o link da matéria, que mencionava inquérito na 10ª Vara Federal de Brasília, e o repassou de imediato a Warde. No mesmo dia, o advogado protocolou petição na 10ª Vara Federal do DF pedindo acesso à investigação, citando a reportagem como fonte da informação.O documento registra ainda que, desde as 6h34 daquele dia, Vorcaro mantinha contato com os servidores do Banco Central Paulo Sérgio e Belline, que consideraram "fundamental" uma conversa com o diretor da autarquia Ailton Aquino. A reunião virtual foi marcada para as 13h15 e, depois dela, circulou reportagem sobre a venda do Banco Master ao grupo Fictor, tratada pelos próprios servidores sem surpresa, o que, na leitura da PF, sugere alinhamento prévio. A corporação aponta também que o próprio Vorcaro teria divulgado à imprensa o interesse do Fictor na aquisição do banco.Para a PF, "ciente da futura e iminente atuação policial", Vorcaro "se utiliza de servidores do Banco Central que lhe são subalternos (em razão do pagamento de vantagens indevidas) para forçar uma reunião virtual, no dia imediatamente anterior à operação policial". As conclusões são da fase de inquérito e dependem de avaliação judicial; pela lei brasileira, investigado tem presunção de inocência até condenação definitiva. Na síntese do documento, os investigadores escreveram:"Conclui-se pela existência de fortes elementos indicativos de condutas de Daniel Vorcaro e associados direcionadas a proteger o núcleo dirigente da organização criminosa, mediante conhecimento antecipado de atos processuais e articulações com interlocutores em órgãos de controle, ao lado de planejamento logístico para saída do país em janela próxima à deflagração de medidas, o que, somado às comunicações com autoridades e ao acompanhamento de procedimentos internos, compõe o retrato dos 'tentáculos' em estruturas públicas e privadas."Crise no STF e próximos passosOs elementos foram usados pela PF para embasar o novo pedido de prisão preventiva assinado em 27 de fevereiro de 2026, e Vorcaro voltou a ser preso em março. Na decisão do TRF-1 que determinou a soltura dele e dos executivos, cerca de dez dias depois da primeira prisão, um dos argumentos favoráveis à liberdade, segundo a PF, foi o teor da reunião realizada com o Banco Central.O caso Master chega ao STF em meio à crise entre ministros da Corte. Um relatório da PF com mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, com sigilo retirado em 1º de setembro, mostra o banqueiro perguntando, em 15 de novembro de 2025: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Segundo a BBC News Brasil, o documento aponta indícios de que Vorcaro pediu conselhos e trocou informações com Moraes, que rebateu ao liberar relatórios da inteligência da PF sobre condutas atribuídas a Mendonça. O próximo passo está marcado para terça-feira (15), quando o plenário do STF analisa a validade do relatório da PF sobre Moraes e os rumos de eventual investigação contra o ministro.

HBHenrique Barros
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Contratos de R$ 131 mi e R$ 50 mi da esposa de Moraes com o grupo Master vão a público

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou na madrugada desta sexta-feira (11) ao menos dois contratos na íntegra, produzidos pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, ligados ao grupo do Banco Master. A divulgação, no site da corte, ocorreu minutos depois de o ministro André Mendonça, relator do caso, determinar a retirada do sigilo dos inquéritos. O documento central previa pagamentos de R$ 131 milhões, ao longo de três anos, por serviços advocatícios prestados ao banco.Assinado em 2024, o contrato previa a implantação e o aprimoramento contínuo de um programa de compliance, além de "consultoria estratégica" em procedimentos perante a Polícia Federal, as Polícias Civis, o Banco Central, a Receita Federal e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), segundo a Folha de S.Paulo. O texto também incluía a representação do banco em processos judiciais em todas as instâncias. Na avaliação da Polícia Federal, citada pelo jornal, o documento teria sido editado pelo próprio ministro.O segundo contrato disponibilizado pela corte trata de serviços do escritório à Viking Participações, outra empresa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os pagamentos somariam R$ 50 milhões líquidos, já descontados os impostos, ao longo de três anos.Em nota divulgada na semana passada, quando a análise da PF se tornou pública, o escritório Barci de Moraes sustentou ter seguido seu procedimento padrão. Segundo a nota, "em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master", o setor de compliance solicitou informações ao ministro, "na condição de marido da sócia-diretora do escritório".A nota acrescenta que, diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, e como o ministro jamais havia julgado qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios foram prestados. Nenhum dos envolvidos foi condenado: Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero e segue preso; contra Moraes não há, até agora, acusação formal no tribunal.Como o caso chegou até aquiO caso Master nasceu da Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro no banco de Vorcaro e envolve acusações contra parlamentares e o próprio ministro, segundo a BBC News Brasil. Os principais marcos, conforme o G1 e a BBC:17 de novembro de 2025: Vorcaro é preso no aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar em jato particular com destino aos Emirados Árabes, na véspera da deflagração da Compliance Zero; o TRF-1 determina a soltura cerca de dez dias depois.Março de 2026: após novo pedido da PF, assinado em 27 de fevereiro, o banqueiro volta a ser preso.1º de setembro: Mendonça retira o sigilo de relatório da PF com indícios de que Vorcaro teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes; entre as mensagens está "Acha que segunda já tenho que estar fora?", enviada dois dias antes da prisão.3 de setembro: Moraes rebate e retira o sigilo de relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça.9 de setembro: o presidente do STF, Edson Fachin, tira de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News e marca sessão plenária sobre o caso.10 de setembro: a pedido de Fachin, Mendonça determina o fim do sigilo da Petição 15.556, núcleo original da operação, e de 14 procedimentos ligados; os contratos vão ao site do STF na madrugada seguinte.Próximos passosNa terça-feira (15), o plenário do STF examina a validade do relatório da PF produzido por determinação de Mendonça, que apontou suposta relação entre Moraes e Vorcaro. A produção do documento e os desdobramentos da investigação provocaram uma crise interna sem precedentes na corte, segundo o G1. A sessão, na avaliação da BBC News Brasil, tem potencial para a abertura de investigação contra o ministro. Mendonça também informou que adota providências para enviar cópias integrais dos autos à presidência do tribunal e aos demais gabinetes.

HBHenrique Barros
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Fachin pede a Mendonça retirada de sigilo das investigações do caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pediu nesta quinta-feira (10) ao ministro André Mendonça o levantamento do sigilo das investigações do caso Master que tramitam na Corte. O pedido alcança a Pet 15.556, que está na base da apuração, e todos os procedimentos dela derivados. Segundo o InfoMoney, deve permanecer em sigilo apenas o que puder comprometer diligências necessárias a futuras operações sobre o caso.Como relator do caso, cabe a Mendonça decidir sobre o sigilo dos autos, e por isso o presidente do tribunal formulou um pedido, segundo o g1. Fachin também solicitou a remessa, em HD próprio, à Presidência e aos gabinetes dos ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556. A medida integra a organização da sessão extraordinária convocada para 15 de setembro, quando o plenário vai analisar o relatório da Polícia Federal sobre o caso e o pedido de nulidade do documento feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República)."Tendo em vista a inclusão da Pet 16.662 em calendário de julgamento na sessão extraordinária de 15 de setembro de 2026 e considerando que a Pet 16.662 foi formada a partir da Pet 15.556, solicita-se ao eminente ministro André Mendonça (relator da Pet 15.556), a remessa, em HD próprio, a esta Presidência e aos gabinetes dos eminentes ministros, de todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556, bem como o levantamento do sigilo da Pet 15.556 (e dos procedimentos nela contidos ou a ela relacionados), ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida", diz Fachin em despacho citado pelo g1.Linha do tempo do casoO caso Master reúne no STF as apurações sobre o Banco Master, do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, e um inquérito sobre repasses para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o g1, já havia divergências entre o gabinete de Mendonça e a direção da Polícia Federal sobre o andamento das investigações, e em agosto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, a procurar o relator para tratar do tema. O estopim da crise foi um relatório da PF, elaborado a pedido de Mendonça, que apontou uma suposta relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes a partir de mensagens atribuídas ao banqueiro.Na quarta-feira (9), Fachin tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, que o ministro conduzia havia mais de sete anos, suspendeu decisões conflitantes de Mendonça e do ministro Flávio Dino sobre o comando da PF, mantendo Rodrigues no cargo, e convocou a sessão extraordinária de terça-feira (15). Nesta quinta, segundo o jornal O Globo, a Presidência do tribunal entregou aos gabinetes a íntegra do processo que reúne o relatório da PF, cujo sigilo já havia sido retirado por decisão de Mendonça.As posições em disputaMinistros criticaram a iniciativa de Mendonça de encomendar a investigação de um integrante da própria Corte sem submeter o tema antes ao plenário, e a PGR do procurador-geral Paulo Gonet pediu a nulidade do relatório. Na sessão de terça, além da validade do documento, o plenário deve discutir os procedimentos para uma eventual investigação envolvendo Moraes, que ainda não é alvo de investigação aberta na Corte. O presidente Lula defendeu na quarta a quebra completa dos sigilos do caso e reclamou de "vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral", em referência velada a informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro, noticiou a Folha de S.Paulo. As revelações têm animado o bolsonarismo na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.Nos bastidores, Fachin passou a tarde de quinta em consultas internas e recebeu os ministros Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, além do procurador-geral Paulo Gonet. Segundo apuração do g1, seis votos são considerados mais consolidados: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin seriam pontos alinhados com Moraes, enquanto Mendonça contaria com Fux e Nunes Marques; os votos de Fachin e de Cármen Lúcia seguem incertos. O próximo passo é de Mendonça, que precisa decidir se atende ao pedido e levanta o sigilo. Depois vem a sessão extraordinária de terça-feira, 15 de setembro, que define a sorte do relatório da PF. Segundo O Globo, um pronunciamento de Moraes estava previsto para a segunda-feira (14), véspera do julgamento.

HBHenrique Barros
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Flávio Bolsonaro chama operação da PF de "tentativa de golpe" a 24 dias da eleição

O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) chamou de "tentativa de golpe" e de "fajuta" a operação que a Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) para apurar suspeita de desvio de emendas parlamentares ligadas ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em transmissão semanal em seu canal no YouTube, o presidenciável afirmou que "faltam 24 dias para a eleição, gente. Eles precisam inventar alguma coisa contra mim" e anunciou que sua defesa pedirá ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que o ministro Flávio Dino seja formalmente investigado por articulação política, segundo o G1."O nome da operação tinha que ser tentativa de golpe. Fica a dica aí, Dino, tentativa de golpe o nome da sua ação."O que a PF apuraSegundo a Agência Brasil, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Estão entre os alvos o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, e a produtora Karina Ferreira da Gama, dona da Go UP Entertainment e das entidades Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura, apontadas como destinatárias dos repasses. A corporação apura suspeita de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental e crimes licitatórios; segundo as autoridades, os desvios são da ordem de centenas de milhões de reais. A ação foi autorizada por Dino, responsável no tribunal pelo processo sobre os supostos desvios de emendas. Ninguém foi condenado e os investigados negam irregularidades.Frias, que teve a residência buscada, classificou a operação como "cortina de fumaça" em vídeo publicado nas redes sociais. O deputado negou irregularidades, disse que vai colaborar com as investigações e entregar os documentos pedidos e afirmou acreditar que o caso será arquivado, segundo o G1. A Agência Brasil informou ter procurado as assessorias de Frias e de Karina e não ter recebido resposta.A reação do candidatoNa live, Flávio negou que dinheiro público tenha financiado o filme. "Com toda a tranquilidade do mundo, mais uma vez: não tem nada de errado com o filme do Bolsonaro. Foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado", declarou, em trecho citado pela Folha. Ele afirmou que Dino e o ministro Alexandre de Moraes "tentaram interferir nas eleições" e alegou que a ação teria sido combinada após reunião entre Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem disse estar decepcionado. A InfoMoney registrou que o candidato acusa Dino de "dar um golpe" em adversários do presidente Lula sem apresentar provas.Flávio também insinuou troca de favores entre Dino e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Conforme a Folha, o ministro André Mendonça afastou Andrei da corporação na terça-feira (8) e Dino determinou a reintegração, decisão que o candidato chamou de "uma canetada completamente ilegal". Ele alegou ainda que a assinatura da autorização da operação por Dino, em 3 de setembro, coincide com uma publicação sua na rede X sobre tentativa de golpe nas eleições, citou pesquisas que o mostram tecnicamente empatado com Lula como contexto da ação e disse, segundo a InfoMoney, que Karina teria recebido ameaças para delatá-lo.Como o caso chegou até aquiO caso chegou ao STF em maio, quando o site The Intercept revelou áudios de uma conversa de novembro do ano passado em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar as gravações da cinebiografia do pai. O senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida e afirmou que os recursos repassados ao filme eram integralmente privados. No tribunal, o tema corre em duas frentes paralelas: Dino apura os repasses de emendas a entidades ligadas a Karina, e Mendonça investiga o aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro ao filme, feito a pedido de Flávio, dentro do caso Banco Master.O próximo passo anunciado é o pedido das defesas a Fachin para que Dino seja formalmente investigado; não foi informada uma data para o protocolo. Os inquéritos seguem em curso no STF, e o primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro.

HBHenrique Barros
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Pressão sobre Fachin para sessão fechada no julgamento de investigação de Moraes

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, é pressionado a realizar uma sessão fechada na terça-feira (15), quando o plenário analisa pela primeira vez o pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O objetivo, segundo a CNN Brasil, seria não expor publicamente, pela transmissão televisiva dos trabalhos, eventuais desavenças entre os ministros, principalmente entre Moraes e André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master e, na definição da Folha de S.Paulo, seu principal antagonista na corte.Os aliados de Moraes argumentam, de acordo com a emissora, que a transmissão ao vivo pode aumentar a pressão popular por votos a favor da investigação e apontam como mais sensíveis à opinião pública os ministros Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia. Fachin ainda não decidiu. Ele sinalizou que fechar a sessão pode passar a impressão de que o tribunal resiste à transparência em meio à crise que divide a corte.A defesa de Moraes segue em preparação. A Folha reportou que o ministro preparava um pronunciamento para esta quinta-feira (10), anunciado pela assessoria de imprensa do STF às 7h40 e cancelado às 8h45, depois que magistrados aliados recomendaram que ele esperasse e aproveitasse a atenção voltada à operação da PF (Polícia Federal) sobre o filme "Dark Horse", autorizada pelo ministro Flávio Dino. Um dos alvos foi o deputado Mario Frias (PL-SP), investigado, que nega irregularidades e classificou a ação como "cortina de fumaça". Segundo a CNN Brasil, a fala de Moraes está agora planejada para a segunda-feira (14), véspera do julgamento, quando ele deve reafirmar que nunca teve envolvimento pessoal com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro nega as suspeitas. Um ministro próximo ouvido pela Folha ponderou que qualquer ponto deixado sem explicação pode persegui-lo até a sessão de terça.Como o caso chegou ao plenárioUm resumo da crise, com base na apuração da BBC News Brasil:Maio: o site The Intercept Brasil revelou que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro teria pedido a Vorcaro US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.1º de setembro: Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF sobre o caso Master, o que deflagrou a crise aberta no tribunal.3 de setembro: Moraes pediu a inclusão de Mendonça no Inquérito das Fake News por suposto "abuso de autoridade" na divulgação do relatório.8 de setembro: Mendonça tentou afastar o diretor-geral da PF e impedir relatórios de inteligência sobre juízes; a própria PF o acusou de interferir na coleta de provas.9 de setembro: Fachin retirou Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News e cancelou a sessão do plenário.10 de setembro: nova sessão foi cancelada, e a PF cumpriu os mandados da operação sobre "Dark Horse".Segundo a BBC News Brasil, o relatório da PF registrou mensagens atribuídas a Moraes e a Vorcaro em que o banqueiro pedia conselhos, inclusive sobre quando deixar o Brasil, com frequência maior pouco antes de sua prisão, quando tentava fugir do país. A apuração também menciona contrato milionário entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Moraes nega qualquer irregularidade.Cenários para terça-feiraO placar para a sessão de terça é considerado inconclusivo, segundo a CNN Brasil. A expectativa no tribunal é de que o ministro Dias Toffoli se declare impedido, já que ele também é citado com suspeita de envolvimento com Vorcaro. Outra hipótese levantada no STF é a de um pedido de vista, que empurraria a decisão para depois das eleições deste ano, como fez Gilmar Mendes ao analisar o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.Fachin cancelou as sessões de quarta (9) e quinta (10) porque, segundo assessores ouvidos pela Folha, avaliou haver risco real de que os trabalhos antecipassem os debates previstos para terça. No plenário, Moraes e Mendonça sentam lado a lado. O próximo passo do calendário é o pronunciamento previsto para a segunda (14), seguido da sessão de terça (15), aberta ou fechada, decisão que cabe ao presidente da corte.

HBHenrique Barros
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Vorcaro diz em delação que ACM Neto e Rueda recebiam 10% de aportes de previdência

O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, afirmou em proposta de delação premiada que ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil, e Antônio Rueda, presidente nacional do partido, recebiam 10% dos aportes feitos ao banco por institutos de previdência e empresas públicas. O conteúdo do documento foi revelado nesta quinta-feira (10) pelo UOL, na coluna dos jornalistas Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Natália Portinari. As propostas de delação apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), e nenhuma das afirmações foi homologada pela Justiça.Segundo o documento, a regra previa destinar 10% do valor da aplicação a "cada grupo político que captasse o investimento", ou 1% ao ano enquanto o recurso permanecesse investido no Master. Na conta do próprio banqueiro, a atuação dos dois dirigentes teria permitido captar cerca de R$ 2 bilhões, o que corresponderia a uma obrigação de até R$ 200 milhões para a dupla. O texto não informa quanto teria sido efetivamente pago, e Vorcaro não explica como a forma de cálculo era definida. As instituições citadas são os institutos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá e do Amazonas, além da Cedae, a companhia estadual de água e esgoto do Rio.Como o caso chegou até aquiA quebra de sigilo do Master identificou pagamentos de R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Rueda, entre 2022 e 2025, e de R$ 5,4 milhões à empresa de consultoria de ACM Neto, entre 2023 e 2025.Vorcaro apresentou propostas de delação premiada; PF e PGR as rejeitaram, por falta de informações inéditas e de garantias de devolução de valores ligados às fraudes.O ministro Alexandre de Moraes, do STF, divulgou relatório de inteligência da PF sobre a investigação, e o documento voltou a circular, segundo o Bahia Notícias.Nesta quinta (10), o UOL publicou os trechos que citam ACM Neto e Rueda.O que o delator descreveNa proposta, Vorcaro afirma que os pagamentos aos dois eram tão frequentes que o banco passou a controlar os valores a receber. Um trecho do documento diz:"Uma vez que ACM Neto e Antônio de Rueda intermediaram diversos negócios para o Banco Master, como o Credcesta, captação de investidores institucionais e intermediação junto ao BRB, sempre mediante o pagamento de vantagens indevidas, ambos passaram a ter uma espécie de conta corrente gerencial de valores a receber junto ao Banco Master".Os repasses a ACM Neto teriam ocorrido em espécie, por meio de empresas e pessoas ligadas a Augusto Lima e a Antônio Freixo, dono da Entre Investimentos e Participações, e por contratos de consultoria da A&M Consultoria com o Master e com a Reag, além de contratos com a B6 Capital, gestora ligada ao ex-prefeito. Para Rueda, além de dinheiro em espécie, o documento cita contratos entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados, que poderiam somar cerca de R$ 3 milhões por mês. Vorcaro relatou ainda que Rueda o levou a um encontro em Brasília, em junho de 2024, com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e que um pagamento indevido seria dividido em três partes para Rueda, Paulo Henrique e ACM Neto.Os números não coincidem por completo. Vorcaro fala em cerca de R$ 2 bilhões captados com a ajuda dos políticos, mas os investimentos das quatro instituições citadas somam cerca de R$ 3,62 bilhões, conforme dados de quebra de sigilo reproduzidos pela Revista Fórum: o Rioprevidência aplicou R$ 2,97 bilhões entre 2023 e 2025; a Amprev, do Amapá, R$ 400 milhões; a Cedae, R$ 200 milhões; e o Amazonprev, R$ 50 milhões. A proposta não explica a diferença e não aponta um ato específico praticado pelos dois dirigentes dentro dos institutos. Vorcaro indica que seu relato poderia ser confirmado por João Carlos Mansur, dono da Reag, cuja própria delação traz um anexo sobre ACM Neto, com um investimento de R$ 7,9 milhões em fundo administrado pela empresa.Antônio Rueda afirmou não ter tido acesso ao documento e negou irregularidades; segundo ele, os contratos do escritório com instituições ligadas ao caso são lícitos e os serviços foram efetivamente prestados. ACM Neto classificou as acusações como "absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas", disse que a proposta não foi aceita, assinada nem homologada e questionou a origem e a autenticidade dos trechos divulgados. Ambos afirmaram que não exerciam cargos públicos no período citado, segundo registrou o ICL Notícias.O destino imediato das acusações depende da própria delação. Rejeitada pela PF e pela PGR, ela só pode avançar com novas negociações, e Vorcaro tenta retomar o acordo, segundo o ICL Notícias. Em paralelo, o plenário do Supremo Tribunal Federal, convocado pelo ministro Edson Fachin, julgará no dia 15 a apuração sobre Moraes e Vorcaro, contexto em que o documento voltou a circular.

HBHenrique Barros
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Mendonça homologa delação de 'Mineiro', operador dos repasses ao fundo de 'Dark Horse'

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, no inquérito que apura repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao fundo que financiou o filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão está sob sigilo, informou o G1. A homologação foi confirmada também pela Agência Brasil e pela DW.Mineiro é dono da Entre Investimentos, empresa apontada como responsável pelos repasses ao fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, a mando de Vorcaro, ex-controlador do Banco Master; a Agência Brasil o descreve como doleiro. O acordo foi assinado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, depois de cerca de quatro meses de negociações. Na terça-feira (8), o empresário e seus advogados participaram de audiência com um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, que perguntou se a adesão era voluntária. A resposta foi positiva, e a voluntariedade é justamente um dos requisitos para homologar uma delação.O que a delação afirmaNa versão do colaborador, Mineiro era o homem que "gerava" dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. Ele diz ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para o banqueiro e relata entregas em malas com valores entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, destinadas, segundo ele, ao pagamento de propinas. As demandas por dinheiro partiriam do próprio Vorcaro, do sócio Augusto Lima e, depois, do cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel. O empresário alega ainda ter feito pagamentos no exterior por meio de empresa sediada em Nassau, nas Bahamas, com base em faturas enviadas por Vorcaro, sem detalhar os beneficiários.No capítulo que interessa ao inquérito do filme, o delator afirma ter feito sete repasses, a título de "subscrições de cotas", ao Havengate entre janeiro e setembro de 2025, num total de US$ 12,333 milhões, cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano. A previsão inicial era de cerca de US$ 24 milhões até janeiro de 2026, mas só as sete transações foram concluídas. Segundo a delação, os valores foram pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência. O fundo é gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA; o delator entregou à PGR comprovantes das transferências e os e-mails trocados com Calixto. As afirmações constam da versão do colaborador e ainda não foram confirmadas por decisão judicial.Linha do tempoJaneiro a setembro de 2025: sete repasses ao fundo Havengate somam US$ 12,333 milhões, segundo a delação.Janeiro de 2026: a segunda fase da Operação Compliance Zero atinge a gestora Reag, no âmbito do caso Master; o Banco Central decreta a liquidação da empresa.8 de agosto: Mineiro assina a delação com a PGR; a colaboração de João Carlos Mansur, dono da Reag, foi fechada no mesmo âmbito do caso Master.8 de setembro: audiência com juiz auxiliar de Mendonça confirma que o acordo é voluntário.9 de setembro: Mendonça homologa a delação, em decisão mantida sob sigilo.Os citados rebatem as suspeitas. Flávio Bolsonaro afirma que o dinheiro de Vorcaro foi destinado integralmente à produção do filme, posição repetida à Agência Brasil. Sua assessoria disse ao G1 que as informações sobre o financiamento vêm da produtora Go Up, responsável pela obra e pela apresentação das contas. A Go Up contratou uma auditoria particular que, em junho, considerou regulares as contas de "Dark Horse", estrelado por Jim Caviezel no papel de Bolsonaro, orçado em R$ 75 milhões e bancado pelo Havengate, sem tornar públicos os documentos. Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de Vorcaro. O advogado do delator, Marco Petrelluzzi, não comentou o caso, alegando o segredo de Justiça.Com a homologação, os relatos de Mineiro podem ser usados como prova no inquérito. A Polícia Federal apura se toda a verba foi aplicada no filme, como sustentam o senador e a produtora, ou se parte custeou a estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde ele mora desde fevereiro de 2025. Não há data definida para a próxima etapa da apuração, que corre sob sigilo. A DW observa que Mendonça enfrenta pressão para avançar no caso no meio da crise institucional que o opõe ao ministro Alexandre de Moraes, com desdobramentos sobre a PGR e a PF.

HBHenrique Barros
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Ex-dono da Reag diz em delação que fundos ocultaram propinas de Vorcaro

O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-dono da gestora Reag, afirma em delação premiada firmada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) que fundos de investimento geridos pela empresa serviram para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas. A colaboração foi enviada na semana passada ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e aguarda homologação, segundo a Folha de S.Paulo.De acordo com pessoas com conhecimento do acordo ouvidas pela Folha, Mansur descreve a participação da gestora e dos fundos de investimento usados no esquema investigado do Master, além de pessoas que operavam como laranjas de Vorcaro. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não prosseguiu com as tratativas. Segundo o site O Brasilianista, a proposta entregue à PGR no fim de agosto, com 17 anexos, narra o caminho dos recursos: o dinheiro saía do Master para empresas, que direcionavam parte dos valores a fundos da Reag, com uso de laranjas e de estruturas offshore para dificultar a identificação da origem e do destino final.Como o caso chegou até aquiDesde o ano passado as investigações apontam suspeitas de fraudes financeiras relacionadas a Vorcaro e à Reag no chamado caso Master, e a delação de Mansur é a primeira colaboração formalizada pela PGR na Operação Compliance Zero, uma das frentes da apuração. A gestora aparece em operações centrais do caso: a PF apura uma triangulação entre o Master, a Reag e o Banco de Brasília (BRB), que comprou R$ 21,9 bilhões em carteiras de crédito do Master, das quais R$ 12,2 bilhões são considerados fraudulentos pelas investigações, segundo O Brasilianista. Fundos ligados à Reag, entre eles Verbier, Cabreúva, Borneo e Delta, ficaram com participação de 23,5% no capital do BRB. Mansur é apontado como um dos articuladores dessas movimentações, e o ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa também é investigado.No acordo, além de colaborar na localização e na recuperação dos recursos, Mansur se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões, valor revelado pelo UOL e equivalente, segundo O Brasilianista, ao que o empresário teria recebido da Reag enquanto comandava a gestora. Boa parte do dinheiro desviado está fora do Brasil, em offshores, segundo os investigadores, e a colaboração pode permitir que esses valores retornem ao país sem a necessidade de acordos com autoridades estrangeiras, o que evitaria que alguns países cobrem um percentual do montante recuperado, relata a Folha. Em acordos desse tipo, as declarações do colaborador precisam ser confirmadas por outros elementos de prova. Vorcaro, investigado no caso, também apresentou propostas de colaboração, mas investigadores avaliaram que o material não acrescentava informações suficientemente novas, segundo O Brasilianista.Defesas e próximos passosProcurada, a defesa de Vorcaro afirmou que não teve acesso aos anexos da colaboração e que, por isso, não tem como se manifestar. A defesa de Mansur não se manifestou. A proposta que antecedeu o acordo mencionava ainda nomes políticos, entre eles o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), segundo O Brasilianista, que não detalhou o teor das menções. Vorcaro, Mansur e Costa são investigados no inquérito; Wagner e ACM Neto aparecem apenas como citados na proposta. O próximo passo é de Mendonça, relator do caso Master no STF: cabe a ele decidir se homologa o acordo, sem data prevista.

HBHenrique Barros
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Fachin suspende apuração da PGR sobre interferência em relatório da PF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, suspendeu nesta quarta-feira (9) a apuração aberta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para esclarecer se houve "ordem ou interferência externa" na elaboração do relatório da Polícia Federal que registrou mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a CNN Brasil, a medida foi tomada em uma petição aberta pela Presidência da Corte para concentrar a análise dos fatos que envolvem os ministros André Mendonça e Moraes e a própria PF, e vale "até ulterior deliberação" do Supremo.A apuração havia sido aberta na sexta-feira (4) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, por meio de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, instrumento com que o Ministério Público fiscaliza as forças policiais. Gonet determinou que a PF explicasse como foi elaborado o relatório, requisitado por Mendonça, e comunicou a Fachin que a PGR não havia sido informada previamente sobre a determinação do ministro e, por isso, não pôde acompanhar essa etapa da investigação.A suspensão fez parte de um pacote de decisões com que Fachin buscou conter a crise na Corte. No mesmo despacho, ele suspendeu a decisão de Mendonça que afastou preventivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e a do ministro Flávio Dino que o reintegrou ao cargo, e vai decidir em procedimento próprio da Presidência se o delegado permanece na função, segundo o G1. Fachin também assumiu a relatoria do chamado Inquérito das Fake News, antes com Moraes, suspendeu "todo e qualquer procedimento" de investigação contra integrantes do STF e convocou o plenário para o dia 15. A Advocacia-Geral da União (AGU), autora do pedido que levou à derrubada do afastamento, disse que a decisão "restaura a ordem pública e administrativa".O que cada lado alegaHoras antes da intervenção de Fachin, Dino havia determinado a volta de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF, afastados na terça (8). Na decisão, Dino escreveu que a suposta interferência se torna "mais grave" diante da notícia de que Mendonça recebeu Vorcaro, preso no esquema de fraudes do Banco Master, em uma reunião privada em março de 2025, no Instituto Iter, em São Paulo, encontro que não constou da agenda oficial do ministro. "Uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?", questionou. O ministro ressalvou não fazer "qualquer juízo de valor antecipado" sobre o encontro, mas classificou a situação como "complexa" e afirmou que ela exige "moderação, equilíbrio e prudência", especialmente no período eleitoral.Mendonça diz que recebeu o então banqueiro "uma única vez", por iniciativa dele, e que se limitou a ouvi-lo. Segundo o ministro, a conversa tratou de processo sobre créditos de precatórios de interesse do Master em tramitação no STF, e sua atuação posterior foi contrária à posição defendida por Vorcaro. Ao afastar os dirigentes da PF, Mendonça apontou "monitoramento e coleta dirigida" contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias. Do outro lado, Moraes sustenta, com base em relatório que encomendou à PF, que Mendonça teria cometido, "em tese", improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade, com "favorecimento a determinados grupos políticos". Nenhuma das acusações mútuas resultou até agora em denúncia, e nenhum dos ministros é réu.Linha do tempo da crise1º de setembro: Mendonça, relator do caso Master, retira o sigilo de relatório da PF que registra mensagens e encontros entre Moraes e Vorcaro.3 de setembro: Moraes pede abertura de investigação contra Mendonça e o acusa, "em tese", de abuso de autoridade e de uso de informações sigilosas.4 de setembro: Gonet abre na PGR a apuração sobre interferência na elaboração do relatório.8 de setembro: Mendonça afasta preventivamente Andrei Rodrigues e Leandro Almada.9 de setembro: Dino reintegra os dois delegados; horas depois, Fachin suspende as decisões de Mendonça e de Dino e a apuração da PGR.O próximo passo é o plenário do STF, convocado para a terça-feira (15), quando os ministros devem discutir o relatório da PF que apontou uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro. A suspensão da apuração da PGR permanece até que a Corte delibere novamente sobre o tema, e Fachin ainda deve decidir se Andrei Rodrigues permanece na direção da PF.

HBHenrique Barros
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PF intima Galípolo, Campos Neto e André Esteves como testemunhas no caso Master

A Polícia Federal intimou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, seu antecessor no cargo, Roberto Campos Neto, o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, e o atual diretor de Fiscalização da autoridade monetária, Ailton de Aquino, a depor como testemunhas no inquérito que apura suspeitas de fraude no Banco Master. As intimações foram expedidas no início de agosto, segundo despacho ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso. A informação foi publicada primeiro pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.Os quatro serão ouvidos por videoconferência, e o trecho do documento consultado pela reportagem não indica quando as audiências serão realizadas. Na condição de testemunhas, eles não figuram como investigados nesse procedimento e têm o dever legal de dizer a verdade. Segundo o Estadão, os nomes surgiram nos depoimentos de Paulo Sérgio Souza, ex-diretor do BC investigado sob suspeita de receber vantagens do banqueiro Daniel Vorcaro para beneficiar o Master. Souza nega irregularidades.O caso MasterO Banco Master, controlado por Vorcaro, foi liquidado em novembro de 2025. A apuração integra a Operação Compliance Zero, que investiga ex-integrantes do Banco Central suspeitos de terem prestado uma espécie de consultoria informal a Vorcaro em troca de vantagens financeiras; Paulo Sérgio Souza está entre os principais alvos dessa frente. Segundo o Estadão, o BTG teria identificado uma fraude de R$ 32 bilhões no Master ao encerrar uma due diligence, investigação minuciosa dos riscos de um investimento.Procurados pela reportagem da Folha, a assessoria de imprensa do Banco Central, Galípolo e Aquino ainda não haviam respondido até a publicação. O BTG informou que não vai se manifestar sobre o assunto.Em nota, os advogados de Campos Neto afirmaram que a defesa jamais foi intimada e que não tinha conhecimento do despacho."A defesa de Roberto Campos Neto esclarece que jamais foi intimada e sequer tinha conhecimento da existência do alegado despacho de 3 de agosto. Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa. Sem acesso ao documento, a defesa não tem como confirmar sua existência, autenticidade ou teor"Não há data divulgada para os depoimentos por videoconferência. Em frente distinta do caso, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, convocou o plenário para o dia 15 de setembro julgar a apuração sobre a suposta relação do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro, segundo o G1.

HBHenrique Barros
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Delator do Master: sete repasses ao fundo de 'Dark Horse' e pagamentos via Bahamas

O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, relatou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que fez sete transferências ao fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos, entre janeiro e setembro de 2025, a mando de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Os repasses, formalizados como "subscrições de cotas", somaram US$ 12,333 milhões, o equivalente a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025, segundo o G1. O Poder360, com base em reportagem do jornal O Globo, converte o mesmo montante em cerca de R$ 69 milhões. O detalhamento foi publicado nesta quarta-feira (9).Segundo o G1, os valores teriam sido pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência. O senador vinha afirmando que o último pagamento do banqueiro ocorrera em maio de 2025; a delação registra um repasse de US$ 1,666 milhão em setembro daquele ano. O relato integra o acordo de colaboração premiada que Mineiro assinou com a PGR em 8 de agosto, sob análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master.Como os repasses foram feitosDono da Entre Investimentos, o empresário afirmou que desconhecia o fundo até ser procurado por Vorcaro, por WhatsApp, entre o fim de 2024 e o início de 2025. Em janeiro de 2025, a empresa assinou uma "Letter of Agreement" (carta de compromisso) com o gestor fiduciário do Havengate, o advogado Paulo Calixto, que representa o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA. O documento previa mais de dez subscrições. Pouco antes de cada operação, Vorcaro o acionava para formalizar a subscrição e efetuar o pagamento, relatou o empresário, segundo o G1."A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões, que seriam operacionalizados em mais de dez subscrições, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026"Apenas sete transações chegaram a ser concluídas. Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025. Mineiro disse ter entregado às autoridades os comprovantes das transferências e os e-mails trocados com Calixto, e afirmou não saber qual era o destino final dos valores.Na mesma colaboração, o empresário afirmou ter feito outros pagamentos no exterior, também a mando de Vorcaro, por meio da Entre Investiments and Arbitrage Ltd., sediada em Nassau, nas Bahamas. Nesses casos, Vorcaro enviava "invoices" (faturas) que deveriam ser pagas; os beneficiários não foram detalhados. A Polícia Federal apura se todo o dinheiro enviado ao Havengate foi usado no filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, como sustentam Flávio e a produtora Go Up, ou se parte dos recursos custeou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Os investigadores também verificam se dinheiro aplicado em paraísos fiscais, como as Bahamas, chegou ao fundo ou a pessoas a ele ligadas.Linha do tempo do casoEm novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Ele está preso e é investigado pela PF por suspeita de crimes contra o sistema financeiro e corrupção. Neste ano, o jornal Intercept Brasil revelou conversas entre Flávio e o banqueiro que indicavam um acerto de cerca de R$ 134 milhões para o financiamento do filme. O senador negou primeiro o financiamento e depois admitiu ter captado R$ 61 milhões com Vorcaro. A revista piauí apontou uma transferência adicional feita oito dias após a conversa entre os dois, o que elevou o total contabilizado a cerca de R$ 65 milhões. Em junho, auditoria privada contratada pela Go Up afirmou que as contas de Dark Horse estão regulares, ao custo de R$ 75 milhões bancados pelo Havengate, mas não tornou públicos os documentos de gastos.Procurado, o advogado do delator, Marco Petrelluzzi, disse que não comentará o caso por causa do segredo de Justiça. A assessoria de Flávio Bolsonaro respondeu que as informações sobre o financiamento vêm da produtora Go Up, que já apresentou as contas do filme. Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro de Vorcaro por meio do fundo. Flávio afirma que os recursos foram usados integralmente na produção e que não há "absolutamente nada de errado" no financiamento, segundo o Poder360.Na terça-feira (8), a defesa de Mineiro participou de audiência com um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, etapa que checa a voluntariedade, a regularidade e a legalidade do acordo antes da decisão do ministro. Cabe agora a Mendonça homologar, ou não, a colaboração premiada. Não há data prevista para a decisão.

HBHenrique Barros
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Mendonça também afasta da PF delegado que investigou morte de Marielle Franco

A decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), divulgada nesta terça-feira (8), afastou preventivamente, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência da corporação, o delegado Leandro Almada. Segundo a BBC News Brasil, ele ficou conhecido nacionalmente por ter atuado no grupo de policiais federais criado para investigar a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro, em março de 2018.O afastamento da dupla é o capítulo mais recente da crise instalada no STF desde a semana passada, quando Mendonça retirou o sigilo de relatórios da PF sobre supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Citados em um despacho de Moraes, os documentos de inteligência analisavam, entre outros pontos, decisões tomadas pelo próprio Mendonça em investigações sob sua relatoria e a atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias.Quem é Leandro AlmadaAlmada comanda a Diretoria de Inteligência Policial (DIP), órgão central do sistema de inteligência da PF, desde 2024. Antes, chefiou a Superintendência da corporação no Rio de Janeiro entre 2023 e 2024, após passar pelos comandos do Amazonas e da Bahia. Foi no período no Rio que a PF desencadeou operações de combate ao crime organizado no cumprimento de decisão do STF na ADPF das Favelas, parte das quais atingiu o ex-governador Cláudio Castro (PL).Dois delegados ouvidos pela BBC em caráter reservado afirmam que a atuação de Almada no Rio incomodava a cúpula do governo fluminense. Em dezembro de 2023, a jornalista Andreia Sadi, da GloboNews, reportou que Castro e aliados teriam tentado tirá-lo do comando da PF no estado.O que diz a decisãoNa decisão, Mendonça relaciona o afastamento à produção de seis relatórios de inteligência, elaborados entre 3 e 31 de agosto, que, segundo o ministro, teriam extrapolado as atribuições legais da PF. Ele classificou a produção e a divulgação dos documentos como ilícitas, afirmou que teriam sido usados para "monitoramento e coleta dirigida" contra ele e contra Messias e chamou a conduta de "arapongagem institucional", conforme levantamento do g1.Quanto a Almada, o ministro citou o fato de a unidade que elaborou o relatório referido por Moraes estar sujeita à DIP. "A referida unidade de inteligência sujeita-se à DIP, sendo assim dever legal do seu responsável zelar para que fossem observados os normativos internos e os comandos legais que rechaçam por completo a possibilidade de elaboração e disseminação desses 'relatórios'", escreveu. A decisão, porém, não afirma que o delegado tenha elaborado pessoalmente ou determinado a produção dos documentos."Em juízo preambular, identificam-se robustos indícios da existência não apenas de grave omissão como também de participação e conhecimento da elaboração desses 'relatórios', com consequências extremamente danosas, por parte dos atuais ocupantes dos cargos de maior envergadura na estrutura da Polícia Federal no que concerne às suas atividades de inteligência."Mendonça determinou que a Corregedoria da PF apure as circunstâncias da produção dos relatórios e suspendeu a elaboração desse tipo de documento sobre atos de magistrados, advogados públicos e policiais federais. Para o ministro, o afastamento busca impedir que os dois delegados usem "as prerrogativas, os acessos, os sistemas, as relações institucionais e os instrumentos inerentes ao cargo para interferir nas investigações em curso". Dependendo do resultado das apurações, Rodrigues e Almada podem responder a processos administrativos que podem levar à expulsão da corporação.1º de setembro: Mendonça retira o sigilo de mensagens extraídas do celular de Vorcaro que citam Moraes.2 de setembro: o partido Novo pede ao STF a avaliação do afastamento cautelar de Andrei Rodrigues.3 de setembro: Moraes retira o sigilo dos relatórios de inteligência da PF e pede ao presidente do STF, Edson Fachin, apuração contra Mendonça.8 de setembro: Mendonça determina o afastamento preventivo de Rodrigues e Almada e manda a Corregedoria apurar a produção dos relatórios.Depois da decisão, Mendonça levou o caso à Segunda Turma do STF, que começou a julgar, em plenário virtual, na manhã desta terça, se mantém o afastamento de Rodrigues. Dois ministros votaram por manter a determinação, formando maioria, mas Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento, informaram a Folha de S.Paulo e a BBC. O presidente do colegiado, Luiz Fux, cancelou a sessão presencial que estava marcada para a tarde, e Dias Toffoli declarou-se impedido de julgar processos ligados ao escândalo do Banco Master. Não há data definida para a retomada do julgamento, que segue suspenso até que Gilmar conclua o exame. Em paralelo, 11 diretores da PF colocaram os cargos à disposição em nota de "total apoio" a Rodrigues, e Fachin reuniu-se com o ministro da Justiça e com o advogado-geral da União.

HBHenrique Barros
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Presidentes de 17 seccionais da OAB pedem apuração do caso Moraes-Vorcaro

Presidentes de 17 das 27 seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já se manifestaram publicamente pela apuração do caso que envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, segundo levantamento do Poder360 publicado nesta terça-feira (8). As posições variam do pedido de investigação rigorosa, linha da OAB Nacional, a pedidos de afastamento e suspeição. As acusações ainda estão em fase de apuração.A crise na Corte foi aberta em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. No mesmo dia, a OAB Nacional, presidida por Beto Simonetti, defendeu uma "apuração rigorosa e isenta de todos os fatos". Em vídeo divulgado na segunda-feira (7), Simonetti cobrou respostas rápidas do tribunal:"O Brasil vive um momento que exige serenidade, transparência e respostas. Por isso mesmo, precisamos de respostas rápidas e claras do Supremo Tribunal Federal. (...) Quando essa confiança é abalada, é dever de todos trabalhar para restabelecê-la."O que pedem as seccionaisSimonetti convocou para a quarta-feira (9) uma reunião extraordinária para discutir a crise. Fachin, por sua vez, cancelou o encontro que teria no mesmo dia com representantes da Ordem, segundo o Poder360. Entre as seccionais, apenas Paraná e Rio Grande do Sul pediram medidas mais duras: o Paraná defendeu o afastamento de Moraes e a suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas mensagens, e o Rio Grande do Sul pediu a suspeição de Gonet e investigação contra Moraes. O Mato Grosso do Sul classificou os fatos como "gravíssimos", o Ceará afirmou que eles "atingem a confiança da sociedade na Justiça" e a Paraíba defendeu o fim da competência criminal do STF. As seccionais do Acre, Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Maranhão, Piauí, Roraima, Sergipe, São Paulo e Tocantins não haviam se manifestado até a publicação do levantamento; Bahia e Rio Grande do Norte apenas republicaram a nota nacional.Entenda o casoO relatório tornado público por Mendonça tem 218 páginas e foi elaborado pela PF a partir da análise do celular de Vorcaro. Segundo o g1, reúne 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes entre outubro e novembro de 2025, período em que o Banco Master já era alvo de investigações. Para a corporação, os dois combinaram encontros e conversaram sobre as apurações que envolviam o banco. O documento também cita Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Questionado, Gonet pediu a anulação da apuração e alegou ilegalidade no relatório.Os desdobramentos se sucederam em uma semana. Na quinta-feira (3), Moraes pediu, dentro do inquérito das fake news, do qual é relator há sete anos, a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Na sexta-feira (4), o presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, retirou o pedido do inquérito e passou a tratar do caso em procedimento conduzido pela Presidência do tribunal, com promessa de resposta "firme, proporcional e rigorosa". No domingo (6), Mendonça liberou para o plenário o pedido de abertura de investigação contra Moraes.Impeachment entra na campanhaO caso chegou ao debate eleitoral. Quatro candidatos ao Senado por Minas Gerais defenderam, no encontro promovido pelo g1 na manhã desta terça, a investigação das denúncias de envolvimento de ministros do STF com o esquema financeiro do Banco Master e o impeachment dos magistrados caso haja comprovação, segundo o Valor Econômico. Marcelo Aro (PP) disse ser "100% favorável" ao impeachment, afirmou que o STF "passou dos limites" e alegou existir um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da esposa de Moraes e o Banco Master. Áurea Carolina (PSOL) disse que não se recusaria a atuar em processos de impeachment, mas defendeu apuração rigorosa dentro dos ritos da democracia. Carlin Moura (Avante) propôs mandatos com prazo determinado para ministros e o afastamento das autoridades envolvidas durante as apurações. Arcanjo Pimenta (MDB) afirmou que o impeachment deve ser levado adiante se houver justificativa constitucional.À tarde, participaram da segunda rodada do debate Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL) e Manoel Carvalho (MDB); Marília Campos (PT) e Carlos Viana (PSD) foram convidados e recusaram. No STF, o próximo passo tem data marcada: na sexta-feira (11) termina o prazo que Fachin deu a Moraes, a Mendonça, à Procuradoria-Geral da República e à PF para prestarem informações. Caberá ao presidente do tribunal definir quando o plenário será convocado e se a sessão será aberta ou fechada.

HBHenrique Barros
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13 ministros aposentados do STF pedem a Fachin apuração 'imediata e rigorosa' da crise

Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) assinaram uma carta aberta divulgada na segunda-feira (7) dirigida ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, pedindo que seja convocada com urgência uma sessão pública do plenário para determinar a "imediata e rigorosa apuração" do que chamam de a "mais aguda crise" da história do tribunal. Estão entre os signatários Celso de Mello, Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Ellen Gracie e Nelson Jobim. O documento, ao qual a BBC News Brasil teve acesso, cobra que a apuração ocorra "sob o devido processo legal".Na carta, os ex-ministros manifestam "plena confiança" na "seriedade, discernimento e firmeza" de Fachin na condução do tribunal e defendem que ele designe, "com toda a urgência", a sessão do Pleno em caráter público:"Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas."Assinam também Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Cezar Peluso, Ayres Britto e Eros Grau. Ministros que deixaram a Corte mais recentemente, como Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, que foi ministro da Justiça no governo Lula (PT), não assinaram o manifesto. Segundo o g1, Barroso ficou de fora do documento e busca uma saída interna para a crise.Como a crise começouA carta chega em meio à crise mais grave enfrentada pelo STF em anos. Segundo o g1, o estopim foi a divulgação, por decisão do ministro André Mendonça, de um relatório da Polícia Federal produzido no âmbito do caso Master, que trouxe à tona mensagens e contatos envolvendo integrantes da Corte, autoridades e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Alexandre de Moraes encaminhou a Fachin um pedido de abertura de investigação contra Mendonça. Fachin assumiu a condução dos procedimentos ligados ao caso, defendeu que a resposta do tribunal seja guiada pelo devido processo legal e afirmou que nenhum integrante do Judiciário está acima da Constituição.Na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da instituição, delegado Leandro Almada. Levada à Segunda Turma do STF, a medida foi referendada por maioria, com os ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanhando o relator; Gilmar Mendes pediu vista, o que suspende a conclusão do julgamento, e Dias Toffoli não se pronunciou. Onze diretores da PF colocaram os cargos à disposição em apoio a Rodrigues, e a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu a Fachin que conteste a decisão e suspenda os afastamentos, apontando, segundo o g1, invasão de competência da Presidência da República.'Sombra corrosiva da suspeita'Celso de Mello, ministro do STF de 1989 a 2020 e presidente da Corte de 1997 a 1999, enviou à imprensa uma manifestação individual para complementar a carta. Ele afirma que o texto coletivo não se referiu a "qualquer episódio específico" e escreve que "nenhuma autoridade está acima da lei, nem pode invocar a dignidade do cargo para subtrair-se ao escrutínio público". Para ele, eventuais condutas ilícitas ou comportamentos eticamente censuráveis não podem projetar sobre o tribunal "a sombra corrosiva da suspeita": o STF, escreve, "é maior do que todos e cada um de seus Ministros" e não pode ser "convertido em escudo protetor de desvios individuais".O blog de Ana Flor, do g1, relata os bastidores da mobilização. A carta foi costurada ao longo do fim de semana, com uma força-tarefa entre sexta (4) e sábado (5) para localizar ex-colegas, alguns fora do Brasil. Três signatários ouvidos pela reportagem disseram estar "extremamente" preocupados com o impacto das revelações e dos embates internos na confiança institucional da Corte. Entre os pontos acordados estão a sessão plenária aberta, para evitar novas reuniões fechadas como a que, segundo o g1, enterrou indícios levados pela PF sobre o ministro Dias Toffoli, e a apuração ampla dos fatos por meio de inquérito. Um dos signatários reconheceu preocupação com a sucessão da presidência do STF e o risco de a próxima presidência caber a Alexandre de Moraes antes que os indícios sejam apurados.Até a noite de terça-feira (8), Fachin não havia marcado a sessão pública pedida pelos ex-ministros, e seguiam pendentes em sua mesa o pedido da AGU de suspensão dos afastamentos na PF e o pedido de Moraes de investigação contra Mendonça. Segundo o g1, uma ala do STF defende que as informações sobre o embate entre Moraes e Mendonça só sejam analisadas após as eleições de outubro, e não havia data definida para o plenário.

HBHenrique Barros
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Operação Resgate VI resgata 479 trabalhadores em situação análoga à escravidão em agosto

A Operação Resgate VI, força-tarefa nacional de combate ao trabalho análogo à escravidão e ao tráfico de pessoas, resgatou 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão durante ações realizadas entre 1º e 31 de agosto, em 19 estados. Segundo o balanço da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgado nesta quarta-feira (9) e reportado pelo g1, as equipes cumpriram 231 ações de fiscalização. Entre os resgatados, 404 eram homens (84,4%) e 75, mulheres (15,6%). A operação identificou ainda 15 crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, sendo 13 também submetidas a condições análogas à escravidão, e 66 trabalhadores migrantes de países como Argentina, Bolívia, Venezuela, Senegal e Guiné-Bissau.A força-tarefa foi coordenada por auditores-fiscais da SIT, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal. O número de 479 resgatados também foi reportado pela Folha, e o MPF divulgou balanço próprio da operação. No Brasil, submeter trabalhador a condição análoga à escravidão é crime, tipificado no artigo 149 do Código Penal.Onde e em quais atividadesMinas Gerais concentrou o maior número de resgates, com 208 trabalhadores, o equivalente a 43,4% do total. Em seguida aparecem São Paulo, com 58, Amazonas, com 42, Piauí, com 40, e Rio Grande do Norte, com 37. Por região, o Sudeste respondeu por 267 resgates (55,7%). As atividades rurais representaram 61% das fiscalizações e concentraram 292 resgates; nas urbanas, foram 178. A construção civil foi a atividade com mais trabalhadores resgatados, com 85 casos, seguida do cultivo de café (53), de cebola (47) e de batata (44). No trabalho doméstico, 14 empregadores foram fiscalizados e 9 trabalhadores foram resgatados.Consequências jurídicas e próximos passosOs empregadores flagrados foram obrigados a interromper as atividades, rescindir os contratos e formalizar retroativamente os vínculos de emprego. Até o momento, foram pagos R$ 1,47 milhão em verbas rescisórias, de um total estimado em R$ 3,29 milhões. O balanço contabiliza ainda R$ 675,5 mil em indenizações por danos morais individuais e R$ 455,5 mil por danos morais coletivos. Foram firmados três Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), e quatro ações civis públicas estão em fase de ajuizamento; a data de protocolo não foi divulgada. Os resgatados receberam o seguro-desemprego especial, de seis parcelas de um salário mínimo cada.As fiscalizações também devem resultar em cerca de 1.836 autos de infração, por irregularidades como trabalho infantil, falta de registro em carteira e descumprimento de normas de saúde e segurança. Houve 28 interdições ou embargos de atividades, e 1.192 trabalhadores foram encontrados sem registro formal de trabalho. O balanço não traz manifestação dos empregadores fiscalizados, e nenhuma condenação criminal foi informada até agora.Realizada desde 2021, a Operação Resgate reúne órgãos públicos para identificar e interromper situações de trabalho análogo à escravidão, proteger as vítimas e adotar medidas trabalhistas, administrativas, civis e criminais contra os responsáveis. A edição de 2026 foi a terceira maior da série, atrás de 2024, com 594 resgates, e de 2023, com 532, e ficou 123% acima da edição de 2025, que registrou 215. Segundo o levantamento, o número poderia ser maior se o país não tivesse um déficit histórico de auditores-fiscais do trabalho: hoje são cerca de 2,8 mil profissionais na ativa.

HBHenrique Barros
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Lula pede quebra total do sigilo no caso Master e cobra fim de vazamentos seletivos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (9) a quebra completa do sigilo das investigações do caso Master e cobrou "mais transparência e não vazamentos seletivos" nas apurações. Em publicação na rede social X, o petista afirmou que o Brasil precisa de "explicações e medidas imediatas" para enfrentar a crise que, segundo ele, tomou conta do Poder Judiciário, e classificou o esquema apurado como "o maior crime financeiro da história do Brasil"."É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade", escreveu o presidente. Segundo o G1, Lula citou como exemplo de transparência a divulgação de informações da Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro do STF Ricardo Lewandowski. A Folha de S.Paulo registra que ele reclamou dos "vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral". Candidato à reeleição, Lula concorre ao quarto mandato.O caso Master apura um suposto esquema que teria inflado artificialmente o valor do extinto Banco Master por meio de ativos e carteiras de crédito sem lastro real. Segundo a Polícia Federal, a estrutura permitia ao banco aparentar solidez financeira, captar bilhões de reais de investidores e realizar operações sem garantias compatíveis. Entre os investigados está Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição.Como a crise chegou ao STFSegundo o G1, a manifestação de Lula ocorre em meio à maior crise interna do STF (Supremo Tribunal Federal) dos últimos anos, desencadeada por disputas em torno do caso Master e da atuação da Polícia Federal. Linha do tempo:O ministro André Mendonça levantou questionamentos sobre a relação entre o colega Alexandre de Moraes e Vorcaro, investigado no caso.Em resposta, Moraes determinou a abertura de apurações sobre a atuação de Mendonça.Na semana passada, relatórios da PF que expunham o embate entre os dois ministros tiveram o sigilo retirado.A pedido do Partido Novo, Mendonça decretou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, e paralisou os relatórios de inteligência.A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao STF ao argumento de que a decisão invadia prerrogativa do Poder Executivo.Na manhã desta quarta, o ministro Flávio Dino suspendeu o afastamento e determinou a recondução dos dois delegados aos cargos.Na decisão que reintegrou os diretores, Dino apontou que partidos políticos não têm legitimidade para pedir medidas cautelares no processo penal e sustentou que afastamentos dessa envergadura cabem ao plenário do tribunal, e não a uma decisão monocrática. O ministro afirmou ainda que a medida prejudicava diligências urgentes sob sua relatoria, entre elas a apuração de emendas parlamentares ligadas ao filme "Dark Horse". A AGU defende que a ordem de Mendonça violava prerrogativa constitucional do presidente da República sobre o comando da corporação.Horas depois da liminar de Dino, o presidente do STF, Edson Fachin, cancelou a sessão plenária prevista para as 14h de quarta. A reunião, a primeira desde a escalada da crise, teria na pauta o Marco Civil da Internet e os poderes investigativos da Polícia Federal, e havia expectativa de manifestações dos ministros sobre o impasse. O motivo do cancelamento não foi detalhado. O próximo passo é de Mendonça: Fachin abriu prazo de 72 horas para o ministro se manifestar sobre o recurso da AGU, prazo que ainda corre. Não foi divulgada nova data para o plenário.

HBHenrique Barros
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Dino reintegra Andrei Rodrigues e Almada na PF e reverte afastamento de Mendonça

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração imediata do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, com o restabelecimento integral de suas atribuições funcionais. A decisão atendeu a pedido do próprio diretor-geral e reverteu o afastamento preventivo determinado na véspera pelo ministro André Mendonça, em mais um capítulo da crise entre a corte e a corporação. Dino também proibiu novas medidas cautelares pessoais contra os dois delegados por atos praticados no regular exercício de suas atribuições.A crise explodiu na terça-feira (8), quando Mendonça afastou os dois delegados, determinou a abertura de procedimentos investigativos criminais e administrativo-disciplinares contra Rodrigues na Corregedoria da PF e proibiu a confecção e o compartilhamento de relatórios de inteligência sobre magistrados, procuradores e policiais. Segundo o ministro, ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, eram alvo de um "monitoramento sistemático" e ilegal pela inteligência policial, prática que classificou como arapongagem institucional. A Segunda Turma do STF chegou a referendar o afastamento por maioria. Como registrou a BBC Brasil, a decisão foi publicada cinco dias depois de o ministro Alexandre de Moraes pedir investigação contra Mendonça no âmbito do Inquérito das Fake News.Os argumentos de DinoAo deferir a tutela provisória, Dino apontou a ilegitimidade do Partido Novo, autor do pedido que resultou no afastamento, já que medidas cautelares penais, como a remoção de agente público, só podem ser requeridas pelo Ministério Público ou pela autoridade policial. O ministro lembrou também que o partido tem candidato na disputa presidencial de 2026, o ex-governador Romeu Zema, e que o processo penal não pode ser instrumentalizado em disputas eleitorais. "É inequívoca a ilegitimidade ativa do Partido Novo para requerer a medida cautelar", escreveu Dino, em decisão citada pelo G1, sustentando que o vício "macula integralmente a ordem judicial determinada".O relator sustentou ainda que a questão dos relatórios de inteligência da PF já tramita perante o presidente do STF, Edson Fachin, que fixou prazo para manifestações e submeteu a matéria ao plenário, o que, para Dino, impedia decisão monocrática com remessa à Segunda Turma. "Uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?", questionou o ministro, ao destacar que Mendonça é citado nos próprios documentos em análise. Dino invocou ainda a separação de poderes, argumentando que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da PF são privativas do presidente da República, e registrou que Andrei apenas cumpria determinações judiciais de Alexandre de Moraes.Segundo o G1, Dino classificou a suspensão das atividades da Diretoria de Inteligência como intervenção indevida na corporação, com prejuízo a investigações como o assassinato de Marielle Franco e o desvio de emendas parlamentares, do qual ele é relator. O ministro mencionou o inquérito sobre o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujos desdobramentos, segundo a decisão, levaram Andrei a apontar prejuízos aos trabalhos institucionais e a pedir a revogação do afastamento. Dino citou ainda notícias recentes sobre uma reunião entre Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em um esquema bilionário de fraudes, para dizer que o contexto exigia "parcimônia, moderação e equilíbrio republicano" da magistratura. A ordem vale até o integral cumprimento, pela PF, das medidas determinadas por Dino em processos sob sua relatoria, conforme trecho transcrito pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo:"Esta determinação ficará vigente até o integral cumprimento, pela Polícia Federal, das medidas determinadas por esta Relatoria, em autos a mim distribuídos, sem interrupção decorrente de interferência externa."A reintegração repercutiu de imediato na corrida eleitoral. Pelas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, declarou que "o Brasil está sem presidente, virou várzea" e pediu que Fachin resolva a questão "imediatamente". Zema, do Novo, criticou a decisão: "Esse é o Brasil dos intocáveis", escreveu, reiterando apoio a Mendonça e afirmando que o partido "pediu a PRISÃO desse sujeito" e não vai recuar. Até a publicação da reportagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, não havia comentado o caso, segundo o G1.Os dois delegados seguem respondendo aos procedimentos abertos por Mendonça e mantêm a presunção de inocência, assim como as demais pessoas citadas nos autos. O próximo passo institucional é o exame da questão dos relatórios de inteligência pelo plenário do STF, instância que Dino considerou competente para decidir o caso, após o prazo de manifestações fixado por Fachin. Nenhuma das reportagens consultadas informa data para esse julgamento.

HBHenrique Barros
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Fachin abre prazo de 72 horas para Mendonça responder à AGU sobre afastamento na PF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deu nesta terça-feira (8) prazo de 72 horas para o ministro André Mendonça se manifestar sobre o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para suspender o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. Rodrigues, diretor-geral da corporação, e o diretor de inteligência Leandro Almada da Costa foram afastados preventivamente na mesma data, por decisão individual de Mendonça.Na petição, assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, a AGU sustenta que há "grave lesão à ordem pública e administrativa" e que a medida fere a prerrogativa privativa do presidente da República de prover e desprover cargos de direção da PF. O órgão requereu liminar para suspender imediatamente o afastamento dos dirigentes, com confirmação do pedido no mérito. Em nota, a AGU defendeu ainda que a escolha e a livre exoneração do diretor-geral são atribuições exclusivas do chefe do Executivo federal e que a única exigência legal para o cargo é que ele seja ocupado por integrante da classe especial da carreira de delegado. Segundo o G1, a nota aponta risco concreto:"A descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional."Como o caso chegou até aquiMendonça é o relator dos casos do Banco Master e do INSS na Corte. Segundo a Folha de S.Paulo, o afastamento foi motivado por um relatório interno da PF usado pelo ministro Alexandre de Moraes para pedir investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução desses processos. Na decisão, Mendonça apontou a produção de relatórios de inteligência apócrifos que monitoravam a sua atuação e a de Messias, determinou a abertura imediata de procedimentos criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF e suspendeu a produção de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação de magistrados. O afastamento tem caráter preventivo: Rodrigues e Almada figuram como investigados, e não há condenação.Na Segunda Turma, o julgamento virtual para referendar a medida formou maioria de 3 votos a 0, com Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. A sessão acabou suspensa por um pedido de vista do decano, Gilmar Mendes, que, segundo a Folha, argumentou que a decisão pode ter desequilibrado a disputa eleitoral e defendeu a análise pelo plenário. Enquanto o colegiado não retoma as deliberações, a decisão individual de Mendonça continua em vigor. Enquanto isso, os diretores da PF divulgaram nota de "total apoio" a Rodrigues e colocaram os cargos à disposição do substituto, William Marcel Murad, e a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais pediu que o caso vá com urgência ao plenário, hoje composto por dez ministros.O recurso da AGU chega em meio a forte polarização dentro do próprio Supremo, como descreve o G1, e no meio da campanha eleitoral deste ano. Rodrigues é um dos nomes mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi coordenador de segurança do petista na campanha de 2022, segundo a Folha.Se usado por inteiro, o prazo concedido por Fachin termina na sexta-feira (11). Depois da manifestação de Mendonça, caberá ao presidente do STF decidir sobre o pedido de suspensão. Em paralelo, a Segunda Turma ainda precisa retomar o julgamento do referendo, sem data definida.

HBHenrique Barros
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CVM condena Vorcaro e Banco Master por fraude em FII; multas somam R$ 201 milhões

O colegiado da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou, por unanimidade, na terça-feira (8), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master em processo administrativo sobre operação fraudulenta no mercado de capitais envolvendo um fundo de investimento imobiliário. Vorcaro foi multado em R$ 20 milhões, e o banco, já liquidado pelo Banco Central, em R$ 12,5 milhões. Segundo a Folha de S.Paulo, as multas por fraude aplicadas a todos os réus somam R$ 201 milhões.O julgamento começou às 15h, na sede da autarquia, no centro do Rio de Janeiro, em sessão aberta à imprensa e ao público. O relator, diretor João Accioly, votou pela condenação e foi acompanhado pelos demais membros do colegiado, segundo o G1. A condenação é de natureza administrativa: em processos penais paralelos, os envolvidos mantêm a presunção de inocência, e Daniel, Henrique e Felipe Vorcaro seguem presos preventivamente.O esquema, segundo a acusaçãoO processo foi instaurado em 2020 pela Superintendência de Registro de Valores Mobiliários para apurar a emissão e a distribuição de cotas do fundo, chamado de Brazil Realty pela Folha e de Brasil Real pelo G1. Para a área técnica da CVM, o esquema consistia em inflar o valor de imóveis e ativos entregues ao fundo por meio de laudos falsificados ou inconsistentes e em simular a liquidez das cotas no mercado secundário para atrair investidores. As investigações focaram a terceira emissão de cotas, que integralizou R$ 139,1 milhões, a maior parte em ativos físicos com valor inflado, segundo a acusação. A Talent Construções, por exemplo, subscreveu R$ 28,6 milhões entregando ações da Brasil Realty Empreendimentos ao fundo, relata a Folha.Penas, defesas e próximos passosAlém de Daniel Vorcaro, outras sete pessoas e nove empresas foram condenadas, segundo a Folha. O pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, recebeu multa de R$ 20 milhões, e o primo, Felipe Vorcaro, de R$ 5 milhões. A Entre Investimentos foi multada em R$ 10 milhões, e seu dono, Antônio Freixo Junior, em R$ 5 milhões. O Valor Econômico lista ainda Benjamin Botelho entre os condenados, junto com outros 11 acusados.Nos autos, as defesas negam irregularidades e sustentam que todas as operações seguiram as regras do mercado. A defesa de Daniel Vorcaro afirma que não havia provas individuais de conduta ilegal, e Entre Investimentos e Freixo disseram à CVM que a acusação falhou em demonstrar operação fraudulenta, ardil, indução ao erro e vantagem ilícita. Antes do mérito, os advogados pediram adiamento da sessão, negado pelo relator, e um acordo proposto pelos acusados para encerrar o processo foi rejeitado pelo colegiado. Henrique Vorcaro não enviou representante, e o defensor de Felipe, que assumiu o caso recentemente e só teve acesso aos autos na semana passada, pediu adiamento. Como o processo levou cerca de seis anos da abertura ao julgamento, parte das defesas pediu a prescrição das irregularidades.As defesas podem recorrer da decisão administrativa na Justiça, etapa que ainda não tem data definida. Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro negou irregularidades na condução dos negócios do banco, segundo o G1, e os três Vorcaro permanecem presos preventivamente enquanto tramitam os processos penais.

HBHenrique Barros
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Polícia do Rio indiciou 13 pessoas pela morte do ciclista espancado em Copacabana

A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou 13 pessoas pela morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, espancado na madrugada de 11 para 12 de agosto em Copacabana, na Zona Sul do Rio, depois de ser acusado injustamente de ter furtado uma bicicleta. O inquérito foi concluído na segunda-feira (7) pelo delegado Angelo José Lages Machado, titular da 12ª Delegacia de Polícia, sediada no bairro, e enviado ao Ministério Público. Cinco investigados vão responder por homicídio triplamente qualificado; quatro estão presos e um segue foragido.Segundo as investigações, Cláudio Rafael parou com a bicicleta da irmã em frente a uma loja de brinquedos e a uma farmácia da Rua Barata Ribeiro. A polícia analisou mais de 12 horas de imagens de câmeras de segurança e concluiu que ele foi cercado por seguranças que atuavam na região e agredido durante cerca de nove minutos, com socos, chutes e dezenas de golpes com um objeto de madeira. O inquérito relata que a vítima "ficou agonizando no chão por mais de 30 minutos" antes de ser socorrida. Levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, ele morreu no dia 12 de agosto, com traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e rompimento de órgãos. Cláudio tinha problemas psiquiátricos e não ofereceu resistência, e o delegado afirma que não houve "a mínima demonstração" de que ele tivesse furtado a bicicleta.Os indiciamentosResponderão por homicídio triplamente qualificado (motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima) os seguranças de rua Davi dos Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias, os entregadores de aplicativo Felipe Eduardo dos Santos Dias e Ailton José da Silva e Wellington Luiz Santos de Souza, que aparece nas imagens chutando a cabeça da vítima ao fim das agressões e é o único foragido; o Disque Denúncia divulgou um cartaz de procura por ele em 27 de agosto. Entre os demais indiciados estão quatro pessoas apontadas por exercício irregular da atividade de segurança e vigilância de rua, quatro comerciantes acusados de financiar o esquema, uma mulher que teria entregue o bastão de madeira usado nas agressões, indiciada por lesão corporal, e um homem que presenciou os golpes sem acionar a polícia ou os bombeiros, indiciado por omissão de socorro.O inquérito descreve ainda um sistema informal de segurança pago por comerciantes da região. "Os pagamentos não eram realizados mediante contrato formal ou relação trabalhista regularmente constituída. Ao contrário, eram efetuados de maneira informal, predominantemente em espécie e sem recibos", diz o documento, ao qual a Agência Brasil teve acesso. Na conclusão, o delegado escreveu que "em vez de acionarem a autoridade pública, os envolvidos optaram por julgar e submeter Cláudio a sentença de sucessivas agressões, que causaram a morte".As versões dos investigadosNos depoimentos à polícia, relatados pelo G1, o segurança Davi dos Santos Machado mudou de versão. Primeiro disse ter dado apenas um soco e atribuiu o espancamento aos entregadores; depois admitiu ter desferido os golpes com o bastão e classificou o episódio como um "ato insano", sem explicar o que o levou a agir. Ele afirmou que não havia informação concreta de furto e que a vítima obedeceu às ordens dos agressores. Já Wellington, segundo relatos de testemunhas, teria perguntado aos entregadores se Cláudio era um "ladrão" e, após receber a confirmação, chutado a cabeça da vítima, dizendo: "Ladrão tem que morrer mesmo". Indiciamento é uma acusação formal da polícia; nenhuma das 13 pessoas foi condenada, e todas mantêm a presunção de inocência.O próximo passo cabe ao Ministério Público do Rio, que vai analisar o inquérito e decidir se oferece denúncia contra os indiciados na Justiça. Não foi divulgada uma data para a decisão. Se a denúncia for aceita, os indiciados se tornarão réus e poderão apresentar defesa em ação penal.

HBHenrique Barros
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Ex-banqueiro suíço admite propina de R$ 500 milhões e é condenado a 2 anos suspensos

O Tribunal Penal Federal da Suíça condenou nesta terça-feira (8) o ex-banqueiro Pierre Mirabaud, de 77 anos, a dois anos de prisão, com a pena suspensa, por suborno de agente público e lavagem agravada de dinheiro. Ex-sócio do banco privado genebrino Mirabaud & Cie e ex-presidente da Associação Suíça de Banqueiros entre 2003 e 2009, ele admitiu ter pago US$ 101,7 milhões (R$ 518,67 milhões) em propina a um funcionário do governo do Kuwait, segundo o G1.Segundo a acusação do Ministério Público da Suíça, Mirabaud fez centenas de pagamentos ao funcionário entre 2000 e 2012. Em troca, o esquema teria levado US$ 595,2 milhões (R$ 3,035 bilhões) em recursos geridos ao banco. Para a Bloomberg, cuja reportagem foi reproduzida pelo InfoMoney, o destinatário dos valores era Fahad Al Rajaan, que comandou de 1984 a 2013 a Instituição Pública de Seguridade Social do Kuwait (PIFSS), o fundo de pensão do país. Mirabaud foi absolvido de uma acusação separada de falsificação de documentos.O julgamento, em Bellinzona, durou meio dia. Mirabaud aceitou um procedimento simplificado, no qual reconheceu as irregularidades para acelerar o andamento do caso e buscar uma pena mais branda. Os promotores pediram 24 meses de prisão, levando em conta a idade do banqueiro, a ausência de condenações anteriores e sua colaboração com a investigação. O tribunal fixou dois anos, suspensos, com período de prova de dois anos, e o condenou ainda a pagar 82 mil francos suíços de custas processuais. Na Suíça, corrupção e lavagem podem resultar em multa ou prisão de até cinco anos, e as penas costumam ser suspensas quando não há expectativa de reincidência."Durante todo este processo, iniciado em 2012, Pierre Mirabaud cooperou plenamente com as autoridades judiciais. Hoje, ele assume a responsabilidade por seus atos, em conformidade com os princípios da responsabilidade individual", afirmou o advogado de Mirabaud, Saverio Lembo, em comunicado.Como o caso chegou ao tribunalDepois das denúncias sobre sua gestão na PIFSS, Al Rajaan teve os bens congelados e virou alvo de pedido de prisão internacional da Interpol. Ele foi condenado à revelia no Kuwait, em 2016, por corrupção e desvio de dinheiro público, e morreu em Londres em 2022. Segundo a Bloomberg, o fundo kuwaitiano nomeou uma nova equipe de gestão em 2017 e encerrou mais de US$ 20 bilhões em investimentos considerados suspeitos. O caso também foi julgado pela Alta Corte de Londres no ano passado, e a decisão ainda não foi divulgada.O banco e o regulador suíçoO Mirabaud & Cie, fundado em Genebra em 1819 e administrado pela sétima geração da família fundadora, não é parte no processo e se recusou a comentar a condenação. Em 2024, a autoridade de fiscalização do mercado financeiro da Suíça, a FINMA, confiscou 12,7 milhões de francos suíços em lucros considerados ilícitos obtidos pelo banco, após identificar violações das regras do mercado e das obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro. As relações comerciais investigadas chegaram a representar, em certos momentos, quase 10% de todo o dinheiro gerido pela instituição.Como a pena foi suspensa, Mirabaud não cumprirá prisão enquanto respeitar as condições do período de prova de dois anos. O descumprimento pode levar à execução da sentença. O próximo passo conhecido do caso é a decisão da Alta Corte de Londres, ainda sem data para ser publicada.

HBHenrique Barros
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Após saber que a PF o monitorava, Mendonça isola celulares e toca música erudita

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça mudou hábitos de trabalho e segurança no gabinete depois de saber que era monitorado pela Polícia Federal, que produziu ao menos seis relatórios de inteligência sobre ele. Segundo reportagem do Poder360 desta terça-feira (8), o ministro passou a pedir que visitantes depositem os celulares em uma caixa blindada, capaz de bloquear os sinais dos aparelhos, antes de conversas reservadas, e mantém música erudita tocando em um sistema de som para dificultar eventuais escutas.Os relatórios teriam sido elaborados por uma unidade de inteligência ligada à Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF e recebidos pela direção-geral da corporação entre 3 e 31 de agosto, aponta o Poder360. Os documentos não têm timbre, assinatura, data de elaboração nem identificação dos analistas responsáveis e se apresentam como "documento de trabalho" sem valor probatório. O material analisava decisões do ministro nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, e Compliance Zero, que apura irregularidades ligadas ao escândalo do Banco Master.Como o caso chegou até aquiA crise veio à tona em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de peças da investigação do Banco Master que tratavam da relação do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes. Às 18h45 do mesmo dia, o então diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou formalmente os relatórios a Moraes, relator do inquérito das Fake News. Moraes afirmou ter recebido "notícias da existência" do material e determinou que a PF o enviasse ao seu gabinete. No dia 3 de setembro, usou o conteúdo para pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a investigação do colega e a inclusão dele no inquérito.Nesta terça (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada da Costa, chefe da Diretoria de Inteligência Policial. A decisão abriu procedimentos na Corregedoria da PF para apurar quem ordenou e produziu os relatórios e se existem outros com a mesma finalidade, e suspendeu a produção de relatórios da corporação sobre atos de magistrados, advogados públicos e policiais federais.O que cada lado alegaNa decisão, Mendonça afirmou ter sido submetido a um "monitoramento sistemático" que também atingiu o advogado-geral da União, Jorge Messias, classificou a prática como ilícita e disse que ela poderia configurar "verdadeira arapongagem institucional", expressão que usa como sinônimo de espionagem. Comparou a situação ao romance 1984, de George Orwell. Segundo o g1, o ministro destacou que o próprio relatório classificava suas teses com "confiança agregada baixa", mas concluía autorizando "monitoramento e coleta dirigida", e chamou de "leviana e abjeta" a menção a uma suposta "matriz religiosa comum" entre ele e Messias."Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que, por si só, revela a gravidade da situação", escreveu o ministro na decisão.No pedido enviado a Fachin, Moraes apontou que o material indicaria improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos na condução, por Mendonça, dos casos Master e INSS, segundo o g1. Moraes não se manifestou publicamente sobre a crise. Nenhuma irregularidade foi comprovada até agora: contra Mendonça há apenas um pedido de investigação pendente de deliberação, e os delegados afastados respondem a procedimentos disciplinares, sem indiciamento.No plano político, aliados do presidente Lula criticaram a ordem. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), classificou a medida como "descabida e uma intromissão onde não lhe cabe". Já o líder da oposição, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse à Folha de S.Paulo que o caso confirma que "Lula aparelhou a PF através de Andrei para perseguir adversários". Mendonça foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.Os próximos passos têm prazo. Até 14 de setembro, Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues podem se manifestar sobre o relatório da PF relativo às mensagens de Vorcaro a Moraes. Em seguida, a PGR deve se pronunciar sobre a legalidade do material de inteligência, e Mendonça tem até 21 de setembro para prestar informações. Uma ala da corte alinhada a Moraes defende que a decisão sobre abrir investigação contra os dois ministros fique para depois das eleições.

HBHenrique Barros
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Maioria mantém cúpula da PF afastada; vista de Gilmar suspende julgamento no STF

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta terça-feira (8) para referendar o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O julgamento, em sessão virtual extraordinária, foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes e por isso não pode ser encerrado formalmente. Segundo o G1 e a Folha de S.Paulo, os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques anteciparam votos e acompanharam integralmente o relator do caso, André Mendonça.Com três manifestações favoráveis em um colegiado de cinco integrantes, já existe maioria pela manutenção da decisão. A Folha relata que os dois votos foram registrados em menos de dez minutos após a abertura da sessão. O pedido de vista de Gilmar tem prazo de 90 dias, informa o jornal, e enquanto os autos não retornarem a liminar individual de Mendonça segue em vigor: os dois diretores permanecem afastados e a PF está proibida de produzir ou compartilhar relatórios de inteligência sobre a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública e da polícia judiciária.Linha do tempo da criseA pressão sobre o comando da PF cresceu no início de setembro. Em 2 de setembro, o Partido Novo acionou o STF apontando mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Bueno Vorcaro, ligado ao Banco Master, que faziam menção direta a um "Andrei", identificado pela própria corporação como o diretor-geral. No dia 3, o partido pediu a prisão preventiva de Rodrigues, alegando indícios de ligação com uma suposta rede de influência criminosa. Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo de seis relatórios de inteligência produzidos de forma oculta pela PF entre 3 e 31 de agosto, no âmbito do Inquérito das Fake News.Ao examinar o material, Mendonça concluiu que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, eram alvo de "monitoramento sistemático e de coleta dirigida" de dados. Ele comparou a estrutura montada na PF ao romance "1984", de George Orwell, determinou o afastamento dos dois diretores e ordenou a abertura de procedimentos para apurar a produção dos relatórios. "A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos 'relatórios de inteligência' impõe a adoção de providências imediatas", escreveu o ministro, conforme a Folha.O que cada lado alegaPara Mendonça, os relatórios são apócrifos, não têm validade jurídica e serviram para monitorar autoridades. O afastamento é cautelar: Rodrigues e Almada não foram condenados e respondem aos procedimentos sob presunção de inocência. Do outro lado, um relatório interno da PF foi utilizado por Moraes para pedir investigação contra o próprio Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Segundo a Folha, o documento sustenta que o ministro teria direcionado apurações contra Moraes e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, "com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos". O relator também sinalizou disposição de levar ao plenário a abertura de investigação formal contra o colega.O diretor-geral tem apoio interno na corporação. O diretor-executivo da PF, William Marcel Murad, declarou em evento nesta terça-feira (8), segundo o G1: "Não nos deixaremos abalar por ataques". O governo também se move contra a decisão: a coluna Mônica Bergamo, da Folha, informou que a Advocacia-Geral da União vai recorrer ao STF. O próximo passo na Segunda Turma é o retorno dos autos por Gilmar Mendes, dentro do prazo de 90 dias, quando o colegiado poderá concluir o julgamento. Não há data definida.

HBHenrique Barros
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STF forma maioria por afastar Andrei Rodrigues, mas Gilmar Mendes pede vista

A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta terça-feira (8) para manter o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O julgamento virtual extraordinário, porém, foi suspenso antes da conclusão, após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.Em menos de dez minutos após a abertura da sessão, os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram para acompanhar integralmente o relator, André Mendonça, segundo a Folha de S.Paulo. Como a turma tem cinco integrantes, os três votos já asseguram a maioria pela manutenção da decisão monocrática.O pedido de vista não altera o efeito prático da ordem. A decisão cautelar de Mendonça segue em vigor, e Gilmar tem prazo de 90 dias para devolver os autos ao colegiado, ainda segundo a Folha. A ordem também suspende a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência da PF sobre a atuação funcional de magistrados, advogados públicos e policiais judiciários, conforme o G1.Como a crise começouO embate começou no início de setembro, quando Mendonça, relator dos inquéritos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), retirou o sigilo de um relatório da PF sobre as interações entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a BBC Brasil, os diálogos mostram o banqueiro cobrando atenção especial aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o banco e o escritório Barci de Moraes, comandado pela mulher do ministro.A pressão sobre Andrei Rodrigues cresceu no dia 2 de setembro, quando o Partido Novo acionou o STF apontando mensagens do celular de Vorcaro que mencionavam o nome "Andrei", e no dia 3, quando a legenda pediu a prisão preventiva do diretor-geral, alegando indícios de ligação com uma suposta rede de influência criminosa, relata o G1.Moraes reagiu com um despacho no Inquérito das Fake News, do qual é relator, apresentando relatórios de inteligência da PF que, segundo ele, apontariam "em tese" improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça, além de uma "diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas" contra ele próprio. O presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei se manifestassem. Na sexta-feira (4), Fachin retirou a análise das acusações contra Mendonça do âmbito do inquérito.Na decisão desta terça, Mendonça apontou que Andrei enviou a Moraes ao menos seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto, com monitoramento de um ministro da Corte por mais de 30 dias. O material também alcançaria o advogado-geral da União, Jorge Messias, segundo o G1, que registra ainda a comparação feita pelo ministro entre a estrutura e a distopia de "1984", de George Orwell. Mendonça determinou a abertura de procedimentos criminal e administrativo-disciplinar contra Andrei na corregedoria da PF. O afastamento é preventivo e não há condenação nesta etapa."A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos 'relatórios de inteligência' impõe a adoção de providências imediatas... Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação", escreveu Mendonça na decisão.Na manhã desta terça, o diretor-executivo da PF, William Marcel Murad, número dois da hierarquia da corporação, defendeu publicamente Andrei em evento e declarou: "Não nos deixaremos abalar por ataques", segundo o G1.O que vem a seguirO julgamento da Segunda Turma só é retomado quando Gilmar Mendes devolver os autos, no prazo de até 90 dias. Em paralelo, a AGU (Advocacia-Geral da União) anunciou que vai recorrer ao STF contra o afastamento, segundo a coluna Mônica Bergamo, da Folha. Segue aberto também o prazo que Fachin deu às partes para explicações sobre a crise entre o tribunal e a cúpula da polícia.

HBHenrique Barros
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Mendonça manda PF abrir investigação penal e disciplinar contra Andrei Rodrigues

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal abra, por meio da Corregedoria da corporação, procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar a conduta de Andrei Rodrigues, diretor-geral afastado da PF. A ordem integra a decisão divulgada nesta terça-feira (8) que determinou também o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.Segundo o InfoMoney, a Corregedoria deverá levar ao relator do caso eventuais medidas que considerar necessárias ao longo das apurações. Mendonça escreveu que o afastamento dos dois dirigentes é necessário para que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e integrantes da própria PF atuem sem "constrangimentos ilegais". Rodrigues e Almada são investigados; o afastamento é preventivo, não equivale a condenação e os dois mantêm a presunção de inocência."À Polícia Federal, por meio da sua Corregedoria, que promova a abertura de procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar voltados à apuração dos graves fatos identificados", escreveu o ministro na decisão.O que deve ser apuradoDe acordo com a decisão, citada pelo G1 e pela BBC News Brasil, o diretor-geral encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao menos seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026. Mendonça afirma que ele próprio vinha sendo monitorado de forma ilícita e sistemática pela inteligência policial havia mais de 30 dias e que Messias também foi alvo de "coleta dirigida" de informações."Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação", escreveu o ministro, que comparou o cenário ao romance 1984, de George Orwell. Ele classificou os relatórios como apócrifos, sem timbre, brasão, assinatura ou numeração, um "nada jurídico" contrário à Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública. A decisão aponta ainda vazamento de informações sigilosas: o material detalhava investigações em curso envolvendo os políticos Antonio Rueda e ACM Neto, e a publicização teria revelado aos alvos potenciais medidas cautelares, "frustrando completamente a sua eficácia".Como o caso chegou ao STFA crise tem origem nos desdobramentos das investigações ligadas ao Banco Master, segundo o InfoMoney. Rodrigues foi citado em material encontrado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, e mensagens do aparelho faziam referências ao nome "Andrei", identificado pela PF como o diretor-geral. Em 2 de setembro, o Partido Novo pediu ao STF providências para preservar a independência das investigações; no dia 3, a legenda pediu a prisão preventiva de Rodrigues, alegando indícios de participação em suposta rede de influência criminosa liderada por Vorcaro. Nada disso foi provado. Ainda em 3 de setembro, a jornalista Monica Waldvogel, da GloboNews, afirmou que o próprio Rodrigues teria confirmado a ela que a PF elaborou cerca de cinco ou seis relatórios de inteligência para "consumo próprio e acervo", sobre o que a corporação considerava irregularidades; a fala está transcrita na decisão.Categorias técnicas reagiram à divulgação dos documentos. A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) afirmou que a Inteligência de Estado "não se confunde com investigação criminal, tampouco com a elaboração de peças destinadas à formação de juízo acusatório". Já o presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF) classificou a circulação do material fora da corporação como "totalmente irregular".O próximo passo do caso está marcado para esta terça-feira (8): Mendonça pediu a convocação de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF para referendar o afastamento e a abertura das investigações. A decisão também suspendeu, de imediato, a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.

HBHenrique Barros
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Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e, na mesma decisão, do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa. Segundo o G1, a decisão impõe ainda a abertura imediata de procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares na Corregedoria da PF para apurar a produção de relatórios de inteligência que monitoravam autoridades.O que aponta a decisãoDe acordo com a peça processual, o diretor-geral encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao menos seis relatórios de inteligência produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto. O próprio relator vinha sendo submetido, havia mais de 30 dias, a um monitoramento que a decisão classifica como ilícito e sistemático. Além de Mendonça, o advogado-geral da União, Jorge Messias, foi alvo de monitoramento e de "coleta dirigida" de informações. Os relatórios sugeriam que a decisão de Messias de não recorrer de decisões judiciais nas operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero" visava preservar uma "relação política com o relator".Mendonça qualificou como "surreal" e "abjeta" a tese de que a conduta do advogado-geral e do relator poderia ser explicada por uma "matriz religiosa comum" e pelo apoio de igrejas evangélicas às candidaturas de ambos ao STF. Os documentos, segundo o ministro, também faziam uma "escancarada realização de juízo correicional" sobre decisões do tribunal e sobre o trabalho de outros delegados da própria PF. Para ele, os relatórios eram apócrifos, sem timbre, brasão, assinatura ou numeração, o que os tornava "um nada jurídico" em desacordo com a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública. Os próprios autores do material advertiam que as análises eram "sem valor probatório" e de "confiança agregada baixa". A decisão registra ainda que os relatórios revelaram detalhes de investigações em curso envolvendo os políticos Antonio Rueda e ACM Neto e, com isso, anteciparam potenciais medidas cautelares aos alvos, "frustrando completamente a sua eficácia".Categorias técnicas reagiram no mesmo dia. A Intelis, união dos profissionais de inteligência de Estado da Abin, afirmou em nota que a inteligência de Estado "não se confunde com investigação criminal, tampouco com a elaboração de peças destinadas à formação de juízo acusatório". O presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF) classificou como "totalmente irregular" a circulação do documento fora da corporação e disse estranhar que uma unidade de inteligência produzisse esse tipo de análise.Como a crise começouA crise que culminou no afastamento começou a se desenhar no início de setembro. Em 2 de setembro, o Partido Novo acionou o STF para pedir providências a fim de preservar a independência das investigações que envolvem o diretor-geral. No dia seguinte, a legenda pediu a prisão preventiva de Andrei Rodrigues, alegando indícios de participação dele em uma suposta rede de influência criminosa liderada por Daniel Bueno Vorcaro; mensagens do celular de Vorcaro faziam referências diretas ao nome "Andrei", identificado pela PF como o diretor-geral. A decisão transcreve ainda reportagem da jornalista Monica Waldvogel, exibida em 3 de setembro na GloboNews, segundo a qual o próprio Andrei Rodrigues teria confirmado que a PF elaborou cerca de cinco ou seis relatórios de inteligência para "consumo próprio e acervo", depois solicitados por Moraes e que embasaram denúncia. Rodrigues é investigado e conserva a presunção de inocência.Além dos afastamentos, Mendonça suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência voltados a analisar a atuação funcional de magistrados, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária. O episódio é o capítulo mais recente do confronto entre o STF e a PF, que já levou o presidente da corte, ministro Edson Fachin, a cobrar explicações de Moraes e de Mendonça e que a Folha de S.Paulo enquadra no chamado Caso Master. O próximo passo é a sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF, solicitada por Mendonça para referendar a decisão ainda nesta terça (8), em paralelo às apurações criminais e disciplinares abertas na Corregedoria da PF.

HBHenrique Barros
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Ladrões roubam obras de Renoir avaliadas em € 9 milhões em museu no sul da França

Dois homens invadiram na madrugada desta terça-feira (8) o Museu Renoir, em Cagnes-sur-Mer, no sul da França, e levaram quatro telas do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir avaliadas em € 9 milhões (cerca de R$ 53 milhões), segundo o prefeito da cidade, Bryan Masson. Durante a fuga, os autores deixaram cair uma das telas, que ficou para trás; as outras três seguem desaparecidas.Como ocorreu o assaltoSegundo o prefeito, citado pela agência AFP, o alarme do museu foi acionado às 5h48 no horário local (0h48 no fuso de Brasília), e a polícia municipal chegou ao local cinco minutos depois. Os policiais perseguiram os dois homens, que largaram uma das telas. "Identificados pelas câmeras de segurança da cidade, os dois indivíduos fugiram, abandonando uma das pinturas roubadas", diz a nota oficial do prefeito. Fotografias divulgadas pela AFP mostram policiais junto a um buraco aberto na cerca externa do museu.Masson não identificou as obras. Segundo o jornal regional francês Nice-Matin, os alvos foram Retrato de Madame Pichon (1895), Retrato de Madame Colonna Romano (1910), Coco Lisant (1905) e Jeune fille au puits (1886), todas de Renoir. Não está claro qual delas foi abandonada na fuga.Criado em 1960, o museu ocupa a última casa de Renoir (1841-1919), em uma colina de Cagnes-sur-Mer, perto de Nice, onde o pintor morou seus últimos anos e faleceu. Segundo a agência Reuters, o acervo em exposição reúne 13 pinturas do artista, cerca de 40 esculturas, além de móveis e fotografias; o casarão preserva ainda o cavalete e a cadeira de rodas do pintor, segundo a AFP.Série de roubos a museus na FrançaO roubo acontece quase um ano depois do assalto ao Louvre, o museu mais visitado do mundo, em pleno centro de Paris, quando ladrões equipados com ferramentas elétricas subtraíram oito joias da Coroa da França em plena luz do dia e fugiram de scooter; as peças seguem desaparecidas, segundo a AFP. No início de julho, ladrões levaram joias avaliadas em mais de € 4,5 milhões do Museu Lalique, ao norte de Estrasburgo. No fim do mesmo mês, um colar de ouro da época celta do Tesouro de Vix foi roubado em plena luz do dia em um museu da Borgonha. A polícia europeia Europol afirmou no mês passado que roubos de obras de arte na Europa estão se tornando mais violentos. Em julho, o Ministério da Cultura da França apresentou um plano de 33 medidas e recomendou a retirada temporária das peças mais vulneráveis das vitrines. "Trata-se de deixar a salvo os objetos mais vulneráveis à espera da garantia de segurança de sua exposição", disse a pasta em comunicado."Desde esta manhã, tanto a polícia municipal quanto a nacional foram mobilizadas para o local. Os autores estão sendo procurados ativamente, e a investigação está em andamento", afirmou o prefeito Bryan Masson.Até a publicação das reportagens consultadas, ninguém havia sido preso nem formalmente apontado como autor do roubo. Não há data anunciada para o próximo passo da apuração, que segue a cargo das autoridades policiais francesas; eventual imputação de autoria dependerá da conclusão do inquérito.

HBHenrique Barros
Federal Police

Caso Master: 'cortina de fumaça' e 'operação abafa' marcam disputa pelo controle no STF

A briga em torno do caso Master virou, nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, uma disputa pelo controle da investigação. Aliados do ministro André Mendonça falam em tentativa deliberada de criar uma "cortina de fumaça" em torno do caso e em uma "operação abafa" para travar as apurações. Do outro lado, o campo do ministro Alexandre de Moraes, do ministro Flávio Dino e da cúpula da Polícia Federal enxerga na ofensiva de Mendonça um movimento que pode alcançar a direção da corporação, o próprio Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo reportagem do blog de Andréia Sadi, no G1, publicada nesta segunda-feira (7), a avaliação que une lados opostos é a de que a crise está longe do fim.Fontes aliadas de Mendonça ouvidas pelo G1 dizem que o relatório da Polícia Federal conhecido na segunda-feira (31) seria apenas "uma pequena amostra" do que ainda pode aparecer. Para esse grupo, houve uma tentativa deliberada de criar uma cortina de fumaça em torno do caso Master e de dificultar o avanço das investigações.Do outro lado da disputa, aliados de Moraes e de Dino e integrantes do comando da PF avaliam que a ofensiva de Mendonça faz parte de uma disputa que agora alcança diretamente a Polícia Federal, Moraes e a Procuradoria-Geral da República. Na corporação, segundo o G1, há a avaliação de que o ministro quer investigar o diretor-geral Andrei Rodrigues, o que elevaria a temperatura de uma crise que já deixou de ser apenas uma divergência entre ministros. Moraes também já agiu por escrito: na quinta-feira (3), encaminhou ao presidente do STF decisão apontando "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça, com base em relatórios de inteligência da PF, segundo a CNN Brasil.Como o caso chegou até aquiTerça-feira (1º de setembro): Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da PF com mensagens e registros de contatos entre o fundador do banco, Daniel Vorcaro, e Moraes. O material indicava que o empresário buscava interlocução com o ministro em meio ao avanço das investigações sobre o Banco Master. Mendonça afirmou que os novos elementos deveriam ser analisados pelo plenário do STF. A PGR reagiu, questionou a forma como a apuração foi conduzida e pediu a extinção do procedimento.Quinta-feira (3): o presidente do STF, Edson Fachin, deu cinco dias para Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues prestarem esclarecimentos. Horas depois, Moraes encaminhou a Fachin a decisão contra Mendonça, referente às operações Compliance Zero, ligada ao Master, e Sem Desconto, sobre fraudes no INSS. Segundo a CNN Brasil, Moraes acusou o colega de interferir na condução das investigações, participar irregularmente de tratativas de colaboração premiada e direcionar apurações por motivos pessoais e políticos.Sexta-feira (4): Fachin retirou a decisão de Moraes do inquérito das fake news e concentrou os questionamentos dos dois lados em um único procedimento sob a Presidência do STF, que não está sob sigilo.O que Fachin quer saber e os próximos passosFachin quer esclarecer, entre outros pontos, se a PF respeitou as regras da Lei Orgânica da Magistratura ao encontrar informações envolvendo autoridades com foro no Supremo, se houve acesso a documentos particulares e se dados protegidos por sigilo judicial foram revelados, segundo a CNN Brasil. Ele também pediu informações sobre uma diligência determinada por Mendonça para identificar pessoas mencionadas no material da PF e sobre as medidas da PGR no controle externo da atividade policial. O presidente da Corte ressaltou que os pedidos apenas completam as informações disponíveis e não representam conclusão prévia sobre a validade do pedido de Moraes, a regularidade do procedimento ou o mérito das acusações.Ministros ouvidos pelo G1 destacam um ponto jurídico central: em condições normais, uma investigação no STF é aberta quando há pedido da PGR ou quando a Procuradoria endossa uma iniciativa da PF, já que o Ministério Público é o titular da ação penal. Hoje, o que existe é um pedido para anular o material cujo sigilo Mendonça derrubou. Interlocutores de Mendonça classificam como "protocolar" o envio do caso à Presidência do Supremo, ocorrido, segundo eles, apenas depois do fim do prazo para as informações pedidas por Fachin. A próxima batalha é definir o que exatamente poderá ser levado ao plenário e em quais condições. Os prazos já correm: a PGR tem cinco dias úteis, contados da decisão de sexta (4), para apresentar parecer sobre a admissibilidade e a regularidade do procedimento adotado por Moraes e, se considerar pertinente, sobre o conteúdo das acusações; depois, Mendonça terá outros cinco dias úteis para responder.No Planalto, segundo o G1, auxiliares do presidente Lula avaliam que a exposição permanente de Moraes acaba ajudando o candidato Flávio Bolsonaro, porque a oposição associa o ministro diretamente ao presidente. Alguns nesse grupo avaliam que esse efeito pode ser mais danoso para Lula do que o desgaste provocado pelo caso Lulinha. O ministro Cristiano Zanin tenta manter canais abertos com os diferentes grupos, segundo a mesma reportagem. Uma fonte resume as próximas semanas como um "setembro sangrento", com expectativa de novos relatórios, novos pedidos, novas decisões e novas revelações. Os dois lados concordam em um ponto: o que apareceu até agora não encerra a crise. Abre a próxima fase dela.

HBHenrique Barros
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'Faraó dos Bitcoins' diz à Justiça que tem a senha da fortuna bilionária

Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins", afirmou à Justiça Federal que só ele conhece a senha do dispositivo que guarda as chaves digitais de uma fortuna em criptomoedas trancada em um cofre da Polícia Federal. A declaração aparece nos depoimentos dele e da mulher e sócia, a venezuelana Mirelis Diaz Zerpa, a que o programa Fantástico, da TV Globo, teve acesso com exclusividade e exibiu no domingo (6). Os dois respondem, sem condenação até agora, por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro, entre eles oferta irregular de investimentos, operação de instituição financeira sem autorização e gestão fraudulenta. Perguntado pela juíza quanto havia na carteira digital, Glaidson recorreu ao direito ao silêncio."Poderia declarar o montante?", perguntou a magistrada. "Não, Vossa Excelência, por... Minha integridade... minha integridade física."Segundo a reportagem, o aparelho tem o tamanho de um pen drive e concentra as chaves de acesso a uma parte desconhecida da fortuna. Glaidson sustentou que esse dinheiro, se liberado, pode pagar credores do esquema, e o destino dos criptoativos segue como a pergunta central da investigação, cinco anos após a prisão.Como o esquema funcionava, na versão do réuEm depoimento, Glaidson narrou como a G.A.S. Consultoria e Tecnologia, fundada por ele em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, prometia 10% de rendimento ao mês a milhares de investidores. Segundo ele, o volume captado o transformava em uma "baleia", termo do mercado cripto para quem detém quantidade suficiente de moedas para influenciar preços. "Como 'baleia', eu consigo manipular outras criptomoedas", afirmou, ao descrever acordos com outros grandes detentores para derrubar cotações. Em certo momento, disse: "Não são 10 milhões, nem 50 milhões. São 200, 300 milhões de dólar numa...". Ao Ministério Público Federal, que perguntou se havia ilegalidade na prática, respondeu: "Não, não é ilegalidade, né? É falta de ética."Para a Polícia Federal, a rede informal de investimentos movimentou R$ 38,2 bilhões. Glaidson relatou que funcionários viajavam de helicóptero até São Paulo carregando espécie dos clientes, depois convertida na carteira digital da empresa, e confirmou seu papel de comando: "Idealizador da empresa, fundador da empresa, presidente da empresa, gestor da empresa, responsável da empresa".Da prisão em 2021 aos depoimentosGlaidson foi preso na Operação Kryptos, da Polícia Federal, em 2021, e teve as contas bancárias bloqueadas. Ainda assim, segundo o MPF, os negócios da G.A.S. não pararam: em agosto daquele ano, um computador foi acessado em Kissimmee, na Flórida, cidade onde estava Mirelis, e 4,5 mil bitcoins, então avaliados em mais de R$ 1,06 bilhão, deixaram a conta. Considerada foragida pela Justiça brasileira, ela foi presa em Chicago em 2024 e deportada ao Brasil um ano depois. Para o MPF, ela integrava o comando do esquema junto com o marido; ela também responde por organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro.Ao depor, a venezuelana negou as acusações e disse que atuava como se fosse empregada de Glaidson: "Exatamente". Sobre o controle das entradas de clientes, afirmou: "Nunca cuidei da administração disso". Questionada sobre resgates após a operação policial, respondeu: "Com meu dinheiro, sim. Não, da empresa não. Eu nunca retirei dinheiro da empresa." Sobre o processo, declarou: "Com todo respeito, para mim foi como ler um livro de ficção científica." O processo criminal segue em curso na Justiça Federal, nenhum dos dois réus foi condenado e a reportagem não divulgou data para o próximo ato processual.

HBHenrique Barros
Federal Police

TRE-MG manda ICL retirar publicações do "lindão" de Nikolas; PT pede inelegibilidade

O juiz auxiliar Jair Francisco dos Santos, do TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais), determinou neste domingo (6) que o site ICL Notícias retire do ar, em até 24 horas, seis publicações que afirmam que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, chamou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de "lindão" em um áudio. A liminar atende parcialmente a um pedido de direito de resposta apresentado pelo próprio parlamentar. No mesmo dia, três deputados do PT protocolaram representação na PGE (Procuradoria-Geral Eleitoral) pedindo que Nikolas seja declarado inelegível por oito anos por causa da divulgação de um documento falso atribuído à Polícia Federal.Segundo o Poder360, a ordem alcança também a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook. Ao analisar o áudio, gravado em março de 2025 e enviado por Nikolas a Vorcaro, o magistrado concluiu que o deputado "em nenhuma" das passagens se refere ao ex-dono do Banco Master como "lindão". A reportagem do ICL sustentava que a gravação mostra o parlamentar chamando o banqueiro de "Dani" e encerrando a mensagem com "Um abraço, lindão". Para o juiz, houve alteração do termo usado na despedida, o que geraria "violação da higidez e da integridade do sistema informativo", e o risco de propagação do conteúdo é maior diante da proximidade das eleições.Parte do material permanece no ar. O pedido de resposta também contestava a informação de que Nikolas teria pedido a Vorcaro a "liberação de ativo de minério", mas o juiz não identificou, em análise preliminar, informação manifestamente falsa nesse ponto. Segundo a decisão, o áudio mostra que o deputado procurou Vorcaro para mediar o contato entre o ex-banqueiro e um amigo que tinha pendências ligadas a um ativo minerário, episódio que, para o magistrado, "abre espaço para discussão política". Outros vídeos questionados também não foram retirados, entre eles um em que uma jornalista menciona a expressão "lindão" em uma análise dos fatos. A CNN Brasil confirma a autenticidade do áudio e relata que Nikolas reconheceu os contatos com Vorcaro, negou proximidade e afirmou que a tentativa de ajudar o amigo não avançou.Como o caso começouA disputa judicial começou em 3 de setembro, quando o ICL Notícias publicou reportagens sobre mensagens e áudios trocados entre Nikolas e Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero. Uma das matérias tinha o título "Em áudio, Nikolas chama Vorcaro de 'lindão' e pede liberação de ativo de minério". Horas depois, o deputado compartilhou em suas contas oficiais no Instagram e no X, que somam mais de 27 milhões de seguidores, um documento que, segundo a representação dos deputados, simulava uma conclusão da PF de que não haveria indícios de crimes envolvendo os dois. Segundo o Metrópoles, a PF negou ter produzido o material. Nikolas afirmou depois que desconhecia a falsidade do documento, disse ter reproduzido conteúdo publicado por terceiros e removeu a postagem.Reações e desdobramentosEm vídeo nas redes sociais, Nikolas comemorou a decisão. "Por que isso é uma vitória? Obviamente colocaram de forma falsa na manchete para induzir uma relação que nunca tive com Vorcaro", declarou o congressista, para quem "quem mente na campanha responde na Justiça". A jornalista Juliana Dal Piva, autora da reportagem, disse em publicação nas redes que foi "censurada" pela decisão e lembrou que, em 2022, foi alvo de pedido de censura de Flávio Bolsonaro por causa da reportagem sobre os 51 imóveis. "Quem censura quem mesmo?", escreveu. O Poder360 informa que procurou o ICL Notícias e a repórter e não obteve resposta até a publicação.A representação na PGE é assinada pelos deputados Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP). Eles sustentam que o caso pode configurar uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder político, pedem a cassação do registro ou do diploma do parlamentar e a apuração de possíveis crimes eleitorais ligados à falsificação e ao uso do documento. Um laudo anexado ao pedido aponta divergências de conteúdo, datas, estrutura e identificação em relação a um relatório de 218 páginas produzido pela PF, além da ausência de assinatura, matrícula de servidor, número de procedimento e código verificador.Na Justiça Eleitoral de Minas, o ICL Notícias tem o prazo de um dia para apresentar defesa; em seguida, o Ministério Público Eleitoral terá igual prazo para se manifestar, e a liminar ainda será analisada no mérito. Cabe agora à PGE decidir se abre a investigação eleitoral pedida pelos deputados e se ajuíza ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Não há data definida para essas etapas.

HBHenrique Barros
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Munição desviada da PM de SP reaparece na morte de advogado pela Rota

A munição encontrada na pistola atribuída a um advogado morto por policiais da Rota em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, pertence a dois lotes comprados pela Polícia Militar paulista em 2005 e 2007 que, segundo um levantamento, alimentam crimes há 14 anos. A conclusão é do Instituto Sou da Paz, com base em dados de um inquérito do Ministério Público Federal, e foi reportada pela Folha de S.Paulo neste domingo (6).Cartuchos marcados com os códigos AAE67 e BAY18 estavam no carregador de uma pistola Glock calibre 9 mm apresentada por policiais militares na delegacia e atribuída a Carlos Alves Vieira, de 48 anos, conhecido como Ferrugem. Os códigos constam do laudo do Instituto de Criminalística, e a origem da munição foi confirmada pelo Sou da Paz após consulta feita pela Folha, que obteve o laudo da perícia e o inquérito do caso. Segundo o jornal, a numeração da pistola estava adulterada.Os lotes eram grandes: AAE67 reunia 438 mil munições 9 mm, e BAY18 outras 320 mil do mesmo calibre, além de 1,4 milhão do tipo .40. Os dois desrespeitam uma portaria do Exército de 2004 que limita cada código de lote a 10 mil munições. Cápsulas dos mesmos lotes já foram usadas em chacinas na região metropolitana de São Paulo, em um ataque que deixou 11 mortos em Londrina (PR) e em um duplo homicídio em São Gonçalo (RJ), segundo o levantamento.Confira a linha do tempo do caso:2004: portaria do Exército limita a 10 mil o número de munições por código de lote.2005 e 2007: a PM de São Paulo compra os lotes AAE67 e BAY18, que somam 758 mil cartuchos 9 mm e 1,4 milhão do calibre .40.Últimos 14 anos: cápsulas desses lotes aparecem em chacinas na Grande São Paulo, no ataque com 11 mortos em Londrina (PR) e em um duplo homicídio em São Gonçalo (RJ).28 de novembro de 2025: Vieira é morto por policiais da Rota em Itaquaquecetuba; o caso é registrado como morte decorrente de intervenção policial.5 de dezembro de 2025: a Ouvidoria da Polícia contesta a identificação do morto e pede as imagens das câmeras corporais.6 de setembro de 2026: a Folha publica o cruzamento do Sou da Paz que liga a munição do caso aos lotes da PM.A morte em ItaquaquecetubaVieira foi morto em 28 de novembro de 2025. A PM o apresentou como Ferrugem, integrante da Sintonia Final do PCC, e a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) alegou que ele transportava tijolos de maconha e duas pistolas e que atirou nos policiais ao ser abordado na Rua Carmo da Mata. A Ouvidoria da Polícia de São Paulo recebeu denúncias de que se tratava de um advogado registrado na OAB-SP, dono de uma empresa de cartonagem, casado, pai de dez filhos e avô de dois, de uma família tradicional de Poá; segundo o órgão, Ferrugem seria apenas um apelido de infância, parecido com o do homem procurado pela polícia. A Ouvidoria pediu à Corregedoria da PM as imagens das câmeras corporais dos policiais, requereu à Polícia Civil as filmagens do entorno do local e defendeu a transferência da investigação para a capital."Com essas divergências aparentes é imperiosa a célere e acurada investigação e apuração dos fatos, para que mais uma família não pague com o opróbio e a vida de seus pilares atuações e procedimentos injustificados e suspeitos...", afirmou a Ouvidoria em dezembro.Em nota, a Rota negou a confusão de identidade: afirmou que Vieira foi identificado em trabalho de inteligência, que drogas e duas armas foram encontradas no carro dele e que "outros 400 suspeitos com o mesmo vulgo de Ferrugem também são monitorados e constam nos bancos criminais da corporação". A SSP-SP sustentou que o vínculo com o PCC foi confirmado pelo setor de inteligência e citou indícios de tráfico levantados pelo Denarc em 2022 na região do Alto Tietê, além de um antecedente por furto qualificado. Nenhum desses apontamentos resultou em condenação conhecida, e as versões seguem sob investigação.O caso corre em sigilo no setor de homicídios de Mogi das Cruzes. O inquérito da Corregedoria da PM foi concluído e encaminhado à Justiça Militar, que o remeteu à Justiça comum, onde tramita. Questionada, a pasta do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a Polícia Civil "segue apurando a ocorrência de novembro de 2025 em Itaquaquecetuba, incluindo as munições utilizadas". O próximo passo é a conclusão do inquérito da Polícia Civil e o andamento do caso na Justiça comum; não há data prevista.

HBHenrique Barros
Federal Police

Agentes da Abin apontam falhas metodológicas em relatório da PF usado por Moraes

Uma nova entidade entrou na crise que opõe os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e André Mendonça. Em nota pública divulgada neste sábado (5), a Intelis, entidade que reúne profissionais de inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), criticou o relatório de inteligência atribuído à Polícia Federal que Moraes citou na decisão em que apontou suposto "viés político" do colega na condução de investigações.Para a entidade, o conteúdo divulgado "não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência", que orienta a produção de conhecimentos no âmbito do Sistema Brasileiro de Inteligência. A Intelis não cita nominalmente Moraes nem Mendonça e não entra no mérito das investigações. A manifestação se concentra na forma e nos limites do uso de relatórios de inteligência.A nota afirma que a atividade de inteligência de Estado "não se confunde com investigação criminal" nem com a elaboração de peças destinadas à formação de um juízo acusatório. Segundo a associação, a produção desses documentos deve seguir procedimentos de coleta, avaliação, análise e validação, capazes de garantir objetividade, consistência e impessoalidade. "Não é instrumento destinado à substituição de procedimentos investigativos ou à formação de elementos de autoria e materialidade próprios da persecução penal", diz o texto.O documento ganhou destaque depois de ser reproduzido por Moraes em decisão na qual questionou a condução das investigações sob a relatoria de Mendonça. Entre os trechos citados pelo ministro estão avaliações sobre um suposto direcionamento das apurações e o alegado "viés político" do relator, segundo reportagem da CNN Brasil. Na sexta-feira (3), Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news, aberto em 2019 e inconcluso até hoje, de acordo com o Poder360.Na avaliação da Intelis, o episódio evidencia os riscos da falta de clareza sobre os limites da atividade de inteligência. A entidade afirma que a ausência de uma legislação abrangente pode provocar uma "confusão perigosa" entre atividade de inteligência, atividade policial e persecução penal. A associação defendeu que o Congresso Nacional analise o PL 6.423/2025, que propõe um marco legal para a atividade de inteligência, com definição de competências, limites e mecanismos de controle.Linha do tempo do conflitoA disputa se tornou pública na terça-feira (1º), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que expõe mensagens e contatos entre o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Moraes. As trocas de mensagens sinalizam que o ministro discutia com Vorcaro a possibilidade de a PF deflagrar uma operação que teria o banqueiro como alvo, segundo reportagem do G1. Mendonça sugeriu que o plenário da Corte avaliasse o conteúdo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a investigação é nula e instaurou procedimento de controle externo para apurar possível interferência na produção do relatório pedido por Mendonça.Na sexta-feira (4), o presidente do STF, Edson Fachin, retirou Mendonça do inquérito das fake news e deu cinco dias úteis para a Procuradoria-Geral da República dizer se o pedido de Moraes é pertinente; depois, Mendonça terá outros cinco dias úteis para se manifestar. Neste sábado, além da Intelis, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu que Gonet se declarasse impedido de atuar nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado, com base no artigo 258 do Código de Processo Penal, que estende aos órgãos do Ministério Público as regras de impedimento e suspeição dos juízes.Próximos passosNo caso do Banco Master, Fachin deu até a sexta-feira (11) para as manifestações de Mendonça, de Moraes, de Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prazo que empurra a análise dos ministros para depois de 14 de setembro, segundo o Poder360. Já o pedido de Moraes contra Mendonça só deve chegar ao plenário depois de 22 de setembro, doze dias antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

HBHenrique Barros
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Justiça suspende licenças da Sigma e paralisa mineração de lítio em MG

A Justiça Federal determinou na sexta-feira (4) a suspensão dos efeitos de todas as licenças ambientais da Sigma Mineração, subsidiária operacional da Sigma Lithium Corp., e a paralisação total das atividades de lavra do projeto de lítio Grota do Cirilo, em Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. A decisão liminar foi assinada pelo juiz Antonio Lucio Tulio de Oliveira Barbosa, do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que cobre Minas Gerais, a pedido da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, conhecida como N'Golo.Além de paralisar a lavra, o juiz determinou a suspensão imediata dos efeitos de todas as licenças emitidas em favor da mineradora e proibiu o governo de Minas de elaborar qualquer parecer técnico conclusivo ou conceder novas licenças ambientais, "inclusive aditivos, ampliações ou licenças corretivas", voltadas ao complexo. Segundo o O Fator, a medida suspende, na prática, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre o governo estadual e a empresa no fim de agosto.A ordem vale até que a Sigma elabore e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aprove o Estudo do Componente Quilombola (ECQ), o Projeto Básico Ambiental Quilombola (PBAQ) e o Relatório de Execução Final (REF). A empresa também terá de realizar consulta livre, prévia e informada com a Comunidade Quilombola do Baú, localizada em Araçuaí. A ação foi ajuizada pela N'Golo em maio, com pedido de anulação das licenças até a realização dessa consulta.Segundo a Folha de S.Paulo, que publicou reportagem da Bloomberg, a federação alega que a mineradora superestimou a distância entre o projeto e o território tradicional. Para a decisão, o empreendimento está na área de influência direta da comunidade e, por isso, exige estudos de impacto dedicados às comunidades afro-brasileiras tradicionais conhecidas como quilombolas. Na liminar, a Sigma sustentou que o projeto fica fora da zona de impacto presumida de 8 quilômetros, defendeu a legalidade do licenciamento estadual e argumentou que a ausência de títulos de propriedade definitivos impede a aplicação do procedimento de proteção a essas comunidades."O risco de danos decorre do fato de o complexo minerário operar continuamente, extraindo recursos e realizando detonações e movimentações de terra constantes a poucos quilômetros do território tradicional."escreveu o magistrado ao justificar a urgência da medida.Linha do tempoNo fim de maio, técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) fizeram fiscalização presencial no complexo e apontaram intervenções em quatro cursos d'água e em suas áreas de preservação permanente, supressão ilegal de vegetação e extração ilegal de água subterrânea, segundo um parecer de 73 páginas ao qual o O Fator teve acesso. Com base no histórico de imagens de satélite, o órgão concluiu ainda que a lavra nas cavas Norte e Sul começou antes da emissão da licença pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). Em julho, a Feam embargou as licenças de operação 4078/2022 e 144/2023, das duas cavas, e a empresa precisou interromper as operações. A Sigma negou qualquer irregularidade.No fim de agosto, a mineradora assinou um TAC com o governo de Minas e afirmou estar autorizada a retomar as atividades. A N'Golo já havia pedido, na mesma ação de maio, a suspensão das negociações em torno do acordo. A liminar de sexta-feira suspende tanto os efeitos das licenças quanto o TAC, até o cumprimento das exigências quilombolas.Impacto e próximos passosO Grota do Cirilo fica na região conhecida como Vale do Lítio brasileiro e é descrito pela Folha como um dos maiores depósitos de lítio em rocha dura do mundo, com planta de processamento adjacente. Para o O Fator, a Sigma é a maior mineradora de lítio do país, e o veículo relatou que o embargo de julho esfriou as tratativas de um empréstimo de quase R$ 500 milhões do BNDES à empresa.Procurados pelo O Fator, Feam e Sigma não responderam, até a publicação, se pretendem recorrer da liminar. A decisão não fixa datas: a suspensão permanece até a aprovação dos estudos pelo Incra e a realização da consulta à Comunidade Quilombola do Baú, e as partes podem recorrer da medida no mesmo processo federal.

HBHenrique Barros
Federal Police

AGU nega competência para questionar Mendonça e chama pedido da PF de inédito

A Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou nesta sexta-feira (4) que não tinha "competência constitucional ou legal" para atender aos pedidos da Polícia Federal de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisões do ministro André Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. Em nota, o órgão classificou a medida pretendida pela corporação como uma "intervenção processual" e afirmou que não há, em sua história, "precedente de atuação da natureza pretendida" pela PF.A manifestação responde a relatórios de inteligência da PF divulgados na quinta-feira (3), anexados a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o Poder360, os documentos indicam que a AGU "optou por não interpor os recursos" contra atos de Mendonça e levantam a hipótese de que a recusa decorreu de "preservação de relação política" entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro. A nota nega inércia institucional."AGU não dispõe de competência constitucional ou legal para atuar em aspectos relacionados à persecução penal nos termos pretendidos pela corporação. Isso não significou, contudo, inércia institucional. Na condição de interlocutor perante o STF, o advogado-geral da União atuou concretamente na busca de uma solução institucional", diz a nota.Para a AGU, a recusa foi "resultado de análise técnica e jurídica" realizada por advogados com atribuições formais para apreciar a matéria. O órgão acrescentou que uma "intervenção processual" nas condições pretendidas "poderia gerar riscos jurídicos e institucionais para as próprias investigações em curso no STF", segundo a Folha de S.Paulo.Como a crise chegou até aquiAs operações Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e Compliance Zero, sobre o Banco Master, correm no STF sob a relatoria de Mendonça, nas petições 15041 e 15556. Na terça-feira (1º), o ministro retirou o sigilo de um relatório da PF que expõe mensagens e encontros entre o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Compliance Zero, e o ministro Moraes. Na quinta (3), Moraes usou relatórios da corporação para pedir ao presidente do tribunal, Edson Fachin, providências contra o colega, apontando "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Para Moraes, Mendonça "usurpou" a direção dos inquéritos e os conduziu de forma tendenciosa. As acusações ainda não passaram por exame de mérito.O que cada lado alegaNos relatórios, a PF afirma ter solicitado à AGU que recorresse ao Supremo contra decisões "de perfil atípico" de Mendonça e lista quatro hipóteses para a recusa do órgão, segundo o Poder360:"preservação de relação política" entre Messias e Mendonça, com citação aos "gestos públicos de apoio" do ministro à indicação do advogado-geral ao STF, depois rejeitada, e à "matriz religiosa comum" entre os dois;convicção jurídica de que o recurso não caberia, pois a unidade teria avaliado o material como "pouco convincente do ponto de vista técnico";cautela diante do custo de litigar com um ministro do STF, como forma de "evitar confronto formal com integrante da Corte";avaliação de oportunidade política do Executivo, já que a investigação alcançaria Lulinha, filho do presidente Lula, e o recurso da AGU "produziria leitura pública de intervenção do Executivo em favor do investigado".Na nota, a AGU diz que Messias buscou interlocução com Mendonça e com Fachin "com o propósito de contribuir para a construção de um ambiente de diálogo capaz de equacionar divergências e evitar o agravamento de uma situação institucional sensível", e encerra afirmando que permanece "à disposição da Polícia Federal e das demais instituições do Estado". Segundo a Folha de S.Paulo, o órgão vinha apontando que a PF propôs medidas com potencial de resultar na anulação das investigações sobre o Banco Master e as fraudes do INSS, e que o atrito começou quando a corporação passou a demandar que a AGU atuasse perante o Supremo para reduzir o controle do ministro Dias Toffoli sobre inquéritos dos quais ele era relator.Próximos passosFachin determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem no prazo de cinco dias, com vencimento na próxima semana. O procurador-geral também informou ao presidente do STF que instaurou um procedimento de controle externo da atividade policial para apurar possível interferência na elaboração do relatório que ligou Moraes a Vorcaro. O caso, que era relatado por Mendonça, passou ao comando de Fachin.

HBHenrique Barros
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Gonet pede a Fachin aval para investigar Mendonça por interferência na PF

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, comunicou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que apurará se houve interferência externa na produção do relatório da Polícia Federal que apontou mensagens e contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master e preso na Operação Compliance Zero. Segundo o O Globo, o encaminhamento configura um pedido de aval para investigar o ministro André Mendonça, que encomendou o documento. A Folha de S.Paulo e o G1 divulgaram o caso na noite de sexta-feira (4).Em mensagem a Fachin, Gonet escreveu que "determinei a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial", instrumento com que o Ministério Público Federal fiscaliza o trabalho das polícias, e informou que o resultado "será, em tempo adequado, noticiado à Corte". Segundo o G1, a PF terá de prestar esclarecimentos sobre a "possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo".A Procuradoria alega que ficou de fora da tramitação que gerou o relatório: "a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação", afirmou a PGR. O ofício de Gonet não cita nominalmente Mendonça, mas, segundo a Folha, a referência é à conduta do magistrado. O próprio procurador-geral é citado no relatório da PF, e o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para apurar a conduta dele, informa a Folha.Como o caso chegou até aquiO relatório foi produzido no inquérito que apura o Banco Master. Na terça-feira (1º), Mendonça, então relator do caso, retirou o sigilo do documento, que reúne mensagens obtidas no celular de Vorcaro e indica encontros dele com um contato atribuído a Moraes entre março de 2024 e agosto de 2025, em residências privadas em Brasília, na região de Campos do Jordão (SP) e em eventos como o Fórum Jurídico de Londres, patrocinado pelo banco. O ministro sugeriu que os elementos fossem avaliados pelo plenário do STF e pediu um parecer da PGR. No mesmo dia, Gonet classificou a investigação como nula porque, para ele, foi conduzida sem pedido do Ministério Público ou da própria polícia."Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais. Não lhe é dado valer-se da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas."As palavras são do parecer em que Gonet pediu a nulidade do relatório, citado pela Folha. O documento, segundo o G1, sinaliza ainda que Moraes discutia com Vorcaro a possibilidade de a PF deflagrar uma operação que teria o banqueiro como alvo. Moraes nega as aproximações: em março, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou, a pedido do gabinete dele, nota afirmando que análise técnica constatou que as mensagens enviadas por Vorcaro "não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos". A BBC News Brasil, que examinou o número de telefone central no relatório, registra que a PF não afirma ter confirmado com a operadora que a linha era usada pelo ministro. Moraes também já pediu a Fachin investigação de Mendonça por abuso de autoridade, segundo a Folha. Nenhuma das pessoas citadas é réu ou foi condenada, e as apurações seguem em fase preliminar.O que vem a seguirO caso, antes relatado por Mendonça, agora está com Fachin, que determinou que a PGR prestasse informações. A PF será notificada para explicar as circunstâncias da produção do relatório, e o resultado da apuração será levado à Corte em "tempo adequado", sem data definida. Para investigar formalmente um ministro do STF, o procurador-geral depende de autorização do próprio tribunal: segundo a Folha, o caminho passa pelo presidente da Corte e pela concordância do plenário. Cabe agora a Fachin decidir se concede o aval e encaminha a questão aos demais ministros.

HBHenrique Barros
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PGR abre apuração sobre conduta da PF no relatório que ligou Moraes a Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que abriu um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar a conduta da Polícia Federal na produção do relatório que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero. A comunicação foi feita na sexta-feira (4), segundo o G1. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também é citado no documento."Informo a Vossa Excelência que, na forma do despacho que encaminho, determinei a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial", escreveu Gonet a Fachin, acrescentando que o resultado será noticiado à Corte "em tempo adequado". O controle externo da atividade policial é atribuição do Ministério Público Federal, e a abertura do procedimento ocorre depois de o presidente do STF exigir esclarecimentos sobre o caso. Segundo a PGR, a Polícia Federal terá de explicar, por exemplo, a "possível ocorrência de ordem ou interferência externa" na elaboração do relatório, que possa ter "maculado seu conteúdo".A procuradoria alegou ainda que não foi comunicada da decisão que determinou o aprofundamento da investigação, tomada pelo então relator do caso, ministro André Mendonça. "A decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação", afirmou a PGR, em trecho relatado pelo G1. O processo era relatado por Mendonça e agora está sob o comando de Fachin. O Poder360 informa que o procedimento busca verificar se houve irregularidade nas apurações do caso Banco Master.Linha do tempo do casoMarço: a CPMI do INSS, que apurava fraudes no pagamento de aposentadorias e pensões, localizou nos dados telefônicos de Vorcaro um número vinculado ao STF que interagia com o banqueiro, sem identificar qual autoridade o utilizava, segundo a BBC News Brasil. Em nota, a corte negou que mensagens encontradas em material apreendido tivessem sido enviadas a Moraes.1º de setembro: Mendonça determinou a retirada do sigilo do relatório da PF, produzido na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude no Banco Master.Também no dia 1º de setembro: a PGR pediu a anulação da investigação que encontrou as mensagens, sob o argumento de que o aprofundamento da apuração sobre Moraes dependeria de autorização do plenário da Corte.4 de setembro: a PGR comunicou a Fachin a abertura do controle externo sobre a atuação da PF.O que diz o relatório e o que cada parte alegaDe acordo com a BBC News Brasil, o documento trata os diálogos como possíveis interações entre Vorcaro e um contato salvo no aparelho do banqueiro com o nome do ministro. As mensagens tratariam de pagamentos do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, além de assuntos da própria Compliance Zero. A PF não afirma ter confirmado com a operadora de telefonia que a linha era usada por Moraes; apenas o celular de Vorcaro foi apreendido.Nenhuma acusação formal foi apresentada contra Moraes. Em março, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou, a pedido do gabinete do ministro, que uma análise técnica constatou que as mensagens enviadas por Vorcaro "não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos". A PGR, por sua vez, sustenta que a investigação nasceu viciada. Em manifestação de 1º de setembro, relatada pela Agência Brasil, Gonet afirmou:"A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual."O próximo passo é a conclusão do controle externo, sem prazo definido. O resultado será comunicado ao STF, e o caso permanece sob o comando de Fachin, que determinou o envio das informações que originaram a resposta da PGR.

HBHenrique Barros
crime

Deputada Duda Salabert é agredida durante apuração de mineração irregular na Grande BH

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG), de 45 anos, e o assessor dela, Felipe Correia de Souza Pereira Gomes, de 44, foram agredidos na madrugada de sexta-feira (4) em uma possível área de extração irregular de minério, próxima à divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima, na região metropolitana da capital mineira. Segundo o boletim de ocorrência consultado pelo G1, os dois estavam no local para registrar imagens da área quando perceberam a aproximação de homens ainda não identificados. Em relato reproduzido pela CartaCapital, a parlamentar classificou o episódio como tentativa de homicídio.De acordo com o registro feito junto à Polícia Militar, Duda Salabert começou a gravar o local com o celular. Depois de passarem pela área, os homens teriam retornado na direção dos dois. Com medo de uma abordagem, deputada e assessor tentaram fugir descendo um barranco, caíram e foram alcançados. Um dos homens segurou Felipe enquanto outro tomou o celular dele e o arremessou; em seguida, o assessor foi agredido com chutes na cabeça e em outras partes do corpo. A deputada também foi abordada e agredida, e o celular que ela usava foi jogado nas proximidades. Depois das agressões, os homens fugiram.As vítimas conseguiram chegar às instalações da Copasa, onde pediram ajuda e acionaram a PM. A parlamentar foi atendida em um hospital em Nova Lima e, segundo a avaliação médica registrada no boletim, apresentava escoriações e luxação no ombro direito; o Diário do Poder informa que ela recebeu alta. Felipe voltou ao local mais tarde e encontrou os dois celulares danificados. A PM fez buscas na região, mas os suspeitos não foram localizados. O boletim de ocorrência registra o caso como lesão corporal, segundo o jornal O Tempo, citado pela CartaCapital.Versão da deputada e reaçõesNa versão divulgada pela parlamentar, relatada pelo Diário do Poder, três homens, um deles armado, surpreenderam a comitiva enquanto ela registrava imagens, e o grupo teria tentado levá-los para dentro da área de mineração. Duda disse que saltou de um barranco para alcançar a avenida e pedir socorro. O veículo situa o início da fiscalização na noite de quinta-feira (3). A deputada, autora do projeto que instituiu o Dia Nacional de Ação Climática, concorre à reeleição em outubro, e Felipe Gomes é candidato a deputado estadual em Minas, segundo a CartaCapital.O PSOL de Minas Gerais divulgou nota sobre o caso:"O Psol Minas Gerais exige que as autoridades competentes e a Polícia Militar conduzam uma investigação transparente, capaz de esclarecer as circunstâncias do ataque e responsabilizar os autores. Sabemos que, em Minas Gerais, a atuação das mineradoras é baseada na intimidação, sobretudo quando a extração ignora os ritos da legislação. Reafirmamos nossa solidariedade a Duda Salabert e a Felipe Gomes. Garantir a segurança das parlamentares enquanto elas trabalham é fundamental para a nossa democracia."InvestigaçãoO caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Ninguém foi preso e os suspeitos permanecem sem identificação. A tipificação do crime depende do inquérito: o registro inicial aponta lesão corporal, e a deputada sustenta que houve tentativa de homicídio. O G1 informou ter procurado a PCMG, a Câmara dos Deputados e a assessoria da parlamentar, e aguardava retorno na publicação da reportagem. O próximo passo é o andamento do inquérito da PCMG, que ainda não divulgou prazo nem diligências previstas.

HBHenrique Barros
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TRF-6 condena Samarco e três ex-gerentes pela tragédia de Mariana

A 2ª Turma Criminal do TRF-6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região) condenou, na quinta-feira (3), a Samarco Mineração e três ex-gerentes da empresa pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015. O desastre matou 19 pessoas e é considerado o maior desastre ambiental do país. Segundo a Folha de S.Paulo, trata-se da primeira condenação criminal do caso. A decisão unânime reformou parcialmente a sentença de novembro de 2024 da Justiça Federal de Minas Gerais, que havia absolvido todos os réus, e atendeu a recursos do MPF (Ministério Público Federal) e de familiares de vítimas.Os três ex-gerentes foram responsabilizados pelo crime de provocar inundação com resultado morte e por crimes ambientais. Germano Silva Lopes, ex-gerente de Projetos Estruturantes, e Daviély Rodrigues Silva, ex-gerente de Geotecnia, foram condenados a 8 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado, e a 192 dias-multa. Wagner Milagres Alves, ex-gerente de Operações de Mina, recebeu pena de 7 anos, 3 meses e 14 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, e 160 dias-multa, segundo o MPF. A Folha registrou essa pena como 7 anos, 3 meses e 15 dias. Cada dia-multa equivale a 1/30 do salário mínimo.A Samarco foi condenada a pagar multa penal de mais de R$ 6 milhões, a repassar R$ 1 milhão ao Fundo Nacional do Meio Ambiente e ficou proibida de contratar com o poder público por dez anos. Segundo a decisão relatada pelo MPF, a empresa sabia dos riscos de rompimento, mas adotou condutas que contribuíram para o desastre ao ignorar alertas técnicos com o objetivo de aumentar os lucros.O procurador regional da República Darlan Airton Dias, que atua na acusação, defendeu a reversão das absolvições:"A sentença absolutória chamou o legítimo exercício da ação penal pública de 'busca obtusa por culpados'. Hoje a Segunda Turma do TRF6 restabeleceu a verdade e, num julgamento estritamente técnico, fez justiça, aplicando a devida resposta penal àqueles que deram causa a essa tragédia."Absolvições mantidasO tribunal manteve as absolvições das empresas Vale, BHP Billiton Brasil e VOGBR Recursos Hídricos e Geotecnia e de outros três denunciados: Ricardo Vescovi de Aragão, então diretor-presidente da Samarco; Kleber Luiz de Mendonça Terra, à época diretor de Operações e Infraestrutura da mineradora; e Samuel Santana Paes Loures, engenheiro sênior da VOGBR. O MPF afirmou que sustenta a responsabilidade da cúpula decisória da empresa e ainda vai analisar o cabimento de novos recursos quanto às absolvições mantidas.Contexto e próximos passosO rompimento de Fundão lançou rejeitos de mineração ao longo de toda a bacia do Rio Doce, até o Oceano Atlântico, em Linhares (ES), com contaminação de recursos hídricos, do solo e do ar. O desastre atingiu a economia regional e destruiu a agricultura, a pecuária, o comércio, os serviços e a atividade pesqueira na bacia, segundo o MPF. A ação penal alcançou a Samarco, a Vale, a BHP Billiton Brasil e a VOGBR, além de executivos e técnicos. Na primeira instância, em novembro de 2024, todos os acusados foram absolvidos.As condenações desta semana ainda não são definitivas: os três ex-gerentes podem recorrer a tribunais superiores, como o STJ (Superior Tribunal de Justiça). O escritório Maurício Campos & Brasileiro, responsável pelas defesas, foi procurado pela Folha e não havia respondido até a publicação da reportagem. A Procuradoria Regional da República da 6ª Região informou ao jornal que analisa o inteiro teor da decisão para decidir se recorre.

HBHenrique Barros
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Gilmar orienta PF a reagir a ordens ilegais de Mendonça em encontro com Lula

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a Polícia Federal reaja a determinações do colega André Mendonça quando as considerar excessivas ou ilegais. Segundo apurou a Coluna do Estadão, o encontro ocorreu na manhã de 1º de setembro, no Palácio do Planalto, para orientar o presidente sobre a crise entre a Corte e a corporação.Na avaliação de Gilmar, compartilhada com Lula, o governo falhou ao não cobrar, desde o início, um freio nas medidas de André Mendonça, relator dos casos Master e INSS. O segundo caso inclui investigações que alcançam o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de apurações. Segundo a coluna, a mesma crítica foi dirigida ao Ministério da Justiça e à própria PF. Para ilustrar a situação, o ministro citou a decisão que impediu o acesso de investigadores da corporação a parte do material apurado e a ordem de remessa de todas as ações e processos para o gabinete do relator.Gilmar sustentou uma posição firme para a direção da PF. Na leitura dele, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, pode declarar que ordens ilegais não serão cumpridas e recorrer diretamente ao Judiciário para obter a suspensão da determinação. Em uma situação extrema, caberia impetrar mandado de segurança contra decisões de Mendonça, caminho que o ministro indicou não considerar necessário. A recomendação principal é buscar solução por vias institucionais, com uma ação conjunta do ministro da Justiça e do presidente do STF, Edson Fachin, ou em diálogo direto entre Andrei Rodrigues e Fachin. Para fundamentar a reação, Gilmar apontou os relatórios da PF rejeitados pela Procuradoria-Geral da República e o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no qual Andrei Rodrigues é citado.Bastidores do encontro com LulaReportagem da Folha, da repórter Catia Seabra e replicada pelo Estado de Minas, confirma o encontro e acrescenta que Gilmar procurou Lula logo após um café com ministros do STF e o diretor-geral da PF. Segundo relatos ouvidos pela reportagem, o decano afirmou que, quando um ministro do Supremo intervém de forma indevida no trabalho da PF, o problema deixa de ser apenas do tribunal e passa a ser também do governo. Procurado, Gilmar não quis se manifestar.A conversa ocorreu depois de revelações do Estadão sobre o depoimento de Vorcaro a Mendonça, prestado na presença do Ministério Público e sem representante da PF. No depoimento, o ex-banqueiro, preso na operação Compliance Zero e investigado no caso Master, afirmou que pretendia delatar membros do governo Lula e fez denúncias contra Andrei Rodrigues. O impasse com o Executivo tem raiz anterior: em julho, Andrei pediu ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que questionasse decisões de Mendonça, e Messias se recusou, sob o argumento de que a atuação da AGU em causa criminal seria inédita e poderia suscitar acusação de tentativa de obstrução de justiça. Segundo a Folha, Gilmar também apontou disfuncionalidade nas relações da PF com a AGU e com o Ministério da Justiça, chefiados por Jorge Messias e Wellington César Lima e Silva.Linha do tempo da crise e próximos passosA crise acelerou após Mendonça determinar à PF a produção de um relatório que expôs trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte, e Vorcaro, a partir de material localizado no celular do ex-banqueiro. Em 1º de setembro, o mesmo dia do encontro entre Gilmar e Lula, Mendonça levantou o sigilo do processo e sugeriu avaliação pelo plenário. No mesmo dia, Lula também conversou com Fachin."Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial", escreveu Mendonça.Moraes reagiu e pediu a Fachin a investigação de Mendonça por improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos, com base no que chama de fortes indícios na relatoria dos casos Master e INSS. Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a investigação é nula e não poderia ter sido feita sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.Fachin determinou na quinta-feira (3) que Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues se manifestem, em até cinco dias úteis, sobre os episódios que geraram a crise. O presidente do STF pediu informações sobre o cumprimento, pela PF, das regras da Lei Orgânica da Magistratura para autoridades com foro no tribunal e sobre indícios de uso de credenciais institucionais para avaliar documento particular. Nesta sexta-feira (4), em discurso no Planalto, Fachin defendeu também o fim do inquérito das fake news, aberto em 2019 e relatado por Moraes, como caminho para reduzir a tensão na Corte.

HBHenrique Barros
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Fachin retira pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e dá prazo à PGR

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou nesta sexta-feira (4) do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação feito pelo ministro Alexandre de Moraes contra o colega André Mendonça. O exame do pedido passou para a Presidência da Corte e foi reunido, segundo a Folha de S.Paulo, ao processo que Fachin abriu sobre o relatório da Polícia Federal a respeito das mensagens que teriam sido enviadas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Moraes.No despacho, o presidente do tribunal deu cinco dias úteis para a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar parecer sobre a admissibilidade e a regularidade do procedimento adotado por Moraes e, se entender pertinente, sobre as imputações feitas contra Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Depois da resposta da PGR, Mendonça poderá se manifestar formalmente em cinco dias, se assim desejar. Segundo o G1, os dois inquéritos que envolvem os ministros passam a ser conduzidos pela Presidência do STF."Considerando a necessidade de adequada instrução do feito para a apreciação da admissibilidade e da regularidade do procedimento adotado pelo Ministro Alexandre de Moraes, bem como, se for o caso, das imputações nele deduzidas, determino a complementação da instrução, nos termos a seguir", escreveu Fachin.O presidente do STF afirmou ainda que as providências determinadas "destinam-se exclusivamente à instrução do feito, sem antecipação de juízo quanto à admissibilidade, à regularidade do procedimento ou ao mérito das imputações". Caberá a ele definir os procedimentos seguintes, inclusive se os casos serão levados ao plenário da Corte.O que Moraes alegaNa noite de quinta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin o pedido de investigação contra Mendonça. Na petição, apontou "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e do INSS. Segundo o G1, Moraes sustenta que o colega teria usurpado as autoridades policiais na direção das investigações, conduzido de forma irregular tratativas de eventual delação e direcionado, por "motivos pessoais e políticos", apurações contra alvos que incluem o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Para Moraes, o relatório da PF indica medidas tomadas por Mendonça "com flagrante perda de imparcialidade". Nenhuma das imputações foi admitida ou avaliada pelo tribunal até agora.Como a crise chegou à PresidênciaA crise entre os dois ministros ganhou dimensão na terça-feira (1º), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF, produzido por sua determinação, que expõe mensagens e contatos entre Vorcaro e Moraes, e sugeriu que o plenário avaliasse o material. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, citado nos relatórios divulgados por Mendonça, classificou a investigação como nula, por ter sido feita sem pedido do Ministério Público ou da própria PF. A Folha reportou ainda que o documento usado por Moraes para sustentar o pedido contra o colega não é assinado por nenhum delegado e traz a ressalva de não servir para "instruir procedimento de qualquer natureza". No início da semana, Fachin já havia dado cinco dias úteis para Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestarem sobre os fatos ligados ao caso Master.O próximo passo é o parecer da PGR, com prazo de cinco dias úteis. Encerradas as manifestações, Fachin decidirá sobre a admissibilidade e a regularidade do pedido antes de qualquer exame de mérito, e definirá se o tema segue ao plenário, como pediu Moraes ao citar a Constituição e o regimento do STF, segundo os quais cabe a órgão colegiado analisar eventual crime comum praticado por magistrado.

HBHenrique Barros
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Ex-PGR Fonteles defende afastamento de Gonet do caso Master e investigação de Moraes

O ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles, que chefiou o Ministério Público Federal entre 2003 e 2005, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, disse à BBC News Brasil que o atual PGR, Paulo Gonet, deve se afastar do comando das investigações do caso Master e repassá-las ao vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand Filho. Na entrevista, publicada na quinta-feira (3), o ex-PGR defendeu também a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e classificou o impasse entre o ministro e o relator dos inquéritos, André Mendonça, como a maior crise da história da Corte.O pedido de afastamento se apoia em diálogos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, que citam Gonet. Segundo relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado na terça-feira (1) por Mendonça, o advogado Ciro Soares, ex-defensor do banco, aparece como intermediário de contatos entre Vorcaro e o procurador-geral. Em março de 2025, Soares teria atuado para que Vorcaro incluísse Pedro Gonet, filho do PGR, em uma viagem a Londres bancada pelo Master. Dias antes, o advogado enviou ao banqueiro uma foto ao lado de Gonet, informando que estava com ele, e os dois trocaram ligações. Até a publicação da reportagem, Gonet não havia se manifestado sobre as revelações. "O procurador-geral da República tem que explicar isso", afirmou Fonteles. Para ele, o episódio da viagem é o "mais delicado", mas não configura, necessariamente, um ilícito criminal; ainda assim, o afastamento das investigações seria "uma garantia para ele mesmo".Linha do tempo para quem chega agoraO Banco Master é alvo de inquéritos no STF que apuram fraudes bilionárias. Entre as mensagens atribuídas pela PF a Vorcaro e a Moraes está um suposto pedido, de 30 de outubro de 2025, para que o ministro interferisse a favor do banqueiro na atuação de Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em 15 de novembro, Vorcaro perguntou ao ministro se deveria deixar o Brasil; foi preso dois dias depois, ao tentar embarcar para Dubai, e o banco foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte. As apurações também apontaram que o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o Master, documento que chegou a ser editado por Moraes. Depois da retirada do sigilo do relatório, o caso passou por uma sequência de reportagens e vazamentos envolvendo também Mendonça, a Procuradoria e nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Nikolas Ferreira (PL-MG), como registrou o podcast Café da Manhã, da Folha. Nenhum dos citados é réu ou foi condenado; as suspeitas seguem em apuração.A disputa sobre o relatórioNa segunda-feira (31), Mendonça determinou que a PGR analisasse o relatório e se manifestasse sobre a abertura de investigação contra Moraes. Gonet pediu o contrário: a anulação do caso. Para o PGR, Mendonça não podia encomendar diretamente à PF um relatório sobre o próprio colega de Corte e deveria ter levado a questão ao plenário antes de determinar essa apuração inicial. "Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais", argumentou, em manifestação citada pela BBC.Fonteles discorda. Segundo o ex-PGR, não houve ilegalidade, porque a Lei 13.964 de 2019, que criou a figura do juiz de garantias, ampliou a atuação do juiz na investigação criminal, ao autorizar a requisição de documentos, laudos e informações ao delegado de polícia. E sustenta que o plenário do STF já tem elementos para abrir inquérito sobre a conduta de Moraes."Diante desses fatos que se apresentaram envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, eu acho que, sem dúvida alguma [deve ser investigado]. Primeiro, por ele até ter participado na contratação do escritório de advocacia da sua esposa. Então, isso aí já é um fato que precisa ser apurado."Fonteles citou ainda a mensagem em que o banqueiro perguntou ao ministro "se devia ir embora do Brasil, se devia ficar no Brasil": "Esses fatos são objetivamente postos. Não resta a menor dúvida, você tem que apurá-los.", disse.O próximo passo está nas mãos do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que determinou que Moraes, Mendonça, a PGR e a Polícia Federal prestem explicações em cinco dias sobre a crise. Depois, caberá ao plenário da Corte decidir se abre investigação contra Moraes e se acata o pedido de anulação apresentado por Gonet.

HBHenrique Barros
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Relatório paralelo da PF aponta tratamento distinto de Mendonça a Lulinha e ACM Neto

A Polícia Federal elaborou, paralelamente às apurações conduzidas pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), relatórios de inteligência com 50 páginas que apontam "assimetria por espectro político" na atuação do magistrado. Segundo o Poder360, que teve acesso ao material, os agentes avaliaram que Mendonça teria adotado critério distinto nos casos do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), e do candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União). O documento foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que o incorporou ao inquérito das fake news e o usou na decisão de quinta-feira (3.set.2026) em que apontou "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade praticados pelo colega.Os relatórios foram produzidos sob o comando do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e concentram a análise nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios do INSS, e Compliance Zero, que apura suspeitas ligadas ao Banco Master, ambas sob a relatoria de Mendonça. Os agentes examinaram o padrão probatório adotado pelo ministro, o tempo que ele levava para decidir sobre medidas pedidas pela corporação e sua relação com outros ministros e com atores políticos, além de levantar hipóteses sobre possíveis motivações. Para o O Globo, que citou trechos do texto, a PF avaliou que a "situação fática apurada" atribuída a Lulinha e a ACM Neto "guarda similaridade relevante", e concluiu que a percepção do relator variava "conforme o espectro político da pessoa envolvida nos fatos". A Folha de S.Paulo reportou que o documento registra uma reunião de 13 de agosto na qual Mendonça teria manifestado a percepção de que ACM Neto estaria exercendo uma atividade de representação.Alcolumbre como "provável alvo estratégico"O material também avalia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Na leitura dos agentes, o parlamentar constitui um "provável alvo estratégico", em razão de sua força política, do favoritismo para permanecer na presidência da Casa e do controle da pauta, especialmente do processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Na decisão de quinta, Moraes acusou o colega de direcionar investigações contra alvos por "motivos pessoais e políticos", escreveu que houve direcionamento contra Alcolumbre com "viés político" e afirmou ter sido ele próprio alvo do mesmo expediente. O relatório sustenta que Mendonça poderia enxergar em Antônio Rueda, presidente do União Brasil, uma rota de acesso ao senador, "com quem manteve desavença conhecida por ocasião de sua própria indicação ao Tribunal, no governo passado, quando aquele parlamentar representou grande empecilho à indicação".De acordo com o O Globo, os agentes registraram que Mendonça teria defendido, em reunião presencial, a separação das investigações entre ACM Neto e Rueda, apesar da conexão aparente entre as condutas dos dois."Registre-se a assimetria de tratamento: a separação é sugerida onde a unidade identifica conexão, ao passo que, no episódio de julho de 2026, a contrariedade do relator recaiu sobre desmembramento pela unidade justamente onde a conexão inexistia."O documento tem natureza delicada: está em papel sem timbre da PF, não é assinado e não informa a data exata do envio a Moraes. Os próprios relatórios ressaltam seus limites, como resume o Poder360: são análises de inteligência feitas em ambiente de informação incompleta, que trabalham com hipóteses e graus de confiança, e não são peças de instrução processual nem têm valor probatório. A assessoria de Mendonça foi procurada pelo Poder360 e não havia respondido até a publicação. As condutas atribuídas ao ministro ainda não foram objeto de julgamento, e não há condenação por nenhum dos crimes citados.Como o documento chegou ao STFA produção do material antecedeu a decisão de terça-feira (1º.set.2026) em que Mendonça retirou o sigilo de peças da investigação do Master que mostravam relação entre o fundador do banco, Daniel Vorcaro, e Moraes. Depois disso, Moraes afirmou ter tomado conhecimento da existência do relatório e determinou que a PF o enviasse ao seu gabinete, por meio do inquérito 4.781, o inquérito das fake news. Na quinta (3), o ministro usou as informações para sustentar a decisão com "fortes indícios", incluiu Mendonça no inquérito, retirou o sigilo dos documentos, determinou que a PGR fosse informada e pediu providências ao presidente do STF, Edson Fachin. Fachin abriu um novo procedimento.O próximo passo está definido: Fachin deu cinco dias úteis para Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestarem informações. Não há data marcada para decisão final no caso.

HBHenrique Barros
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PF aponta interferência de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero

Relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam que o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), teria interferido na condução das investigações das operações Sem Desconto e Compliance Zero. As conclusões constam de documentos revelados em decisão do ministro Alexandre de Moraes divulgada nesta quinta-feira (3), segundo a coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Com base nos relatórios, Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigação contra o colega no âmbito do inquérito das fake news.Na petição, Moraes escreveu que há "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos na atuação de Mendonça como relator dos casos do Banco Master e do INSS. Segundo o ministro, Mendonça teria usurpado das autoridades policiais a direção das investigações, conduzido irregularmente tratativas de colaboração premiada e direcionado alvos "por motivos pessoais e políticos", com indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela PF. Entre os alvos citados estão o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).O que dizem os relatóriosTrechos citados na decisão detalham as suspeitas. Um relatório afirma que Mendonça determinou, de ofício, diligência para produzir provas contra Moraes sem assinar a decisão judicial e sem comunicar a Procuradoria-Geral da República. Outro aponta "assimetria por espectro político": o ministro teria adotado posturas "muito diferentes" diante de ilicitudes atribuídas aos ministros Dias Toffoli e Nunes Marques. Um terceiro avalia que Alcolumbre seria o alvo de uma estratégia de recomposição de forças no tribunal."Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal", diz o trecho citado por Moraes.Os documentos também registram declarações atribuídas a Mendonça sobre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo a corporação, o ministro teria considerado Rodrigues não confiável por uma suposta proximidade "inadequada" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mencionado um afastamento cautelar. Sobre Gonet, teria sustentado que a proximidade com o ministro Gilmar Mendes "o tornaria indigno de confiança" e cogitado arrolá-lo como testemunha. O relatório ressalta que não foram apresentados fatos concretos de atuação irregular do chefe da PF.Linha do tempo1º de setembro: Mendonça determina a retirada do sigilo de relatório da PF, produzido por sua ordem, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A PGR manifesta-se pela nulidade dessa investigação.3 de setembro: Moraes encaminha a Fachin o pedido de investigação de Mendonça, apoiado nos relatórios de inteligência. No mesmo dia, Fachin determina que Moraes, Mendonça, a PGR e a PF prestem informações em cinco dias.Mendonça não havia se manifestado publicamente sobre os relatórios até a noite desta quinta, segundo o g1. Em declarações anteriores sobre a crise, o ministro afirmou ter recebido Vorcaro uma única vez, para tratar de precatórios no tribunal. Ele é alvo de pedido de investigação; não há acusação formal nem condenação, e as conclusões apontadas pela PF ainda não passaram por contraditório.O próximo passo processual é o prazo de cinco dias fixado por Fachin, contado desta quinta, para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre a crise e sobre diálogos com Vorcaro. Na decisão, Moraes lembrou que a Constituição e o regimento do STF atribuem a órgão colegiado a análise de eventual crime comum cometido por magistrados da Corte.

HBHenrique Barros
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Moraes pede a Fachin investigação de Mendonça por abuso de autoridade

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta quinta-feira (3) ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedido de apuração contra o ministro André Mendonça. Na petição, assinada no inquérito das fake news, Moraes apontou a existência de "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.Segundo o G1, a acusação se apoia em três condutas: a usurpação da direção das investigações das autoridades policiais, com medidas que teriam rompido a cadeia de custódia da prova; a condução irregular das tratativas de eventual colaboração premiada, com contatos de Mendonça com defensores de pretensos colaboradores e proposição de benefícios não previstos em lei; e o direcionamento de alvos da apuração por "motivos pessoais e políticos". Entre os alvos estariam o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, informa que a decisão foi assinada no Inquérito 4.781, instaurado em 2019 para apurar ameaças, fake news e outros ataques a ministros do Supremo.Um dos trechos do relatório de inteligência da Polícia Federal citados na decisão sustenta que Mendonça determinou, de ofício, diligência investigatória fora dos trâmites legais:"O relator, Ministro André Mendonça, determinou - DE OFÍCIO - diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas contra o Ministro Alexandre de Moraes (...) sem ter assinado a decisão judicial e sem ter feito da comunicação pelas vias procedimentais legais, bem como ter subtraído o conhecimento da mesma da Procuradoria-Geral da República."Moraes disse ainda que o relatório aponta tratamento diferenciado entre autoridades em situação igual, com "posturas muito diferentes diante de ilicitudes" em relação aos ministros Dias Toffoli e Nunes Marques, e a "atuação de julgador como investigador". As condutas descritas são indícios levantados em petição: Mendonça não foi processado nem condenado, e o pedido depende agora de deliberação da Corte. Ele não havia se manifestado publicamente até a publicação desta reportagem.Como se chegou até aquiA crise entre os dois ministros escalou em menos de uma semana. Na terça-feira (1), Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal, produzido por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade da investigação ordenada por Mendonça. Segundo o G1, as mensagens reveladas também indicam proximidade entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.Na decisão, Moraes citou a Constituição Federal e o regimento do STF, segundo os quais a análise de eventual crime comum praticado por magistrado compete a órgão colegiado, e não a um relator individual. O despacho foi enviado a Fachin para que tome as providências que entender necessárias, conforme destacou o InfoMoney. Caberá ao presidente da Corte decidir se instaura a apuração e a encaminha a um colegiado. Não há prazo definido para essa análise.

HBHenrique Barros
crime

Vorcaro diz em delação rejeitada que doações a Bolsonaro e Tarcísio eram propina

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master, afirmou em propostas de delação premiada rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República que os R$ 5 milhões doados em 2022 às campanhas do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), hoje governador de São Paulo, eram propina articulada com Gilberto Kassab, presidente do PSD. O relato foi revelado pelo UOL nesta quinta-feira (3) e confirmado pela Folha de S.Paulo. Como as três propostas foram recusadas por falta de fatos inéditos, não houve acordo de colaboração, e a versão permanece como relato unilateral do banqueiro, não confirmado em juízo.Segundo as apurações, os repasses foram feitos por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero, e aparecem descritos como "contrapartidas financeiras" decorrentes de um "ajuste indevido com Gilberto Kassab" para manter em funcionamento em São Paulo o Credcesta, cartão de crédito consignado administrado pela PKL One Participações, empresa ligada ao Master. A operação teria começado no governo João Doria (então no PSDB). Segundo Vorcaro, com a perspectiva de vitória de Tarcísio em 2022, Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro responsável pela expansão do produto, tratou de garantir a continuidade do negócio no governo seguinte."Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo", diz o trecho da proposta, citado pela Folha.O suposto acordo, conforme o relato, previa o pagamento de 5% do resultado líquido da operação do Credcesta em São Paulo e a destinação de recursos a campanhas de partidos ligados ao grupo político de Kassab, hoje candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) nas eleições de outubro. Vorcaro também relatou a previsão de pagamentos informais de cerca de R$ 10 milhões em espécie, que teriam sido entregues por Thiago Botelho, conhecido como Papel, para campanhas do PSD. A doação eleitoral seria paga inicialmente em dinheiro, mas foi convertida em repasses oficiais porque os partidos parceiros só aceitariam doações oficiais. Segundo o ex-banqueiro, as contrapartidas prometidas foram cumpridas e o Credcesta permaneceu ligado ao governo estadual por mais de um ano.Como a versão veio a públicoO material consta de três propostas de delação, todas recusadas pela PF e pela PGR. A última foi negada no fim de agosto, e o depoimento ocorreu em 27 de agosto, na penitenciária da Papudinha, prestado a João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, do STF, relator da Compliance Zero, com presença de advogados do banqueiro e de um integrante do Ministério Público, segundo o Metrópoles. Sobre a divisão dos R$ 5 milhões, as apurações divergem: a Folha registra R$ 2 milhões para Bolsonaro e R$ 3 milhões para Tarcísio; o relato do UOL, reproduzido por Metrópoles e Brasil de Fato, aponta R$ 3 milhões para o ex-presidente e R$ 2 milhões para o governador.O caso até aquiMaio de 2022: a PKL One, responsável pelo Credcesta, é credenciada como consignatária no governo de São Paulo, ainda na gestão Doria, segundo a assessoria de Tarcísio.Outubro de 2022: Zettel doa R$ 5 milhões, como doações oficiais declaradas, às campanhas de Bolsonaro e Tarcísio.Janeiro de 2023: Tarcísio assume o governo de São Paulo e Kassab se torna secretário de Governo.2026: Vorcaro, preso no escândalo do Master, apresenta três propostas de delação; a terceira é negada no fim de agosto.3 de setembro: o UOL publica o teor do relato, confirmado pela Folha; Kassab e Tarcísio negam as acusações.Procurado, Bolsonaro não respondeu até a publicação da reportagem da Folha. Augusto Lima não se manifestou, segundo o Metrópoles. Kassab classificou o relato como "absolutamente fantasioso" e disse que o refuta "com veemência". "Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone", afirmou, em nota. "Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie."Em comunicado, a assessoria de Tarcísio afirmou que a campanha de 2022 "contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral", que o governador não possui vínculo com o doador citado e que a prestação de contas foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral. A nota sustenta ainda que o credenciamento da PKL One não constitui contrato com o Estado e não envolve repasse de recursos públicos.Não há data marcada para um novo depoimento, nem anúncio de nova análise da PGR sobre o material. Um eventual acordo de colaboração dependeria de aceite da PF e da procuradoria, que já rejeitaram o relato três vezes por falta de fatos novos.

HBHenrique Barros
crime

PF aponta que esquema da Refit custeou caviar, mansão na Serra e cobertura a Castro

A Polícia Federal aponta que o ex-governador do Rio Cláudio Castro obteve vantagens diretas de um esquema de lavagem de capitais ligado ao grupo Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos. As conclusões estão na decisão da segunda fase da Operação Sem Refino, cujo sigilo foi retirado nesta quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as vantagens listadas estão R$ 10,5 mil em caviar pagos por empresa de um terceiro, a posse de fato de uma mansão em Petrópolis, na Região Serrana, e o aluguel subfaturado da cobertura onde o ex-governador vive na Barra da Tijuca. Castro é investigado, não foi condenado, e sua defesa nega irregularidades.O inquérito descreve uma estrutura de ocultação de patrimônio montada com "laranjas" e empresas de terceiros para quitar despesas do ex-governador e blindar bens de luxo. O grupo Refit é controlado pelo empresário Ricardo Magro, considerado um dos maiores devedores de impostos do país, segundo o g1. Magro teve prisão preventiva decretada pelo STF em maio, na primeira fase da operação, está foragido e figura na lista de difusão vermelha da Interpol. Dados extraídos de celulares apreendidos indicam ainda que Castro e secretários mantinham canais diretos de comunicação para agilizar licenças ambientais e perseguir empresas concorrentes.O episódio do caviarSegundo mensagens citadas na decisão, Castro negociou pessoalmente a compra de diferentes tipos e gramagens de caviar com um fornecedor e pediu que parte das iguarias fosse entregue em uma suíte do Hotel Emiliano, em São Paulo, onde estava hospedado em 24 de abril de 2026. O valor final, após descontos, ficou em R$ 10.500. Embora tenha dito ao vendedor que enviaria o comprovante do PIX, a análise bancária mostrou que o pagamento partiu da conta da AC Santos Participações e Empreendimentos, do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, o "Pipo", apontado pela PF como operador central do esquema de lavagem. Para os investigadores, o episódio é prova objetiva do uso de terceiros para pagar gastos incompatíveis com os rendimentos lícitos do ex-governador.Mansão na Serra e cobertura na BarraEm Petrópolis, a PF sustenta que Castro usufruía de fato de um imóvel de luxo no condomínio Locanda Residenze, registrado em nome da Concrecasa Construções Inteligentes. A administradora da empresa, Carolina Gonçalves Xavier Pereira, tem vínculos societários com o empresário Luiz Fernando Gomes, cuja Enge Prat Engenharia e Serviços assinou 11 contratos com o governo estadual na gestão Castro, um total de R$ 355,2 milhões, dos quais R$ 49,6 milhões sem licitação. Na decisão, Castro aparece gerindo rotinas de segurança, recebendo faturas de energia elétrica no celular e coordenando reformas que chamava de "minha obra", incluindo uma adega climatizada orçada em R$ 245 mil, cujo arquivo trazia nos metadados o título "AP Adega Claudio Castro". Segundo o O Globo, entre janeiro de 2024 e o início deste ano o então governador usou ao menos 24 vezes o helicóptero oficial para viagens de fim de semana a Petrópolis.Na Barra da Tijuca, o ex-governador reside sob contrato de R$ 10 mil mensais com a J3 Real Estate, valor inferior à média de mercado estimada pela PF, entre R$ 25 mil e R$ 29 mil. A empresa foi criada 50 dias antes de comprar a cobertura por R$ 3,48 milhões, tem o imóvel como único ativo e só abriu a primeira conta bancária três anos depois da transação. Mensagens apreendidas mostram ainda Castro e a esposa coordenando detalhes da obra, como o guarda-corpo de vidro da piscina, meses antes da mudança, o que, segundo os investigadores, contradiz a versão da defesa de que ele não participou das intervenções no imóvel.Linha do tempo e a defesaA primeira fase da Sem Refino foi deflagrada em maio, quando Moraes autorizou buscas contra Castro e outros investigados e decretou a prisão preventiva de Magro. A segunda fase ocorreu em 14 de agosto, com 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF; além de Castro, foram alvos o ex-secretário estadual de Ambiente Bernardo Rossi e o ex-secretário de Transformação Digital José Mauro Farias Junior. Na ocasião, a PF afirmou apurar "fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria, à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes", além de lavagem de capitais. Dias antes, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) havia revogado a autorização de funcionamento da Refit.As defesas divergem da leitura da PF. O advogado Carlo Luchione afirmou ao O Globo que a cobertura da Barra é alugada e negou que tenha passado por grande reforma. Sobre a casa de Petrópolis, os advogados dizem que o imóvel não tem mais qualquer ligação com o ex-governador, que alega tê-lo ocupado entre outubro de 2023 e o início deste ano por contrato regular de locação. O g1 informou que busca contato com Castro e que não havia resposta divulgada até a publicação.Os próximos passos correm no STF. O inquérito segue sob relatoria de Moraes, a PF continua a análise do material apreendido e eventuais acusações formais dependem de denúncia da Procuradoria-Geral da República ao Supremo. Nenhuma data está definida.

HBHenrique Barros
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PGR pede arquivamento de denúncia de Vorcaro sobre ameaças na prisão

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quarta-feira (2), ao Supremo Tribunal Federal (STF), o arquivamento das denúncias apresentadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça. Preso em Brasília no âmbito das investigações sobre o Banco Master, Vorcaro relatou supostas ameaças sofridas na prisão. Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não há fato concreto que justifique providências investigativas.Depoimento urgente e em sigiloSegundo nota do gabinete de Mendonça, Vorcaro prestou depoimento em caráter de urgência na última quinta-feira (27), a um juiz auxiliar que acompanha o caso. A oitiva foi pedida pela defesa, que relatou "graves intimidações", e ocorreu sem a presença da Polícia Federal. O conteúdo foi mantido em sigilo. Após o depoimento, o ministro encaminhou o caso à PGR para avaliar se havia elementos que justificassem novas providências, conforme a CNN Brasil.Na manifestação enviada ao STF, a PGR descartou instaurar investigação a partir do relato."Do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", afirmou o órgão.Linha do tempoVorcaro está preso no âmbito das investigações sobre o Banco Master, nas quais a Polícia Federal apontou indícios de que ele mantinha uma estrutura de monitoramento e intimidação de adversários, com risco de destruição de provas, de continuidade da lavagem de dinheiro e de interferência nas apurações. Antes do depoimento, a defesa havia apresentado duas propostas de delação premiada, ambas rejeitadas pela PGR e pela PF. Na segunda negativa, o Ministério Público alegou que a proposta não trazia comprometimento efetivo com a devolução de valores e que os elementos não tinham ineditismo, chegando, em alguns pontos, a se chocar com dados já levantados pela investigação.Na manifestação desta quarta, a PGR também recusou reabrir as tratativas de colaboração. "O peticionante não logrou alterar a premissa fática que culminou na negativa anterior, não se vislumbrando qualquer sinalização de potencialidade probatória ou vício de vontade a justificar a renovação da proposta negociada", afirma o texto. Segundo a CNN Brasil, o órgão considerou que o prosseguimento da petição seria "inócuo" e sem utilidade prática.A próxima etapa cabe a Mendonça: como relator da petição no STF, ele analisará o pedido de arquivamento. Não há data definida para a decisão.

HBHenrique Barros
Federal Police

PGR envia ao STF delação premiada do ex-dono da Reag com foco em Daniel Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o acordo de delação premiada de João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente do conselho de administração da gestora Reag. O material foi enviado nesta quarta-feira (2) para análise do ministro André Mendonça, que não tem prazo para se manifestar, segundo o G1.O acordo tem 17 anexos que descrevem como os fundos da gestora teriam sido montados para lavagem de dinheiro. Mansur também aponta o caminho para a localização de R$ 20 bilhões em recursos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado pela Polícia Federal. Os dois são alvo de investigações e nenhum foi condenado; as afirmações do colaborador ainda serão examinadas pela Justiça. Segundo o G1, o ex-executivo assinou termo de confidencialidade há meses com a PF e com a PGR, primeiro passo antes da entrega de documentos, e a negociação avançou apenas com a Procuradoria.Como o caso chegou até aquiA Reag foi criada por Mansur em 2012 como administradora fiduciária de fundos e chegou a administrar R$ 340 bilhões no auge, tornando-se a maior casa independente do país, segundo a Folha de S.Paulo. A PF atingiu o grupo em agosto de 2025, na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro para o crime organizado. Em janeiro deste ano, Mansur foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da gestora.Segundo reportagem da Folha, o Banco Central identificou ao menos seis fundos da Reag ligados ao Master e a Vorcaro: Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna. O patrimônio líquido somava R$ 102,4 bilhões, e em ao menos quatro deles houve indício de ligação com o crime organizado. Pessoas que acompanharam o trabalho de Mansur e falaram à Folha sob reserva de identidade dizem que ele atuou pessoalmente nas principais transações ligadas a interesses de Vorcaro e que suas informações podem servir de atalho para os investigadores, ao detalhar o número de transações, a participação de cada envolvido e a origem e o destino do dinheiro.Contexto e próximos passosA delação chega em momento sensível para o caso. Vorcaro prestou depoimento na semana passada ao gabinete de Mendonça, onde afirmou ter sofrido ameaças e pressão psicológica na prisão para não fechar acordo de colaboração, segundo o G1 e a Folha. Nesta quarta (2), a PGR pediu o arquivamento dessas denúncias. O caso do Banco Master também se mistura à crise entre o STF e a PF após a revelação de mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo a coluna Painel S.A., da Folha, Mansur reuniu a família no mês passado, contou aos três filhos que havia fechado a delação e disse ter tomado providências para preservá-los das consequências.O próximo passo cabe a Mendonça: homologar ou não o acordo, sem prazo definido. A delação premiada só produz efeitos após validação judicial. Em troca da cooperação, o colaborador pode receber benefícios previstos em lei e passa a renunciar ao direito de permanecer em silêncio nos depoimentos que prestar. Até a decisão do ministro, o conteúdo do acordo permanece sob sigilo.

HBHenrique Barros
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Vorcaro diz ao STF que sofreu tortura psicológica na prisão para não delatar

O empresário Daniel Vorcaro, preso desde março no inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que sofreu tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas na prisão para não relatar fatos ligados à PF (Polícia Federal) em uma eventual delação premiada. A revelação é da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. A oitiva ocorreu na semana passada, foi conduzida por um juiz auxiliar do gabinete e gravada em vídeo, com um representante do Ministério Público Federal presente e sem agentes da PF.No depoimento, Vorcaro citou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo a apuração da Folha, o banqueiro afirmou que a corporação não teria interesse em ouvi-lo para evitar que fatos relacionados ao órgão viessem à tona. Na avaliação dele, as supostas intimidações estariam entre os motivos pelos quais a PF não teria aceitado a delação que tenta negociar desde a prisão. Interlocutores de Rodrigues negaram ao jornal qualquer relação próxima com Vorcaro e disseram que os dois se encontraram uma única vez, casualmente, em Londres, em um seminário jurídico organizado pelo grupo Voto, evento patrocinado pelo Banco Master sem que esse vínculo fosse divulgado na época.Agentes ouvidos pela Folha afirmaram ainda que Vorcaro poderia ter procurado diretamente a PGR (Procuradoria-Geral da República) para tentar formalizar a delação, sem a participação da PF. A oitiva ocorreu justamente no gabinete de Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master no STF. O conteúdo do depoimento é protegido por sigilo.O que diz o gabineteNesta quarta-feira (2), o gabinete de Mendonça confirmou a oitiva, que segundo o G1 foi revelada primeiro pelo jornal O Globo, e divulgou nota afirmando que o ato ocorreu por pedido expresso da defesa. O texto diz que a presença de representante do Ministério Público é exigência legal que foi cumprida e que a ausência de agentes da PF seguiu normas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que determinam o afastamento da equipe policial responsável pela investigação quando o depoente relata intimidações. Segundo a nota, a medida buscou proteger o depoente e não foi escolha de conveniência do gabinete. A equipe do ministro também informou que a relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes não foi citada no depoimento."O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", diz a nota.Como o caso chegou até aquiMarço de 2025: Mendonça recebe Vorcaro em uma única reunião, para tratar de ação sobre precatórios que estava em julgamento no STF, segundo nota do gabinete.Fevereiro de 2026: o ministro se torna relator do caso Master na Corte.Março de 2026: Vorcaro é preso no inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master.Terça-feira (1): vem a público relatório da PF que aponta mensagens de Vorcaro a um número atribuído a Moraes, com ofertas de contratos milionários e viagem a Londres, além de oito encontros entre os dois.Quarta-feira (2): o gabinete confirma o depoimento urgente e a Folha revela o teor das declarações de Vorcaro.O presidente do STF, Edson Fachin, disse que analisará os fatos e prometeu anunciar medidas nos próximos dias. A PGR pediu a nulidade da investigação aberta por Mendonça sobre as mensagens, mas, segundo o G1, o ministro deve insistir que o plenário da Corte analise o caso mesmo assim.

HBHenrique Barros
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Gabinete de Mendonça confirma depoimento urgente de Vorcaro sem presença da PF

O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) que o banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento em caráter de urgência na semana passada a um juiz auxiliar que acompanha o inquérito do caso Banco Master. A oitiva ocorreu sem a presença da Polícia Federal e foi realizada a pedido dos advogados de Vorcaro, investigado no inquérito. A informação foi revelada pelo jornal O Globo e detalhada em nota pelo gabinete.Segundo a nota, o depoimento foi marcado por insistência da defesa. "O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", diz o gabinete.Sobre a ausência da PF, o gabinete afirma que audiências desse tipo exigem representante do Ministério Público e que essa exigência foi atendida. A equipe policial responsável pela investigação foi afastada da oitiva em cumprimento a normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo a nota. "As normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido", diz o texto. Como o depoimento foi motivado por "relato de graves intimidações", o gabinete sustenta que a não convocação de agentes seguiu uma diretriz de proteção ao depoente.O conteúdo da oitiva foi mantido em sigilo. A equipe de Mendonça afirma, no entanto, que a relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes não foi citada no depoimento. Mais cedo, o gabinete também divulgou nota dizendo que Mendonça se reuniu com Vorcaro uma única vez, em março de 2025, para tratar de uma ação sobre precatórios em julgamento na Corte, antes de assumir, em fevereiro de 2026, a relatoria do caso Master no STF.O caso até aquiVorcaro é ex-controlador do Banco Master, alvo de um inquérito que apura fraudes estimadas pela Polícia Federal em cerca de R$ 12 bilhões. Ele foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos. Na terça-feira (1º), o jornal O Estado de S. Paulo revelou mensagens extraídas do celular do banqueiro trocadas com um contato salvo com o nome de Alexandre de Moraes. Segundo a PF, os diálogos incluem cobranças sobre pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório da esposa do ministro, além de registros de encontros entre os dois, que a polícia contabiliza em oito, e mensagens em que Vorcaro pergunta sobre a própria prisão dois dias antes de ela ocorrer.Na noite de terça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do inquérito instaurado por Mendonça para apurar as mensagens, cujo sigilo foi suspenso pelo próprio relator. Para a PGR, a investigação extrapolou os limites da atuação de um magistrado na fase pré-processual.O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou nesta quarta, em nota oficial, que analisará os fatos e anunciará "as medidas cabíveis e necessárias" nos próximos dias. Segundo criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil, a expectativa é de que o plenário do STF julgue tanto o pedido de anulação da atuação de Mendonça quanto uma eventual investigação contra Moraes, em sessão a ser marcada por Fachin.

HBHenrique Barros
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Operação da PF contra abuso sexual infantil prende 44 e resgata duas vítimas

A Polícia Federal e as polícias civis deflagraram nesta quarta-feira (2) a Operação Nacional Proteção Integral V, contra crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes, com mandados cumpridos em todos os estados e no Distrito Federal. Ao menos 44 pessoas foram presas: 31 em flagrante e 13 por mandados de prisão preventiva. Três adolescentes foram apreendidos e duas vítimas de abuso foram identificadas e resgatadas.A ação cumpre 153 mandados de busca e apreensão e mobiliza 755 agentes, entre eles 480 policiais federais e 275 policiais civis, segundo a Folha de S.Paulo. Os alvos são investigados por armazenar, compartilhar, comercializar ou produzir material de abuso sexual infantojuvenil. A coordenação é da PF, e as buscas alcançam todo o país, com participação direta das polícias civis de 20 unidades da federação, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.As matérias consultadas não divulgam os nomes dos detidos. As prisões resultam de investigações em curso: quem foi preso em flagrante foi capturado durante a ação policial, e os demais foram alvo de mandados expedidos pela Justiça. Todos são tratados como investigados e mantêm a presunção de inocência até eventual condenação. Os três adolescentes foram apreendidos, e não presos, porque se submetem ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a lei brasileira de justiça juvenil.Linha do tempo das operaçõesA Proteção Integral V dá continuidade a uma série de ações nacionais. As quatro primeiras fases foram deflagradas pela PF e pelas forças estaduais entre 2025 e 2026. Em março deste ano, a corporação realizou a Operação Nacional Guardião Digital, com foco em crimes sexuais contra crianças e adolescentes no ambiente virtual. Entre janeiro e agosto de 2026, segundo a PF, foram cumpridos ao menos 980 mandados de prisão contra foragidos da Justiça procurados por crimes sexuais, número que reúne diferentes áreas de atuação da corporação e não se limita às fases da Proteção Integral.A PF recomendou que pais e responsáveis acompanhem a atividade de crianças e adolescentes na internet e conversem sobre os riscos de redes sociais, jogos e aplicativos. A corporação pede atenção a sinais como isolamento repentino e segredo excessivo em relação ao uso de celular e computador.O que vem agoraNos termos da legislação processual penal, quem é preso em flagrante deve ser apresentado a uma audiência de custódia em até 24 horas, ocasião em que um juiz examina a legalidade da prisão e decide se ela deve ser mantida. Os alvos dos 13 mandados de prisão preventiva ficam à disposição dos tribunais que expediram as ordens. A PF não divulgou previsão para novas fases da operação.

HBHenrique Barros
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PGR pede nulidade de investigação de Mendonça sobre Moraes e Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se nesta terça-feira (1º de setembro) pela nulidade da investigação determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro. No parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustenta que a ordem do relator do caso Master que deu origem ao inquérito excedeu os limites da competência de um magistrado na fase pré-processual.O inquérito examina mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, entre elas trocas com um interlocutor apontado como sendo Moraes. Segundo o G1, uma das conversas sinaliza que o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de a PF deflagrar uma operação que teria Vorcaro como alvo. O material integra um relatório enviado pela PF ao STF, cujo sigilo foi retirado por Mendonça nesta mesma terça. Na véspera, o relator havia dado cinco dias de prazo para a PGR analisar o documento e manifestar-se sobre a abertura de investigação contra o colega. Segundo a Folha de S.Paulo, o próprio Gonet também é citado no relatório."A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual"Gonet escreve ainda que "ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais". A manifestação sustenta que a nulidade também decorre da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman): quando surge indício de crime praticado por magistrado, o material deve ser encaminhado ao órgão competente para julgá-lo, e, no caso de ministro do STF, esse órgão é o plenário da própria Corte. "Paradigmáticas decisões do Supremo Tribunal Federal não deixam dúvida de que a assunção pelo juiz de funções alheias às suas é causa de nulidade", diz o texto.Linha do tempo do casoVorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar em um jato particular com destino final a Dubai. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado Master, citando grave deterioração financeira e risco de insolvência. Solto por decisão do TRF-1, ele voltou a ser preso preventivamente em 4 de março de 2026, por ordem de Mendonça, após a análise dos celulares apreendidos indicar risco de destruição de provas. É investigado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, sem condenação em nenhuma frente.Além da conversa sobre uma eventual operação da PF, os documentos revelados tratam de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e de uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, que previa pagamento em cotas de um jatinho e de um helicóptero, segundo a Folha. O material também registra pedidos de Vorcaro para que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o próprio Gonet.O que diz cada ladoNa decisão que retirou o sigilo do relatório, Mendonça afirmou que o caso terá de ser submetido ao plenário do STF, "instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial". Já o escritório Barci de Moraes disse, em nota, que consultou o ministro sobre a existência de impedimentos legais antes de assinar o contrato, porque ele é marido de uma sócia-diretora da banca, e que Alexandre de Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master". Moraes ainda não foi denunciado, e a presunção de inocência vale para todos os citados no relatório.O próximo passo cabe a Mendonça: é dele a decisão sobre acolher ou não o pedido de nulidade da PGR. Se o caso seguir, o relator escreveu que a deliberação deverá ocorrer em sessão presencial do colegiado, "a partir de data a ser definida" pelo presidente do STF, Edson Fachin. Segundo a BBC News Brasil, a expectativa é que a sessão seja marcada depois da manifestação da PGR, apresentada nesta terça. Até agora, nenhuma data foi definida.

HBHenrique Barros
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Vorcaro negociou jatinho e helicóptero como pagamento de 2º contrato de R$ 50 mi, diz PF

Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como forma de pagamento de um segundo contrato, de R$ 50 milhões, com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O documento, elaborado a partir da extração de um dos celulares do banqueiro, teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, relator no STF das apurações sobre fraudes no banco.Segundo a Folha de S.Paulo, o contrato previa quitar R$ 40 milhões com a transferência das cotas das duas aeronaves, e os demais R$ 10 milhões seriam pagos como reembolso das despesas dos voos, conforme uma minuta localizada pela PF em diálogos de maio de 2025. Em uma dessas conversas, ao discutir com um advogado se os "ativos" citados no contrato deveriam ser transferidos de imediato ao escritório ou apenas no fim do vínculo, Vorcaro teria respondido: "os ativos são deles já".O uso das aeronavesOs diálogos indicam que as aeronaves já circulavam na agenda do casal. Em 9 de julho de 2025, Moraes deu entrada no aeroporto executivo de Brasília às 22h34, e o jatinho Legacy 650, de prefixo PP-NLR, decolou para o aeroporto executivo de São Roque, em São Paulo, segundo o g1. A aeronave pertence à Prime, empresa de aviação da qual Vorcaro era sócio, citada pela Folha como Prime Aviation. Em mensagens do mesmo mês, um sócio do banqueiro na companhia, identificado pela Folha como Marcos Mata, confirmou que o ministro e a esposa "já usaram aviões e helicópteros" e tratou dos "ajustes finais das 2 cotas da P1 pra eles".A PF também anexou ao relatório um print de conversa entre esse sócio e Viviane. Nele, ele pergunta se estão "gostando da utilização das cotas de vcs", e ela teria respondido: "Sim, estamos gostando muito, todos que nos atenderam sempre foram muito educados e atenciosos". Em outro diálogo, ao ser avisado por uma funcionária da Prime sobre uma viagem de Viviane agendada para agosto, Vorcaro determinou: "Não deixa de atender Barci".Linha do tempo e as defesasO caso nasce da operação da PF que apura fraudes no Banco Master, instituição hoje em liquidação e controlada por Vorcaro. Os principais pontos:Fevereiro de 2024: no dia 8, Vorcaro envia a um cunhado o comprovante de uma transferência de R$ 3,4 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, primeiro pagamento do contrato original, de cerca de R$ 130 milhões.Março de 2024: no dia 15, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que segundo a PF fez o primeiro contato entre Moraes e Vorcaro, cobra o atraso com a frase "O careca não pode atrasar". Vorcaro escreve ao sócio Angelo Silva que "não pagaram Barci de Moraes", chama o contrato de "mais importante que temos" e orienta pagamento mensal mesmo sem nota fiscal.Abril de 2025: Vorcaro pede ao sócio que restrinja o acesso ao contrato, com a instrução de que "ninguém" o veja.Maio de 2025: aparecem as minutas do segundo contrato, de R$ 50 milhões, com pagamento em cotas das aeronaves.Julho de 2025: voo de Moraes no Legacy 650 PP-NLR e trocas de mensagens sobre os "ajustes finais" das cotas.1º de setembro de 2026: Mendonça retira o sigilo do relatório e envia o material para manifestação da PGR.Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que assinou apenas o primeiro contrato, de cerca de R$ 130 milhões, e nega "transferência ou substituição do contrato". Segundo a nota, a proposta de Vorcaro não foi aceita, e "nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição". Vorcaro é investigado no inquérito e, de acordo com o g1, foi preso na operação policial. As conclusões do relatório ainda dependem de exame pela PGR e pelo STF, e nenhuma das pessoas citadas foi condenada.O material foi encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Na decisão que liberou o documento, Mendonça escreveu:"Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial"O relator afirmou ainda que eventual deliberação deve ocorrer em sessão pública e presencial do colegiado, e que cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, definir a data, ainda sem prazo anunciado.

HBHenrique Barros
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Relatório da PF lista série de encontros entre Vorcaro e o ministro Moraes

Um relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro registra uma série de encontros que teriam ocorrido entre o dono do Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo o G1, os diálogos no WhatsApp envolvem interlocutores como o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, a companheira de Vorcaro, familiares, assessores e funcionários, e ocorreram entre março de 2024 e agosto de 2025. O documento se tornou público nesta terça-feira (1º) depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo.Os registros estão no capítulo "outros encontros entre DANIEL VORCARO e ALEXANDRE DE MORAES", parte do inquérito policial que investiga as relações e a atuação do banqueiro. De acordo com o documento, as conversas indicam compromissos pessoais, reuniões em residências privadas e eventos no Brasil e no exterior. O celular foi apreendido na Operação Compliance Zero.O que o relatório registra13 de março de 2024: Fábio Faria e Vorcaro combinam uma conversa para "tomar um whisky" com "Alex" no início da noite; o encontro foi remarcado por causa da agenda do banqueiro.17 de abril de 2024: Faria pede o endereço da residência de Vorcaro no Lago Sul, em Brasília, para repassar a "Alex" e afirma que apagaria as mensagens em seguida.17 de julho de 2024: mensagens de Faria confirmam um encontro com "Alexandre", também chamado de "Careca", por volta das 19h30.5 de novembro de 2024: em diálogo com a filha, Vorcaro escreve: "To com alexandre moraes".26 de fevereiro de 2025: um motorista de Vorcaro em Brasília avisa que o "Min Alexandre chegou" à residência.19 e 20 de março de 2025: Vorcaro informa à namorada e a um diretor do Banco Central que estava reunido com o ministro; segundo a PF, o encontro seguiu pela madrugada do dia 20 com a chegada de parlamentares e lideranças políticas à residência.19 de abril de 2025: encontro durante feriado em local próximo à casa de Vorcaro, na região de Campos do Jordão (SP).29 de abril e 21 de maio de 2025: o banqueiro relata à namorada estar reunido com "alexandre"; em maio, diz estar em casa com "Ciro e alexandre".8 de agosto de 2025: Vorcaro avisa que deixaria de viajar naquela data porque estava "c alexandre", antes de uma reunião com Ciro.Em seção apartada do mesmo material, a PF descreve a visita de um grupo a um hotel de Campos do Jordão (SP) em 30 de dezembro de 2023. Nas mensagens, Vorcaro orienta a equipe a preparar uma "experiência completa" para convidados "ultra VIP", com nove pessoas e quatro seguranças, cantor e cavalos. Durante o evento, um funcionário conta que o chef do banqueiro tirou foto com "o ministro" e trocou telefone com ele; Vorcaro reage primeiro com incômodo, mas escreve: "Mas se foi o ministro que pediu tudo bem". Segundo o relatório, dias antes Fábio Faria havia compartilhado com Vorcaro um número salvo em sua agenda como "Alexandre de Moraes BRASÍLIA", que constava ainda como "STF TSE NOVO" e "Eu STF". A PF atribui a referência ao ministro ao analisar as interações entre os dois.O relatório também trata da organização de eventos internacionais, em especial o Fórum Jurídico de Londres, realizado em abril de 2024 e patrocinado pelo Banco Master. Nas conversas, assessores discutem convites a autoridades, programação de painéis e logística de transporte para ministros do STF. A Folha de S.Paulo relata que, segundo as mensagens, Moraes deu sugestões e vetou convidados do fórum. Uma edição planejada para 2025 foi cancelada.Como o caso chegou até aquiVorcaro foi preso pela PF em 17 de novembro de 2025, na Operação Compliance Zero, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. O celular apreendido deu origem ao relatório, enviado ao STF e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Mensagens reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e obtidas também pela Folha mostram que Vorcaro buscou encontros com Moraes nos dias anteriores à prisão. Em 15 de novembro, dois dias antes da detenção, escreveu: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". No dia seguinte, avisou: "Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?".Vorcaro é investigado no inquérito, e os encontros descritos no relatório não representam, por si, conclusão judicial sobre a conduta de qualquer envolvido. Os próximos passos estão com o STF e a PGR. O material foi encaminhado à Procuradoria-Geral para manifestação. Nesta terça, Mendonça pediu ao presidente da corte, ministro Edson Fachin, o agendamento de uma sessão presencial do plenário para debater as evidências, sessão que ele classificou como "o caminho inevitável" e a "instância soberana para analisar, de modo técnico e estritamente jurídico" o material da PF. A definição da data cabe a Fachin, e ainda não há prazo divulgado.

HBHenrique Barros
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Inquérito aponta que Moraes vetou nomes de fórum do Banco Master em Londres

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no inquérito do Banco Master indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), participava de decisões sobre a lista de convidados e a programação de um fórum jurídico promovido pelo banco em Londres. Segundo reportagem do G1 desta terça-feira (1º), os diálogos registram vetos atribuídos ao ministro e mostram nomes de participantes submetidos à sua aprovação. O material integra o relatório da investigação sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado pela PF.Em um dos episódios, de julho de 2025, a funcionária de marketing de Vorcaro, Ana Matos, sugeriu Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, como moderador de um painel do II Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, edição que acabou cancelada. Vorcaro rejeitou: "Rueda não, né? De jeito nenhum. Alexandre morre se vc fizer isso. Aliás, nos mata". Ana respondeu: "Ele manda colocar tornozeleira". Já em fevereiro de 2025, segundo o inquérito, o banqueiro havia dito que precisava "aprovar com alexandre", em referência à lista de convidados.A primeira edição do fórum ocorreu em Londres entre 24 e 27 de abril de 2024. O relatório da PF descreve uma conversa de 18 de abril daquele ano entre Vorcaro e o ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro Fábio Faria sobre um veto atribuído a Moraes. "Mas eu acho que Alexandre gosta que ele saiba que ele vetou. Ego dele", escreveu Faria. Vorcaro respondeu: "No final ele vetou mesmo, ficou claro". O texto do inquérito não informa quem teria sido vetado.Programa do evento e custeio de viagensEm 21 de julho de 2025, Vorcaro escreveu a Ana Matos que "Alexandre reclamou MUITO do evento" e, questionado sobre o que havia acontecido, respondeu "Tudo". Na sequência, apontou um incômodo específico: "Que colocamos Tarcísio em destaque". A investigação não identifica de qual Tarcísio os interlocutores falavam. No dia seguinte, Ana relatou que passou o dia com a esposa do ministro, Viviane de Moraes, e com o próprio Moraes: "Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom".Outras mensagens detalham o custeio de viagens ligadas ao fórum. Segundo o G1, Vorcaro autorizou o pagamento de despesas do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do filho dele, Pedro Gonet, e o alinhamento de um convite formal, com custos pagos pela organização, ao diretor-geral da PF, Andrei Passos. A coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, acrescenta que, em 19 de março de 2025, Vorcaro disse ao então diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza que Moraes "vai chamar o Paulo para dar um aperto". Segundo a coluna, investigações da PF e do próprio BC apontam que Neves de Souza atuava como consultor informal de Vorcaro em troca de dinheiro.Vorcaro foi preso pela PF em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta, segundo a Folha. As reportagens do G1 e da Folha não registram resposta de Moraes às mensagens nem manifestação da defesa de Vorcaro sobre esse ponto, e os diálogos integram um inquérito em curso. Nesta terça, o ministro André Mendonça, do STF, pediu ao presidente da corte, Edson Fachin, o agendamento de uma sessão presencial do plenário para debater as mensagens entre Moraes e Vorcaro. Para Mendonça, o plenário é "o caminho inevitável" e a "instância soberana" para analisar as evidências da PF. A definição da data cabe a Fachin e ainda não foi marcada.

HBHenrique Barros
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Coaf aponta novo repasse de Vorcaro a 'Dark Horse' e total sobe a US$ 12,3 milhões

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indica que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master, transferiu ao fundo americano que financiava o filme "Dark Horse" mais dinheiro, e por mais tempo, do que admitiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. O documento registra uma parcela de US$ 1,6 milhão, com valor exato de US$ 1.666.667, enviada em 16 de setembro de 2025 ao Havengate Development Fund, fundo dos Estados Unidos indicado por Flávio para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A revelação é da revista piauí, publicada nesta terça-feira (1º), e foi confirmada pelo Valor Econômico com fontes ligadas à investigação.Segundo a reportagem, o repasse ocorreu oito dias depois de o senador mandar mensagem a Vorcaro cobrando as parcelas atrasadas. Com o pagamento, até então desconhecido, o total enviado ao fundo subiu de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões na cotação da época. O acordo entre senador e banqueiro, revelado pelo site Intercept Brasil em maio de 2025, previa US$ 24 milhões em 14 parcelas.A parcela de setembro contraria a versão apresentada por Flávio em entrevista à GloboNews, depois que as conversas com Vorcaro vieram a público. "Olha só. O último pagamento que ele fez [...] foi em maio de 2025", disse o senador na ocasião.Há indícios de um repasse ainda posterior. A piauí teve acesso a mensagens trocadas em 22 de outubro de 2025 entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a captar recursos para o filme. Miranda pergunta se o banqueiro consegue "liberar as parcelas do filme", porque "se não vai parar tudo". Vorcaro responde: "Sim. Liberei mais uma hoje." Miranda então escreve que avisaria os demais e que "Flávio disse que iria te ligar"; o banqueiro pede desculpas ao senador pelos atrasos. O valor dessa possível oitava parcela não foi detalhado. Se o pagamento de outubro tiver sido efetuado, o total desembolsado chega a US$ 14 milhões, cerca de R$ 72 milhões. Menos de um mês depois, em 18 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez, segundo o Valor.Como o caso chegou até aquiInício de 2025: Flávio negocia com Vorcaro o aporte de US$ 24 milhões a "Dark Horse", em 14 parcelas, conforme áudios e mensagens revelados pelo Intercept Brasil.Fevereiro a maio de 2025: US$ 10,6 milhões são enviados ao Havengate Development Fund, dos Estados Unidos.Maio de 2025: diante das revelações, Flávio afirma à GloboNews que o último pagamento ocorrera naquele mês.16 de setembro e 22 de outubro de 2025: o Coaf registra nova parcela de US$ 1,6 milhão, e mensagens sugerem um repasse adicional.18 de novembro de 2025: Vorcaro é preso pela primeira vez.1º de setembro de 2026: a revista piauí publica o relatório do Coaf, já juntado ao inquérito do STF que apura os repasses ao exterior.Repercussão e apuraçãoProcurado, Flávio se negou a detalhar os repasses. Ao chegar ao Senado nesta terça, disse a jornalistas: "Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora", em referência à Go Up, responsável pelo longa. A assessoria do senador já havia afirmado à piauí que as perguntas sobre outros pagamentos deveriam ser dirigidas à produtora. Segundo reportagem do UOL, o candidato também afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, "tinha que renunciar" por causa da relação profissional anterior com Vorcaro; o Estadão/Broadcast mostrou mensagens em que o banqueiro pediu ao ministro que interviesse junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República para travar investigações sobre o banco.O Coaf informou, em nota, que não comenta casos concretos. A defesa de Vorcaro foi procurada pelo Valor e não se manifestou. A Polícia Federal apura suspeita de evasão de divisas e o possível uso de recursos do fundo para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo o Poder360, o Havengate está em nome do advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo. O ex-deputado nega ter recebido dinheiro de Vorcaro por meio do fundo, e Flávio sustenta que os valores foram usados "integralmente" no filme.O relatório do Coaf com a parcela de setembro foi juntado ao inquérito que tramita no STF para investigar os repasses ao exterior. Não há data divulgada para o encerramento das apurações, e ninguém envolvido foi condenado: as suspeitas seguem sob investigação.

HBHenrique Barros
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Mendonça leva à PGR mensagem em que Vorcaro pediria proteção de Gonet e do chefe da PF

André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou na segunda-feira (31) um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo manifestação sobre um relatório da Polícia Federal (PF) que reúne mensagens apreendidas de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso na operação Compliance Zero. Nas mensagens, o ex-banqueiro pediria a um interlocutor não identificado a atuação de "Andrei" e "Paulo" a seu favor. Para os investigadores, as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e a Paulo Gonet, procurador-geral da República. O relator deu prazo de cinco dias para a resposta.A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo. Segundo o g1, a PF localizou a anotação em um dos celulares de Vorcaro no fim de outubro do ano passado. O destinatário não aparece identificado porque o ex-banqueiro tinha o hábito de salvar anotações, tirar prints de conversas e reenviar a imagem como visualização única. Investigadores da PF não descartam que a mensagem tenha sido um pedido de proteção endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Mendonça é o relator das investigações sobre as fraudes financeiras envolvendo o Master.O que diz o relatórioDe acordo com o documento produzido pelos investigadores, Vorcaro descreveu a situação do banco e os problemas que enfrentava. Ele relatou ter recebido informações confidenciais de integrantes do Banco Central de que "G", que seria Gabriel Galípolo, presidente da autarquia, e os demais diretores estavam sob forte pressão para adotar alguma medida contra a instituição financeira, em razão de uma intensa cobrança da PF e do Ministério Público Federal. Segundo o relato do banqueiro, tanto a PF quanto o MPF alegavam que tomariam providências contra ele."Daniel Vorcaro também afirmou ser importante que o interlocutor reforçasse, junto a Andrei (provavelmente Andrei Augusto Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal) e Paulo (provavelmente Paulo Gonet Branco, Procurador-Geral da República), a necessidade de impedir que subordinados, dentro das estruturas hierárquicas da PF e do MPF, praticassem 'alguma sacanagem', pois, segundo ele, 'aí vai tudo pro saco'."O trecho consta do relatório da PF transcrito pelo g1. As identificações de Andrei e de Paulo aparecem como prováveis no próprio documento, e o interlocutor da mensagem segue sem identificação confirmada. Procurada, a PGR não retornou os contatos da reportagem do g1. A Folha procurou as assessorias de Andrei, de Gonet e de Moraes na terça-feira (1º) e informou que, até a publicação, não havia resposta.Como o caso chegou até aquiO Master virou alvo de investigações por suspeita de fraudes financeiras, e Vorcaro foi preso na Compliance Zero. O caso ganhou dimensão política com a revelação de áudios em que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede R$ 61 milhões ao então dono do banco para finalizar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, conforme a Folha. Em entrevista à Globo na sexta-feira (28), o candidato disse que "nunca é demais" explicar a relação com Vorcaro e classificou o tema como "mais que esclarecido". Veja a linha do tempo:setembro de 2025: o Banco Central nega a venda do Master ao BRB, com as suspeitas sobre o banco já conhecidas;fim de outubro de 2025: a PF encontra a anotação que cita Andrei e Paulo em um dos celulares de Vorcaro;julho de 2026: Mendonça autoriza a abertura de inquérito da PF sobre os repasses ligados ao filme, após parecer de Gonet apontar elementos suficientes;31 de agosto de 2026: o relator encaminha o documento à PGR e fixa o prazo de cinco dias.O próximo passo é a manifestação da PGR, com prazo de cinco dias contado da segunda-feira (31). Até a publicação das reportagens desta terça, nenhuma das autoridades citadas no documento havia se pronunciado publicamente sobre o conteúdo das mensagens.

HBHenrique Barros
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Judicialização de dívidas bate recorde: 1,23 milhão de novas execuções em 2025

As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram o maior patamar da série histórica em 2025: entraram no Judiciário brasileiro 1.239.537 novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, segundo levantamento do g1 com base no Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O volume é cerca de 60% maior que o de 2020, quando foram registrados 772.645 casos. Entre janeiro e março de 2026, outros 295.541 processos desse tipo foram distribuídos.Na execução de título extrajudicial, o documento apresentado pelo credor já comprova o débito, e o juiz é acionado para determinar o pagamento, sem discussão prévia do mérito. As ações alcançam consumidores e empresas e cobram dívidas como contratos de empréstimo, financiamentos de veículos e imóveis, aluguéis, cheques e duplicatas. A série do CNJ sobe todos os anos: foram 838.701 novos processos em 2021, 994.098 em 2022, 1.131.730 em 2023 e 1.194.184 em 2024, antes do recorde de 2025.O número sai em um ano de demanda máxima na Justiça. O relatório Justiça em Números 2026, divulgado pelo CNJ em junho, aponta 40,9 milhões de processos novos em 2025, o maior volume da série iniciada em 2009. O recorde das execuções também coincide com o endividamento das famílias: em março de 2026, 80,4% dos lares brasileiros tinham dívidas, maior percentual da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Um ano antes, o índice era de 77,1%.Por que as dívidas chegam à JustiçaPara Fernando Corrêa, coordenador do laboratório de jurimetria da Associação Brasileira de Jurimetria (ABJ), a execução aparece quando as outras tentativas de cobrança já falharam. "Execução é meio inefetiva, porque é difícil pegar os bens das partes. Não é que estão descobrindo essa opção como uma possibilidade de satisfazer melhor as dívidas. É meio que o último recurso", afirma. O g1 cita ainda, entre as causas apontadas por especialistas, o crédito fácil, as apostas esportivas (as chamadas bets) e a prática de refinanciar dívidas antigas com crédito novo.A juíza Káren Rick Danilevicz Bertoncello, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), lê o volume de ações à luz da falta de uma cultura consolidada de renegociação antes de o caso chegar ao Judiciário. "Nós, no Brasil, ainda não temos uma cultura solidificada sobre renegociação voluntária extrajudicial", afirma a magistrada, que cita o excesso de concessão de crédito como fator central do superendividamento. Para ela, os feirões bancários "acabam prejudicando o orçamento, porque ele não consegue ter esse olhar global para distribuir o que tem de capacidade de pagamento a todos os seus credores". Segundo a juíza, a Lei do Superendividamento passou a exigir que bancos e financeiras avaliem a capacidade real de pagamento do consumidor antes da concessão e coloca sobre o credor o dever de saber com quem está contratando.No Rio Grande do Sul, o TJRS mantém um projeto de gestão de superendividamento que reúne 31.075 processos, dos quais mais de 20 mil seguem ativos e 13.657 envolvem idosos; ao todo, 6.273 acordos foram homologados. Segundo o relatório do CNJ, a conciliação resolveu 28% das execuções de títulos extrajudiciais não fiscais na Justiça Estadual em 2025.Respostas do governoNos últimos anos, o governo federal lançou programas como o Desenrola Brasil para facilitar acordos e limpar o nome de consumidores inadimplentes. Em abril, o g1 mostrou que o governo Lula estudava uma nova proposta: reunir dívidas de cartão de crédito, crédito pessoal e outras em uma só dívida, com juros mais baixos e desconto no principal que poderia chegar a 80% em alguns casos. Também em 2026, foi regulamentado o uso de parte do FGTS como garantia no Consignado CLT. Para especialistas ouvidos pelo g1, a renegociação alivia o orçamento no curto prazo, mas não resolve o problema se vier acompanhada de nova concessão de crédito sem avaliação real da capacidade de pagamento. Não há data definida para o anúncio da proposta de consolidação das dívidas, e os dados do primeiro trimestre indicam que o ritmo de novas execuções segue elevado.

HBHenrique Barros
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Toffoli retira de pauta registro de Renan Santos e cita indícios de ilicitude

O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), retirou de pauta o julgamento do registro de candidatura de Renan Santos, do partido Missão, à Presidência da República. Em despacho assinado no sábado (29/8), o relator do processo apontou "indícios de ilicitudes" na forma como a chapa prestou informações sobre perfis em redes sociais. O julgamento, que verificaria a regularidade da candidatura, começaria nesta segunda-feira (31/8) no plenário virtual da corte, segundo o G1.Toffoli destacou que Renan Santos e o candidato a vice na chapa, Aroldo Medina, informaram à corte, em petições de 19 de agosto, o total de 18 perfis em redes sociais, como complementação ao pedido de registro, protocolado em 7 de agosto. Para o ministro, o quadro sugere descumprimento de normas que obrigam candidatos a comunicar à Justiça Eleitoral, no ato do registro, os endereços eletrônicos usados em propaganda de campanha."Constata-se que, em petições apresentadas em 19/8/2026, os candidatos componentes da chapa, Renan Antônio Ferreira dos Santos e Aroldo Medina, informaram o total de 18 perfis em redes sociais, como complementação às informações do registro, enviado à Justiça Eleitoral em 7/8/2026. Tendo em vista haver, no registro dos candidatos, indícios de ilicitudes (...), determino a retirada do feito da pauta de julgamento"O despacho cita o art. 57-B, inciso IV, e o parágrafo 1º da Lei 9.504/1997, a Lei das Eleições; o art. 24, inciso VIII, da Resolução TSE 23.609/2019, que disciplina o registro de candidaturas; e o art. 28, caput e parágrafo 1º-B, da Resolução TSE 23.610/2019, sobre propaganda eleitoral na internet. Pelas regras citadas, perfis preexistentes que não foram informados no registro só podem ser usados em campanha 48 horas após a comunicação à Justiça Eleitoral. A retirada de pauta tem caráter processual: adia o julgamento para que os indícios sejam examinados e não decide o mérito do registro.Linha do tempoO Missão, partido criado em 2025, levou à disputa de 2026 a primeira candidatura presidencial de Renan Santos, empresário de 42 anos que lidera o Movimento Brasil Livre (MBL), que ajudou a fundar em 2014, nos protestos que pediram o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Ele estudou Direito na USP, sem concluir o curso. Entre as propostas da campanha estão substituir a CLT por negociação direta entre empresas e trabalhadores, extinguir a Justiça do Trabalho e aprovar uma PEC de corte radical de gastos públicos, segundo o G1.A tramitação foi rápida: o pedido de registro foi protocolado no TSE em 7 de agosto; a complementação com os 18 perfis de redes sociais chegou em 19 de agosto; no sábado, 29, Toffoli assinou o despacho que tirou o caso da pauta, dois dias antes do início previsto do julgamento, marcado para a segunda-feira, 31 de agosto, no plenário virtual.Próximos passosAté a publicação, as reportagens consultadas não registram resposta pública da campanha de Renan Santos ao despacho, e o TSE não divulgou nova data para o julgamento. O processo segue sob relatoria de Toffoli, cabendo aos ministros da corte examinar os indícios apontados antes de devolver o feito à pauta. O registro da chapa permanece pendente de decisão: nesta etapa não há condenação nem cancelamento de candidatura, apenas a apreciação de indícios.

HBHenrique Barros
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Operação Merx mira policiais civis suspeitos de cobrar propina de contrabandistas em SP

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta sexta-feira (28) a Operação Merx, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil e do Departamento de Operações Estratégicas (Dope), contra um grupo suspeito de cobrar propina de contrabandistas de eletrônicos. A Justiça decretou sete prisões preventivas, quatro delas contra policiais civis, além de 18 mandados de busca e apreensão em três estados, segundo informações do g1 e de O Globo.Os quatro policiais civis alvo de prisão preventiva são Jonathan Vieira, Bruno Moreno, José Nishi e Sidiclei Almeida. Até a última atualização das reportagens, quatro dos sete investigados haviam sido presos; um dos procurados estaria no Paraguai e outros dois ainda não haviam sido localizados. Todos são investigados e mantêm o direito à presunção de inocência. O g1 tenta localizar as defesas dos citados, e o espaço segue aberto para manifestação.O que a investigação apurouSegundo o MP-SP, os policiais interceptavam cargas de celulares e outros eletrônicos de origem irregular e, em vez de apreender integralmente as mercadorias, exigiam dos responsáveis pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor da carga para liberá-la, no todo ou em parte. Em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o grupo teria recebido aproximadamente R$ 2,35 milhões em vantagem indevida.Um advogado é apontado como intermediário do esquema: negociava com os agentes, indicava contas para os pagamentos, orientava quais valores deveriam ser informados às autoridades e participava da operação para devolver as mercadorias. Em mensagens analisadas pelos investigadores, ele se referia ao dinheiro em espécie como "caixinha da alegria". Outras duas pessoas são suspeitas de comandar o contrabando e de custear os pagamentos. De acordo com o Ministério Público, a própria estrutura da Polícia Civil teria sido usada para monitorar cargas, e integrantes do grupo utilizariam dependências policiais para armazenar mercadorias e simular apreensões parciais, dando aparência de legalidade à atuação. A apuração mira os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.Buscas em delegacias e bloqueio de bensEntre os 18 endereços alvos de busca e apreensão estão três unidades da Polícia Civil na Grande São Paulo: a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia. Os mandados são cumpridos em Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, São Sebastião e na capital paulista, além de Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e São Luís de Montes Belos, em Goiás. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos dos investigados e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens. Um outro policial civil de 1ª classe foi afastado da função, com recolhimento das credenciais de acesso aos sistemas policiais e proibição de contato com investigados e testemunhas.O próximo passo do caso é o prosseguimento das apurações do Gaeco, que segue com três investigados foragidos, e a eventual apresentação das defesas. O MP-SP não informou, até o momento, data para novas diligências ou para a conclusão da investigação.

HBHenrique Barros
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PF cumpre 22 mandados contra grupo suspeito de comprar e vender ouro ilegal em SP e MT

A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (28) 22 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva contra uma organização investigada por comprar e vender ouro de origem ilícita. A ação, coordenada pela Delegacia da PF em Cáceres (MT), teve alvos em São José do Rio Preto e Mirassolândia, no interior de São Paulo, e em Poconé, Cuiabá, Várzea Grande e Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, além de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, segundo apuraram o G1 e a CNN Brasil.De acordo com a PF, as investigações identificaram a negociação de aproximadamente 17,3 quilos de ouro e a movimentação de mais de R$ 5,2 milhões em recursos ligados às operações apuradas. As buscas desta sexta têm como objetivo localizar e apreender ouro, dinheiro, documentos e aparelhos eletrônicos que ajudem a esclarecer a atuação do grupo e a identificar outros envolvidos.Como funcionava o esquema, segundo a investigaçãoConforme a PF, o esquema começava em Poconé, onde o ouro era adquirido de fornecedores ligados ao garimpo ilegal. Os pagamentos eram feitos pelo núcleo financeiro da organização, inclusive com o uso de contas bancárias de terceiros. Depois da aquisição, o minério era transportado até Rio Preto, onde era recebido em um galpão usado para custódia e, em seguida, comercializado. A CNN Brasil informou que a análise das movimentações financeiras apontou uma estrutura dividida entre fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores.Para ocultar e dissimular os valores obtidos, o grupo teria usado contas de terceiros, pessoas jurídicas e empresas do setor de pagamentos digitais. Segundo a polícia, parte do dinheiro era pulverizada por meio de transferências eletrônicas e saques de grandes quantias em espécie, o que dificultaria o rastreamento da origem dos recursos e de seus beneficiários.Os investigados podem responder, em tese, pelos crimes de usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os nomes dos alvos não foram divulgados, e todos são considerados suspeitos, sem qualquer condenação até o momento.O caso até aqui: a apuração foi conduzida pela Delegacia da PF de Cáceres e resultou nos mandados expedidos pela Justiça Federal e cumpridos nesta sexta-feira. O próximo passo processual é a análise do material apreendido nas buscas, além das audiências de custódia dos dois investigados presos preventivamente, que devem ocorrer nos próximos dias, conforme o rito previsto em lei. A PF não informou prazo para a conclusão do inquérito.

HBHenrique Barros
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Operação Merx apura uso de delegacias da Polícia Civil de SP em esquema de propina

O Ministério Público de São Paulo e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Merx, que apura suspeitas de que policiais civis tenham usado delegacias e sistemas da própria corporação em um esquema de cobrança de propina de contrabandistas de eletrônicos na Grande São Paulo. Segundo a investigação, divulgada pelo G1 e também noticiada pelo Metrópoles, o grupo teria exigido cerca de R$ 2,35 milhões em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024. Todos os citados são investigados e têm direito à presunção de inocência.De acordo com a apuração, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) com apoio da Corregedoria e do Departamento de Operações Estratégicas (Dope), os policiais teriam usado recursos da corporação para monitorar cargas de celulares e outros eletrônicos de origem irregular que seriam interceptadas. Em vez de apreender integralmente as mercadorias, os investigados teriam exigido dinheiro dos responsáveis para liberar os produtos, total ou parcialmente. O valor cobrado chegava a cerca de 70% do valor das cargas. Dependências policiais também teriam servido para armazenar mercadorias e registrar a apreensão de apenas parte dos produtos, o que daria aparência de legalidade às operações.Mandados em três delegaciasNa manhã desta sexta-feira, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, incluindo três unidades da própria Polícia Civil: a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia. A Justiça decretou sete prisões preventivas: quatro contra os policiais civis Jonathan Vieira, Bruno Moreno, José Nishi e Sidiclei Almeida, uma contra um advogado apontado como intermediário do esquema e duas contra suspeitos de comandar o contrabando. Até a última atualização do G1, quatro dos sete alvos haviam sido presos. Um dos procurados estaria no Paraguai e outros dois não haviam sido localizados.Um quinto policial civil, de 1ª classe, não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública. A Justiça determinou o recolhimento de suas credenciais de acesso aos sistemas policiais e o proibiu de manter contato com investigados e testemunhas. Também foram autorizadas a quebra de sigilos e o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos investigados.O que aponta cada ladoPara o Ministério Público e a Corregedoria, os fatos configuram, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A linha do tempo da apuração começa em 2024, ano dos primeiros episódios documentados. Depois de reunir elementos sobre ao menos quatro casos, o Gaeco pediu as medidas judiciais cumpridas nesta sexta-feira. O G1 informa que tenta localizar as defesas dos investigados e que o espaço segue aberto para manifestação. Até o momento, nenhum advogado dos citados se pronunciou publicamente sobre o caso.O próximo passo do processo é a continuidade das buscas aos três alvos que seguem foragidos, um deles localizado no Paraguai segundo a investigação, o que pode exigir cooperação internacional. Encerrada a fase de cumprimento dos mandados, caberá ao Gaeco concluir as apurações e decidir se oferece denúncia à Justiça. Não há data divulgada para essa etapa.

HBHenrique Barros
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STF adia retomada do julgamento sobre vínculo de trabalhadores de aplicativos

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou nesta quinta-feira (27) a retomada do julgamento que deve definir se há vínculo empregatício entre motoristas e entregadores e as plataformas digitais, disputa conhecida como "uberização". Segundo o Correio do Povo, o Plenário deu prioridade ao início do julgamento sobre um trecho do Marco Civil da Internet, e a análise dos casos dos aplicativos ficou para uma sessão futura, a ser pautada pela presidência do tribunal.A decisão do Supremo servirá de orientação para toda a Justiça e pode afetar cerca de 1,7 milhão de trabalhadores ligados a plataformas e aplicativos de serviços, segundo o G1. Mais de 10 mil ações tramitam no país à espera de um posicionamento da Corte. Em discussão está se empresas como Uber, 99 e iFood terão de registrar motoristas e entregadores pelas regras da CLT.Linha do tempo do caso1º de outubro de 2025: o julgamento começa no Plenário, com as sustentações orais das partes, e é suspenso antes dos votos, segundo a Agência Brasil.29 de maio de 2026: o presidente do STF, ministro Edson Fachin, pauta a retomada para 24 de junho, conforme o Correio do Povo.24 de junho de 2026: a sessão é adiada após pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Defensoria Pública da União (DPU).26 de agosto de 2026: o site jurídico Migalhas noticia que Fachin alterou a pauta e que os casos de vínculo com aplicativos não abririam a sessão de quinta-feira.27 de agosto de 2026: o Plenário inicia o julgamento do Marco Civil da Internet e adia novamente a análise da "uberização".Estão na pauta dois recursos de plataformas contra decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram vínculo de emprego. O primeiro é da Uber contra entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), relatado por Fachin. O segundo é da Rappi contra decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, em Minas Gerais, que reconheceu o vínculo de um motofretista, caso relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, segundo a Agência Brasil.O que alega cada ladoOs trabalhadores afirmam que há supervisão das plataformas e que seguem o comando do algoritmo, que define preço, rota, ranqueamento e bloqueio, o que, na visão deles, caracteriza relação de emprego. A Justiça do Trabalho tem entendido que os aplicativos de transporte e entregas exercem a atividade-fim de empresas de transporte ou logística.As empresas sustentam que fazem a intermediação da prestação de serviços e que não há subordinação à plataforma, pois os trabalhadores definem horários e viagens. A Uber afirmou ao Supremo que é uma empresa de tecnologia, e não do ramo de transportes, e que o reconhecimento do vínculo altera a finalidade do negócio e viola o princípio constitucional da livre iniciativa, segundo a Agência Brasil. A Rappi alegou que as decisões trabalhistas desrespeitaram precedentes da própria Corte contrários ao reconhecimento de relação de emprego formal com os entregadores.A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou parecer contrário ao reconhecimento do vínculo. Já a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu proteção contratual aos trabalhadores dentro de um ambiente de inovação tecnológica, e o MPT pediu que o vínculo seja analisado caso a caso, além da criação de um piso mínimo de direitos, segundo o G1.Caminhos em discussãoNos bastidores, segundo o G1, manifestações públicas e decisões individuais indicam que haveria maioria no Supremo para afastar o vínculo empregatício. Ministros discutem, porém, uma tese intermediária que reconheça proteções mínimas, como piso remuneratório, limite diário de horas de conexão, recolhimento de contribuições previdenciárias e seguro de vida. Fachin tem dito que a Corte precisa dar uma resposta ao tema diante do impacto social do caso e construir uma solução equilibrada e sensível, que garanta a proteção dos trabalhadores e compreenda as novas ferramentas de trabalho.O debate inclui a recém-aprovada Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), considerada o primeiro pacto global sobre plataformas digitais. A norma fixa parâmetros mínimos como liberdade sindical, direito à negociação coletiva, condições seguras e saudáveis de trabalho e remuneração compatível com os padrões mínimos de cada país.Com o adiamento, o próximo passo processual é a inclusão dos processos em nova sessão do Plenário, a ser marcada pela presidência do STF; até a noite de quinta-feira, não havia nova data anunciada. Quando o julgamento recomeçar, o primeiro voto será o do relator Edson Fachin, e os demais ministros poderão acompanhá-lo, divergir ou pedir mais prazo para analisar o caso.

HBHenrique Barros
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Baianos afirmam ter caído em esquema de tráfico humano no Camboja e Madagascar

Nove baianos afirmam ter sido vítimas de tráfico de pessoas em um esquema internacional que os levou ao Camboja, no sudeste asiático, e depois a Madagascar, na costa leste da África. Segundo reportagem do g1 publicada nesta sexta-feira (28), eles integram um grupo de cerca de 20 brasileiros, que inclui pessoas do Rio de Janeiro, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais, atraídos por propostas de trabalho com salário em dólar. Ao chegar ao Camboja, relatam ter tido os passaportes retidos, sofrido agressões e sido obrigados a aplicar golpes pela internet contra brasileiros.De acordo com a advogada Queila Veloso, que representa uma das vítimas, a baiana recebeu a proposta em outubro de 2025, por indicação de um amigo que, sem que ela soubesse, também havia caído no esquema. A oferta previa cerca de um ano de trabalho no país asiático, salário de US$ 1,5 mil por mês e passagem aérea paga pela contratante. Desempregada no Brasil, ela aceitou.A realidade descrita pelas vítimas é outra. Segundo a advogada, os brasileiros eram mantidos em uma vila fortificada, impedidos de deixar os alojamentos, e quem se recusava a trabalhar no esquema de telemarketing fraudulento era agredido, ameaçado e acumulava dívidas milionárias."Muitos tentaram fugir, foram agredidos, éramos humilhados constantemente todos os dias", relatou ao g1 uma das vítimas, que pediu para não ser identificada.Os relatos indicam que, após batidas policiais nos alojamentos no Camboja, o grupo foi transferido para Madagascar. Uma das vítimas contou que as multas impostas pelos exploradores chegaram a deixá-la um mês sem salário e que adoeceu em solo africano, sendo obrigada a trabalhar mesmo doente: "Eu contraí uma doença aqui em Madagascar, fui trabalhar doente, vomitando, com diarreia, cheguei a quase desmaiar".Linha do tempo do casoOutubro de 2025: uma baiana desempregada recebe a proposta de trabalho no Camboja, por indicação de um amigo.Meses seguintes: o grupo de cerca de 20 brasileiros tem os passaportes retidos e é obrigado a aplicar golpes na internet, segundo os relatos.Após batidas policiais no Camboja: os brasileiros são transferidos para Madagascar.19 de agosto de 2026: nova operação policial, desta vez em Madagascar, prende o grupo, que estava sem documentos.Cerca de três dias depois: os brasileiros são soltos e acolhidos pela ONG Exodus Road Brasil.A diretora da Exodus Road Brasil, Cintia Meirelles, afirmou ao g1 que o grupo está abrigado em uma igreja, com a localização mantida em sigilo por segurança, e recebe apoio de organizações e missionários locais. Segundo ela, os brasileiros ainda não receberam nenhum suporte do governo federal.Em nota, o Itamaraty informou que recebeu pedidos para apurar o caso junto às autoridades de Madagascar. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) disse que acompanha a situação e que as providências diplomáticas para o retorno do grupo estão sendo adotadas. O caso também foi noticiado por outros veículos baianos, como o Jornal Correio e o portal Aratu On.Não há data prevista para a repatriação. O próximo passo, conforme a SJDH, depende da tramitação diplomática entre Brasil e Madagascar para a emissão de documentos de viagem e o retorno do grupo. As identidades das vítimas são preservadas, e os brasileiros são tratados pelas autoridades como possíveis vítimas de tráfico de pessoas, crime previsto no artigo 149-A do Código Penal.

HBHenrique Barros
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Juíza dos EUA considera ilegal punição do governo Trump à Anthropic

Uma juíza federal dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira (27) que o governo Donald Trump agiu de forma ilegal ao classificar a Anthropic, startup de inteligência artificial, como risco à segurança nacional e impedir que seus modelos fossem usados por órgãos federais e por prestadores de serviço do Departamento de Defesa. A juíza Rita Lin, do Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia, concluiu em decisão de 59 páginas que o governo retaliou ilegalmente contra a empresa "por atividades de expressão protegidas pela Constituição". A punição veio depois que a Anthropic se manifestou publicamente sobre como sua tecnologia deveria ser usada. "A invocação vazia da segurança nacional não é um cheque em branco para punir e retaliar contra críticos do governo", escreveu a juíza, segundo a Folha de S.Paulo. Cronologia do caso Início de 2026: Anthropic e Pentágono negociam um contrato de US$ 200 milhões para fornecer tecnologia de IA às forças armadas. A empresa pedia garantias de que seus modelos não seriam usados em armas totalmente autônomas nem em vigilância doméstica em massa. O Departamento de Defesa exigia acesso irrestrito ao modelo Claude para todos os fins legais, segundo a CNBC. As negociações fracassaram. Março de 2026: o Pentágono classifica a Anthropic como risco à cadeia de suprimentos, a primeira empresa americana a receber publicamente essa designação. A medida barrou o uso da tecnologia da startup por órgãos do governo e por empresas que trabalham para a Defesa. 9 de março de 2026: a Anthropic ajuíza duas ações contra o governo, uma no tribunal federal de São Francisco e outra no Tribunal de Apelações dos EUA para o Circuito do Distrito de Columbia. As duas frentes foram necessárias porque o Pentágono usou duas designações distintas para justificar a punição. 27 de agosto de 2026: a juíza Rita Lin decide a favor da Anthropic na ação da Califórnia. O que alega cada lado Na decisão, Lin reproduziu o argumento do governo de que, diante da postura da Anthropic "cada vez mais hostil pela imprensa" e de suas críticas às posições do Departamento de Guerra sobre o uso de IA, os réus "não podem confiar na Anthropic para garantir a integridade de seus modelos". A juíza respondeu que "nem a Constituição nem a lei federal invocada pelos réus lhes permite impor punições amplas baseadas principalmente na crítica da Anthropic às posições do governo", conforme a CNBC. Embora o governo mereça deferência em questões de segurança nacional, escreveu, suas ações não tiveram "fundamento articulável" e refletiram "o desejo de fazer da empresa um exemplo público". Em nota, a Anthropic celebrou o resultado: "Recebemos com satisfação a decisão do tribunal de que essa classificação como risco à cadeia de suprimentos foi ilegal. Continuamos empenhados em trabalhar de forma produtiva com o governo para aproveitar a IA em prol de nossa segurança nacional, de modo que todos os americanos se beneficiem dessa tecnologia." O governo Trump não respondeu de imediato aos pedidos de comentário do The New York Times, cuja reportagem foi publicada em português pela Folha. Próximos passos A decisão encerra a primeira das duas ações, mas a Anthropic ainda consta formalmente como risco à cadeia de suprimentos até que o caso no Circuito do Distrito de Columbia seja julgado, o que não tem data marcada. O governo pode recorrer da decisão de Lin ou aguardar o desfecho da segunda ação antes de tomar providências, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto ouvida pelo NYT. O desfecho interessa também ao mercado: a empresa se encaminha para o que pode ser o maior IPO (oferta pública inicial de ações) da história, e retomar os laços com o Pentágono reabriria uma frente de negócios hoje bloqueada.

HBHenrique Barros
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PF e MPF cumprem mandados contra presidente da Câmara de Bariri por suspeita de contrabando

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) cumpriram, na manhã de quinta-feira (27), mandados de busca e apreensão contra o presidente da Câmara Municipal de Bariri (SP), Ricardo Prearo (PSD), empresário e vereador, em uma investigação que apura suspeitas de contrabando e lavagem de dinheiro. Além da residência do vereador, os agentes estiveram em empresas ligadas a ele e em endereços em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai, segundo o g1.De acordo com o Jornal Candeia, veículo da região, foram cumpridos quatro mandados em endereços residenciais e comerciais de Bariri. Uma das diligências ocorreu em uma casa no bairro Jardim Beltrame, e outra em uma empresa na zona rural do município. Moradores e pessoas que passavam pela rua foram chamados a acompanhar os procedimentos como testemunhas, e equipamentos eletrônicos teriam sido recolhidos. A assessoria da PF em Foz do Iguaçu confirmou ao jornal que a investigação trata de contrabando e lavagem de dinheiro, com alvos no Paraná e no interior paulista, mas informou que não daria detalhes sobre a operação.A sequência do caso, até aqui, é curta. Na manhã de quinta-feira (27), os mandados foram executados simultaneamente em Bariri e em Foz do Iguaçu. Ainda na quinta-feira, Prearo divulgou nota confirmando ter sido alvo das diligências. Nesta sexta-feira (28), a operação ganhou repercussão com a cobertura da TV TEM, afiliada da TV Globo na região, que procurou a assessoria da Câmara de Bariri e não obteve resposta até a última atualização de sua reportagem.O que diz a defesaEm nota, o vereador afirmou que figura no procedimento apenas como mencionado e que colaborou com as autoridades:"Esclareço que fui alvo de diligência das autoridades competentes, na qual figuro como mencionado. Ressalto, contudo, que todas as informações solicitadas foram devidamente prestadas e esclarecidas às autoridades", declarou Prearo, que afirmou ainda permanecer à disposição para novos esclarecimentos.Até o momento, não há registro de pedidos de prisão na operação, que se encontra na fase de busca e apreensão. O próximo passo do inquérito é a análise do material recolhido, a cargo da PF, sem data divulgada pelas autoridades. Prearo responde à apuração em liberdade e, como qualquer investigado, tem direito à presunção de inocência: nenhuma denúncia foi oferecida pelo MPF até o momento.

HBHenrique Barros
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MP de SP denuncia quatro PMs por segurança irregular a empresa de ônibus ligada ao PCC

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou quatro policiais militares acusados de integrar uma organização criminosa que prestava segurança privada irregular a diretores da Transwolff, empresa de ônibus da capital paulista investigada por suspeita de lavar dinheiro do PCC, a maior facção criminosa do país. A denúncia foi apresentada na quarta-feira (26) à Justiça Militar, segundo a Folha de S.Paulo, e ainda precisa ser recebida pela Justiça para que os acusados se tornem réus. O Ministério Público pediu a prisão preventiva do tenente-coronel José Henrique Martins Flores e a manutenção das prisões dos outros três policiais, detidos desde fevereiro. De acordo com a acusação, Flores administrava empresas de segurança registradas em nome de parentes, usados como laranjas, e determinava a emissão de notas fiscais frias para dar aparência de legalidade aos pagamentos. O capitão Alexandre Paulino Vieira atuava como coordenador operacional do esquema: caberia a ele recrutar os policiais e negociar diretamente com os diretores da Transwolff. Os sargentos Alexandre Aleixo Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves, este último já reformado, executavam a escolta armada e a vigilância dos executivos, de familiares deles e das garagens da empresa. Segundo o G1, o grupo usava o treinamento e as armas da própria Polícia Militar, com participação de integrantes da Rota, tropa de elite da corporação. Ainda conforme a denúncia, o sargento Nereu também cuidava da logística financeira do esquema. Durante as investigações, a polícia apreendeu na casa dele uma mala com R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo. O MPSP afirma que os policiais sabiam das ligações criminosas dos empresários e, mesmo assim, mantiveram os serviços ilícitos em funcionamento até o início de 2026. A cronologia do caso 4 de fevereiro de 2026: a Corregedoria da PM deflagra a Operação Kratos, e o capitão Paulino, o sargento Romano e o sargento reformado Nereu são presos preventivamente. Maio de 2026: a Corregedoria indicia os policiais que faziam a segurança dos diretores da Transwolff, segundo apuração do G1. 26 de agosto de 2026: o MPSP oferece a denúncia contra os quatro policiais à Justiça Militar de São Paulo. O que dizem as defesas Os advogados Mauro Ribas e Renato Soares, que defendem o capitão Paulino, afirmam que ele "nunca integrou, participou ou prestou serviço para qualquer organização criminosa" e que os serviços de segurança privada eram administrados por meio de uma empresa regularmente inscrita. Já a defesa de Nereu diz ter recebido a denúncia com "absoluta surpresa" e considera as acusações descabidas, em especial a imputação do crime de lavagem de dinheiro. Segundo o advogado Márcio Antonio Sousa Ferreira da Silva, os R$ 1,18 milhão apreendidos pertencem ao empresário Ricardo Barnabé, para quem o sargento prestava serviços, e a origem lícita dos valores teria sido documentada nos autos. As defesas do tenente-coronel Flores e do sargento Romano não se manifestaram até a publicação das reportagens. O próximo passo cabe à Justiça Militar de São Paulo, que vai decidir se recebe a denúncia, o que tornaria os quatro acusados réus, e se decreta a prisão preventiva do tenente-coronel Flores. Não há data definida para a decisão.

HBHenrique Barros
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Decisão sobre inquérito contra vice de Flávio é adiada por pendência da PF com telefonia

Uma pendência da Polícia Federal com uma operadora de telefonia adiou a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre a abertura de inquérito contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por suspeita de estupro de vulnerável. Segundo a Folha de S.Paulo, a PF comunicou ao gabinete do ministro nesta semana que havia concluído as diligências determinadas, incluída a obtenção de dados cadastrais junto às empresas de telefonia, com exceção de uma operadora, que não respondeu ao ofício. Gaspar nega ter cometido o crime.De acordo com pessoas próximas ao decano do STF ouvidas pela Folha, o gabinete não considera a fase de diligências encerrada enquanto a informação pendente não for prestada, o que posterga a definição sobre o pedido. O relator aguardava o fim das apurações da PF e uma manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) para decidir se autoriza a abertura do inquérito, como a própria Folha já havia noticiado no início de agosto. O adiamento também foi registrado pelo portal Brasil 247.A acusação e a reação de GasparA acusação contra Gaspar foi apresentada em 27 de março pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke, do Mato Grosso do Sul, durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS, da qual o alagoano era relator. Segundo o Poder360, os dois afirmaram que o colega teria cometido estupro de vulnerável e seria pai de uma criança decorrente do suposto crime, sem apresentar provas. Em abril, Gaspar colheu material genético por iniciativa própria, em procedimento judicial que tramita em Alagoas, e encaminhou ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, colocando-se à disposição para o exame de DNA. Ele também representou contra Lindbergh e Soraya por calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo. A notícia-crime apresentada pelos adversários contra o deputado está em análise na PGR.Em agosto, o caso ganhou um novo capítulo. Um comerciante relatou à Polícia Legislativa da Câmara ter recebido e repassado R$ 16,5 mil a uma jovem para que ela acusasse o deputado, segundo a Gazeta do Povo, e apontou uma suposta articulação para forjar a denúncia. Lindbergh negou participação em qualquer esquema e recorreu ao STF para anular o depoimento, colhido no âmbito de uma investigação interna da própria Polícia Legislativa. A Câmara enviou o depoimento a Gilmar Mendes, e Flávio Bolsonaro descartou substituir o vice na chapa.Gaspar tem cobrado celeridade. "A honra exige a conclusão desse assunto. A gente quer ir às últimas consequências, quer fazer o DNA e acabar com essa conversa", disse ao Poder360 em 6 de agosto, quando afirmou acreditar que Gilmar "não gosta" dele por causa de sua atuação na CPMI, embora tenha dito confiar na imparcialidade do relator. Em entrevista à revista Oeste publicada nesta sexta-feira (28), o deputado afirmou ter sido vítima da "maior fake news da história política do Brasil". A coordenadora jurídica da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, declarou ao Poder360 que a defesa pedirá ao STF rapidez no confronto genético."Uma pessoa acusada de uma situação tão infame como essa, o que mais ele poderia ter feito? Ele mandou um ofício para o Andrei Rodrigues dizendo: 'Eu quero fazer o meu DNA. Por favor, me chamem, coletem o DNA, identifiquem quem foi o fruto desse suposto crime e, por favor, protejam e acabem com isso'. Nunca tivemos nenhuma devolutiva", afirmou Bucchianeri.Promotor de Justiça por 24 anos, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Gaspar foi eleito deputado federal em 2022 e deixou o União Brasil neste ano para comandar o PL no estado e aceitar o convite para ser vice de Flávio Bolsonaro. O próximo passo do caso depende da resposta da operadora que ainda falta: assim que a PF repassar a informação, Gilmar Mendes, que não fixou prazo para a decisão, poderá definir se autoriza a abertura do inquérito. Até lá, Gaspar segue como alvo de apuração preliminar e nega a acusação.

HBHenrique Barros
Elections

Jovem de 19 anos é preso no Ceará suspeito de ameaçar candidatos a mando de chefe do CV

Um homem de 19 anos foi preso no Ceará suspeito de integrar a facção Comando Vermelho (CV) e de ameaçar candidatos para impedir a realização de campanhas eleitorais em Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. Ricardo Vasconcelos da Cruz foi localizado na quarta-feira (26) no Distrito de Cachoeira e autuado em flagrante, segundo o G1. Na quinta-feira (27), a Justiça Estadual manteve a prisão em audiência de custódia.Cronologia do casoQuarta-feira (26): a Polícia Civil localiza e prende Ricardo no Distrito de Cachoeira, após identificar publicações com ameaças de cunho político em redes sociais;Quinta-feira (27): em audiência de custódia, a Justiça Estadual analisa o flagrante e mantém o investigado preso;Sexta-feira (28): a polícia informa que segue com o trabalho investigativo para identificar outros envolvidos.Conforme a investigação, a ordem para as ameaças partiu de Johnathan Amaro Cabral, conhecido como "Bodó", apontado como chefe do Comando Vermelho e um dos criminosos mais procurados do Ceará. De acordo com a Polícia Civil, Bodó está foragido no Rio de Janeiro. O Diário do Nordeste informou que a prisão de Ricardo foi feita por policiais civis após um trabalho de inteligência.Na unidade policial, o jovem foi autuado em flagrante por integrar organização criminosa e pela prática de ameaça no contexto político e eleitoral. Ao manter a prisão, o juiz responsável pela audiência de custódia afirmou que a conduta investigada "não se trata de mera ameaça individual ou de simples manifestação opinativa", pois atingiria diretamente "a paz pública, a segurança da coletividade e o exercício dos direitos políticos democráticos"."A postagem trazia elementos visuais e linguagem corporativa diretamente alusivos à facção criminosa Comando Vermelho - CV (gesto número '2', emoji de bandeira vermelha e jargão 'diretoria'), ordenando a cessão compulsória do debate eleitoral sob explícita ameaça à vida e integridade física de correligionários e cidadãos locais", reforçou o juiz na decisão, segundo o G1.O caso ocorre em meio a uma série de episódios de atuação de facções no período eleitoral cearense. O G1 noticiou que uma facção cobrou R$ 200 mil de aliados de um prefeito para permitir campanha em um município do estado e que uma operação policial contra a interferência do crime organizado nas eleições prendeu três vereadores. As reportagens publicadas até agora se baseiam na versão da polícia e nos registros judiciais; a defesa do investigado ainda não se manifestou publicamente.Ricardo Vasconcelos da Cruz segue preso à disposição da Justiça, na condição de investigado, com direito à presunção de inocência. O próximo passo do caso é a continuidade da investigação da Polícia Civil, que trabalha para identificar outros envolvidos nas ameaças. Não há data divulgada para a conclusão do inquérito; encerrada a apuração, caberá ao Ministério Público avaliar a eventual denúncia.

HBHenrique Barros
police

Policiais civis simulavam apreensões e escoltavam contrabando em SP, diz MP

O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação Merx, que apura um esquema no qual policiais civis do estado simulavam apreensões de produtos ilícitos e escoltavam cargas de contrabando em troca de propina. A Justiça decretou a prisão preventiva de sete pessoas, entre elas quatro policiais civis, e autorizou buscas em 18 endereços, incluindo três unidades da própria corporação na Grande São Paulo: as delegacias de Embu das Artes e Santana de Parnaíba e o 2º Distrito Policial de Cotia. A investigação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com participação da Corregedoria da Polícia Civil e apoio do Departamento de Operações Estratégicas (Dope). Os crimes apurados são corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo o MP, os agentes interceptavam cargas de celulares e outros eletrônicos de origem irregular e, em vez de formalizar a apreensão, cobravam dos responsáveis valores que chegavam a cerca de 70% do valor das mercadorias para liberá-las, total ou parcialmente. Em ao menos quatro episódios documentados desde 2024, as vantagens indevidas somariam R$ 2,35 milhões. De acordo com a apuração, a estrutura da própria Polícia Civil foi usada no esquema: sistemas da corporação teriam servido para monitorar as cargas que seriam interceptadas, e dependências de delegacias, para armazenar mercadorias e registrar a apreensão de apenas parte dos produtos, o que dava aparência de legalidade às operações. Uma imagem anexada ao inquérito, localizada com um dos investigados, mostra uma viatura da Polícia Civil em suposta escolta a produtos contrabandeados, segundo a Folha de S.Paulo. A linha do tempo do caso 17 de junho de 2024: um caminhão com cerca de R$ 600 mil em produtos contrabandeados é abordado pela Polícia Civil. Segundo o Gaeco, os policiais Bruno Moreno dos Santos e José Adriano da Silva Nishi cobraram R$ 400 mil para liberar a carga, e apenas parte da mercadoria foi formalmente apreendida; julho e agosto de 2024: ocorrem novos episódios semelhantes, com a atuação do advogado Sidiclei da Costa Almeida, apontado como intermediador da propina entre a quadrilha e os policiais; dezembro de 2024: Thiago Marcel Magnabosco, apontado como líder de uma organização especializada em contrabando e descaminho, é preso pela Polícia Federal. Mensagens encontradas em seu celular conectam o esquema a policiais civis de São Paulo e dão origem à investigação do Gaeco; 28 de agosto de 2026: a Operação Merx cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Goiás. Além de Santos e Nishi, tiveram a prisão preventiva decretada os policiais civis Vagner Ramalho e Marcos Vinícius de Souza Melo, o advogado Sidiclei, o empresário paranaense Jonathan Renan Vieira e o próprio Magnabosco, considerado foragido e apontado pela investigação como estando no Paraguai. Segundo o g1, ao menos quatro dos sete alvos haviam sido presos até a última atualização da operação. Um quinto policial, o investigador Vagner de Lima, não teve prisão decretada, mas foi afastado da função, teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos e determinou o bloqueio de bens dos investigados em até R$ 4 milhões. Na frente financeira, o Gaeco identificou transferências destinadas à empresa Rivieira Soluções em Tecnologias Ltda. e a terceiros que seriam usados como interpostas pessoas para receber e ocultar os valores pagos aos policiais, segundo a apuração. Todos os citados são investigados e não há qualquer condenação no caso. A Folha informou que não identificou a defesa dos investigados nesta sexta-feira, e o g1 disse que tenta localizar os advogados dos citados, com espaço aberto para manifestação. O próximo passo do caso é a continuidade das diligências pelo Gaeco, que poderá oferecer denúncia à Justiça contra os investigados ao fim do inquérito. O MP não divulgou prazo para a conclusão. As prisões preventivas decretadas nesta sexta não têm prazo definido e devem ser reavaliadas periodicamente pelo Judiciário, conforme prevê o Código de Processo Penal.

HBHenrique Barros
Lula

PF investiga se lobista amiga de Lulinha intermediou contrato nos Correios

A Polícia Federal investiga se a empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, atuou para intermediar negócios com os Correios. A suspeita, revelada por O Globo nesta sexta-feira (28), nasceu de uma minuta de contrato e de mensagens encontradas no celular da empresária, apreendido no inquérito que apura suposto tráfico de influência em órgãos públicos federais. Roberta e Lulinha são investigados, não há denúncia formal contra eles neste caso, e ambos negam qualquer irregularidade. O documento apreendido pela PF envolve a RL Consultoria e Intermediações, da qual Roberta é sócia, e a Safe Consig Tecnologia da Informação, especializada em plataformas de gestão de empréstimos consignados. Pela minuta, a consultoria de Roberta faria jus a uma comissão de 50% sobre as vendas da Safe Consig. "A título de comissão pelas vendas que realizar, fará jus ao percentual de 50%, que deverá ser calculado sobre o valor total verificado no sistema de financiamento da contratante Safe, mais especificamente sobre o valor líquido", diz o trecho reproduzido por O Globo. Em 13 de maio de 2024, Roberta encaminhou o arquivo a um interlocutor com a mensagem: "Saulo me mandou revisado agora. Vou assinar, tá?". A PF apura se o Saulo citado é Saulo de Tasso Alves Caracas Dino, sócio da Safe Consig. Procurado, ele afirmou desconhecer qualquer contrato entre as duas empresas. Duas semanas depois, em 28 de maio de 2024, os Correios contrataram a Safe Consig em regime de comodato, sem custo para a estatal, para administrar a margem de consignado de cerca de 84 mil funcionários. A empresa é remunerada pelas instituições financeiras que acessam os dados dos servidores aptos a contratar os empréstimos. Quem assinou e o que diz cada lado O contrato foi assinado pelo então presidente dos Correios, Fabiano Silva, pela diretora Econômico-Financeira, de Tecnologia e Segurança da Informação, Maria do Carmo Lara Perpétuo, e pelo diretor de Gestão de Pessoas, Getúlio Marques Ferreira. Segundo O Globo, as duas diretorias eram ocupadas por nomes ligados ao PT, e Fabiano mantém relação de amizade com Roberta e Lulinha, além de integrar o Grupo Prerrogativas, coordenado pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha no inquérito de tráfico de influência. Os três já deixaram a estatal. Fabiano confirmou conhecer Roberta e Lulinha, mas negou ter interferido na contratação: "Os ritos administrativos nos Correios são cumpridos. Não tem amizade ou camaradagem na instituição. Existe uma governança interna que é cumprida". Maria do Carmo afirmou que a elaboração do contrato coube à área administrativa e que "nunca fui procurada por ninguém para pedir nada. Nunca tive contato com Lulinha e Roberta". Ferreira não respondeu à reportagem. Em nota, os Correios disseram não ter "conhecimento de irregularidades relacionadas à contratação ou à execução do contrato". Rodrigo Feitosa, sócio da Safe Consig que assinou o acordo com a estatal, negou intermediação: "Se alguém eventualmente tratou desse tema, conforme mencionado em sua mensagem, isso não ocorreu, em nenhuma hipótese, com a devida autorização da Safe Consig". A defesa de Roberta não comentou a suspeita envolvendo os Correios. Além da minuta, os investigadores analisam uma mensagem, revelada pelo Estadão, em que Roberta cita a estatal ao listar negócios em andamento para um empresário do setor de cibersegurança: "Marquei semana que vem Geap para vc também. Amanhã, Julio. Portos e aeroportos. Correios". O texto não menciona Lulinha. Linha do tempo do caso 13 de maio de 2024: Roberta envia a um interlocutor a minuta que prevê comissão de 50% da Safe Consig à sua consultoria; 28 de maio de 2024: os Correios contratam a Safe Consig em regime de comodato; 2025 a 2026: a PF apreende o celular da empresária no inquérito que apura tráfico de influência, no qual Lulinha também é investigado; Roberta também aparece nas apurações da Operação Sem Desconto, sobre fraudes em benefícios do INSS; 27 de agosto de 2026: em entrevista à TV Globo, Lula diz não conhecer Roberta; no dia 28, sua campanha divulga nota afirmando que fotos dos dois juntos não significam relação pessoal, profissional ou política; 28 de agosto de 2026: O Globo revela que a PF apura atuação da lobista junto aos Correios. De acordo com o G1, a PF já havia identificado nas investigações repasses de Roberta a Marco Aurélio Santana, o Marcola, então chefe de gabinete da Presidência, e uma minuta de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. O caso dos Correios integra a apuração mais ampla sobre uma possível rede de contatos mantida pela lobista e pelo filho do presidente para viabilizar negócios de empresas privadas junto ao governo federal. O inquérito segue em andamento, sem prazo público para conclusão; ainda não houve indiciamento nem denúncia do Ministério Público Federal neste ponto, e as investigações, por si só, não significam comprovação de crime.

HBHenrique Barros
football

MPRS denuncia 15 torcedores do Inter por ataque que deixou gremista em coma após Gre-Nal

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou nesta sexta-feira (28) 15 torcedores do Internacional apontados como envolvidos na agressão a um torcedor do Grêmio em Porto Alegre, segundo informou o G1. A denúncia foi apresentada à 3ª Vara do Júri da capital gaúcha, responsável pelos crimes dolosos contra a vida. De acordo com a promotoria, dez dos denunciados vão responder por tentativa de homicídio qualificada.Cronologia do casoO ataque ocorreu em março deste ano, em dia de Gre-Nal válido pelo Campeonato Gaúcho, após confronto entre integrantes de torcidas organizadas rivais, conforme a Rádio Guaíba. De acordo com a investigação, a vítima foi perseguida pelos agressores e alcançada na Rua Terezinha Turcato, no bairro Costa e Silva. Em agosto, torcedores do Inter chegaram a ser presos como suspeitos de tentativa de homicídio contra o gremista, como registrou a CNN Brasil no dia 13. A denúncia formal do MPRS foi apresentada nesta sexta-feira, quase seis meses depois do crime.Segundo o MPRS, o homem foi atingido por socos, chutes e golpes de pedaços de madeira e sofreu lesões consideradas graves. Ele ficou 21 dias em coma. A promotoria sustenta que a morte não ocorreu porque a vítima recebeu atendimento médico rapidamente.Qualificadoras e outros crimesA denúncia aponta três qualificadoras para a tentativa de homicídio: motivo fútil, por estar ligada à rivalidade entre torcidas; meio cruel, em razão da violência empregada; e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, já que o ataque teria ocorrido com superioridade numérica dos agressores. Todos os 15 investigados também foram denunciados por participação em briga de torcidas, associação criminosa e corrupção de menor, porque, conforme a apuração, um adolescente participou das agressões junto ao grupo.Ainda segundo o Ministério Público, os envolvidos fariam parte de uma associação voltada a ações violentas ligadas à rivalidade entre organizadas. A investigação indica que o grupo usava aplicativos de mensagens para trocar informações, monitorar integrantes de torcidas adversárias, organizar deslocamentos e planejar ataques. A promotoria também pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima para reparar os danos causados à vítima.A denúncia não implica condenação: os 15 investigados são considerados inocentes até decisão judicial em contrário e terão direito à ampla defesa. Cabe agora ao juiz da 3ª Vara do Júri analisar a peça do MPRS e decidir se aceita a acusação, o que tornaria os denunciados réus. Se a Justiça os pronunciar por tentativa de homicídio, o caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri. Ainda não há data definida para essa decisão.

HBHenrique Barros
crime

MP: policiais civis de SP simulavam apreensões e escoltavam contrabando por propina

São Paulo: Um grupo de policiais civis de São Paulo é investigado pelo Ministério Público por suspeita de receber propina para facilitar esquemas de contrabando no estado. Segundo a apuração, os agentes simulavam apreensões de produtos ilícitos e escoltavam cargas de alto valor usando viaturas da própria corporação. O caso veio à tona nesta sexta-feira (28), com uma operação que apura os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, em diligências que contaram com a participação da Corregedoria da Polícia Civil.De acordo com a Folha de S.Paulo, a Justiça decretou a prisão preventiva, sem prazo definido, de sete pessoas, entre elas quatro policiais civis, e autorizou buscas em 18 endereços. Entre os alvos estão as delegacias de Embu das Artes e Santana de Parnaíba e o 2º distrito policial de Cotia, todos na Grande São Paulo. O G1 noticiou que três policiais civis foram presos durante a ação.A investigação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e começou em dezembro de 2024, a partir da prisão de Thiago Marcel Magnabosco pela Polícia Federal. Apontado como líder de uma organização criminosa especializada em contrabando e descaminho, Magnabosco guardava no celular mensagens que, segundo o Ministério Público, ligam o esquema a policiais civis paulistas.Cronologia do casoJunho de 2024: um caminhão com cerca de R$ 600 mil em produtos contrabandeados foi abordado pela Polícia Civil e ficou sob custódia dos agentes Bruno Moreno dos Santos e José Adriano da Silva Nishi. Segundo o Gaeco, os dois cobraram R$ 400 mil para liberar a carga.Julho e agosto de 2024: ocorreram episódios semelhantes, desta vez com a atuação do advogado Sidiclei da Costa Almeida, apontado como intermediador da propina entre a quadrilha e os policiais.Dezembro de 2024: o Gaeco inicia a investigação após a prisão de Magnabosco pela Polícia Federal.28 de agosto de 2026: a operação é deflagrada, com prisões preventivas decretadas e buscas em 18 endereços.Além de Santos e Nishi, que tiveram a prisão preventiva decretada, os outros dois policiais civis citados como alvos são Vagner Ramalho e Marcos Vinícius de Souza Melo. Todos são tratados como investigados e mantêm o direito à presunção de inocência. A Folha informou que não conseguiu localizar nesta sexta-feira a defesa dos suspeitos.Um dos arquivos anexados ao inquérito, reproduzido pela imprensa, mostra uma viatura da Polícia Civil em suposta escolta a produtos contrabandeados. A imagem foi localizada com um dos investigados. Como próximos passos, os presos preventivamente devem passar por audiências de custódia, e o Gaeco segue com as diligências. O Ministério Público ainda não informou se e quando pretende oferecer denúncia formal contra os investigados.

HBHenrique Barros
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Justiça marca audiência entre governo e Discord antes de decidir sobre medidas urgentes

A Justiça Federal do Distrito Federal marcou para quarta-feira (2) uma audiência entre o governo federal e o Discord antes de decidir sobre o pedido de medidas urgentes contra a plataforma, alvo de uma ação civil pública que cobra indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (28) pela Folha de S.Paulo.Segundo a Folha, trata-se de uma audiência de justificação e tentativa de conciliação, que deve reunir representantes da União, do Discord e do Ministério Público Federal, com possível participação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados). Ao marcar a reunião, o juiz responsável pelo caso afirmou que a natureza, a gravidade e a complexidade das questões discutidas justificam um esclarecimento mais detalhado dos fatos antes da decisão sobre a tutela de urgência.Entenda o casoO processo coroa uma escalada que começou em julho, quando uma adolescente de 13 anos do Mato Grosso do Sul tirou a própria vida após ser incitada durante uma transmissão ao vivo na plataforma, segundo as investigações. O caso levou à deflagração da Operação Lívia, em 4 de agosto, e, em 12 de agosto, a ANPD suspendeu as transmissões ao vivo do Discord no Brasil ao apontar falhas na proteção de crianças e adolescentes.Em 26 de agosto, após o fracasso das negociações para a assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), a AGU (Advocacia-Geral da União) ajuizou a ação civil pública. Além da indenização, a União pede que o Discord adote verificação de idade, vincule contas de menores de 16 anos às dos pais ou responsáveis, detecte e interrompa em tempo real transmissões com cenas de automutilação ou suicídio e mantenha equipe de moderação em português, entre outras obrigações previstas no ECA Digital, conforme apurou o G1."Demonstramos que essa plataforma tem permitido a prática de uma série de violações legais frente ao ordenamento jurídico brasileiro. Essa situação se revela absolutamente insustentável e, por orientação do presidente da República, adotamos essa medida", disse o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao anunciar a ação. O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, afirmou, em declaração reproduzida pelo site Vermelho, que "as plataformas não podem mais esperar que o Estado as notifique para tomar providências".Em nota, o Discord classificou a ação como "desproporcional" e afirmou que ela "não reflete de forma precisa a abordagem do Discord em relação à segurança e ao cumprimento da legislação brasileira". A empresa disse seguir "comprometida em trabalhar com as autoridades competentes" para ampliar a segurança na plataforma.Antes de analisar o pedido de tutela de urgência, a Justiça já havia determinado que o MPF e o Discord se manifestem no prazo de cinco dias, que continua valendo independentemente da audiência. Na reunião de quarta-feira, o Discord deverá prestar informações sobre as medidas de segurança e moderação que adota, e o juiz quer esclarecer o alcance e a situação atual das determinações já impostas pela ANPD, inclusive se houve recurso administrativo contra elas. Somente depois desses esclarecimentos será decidido o pedido de medidas urgentes apresentado pela União.

HBHenrique Barros
crime

PM de folga é morto durante tentativa de roubo na marginal Tietê, em SP

Um policial militar de folga foi morto na noite desta sexta-feira (28) durante uma tentativa de roubo na marginal Tietê, altura do Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo. A informação foi confirmada pela Polícia Militar, que faz diligências para localizar os envolvidos. Até o fim da noite, ninguém havia sido preso, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.Em nota, a corporação informou que atua para esclarecer as circunstâncias do crime. "Mais informações serão divulgadas assim que confirmadas", afirmou a PM. A identidade da vítima não foi divulgada, e a polícia não informou se o policial reagiu à abordagem nem se teve pertences levados.Cronologia do casoNoite de sexta-feira (28): o PM de folga é morto durante uma tentativa de roubo na pista expressa da marginal Tietê, no sentido da rodovia Castelo Branco.Na sequência: a ocorrência bloqueia três faixas da pista expressa, com viaturas e cones isolando o local.Até o fim da noite: a PM mantém diligências para tentar localizar os suspeitos, sem prisões efetuadas.Como nenhum suspeito foi identificado ou detido até o momento, não há investigados formalmente apontados no caso, e eventuais envolvidos têm garantida a presunção de inocência. As informações disponíveis até o fechamento desta reportagem constam da nota da Polícia Militar e da cobertura da Folha; nenhum outro veículo havia detalhado a ocorrência de forma independente.O próximo passo do caso será a abertura de inquérito pela Polícia Civil, que ficará responsável por investigar o homicídio e apurar a autoria do crime. A corporação não informou prazo para a divulgação de novos detalhes.

HBHenrique Barros
justice

Justiça do Equador condena ex-presidente Lenín Moreno a 5 anos de prisão por suborno

A Justiça do Equador condenou nesta sexta-feira (28) o ex-presidente Lenín Moreno, de 73 anos, a cinco anos de prisão pelo crime de suborno (cohecho, na denominação da Justiça equatoriana), em um processo que apura propinas pagas pela construtora chinesa Sinohydro na obra da hidrelétrica Coca Codo Sinclair, a maior do país. A condenação é de primeira instância e cabe recurso, segundo informações do G1 e do jornal equatoriano El Universo.De acordo com a Procuradoria-Geral do Equador, a Sinohydro pagou cerca de US$ 76 milhões em propinas, o equivalente a 4% do custo da obra, e a família de Moreno teria recebido aproximadamente US$ 1 milhão para favorecer a construção do empreendimento. Para os juízes, Moreno, que era vice-presidente quando o projeto foi desenvolvido, interveio na licitação e no financiamento da usina, segundo a cobertura de El Universo. O G1 informa que outras seis pessoas foram condenadas no processo e que a Corte Nacional de Justiça considerou quatro dos acusados, entre eles Moreno, responsáveis pelo crime de suborno. A mulher do ex-presidente e outros familiares receberam penas de quase três anos por cumplicidade.Cronologia do casoO processo reúne cerca de 20 réus, incluindo cidadãos chineses e um ex-embaixador da China no Equador. Moreno foi vice-presidente de Rafael Correa entre 2007 e 2013, período em que a hidrelétrica foi projetada, e a usina começou a operar em 2016. Depois de 31 dias de audiências, o Tribunal Penal da Corte Nacional encerrou a fase de julgamento em 10 de julho e passou a deliberar. A Procuradoria havia pedido penas de seis anos e seis meses para os principais acusados, além de uma reparação integral de US$ 76 milhões ao Estado. A sentença foi lida nesta sexta-feira e, segundo El Universo, condenou 20 processados, com pagamentos milionários e proibição permanente de exercer cargos públicos. Entre os condenados estão também dois ex-gerentes da Coca Codo Sinclair e o empresário Conto Patiño.Moreno nega as acusações. "Não recebi um único centavo da Sinohydro", afirmou o ex-presidente após a decisão, da qual anunciou que vai recorrer. Em declarações reproduzidas por El Universo, ele atribuiu a condenação a uma perseguição política do antigo aliado Rafael Correa: "Correa ofereceu se vingar de mim".Ex-aliado de CorreaMoreno governou o Equador de 2017 a 2021, eleito com o apoio de Correa, que comandou o país por uma década. Os dois romperam depois da posse, quando o novo presidente adotou uma agenda mais à direita e se aproximou dos Estados Unidos. Correa vive na Bélgica e foi condenado à revelia, em 2020, a oito anos de prisão em outro caso de corrupção, que envolveu empresas como a brasileira Odebrecht. Moreno, que se locomove em cadeira de rodas, atuou depois do mandato como enviado especial da ONU para questões relacionadas à deficiência, em Genebra, e como representante da OEA para pessoas com deficiência, em Assunção.O próximo passo do processo é o recurso da defesa, já anunciado pelo ex-presidente. Até a publicação desta reportagem, não havia data definida para a análise da apelação, e Moreno segue formalmente condenado apenas em primeira instância.

HBHenrique Barros
crime

Corregedoria encontra 49 celulares lacrados em saco de lixo em delegacia da Grande SP

A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo encontrou 49 celulares lacrados dentro de um saco de lixo em uma sala trancada do 1º Distrito Policial de Barueri, na Grande São Paulo. A descoberta, feita em outubro de 2024 durante diligências para apurar o desvio de cargas contrabandeadas, consta da investigação que levou a Justiça a decretar nesta sexta-feira (28) a prisão preventiva de dois investigadores da unidade, segundo reportagens da Folha de S.Paulo e da CNN Brasil.A fiscalização da Corregedoria começou após uma denúncia anônima de que policiais civis da unidade haviam interceptado uma carga de celulares na rodovia e omitido parte dos aparelhos do boletim de apreensão. De acordo com a CNN Brasil, a denúncia aponta que os agentes teriam exigido R$ 900 mil para devolver a mercadoria ao proprietário.Na sala do investigador-chefe Marcos Vinícius de Souza Melo, os corregedores acharam os 49 aparelhos no saco de lixo, com marcas e modelos semelhantes aos da carga citada na denúncia, além de outros seis celulares novos sobre a mesa. No cofre de armamento da sala foram encontrados R$ 19.577 em espécie, valor sem justificativa segundo o Ministério Público, e dois revólveres calibre .38 registrados em nome de terceiros sem vínculo com a unidade. Melo não compareceu à delegacia e, segundo o Gaeco, "limitou-se a fornecer remotamente a senha eletrônica de acesso à sua sala".A sala do investigador Vagner Ramalho também estava trancada quando os corregedores chegaram. Lá dentro, luzes e ar-condicionado seguiam ligados e o computador estava desbloqueado, com o WhatsApp Web aberto. Sobre a mesa havia a CNH do investigador, três celulares e R$ 4 mil em dinheiro, segundo a CNN Brasil. A pistola particular de Ramalho não foi localizada."Circunstâncias aptas a denotar a possibilidade de terem os investigados se evadido ou se retirado às pressas do local", afirmou o Gaeco, braço do Ministério Público de São Paulo especializado em crime organizado.Operação MerxO caso ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (28), quando o Gaeco deflagrou a Operação Merx, que apura organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais civis, contrabandistas e um advogado. Segundo o Ministério Público, os policiais envolvidos no esquema cobravam até 70% do valor das mercadorias para liberar caminhões ou devolver parte das cargas apreendidas. A operação cumpriu mandados em São Paulo, Paraná e Goiás. Ao todo, sete pessoas tiveram a prisão preventiva decretada, e a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 4 milhões em bens dos investigados, além do afastamento de um investigador.O juiz Djalma Moreira Gomes Júnior, da Vara Regional das Garantias de Osasco, decretou as prisões preventivas de Melo e Ramalho ao considerar que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos investigados e do risco de interferência na produção de provas. A Folha e a CNN Brasil informam que não conseguiram localizar as defesas dos dois policiais, que seguem na condição de investigados e têm assegurada a presunção de inocência. O Ministério Público ainda não apresentou denúncia formal no caso, e a investigação do Gaeco continua em curso.

HBHenrique Barros
stf

STF forma maioria para tributar lucros da Vale em controladas no exterior

O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria nesta quinta-feira (27) a favor da cobrança de IRPJ e CSLL sobre os lucros obtidos pela Vale por meio de empresas controladas no exterior. O julgamento corre no plenário virtual da Corte, começou na semana passada e vai até esta sexta-feira (28), segundo a Folha de S.Paulo, que publicou reportagem de Ricardo Brito, da Reuters. Até o fechamento desta reportagem, o placar era de seis votos favoráveis à incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre os lucros das controladas da mineradora com sede na Bélgica, na Dinamarca e em Luxemburgo. A posição majoritária foi aberta pelo voto divergente do ministro Gilmar Mendes, acompanhado por Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Kássio Nunes Marques e Alexandre de Moraes. Mendes deu provimento ao recurso da União para, em suas palavras, "reconhecer a possibilidade de computar como acréscimo patrimonial positivo da recorrida os lucros auferidos por suas empresas controladas com sede na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo". No voto, o ministro se apoiou em um precedente do próprio tribunal, o RE 541.090, que admitiu a tributação de lucros de controladas e coligadas no exterior mesmo fora de paraísos fiscais. "Dessa forma, aplicando o que decidido pelo Plenário desta Corte no RE 541.090, entendo que o caso é de reconhecer a possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL sobre o lucro da controladora obtido por intermédio de empresas controladas situadas no exterior", escreveu Mendes. Entenda o caso O processo chegou ao Supremo em março de 2015 e, desde então, mobiliza o meio empresarial pelo volume de recursos envolvido. Em nota técnica de fevereiro de 2023, citada no voto de Gilmar Mendes, a Receita Federal estimou o impacto econômico-financeiro da tese em R$ 142,5 bilhões, considerando os anos de 2017 a 2021, e em R$ 28,5 bilhões para cada ano seguinte. Já o Valor Econômico informou que o impacto para o governo federal em caso de derrota foi calculado em R$ 22 bilhões no anexo de riscos fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. A linha do tempo do caso até aqui: Março de 2015: o recurso da União chega ao STF; Fevereiro de 2023: nota técnica da Receita Federal estima impacto de R$ 142,5 bilhões; Semana passada: abre-se a janela do julgamento no plenário virtual; 27 de agosto de 2026: seis ministros formam maioria pela tributação. Procurada, a Vale não quis comentar o julgamento. A Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que representam o Fisco no caso, não responderam de imediato aos pedidos de comentário, segundo a Reuters. O próximo passo processual ocorre nesta sexta-feira (28), quando se encerra a janela de votação no plenário virtual. Até lá, os ministros podem alterar seus votos ou pedir destaque, o que levaria o caso a ser rediscutido em sessão presencial do plenário.

HBHenrique Barros
Federal Police

PF diz que lobista pediu ação de Lulinha por negócios do Careca do INSS na Saúde

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que a lobista Roberta Luchsinger pediu a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que interviesse para viabilizar negócios de interesse de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde. A revelação é do repórter José Marques, da Folha de S.Paulo, que teve acesso a material sigiloso que integra a investigação preliminar e a representação da PF enviadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro autorizou a abertura de inquérito por suspeita de tráfico de influência. Nenhum dos contratos discutidos nas conversas chegou a ser assinado.Os diálogos giram em torno da tentativa de venda ao ministério de substâncias derivadas de canabidiol e de kits para teste de dengue. Segundo a PF, Roberta procurava uma "solução para capitalizar" o Careca do INSS e pressionava o então secretário-executivo da Saúde, Swedenberger do Nascimento Barbosa, o Berger. "[Temos que] correr para o Berger comprar isso logo", escreveu ela sobre os kits de dengue. A PF registrou ainda que a lobista dizia ter prazo porque "Fábio vai embora", em referência à mudança de Lulinha para a Espanha, em 2025.A cronologia das mensagensMarço de 2024: em mensagem a Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, Roberta escreve, sobre Berger: "Mas vc vai pra cima dele pq eu fiz Gustavo investir lá na empresa do canabidiol rsrs".Maio de 2024: ela afirma a Marcola que eles têm "q colocar o Fábio em cima do berger rsrs". Marcola responde: "blz".Outubro de 2024: cinco meses depois, a lobista e Marcola combinam um churrasco, e ela pede que ele leve Berger, a pedido de Lulinha.Novembro de 2024: "Fabio ta la em Portugal e acordou lá hoje me pedindo pra falar com vc pra vc fazer uma pressão no Berger dos pedidos", escreve ela a Marcola.23 de janeiro de 2025: em mensagens a Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), Roberta diz que o Careca do INSS pressionava para fechar os negócios logo, que havia comentado o assunto com Lulinha e que seria bom "o Fábio se mexer". Para a PF, "as demandas solicitadas por Antônio dependem da intervenção de Fábio".O Careca do INSS foi um dos principais alvos da operação Sem Desconto, que investiga um esquema suspeito de desviar dinheiro de aposentados e pensionistas da Previdência Social por meio de descontos ilegais em benefícios. Gaspar também foi preso na operação e cumpre prisão domiciliar. A revista Veja, que teve acesso à íntegra dos inquéritos após a quebra do sigilo telemático de Roberta por ordem de Mendonça, informou que a PF concluiu que a lobista mantinha uma sociedade informal com Lulinha e com o empresário Fernando Bittar para prospectar negócios no governo. "Eu sou o Fábio", resumiu ela a um empresário interessado, segundo a polícia. A PF trata as descobertas como indícios de corrupção, organização criminosa, tráfico de influência, advocacia administrativa e exploração de prestígio. Todos os citados são investigados, e não há denúncia formal ou condenação até o momento.O que diz a defesaO advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirma que ele "nunca, em nenhum momento, fez nenhuma intervenção e nenhuma reunião" em favor de negócios do Careca do INSS. "Nos autos, não tem nada que desminta isso. O que a Polícia Federal tem é um quebra-cabeça de ilações, com inferências não conclusivas", disse o advogado. A defesa afirma ainda que Lulinha começou a preparar a mudança para a Espanha em 2024, mantém vínculos profissionais com uma empresa espanhola sem relação direta ou indireta com o governo brasileiro e vive "exclusivamente com o resultado do seu trabalho". As defesas de Roberta Luchsinger e de Antônio Camilo Antunes não responderam aos pedidos de comentário. A de Roberta já havia informado que não se manifestaria sobre inquérito que corre sob sigilo.O inquérito tramita sob sigilo no STF, sem data conhecida para a próxima decisão. Caberá à PF concluir a apuração e, se entender que há elementos suficientes, enviar o relatório final ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre eventual denúncia.

HBHenrique Barros
Elections

TRE do Rio rejeita denúncia contra Crivella no caso 'QG da Propina' por 4 a 3

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) rejeitou, por 4 votos a 3, a denúncia do Ministério Público contra o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos), atual deputado federal e candidato ao Senado, no caso conhecido como "QG da Propina". A decisão foi tomada em sessão nesta quinta-feira (27), segundo o G1 e O Globo. Com a rejeição, Crivella não se torna réu na ação, que o acusava de corrupção e lavagem de dinheiro.O placar estava empatado em 3 a 3, e o voto de desempate coube ao presidente da Corte, desembargador Cláudio de Mello Tavares, que havia pedido vista do processo. Para o magistrado, não há indícios suficientes para dar prosseguimento à ação contra o ex-prefeito. "Um agente não pode ser punido com base em conjecturas", afirmou ao votar, de acordo com o G1. Tavares entendeu que Crivella não poderia responder por atos supostamente cometidos pelos outros acusados. O tribunal decidiu ainda que um juiz de primeira instância definirá o rumo do processo em relação aos demais denunciados.O que dizem acusação e defesaPela denúncia do Ministério Público, com base em investigação da Polícia Civil do Rio, o esquema teria operado durante a gestão de Crivella na prefeitura (2017 a 2020) e envolveria Rafael Alves, irmão de Marcelo Alves, então presidente da Riotur, a empresa municipal de turismo. Segundo os promotores, Rafael participaria do aliciamento de empresários e de fraudes em licitações, com uso de empresas de fachada, notas fiscais frias e contratos fictícios. Na ação, o MP pedia a condenação dos acusados e a devolução de R$ 32 milhões aos cofres públicos, informou O Globo. No início deste ano, o MP também denunciou Crivella e outras dez pessoas por improbidade administrativa ligada ao mesmo esquema.A defesa nega as acusações e comemorou a decisão. "Foi feita Justiça com a recusa da denúncia em desfavor de Marcello Crivella. Foi comprovado a ausência de justa causa. Não houve ilegalidade por parte do Crivella", disse o advogado Márcio Vieira Santos, citado pelo G1.Linha do tempo do casoO caso se arrasta há anos nos tribunais. Em outubro de 2024, o próprio TRE-RJ declarou Crivella inelegível por abuso de poder político e econômico e conduta vedada nas eleições de 2020. Em julho deste ano, o ministro André Mendonça, do STF, suspendeu a inelegibilidade em decisão liminar. Na semana passada, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a suspensão por 4 a 3, com voto decisivo do ministro Kassio Nunes Marques, liberando a candidatura do ex-prefeito ao Senado.Com a rejeição desta quinta, o processo criminal contra Crivella pelo "QG da Propina" não avança. O próximo passo cabe à primeira instância: um juiz decidirá o destino da ação em relação aos outros denunciados pelo Ministério Público. Ainda não há data definida para essa decisão.

HBHenrique Barros
justice

PF adia para sexta depoimento de Vorcaro sobre suspeita de favorecimento ao Banco Master

A Polícia Federal adiou para esta sexta-feira (28) o depoimento de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no inquérito que apura se servidores do Banco Central receberam vantagens indevidas para beneficiar a instituição. A oitiva estava marcada para esta quinta (27), mas um problema técnico impediu a realização, segundo o g1 e a Folha de S.Paulo. Preso preventivamente desde março na penitenciária conhecida como Papudinha, no Distrito Federal, Vorcaro deporia por videoconferência.Segundo a Folha, seria o primeiro depoimento do ex-banqueiro desde a recusa de duas propostas de colaboração premiada e o primeiro com a atual equipe de defesa, liderada pelos advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski. Pessoas ligadas à defesa disseram ao g1 que a expectativa é que Vorcaro apresente sua versão sobre os fatos investigados. Vorcaro é investigado no inquérito e não há condenação contra ele neste caso. Em nota citada pela Folha, a defesa informou que aguardou o restabelecimento do sinal para que a oitiva ocorresse.As suspeitas sobre os servidoresO foco do inquérito são os ex-supervisores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. Segundo a PF e o próprio BC, há suspeitas de que os dois tenham recebido vantagens financeiras e atuado para favorecer o Master em discussões internas sobre fiscalização e socorro financeiro, no período em que o banco enfrentava uma crise de liquidez que culminou na liquidação da instituição pelo Banco Central.Em depoimento prestado à PF em maio, ao qual a TV Globo teve acesso, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, relatou que os dois servidores resistiam ao aprofundamento da fiscalização sobre carteiras de crédito do Master que, segundo uma equipe técnica do próprio BC, não existiam. Aquino disse ter sido informado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, de relatos recebidos sob anonimato sobre pagamentos ligados a Vorcaro. Questionado, Bellini afirmou, segundo o relato de Aquino, que recebeu duas parcelas de R$ 500 mil e, depois, pagamentos mensais por meio de uma empresa criada por ele, em contrato que atribuiu a projetos sociais. Paulo Sérgio, por sua vez, disse ter vendido uma propriedade rural em Guaxupé (MG) por R$ 4,5 milhões e afirmou ter descoberto apenas mais tarde que o comprador tinha ligação familiar com Vorcaro.Entre as mensagens analisadas pela PF está uma enviada por Paulo Sérgio a Vorcaro em abril de 2025: "o Ailton achou muito boa, ou seja, 5 bi pode evitar estrago de 58 bi". Segundo Aquino, a conversa tratava de uma possível linha de liquidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para o Master.Linha do tempo do caso2023: Bellini diz ter sido procurado por uma pessoa ligada ao advogado Leonardo Palhares com uma proposta relacionada a projetos sociais.Início de 2025: o BC passa a desconfiar das operações bilionárias de cessão de crédito do Master ao Banco de Brasília (BRB), apesar da dificuldade de liquidez da instituição.Novembro de 2025: Vorcaro é preso na primeira fase da Operação Compliance Zero e solto dias depois, por decisão do TRF-1.Janeiro de 2026: Galípolo informa Aquino sobre os relatos anônimos de pagamentos aos servidores.Março de 2026: Vorcaro é preso preventivamente e permanece custodiado desde então.Maio de 2026: Aquino presta depoimento à PF detalhando as suspeitas.O próximo passo é a oitiva remarcada para esta sexta-feira (28). Depois do depoimento, caberá à PF decidir se encaminha novas diligências ou conclui o inquérito sobre o suposto favorecimento, que ainda não resultou em denúncia do Ministério Público Federal nesta frente da investigação.

HBHenrique Barros
police

MP denuncia PMs seguranças da Transwolff e pede prisão de tenente-coronel

O Ministério Público de São Paulo denunciou à Justiça Militar quatro policiais militares acusados de integrar uma organização criminosa que fazia a segurança privada de dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suposta lavagem de dinheiro do PCC. A denúncia, apresentada na quarta-feira (26), pede a prisão preventiva do tenente-coronel José Henrique Martins Flores, apontado como administrador das empresas usadas para formalizar os serviços e dar aparência legal aos pagamentos, segundo a Folha de S.Paulo.Também foram denunciados o capitão Alexandre Paulino Vieira, o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e o sargento reformado Nereu Aparecido Alves. Os três estão presos preventivamente desde 4 de fevereiro, quando a Corregedoria da PM deflagrou a Operação Kratos, e a Promotoria pediu a manutenção das prisões. A denúncia ainda precisa ser recebida pela Justiça Militar; só então os quatro se tornam réus.Segundo a denúncia, o grupo formou um núcleo encarregado de proteger o então dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té, além de outros dirigentes, familiares e garagens da empresa. Para a Promotoria, ao contratar policiais, alguns deles integrantes da Rota, a tropa de elite da PM paulista, a empresa buscava também a credibilidade institucional associada à farda: "A blindagem reputacional era, ela própria, o produto contratado", diz o texto da denúncia, segundo a Folha. Os promotores afirmam que o núcleo de policiais atuava em conjunto com uma estrutura empresarial e financeira da qual faziam parte Pandora, Té e Robson Flares Lopes Pontes.A investigação da Corregedoria, detalhada pelo Metrópoles, descreve Flores como o responsável pela sustentação financeira do esquema, por meio de empresas do grupo AM3 registradas em nome de familiares, como a mãe e o padrasto, moradores do interior paulista, a mais de 500 quilômetros da capital. Registros de um aplicativo de entrega de comida teriam confirmado a presença frequente do oficial nos endereços dessas empresas, que emitiam as notas fiscais dos serviços de segurança. De acordo com o inquérito, os pagamentos seguiram pelo menos até janeiro deste ano, mesmo após as operações contra a Transwolff.A cronologia do casoO caso começou com a Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo MP-SP contra a Transwolff e a UPBus por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC. Em dezembro daquele ano, a Prefeitura de São Paulo abriu processo para rescindir os contratos das duas empresas. Em 4 de fevereiro de 2026, a Operação Kratos prendeu os três PMs e apreendeu R$ 1 milhão na residência de um deles, com 16 mandados de busca e apreensão cumpridos, segundo o G1. A apuração indicou que a segurança privada foi prestada entre 2020 e 2024. A defesa da Transwolff nega qualquer vínculo com o crime organizado e diz que contesta as acusações na Justiça.O que dizem as defesasOs advogados Mauro Ribas e Renato Soares, que defendem Paulino Vieira, afirmam que o militar "nunca integrou, participou ou prestou serviço para qualquer organização criminosa" e que ele administrava serviços de segurança privada por meio de uma empresa regularmente inscrita. As defesas dos sargentos Nereu e Romano disseram que se manifestarão em breve, e o advogado do tenente-coronel Flores foi procurado, mas não respondeu até a publicação da reportagem da Folha. O próximo passo é a análise da denúncia pela Justiça Militar, que decidirá se a recebe e se defere o pedido de prisão preventiva de Flores; ainda não há data marcada para a decisão.

HBHenrique Barros
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MPF e Receita investigam grupo de apostas suspeito de movimentar R$ 5 bilhões

O Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal deflagraram nesta sexta-feira (28) a Operação Jogo de Sombras, que apura suspeitas de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligadas à exploração de apostas esportivas de quota fixa, as chamadas bets. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa (PB), Recife (PE) e São Paulo (SP), sem pedidos de prisão. Segundo reportagem do G1, os endereços alvos das diligências são ligados ao grupo NSX, dono da plataforma BetNacional, que teria movimentado mais de R$ 5 bilhões apenas em 2025, de acordo com os investigadores. De acordo com o MPF, há indícios de que o grupo criou uma empresa de fachada em Curaçao, no Caribe, para simular que a operação da plataforma ocorria fora do Brasil antes da regulamentação do setor, quando, na avaliação dos investigadores, empresas brasileiras ligadas ao grupo seriam as verdadeiras responsáveis pelas atividades no país. A apuração também examina a suspeita de envio de recursos ao exterior seguido do retorno de parte do dinheiro ao Brasil na forma de pagamentos por serviços, modelo que poderia justificar a entrada de valores antes remetidos para fora. Outro ponto investigado é o possível uso de "contas bolsão", que concentram recursos de diferentes clientes em uma mesma conta e podem dificultar o rastreamento dos beneficiários finais. Segundo o MPF e a Receita, as suspeitas não se limitam ao período anterior à regulamentação: a investigação apura se estruturas antigas foram adaptadas para manter mecanismos de sonegação sob as novas regras. Paralelamente aos mandados, a Receita Federal instaurou 11 procedimentos fiscais para aprofundar a apuração, com recuperação potencial de tributos estimada em cerca de R$ 300 milhões. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda avalia quais medidas técnicas poderá adotar em relação ao grupo investigado. Segundo integrantes da pasta ouvidos pelo G1, a empresa já responde a dois processos administrativos em andamento, e as penalidades previstas na legislação do setor variam de advertência à suspensão das atividades. Linha do tempo do caso 2025: período em que, segundo os investigadores, a plataforma teria movimentado mais de R$ 5 bilhões; 13 de agosto de 2026: a Operação Arena, primeira grande ação conjunta de Receita e MPF contra o mercado de apostas no mês, cumpre 17 mandados em cinco estados, com decisão judicial para apreensão de bens de até R$ 1 bilhão; 28 de agosto de 2026: deflagração da Operação Jogo de Sombras, com seis mandados de busca e apreensão em três cidades, e entrevista coletiva na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília. Em nota, a NSX Brasil informou que recebeu a diligência da Receita em seu escritório no Recife e que prestou "integral colaboração à ação, disponibilizando os documentos solicitados". A empresa afirmou que, antes da regulamentação específica do setor, atuou "de acordo com o marco jurídico então vigente e com as práticas adotadas pelo mercado" e que, após a entrada em vigor das novas regras, "promoveu as adequações necessárias e passou a cumprir rigorosamente" a legislação. Até o momento, a operação não resultou em denúncia criminal, e nenhum investigado foi pronunciado culpado: a fase atual é de coleta de provas. Os detalhes foram apresentados em coletiva com o secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, e o coordenador do Gaeco Nacional, subprocurador-geral José Adonis Callou de Araújo Sá, entre outras autoridades. A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF. Os próximos passos são a análise do material apreendido e o andamento dos 11 procedimentos fiscais da Receita, além da decisão da Secretaria de Prêmios e Apostas sobre eventuais sanções administrativas. Nenhum prazo foi anunciado pelas autoridades.

HBHenrique Barros
Petrobras

Justiça do DF suspende imposto de exportação de 12% sobre petróleo

A Justiça Federal do Distrito Federal suspendeu, de forma provisória, nesta quinta-feira (27), a cobrança do Imposto de Exportação de 12% sobre óleo bruto de petróleo e minerais betuminosos. A liminar foi concedida pelo juiz Diego Câmara, da 17ª Vara Federal do DF, em pedido da Associação Brasileira de Empresas de Exploração e de Produção de Petróleo e Gás (ABEP), e determina que a Receita Federal se abstenha de exigir o tributo das empresas representadas pela entidade, segundo o G1.Linha do tempo do tributoA cobrança foi criada pela Medida Provisória 1.340/2026 e está em vigor desde março. A MP perdeu eficácia por não ter sido analisada pelo Congresso dentro do prazo constitucional. No mesmo dia, 9 de julho, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) publicou a Resolução nº 938/2026, que restabeleceu a alíquota por 60 dias, com validade até 9 de setembro. Segundo a Receita Federal, a arrecadação com o imposto já chega a R$ 7,9 bilhões. O InfoMoney apura R$ 7,982 bilhões recolhidos desde março, considerando dados até julho.Na decisão, o juiz entendeu que a resolução renovou uma cobrança tacitamente rejeitada pelo Congresso, o que, a seu ver, configuraria tentativa de contornar o processo legislativo:"Inexistindo dúvida, na espécie, de que era vedada a reedição de Medida Provisória que restabelecesse a alíquota de Imposto de Exportação tacitamente rejeitada pelo Congresso no corrente ano, reputo descabida, com ainda mais razão, a renovação de tal majoração mediante ato normativo infralegal, sob pena de burla ao devido processo legislativo", escreveu o juiz Diego Câmara.O magistrado também apontou questionamentos sobre a finalidade econômica da cobrança e afirmou que o imposto pode não ser adequado para atingir os objetivos declarados pelo governo.O que alegam os dois ladosAs petroleiras vinham tentando derrubar a cobrança. O setor sustenta que a taxa reduz a atratividade de investimentos e prejudica a posição do Brasil no mercado externo, segundo o InfoMoney.O governo defende a manutenção do tributo. Questionado mais cedo, o ministro Márcio Elias afirmou que, diante da crise no Oriente Médio e dos impactos sobre preços e logística, a medida "não só se justifica como é necessária". Em ofício ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, argumentou que o cenário internacional segue volátil, com restrições à produção e às exportações do Golfo e riscos nas rotas internacionais de transporte de energia, sobretudo no Estreito de Ormuz. A pasta sustenta que, durante a vigência do imposto, aumentou o processamento de petróleo nas refinarias nacionais e caíram as importações de petróleo e derivados, e defende a manutenção da alíquota de 12% por mais 60 dias. O tributo foi instituído para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio no mercado nacional e cobrir custos do subsídio à gasolina e ao diesel. Nesta terça-feira (25), a Fazenda prorrogou até 9 de setembro a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina.A liminar é provisória, e o mérito da ação ainda será julgado. O caso tramita agora em duas frentes: o Gecex se reúne nesta quinta-feira (27) para decidir se prorroga a vigência do tributo, que vale até 9 de setembro, e cabe recurso da União contra a decisão da 17ª Vara Federal. O julgamento definitivo do processo não tem data marcada.

HBHenrique Barros
justice

AGU processa Discord e pede R$ 500 milhões por falhas de proteção a usuários

A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou na terça-feira (25) uma ação civil pública contra o Discord na qual pede indenização de R$ 500 milhões por dano moral coletivo e a obrigação de a plataforma adotar medidas de proteção a crianças, adolescentes, mulheres e animais. Segundo o G1, o processo cita crimes praticados por usuários dentro do serviço, falhas na remoção de conteúdos nocivos e a ausência de um acordo que ajustasse a rede social à legislação brasileira.O caso que precipitou a ação foi a morte de uma adolescente de 13 anos, que tirou a própria vida durante uma transmissão ao vivo em um grupo do Discord, em julho, segundo a CNN Brasil. Um relatório do Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que a live começou por volta de 2h20, que a Polícia Civil de São Paulo alertou a empresa às 3h50 e que o grupo só foi derrubado às 4h15. Os investigados por envolvimento no episódio só foram banidos às 15h20 do dia seguinte. Após o caso, a primeira-dama Janja da Silva defendeu que a plataforma fosse retirada do ar "imediatamente". A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) chegou a determinar a suspensão de lives do Discord no país, mas a ação da AGU não pede o banimento do serviço.Antes de ir à Justiça, a AGU negociou por duas semanas um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mecanismo pelo qual a empresa assumiria obrigações voluntariamente. "A empresa, num primeiro momento, demonstrou o interesse de assumir compromissos significativos com o Estado brasileiro, mas infelizmente recusou a assinatura do termo no último momento. Não nos restou outra saída que não o ingresso de uma ação civil pública", afirmou o advogado-geral da União, Jorge Messias. A procuradora-geral da União, Clarice Costa Calixto, disse que as partes assinaram um termo de confidencialidade e que não pode detalhar o motivo da desistência. "O nosso padrão de exigência da segurança de criança e adolescentes, lamentavelmente, não foi aceito pela empresa", resumiu. Segundo ela, o valor pedido leva em conta a gravidade e o número de infrações atribuídas ao Discord e o faturamento da rede social, estimado pela AGU em cerca de R$ 4 bilhões por ano.Para o secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, a lentidão no caso da adolescente não foi um episódio isolado. Um levantamento do Ciberlab, centro de inteligência da pasta, registrou mais de 115 relatórios entre 2025 e 2026 envolvendo indução ao suicídio, automutilação, maus-tratos e sacrifícios de animais no Discord. Em São Paulo, o Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil contabilizou, em média, cinco denúncias por dia ligadas a indução ao suicídio, automutilação, estupro e outros crimes contra menores de idade, e mais de 385 casos de maus-tratos e sacrifícios de animais na plataforma em 2026. "As plataformas têm que adotar medidas proativas de detecção e remoção desse conteúdo. Nada disso foi observado nesse caso", afirmou Fernandes, segundo o G1.A ação foi motivada após a Operação Lívia, do Ministério da Justiça, que investigou redes criminosas que usavam plataformas digitais, como o Discord, para promover violência contra mulheres e meninas, segundo a CNN Brasil. Para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o processo é "uma resposta de Estado" para fazer valer que "qualquer plataforma, nacional ou estrangeira, não venha a descuidar dos limites impostos pela lei".O que a ação pedeAlém da indenização, que seria destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, a AGU pede multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento de eventual decisão judicial e quer obrigar o Discord a adotar, entre outras medidas, segundo a CNN Brasil:protocolo de detecção e interrupção de transmissões ao vivo com conteúdo ilícito;protocolo de notificação às autoridades de indícios de sextorsão;mecanismos de detecção, avaliação e moderação de conteúdos com práticas de maus-tratos contra animais;verificação de idade mais robusta e vinculação obrigatória de contas de usuários com até 16 anos a responsáveis legais;sede e representante legal no Brasil, além de canal permanente de denúncias em língua portuguesa.Em nota, o Discord classificou a ação como "desproporcional" e afirmou que ela "não reflete de forma precisa a abordagem" da empresa em relação à segurança e ao cumprimento da legislação brasileira. A plataforma diz ter apresentado à AGU "uma proposta detalhada" com mudanças técnicas e investimento financeiro em segurança online no país, e afirma que desativou, antes da morte da adolescente, o servidor privado no qual investigados teriam incentivado a automutilação. "Qualquer sugestão de que não estamos cooperando é incorreta", diz o texto, que aponta ainda falta de atuação coordenada entre os órgãos federais envolvidos nas tratativas.Com o ajuizamento, a ação passa a tramitar na Justiça Federal, e o Discord deverá ser citado para apresentar defesa. Até o momento, não há data definida para os próximos atos do processo.

HBHenrique Barros
drug-trafficking

MPRJ prende 2 PMs e denuncia 20 por elo entre milícia de Curicica e TCP no Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prendeu nesta quinta-feira (27) dois policiais militares e um homem apontado como traficante, investigados de integrar um esquema de fornecimento de armas e munições para a milícia de Curicica, na Zona Oeste do Rio, e para o Terceiro Comando Puro (TCP). Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas, segundo informações do MPRJ apuradas pela CNN Brasil, pelo G1, pelo Extra e pelo jornal O Dia.Os PMs presos são Jorge Anastácio Rodrigues Simões, lotado no 4º BPM (São Cristóvão), e Leo Carlos Araújo Santos, do 2º BPM (Botafogo). Segundo a investigação, os dois são suspeitos de fornecer e intermediar a compra de armas e munições para integrantes da milícia e da facção. O terceiro preso é apontado como traficante ligado ao esquema. Os mandados foram cumpridos pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar.O que diz a investigaçãoDe acordo com o MPRJ, a milícia de Curicica e o TCP teriam firmado um pacto de cooperação para evitar confrontos entre os dois grupos e unir forças contra rivais, principalmente o Comando Vermelho (CV). O acordo também teria facilitado a negociação de armas e drogas. Yuri Guimarães Soares, conhecido como "Lirow", é apontado como responsável pela ligação entre os milicianos e integrantes do TCP que atuam nos complexos da Maré e da Pedreira, na Zona Norte do Rio.Os investigadores identificaram a negociação de fuzis dos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .223, além de pistolas e munições. No comando da milícia, André Costa Bastos, conhecido como "Boto" ou "Redbull", preso em um presídio federal, é apontado como responsável pelo comando estratégico do grupo, enquanto Osmar Silva de Souza, o "Messi" ou "Novinho", seria o líder operacional. Segundo o MPRJ, a milícia obtém recursos com cobranças a moradores e comerciantes e com roubos de veículos e de cargas em Jacarepaguá e regiões próximas.Cronologia do casoInvestigação: a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPRJ apura o elo entre a milícia de Curicica e o TCP, incluindo o papel de policiais militares no abastecimento de armas aos grupos.Nesta quinta-feira (27): a operação cumpre mandados e prende dois PMs e um suspeito apontado como traficante.Após a operação: o MPRJ denuncia 20 pessoas, e a 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital recebe a denúncia; a Justiça decreta a prisão preventiva dos investigados.Com o recebimento da denúncia, os acusados passam à condição de réus e respondem por crimes como constituição de milícia privada, associação para o tráfico com emprego de arma de fogo e comércio ilegal de armas e munições de uso restrito. As defesas terão prazo legal para apresentar resposta à acusação, e as próximas datas do processo ainda não foram divulgadas. A CNN Brasil informou que tenta localizar os advogados dos citados. Todos os investigados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação com trânsito em julgado.

HBHenrique Barros
money-laundering

Justiça de SP mantém prisão de Deolane e sobrinhos de Marcola no caso PCC

A 3ª Vara de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, decidiu nesta quinta-feira (27) manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra e dos demais réus da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o G1. A decisão foi tomada na reavaliação periódica que a legislação exige a cada 90 dias para prisões cautelares. Deolane está presa preventivamente desde 21 de maio de 2026.Na decisão, o juízo concluiu que permanecem presentes os requisitos para a manutenção da preventiva: a garantia da ordem pública e da ordem econômica, a conveniência da instrução criminal, a necessidade de assegurar a aplicação da lei penal, o risco de continuidade das atividades de lavagem de dinheiro e a existência de indícios de atuação estruturada e permanente de organização criminosa.O que diz a acusaçãoPela denúncia do Ministério Público de São Paulo, a organização criminosa investigada era dividida em três núcleos: o decisório, integrado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC, e por Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; o operacional; e o financeiro, no qual Deolane foi enquadrada. No pedido de manutenção da prisão, o Gaeco, grupo de combate ao crime organizado do MP-SP, afirmou que a advogada seria "a principal integrante do núcleo financeiro", responsável por ocultar e dissimular recursos de origem ilícita por meio de contas bancárias vinculadas a ela e às suas empresas e por converter esses valores em bens de alto valor econômico.De acordo com a acusação, análises de documentos fiscais, bancários e relatórios técnicos apontam movimentações de grandes quantias e a conversão desses recursos em ativos com aparência de origem legal, com o uso de empresas de fachada e pessoas interpostas, os chamados "laranjas". O Gaeco também argumentou que dois denunciados, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, seguem foragidos, o que, na avaliação da Promotoria, reforça a necessidade da preventiva para assegurar a aplicação da lei penal.Linha do tempo do caso21 de maio de 2026: Deolane é presa preventivamente no âmbito da Operação Vérnix;Julho de 2026: o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) nega, por unanimidade, habeas corpus impetrado pela defesa;21 de agosto de 2026: o Gaeco pede a manutenção da preventiva, citando a gravidade dos fatos e o risco de fuga, segundo o site jurídico Migalhas;27 de agosto de 2026: a 3ª Vara de Presidente Prudente mantém a prisão de Deolane e dos demais réus.O que diz a defesaA defesa de Deolane sustenta que a prisão preventiva é desnecessária e pediu a soltura da advogada durante a reavaliação, de acordo com o Migalhas. No habeas corpus julgado em julho, a defesa e um relatório da OAB-SP apresentaram queixas sobre as condições de reclusão. A relatora, desembargadora Renata Cantello, classificou as alegações como "meras insatisfações com a rigidez natural do regime de reclusão e questões de gestão administrativa interna", sem identificar ilegalidade na preventiva nem motivo para substituí-la por prisão domiciliar. A magistrada destacou ainda que a inscrição de Deolane na Ordem dos Advogados do Brasil está suspensa desde a decretação da prisão.Todos os citados na denúncia respondem como réus e têm direito à presunção de inocência até eventual condenação transitada em julgado. Pela regra da reavaliação periódica, o caso deve voltar à análise do Judiciário em até 90 dias. Até lá, a defesa pode recorrer da decisão aos tribunais superiores.

HBHenrique Barros
public-safety

Apontado como chefe de seguranças de rua de Copacabana tem 14 anotações criminais

O homem apontado pela Polícia Civil como coordenador do grupo de seguranças de rua envolvido no linchamento de Cláudio Rafael Landeiro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, tem 14 anotações criminais, segundo o G1. Aluisio da Silva Filho prestou depoimento na tarde de quarta-feira (26) à 12ª DP (Copacabana), delegacia que conduz o inquérito. O histórico inclui registros por ameaça, lesão corporal, porte ilegal de arma e o roubo de um turista no bairro. Aluisio não está preso e foi ouvido na condição de investigado, o que preserva a presunção de inocência.Cláudio Rafael, de 37 anos, foi agredido na noite de 11 de agosto após ser falsamente acusado de furtar uma bicicleta que, na verdade, pertencia à irmã dele. Levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, morreu no dia 12. Segundo a Folha, a vítima foi golpeada mais de 60 vezes, e o porrete usado nas agressões foi buscado pelo segurança Davi Santos Machado em um bar da Rua Barata Ribeiro.Cronologia do caso11 de agosto: Cláudio Rafael é acusado de furto e passa a ser agredido por seguranças de rua e entregadores em Copacabana; parte do espancamento é filmada.12 de agosto: ele morre no Hospital Municipal Miguel Couto.20 de agosto: o segurança Davi Santos Machado é preso em Mesquita; o segurança Jorge Luiz Ricardo Dias, 56, se entrega à 12ª DP.21 de agosto: os entregadores Felipe Eduardo dos Santos e Ailton José da Silva são localizados e presos, segundo a CNN Brasil.25 de agosto: a polícia ouve cinco pessoas, entre elas os donos de um bar, um restaurante e uma farmácia que pagavam pelo serviço do grupo.26 de agosto: Aluisio presta depoimento, e a polícia informa suas 14 anotações criminais.Em depoimento, Aluisio apresentou a própria versão. Disse que coordena há mais de 25 anos um grupo de apoio que atua nas proximidades das ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, sem CNPJ, com quatro integrantes, contando ele e os dois seguranças presos. Segundo ele, os membros não se denominam "seguranças", mas "apoiadores", e não tinham autorização para abordar ou seguir pessoas suspeitas, impedir que deixassem algum local, fazer revista pessoal ou reter objetos. A orientação, afirmou, era acionar o 190 em ocorrências graves, sem emprego de força física. Aluisio disse ainda que soube da morte de Cláudio dias depois, que uma testemunha relatou um pedido de silêncio feito por Davi e que o funcionário negou participação no crime. Ele admitiu que já havia recebido reclamações sobre o comportamento agressivo de Davi, que teria agredido um homem em situação de rua. A TV Globo tentou contato com a defesa de Aluisio, sem sucesso até a última atualização da reportagem.A investigação sustenta outra leitura. Comerciantes de um bar, um restaurante e uma farmácia confirmaram em depoimento, segundo a Folha, que pagavam pela segurança privada irregular de Davi e Jorge, e são investigados por possível contribuição com o esquema de vigilância clandestina; o filho do dono do bar é investigado por omissão de socorro. Jorge, ao se entregar, confessou ter participado da abordagem e disse ter presenciado parte das agressões, conforme a CNN Brasil. Os quatro presos, dois seguranças e dois entregadores, respondem por homicídio triplamente qualificado, crime hediondo.O caso expôs a atuação de vigilantes irregulares na Zona Sul carioca. Entidades do setor de segurança privada, reunidas na terça-feira (25) em Brasília, cobraram da Polícia Federal, órgão responsável por autorizar empresas de vigilância, uma fiscalização mais rigorosa, informou a Folha. O próximo passo do inquérito é a captura do quinto agressor, que aparece nas imagens chutando a cabeça da vítima: segundo O Dia, o Tribunal de Justiça do Rio expediu mandado de prisão contra Wellington Luiz Santos de Souza, identificado pela polícia como autor dos chutes. O depoimento de Aluisio será anexado à investigação da 12ª DP, que não divulgou prazo para a conclusão.

HBHenrique Barros
justice

Ex-vereador Camilo Cristófaro é condenado a 1 ano e 9 meses por injúria racial

A Justiça de São Paulo condenou o ex-vereador Camilo Cristófaro a 1 ano, 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime aberto, por ofensas e injúria racial contra uma líder comunitária, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo. A sentença é de primeira instância, e o ex-parlamentar, cassado por racismo em 2023, poderá recorrer em liberdade.A reportagem da Folha, publicada nesta quinta-feira (27), não informa a vara responsável pela sentença nem detalha as ofensas. O caso se soma ao histórico judicial de Cristófaro. Em junho de 2022, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) o denunciou por injúria racial e ameaça contra a auxiliar de enfermagem Dilza Maria Pereira. Conforme a denúncia, baseada em investigação do 2º Distrito Policial do Bom Retiro e divulgada pelo Poder360, o então vereador teria dito sobre a vítima: "Negra safada. E além de negra safada era uma negra ladra, sem poder nenhum de voz". A Folha não esclarece se a condenação desta semana decorre dessa denúncia.Semanas depois, em julho de 2022, o MPSP apresentou uma segunda denúncia contra Cristófaro, desta vez pelo crime de racismo, por causa da frase "é coisa de preto, né?", captada pelo microfone aberto do vereador durante sessão remota da CPI dos Aplicativos, na Câmara Municipal, em 3 de maio daquele ano. A promotoria pedia indenização por dano moral coletivo e a declaração de perda do mandato. Nessa ação penal, Cristófaro foi absolvido: em julho de 2023, um juiz concluiu não haver racismo na fala, segundo o site Migalhas.No plano político, o desfecho foi diferente. Em setembro de 2023, a Câmara Municipal cassou o mandato de Cristófaro após processo por quebra de decoro parlamentar. Ele foi o primeiro vereador de São Paulo a perder o mandato por racismo, de acordo com o Alma Preta Jornalismo.Linha do tempo do caso3 de maio de 2022: a frase "é coisa de preto, né?" é captada durante sessão remota da CPI dos Aplicativos;9 de junho de 2022: o MPSP denuncia Cristófaro por injúria racial e ameaça contra a auxiliar de enfermagem Dilza Maria Pereira;8 de julho de 2022: segunda denúncia, pelo crime de racismo, referente à frase dita na sessão da CPI;Julho de 2023: a Justiça absolve o vereador na ação penal sobre a fala na CPI;Setembro de 2023: a Câmara Municipal cassa o mandato de Cristófaro;27 de agosto de 2026: o ex-vereador é condenado a 1 ano, 9 meses e 10 dias de reclusão em regime aberto por injúria racial contra uma líder comunitária.Um dia após o episódio na CPI, em 2022, Cristófaro divulgou um vídeo ao lado de funcionários negros com o título "racismo é um erro, eu peço perdão" e afirmou, nas redes sociais, que não é racista. "Venho de uma geração onde as piadinhas eram normais e preciso passar por uma desconstrução desses preconceitos", disse ele na ocasião, segundo o Poder360. A defesa do ex-vereador não foi localizada pela reportagem da Folha para comentar a condenação.O próximo passo processual é a apresentação de recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que Cristófaro pode protocolar em liberdade. Não há prazo ou data de julgamento informados até o momento. Como a sentença é de primeira instância, a condenação ainda não transitou em julgado.

HBHenrique Barros
military

Morre Ratko Mladic, o 'carniceiro dos Bálcãs' condenado pelo genocídio de Srebrenica

O ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, condenado à prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra na Bósnia, morreu nesta quinta-feira (27) no centro de detenção das Nações Unidas em Haia, na Holanda. Ele tinha 83 anos. A informação foi divulgada pela emissora de Belgrado Informer TV e reproduzida pelo G1, que classificou a própria cobertura como em atualização.Mladic comandou o Exército da República Sérvia (VRS) durante a guerra da Bósnia (1992-1995), conflito que deixou cerca de 100 mil mortos. Ficou conhecido como "o carniceiro dos Bálcãs" por dois episódios centrais de sua condenação: o cerco de Sarajevo, que durou quase quatro anos e matou mais de 10 mil pessoas, e o massacre de Srebrenica, em julho de 1995, quando tropas sob seu comando executaram mais de 8 mil homens e meninos bósnios muçulmanos. O episódio é reconhecido pelos tribunais internacionais como o único genocídio cometido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.Linha do tempo do caso1995: o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) denuncia Mladic por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra;1996-2011: foragido da Justiça por cerca de 16 anos, com proteção de redes de apoiadores na Sérvia;maio de 2011: preso no vilarejo de Lazarevo, na Sérvia, e extraditado para Haia;novembro de 2017: condenado à prisão perpétua em 10 das 11 acusações, incluindo o genocídio de Srebrenica;junho de 2021: o Mecanismo Residual da ONU, que sucedeu o TPII, rejeita o recurso e confirma a sentença em caráter definitivo;27 de agosto de 2026: morre no centro de detenção da ONU em Haia.A acusação sustentou, ao longo do julgamento, que Mladic exerceu comando e controle efetivo sobre as tropas que cometeram as atrocidades, tese aceita pelos juízes em duas instâncias. A defesa sempre negou as acusações. Em audiências, Mladic afirmou que defendia seu país e seu povo e classificou as imputações como monstruosas. Ele jamais manifestou remorso pelas mortes em Srebrenica e boicotou parte das sessões do recurso. Na Sérvia e na República Srpska, entidade sérvia da Bósnia, setores nacionalistas ainda o tratam como herói de guerra.Como a sentença já havia transitado em julgado em 2021, a morte não altera o resultado judicial do caso: não há recurso ou etapa processual pendente. Até a publicação desta reportagem, o Mecanismo Residual da ONU não havia divulgado comunicado formal sobre o óbito nem sobre a causa da morte. Mladic tinha histórico de problemas de saúde, e seus advogados pediram diversas vezes, sem sucesso, a soltura por motivos humanitários.

HBHenrique Barros
police

Operação do Bope na Cidade de Deus tem confrontos e ônibus como barricadas

Uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), unidade de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), provocou intensos tiroteios e bloqueios de vias na comunidade da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (27). Segundo informações divulgadas pela corporação e apuradas pela Folha de S.Paulo, criminosos utilizaram ao menos dois ônibus e contêineres de lixo para erguer barricadas e tentar frear o avanço dos blindados policiais.Os primeiros relatos de disparos começaram ainda na madrugada, logo após o ingresso das equipes táticas na região. Em represália à incursão policial, a Avenida Miguel Salazar Mendes de Morais, principal corredor viário da Cidade de Deus, foi totalmente interditada pelo atravessamento dos veículos coletivos. O bloqueio forçado de vias com ônibus repete a tática adotada no dia anterior na Zona Norte do Rio, quando 19 coletivos foram sequestrados durante confrontos armados entre agentes da PM e criminosos na comunidade do Fubá, entre Cascadura e Campinho.Durante as diligências desta quinta-feira, os policiais militares prenderam dois homens sob suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas local, dominado pela facção Comando Vermelho. Com os investigados, os agentes apreenderam uma pistola, um radiotransmissor, porções de entorpecentes e galões contendo combustível, material que teria sido preparado para queimar as barricadas nas ruas. Em redes sociais, moradores relataram que um indivíduo teria sido baleado durante o confronto armado, mas a assessoria da PMERJ afirmou que o suposto ferimento não foi confirmado oficialmente pela corporação.Os dois homens detidos e os materiais apreendidos foram encaminhados para a delegacia da Polícia Civil responsável pela área, onde o caso foi registrado em flagrante. Os investigados permanecem sob custódia estatal e devem ser apresentados em audiência de custódia perante a Justiça fluminense dentro do prazo legal de 24 horas, ocasião em que o juízo avaliará a legalidade do procedimento policial e decidirá sobre a eventual decretação de prisão preventiva.

HBHenrique Barros
crime

Polícia Civil prende 26 suspeitos em megaoperação contra facção no RN

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte cumpriu pelo menos 26 mandados de prisão e dezenas de ordens de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira, durante a quinta fase da Operação Renorcrim. A ação mobilizou equipes policiais em oito municípios potiguares com o objetivo de desarticular a estrutura de comando e a logística financeira de uma organização criminosa que atua no estado. Ao todo, a Unidade Judiciária de Delitos de Organizações Criminosas (UJUDOCRIM) expediu 59 mandados judiciais. As diligências ocorreram na capital, Natal, e nas cidades de Parnamirim, Macaíba, São José de Mipibu, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Areia Branca e João Câmara. De acordo com informações apuradas pela Inter TV Cabugi e divulgadas pelo G1, houve troca de tiros durante a tentativa de captura de um dos alvos, que conseguiu fugir, e um cão da raça pitbull morreu no confronto. A operação também contou com apoio aéreo de helicóptero e da Polícia Penal, responsável pela fiscalização de investigados que usavam tornozeleira eletrônica. Linha do tempo e estrutura hierárquica O inquérito policial teve início em 2024, quando os investigadores passaram a aprofundar a coleta de dados sobre a divisão de tarefas dentro do grupo. Ao longo das etapas anteriores, cruzamentos de inteligência permitiram mapear funções específicas, desde a execução direta de crimes até a transmissão de ordens e o repasse de recursos financeiros. Em nota oficial, a Polícia Civil destacou o alcance da ofensiva contra a cadeia de comando: A partir de diligências investigativas, levantamentos de campo, cruzamento de informações policiais e análise de dados, foram identificados integrantes que exerciam diferentes funções dentro do grupo. A continuidade do trabalho investigativo possibilitou ampliar a compreensão sobre o funcionamento interno da organização, estabelecer vínculos entre os investigados e identificar integrantes que ainda não haviam sido alcançados pelas etapas anteriores. Próximos passos processuais Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes apreenderam armas de fogo, porções de entorpecentes, veículos e quantias em dinheiro. Em respeito ao princípio da presunção de inocência, os investigados permanecem sob custódia e terão suas identidades resguardadas até a conclusão das apurações formais. O material recolhido será submetido à perícia técnica oficial. Nos próximos dias, os presos devem passar por audiência de custódia perante a Justiça estadual, enquanto a Polícia Civil finaliza os relatórios individuais de indiciamento para subsidiar eventuais denúncias do Ministério Público.

HBHenrique Barros
Elections

Modelo de segurança de El Salvador enfrenta limites jurídicos e práticos no Brasil

O debate sobre a aplicação da política de segurança pública de El Salvador no Brasil ganhou espaço nas prévias eleitorais de 2026. Pré-candidatos de centro-direita e direita, como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos, têm defendido a adoção de diretrizes inspiradas nas ações do presidente salvadorenho Nayib Bukele para conter facções criminosas. Especialistas em segurança e direito processual penal, contudo, apontam barreiras legais e estruturais que inviabilizam a transposição direta dessa estratégia.Linha do tempo e contrastes operacionaisA ofensiva em El Salvador teve início em março de 2022, quando o Congresso local aprovou um regime de exceção que suspendeu garantias constitucionais, permitiu prisões sem mandado prévio e ampliou a custódia cautelar sem acusação formal. O resultado foi uma queda expressiva nos homicídios, mas acompanhada de denúncias de detenções ilegais. No Brasil, analistas destacam que a natureza do crime organizado difere substancialmente das gangues salvadorenhas.Em entrevista à BBC News Brasil, o cientista político e pesquisador Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarapé, explicou que organizações brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) operam sob estruturas financeiras complexas e redes transnacionais de tráfico. Enquanto as gangues Mara Salvatrucha (MS-13) e Barrio 18 mantinham controle estritamente territorial e identificação visual por tatuagens, as facções brasileiras atuam na economia formal e na lavagem de capitais.Garantias constitucionais e limites processuaisDefensores do endurecimento penal alegam que o encarceramento massivo e a resposta rápida das forças policiais são indispensáveis para restabelecer a ordem pública e conter a violência urbana. Por outro lado, juristas e analistas de segurança sustentam que a Constituição brasileira de 1988 impõe limites rigorosos ao poder punitivo estatal, preservando a presunção de inocência, o direito à ampla defesa e a exigência de autorização judicial fundamentada para medidas cautelares.Segundo Muggah, medidas focadas unicamente em prisões em massa sobrecarregariam o sistema prisional sem desarticular os esquemas financeiros das lideranças do narcotráfico. O tema deve pautar os próximos debates entre os postulantes ao Planalto, antes do registro definitivo dos planos de governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

HBHenrique Barros
crime

Portuga, ligado a André do Rap, é preso em Santos e autuado em flagrante

A Polícia Civil de São Paulo recapturou Leandro Teixeira de Andrade, conhecido como "Portuga" ou "Benfica", em um apartamento no bairro Aparecida, em Santos. Apontado pelas autoridades como operador logístico do Primeiro Comando da Capital (PCC), o réu estava foragido da Justiça Federal e acabou novamente autuado em flagrante por tráfico de drogas após a apreensão de materiais em seu esconderijo. O histórico judicial de Andrade remonta a 2013, quando se tornou alvo de uma ação penal na 5ª Vara Federal de Santos ao lado de outros quatro réus, entre eles André de Oliveira Macedo, o "André do Rap". Em 2015, a Justiça Federal condenou o grupo por tráfico internacional de entorpecentes. Enquanto os demais acusados fugiram, Andrade chegou a ser preso em 2017. Em novembro de 2025, a 5ª Vara Federal de Santos expediu novo mandado de prisão para a execução do restante da pena definitiva, fixada em oito anos e nove meses em regime fechado. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), investigadores da 2ª Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) do Deic de Santos localizaram o endereço após cruzamento de dados de inteligência. No imóvel na Avenida Epitácio Pessoa, os agentes apreenderam 4 mil dólares, telefones celulares, um veículo, uniformes de trabalho de dois terminais portuários, um saco com pó branco e um caderno. O delegado Leonardo Rivau afirmou que as anotações detalhavam fórmulas químicas para diluir cocaína e impregnar o entorpecente em peças de vestuário para exportação. Durante o interrogatório policial, Andrade optou por exercer o direito ao silêncio e recusou-se a fornecer padrões gráficos para perícia grafotécnica. Em declaração à imprensa, o advogado de defesa Felipe Pires de Campos afirmou que a recaptura decorreu da condenação federal de 2013. O defensor declarou que "a autoridade policial entendeu que os objetos que estavam dentro do imóvel possibilitaram uma nova prisão flagrante por tráfico de drogas" e ressaltou que a defesa ainda analisa o procedimento instaurado para definir os recursos cabíveis. O diretor do Deinter 6, Luiz Carlos do Carmo, informou que a Polícia Civil aprofundará as investigações sobre a rede de contatos e os materiais recolhidos. Andrade permanecerá sob custódia à disposição do Poder Judiciário para audiência de custódia referente ao novo auto de prisão em flagrante, devendo em seguida ser encaminhado ao sistema prisional para o início do cumprimento da pena pendente de oito anos e nove meses.

HBHenrique Barros
drug-trafficking

Motorista paraguaio é detido com 1,1 tonelada de maconha em carga de arroz

A Polícia Militar Rodoviária de São Paulo apreendeu 1.151,6 quilos de entorpecentes escondidos em um caminhão de transporte de grãos na divisa entre os municípios de Ourinhos (SP) e Jacarezinho (PR). O condutor do veículo, um homem de 24 anos de nacionalidade paraguaia, foi autuado em flagrante por suspeita de tráfico de drogas na tarde de quinta-feira (27).A interceptação ocorreu durante ações de fiscalização da Operação Impacto. Segundo a corporação, os agentes realizaram uma inspeção no semirreboque e localizaram dezenas de fardos ilegais ocultados em meio a uma carga de arroz. A pesagem oficial apontou 1.139,35 quilos de maconha prensada e 12,3 quilos de dry sift, um extrato refinado de resina de cannabis.Após a constatação do ilícito, o motorista foi detido e levado para a Delegacia da Polícia Federal em Marília (SP). O veículo, o semirreboque e toda a substância apreendida foram lacrados e encaminhados para perícia técnica criminal. As autoridades federais instauraram um inquérito policial para mapear a rota do transporte e identificar eventuais financiadores ou destinatários do carregamento no território nacional.O cidadão paraguaio permanece sob custódia da Polícia Federal e mantém a condição de investigado, com garantias constitucionais de presunção de inocência e ampla defesa. O próximo passo processual consiste na realização da audiência de custódia na Justiça Federal, ocasião em que o magistrado plantonista avaliará a regularidade formal da prisão em flagrante e decidirá sobre a eventual conversão da medida em prisão preventiva.

HBHenrique Barros
mining

PF indicia ex-número 3 da corporação por corrupção em caso de mineração

A Polícia Federal indiciou formalmente o delegado Rodrigo Teixeira, ex-diretor de Administração e Logística da instituição, sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e embaraço a investigação de organização criminosa. O indiciamento faz parte das investigações da Operação Rejeito, que apura supostos esquemas ilícitos ligados à exploração mineral em Minas Gerais e à Agência Nacional de Mineração (ANM), conforme noticiou a Folha de S.Paulo.Histórico e acusações no setor minerárioTeixeira ocupou o posto de diretor administrativo da corporação entre janeiro de 2023 e março de 2025, figurando como o terceiro cargo mais alto na hierarquia da PF durante o governo Lula. Em setembro de 2025, o delegado chegou a ser preso preventivamente durante a deflagração da primeira fase da operação. Além dele, outras nove pessoas foram indiciadas no relatório conclusivo, incluindo uma delegada da Polícia Federal e o lobista Gilberto Horta Carvalho.De acordo com o relatório da PF, o delegado mantinha "atuação oculta e ativa no mercado minerário, mediante a utilização de pessoas jurídicas interpostas e articulações com empresários investigados". O documento aponta ainda que teria havido o uso da estrutura policial para intimidar uma empresa concorrente de Teixeira no setor de extração mineral.Manifestação da defesa e próximos passosEm nota à imprensa, a defesa do delegado rebateu as conclusões policiais. O advogado Bruno Cesar afirmou que o documento omitiu depoimentos de outros delegados que haviam afastado qualquer hipótese de interferência em investigações. A defesa classificou as acusações como frágeis e sustentou que o relatório "é carente de substrato probatório e só faz repetir a mendaz retórica que inaugurou essa famigerada operação", ressaltando que os fatos foram apurados sem a realização do contraditório judicial prévio.Com a conclusão do inquérito policial e a formalização dos indiciamentos, o relatório final segue para o Ministério Público Federal (MPF). Caberá aos procuradores analisar o material reunido para decidir se oferecem denúncia à Justiça Federal, se solicitam novas diligências ou se arquivam o procedimento em relação aos investigados.

HBHenrique Barros
public-safety

PF bloqueia R$ 7 milhões de grupo investigado por tráfico de drogas em MS

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (27) a Operação Little Bag para desarticular um esquema interestadual de transporte de entorpecentes sediado em Mato Grosso do Sul. Durante a ação, agentes federais cumpriram quatro mandados judiciais de prisão preventiva e ordens de busca e apreensão nos municípios de Dourados e Itaporã. A Justiça estadual também determinou o sequestro e o bloqueio de contas bancárias e patrimônio avaliados em mais de R$ 7 milhões pertencentes aos investigados.De acordo com a PF, as investigações tiveram início em 2025, após sucessivas apreensões de grandes carregamentos de maconha que somavam mais de R$ 4 milhões em cargas ilícitas. A partir do rastreamento da rota e dos veículos interceptados naquele período, os investigadores identificaram uma estrutura logística estável montada em solo sul-mato-grossense, voltada ao abastecimento de redes de distribuição clandestinas nas regiões Sudeste e Sul do Brasil.A autoridade policial informou que as medidas cautelares cumpridas nesta fase buscam recolher novos documentos, aparelhos eletrônicos e registros contábeis capazes de delimitar a conduta individual dos alvos, confirmando ou descartando a participação de cada um no esquema. Como o processo tramita sob segredo de justiça na Comarca de Dourados, os nomes dos investigados e os detalhes dos bens sequestrados não foram divulgados, e as respectivas defesas técnicas ainda não se pronunciaram publicamente.Com o cumprimento das ordens judiciais, o material recolhido será submetido à perícia técnica do Instituto de Criminalística da corporação. Os investigados permanecem sob custódia e devem prestar depoimento formal nos próximos dias. Concluída essa etapa pericial, a autoridade policial deve finalizar o relatório do inquérito e remetê-lo ao Ministério Público para a decisão sobre o oferecimento de denúncia criminal à Justiça.

HBHenrique Barros
money-laundering

Operação Peça-Chave apura movimentação de R$ 146 milhões em autopeças ilegais

A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira (27), a Operação Peça-Chave para investigar um suposto esquema de contrabando de autopeças e lavagem de capitais. A apuração fiscal aponta que o grupo investigado movimentou mais de R$ 146 milhões entre 2018 e 2023 sem documentação de comprovação contábil válida. Ao todo, agentes federais e auditores cumpriram nove mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo. As ordens judiciais partiram da 5ª Vara Federal de Campo Grande, que autorizou o recolhimento de documentos, aparelhos eletrônicos, obras de arte, joias e quantias em espécie superiores a R$ 5 mil cuja procedência legal não seja demonstrada no ato. Origem das suspeitas e método de distribuição O caso começou a ser delineado após os órgãos de controle financeiro detectarem saques vultosos em espécie e transferências bancárias atípicas em agências situadas na faixa de fronteira. Conforme a representação fiscal, os investigados adquiriam autopeças de fabricação estrangeira introduzidas no país à margem dos trâmites aduaneiros regulares. Segundo os auditores da Receita Federal, o transporte das mercadorias pelo território nacional utilizava notas fiscais fraudulentas. Essas notas eram emitidas por empresas de fachada, conhecidas como "noteiras", que simulavam transações comerciais inexistentes para mascarar itens que sequer constavam nos registros de entrada de estoque dos depósitos. Lavagem de bens e próximos passos A investigação também aponta indícios de ocultação patrimonial por meio de intermediários. Os auditores identificaram contas bancárias em nome de pessoas sem lastro econômico compatível, mas ligadas aos principais alvos, empregadas para receber os valores gerados pelo comércio clandestino. Todo o material recolhido durante as buscas desta quinta-feira será submetido a perícia técnica e cruzado com os dados fiscais e bancários já obtidos pelos investigadores. O inquérito policial permanece sob acompanhamento da Justiça Federal, que aguardará o relatório final das autoridades antes de qualquer eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal.

HBHenrique Barros
Politics

Tebet cobra explicações de Derrite sobre suspeitas de corrupção policial em SP

Em ato de campanha em São José dos Campos nesta quarta-feira (26), a candidata ao Senado Simone Tebet (PSB) cobrou esclarecimentos públicos do ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), sobre denúncias de corrupção e infiltração do crime organizado na cúpula das polícias paulistas durante a gestão dele na pasta estadual.Derrite comandou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo por três anos no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) antes de se desincompatibilizar para disputar o Senado. Segundo Tebet, o ex-secretário terá de prestar contas ao eleitorado sobre investigações que apontam suspeitas de elos entre agentes de segurança e facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A candidata também apontou irregularidades na gestão de pessoal, como o afastamento de coronéis de postos estratégicos em favor de capitães, além de apurações envolvendo o comando-geral da Polícia Militar.Apesar das críticas à condução local, Tebet afirmou concordar com o diagnóstico de Tarcísio sobre a dimensão transfronteiriça das facções. Ela defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública apresentada pelo governo federal, argumentando que o combate ao crime organizado exige uma coordenação nacional por meio de um ministério próprio, sem retirar a autonomia administrativa dos estados.O embate ocorre em meio a um empate técnico na corrida pelas duas vagas ao Senado por São Paulo. De acordo com pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (25) sob o registro SP-06946/2026 no Tribunal Superior Eleitoral, Derrite soma 12% dos votos totais, empatado numericamente com Marina Silva (Rede), com 12%, e Tebet, com 11%. A disputa pelas cadeiras da bancada paulista segue até o primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro.

HBHenrique Barros
Politics

MP de SP denuncia Arthur do Val, o 'Mamãe Falei', por incitação ao crime

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, por incitação ao crime. A denúncia foi apresentada na terça-feira (25) pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal, e tem como base comentários feitos pelo ex-parlamentar em um vídeo publicado em seu canal no YouTube sobre a Operação Carbono Oculto, segundo reportagem do Metrópoles confirmada em nota oficial do próprio MPSP.De acordo com a denúncia, Arthur do Val afirmou no vídeo: "Oh! Vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro para o crime organizado tem que ser morto". A fala faz referência aos operadores do mercado financeiro investigados por lavar dinheiro de um esquema que, segundo a força-tarefa responsável, tem núcleos comandados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Para o Ministério Público, a declaração configura incitação pública à prática de crime, conduta prevista no artigo 286 do Código Penal, que estabelece pena de detenção de três a seis meses ou multa.Linha do tempo do casoAgosto de 2025: MPSP, Ministério Público Federal, Polícia Federal e outros órgãos deflagram a Operação Carbono Oculto, contra um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis;25 de agosto de 2026: o promotor Roberto Bacal apresenta a denúncia contra Arthur do Val por incitação ao crime, com base no vídeo publicado no YouTube;26 de agosto de 2026: o caso vem a público em reportagens de Metrópoles, VEJA e Brasil 247.Deflagrada em agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto reuniu cerca de 1.400 agentes de instituições como MPSP, Ministério Público Federal, Polícia Federal, polícias Civil e Militar, Receita Federal, Agência Nacional de Petróleo (ANP), Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria da Fazenda, com apoio do Gaeco. À época, a força-tarefa afirmou se tratar da maior operação contra o crime organizado da história do país. Segundo a Receita Federal, uma rede de 1.200 postos de combustíveis movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas pagou apenas R$ 90 milhões (0,17%) em impostos. Para lavar o dinheiro do esquema, o grupo teria usado 40 fundos de investimento com patrimônio de R$ 30 bilhões, geridos por operadores da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.Arthur do Val é ex-deputado estadual de São Paulo e teve o mandato cassado após o vazamento de áudios com comentários sexistas sobre refugiadas ucranianas. Ele está inelegível até 2030 e, em julho deste ano, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, manteve a cassação. Atualmente filiado ao partido Missão, segundo o Metrópoles, ele tenta retomar a carreira política.O Metrópoles informou que tentou contato com Arthur do Val para solicitar um posicionamento sobre a denúncia, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem; o espaço segue aberto para manifestação. Com a denúncia oferecida, o próximo passo do caso é a análise pela Justiça paulista, que decidirá se aceita ou não a acusação do MPSP. Somente se a denúncia for recebida o ex-deputado passará à condição de réu. Ainda não há data prevista para essa decisão.

HBHenrique Barros
Tech

STF pode retomar nesta quinta julgamentos sobre vínculo com plataformas e Marco Civil

O Supremo Tribunal Federal (STF) pode retomar nesta quinta-feira (27) dois julgamentos de alcance nacional: a discussão sobre a existência de vínculo empregatício entre plataformas digitais e trabalhadores, a chamada "uberização", e a validade de um trecho do Marco Civil da Internet que exige decisão judicial para o acesso a dados de tráfego de usuários, incluindo informações que permitam identificar quem utilizou determinado endereço de IP. Segundo o G1, o que a Corte decidir no caso trabalhista deverá ser seguido por toda a Justiça. Mais de 10 mil ações aguardam uma definição, e o julgamento pode impactar cerca de 1,7 milhão de trabalhadores ligados a aplicativos.De acordo com a Migalhas, o presidente da Corte, Edson Fachin, alterou a pauta e informou que a sessão desta quinta começará por ações sobre o Marco Civil e sobre investigação conduzida por delegados; os recursos das plataformas digitais não abrirão a sessão. O G1 informa que a análise da "uberização" deve recomeçar com o voto do próprio Fachin, relator de um recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, da Uber contra entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST).O caminho dos processosA discussão trabalhista chegou ao Supremo por meio de recursos de duas plataformas contra decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram o vínculo. O recurso da Uber contesta entendimento do TST; o da Rappi questiona decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) que reconheceu o vínculo de emprego de um motofretista. Já a ação sobre o Marco Civil foi ajuizada pela Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) e começou a ser julgada no plenário virtual em dezembro de 2025, quando o relator, Cristiano Zanin, e o ministro Dias Toffoli votaram pela validade da norma.No voto, Zanin defendeu que autoridades podem requisitar diretamente dados cadastrais básicos dos usuários, como nome, filiação e endereço, mas que o acesso a dados de tráfego exige autorização judicial específica, por restringir direitos fundamentais. Para o relator, esse tipo de metadado pode revelar hábitos, rotinas e redes de relacionamento.Os argumentos das partesA Justiça do Trabalho tem reconhecido o vínculo sob o argumento de que os aplicativos de transporte e entregas exercem, na prática, a atividade-fim de empresas de transporte ou logística. As plataformas alegam ser "empresas de tecnologia" que apenas fazem a intermediação da prestação de serviços, sem subordinação, já que os trabalhadores definem horários e viagens, e pedem o reconhecimento da livre iniciativa e da liberdade econômica. Os trabalhadores afirmam que há supervisão das plataformas e que seguem o "comando do algoritmo", que define preço, rota, ranqueamento e bloqueio, o que caracterizaria relação de emprego.No julgamento, a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu proteção contratual aos trabalhadores dentro de um ambiente de inovação tecnológica, o que abriria caminho para direitos mínimos como piso remuneratório, limite diário de horas de conexão, recolhimento de contribuições previdenciárias e seguro de vida. O Ministério Público do Trabalho (MPT) pediu que o vínculo seja analisado caso a caso e também defendeu um piso mínimo de direitos, observando que o trabalho por plataformas já alcança médicos, enfermeiros e professores. Uma referência no debate é a Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), recém-aprovada, considerada o primeiro pacto global sobre plataformas digitais, com parâmetros mínimos como liberdade sindical, negociação coletiva e remuneração compatível com os pisos de cada país.Nos bastidores, segundo o G1, há expectativa de que Fachin vote por uma linha intermediária, com garantias mínimas, e de que haja maioria para afastar o vínculo empregatício, embora ministros discutam uma tese que reconheça proteções como limite de jornada e contribuição previdenciária. A próxima etapa é a sessão plenária desta quinta-feira (27), que começa pelo caso do Marco Civil; em seguida, a Corte pode retomar o julgamento da "uberização", mas os ministros ainda podem pedir mais prazo para analisar o caso, o que adiaria a conclusão.

HBHenrique Barros
Corruption

Falsa operação policial rouba R$ 800 mil e 30 kg de ouro em Roraima; oito investigados

A Polícia Civil de Roraima investiga oito pessoas, entre elas três policiais civis e um influenciador digital, pela montagem de uma falsa operação policial que roubou R$ 800 mil em espécie e 30 quilos de ouro de uma casa no bairro Caçari, em Boa Vista, em 29 de março de 2026. O caso avançou nesta quarta-feira (26), quando o delegado John Allan Cunha Castilho e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, ambos da Polícia Civil do Amazonas, tiveram prisões preventivas cumpridas pela Polícia Federal no Amazonas, na segunda fase da investigação conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Roraima, segundo o g1 e a FolhaBV.De acordo com a investigação, o influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, de 33 anos, conhecido nas redes como "Itz Ivan", intermediava vendas de ouro de garimpeiros e decidiu dar um golpe nas duas partes de uma negociação marcada na própria casa dele. Por volta das 19h, homens armados, de touca e com roupas escuras semelhantes às da polícia, invadiram o imóvel portando distintivos e usando uma viatura oficial descaracterizada, simularam uma prisão em flagrante, renderam o comprador do ouro e o próprio Ivan, que se passou por vítima, e fugiram com o minério e o dinheiro.Quem são os investigadosA Draco atribui papéis distintos aos oito investigados. Ivan é apontado como um dos mentores do crime e operador financeiro do esquema; foi denunciado e preso em 21 de agosto, em Florianópolis, onde a polícia apreendeu celulares, computadores e um carro de luxo. Após o roubo, ele passou a ser ameaçado por garimpeiros, fugiu para Manaus e comprou imóveis milionários, segundo o g1. Castilho, primo do influenciador, teria recrutado Diego Araújo, dado cobertura tática do lado de fora da casa e ajudado o primo a levar o produto do roubo para o Amazonas. O investigador de Roraima Marcelo Henrique de Araújo Sobral é apontado como o comandante da falsa abordagem e teria recebido pelo menos R$ 200 mil da venda do ouro; preso na primeira fase, responde em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica, e está afastado do cargo. Durante a ação policial, ele ainda foi preso em flagrante por fraude processual ao danificar o próprio celular, segundo o g1. O cunhado dele, Guilherme Santana da Silva, entrou na casa com os policiais sob a promessa de receber R$ 150 mil e confessou participação no crime à polícia. Também foi presa na primeira fase Ariane Cabral Paes, esposa de Sobral. Ao todo, três investigados estão presos, um está foragido e quatro respondem em liberdade.A primeira fase da operação, deflagrada em 21 de agosto, cumpriu quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão, com bloqueio judicial de cerca de R$ 20 milhões em bens e valores. A apuração envolve a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Roraima, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e o Controle Externo da Atividade Policial. Segundo o g1, os investigadores também apuram a participação de integrantes do grupo em outros roubos que teriam causado prejuízo superior a R$ 23 milhões no estado; a FolhaBV relata um episódio de janeiro em Alto Alegre, no qual uma apreensão de ouro de um garimpeiro teria sido simulada.Cronologia e o que diz a defesaJaneiro de 2026: a corregedoria inicia apurações que identificam o uso de uma viatura da Polícia Civil de Roraima em crimes, segundo o g1; a FolhaBV situa o início da investigação em março, após uma denúncia de roubo.29 de março: a falsa operação rouba o ouro e o dinheiro no Caçari; o comprador registra o assalto na polícia.21 de agosto: a primeira fase prende Ivan em Florianópolis e outros três investigados em Roraima.25 de agosto: a Justiça decreta a prisão preventiva do delegado Castilho.26 de agosto: a segunda fase cumpre as preventivas de Castilho e Diego Araújo no Amazonas.A defesa de Castilho, dos advogados Gabriel Mourão e Carlos Villa Real, afirmou à FolhaBV que recebeu a prisão "com surpresa" e que, em 19 de agosto, o juiz das garantias havia registrado expressamente a ausência de indícios de participação do delegado, rejeitando na época pedidos de busca na residência dele e de quebra dos sigilos bancário e fiscal. "John Allan Cunha Castilho nega, de forma veemente, qualquer participação nos crimes que lhe são imputados. Não participou de planejamento, não participou de execução, não recebeu proveito", diz a nota, que destaca ainda que ele é concursado, primário e não foi ouvido antes da prisão, decretada por outro juízo. Os advogados ressalvam que a prisão preventiva é medida cautelar e não antecipa culpa. O g1 informou que tenta contato com as defesas dos demais citados.Como próximo passo, a defesa de Castilho informou que atuará nos autos para esclarecer os fatos e contestar a preventiva, enquanto a Draco segue investigando os demais roubos atribuídos ao grupo. Um dos oito investigados permanecia foragido até a noite desta quarta-feira.

HBHenrique Barros
justice

MP-SP denuncia 16 pessoas por desvio de metanol para adulteração de combustíveis

O Ministério Público de São Paulo denunciou 16 pessoas sob acusação de integrar uma organização criminosa que desviava metanol para a adulteração de combustíveis na Grande São Paulo, informou a Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (26). O caso também foi noticiado pelo G1. Entre os denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, apontado pelo MP como um dos principais financiadores do esquema. A denúncia foi apresentada pelo núcleo de Guarulhos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).Segundo a Folha, os denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O MP também aponta indícios de adulteração de combustíveis, crimes tributários, crimes contra o consumidor, estelionato, falsidade documental e crimes ambientais. Conforme o documento, Beto Louco teria utilizado as empresas Aster, Copape e Duvale para movimentar recursos milionários relacionados às atividades investigadas. O grupo teria atuado entre 2017 e 2025.A apuração indica que a organização se valia de uma rede de empresas químicas, transportadoras, distribuidoras, instituições de pagamento e fundos de investimento para desviar o metanol, um insumo de aquisição e uso controlados, adulterar combustíveis e ocultar a origem dos recursos obtidos com a fraude. A denúncia descreve uma estrutura permanente montada para simular a compra do produto:"Os elementos colhidos autorizam afirmar que existe uma estrutura perene para forjar a aquisição de metanol para a suposta produção de biodiesel, com produto jamais remetido ao destino formal-documental, e a efetiva entrega do produto em autopostos, exatamente para adulterar combustíveis e majorar os lucros", afirma o MP na denúncia, segundo a Folha.O caso é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis. Em 28 de maio, o Gaeco deflagrou a segunda fase da operação, chamada Fluxo Oculto, com 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados contra um esquema de lavagem de dinheiro com fintechs e de adulteração de combustível com nafta, segundo a CNN Brasil.Cronologia do caso2017 a 2025: período em que a organização teria atuado, conforme a denúncia;Maio de 2023: a Polícia Rodoviária Federal encontrou metanol com um dos envolvidos, episódio que deu origem à investigação;28 de maio de 2026: o Gaeco deflagra a segunda fase da Operação Carbono Oculto, voltada a fintechs e fundos de investimento;Maio de 2026: o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, rejeita a proposta de delação premiada apresentada por Beto Louco; segundo a CNN Brasil, a recusa foi motivada por omissões;26 de agosto de 2026: o MP-SP denuncia 16 pessoas.A Folha procurou a defesa de Beto Louco por WhatsApp na tarde desta quarta-feira, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.A denúncia será agora analisada pela Justiça, que decidirá se aceita as acusações e abre um processo criminal contra os investigados. Somente com o recebimento da denúncia eles passarão à condição de réus; até eventual condenação transitada em julgado, todos são presumidamente inocentes. Não há data divulgada para a decisão.

HBHenrique Barros
public-safety

Ônibus viram barricadas na Zona Norte do Rio após operação da PM com 1 morto e 5 presos

Criminosos tomaram ônibus do transporte coletivo e os atravessaram como barricadas em vias de Cascadura, na Zona Norte do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (26), em retaliação a uma operação da Polícia Militar nas comunidades do Campinho e do Fubá. A ação, conduzida por equipes do 9º BPM (Rocha Miranda) e do 18º BPM (Jacarepaguá), deixou um suspeito morto e ao menos quatro pessoas presas. O G1 contabilizou 19 ônibus usados nos bloqueios e cinco presos; a Agência Brasil e o jornal O Globo, com base nas primeiras informações da PM e do sindicato Rio Ônibus, registraram 18 coletivos e quatro prisões.O homem que morreu foi identificado por O Globo como Jeferson Ferreira da Silva, de 19 anos. De acordo com o relato do comando da operação, homens armados entraram em confronto com os policiais e fugiram para uma área de mata; Jeferson ficou para trás do grupo e foi encontrado desacordado pelos agentes. Segundo a PM, ele sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Um segundo suspeito foi baleado e socorrido no Hospital Estadual Carlos Chagas. Até a última atualização das reportagens, a corporação não havia informado o estado de saúde dele. Todos os detidos são tratados como suspeitos, sem qualquer condenação no caso.Cronologia da manhãInício da manhã: equipes do 9º e do 18º BPM entram no Campinho e no Fubá; segundo a PM, há confronto e fuga dos suspeitos para a mata.Em seguida: um suspeito sofre parada cardíaca durante a fuga e morre; outro é baleado e hospitalizado; quatro são presos.Fim da manhã: criminosos rendem motoristas e atravessam ônibus na Rua Clarimundo de Melo, na Avenida Ernani Cardoso e na Avenida Dom Hélder Câmara; um caminhão também é usado como bloqueio.Por volta de 12h30: todos os ônibus já haviam sido liberados, e as linhas entraram em processo de normalização, segundo o Rio Ônibus.Ao todo, o Rio teve ao menos 54 linhas de ônibus com trajetos alterados nesta quarta-feira em reações orquestradas pelo tráfico a operações policiais, informou O Globo. Na região de Cascadura, o sindicato Rio Ônibus registrou impacto em 33 linhas. Em Água Santa, três linhas tiveram a circulação afetada, e uma faixa da Linha Amarela no sentido Barra da Tijuca foi interditada na altura do Túnel da Covanca, sendo liberada pouco antes do meio-dia, segundo a concessionária Lamsa.Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Militar afirmou que o objetivo dos criminosos era "desmobilizar a atuação das equipes" e listou o material apreendido: uma pistola, uma granada, um rádio comunicador, seis carregadores de fuzil e um carregador de pistola, além de entorpecentes cuja quantidade ainda era contabilizada. O policiamento foi reforçado com equipes do Bope, do Batalhão de Choque, do Batalhão Tático de Motociclistas, do BPVE e do 3º BPM (Méier), além do Recom, segundo a Agência Brasil."As ações criminosas são reflexo das operações planejadas da Polícia Militar contra a facção criminosa que atua nas Comunidades do Campinho, do Fubá, do Morro do 18, da Praça Seca e diversas outras de Jacarepaguá", afirmou a corporação, em comunicado reproduzido por O Globo.As aulas foram mantidas: até 12h15, nenhuma escola da rede estadual havia fechado, e as unidades municipais do Fubá e do Campinho atendiam presencialmente, segundo as secretarias de Educação. Na saúde, uma unidade de atenção primária suspendeu o atendimento, e outras duas cancelaram atividades externas, como visitas domiciliares, informou a Secretaria Municipal de Saúde. Os presos em flagrante devem ser apresentados à Polícia Civil, que instaura o inquérito; até a última atualização, a PM não havia informado para qual delegacia eles foram encaminhados, nem divulgado novidades sobre a apuração formal da morte de Jeferson.

HBHenrique Barros
justice

Dino amplia acesso da PF a provas do 'Dark Horse'; cogita-se concentrar caso no STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar integralmente o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre a produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (26) pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, libera não apenas os relatórios já produzidos pela polícia paulista, mas também documentos, dados brutos extraídos das mídias apreendidas e os registros da cadeia de custódia, o histórico de como as provas foram coletadas, armazenadas e analisadas. A medida atende a um pedido da própria PF.A investigação apura o financiamento do longa-metragem, que teria recebido cerca de R$ 61 milhões por meio do fundo americano Havengate Development, ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A PF apura se parte desses recursos foi usada para custear despesas do ex-deputado durante sua permanência nos Estados Unidos. Eduardo nega ter recebido dinheiro por essa via. O caso veio a público depois que o Intercept Brasil revelou conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que indicariam um acordo de cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme. Flávio inicialmente negou que o Master tivesse financiado a produção; depois, confirmou ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro, afirmando que os recursos foram usados integralmente na produção.Uma perícia contratada pela GoUp Entertainment, produtora do filme, avaliou apenas os gastos da empresa, sem examinar a origem dos recursos do Havengate. Segundo o laudo, citado pelo Poder360, o gasto total com a produção somou US$ 3,72 milhões no Brasil e US$ 9,66 milhões nos Estados Unidos entre junho de 2025 e junho de 2026, classificados no documento como recursos privados sem vinculação a verba pública ou à Lei Rouanet. O perito responsável, Anisio Castelo Branco, disse ao jornal O Globo que não tinha autorização para auditar o fundo Havengate, e que rastrear a origem do dinheiro repassado por ele foge do escopo de seu trabalho.Disputa institucional em torno da apuraçãoSegundo Sadi, investigadores da PF avaliam, nos bastidores, propor que todas as frentes relacionadas ao financiamento do filme sejam concentradas no STF, sob relatoria de Dino, num processo de federalização do caso. A movimentação poderia partir de um pedido da própria PF ou de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR); segundo a coluna, isso não significa que a federalização já esteja decidida, mas apenas que é um dos próximos passos considerados possíveis. O pedido de acesso a dados brutos, e não somente ao material já selecionado pela Polícia Civil, indica que os investigadores federais querem examinar as provas originais e formar conclusões próprias.O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, saiu em defesa da atuação da Polícia Civil paulista e classificou como desrespeitosas as críticas de que a investigação teria sido "segurada" no estado. Em entrevista um dia antes da decisão de Dino, Tarcísio afirmou que cumpriria a determinação do STF para compartilhar os documentos da apuração sobre a ONG ligada ao filme e negou que houvesse atraso na investigação conduzida em São Paulo. A ampliação do acesso da PF, na leitura da coluna de Sadi, sinaliza desconfiança institucional em relação à condução do caso pela polícia estadual, movimento que ganhou repercussão política no contexto da campanha eleitoral de 2026, na qual Tarcísio é aliado de Flávio Bolsonaro.Não há data marcada para uma decisão sobre a federalização da apuração; trata-se, por ora, de discussão interna entre investigadores, que pode ou não avançar por meio de pedido formal da PF ou da PGR. O ministro André Mendonça também conduz, no STF, outra frente relacionada à investigação sobre o filme, além da apuração sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até a publicação desta reportagem, nem a PF nem a PGR haviam formalizado pedido de federalização do caso Dark Horse.

HBHenrique Barros
justice

PF aponta pedido de lobista para Lulinha ajudar Careca do INSS

A Polícia Federal aponta, em investigação preliminar, que a lobista Roberta Luchsinger pediu a intervenção de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT), para tentar fechar negócios de interesse de Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, com o Ministério da Saúde. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (26).Mensagens acessadas pela PF no celular da empresária mostram pressão sobre Lulinha para que ele participasse de discussões sobre a tentativa de contratação de material derivado de canabidiol e de kits para teste de dengue. Segundo a reportagem, nenhum dos contratos chegou a ser fechado.Linha do tempoEm 23 de janeiro de 2025, conforme mensagens citadas pela PF, Roberta já reclamava que Careca do INSS pressionava para que os negócios de seu interesse fossem fechados rapidamente, e que o empresário não tinha coragem de exercer a mesma pressão diretamente sobre Lulinha. Os diálogos mostram movimentações da lobista para viabilizar os negócios antes de Fábio Luís se mudar para a Espanha, o que ocorreu em 2025. As informações constam em investigação preliminar e em representação da PF enviadas ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que abriu inquérito sobre o caso. O material tramita sob sigilo.O que dizem as defesasProcurada pela Folha, a defesa de Fábio Luís afirma que ele começou a preparar a mudança para a Espanha ainda em 2024 e que mantém vínculo profissional com uma empresa espanhola sem relação direta ou indireta com o governo brasileiro. Em nota, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, disse: 'Ele vive na Espanha exclusivamente com o resultado do seu trabalho. Uma vida simples, mas muito digna e sem luxo, ao contrário do que estão dizendo.'A defesa nega qualquer atuação de Lulinha em favor dos negócios de Careca do INSS. 'Nunca, em nenhum momento, fez nenhuma intervenção e nenhuma reunião', afirma o advogado, que classifica as conclusões da PF como especulativas: 'Nos autos, não tem nada que desminta isso. O que a Polícia Federal tem é um quebra-cabeça de ilações, com inferências não conclusivas.' As defesas de Roberta Luchsinger e de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, foram procuradas pela Folha às 9h15 desta quarta-feira e não se manifestaram até a publicação da reportagem. Anteriormente, a defesa de Roberta havia dito que não se posicionaria sobre um inquérito em sigilo.Até o momento, nenhum dos citados na apuração é réu em ação penal, e o inquérito segue sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF, sem data anunciada para conclusão ou eventual denúncia. O andamento do caso depende da manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre as diligências já realizadas pela PF.

HBHenrique Barros
police

Câmeras corporais mostram PMs atirando em homem antes de ordem de parada em SP

Imagens de câmeras corporais usadas por dois policiais militares mostram o momento em que Wesley dos Reis, de 41 anos, é atingido por um disparo durante uma abordagem na zona sul de São Paulo. O material, obtido pelo G1, indica que o tiro foi feito antes da ordem formal de parada e que a viatura perseguiu a motocicleta em que Wesley estava com a sirene desligada. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela própria Polícia Militar.Segundo o registro dos fatos, o episódio ocorreu em 5 de julho. Wesley voltava de moto da festa de aniversário de dois anos da neta, a cerca de dois quilômetros de distância, quando os soldados Lucas Benitelli da Costa e Héctor Luiz de Macedo passaram a seguir duas motocicletas durante um patrulhamento na região. Na moto em que Wesley era passageiro, seguia também o condutor; em outra motocicleta estavam a mulher dele, Pâmela, e o filho do casal. As imagens mostram os policiais comentando pelo rádio que uma das placas estaria parcialmente coberta e comunicando uma possível fuga de veículo, ainda sem acionar a sirene.De acordo com a gravação, os policiais deram ordem para que Wesley parasse a moto e, quase simultaneamente, Héctor efetuou o disparo que o atingiu no tórax. A sirene da viatura só foi ligada depois do tiro. Wesley chegou a ser socorrido e levado a um hospital, mas não resistiu. Os agentes seguiram por um trecho a motocicleta em que estavam Pâmela e o filho antes de retornar ao local onde Wesley caiu.Versões conflitantes sobre a abordagemÀ Polícia Civil, os policiais relataram que as duas motocicletas tinham características semelhantes às de veículos usados em roubos na região, segundo informações operacionais que diziam ter recebido, e que a placa parcialmente coberta por fita reforçou a suspeita. Segundo o relato de Lucas e Héctor, quando a viatura se aproximou e a ordem de parada foi dada, Wesley teria feito um movimento para erguer uma das mãos, encoberta pelo casaco, o que os levou a temer que ele fosse sacar ou apontar uma arma. Diante disso, afirmam, Héctor disparou uma única vez. Nenhuma arma foi mencionada como encontrada com a vítima no relato divulgado até agora.Já o condutor da motocicleta em que Wesley estava na garupa deu à polícia uma versão diferente. Segundo ele, ouviu o barulho de pneus e alguém gritar "para, para" e, ao olhar para o lado, já ouviu o disparo e viu Wesley cair. Por medo, acelerou e fugiu, dizendo achar que se tratava de um assalto. A irmã de Wesley, Grazieli, relatou que o sobrinho, filho da vítima, presenciou parte da cena e contou à família que os policiais "não chegaram a abordar" nem "mandar parar formalmente", apenas atiraram. "Quando eles olham para o lado, é o tempo que ele atira", disse Grazieli.Em nota ao SP1, da TV Globo, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou que os casos são apurados pelas polícias Civil e Militar e que, segundo o registro policial, os PMs afirmam ter atirado porque um dos ocupantes das motos fez "menção de estar armado" durante a fuga de uma abordagem. A pasta informou que as imagens das câmeras corporais estão sendo analisadas pelo DHPP e pela corregedoria da PM para esclarecer os fatos, e que Lucas Benitelli da Costa e Héctor Luiz de Macedo foram afastados das ruas e cumprem, por ora, serviço administrativo. Nenhum dos dois foi formalmente indiciado até a divulgação das imagens; a apuração segue em curso, sem data anunciada para conclusão.

HBHenrique Barros
crime

Menina de 10 anos é baleada por disparo perdido em pula-pula no RS

Uma menina de 10 anos foi atingida por uma bala perdida na tarde de sábado (22) enquanto brincava em um pula-pula em Sapiranga, no Vale do Sinos, Região Metropolitana de Porto Alegre. A informação é do G1 Rio Grande do Sul, que apurou o caso junto às autoridades locais.Segundo a polícia, a criança sentiu uma ardência no braço durante a brincadeira e foi levada ao Hospital Sapiranga para atendimento. Um exame de raio-x apontou que o projétil havia se alojado no antebraço direito da menina. Ela passou por um procedimento cirúrgico para a retirada da bala.Testemunhas que estavam no local no momento do disparo relataram à polícia que não ouviram barulho de tiros, o que dificulta a reconstrução do momento exato em que a criança foi atingida. Até a publicação da reportagem do G1, a Polícia Civil não havia identificado a origem do disparo nem indicado suspeitos.O que se sabe até agoraUm resumo dos fatos apurados: a menina brincava em um pula-pula quando sentiu o ferimento; foi socorrida e levada ao hospital municipal; exames confirmaram a presença do projétil no antebraço; a bala foi removida em cirurgia; e a origem do tiro permanece sob apuração policial.Casos de bala perdida costumam esbarrar em dificuldades de investigação justamente pela ausência de um alvo determinado e, muitas vezes, de testemunhas que identifiquem o momento exato do disparo. A Polícia Civil de Sapiranga segue investigando a trajetória e a origem do projétil, mas o G1 não informou prazo para conclusão do inquérito nem data de nova atualização do caso.

HBHenrique Barros
drug-trafficking

PM faz operação contra o CV no Rio após detectar plano de invasão ao Complexo de Israel

A Polícia Militar do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (26), uma operação em comunidades ligadas ao Comando Vermelho (CV) na capital e na Baixada Fluminense depois de identificar, segundo a corporação, um plano da facção para invadir o Complexo de Israel, território dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Em paralelo, a PM iniciou a ocupação por tempo indeterminado das cinco comunidades que formam o complexo, na zona norte da cidade, informou a Agência Brasil.Segundo a CNN Brasil, informações de inteligência indicaram que integrantes do CV vinham realizando reuniões para articular um avanço sobre Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau, comunidades que compõem o Complexo de Israel e são controladas pelo TCP. Para tentar impedir essa movimentação, a corporação atuou nas comunidades do Quitungo, Guaporé, Furquim, Dique e Ficap, na zona norte, e no Parque das Missões, em Duque de Caxias, apontadas pela polícia como áreas de influência do CV. Ao todo, 200 policiais militares participaram da ação, com apoio de seis blindados, 40 viaturas e aeronaves do Grupamento Aeromóvel.Cronologia da ofensivaA sequência de ações começou na terça-feira (25), quando as polícias Civil e Militar cumpriram mandados de prisão contra supostos integrantes do TCP no Complexo de Israel, resultado de investigações da 38ª Delegacia Policial (Brás de Pina). Oito pessoas foram presas, entre elas Luana Rosa de Araújo, apontada pela polícia como braço direito de Álvaro Malaquias Santos Rosa, conhecido como Peixão, apresentado pelas autoridades como uma das principais lideranças do TCP na região. As equipes encontraram um imóvel usado como casamata, com aberturas reforçadas para disparos, além de terem apreendido celulares e outros aparelhos eletrônicos que passarão por perícia.Na mesma frente de ação, policiais foram à comunidade Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, verificar informações de inteligência. Três pessoas foram presas no local e um homem apontado como gerente do tráfico na região morreu depois de, segundo a polícia, atacar os agentes. Dois fuzis, drogas e veículos apontados como roubados foram apreendidos. Nenhuma das pessoas presas nas duas frentes teve ainda desfecho judicial informado publicamente, e a responsabilidade de cada um segue sob apuração das autoridades.Já nesta quarta-feira, teve início a ocupação prolongada do Complexo de Israel em si. Mais de 220 policiais das unidades de operações especiais, incluindo o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o Batalhão de Choque, o Batalhão de Ações com Cães e o 1º Comando de Policiamento de Área, passaram a patrulhar as cinco comunidades 24 horas por dia, com rendição de turno feita no próprio local. "Estamos fazendo o policiamento preventivo e ostensivo, junto ao setor de inteligência. Fazemos varreduras com o Batalhão de Ações com Cães, o Bope e o Choque", disse o porta-voz da corporação, major Maicon Pereira, à Agência Brasil.A PM informou que as principais vias expressas da cidade, como as linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil, seriam fechadas de imediato em caso de confronto armado durante a ocupação. As autoridades também descrevem Peixão como responsável por impor, por meio de uma fachada religiosa, um controle territorial violento sobre as comunidades, incluindo perseguição a moradores de outras religiões, segundo a caracterização feita pela corporação. A Polícia Militar não informou um prazo para o fim da ocupação nem uma data para a conclusão da perícia nos aparelhos eletrônicos apreendidos, etapas que devem orientar os próximos desdobramentos das investigações contra as duas facções.

HBHenrique Barros
crime

CNDH cobra apuracao rigorosa sobre linchamento de ciclista em Copacabana

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), vinculado ao Ministerio dos Direitos Humanos, enviou oficio a Secretaria de Seguranca Publica do Rio de Janeiro cobrando apuracao rigorosa sobre o espancamento e a morte do ciclista Claudio Rafael Landeiro, de 37 anos, ocorridos em 11 de agosto em Copacabana, na Zona Sul da capital fluminense. O orgao pediu informacoes detalhadas sobre a investigacao e providencias das autoridades estaduais, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo.O caso teve repercussao apos imagens de cameras de seguranca mostrarem a sequencia de agressoes. Claudio havia parado com a bicicleta, que pertencia a sua irma, em frente a uma loja na esquina das ruas Barata Ribeiro e Belford Roxo. Segundo apuracao da policia, moradores da regiao suspeitaram que o veiculo fosse roubado e acionaram um seguranca de rua. Pouco depois, dois homens vestidos com mochilas de entrega chegaram de bicicleta e passaram a conversar com a vitima; um terceiro surgiu portando uma vareta e iniciou as agressoes, que somaram mais de 30 pauladas, alem de socos e chutes, conforme reconstituiu a CNN Brasil a partir das imagens.Cronologia do caso11 de agosto: Claudio e espancado em via publica em Copacabana e socorrido pelo Corpo de Bombeiros; e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gavea, e nao resiste aos ferimentos.19 e 20 de agosto: dois suspeitos sao presos pela 12a Delegacia de Policia (Copacabana), responsavel pelo inquerito.21 de agosto: um terceiro suspeito, identificado como Felipe Eduardo dos Santos Silva, se apresenta espontaneamente a policia na Tijuca e e preso temporariamente.24 de agosto: o jornal O Globo revela que o servico de seguranca de rua que atuava na regiao de Copacabana tambem passara a ser investigado.26 de agosto: o CNDH formaliza o pedido de apuracao rigorosa a Secretaria de Seguranca Publica do Rio.Segundo a familia de Claudio, a suspeita de furto que motivou a abordagem inicial era falsa, ja que a bicicleta pertencia a irma da vitima. Parentes afirmam que ele morreu em decorrencia de traumatismo craniano e hemorragia interna, causados pelos golpes. A policia identificou ao todo quatro suspeitos no episodio; tres ja foram presos, dois em flagrante e um apos se entregar, enquanto o quarto segue sendo procurado pelas autoridades. Nenhum dos investigados foi formalmente denunciado pelo Ministerio Publico ate o momento, e todos permanecem sob presuncao de inocencia enquanto o inquerito da 12a DP nao e concluido.O caso tambem passou a ser acompanhado pela Comissao de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), segundo o O Globo. A Secretaria de Seguranca Publica do Rio ainda nao havia se manifestado publicamente sobre o oficio do CNDH ate a publicacao desta reportagem. O proximo passo do caso e a conclusao do inquerito pela 12a DP, que deve incluir a localizacao do quarto suspeito identificado e a apuracao sobre o funcionamento do servico de seguranca de rua envolvido no episodio, antes de eventual remessa do caso ao Ministerio Publico para decisao sobre denuncia.

HBHenrique Barros
Federal Police

Polícia Civil de SP envia à PF dados de operação contra ONG ligada ao filme sobre Bolsonaro

A Polícia Civil de São Paulo encaminhou nesta quarta-feira (26) à Polícia Federal, em Brasília, os documentos da Operação Wi-Fi, deflagrada em junho contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB). O envio ocorre depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o compartilhamento dos dados a pedido da PF, segundo apurou o G1.O ICB pertence a Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Polícia Civil apura, na Operação Wi-Fi, suspeitas de fraude em um contrato de wi-fi público firmado com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano. Nenhum dos investigados foi denunciado ou tornou-se réu até o momento; o caso segue em fase de inquérito.Como o caso chegou ao STFO inquérito federal foi aberto depois que Dino solicitou à Controladoria-Geral da União (CGU) uma apuração sobre emendas parlamentares dos deputados Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis destinadas ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades que, segundo a investigação, estariam ligadas a um mesmo núcleo de gestão coordenado por Karina Gama. O objetivo da apuração aberta pelo STF é verificar se recursos de emendas parlamentares podem ter sido usados para financiar a produção do filme sobre Bolsonaro.Ao STF, a Polícia Federal argumentou que o instituto está no centro da apuração sobre as emendas e que o material recolhido pela Polícia Civil em endereços da ONG, da empresária e de outras empresas ligadas a ela poderia ajudar a aprofundar e acelerar a investigação federal. Dino considerou o pedido pertinente e compatível com o entendimento do STF para esse tipo de compartilhamento de provas entre polícias.O que foi enviado à PFSegundo o G1, os delegados paulistas remeteram a íntegra do inquérito estadual, incluindo documentos, depoimentos e relatórios de investigação, além de provas brutas, como dados já extraídos de celulares apreendidos. Parte dos aparelhos, porém, ainda não havia passado pelo processo de extração no Instituto de Criminalística, seja por estarem na fila de análise, seja por limitações técnicas dos sistemas paulistas para quebrar a criptografia dos dispositivos. Nesses casos, a Polícia Civil enviou os próprios aparelhos à PF; caso os peritos federais consigam acessar o conteúdo, o material será posteriormente repassado de volta à polícia de São Paulo.Com os dados em mãos, a PF pretende analisar computadores, celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamento e registros financeiros considerados relevantes para o inquérito, além de detalhar as relações empresariais de Karina Gama e eventuais doações eleitorais ligadas aos investigados. O caso do financiamento do filme já rendeu repercussão política: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse à Folha de S.Paulo nesta quarta-feira considerar 'esclarecido' o episódio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de Dark Horse, desde que 'nenhum fato novo apareça'.Não há data definida para a conclusão da apuração conduzida pela Polícia Federal sob supervisão do STF. O andamento do inquérito depende agora do resultado da extração de dados dos aparelhos ainda pendentes e da análise do material já repassado pela Polícia Civil de São Paulo.

HBHenrique Barros
children

Casal de pastores é denunciado por estupro de seis adolescentes em Roraima

O Ministério Público de Roraima (MPRR) denunciou à Justiça os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24, por crimes sexuais contra ao menos seis adolescentes em Boa Vista. A peça foi apresentada no dia 21 de agosto pela Promotoria de Justiça Especializada em Crimes contra a Dignidade Sexual, Crimes do Estatuto da Criança e do Adolescente e Estatuto do Idoso, e teve o conteúdo revelado pelo g1 nesta quarta-feira (26). O casal está foragido desde julho, quando a Justiça decretou a prisão preventiva dos dois.Segundo a denúncia, as vítimas identificadas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) têm entre 12 e 17 anos. O MP afirma que o casal seguia um padrão de abordagem: Wenderson fazia uma aproximação inicial cordial e "brincalhona", enquanto Arielly fazia convites e oferecia atenção às adolescentes. Depois, os dois isolavam as vítimas, distorciam passagens bíblicas para apresentar os abusos como se tivessem propósito espiritual e exploravam o temor reverencial das jovens à autoridade pastoral. O relatório da Polícia Civil aponta ainda que os investigados ofereciam dinheiro e outras vantagens para que o silêncio fosse mantido.Wenderson foi denunciado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly foi denunciada por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. O MPRR pediu a condenação dos dois e o pagamento de indenização por danos morais às vítimas: R$ 560 mil contra Wenderson e R$ 195 mil contra Arielly.A cronologia do casoAgosto de 2021: a congregação comandada pelo casal tem a ata de fundação datada deste mês; a igreja foi formalizada em 2022 no bairro Cinturão Verde, zona Oeste de Boa Vista, com Wenderson na presidência e Arielly na vice-presidência.Abril de 2026: o representante de uma adolescente de 14 anos registra boletim de ocorrência; outras cinco vítimas procuram a polícia em seguida.27 de abril: segundo o depoimento de uma vítima, o casal deixa Boa Vista levando dinheiro dos dízimos e das ofertas da igreja.16 de julho: a Polícia Civil conclui o inquérito e indicia os dois, conforme revelou a CNN Brasil.Julho: a Justiça decreta a prisão preventiva do casal.21 de agosto: o MPRR apresenta a denúncia à Justiça.Ao longo do inquérito, a polícia identificou 11 possíveis vítimas, mas cinco delas optaram por não prestar declarações, segundo a CNN Brasil. Uma jovem de 20 anos também foi indiciada, sob suspeita de destruir provas no telefone de Wenderson, por fraude processual e corrupção de menores. Para a delegada Kamilla Basto, responsável pelas investigações, trata-se de um "caso desafiador", diante do "elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento". Em reportagens anteriores, a polícia informou que o casal teria fugido para o Amazonas após as primeiras denúncias.O g1 procurou a defesa dos pastores, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem; a CNN Brasil também informou que tentava contato com os advogados do casal. Como a denúncia ainda não foi analisada pela Justiça, Wenderson e Arielly têm, neste momento, a condição de denunciados, e não de réus, e mantêm o direito à presunção de inocência.O próximo passo do caso é a análise da denúncia pela Justiça de Roraima. Se o juiz responsável aceitar a peça do Ministério Público, o casal passará à condição de réu e será aberto o processo criminal, com audiências e fase de instrução. Não há data definida para essa decisão. Os mandados de prisão preventiva seguem em aberto, e os dois continuam foragidos.

HBHenrique Barros
Flavio Bolsonaro

Perícia contratada por produtora não rastreou origem do dinheiro do 'Dark Horse'

A perícia privada contratada pela GoUp Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não conseguiu rastrear a origem dos recursos repassados pelo fundo americano Havengate Development para financiar o longa-metragem. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e reproduzida pelo Poder360 nesta quarta-feira (26). Segundo o repórter Eduardo Gonçalves, esse mapeamento é considerado fundamental pela Polícia Federal para apurar se o filme foi usado para desviar recursos.O perito responsável pela avaliação, Anisio Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa, afirmou ao O Globo que analisou apenas os recursos efetivamente gastos pela GoUp e que não tinha autorização para auditar o fundo Havengate. 'Eu não sei quanto foi enviado do Brasil aos EUA, nem sei se foi enviado, porque eu não estou investigando o fundo, eu não falo pelo fundo, eu não pertenço ao Havengate', disse.'São informações que fogem do nosso espectro, nós não trabalhamos no fundo Havengate, não temos nenhum contato com o fundo. Do ponto de vista de como o fundo é alimentado, não sei quanto ele tem de capital, se tinha dinheiro só do filme, se tinha R$ 100 milhões, R$ 1 bilhão. Isso é uma informação sigilosa do fundo', afirmou o perito ao jornal.A controvérsia em torno do filme começou em maio, quando o site Intercept Brasil revelou mensagens trocadas entre o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que indicavam um acordo de cerca de R$ 134 milhões para financiar a produção. Segundo a Folha de S.Paulo, os pagamentos teriam sido feitos por meio de transferências de uma empresa ligada a Vorcaro, a Entre Investimentos e Participações, para o Havengate, fundo sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos. De acordo com a Polícia Federal, documentos apontam que cerca de R$ 61 milhões passaram pelo fundo rumo ao filme, valor que Flávio chegou a reconhecer ter captado de Vorcaro após inicialmente negar qualquer financiamento do Banco Master.Investigação sobre despesas de Eduardo BolsonaroA Polícia Federal apura se parte dos recursos repassados pelo Havengate foi utilizada para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro por meio do fundo de investimento, e Flávio afirma que os recursos foram usados integralmente no filme. Em maio, ao ser questionado por jornalistas, Flávio disse ter pedido tanto à produtora quanto ao fundo que 'se organizassem para fazer uma prestação de contas a todo mundo das despesas que foram feitas em função desse investimento do filme, de forma transparente, em até 30 dias'.Apesar da promessa, segundo a Folha, Flávio terceirizou a divulgação do balanço para a GoUp e não manteve o compromisso de transparência específico sobre o fundo americano. Em 20 de agosto, o candidato disse que o caso Dark Horse era 'página virada' e que não tinha mais obrigação de comentar o financiamento do filme, já que a prestação de contas encomendada pela produtora havia sido vazada para a imprensa. O laudo em questão, porém, integra um inquérito sobre suspeita de mau uso de emendas parlamentares na produção e, segundo o O Globo, não traz informações sobre o caminho dos recursos no exterior, o que mantém em aberto a principal dúvida da Polícia Federal sobre a origem do dinheiro.

HBHenrique Barros
Elections

Flávio terceiriza prestação de contas do Dark Horse e repasse de fundo dos EUA segue sem detalhes

O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, terceirizou para a produtora Go Up Entertainment a divulgação do balanço financeiro do filme Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sem cumprir a promessa de transparência sobre o repasse feito pelo fundo americano Havengate, que intermediou parte do financiamento da obra. A informação é da Folha de S.Paulo.A polêmica em torno do filme começou em maio, quando o site The Intercept revelou mensagens trocadas entre Flávio e o então dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nas quais o senador pedia dinheiro para bancar a produção. Segundo a reportagem, o valor total negociado chegou a R$ 134 milhões, dos quais o ex-banqueiro efetivamente pagou R$ 61 milhões. Os recursos teriam sido transferidos por uma empresa ligada a Vorcaro, a Entre Investimentos e Participações, ao fundo Havengate, sediado no Texas e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O episódio levou a Polícia Federal a abrir investigação para apurar se parte do dinheiro do filme serviu para bancar despesas do ex-deputado nos Estados Unidos.Em 19 de maio, cercado por parlamentares do PL, Flávio afirmou a jornalistas que havia pedido à produtora e ao fundo que organizassem, em até 30 dias, uma prestação de contas transparente sobre as despesas do investimento. Dias antes, ele já havia dito que poderia divulgar o contrato de financiamento caso seus advogados autorizassem, alegando que uma cláusula de confidencialidade o havia impedido, em março, de admitir que conhecia Vorcaro. No fim de junho, ao ser procurada pela Folha, a campanha afirmou que a Go Up já havia prestado contas, mas o balanço divulgado pela produtora não trouxe detalhes sobre o trajeto do dinheiro até o fundo americano.Perícia não rastreou dinheiro do fundo americanoSegundo reportagem do jornal O Globo, replicada pelo Poder360, o perito particular contratado pela Go Up para avaliar as contas do filme, Anisio Castelo Branco, afirmou que analisou apenas os recursos efetivamente gastos pela produtora e não teve autorização para auditar o Havengate. "Eu não sei quanto foi enviado do Brasil aos EUA, nem sei se foi enviado, porque eu não estou investigando o fundo, eu não falo pelo fundo, eu não pertenço ao Havengate", disse o perito ao jornal. Ele acrescentou que informações sobre o capital do fundo são sigilosas e fogem do escopo do trabalho que realizou.A Polícia Federal considera esse rastreamento fundamental para apurar se o filme foi usado para desviar recursos, segundo o repórter Eduardo Gonçalves, do O Globo. O laudo do perito foi apresentado em um processo que investiga suspeita de mau uso de emendas parlamentares no filme, mas não contém informações sobre o caminho do dinheiro no exterior, de acordo com o jornal. Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos de Vorcaro por meio do fundo, e Flávio sustenta que todo o dinheiro foi usado "integralmente" na produção do filme.Em 20 de agosto, Flávio classificou o caso Dark Horse como "página virada" e disse não ter mais obrigação de falar sobre o financiamento, argumentando que a prestação de contas encomendada pela produtora já havia vazado para a imprensa. A Folha nota que, apesar dessa declaração, o compromisso original de transparência sobre o repasse do fundo americano ao filme segue sem ser cumprido pelo candidato.

HBHenrique Barros
sao-paulo

Vídeo mostra PM destruindo mobiliário de praça no litoral de SP

Um vídeo gravado por moradores mostra policiais militares destruindo a marretadas e ateando fogo a bancos e mesas de concreto da Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, na Zona Noroeste de Santos, litoral de São Paulo. Segundo o G1, a ação ocorreu durante uma operação na segunda-feira (24) que a Polícia Militar descreveu como voltada a desmobilizar barricadas e pontos de apoio ao tráfico de drogas na região.As imagens, gravadas por testemunhas, mostram os agentes desferindo marretadas nas estruturas e colocando fogo em parte do mobiliário da praça. A cena gerou revolta entre moradores, que se manifestaram nas redes sociais após a divulgação do material. Em nota ao G1, a Polícia Militar afirmou que o espaço estava sob domínio de organização criminosa e havia se tornado inseguro e insalubre para uso da comunidade, já que coberturas, bancos e mesas dificultavam o acesso das forças de segurança e colocavam moradores em risco.A corporação disse que a remoção teve o objetivo estritamente de segurança pública e que o material foi retirado com apoio da Terra Santos, concessionária de limpeza urbana da cidade. Segundo a PM, o local passará a contar com policiamento contínuo e será devolvido ao uso da população. A ocupação desses espaços pelo tráfico priva os cidadãos do direito à convivência e ao lazer, além de representar risco permanente à vida dos moradores do entorno, afirmou a corporação em nota citada pelo G1.A Prefeitura de Santos informou ao G1 que a Prefeitura Regional da Zona Noroeste vai avaliar o local para determinar os reparos necessários. A administração municipal também disse que a Guarda Civil Municipal não foi acionada para a ocorrência e que não houve comunicação prévia sobre a demolição das estruturas; a empresa Terra Santos, segundo a prefeitura, foi chamada pela própria PM apenas para a retirada dos resíduos. O G1 questionou a corporação sobre se havia autorização formal para a remoção das estruturas, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.Apreensões e histórico de violência na praçaDurante a operação, os policiais apreenderam R$ 180,25 em espécie, duas balanças de precisão, um celular, dois pacotes de tubos usados para armazenar entorpecentes, três cadernos de anotações e porções de cocaína, maconha e crack, segundo a PM. Os agentes também identificaram um ponto de furto de água na região e conduziram o responsável à delegacia.A Praça José Lamacchia já foi cenário de diversos confrontos armados com mortes. Em fevereiro de 2024, o policial da Rota Samuel Wesley Cosmo morreu baleado no rosto ao patrulhar sozinho uma viela próxima ao local, episódio que deu início à segunda fase da Operação Verão na Baixada Santista. No mês seguinte, Edneia Fernandes Silva, de 31 anos e mãe de seis filhos, morreu atingida por bala perdida enquanto conversava sentada em um banco da praça. Em abril do mesmo ano, policiais mataram Carlos Henrique Barbosa Garcia, de 26 anos, que segundo a corporação teria ameaçado os agentes no local.

HBHenrique Barros
crime

Golpistas migram do roubo de senhas para clonagem por IA, aponta estudo

Um levantamento inédito da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que golpistas no Brasil estão deixando de lado o tradicional roubo de senhas para investir na 'clonagem' de pessoas com ferramentas de inteligência artificial. A pesquisa, que analisou menções em redes sociais sobre segurança digital entre janeiro e julho de 2026, foi divulgada nesta semana e teve acesso do G1 a alguns dos casos relatados por vítimas.Segundo o estudo, criminosos já usam IA para reproduzir a voz ou a aparência de pessoas reais a partir de fotos, vídeos e outros conteúdos disponíveis na internet. Com esse material, eles criam identidades falsas ou se passam por alguém conhecido da vítima para tornar a abordagem mais convincente, driblando a desconfiança que normalmente protegeria contra golpes mais simples.A Nexus identificou 39,7 mil menções relacionadas a problemas de segurança digital enfrentados por consumidores nas redes sociais no período analisado. Desse total, 2,8 mil menções, o equivalente a 7,3%, tratavam especificamente da manipulação de dados pessoais. O levantamento também registrou 9,1 mil menções a Pix e transações financeiras associadas a preocupações com fraudes.'O estudo também revela um contraste: enquanto criminosos já usam ferramentas de IA para se passar por outras pessoas de formas cada vez mais convincentes, os brasileiros ainda tentam entender o que é deepfake e como funcionam os novos tipos de golpe', afirmou Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, ao G1. Deepfake é a técnica que usa inteligência artificial para criar ou alterar imagens, vídeos e áudios de forma realista, podendo colocar o rosto de uma pessoa no corpo de outra ou simular alguém dizendo algo que nunca disse.Golpes mapeadosEntre as fraudes identificadas pelo levantamento está o chamado 'SIM swap', em que criminosos se passam pela vítima para pedir à operadora de telefonia um novo chip, alegando que o original foi roubado ou danificado. Quando a troca é feita, o chip da vítima para de funcionar e o número passa a receber chamadas e mensagens no aparelho controlado pelos golpistas, que assim conseguem interceptar códigos enviados por SMS e tentar redefinir senhas de contas em aplicativos como Instagram e WhatsApp. Outro esquema mapeado envolve perfis falsos criados com dados de terceiros para anunciar ingressos de shows que não existem, direcionados a usuários que publicam nas redes sociais que estão à procura de entradas para eventos.Para Tokarski, 'identificar essa lacuna entre o avanço da tecnologia e a familiaridade da sociedade com o assunto é o primeiro passo para proteger o ambiente digital'. O estudo não detalha, até o momento, quantas pessoas efetivamente perderam dinheiro nos golpes por clonagem via IA, mas reforça um alerta que já havia sido levantado em relação ao uso de deepfakes em outros contextos, como propaganda eleitoral.

HBHenrique Barros
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Disputa entre facções deixa mais de 10 mortos em Duque de Caxias

Uma disputa territorial entre facções rivais do tráfico de drogas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, já deixou mais de dez mortos desde o início de agosto, segundo apurou o g1. O confronto opõe traficantes que atuam nas comunidades do Pantanal e do Corte Oito e já envolveu o uso de drones para lançar granadas, além de execuções atribuídas ao chamado tribunal do tráfico.A primeira morte da série foi registrada em 8 de agosto na comunidade do Pantanal, controlada pelo Terceiro Comando Puro. Desde então, 11 homens foram mortos, a maioria deles, segundo as investigações, ligados ao tráfico de drogas. O g1 apurou que sete ataques do Comando Vermelho contra o Pantanal resultaram em dez mortes de suspeitos de envolvimento com o tráfico rival. Uma décima primeira vítima teria sido executada pelos próprios aliados, acusada de repassar informações ao grupo inimigo.No dia 17 de agosto, um morador foi atingido por um tiro na cabeça enquanto voltava da igreja com o filho, tornando-se vítima colateral da disputa. Casos anteriores também atingiram civis na região: em julho, uma idosa foi baleada nas costas na Rua Venâncio Adres, na Vila Leopoldina, área próxima ao território em disputa.Drones e represáliaNo último domingo, dia 23 de agosto, granadas foram lançadas por drone na comunidade do Corte Oito, controlada por Jonatha Hyrval Cassiano da Silva, conhecido como Bochecha Rosa. Segundo testemunhas ouvidas pelo g1, o ataque foi uma represália às mortes registradas no lado rival. Jonatha, que está foragido, já havia sido filmado por uma equipe do programa Fantástico portando uma bazuca anti-drone no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, apontado como quartel-general do Comando Vermelho. Ele responde a investigações por roubo, homicídio, associação para o tráfico e organização criminosa.O conflito também afetou a rotina de serviços públicos na região. Segundo a prefeitura de Duque de Caxias, quatro escolas públicas tiveram atividades impactadas pelos confrontos ou por operações policiais: uma creche precisou acionar o protocolo de segurança em três dias diferentes, e ao menos duas escolas suspenderam atividades em dois dias cada. A unidade de saúde do Pantanal fechou as portas em 18 de agosto e interrompeu atividades externas em três dias ao longo de uma semana.Procuradas pelo g1, a Polícia Militar informou que o 15º BPM, responsável por Duque de Caxias, mantém policiamento ostensivo com equipes a pé, em viaturas e motopatrulhas, ajustado conforme a movimentação da chamada mancha criminal. Já a Polícia Civil disse que os homicídios são investigados pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense e que a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense realiza diariamente ações de inteligência e prisões para reprimir a atuação das facções na região.

HBHenrique Barros
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Quem era Maryna Colucci, conselheira tutelar trans morta em Jacuí (MG)

A morte da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, provocou comoção em Jacuí, no Sul de Minas Gerais. Mulher trans, ela era conhecida na cidade pelo trabalho junto à população e pela disposição em ajudar quem a procurava, segundo o G1. Maryna desapareceu na sexta-feira anterior, por volta das 13h, após sair de casa. O corpo dela foi encontrado enterrado em uma área rural do município na terça-feira (25), a cerca de um metro e meio de profundidade, em local de difícil acesso próximo a uma propriedade rural.Segundo a Polícia Civil, Maryna foi vítima de feminicídio. O principal suspeito é o sargento da Polícia Militar José Sérgio de Oliveira, de 42 anos, que confessou o crime e indicou aos investigadores o local onde havia enterrado o corpo. O delegado chefe do 18º Departamento da Polícia Civil, Marcos Pimenta, disse que durante o fim de semana, com base em informações colhidas na comunidade de Jacuí, surgiu a possibilidade de Maryna ter tido um relacionamento com o policial. Ele afirmou que o suspeito levou a equipe até o local onde relatou "uma desavença" seguida de "um disparo de arma de fogo"."A princípio, nós fomos levados por ele, por esse suspeito, até um local onde ele fala que houve uma desavença e que houve um disparo de arma de fogo. Posteriormente, ele levou, já assustado, o corpo e o desovou, assim dizendo, na zona rural próxima a uma propriedade familiar", afirmou Marcos Pimenta ao G1.José Sérgio foi preso em flagrante por ocultação de cadáver, e a Polícia Civil pediu também sua prisão preventiva pelo envolvimento no feminicídio. Segundo o delegado, o crime ocorreu enquanto o sargento estava de folga, fora do exercício da função policial, o que faz com que ele responda "como cidadão comum". A Polícia Militar informou que abriu processo administrativo para apurar o caso e avaliar a permanência do militar na corporação.Quem era MarynaFamiliares descrevem Maryna como pessoa tranquila e dedicada à família. A irmã, Dalila Cristina de Jesus, disse ao G1 que Maryna era reconhecida na cidade por sua disposição em ajudar as pessoas, "em hospital, prefeitura, com as maiores autoridades", e que ninguém falaria mal dela. A mãe, Regina Silva de Jesus, contou que a filha morava com os pais, mantinha rotina próxima da família e não bebia nem fumava. O pai, Benedito de Jesus, relatou que na sexta-feira do desaparecimento estava em casa com Maryna quando ela recebeu uma mensagem no celular e saiu para encontrar alguém, dizendo que iria conversar com um amigo.As buscas pelo corpo tiveram participação de policiais civis e militares e começaram na manhã de terça-feira, terminando com a localização do corpo à tarde, em região de difícil acesso na estrada que liga Jacuí a Fortaleza de Minas. O delegado Marcos Pimenta afirmou que a polícia trabalha agora para "exaurir todo e qualquer questionamento" sobre as circunstâncias da morte.

HBHenrique Barros
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MPF denuncia família de MG que enviou quase 700 brasileiros ilegalmente aos EUA

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 12 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa liderada por uma família de Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, especializada no envio ilegal de brasileiros aos Estados Unidos. Segundo a apuração, entre 2017 e 2023 o grupo viabilizou a travessia de ao menos 673 pessoas, o que coloca o caso entre os maiores esquemas de contrabando de migrantes já registrados no país. A denúncia foi apresentada à Justiça na semana passada, e os 12 respondem em liberdade.De acordo com o MPF, o grupo cobrava de R$ 50 mil a R$ 100 mil por pessoa pela travessia clandestina e movimentou mais de R$ 40 milhões. Os denunciados responderão por organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.Para os procuradores, o comando do esquema cabia a dois irmãos, responsáveis por captar as vítimas e conduzi-las até a fronteira do México com os Estados Unidos. O pai deles também participava do grupo, e outros familiares atuavam na lavagem dos recursos: ao todo, cinco dos 12 denunciados são da mesma família. A investigação mapeou mais de 300 transferências bancárias feitas diretamente por vítimas aos irmãos, e o dinheiro circulava por contas abertas com documentos falsos ou em nome de terceiros.Vídeos de agradecimento e dívidas forçadasSegundo o MPF, os migrantes eram obrigados a gravar depoimentos em vídeo agradecendo e elogiando o serviço, material usado depois para convencer novas vítimas. Além do pagamento, o grupo exigia a entrega de veículos, a assinatura de notas promissórias e de termos de confissão de dívida e procurações que permitiam a venda de imóveis em favor de integrantes do esquema. Os adultos também eram incentivados a cruzar a fronteira com crianças, para reduzir o risco de deportação ao chegar aos Estados Unidos. Ao menos 223 dos migrantes eram menores de idade, conforme a Operação Siblings, da Polícia Federal, que investigou o caso.A Operação Siblings cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, sendo 11 em Governador Valadares, dois no Espírito Santo e um no Distrito Federal, segundo a CNN Brasil. Também foram decretadas 11 medidas cautelares, com prisões e apreensão de passaportes, além do sequestro de bens que pode chegar a R$ 43 milhões. Duas pessoas foram presas em flagrante durante a ação, uma por posse irregular de munição e outra por resistência, e a polícia apreendeu documentos, dinheiro em espécie, joias e veículos.De acordo com a PF, a organização tinha núcleos especializados na captação de migrantes, na compra de passagens aéreas, em reservas de hotéis, na falsificação de documentos públicos e na abertura de contas bancárias em nome de terceiros. A polícia estima que o grupo agenciou 669 migrantes rumo aos Estados Unidos via México e que mais de 1.500 pessoas, entre adultos e menores, foram vítimas do esquema. Para a PF, foi a maior operação de contrabando de migrantes já realizada em Governador Valadares em número de vítimas, e as penas pelos crimes apurados podem superar 33 anos de prisão.

HBHenrique Barros
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Terceiro suspeito do CV é preso por extorquir candidatos em Forquilha (CE)

A Polícia Civil do Ceará prendeu na manhã de quarta-feira (26) em São Paulo um homem de 21 anos suspeito de integrar o Comando Vermelho e de participar de um esquema de ameaça e extorsão contra candidatos na cidade de Forquilha, no interior cearense, segundo o G1. A identidade do suspeito não foi divulgada pela polícia, que também borrou as imagens da prisão.Conforme as investigações, o indivíduo usava perfis em redes sociais para cometer os crimes contra candidatos da cidade, localizada a 213 quilômetros de Fortaleza. A prisão foi realizada por equipes da Polícia Civil do Ceará com apoio da Polícia Civil de São Paulo.O caso é o terceiro em menos de uma semana envolvendo membros da facção presos por exigir dinheiro para permitir campanhas eleitorais em Forquilha. No dia 20 de agosto, a polícia já havia prendido Gean Barboza Fontenele, de 28 anos, e Francisco Werlysson Feijão Silva, de 19, apontados como responsáveis por cobrar R$ 200 mil de candidatos a deputado para autorizar suas campanhas na cidade.Como as investigações chegaram aos suspeitosSegundo o G1, uma ligação telefônica usada para ameaçar pessoas ligadas ao prefeito de Forquilha, Edinardo Rodrigues Filho (PSB), e um e-mail associado ao número telefônico ajudaram a polícia a identificar a dupla presa em agosto. As investigações também apontam que os dois suspeitos teriam recebido ordens de uma mulher apontada como uma das líderes da facção, que estaria foragida no Rio de Janeiro.Após a prisão desta quarta-feira, o suspeito foi conduzido a uma unidade policial e autuado em flagrante por integrar organização criminosa, mesma tipificação aplicada aos dois primeiros presos no caso. As investigações sobre a atuação do Comando Vermelho na disputa eleitoral de Forquilha continuam.

HBHenrique Barros
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Operação cumpre 48 ordens contra lavagem de dinheiro de facção em 4 estados

Uma operação policial contra integrantes de uma facção criminosa cumpriu 48 ordens judiciais nesta quarta-feira (26) em Mato Grosso, Paraná, Goiás e São Paulo, por suspeita de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, divulgada pelo G1 Mato Grosso, o grupo e empresas ligadas a ele movimentaram mais de R$ 12 milhões entre 2024 e 2025.A ação, batizada de Operação Dissolução Forçada, reúne 18 mandados de busca e apreensão, 24 bloqueios de contas bancárias, que podem somar até R$ 12 milhões, e a suspensão das atividades de seis empresas apontadas como fachadas para movimentar recursos de origem ilícita.Em Mato Grosso, os mandados foram cumpridos nas cidades de Sinop, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Matupá. A operação também chegou a Loanda, no Paraná, Goiânia, em Goiás, e à capital paulista, São Paulo.Como funcionava o esquemaDe acordo com a investigação, a suspeita é de que recursos obtidos por meio de atividades criminosas tenham sido movimentados por pessoas físicas e empresas com o objetivo de ocultar a origem do dinheiro e dar aparência legal aos valores, prática conhecida como lavagem de dinheiro. O bloqueio das contas bancárias e a interrupção das atividades das seis empresas visam impedir que o dinheiro continue circulando e dificultar o funcionamento financeiro do grupo criminoso.Os documentos e materiais apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais serão analisados pela Polícia Civil. Os procedimentos e eventuais apreensões serão encaminhados à Delegacia de Repressão a Entorpecentes e Crime Organizado (Draco) de Sinop, que vai aprofundar a investigação para identificar o grau de participação de cada um dos envolvidos no esquema.

HBHenrique Barros
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Caso Rai: Justiça Militar condena 4 PMs por tortura de torcedor em Porto Alegre

A Justiça Militar do Rio Grande do Sul condenou quatro policiais militares pelo crime de tortura contra o torcedor Rai Duarte, espancado em um banheiro do Estádio Passo D'Areia após uma partida de futebol em maio de 2022, segundo informou o G1. As penas variam de três a oito anos de reclusão.O episódio ocorreu em 1º de maio de 2022, depois do jogo entre Brasil de Pelotas e São José, válido pela Série C do Campeonato Brasileiro, em Porto Alegre. De acordo com o G1, agentes do 11º Batalhão da Brigada Militar entraram no local para controlar uma briga entre torcedores após a partida. Rai, que segundo a denúncia não tinha participado do conflito, foi retirado de um ônibus da torcida do Brasil de Pelotas e algemado por três policiais, sem que o motivo da prisão fosse esclarecido. Ele foi levado, junto com outros torcedores, para um banheiro do estádio, onde foi espancado.Os condenados são os soldados Leandro Duarte Lemes, João Carlos Krauze e Kelli Lisiane Abreu Marques, além do tenente Dilnei Leon, que comandava a equipe policial naquele dia. Outros 13 policiais militares que respondiam ao processo foram absolvidos pela Justiça Militar. O advogado de Rai Duarte informou, segundo o G1, que pretende recorrer da absolvição dos demais agentes.Rai Duarte ficou em coma após as agressões, passou 116 dias hospitalizado e foi submetido a 14 cirurgias. Conforme apurado pelo Ministério Público e citado pelo G1, o torcedor sofreu lesões graves, entre elas hemorragia intra-abdominal, ruptura de artéria cólica média e choque hemorrágico. Em entrevista à RBS TV concedida em julho daquele ano, ainda internado, Rai relatou o episódio:"Me agrediram, me jogaram no chão e depois me levaram para o hospital", disse o torcedor, que afirmou ter sido "agredido covardemente por 5 ou 6 policiais".Defesa nega e promete recorrerO advogado Fábio César Silveira, que representa Leon e Krauze, afirmou ao G1 que "a decisão contraria o contexto probatório dos autos" e informou que vai recorrer. A advogada Ana Carolina Stein, que representa Lemes, fez declaração semelhante, dizendo que "a decisão não reflete o conjunto probatório dos autos". A Justiça Militar não determinou a prisão dos quatro condenados, que vão recorrer da sentença em liberdade.Segundo a acusação do Ministério Público, citada pelo G1, ao todo 12 torcedores foram agredidos por mais de 40 minutos naquela noite, sempre algemados e sem oferecer resistência aos policiais. O MP também apontou que os policiais militares diziam estar acostumados a agredir torcedores do Brasil de Pelotas sempre que o time visitava Porto Alegre, e que os agressores chegaram a ameaçar "enxertar" drogas nos torcedores para incriminá-los, além de prometer represálias caso as agressões fossem denunciadas.

HBHenrique Barros
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Ex-dono da Reag entrega à PGR proposta de delação focada em Vorcaro

O empresário João Carlos Mansur, ex-presidente do conselho de administração da gestora Reag Investimentos, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada com informações centradas em Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (26) pela colunista Natália Portinari, da UOL Notícias.Segundo a apuração da UOL, reproduzida pelo site Times Brasil, a proposta está em fase de ajustes finais antes da assinatura formal e contém 17 anexos com relatos de suspeitas de crimes financeiros. Como parte do acordo, Mansur deverá pagar cerca de R$ 40 milhões em multas, valor que corresponderia ao montante recebido da Reag durante o período em que atuou na empresa. O documento ainda precisa ser formalmente assinado e submetido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para eventual homologação.O foco principal da colaboração é Vorcaro. De acordo com a reportagem da UOL, Mansur descreveu negociações que teria realizado diretamente com o banqueiro e afirmou que, nessas tratativas, ficou claro que Vorcaro sabia dos supostos desvios de recursos do Banco Master.O site BNews, citando a Revista Oeste, havia relatado dois dias antes que a defesa de Mansur e a PGR já haviam chegado a um entendimento sobre a maior parte dos termos de uma eventual delação. Segundo essa reportagem, Mansur é investigado em duas frentes: o caso do Banco Master e a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para apurar suspeitas de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. As tratativas para uma colaboração premiada começaram no fim de 2025, inicialmente com uma proposta ao Ministério Público Federal em São Paulo que não avançou.Mansur e Vorcaro mantinham relações de negócios e chegaram a ser representados pelo mesmo advogado, José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca. Em março, segundo o BNews, investigadores chegaram a cogitar a possibilidade de que os dois apresentassem relatos complementares em eventuais acordos de colaboração separados.O caso Banco MasterVorcaro foi preso em novembro de 2025 no aeroporto quando tentava deixar o país em um jato particular com destino a Malta, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. O caso é apontado como um dos maiores esquemas de fraude bancária já registrados no país, com suspeita de desvio de recursos que somariam bilhões de reais.

HBHenrique Barros
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Criminosos usam ônibus como barricadas em operação na Zona Norte do Rio

Pelo menos dois ônibus foram tomados por criminosos e usados como barricadas na Zona Norte do Rio de Janeiro na manhã desta quarta-feira (26), segundo o G1. Os veículos foram atravessados nas ruas Clarimundo de Melo e Ernani Cardoso, no bairro de Cascadura, de acordo com a concessionária Rio Ônibus.Os bloqueios ocorreram durante uma ação conjunta da Polícia Militar nas comunidades do Campinho e Fubá, com equipes do 9º Batalhão (Rocha Miranda) e do 18º Batalhão (Jacarepaguá). Segundo o comando da operação, o objetivo era reprimir o crime organizado na região.De acordo com a corporação, criminosos armados entraram em confronto com os policiais e fugiram para uma área de mata, onde equipes fazem um cerco para tentar localizar e prender os suspeitos. Uma pistola foi apreendida durante a ação. Ainda segundo a PM, os criminosos teriam sequestrado os ônibus durante a fuga e os atravessado nas vias para dificultar a movimentação dos policiais.O policiamento na região foi reforçado, e os agentes trabalham para liberar as vias e restabelecer o fluxo de trânsito. Até a última atualização da reportagem do G1, não havia registro de feridos.Linhas de ônibus afetadasA Rio Ônibus informou que 19 linhas que passam pela região tiveram impacto nos itinerários, entre elas as linhas 353 (Gardênia Azul-Terminal Gentileza), 624 (Mariópolis-Praça da Bandeira), 745 (Bangu-Cascadura) e 979 (Madureira-Fundão). A concessionária não detalhou quando o serviço deve voltar à normalidade nessas rotas.

HBHenrique Barros
justice

CJF libera R$ 2,7 bi para pagar atrasados do INSS a quem venceu na Justiça

O Conselho da Justiça Federal (CJF) liberou um novo lote de pagamentos de valores atrasados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) destinado a aposentados, pensionistas e outros segurados que venceram ações judiciais contra o instituto, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira (26). O lote reúne processos que foram autuados em julho de 2026, ou seja, cujo pedido de pagamento foi protocolado naquele mês.Segundo o levantamento, foram liberados R$ 2,745 bilhões especificamente para quitar atrasados de ações previdenciárias e assistenciais, como revisões de aposentadorias, auxílio-doença e pensões. O montante cobre 125.963 processos, beneficiando 173.283 pessoas. Somando também ações de outras áreas do direito, o valor total liberado pela Justiça neste lote chega a R$ 3,3 bilhões, de acordo com a Folha.Como funciona a liberaçãoCada tribunal responsável pelo processo segue cronograma próprio para liberar o dinheiro. Na etapa de processamento, o tribunal abre uma conta na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil para depósito dos valores. Depois que o processamento é concluído, o beneficiário pode consultar no site do tribunal responsável em qual banco o pagamento foi disponibilizado.Os atrasados só são pagos após a conclusão do processo judicial, quando a Justiça expede a chamada requisição de pagamento. Isso ocorre depois do 'trânsito em julgado', etapa processual em que a decisão se torna definitiva e não cabe mais recurso de nenhuma das partes. Ou seja, apenas quem já ganhou a ação de forma irrecorrível entra nesses lotes de liberação.Para verificar detalhes sobre o próprio caso, como valor a receber e data de disponibilização, o beneficiário deve acessar o site do tribunal que julgou sua ação. A Folha apurou os dados diretamente com o CJF, órgão responsável por coordenar a administração da Justiça Federal em todo o país.

HBHenrique Barros
health

Conselho de Odontologia do DF cassa registro de dentista acusado de estuprar oito pacientes

O Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal (CRO-DF) decidiu, por unanimidade, cassar o exercício profissional do cirurgião-dentista Gustavo Chiovatto Najjar, acusado de estupro por pelo menos oito pacientes e já condenado em um dos casos. A decisão, tomada no início de agosto, ainda precisa ser confirmada pelo Conselho Federal de Odontologia para ter efeito definitivo, segundo o G1.No documento da decisão, os conselheiros afirmam que a conduta de Najjar violou deveres de 'respeito, dignidade, boa-fé, lealdade, probidade e proteção da pessoa atendida', além de comprometer a confiança na relação entre dentista e paciente. Diante da 'excepcional gravidade das infrações éticas reconhecidas', o colegiado considerou a cassação uma medida adequada e proporcional.Condenação e outras denúnciasEm 2024, Najjar foi condenado pela 3ª Vara Criminal de Brasília a seis anos de prisão, em regime inicial semiaberto, por um dos casos de estupro. Na época, a defesa informou que recorreria da sentença. Segundo a investigação da Polícia Civil, a vítima conheceu o dentista pelas redes sociais e foi ao consultório dele para uma avaliação relacionada a um procedimento estético.A mulher relatou à polícia que, durante a consulta, Najjar passou a fazer perguntas sobre seu corpo e, em seguida, a violentou sexualmente. Exames do Instituto Médico Legal (IML) apontaram lesões compatíveis com abuso sexual, e um exame de DNA identificou material genético compatível com o do dentista a partir de espermatozoides encontrados no material biológico coletado da vítima. Após a primeira denúncia, outras sete mulheres procuraram a Polícia Civil relatando episódios semelhantes.A reportagem do G1 afirma ter procurado a defesa de Najjar para comentar a cassação do registro profissional, mas não obteve resposta até a publicação da matéria original. O espaço permanece aberto para manifestação.

HBHenrique Barros
fraud

Auditor da Receita tentou jogar celular em vaso sanitário durante prisão em Fortaleza

O auditor-fiscal da Receita Federal Francisco Eliezer Viana da Silva, suspeito de receber R$ 6,8 milhões em propina de um esquema de fraudes em importações no Aeroporto de Fortaleza, tentou se livrar do próprio celular jogando o aparelho na caixa de água do vaso sanitário ao perceber a chegada dos policiais federais que foram prendê-lo na terça-feira (25). A informação foi repassada ao g1 por uma fonte ligada às investigações.Segundo a apuração do g1, os agentes precisaram arrombar o apartamento do auditor porque ele não atendeu ao chamado para abrir a porta. Ao entrar no imóvel, a equipe descobriu que o celular havia sido jogado na caixa de água do sanitário. O aparelho foi recuperado, mas ainda não se sabe se será possível restaurar os arquivos. A prisão ocorreu na Operação Snooker 2, ação conjunta de Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal que cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará, e em Salvador, na Bahia. Dois empresários, Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos, foram presos na Bahia, e bens como carros e relógios de luxo foram apreendidos.Servidor concursado da Receita desde 1994, Eliezer ocupava o cargo no Aeroporto de Fortaleza desde dezembro de 2016 e recebia salário mensal de mais de R$ 30 mil. Em junho de 2026, quando já era investigado, chegou a receber R$ 44 mil por conta de uma gratificação natalina. Ele atuava no gabinete da inspetoria do aeroporto e é apontado pelos investigadores como chefe da organização criminosa, em atividade desde pelo menos 2020, sob suspeita de interferir irregularmente em despachos aduaneiros e repassar informações sigilosas de comércio exterior em troca de propina.O esquemaDe acordo com as investigações, o grupo era dividido em quatro núcleos (público, empresarial, financeiro e auxiliar) e atuava em duas frentes. Em uma delas, uma importadora administrada por um empresário cearense trazia joias de prata e as declarava como semijoias ou bijuterias de metal comum, de valor tributário bem menor, com o apoio de Eliezer para obter laudos periciais fraudados. Na outra, um casal de empresários de nacionalidade chinesa subfaturava produtos eletrônicos para pagar menos tributos, também com a intercessão do auditor; a propina paga por esse grupo é estimada em pelo menos R$ 2,5 milhões.A Receita Federal identificou movimentações superiores a R$ 27 milhões entre empresas ligadas ao esquema e a aquisição de cerca de R$ 31,8 milhões em criptoativos sem compatibilidade com as receitas declaradas. Mais de R$ 26 milhões já foram bloqueados em contas de empresas e pessoas físicas, além da apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo. Segundo o Diário do Nordeste, a Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 40 milhões em contas de pessoas jurídicas.Os alvos podem responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação. Ao g1, o advogado de Eliezer, Marcelo Oliveira, disse ter recebido com surpresa a decisão de prisão, pois o auditor já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão e denunciado formalmente pelo Ministério Público, sem fatos novos desde então. Segundo ele, a defesa está tomando "todas as medidas jurídicas necessárias para reverter a prisão decretada, para além da demonstração da sua inocência, junto à ação penal". O g1 não conseguiu localizar as defesas dos dois empresários presos.

HBHenrique Barros
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Brasileiro morre no Camboja após cair em rede de golpes; companheira segue presa

O brasileiro Gabriel Oliveira Araújo Vieira, de 24 anos, morreu no Camboja em julho de 2025 sob suspeita de ter sido vítima de uma rede de tráfico humano, e seu corpo só foi repatriado ao Brasil quase um ano depois, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (25). O caso integra uma série de reportagens do jornal sobre brasileiros aliciados para trabalhar no país asiático e presos em esquemas de golpes online, batizada de 'Carga Humana'.Segundo a reportagem, o corpo de Gabriel ficou por cerca de um ano na funerária Evergreen, nos fundos de um templo budista em Phnom Penh, capital cambojana, até ser liberado para a família. Os pais, a professora Leniêr Quirino, de 54 anos, e o veterinário Daniel de Araújo Vieira, de 55, recusaram a opção de receber apenas as cinzas, mais barata e comum entre famílias de estrangeiros mortos no país, porque precisavam ter certeza de que o corpo era mesmo o do filho. A empresa que teria empregado Gabriel disse à família, por mensagem, que a morte foi causada pela explosão de um micro-ondas, mas não apresentou nenhuma prova que sustentasse essa versão.De acordo com a Folha, Gabriel tinha formação técnica em tecnologia da informação e aceitou uma proposta de emprego em Bancoc, na Tailândia, atraído pela promessa de hospedagem, alimentação e passagens aéreas inclusas. A reportagem aponta o tráfico humano como a principal hipótese para o que ocorreu com ele depois. O Camboja se tornou em 2025 o principal destino de vítimas brasileiras registradas sob o Protocolo Operativo Padrão de Atendimento a Vítimas do Tráfico Internacional de Pessoas, segundo dados do Ministério da Justiça citados pelo jornal.O caso de DanielaO nome de Gabriel aparece ligado ao de Daniela Marys de Oliveira, arquiteta mineira formada pela UFMG que segue presa no Camboja. Segundo reportagem da CNN Brasil, Daniela, então com 35 anos, havia se mudado para o país no início de 2025 para assumir uma vaga de telemarketing, mas recusou participar quando descobriu que a função fazia parte de um esquema de golpes pela internet. Familiares afirmam que, em represália, criminosos plantaram drogas entre seus pertences para forjar um flagrante e chegaram a extorquir a família, ameaçando vendê-la para exploração sexual caso não pagassem um resgate.Daniela foi julgada pelo Tribunal de Justiça do Camboja sem intérprete e condenada, em 12 de novembro de 2025, a dois anos e seis meses de prisão por posse e uso de drogas, segundo a CNN Brasil. A família tinha um prazo de 30 dias após a sentença para recorrer contestando as provas apresentadas pela acusação. Consultado pela emissora, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil vem realizando gestões junto ao governo cambojano e prestando a assistência consular cabível a Daniela, em conformidade com o Protocolo Operativo Padrão de Atendimento às Vítimas Brasileiras do Tráfico Internacional de Pessoas.Os dois casos, tratados por reportagens de veículos distintos, ilustram um padrão identificado por autoridades brasileiras: o recrutamento de trabalhadores com ofertas de emprego aparentemente vantajosas no Sudeste Asiático, seguido de retenção de documentos, coação para atuar em golpes digitais e, em alguns casos, violência ou morte quando as vítimas resistem.

HBHenrique Barros
Flavio Bolsonaro

PF terá acesso a dados da Polícia Civil de SP em nova frente do caso Dark Horse

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que informações colhidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme Dark Horse sejam compartilhadas com a Polícia Federal, segundo reportagem do Correio Braziliense publicada nesta terça-feira (25). A decisão abre uma nova frente de apuração dentro da corporação federal, que já investiga o caso sob outro inquérito.O longa, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi financiado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, hoje preso. Em junho deste ano, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra Karina Ferreira Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. As buscas atingiram também o Instituto Conhecer Brasil (ICB), outra empresa de Karina Gama que mantém contratos de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.Segundo o Correio Braziliense, o foco da operação paulista foi apurar o destino de emendas parlamentares enviadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) à produtora. De acordo com as apurações, Frias destinou R$ 2 milhões ao grupo de Karina Gama em 2024. Nas buscas, foram apreendidos documentos, celulares, computadores e outros itens que agora poderão subsidiar as investigações da Polícia Federal, já que o caso corre sob sigilo no Supremo.Duas frentes de investigaçãoA Polícia Civil e a Polícia Federal mantêm apurações com focos distintos, aponta o jornal. A PF busca saber se houve lavagem de dinheiro no envio de recursos para o filme e se parte dos valores foi usada para manter nos Estados Unidos o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Já os valores empregados na produção do filme e sua relação com o Banco Master são apurados em outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça no STF, que também mira o eventual envolvimento do pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro.As investigações sobre a produtora começaram depois de um pedido de Flávio Dino, relator no STF de processos sobre rastreabilidade e transparência de emendas parlamentares, para que a Controladoria-Geral da União (CGU) apurasse o envio de recursos dos deputados Mário Frias, Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC). Segundo o Correio Braziliense, investigadores têm reclamado, nos bastidores, da demora de Mendonça em autorizar diligências solicitadas no inquérito sob sua relatoria.O caso ganhou destaque em maio, quando vieram à tona conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em que o senador cobrava do banqueiro o pagamento dos R$ 134 milhões prometidos para a produção de Dark Horse, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados, segundo a Folha de S.Paulo. Após o vazamento dos diálogos, Flávio afirmou publicamente estar "100% disposto" a divulgar o contrato do filme com Vorcaro, mas o documento não havia sido apresentado até a publicação da reportagem da Folha nesta terça-feira.

HBHenrique Barros
crime

Estagiário de agência do INSS é preso por fraude em benefícios em Salvador

Um jovem de 21 anos foi preso temporariamente pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (25) sob suspeita de participar de um esquema de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o G1, ele atuava como estagiário em uma agência da Previdência Social no bairro de Itapuã, em Salvador, e é apontado pela investigação como integrante de uma organização criminosa que teria causado prejuízo de R$ 3,5 milhões aos cofres públicos.De acordo com a PF, o grupo é suspeito de inserir dados falsos nos sistemas do INSS e de fraudar 97 benefícios previdenciários até a divulgação do caso. As investigações começaram há cerca de quatro meses, após a corporação identificar movimentações irregulares no sistema da agência de Itapuã. Entre as práticas apuradas está o cadastramento de representantes legais em benefícios sem autorização dos titulares, o que permitia a esses novos representantes sacar pagamentos mensais e valores retroativos.A PF também identificou reativações indevidas de benefícios que estavam suspensos, liberando valores retroativos, e apontou fraudes na renovação da prova de vida, mecanismo que exige a comprovação periódica de que o titular do benefício está vivo. Como resultado, o sistema do INSS chegou a registrar beneficiários com mais de 100 anos de idade ainda recebendo pagamentos. Para a corporação, o fato de representantes legais fraudulentos estarem cadastrados em diferentes estados do país sugere uma possível atuação interestadual da organização.Fraudes desde a origem do benefícioA investigação também encontrou casos em que benefícios teriam sido fraudados desde sua criação: segundo a PF, dados de pessoas com direito à aposentadoria eram usados para gerar benefícios antes mesmo de os titulares apresentarem qualquer pedido formal ao INSS. A corporação estima que, caso o esquema não tivesse sido descoberto, o prejuízo total poderia chegar a R$ 99 milhões.Além da prisão do estagiário, outro investigado, de 18 anos, foi alvo de mandado de busca e apreensão. Ao todo, a operação cumpriu dois mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária em Salvador. Os suspeitos podem responder pelos crimes de estelionato qualificado, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações, segundo a PF. A ação foi conduzida em conjunto com a Coordenação-Geral de Inteligência do Ministério da Previdência Social, e as investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo e dimensionar a extensão total do prejuízo aos cofres públicos.

HBHenrique Barros
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Policial federal é condenado a 26 anos por facilitar tráfico em Manaus

O policial federal Gabriel Moraes Ferreira dos Santos foi condenado a 26 anos e 7 meses de prisão por facilitar o tráfico de drogas no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, e por repassar informações sigilosas da Polícia Federal (PF) a um grupo criminoso. A sentença, proferida pela Justiça Federal, determina regime inicial fechado e a perda do cargo público, segundo reportagem do G1 Amazonas.De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Gabriel usava seu acesso a áreas restritas do aeroporto para colocar bolsas com drogas na área de embarque doméstico. Ele também teria acessado indevidamente sistemas internos da PF para obter dados sobre investigações policiais em andamento e repassá-los aos criminosos envolvidos no esquema.A Justiça Federal condenou o ex-policial pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e uso indevido de acesso restrito. Além da pena de prisão, ele recebeu 2.456 dias-multa.Outros três condenadosO esquema, que transportava drogas do Amazonas para outros estados, também envolvia um responsável pela logística do transporte e dois transportadores, identificados como Attilio Barbosa de Castro Neto e Pedro Felipe Melo de Souza. Segundo a denúncia, os dois entravam no aeroporto com mochilas vazias, passavam pela inspeção e depois recebiam outras mochilas já com entorpecentes. Cada um foi condenado a 4 anos e 9 meses de prisão. O responsável pela logística, identificado como Joel Santos Ramos, recebeu pena de 16 anos, 9 meses e 7 dias em regime inicial fechado, além de 2.056 dias-multa.As prisões ocorreram durante a Operação Gatekeeper, deflagrada pela PF em março de 2025, quando também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão. A ação penal tramita na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Amazonas, sob o número 1004955-21.2025.4.01.3200.Em decisão publicada em junho de 2026, a Justiça Federal manteve a prisão cautelar dos dois transportadores. Segundo o juiz federal Thadeu José Piragibe Afonso, os dois fizeram dezenas de viagens interestaduais consideradas compatíveis com o esquema investigado, o que justificava a manutenção das prisões. Já Gabriel Moraes estava, na mesma época, submetido a medidas cautelares alternativas à prisão determinadas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), enquanto Joel Santos Ramos permanecia foragido, com prisão preventiva decretada. O G1 informou que tenta localizar a defesa dos condenados citados na reportagem.

HBHenrique Barros
police

Dois PMs são presos por suspeita de roubo e estupro de adolescente na zona leste de SP

Dois policiais militares foram presos em flagrante na manhã desta segunda-feira (24), suspeitos de roubar três jovens à mão armada e de estuprar uma adolescente de 17 anos na zona leste de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, os agentes estavam de folga quando os crimes ocorreram, na madrugada, e foram reconhecidos pelas vítimas no 24º DP, na Ponte Rasa, onde o caso foi registrado.Segundo o G1, os policiais foram identificados como Victor Miguel Sebastião da Silva e Willian Santana Santos. O jornal Metrópoles apurou que ambos integram a 2ª Companhia do 2º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, unidade que atua na zona leste da capital.As vítimas, duas jovens de 17 e 18 anos e um rapaz de 19, relataram à polícia que estavam em uma festa em um posto de combustíveis na avenida Itaquera quando aceitaram carona de dois homens em um Volkswagen Fox cinza. O grupo ainda passou por uma lanchonete na região da avenida Jacu-Pêssego antes de o trajeto mudar: um dos homens sacou uma arma de fogo, anunciou o roubo e impediu que os três saíssem do carro. As jovens entregaram os celulares, enquanto o rapaz conseguiu esconder o aparelho.O carro seguiu para uma área erma perto do Parque Jacuí, no Jardim Pantanal, extremo leste da cidade. Lá, segundo o boletim, o suspeito armado mandou o outro homem sair do veículo com a jovem de 18 anos e o rapaz, ficou sozinho com a adolescente e a obrigou a manter relação sexual sob grave ameaça. "Ele disse que ia atirar caso ela não fizesse o que ele mandasse", relatou a irmã da vítima ao G1. Após o crime, a dupla ainda circulou com os jovens antes de abandoná-los; o trio encontrou uma viatura da PM e pediu ajuda.Reconhecimento e prisãoDurante o registro da ocorrência, os policiais constataram que o carro descrito pelas vítimas pertencia a um PM que assumiria o serviço naquela manhã. O comandante da companhia levou os dois agentes ao 24º DP, onde as três vítimas fizeram reconhecimento pessoal, sem saber que os suspeitos eram policiais. Um deles foi apontado como coautor do roubo; o outro, como autor do roubo e da violência sexual. A delegada deu voz de prisão aos dois, em ato acompanhado por um oficial da Corregedoria. Segundo a Folha de S.Paulo, os PMs foram levados ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte.Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a Polícia Militar "não tolera desvios de conduta" e agiu com firmeza ao apresentar os agentes à Polícia Civil. O caso é apurado por Inquérito Policial Militar e também pela Polícia Civil. A adolescente passou por exame de corpo de delito, segundo a família, que diz temer represálias após a exposição do caso.

HBHenrique Barros
religion

PM anuncia ocupação do Complexo de Israel, no Rio, por tempo indeterminado

A Polícia Militar do Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira (24) uma ocupação por tempo indeterminado nos bairros de Vigário Geral, Parada de Lucas e Cordovil, na zona norte da cidade, região conhecida como Complexo de Israel. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo G1.Território dominado pelo TCPO território é controlado pelo Terceiro Comando Puro (TCP), principal rival do Comando Vermelho. Segundo a Folha, a região ganhou o apelido de Complexo de Israel por causa do perfil de dominação do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão. Investigações apontam que o grupo persegue a prática de religiões de matriz africana dentro de sua área de domínio e usa símbolos de Israel, como a bandeira do país e nomes citados no Velho Testamento.Ainda segundo a Folha, quatro pessoas foram presas nesta segunda em uma operação da PM que tentou conter a atuação do TCP na região, marcada pelo roubo de veículos e de cargas. A ação também teve como alvo a intolerância religiosa praticada pelo grupo. A facção reagiu: dois caminhões foram incendiados e os dois sentidos da avenida Brasil, principal via expressa do Rio, chegaram a ser fechados. Os policiais apreenderam dois fuzis, duas granadas, drogas e um rádio transmissor.Como será a ocupaçãoA ocupação começou na tarde desta segunda. Em nota, a PM afirmou que o objetivo é "restabelecer a sensação de segurança da população". Segundo a corporação, a região tem sido alvo de ações criminosas, como a instalação de barricadas, a abertura de valas pelo tráfico de drogas em vias de acesso e perto de residências, além de episódios de intolerância religiosa promovidos por integrantes de grupos criminosos.Os policiais farão cerco e patrulhamento no entorno das comunidades de Parada de Lucas, Cordovil, Pica-Pau e Cinco Bocas, com apoio de ambulâncias. Além dos batalhões da área, participam da ação o grupamento aeromóvel, o batalhão especializado em vias expressas e o batalhão de motocicletas, que atuarão em vias como a avenida Brasil e a rodovia Presidente Dutra.O G1 também noticiou que a PM vai ocupar o Complexo de Israel por tempo indeterminado e que a área é dominada pelo TCP. Dias antes, na sexta-feira (21), uma operação na região encontrou carros e barricadas com explosivos; um motorista de ônibus foi atingido por uma bala perdida e um homem morreu em confronto, segundo o G1. A ação policial na área também afetou o funcionamento de unidades escolares e de saúde.

HBHenrique Barros
Politics

Lobista pagou passagens de Lulinha e bancava casa de R$ 100 mil ao mês, diz PF

A Polícia Federal afirma que a lobista Roberta Luchsinger, investigada por suposto tráfico de influência em negócios com o governo federal, fez "significativas movimentações de dinheiro em espécie" e usou parte desses valores para pagar passagens aéreas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações constam do documento que embasou a abertura de um inquérito contra Lulinha, revelado nesta segunda-feira (24) pela Folha de S.Paulo e pelo Estadão. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob sigilo, com o ministro André Mendonça como relator.Segundo a Folha, que teve acesso ao texto, a PF destaca que em 25 de junho de 2025 o motorista de Roberta fez "duas coletas em espécie com terceiro desconhecido", nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil. Desse total, R$ 50 mil foram repassados a uma agência de viagens que havia emitido bilhetes para Lulinha e para a lobista. No mesmo dia, o serviço da agência foi usado para pagar passagens de R$ 2 mil para os dois, de Brasília ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.Dois meses depois, em 25 de agosto de 2025, Roberta relatou ao empresário Cléber Ribas, em diálogo transcrito pelos investigadores e obtido pelo Estadão, que tinha avisado a Lulinha que cortaria as passagens diante da demora nos pagamentos de um empresário:"Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil, então assim, não vai mais dar pra ter essas passagens"Ainda segundo o relato da lobista, Lulinha respondeu que passaria a pedir os pagamentos diretamente aos empresários. Para a PF, "infere-se que seria costumeiro o pagamento de passagens aéreas a Fábio, e que se esperava que tal fornecimento se encerrasse em virtude do surgimento de outra despesa relacionada a um imóvel". A corporação afirmou, porém, que é preciso aprofundar a investigação para esclarecer com maior precisão o que Roberta quis dizer.Casa em Brasília e investigação no STFRoberta não deixou claro a qual imóvel se referia. Um processo trabalhista movido por uma ex-funcionária aponta que a lobista mantinha uma casa em Brasília usada com frequência por Lulinha e palco de eventos sociais com políticos, conforme o Estadão. A PF também aponta suspeita de que Ribas atuava como intermediário dos pagamentos de um homem identificado apenas como Freitas, ainda não localizado. Na época do diálogo, já estavam em curso as investigações sobre desvios em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que, na avaliação dos investigadores, pode explicar a dificuldade nos repasses à lobista.Em entrevista exibida nesta segunda, Lula afirmou que "ninguém está acima da lei" ao comentar as acusações contra o filho, segundo o Estadão. Na sexta-feira (21), a defesa de Roberta pediu a Mendonça a paralisação da investigação, de acordo com O Globo.O que dizem as defesasA defesa de Lulinha afirmou ao Estadão que a casa citada nunca foi dele e que ele apenas se hospedou de forma esporádica na residência. À Folha, o advogado Marco Aurélio de Carvalho disse que "setores da PF instrumentalizados por interesses político-eleitorais seguem tentando interferir nas eleições de 2026" e que não está provado nos autos que o dinheiro tenha sido usado para pagar as passagens. "É um verdadeiro quebra-cabeça de ilações fruto da irresponsabilidade daqueles que não têm um verdadeiro projeto ou programa para o país", afirmou, ao comparar o caso ao "pior que ocorria durante a época da finada Operação Lava Jato".A defesa de Roberta disse que não comentará "conversas que supostamente são retiradas de um relatório que está sob sigilo". Já a defesa de Ribas afirmou, em nota, que "não é possível comentar sobre supostas mensagens sem acesso prévio aos dados brutos da interceptação telemática ou à totalidade das investigações em curso".

HBHenrique Barros
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MP denuncia Adilsinho e mais três por morte de advogado no Centro do Rio; PM é preso

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou quatro homens pela morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, assassinado a tiros em 26 de fevereiro de 2024 em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), na Avenida Marechal Câmara, no Centro do Rio. A denúncia, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi apresentada após a conclusão do inquérito da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil e aponta o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, como mandante do crime, segundo informaram o G1 e O Globo. Nesta segunda-feira (24), a Polícia Civil prendeu um dos denunciados, o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, conhecido como Pitbull ou Fantasma, do 15º BPM.De acordo com a denúncia, Adilsinho comanda uma organização criminosa ligada à exploração ilegal de jogos de azar, ao contrabando de cigarros e a homicídios, e é tido como uma das principais lideranças da chamada nova cúpula do jogo do bicho. Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o Motinha, é acusado de vigiar a rotina do advogado nos dias que antecederam o crime. Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, apontado como o motorista do veículo usado na ação, está foragido desde que escapou de uma operação policial em 2025. Segundo o Ministério Público, Renato e Rafael permaneceram no carro do executor e deram apoio à fuga. Adilsinho e Ryan já estavam presos e tiveram os mandados de prisão preventiva cumpridos na quarta-feira passada, informou O Globo.Para os promotores, a motivação foi econômica. Crespo estudava entrar no mercado de apostas on-line e buscava investidores: pretendia abrir uma casa de apostas em Botafogo, na Zona Sul, região cujo jogo do bicho passou ao controle do grupo de Adilsinho a partir de 2023, de acordo com o G1. O Globo reporta que o advogado também planejava um "sports bar" com máquinas semelhantes a caça-níqueis. Na avaliação do MP, a execução eliminou um possível concorrente e serviu para intimidar outras pessoas interessadas no mesmo mercado.Crime planejadoA investigação concluiu que o homicídio foi planejado e executado de forma coordenada, com divisão de tarefas entre os participantes. O advogado foi monitorado por vários dias nos deslocamentos entre a casa, na Barra da Tijuca, e o escritório, no Centro. As conclusões se basearam em quebras de sigilo telefônico e telemático, dados de localização de celulares, imagens de câmeras, rastreamento de veículos e perícias, segundo o G1. A promotoria classificou o crime como homicídio qualificado por motivo torpe, praticado mediante emboscada e com recurso que dificultou a defesa da vítima, e sustenta que a ação tem características típicas de grupo de extermínio, pelo planejamento, pela logística e pelo uso de armamento de uso restrito.A 3ª Vara Criminal do Rio recebeu a denúncia e decretou a prisão preventiva dos quatro. Adilsinho teve determinada a manutenção em presídio federal de segurança máxima por três anos, e Renato Franco Lopes foi afastado das funções policiais e teve o porte de arma suspenso. Ryan foi preso durante a apuração de outro crime atribuído à quadrilha de Adilsinho, a morte de Antônio Gaspazianne Mesquita Chaves, dono do bar Parada Obrigatória, em Vila Isabel, na Zona Norte, também em 2024, informou o G1.

HBHenrique Barros
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Rede no Camboja força brasileiros traficados a aplicar golpes em nome da PF

Brasileiros vítimas de tráfico de pessoas no Camboja estão sendo obrigados por uma rede criminosa a aplicar golpes por telefone contra alvos no Brasil fingindo ser agentes da Polícia Federal, segundo investigação da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (24). A repórter Victoria Damasceno esteve em Sihanoukville, no litoral sul do país asiático, e ouviu vítimas que relataram trabalho forçado sob ameaça de espancamento, choques elétricos e privação de comida.Um deles é Pedro Alencar, 25, que preferiu ser identificado pelo nome pelo qual era conhecido nos complexos de golpes. Atendente de telemarketing, ele foi aliciado com promessa de remuneração alta e trabalho digno. Antes de aterrissar no litoral cambojano, passou por Laos e Filipinas, onde o trabalho forçado era ligado a plataformas de cassinos. No Camboja, foi obrigado a aplicar o que chamou de "o golpe mais pesado": fingir ser da PF e envolver a vítima em uma história que só terminava com a conclusão de uma transferência bancária."Você tem de arcar com as consequências legais por cada crime que foi cometido usando sua identidade. Você entende?", diz uma das frases do roteiro que Alencar tinha de seguir. Segundo a Folha, além da PF, a rede simula as polícias Civil e Militar, o Ministério Público Federal, o Banco Central, o Tribunal de Contas da União, a Secretaria Nacional de Justiça e até empresas privadas, como a Meta. Os golpistas citam nomes de agentes em exercício e chegam a convocar as vítimas para falsas reuniões online.Outra reportagem da série, intitulada Carga Humana, mostrou que complexos em Poipet, na fronteira com a Tailândia, aliciavam brasileiros com ofertas de US$ 4.000 por mês (cerca de R$ 20 mil), jornadas de 12 horas e contratos de um ano. Segundo o jornal, crimes desse tipo fazem do Camboja um dos principais destinos de brasileiros vítimas de tráfico humano.Roteiro em três etapasO padrão descrito pela Folha confirma relatos anteriores sobre o esquema. Em outubro de 2025, uma brasileira traficada para o Sudeste Asiático contou ao programa Profissão Repórter, da TV Globo, que o golpe operado a partir do Camboja tinha três etapas. Na primeira, os criminosos se passavam por policiais civis e informavam que uma pessoa havia sido presa com um cartão de crédito em nome da vítima. Na segunda, a ligação era transferida para um falso agente da PF, que pressionava por informações bancárias sob ameaça de congelamento das contas. Na última, a vítima era convencida a transferir o dinheiro para uma suposta conta da Polícia Federal, com a promessa de que o valor seria devolvido ao fim da investigação. Os golpistas trabalhavam de madrugada, para se adequar ao fuso horário brasileiro, e tinham acesso a dados pessoais das vítimas, como nome, CPF e endereço.A brasileira, que pediu para não ser identificada, disse que aplicava os golpes sob ameaça de tortura. "Eles ficavam com um taser atrás de você, uma arma de choque", relatou, segundo o G1.Delegacia falsa encontrada na fronteiraEm março, uma visita organizada pelo Exército da Tailândia para a agência AFP encontrou em O'Smach, no Camboja, uma sala montada para imitar uma delegacia da Polícia Federal do Brasil, ao lado de cenários que reproduziam repartições policiais de Austrália, Canadá e Índia. O local, abandonado às pressas durante confrontos na fronteira em dezembro de 2025, ainda guardava roteiros de ligações e listas com telefones de alvos em vários países. Segundo os militares tailandeses, cerca de 20 mil suspeitos fugiram antes do ataque à área.O Sudeste Asiático se tornou o centro de uma indústria bilionária de golpes online que reúne centenas de milhares de pessoas, parte delas vítimas de tráfico humano, segundo a AFP. O governo do Camboja prometeu desmantelar as operações de golpes em seu território, mas autoridades tailandesas afirmam que o país precisa reconhecer a dimensão do problema e buscar apoio internacional para combatê-lo.

HBHenrique Barros
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Sargento da PM vai a júri 11 anos após matar dois jovens na Pavuna

O sargento da Polícia Militar Carlos Fernando Dias Chaves será julgado nesta terça-feira (25) pelo 4º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, quase 11 anos depois de matar a tiros dois jovens durante um patrulhamento na Pavuna, na Zona Norte da cidade. Segundo o G1, ele responde pelas mortes de Tiago Guimarães Dingo, de 24 anos, e Jorge Lucas Paes, de 17, baleados em outubro de 2015.As duas vítimas estavam em uma motocicleta quando passaram pela viatura policial e foram atingidas. No depoimento prestado à época, o sargento, que integrava o 41º Batalhão da PM (Irajá), afirmou ter confundido com uma arma o macaco hidráulico que Jorge Lucas transportava na garupa da moto. Os dois jovens foram baleados pelas costas e morreram no local, de acordo com o G1.O caso aconteceu em 29 de outubro de 2015. Depois dos disparos, o sargento se apresentou à Delegacia de Homicídios para prestar depoimento. Em dezembro daquele ano, a Polícia Civil realizou uma reprodução simulada da ocorrência para esclarecer a dinâmica das mortes, com peritos refazendo os trajetos percorridos pelos jovens e pelos policiais. Durante a reconstituição, houve disparos na região e o Batalhão de Choque precisou dar apoio à operação.As mortes provocaram revolta entre moradores da região na época. No enterro de Tiago, policiais militares chegaram a ser hostilizados por pessoas que acompanhavam a cerimônia.A Defensoria Pública do Rio de Janeiro atua no julgamento como assistente de acusação e representa a família de Tiago Guimarães Dingo. Em nota, o órgão informou ainda que o policial responde por outros delitos, pelos quais está preso.

HBHenrique Barros
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Grupos armados usam Facebook e TikTok para recrutar menores na Colômbia, diz HRW

A Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta segunda-feira (24) que Facebook e TikTok falham em detectar, remover e impedir conteúdos produzidos por grupos armados da Colômbia para recrutar menores de idade. Segundo a ONG, os algoritmos das duas plataformas parecem inclusive promover essas publicações, que ajudaram a engrossar um recrutamento que atingiu pelo menos 1.500 crianças e adolescentes no país desde 2021, com forte alta dos casos a partir de 2023, de acordo com dados da Defensoria do Povo colombiana.O relatório, intitulado "I Thought I'd Never See My Mom Again" ("Achei que nunca mais veria minha mãe", em tradução livre), foi apresentado em Bogotá e descreve dezenas de perfis nas duas redes que exibiam armas, uniformes, maços de dinheiro, joias e braceletes de identificação dos grupos, alguns ao som de narcocorridos, canções de apologia ao crime. Somados, esses perfis tinham mais de 85 mil seguidores, e houve vídeos com mais de 250 mil visualizações e 50 mil curtidas. Nos comentários, usuários perguntavam como entrar para organizações como o cartel Clan del Golfo, a guerrilha ELN e as dissidências das Farc que rejeitaram o acordo de paz de 2016. Parte das publicações oferecia pagar até o transporte de quem quisesse se alistar. Os grupos armados vendem "um estilo de vida" de "dinheiro fácil", resumiu Mathew Charles, ex-assessor do Unicef na Colômbia e diretor da fundação Mi Historia, que trabalha com jovens vulneráveis."As plataformas digitais precisam reconhecer que estão sendo usadas para o recrutamento de meninas e meninos. Na prática, estão sendo usadas para a prática de delitos, inclusive crimes de guerra", afirmou Juanita Goebertus, diretora da HRW para as Américas, na apresentação do documento.Crianças indígenas são quase metade das vítimasQuase metade dos menores recrutados é indígena, embora os povos originários sejam apenas 4% da população da Colômbia. As meninas respondem por 40% dos casos e ficam expostas à violência sexual, e mais de 30% dos recrutados tinham entre 10 e 14 anos, situação que pode ser classificada como crime de guerra pelo Estatuto de Roma, segundo a HRW. Os grupos empregam as crianças principalmente para combater, obter informações e operar drones. A cooptação explora pobreza, exclusão social, violência doméstica e a falta de acesso à escola, muitas vezes por meio de intermediários que recebem até US$ 1 mil por criança, e chega a ocorrer dentro de escolas rurais. As dissidências das Farc concentram 74% dos recrutamentos registrados entre 2021 e 2025, sobretudo no departamento do Cauca, no sudoeste colombiano.Empresas dizem ter removido perfisA HRW afirma ter enviado em julho uma lista com 35 perfis à ByteDance, dona do TikTok, e outros 16 à Meta, dona do Facebook. Em agosto, as duas companhias informaram ter removido todo o material sinalizado, mas os pesquisadores constataram o surgimento de novas publicações promovendo os grupos, algumas ativas por mais de um mês. A Meta confirmou a autenticidade de uma carta anexada ao relatório, assinada por seu gerente de Direitos Humanos, Alex Warofka, na qual diz condenar o recrutamento de menores e afirma aperfeiçoar de forma constante a detecção de conteúdos que violem suas políticas, segundo a CNN Brasil. A ByteDance alegou impedir "de maneira proativa" que grupos armados ilegais e organizações criminosas usem a plataforma com esse objetivo.Ao longo de seis décadas de conflito armado, guerrilhas e narcotraficantes recrutaram crianças e adolescentes pobres na Colômbia. O acordo de paz de 2016 desarmou a maior parte das Farc, mas dissidências e outros grupos se expandiram desde então. O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu em 7 de agosto, promove uma ofensiva militar contra essas organizações com ajuda dos Estados Unidos e de Israel. Para o relatório, a HRW fez quase 200 entrevistas, entre autoridades, agentes humanitários, líderes indígenas e crianças vítimas ou sob risco de recrutamento, e pede ao novo governo uma política integral de segurança e justiça, com recursos garantidos para as instituições de proteção à infância.No Brasil, o tema tem um desdobramento direto: uma investigação da Polícia Federal aponta que o Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do país, conta com o apoio de empresários e pilotos para trazer drogas da Colômbia ao território brasileiro, segundo reportagem do G1 publicada no dia 13 de agosto.

HBHenrique Barros
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Apurações da PM de SP sobre mau uso de câmeras corporais triplicam em 2026

A Polícia Militar de São Paulo abriu 928 procedimentos administrativos disciplinares para apurar indícios de uso incorreto das câmeras corporais por policiais no primeiro semestre de 2026. O número equivale a mais de cinco casos por dia e representa alta de 208% em relação ao semestre anterior, quando foram abertos 301 procedimentos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (24).Os dados constam de um relatório semestral da SSP (Secretaria da Segurança Pública), pasta do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), finalizado em 20 de agosto. Não há número público de procedimentos abertos no primeiro semestre de 2025, o que impede a comparação com o mesmo período do ano passado. O documento também mostra que o total de equipamentos em operação cresceu 26%, passando de 11,9 mil em dezembro para 15 mil em maio e junho.O que diz a SSPEm nota, a SSP afirmou que a comparação do número de procedimentos deve considerar a expansão das COPs (Câmeras Operacionais Portáteis) em uso e informou que, somente em junho, foram gerados mais de 1 milhão de vídeos."O uso das COPs é monitorado continuamente, com capacitações e orientações periódicas. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, 93,74% dos acionamentos dos vídeos gerados foram realizados remotamente, sem depender da ação do policial que porta o equipamento", disse a pasta.A secretaria ressalvou ainda que "a instauração de procedimento, contudo, não significa que houve infração". Segundo a SSP, todo indício de uso inadequado é apurado, e eventuais sanções dependem da conclusão de cada processo, após o contraditório. Parte das apurações mais recentes segue em andamento.A Folha mostrou, em reportagens anteriores, que têm sido recorrentes os casos em que policiais acionam a câmera apenas depois dos disparos, o que impede a gravação dos supostos confrontos e dificulta a investigação, a cargo da Polícia Civil, de ocorrências com mortes causadas por agentes.

HBHenrique Barros
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Segurança preso por linchamento no Rio foi depor pedalando a bicicleta da vítima

Um dos quatro presos pelo linchamento de Cláudio Rafael Landeiro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi prestar depoimento pedalando a bicicleta que a vítima usava na noite do crime. Segundo o G1, o segurança de rua Davi Santos Machado, de 21 anos, chegou dessa forma à 12ª DP (Copacabana) na segunda-feira (17), seis dias depois do espancamento que matou Cláudio, na noite de 11 de agosto.O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP, contou que os investigadores só perceberam o detalhe ao revisar as imagens das câmeras de segurança. "O que a gente sabia era que ele tinha levado a bicicleta para a delegacia na segunda. A gente foi pegar imagem e vimos que ele veio pedalando", afirmou, segundo o site Polêmica Paraíba. Ao chegar, Davi entregou o veículo às autoridades. A bicicleta, que pertencia à irmã de Cláudio, tinha sido tomada da vítima na noite do crime pelo outro segurança envolvido no caso, Jorge Luiz Ricardo Dias, conforme imagens analisadas pela polícia e obtidas pela TV Globo.Da negação à confissãoOuvido a princípio como testemunha, Davi negou ter participado das agressões. "Estou sendo acusado por uma coisa que não fiz. Peço muito perdão por tudo o que aconteceu", declarou, de acordo com o Polêmica Paraíba. No dia seguinte, porém, voltou à delegacia e confessou o crime. Segundo o G1, ele admitiu ter dado socos, pontapés e golpes de cacetete na vítima, vários deles na cabeça, e classificou a própria ação como um "ato insano", afirmando não saber explicar o que o levou a agir daquela forma. Davi também declarou que não havia informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada e que Cláudio não ofereceu resistência.O crimeCláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, saiu de casa, em Botafogo, por volta das 22h30 de 11 de agosto para passear com a bicicleta da irmã. Na Rua Barata Ribeiro, parou em uma loja por volta das 23h20 para pedir um cigarro. Minutos depois, Davi chegou e perguntou sobre a bicicleta. Cláudio, que segundo a família tinha problemas psiquiátricos e dificuldades de fala, respondeu apenas que não. Imagens de câmeras mostram Jorge tomando o veículo à força. Cláudio tentou recuperá-lo, foi agredido e seguiu até a Rua Felipe de Oliveira, onde se sentou na entrada de um prédio. Ali, dois entregadores se juntaram a Davi, e o espancamento recomeçou.As agressões duraram quase nove minutos e foram filmadas pelos próprios envolvidos. Nas imagens, um homem com uma vareta desfere ao menos 30 golpes contra a vítima, que cai desacordada na calçada. Em seguida, o grupo vasculha os bolsos de Cláudio, e o segurança fotografa a cena antes de ir embora. A vítima ficou agonizando por cerca de meia hora. Bombeiros a levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas ela não resistiu. Segundo informações repassadas à família, a causa da morte foi traumatismo craniano e hemorragia interna.Além de Davi e Jorge, estão presos os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva, de 23 anos, que se apresentou à polícia na quinta-feira (21) e confessou participação, e Ailton José da Silva, que ficou em silêncio no depoimento. A polícia ainda tenta identificar um quinto agressor e pessoas que viram Cláudio agonizar sem socorrê-lo. Para o delegado Ângelo Lages, trata-se de "um crime hediondo, um homicídio triplamente qualificado, com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima". A mãe de Cláudio, Ana Luísa Motta, cobrou punição: "Ele não era um bandido, não tinha antecedentes criminais. Simplesmente acharam que ele era um bandido."

HBHenrique Barros
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Diretor de escola é preso em Santarém suspeito de atrapalhar investigação de abuso de alunas

Um diretor de escola municipal foi preso nesta segunda-feira (24), em Santarém, no oeste do Pará, suspeito de interferir na investigação de um caso de abuso sexual contra crianças e adolescentes em uma comunidade da região do Tapajós. A informação foi divulgada pela Polícia Civil, segundo o G1. O caso também foi noticiado pelo portal Gazeta Carajás.A apuração começou depois que uma adolescente procurou a Delegacia da Criança e do Adolescente (DEACA) para registrar uma denúncia. Com o avanço dos trabalhos, outras vítimas foram identificadas: até o momento, a polícia contabiliza cerca de oito vítimas, com idades entre 8 e 14 anos. Um professor da mesma comunidade já havia sido preso anteriormente, suspeito de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Segundo a polícia, o diretor e o professor são parentes e integram um grupo familiar com influência sobre moradores da localidade.De acordo com a delegada Milla Moura, o diretor já era alvo de medidas cautelares diversas da prisão, como afastamento das funções e proibição de contato com as vítimas e com pessoas ligadas ao caso, mas teria descumprido as determinações da Justiça. A Polícia Civil afirma que ele teria oferecido vantagens a familiares de vítimas para interferir nos depoimentos e no andamento das investigações. A delegada Márcia Rabelo disse que o suspeito também usaria poder financeiro para tentar impedir denúncias ou para que as vítimas mudassem seus relatos. Segundo as autoridades, algumas crianças e adolescentes chegaram a alterar depoimentos depois das supostas interferências, o que foi comunicado à Justiça e motivou o pedido de prisão preventiva.O mandado foi cumprido em Santarém por equipes do Núcleo de Apoio às Investigações (NAI) e da Polícia Civil. Após a prisão, o suspeito seria encaminhado para exame de corpo de delito e, em seguida, para uma unidade prisional, onde ficará à disposição da Justiça. A polícia informou que as investigações continuam e que outras pessoas podem ser ouvidas, para identificar se há mais vítimas ou outros envolvidos.A delegada Milla Moura fez um apelo para que possíveis vítimas ou familiares procurem as autoridades e afirmou que crianças e adolescentes não devem ter medo de denunciar, pois os relatos serão tratados de forma protegida por equipes especializadas. Em nota, a Prefeitura de Santarém informou, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que está "apurando as informações apresentadas pela Justiça, e colaborando com as investigações". Os investigados são considerados suspeitos até eventual condenação pela Justiça.

HBHenrique Barros
drug-trafficking

Homem com fuzil invade escola no Recreio, se disfarça de merendeiro e acaba preso

Um homem armado com um fuzil invadiu a Escola Municipal Frei Gaspar, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (24), enquanto fugia de uma operação da Polícia Militar. Para tentar escapar da prisão, ele abandonou a arma dentro da unidade, vestiu roupas da cozinha e tentou se passar por merendeiro, mas foi localizado e preso antes da chegada dos estudantes.Segundo o g1, a ação foi conduzida pelo 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) na comunidade do Pombo sem Asa, em Vargem Grande, contra grupos ligados ao tráfico de drogas. O Terra informa que os policiais também atuavam na comunidade da Cascatinha, na região das Vargens, e que houve confronto com homens armados. Por volta das 6h, ao avistar as equipes, o suspeito correu com o fuzil, pulou o muro da escola e entrou no prédio, cerca de uma hora e meia antes do início das aulas.O disfarce de merendeiroDentro da unidade, o homem largou a arma e vestiu roupas brancas, avental e touca higiênica usados pelos profissionais responsáveis pela alimentação escolar, na tentativa de se misturar aos funcionários, segundo o Terra. Uma funcionária da limpeza encontrou o desconhecido em um banheiro próximo à cozinha e avisou a direção, que acionou a PM. O suspeito foi preso antes das 7h30, horário previsto para a chegada dos alunos, e deixou o colégio algemado, de acordo com o g1.De acordo com a PM, o suspeito é natural de Vila Velha, no Espírito Santo, e teria envolvimento com o tráfico de drogas. Outros quatro homens foram presos na operação, e a corporação apreendeu dois fuzis e três pistolas. A ocorrência foi encaminhada à 42ª Delegacia de Polícia, que atende a área do Recreio.A Secretaria Municipal de Educação informou que a PM foi acionada assim que a invasão foi percebida e que a prisão ocorreu antes do horário de início das aulas. As atividades da Escola Municipal Frei Gaspar foram transferidas nesta segunda para a Escola Municipal Teófilo Moreira, unidade próxima, por segurança. Segundo o Terra, ninguém ficou ferido.

HBHenrique Barros
Politics

Dino declara nulas emendas indicadas por dirigentes partidários e ex-parlamentares

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou neste domingo (23) a nulidade de emendas parlamentares cuja indicação tenha partido de presidentes de partidos, ex-parlamentares ou qualquer pessoa sem mandato no Congresso Nacional. Segundo reportagens do Poder360 e da CartaCapital, a decisão atinge qualquer ato, planilha, ofício ou solicitação que atribua a dirigentes partidários o poder de indicar o destino de recursos do Orçamento — e nem mesmo a chancela posterior de um deputado ou senador em exercício pode validar uma indicação feita originalmente por alguém sem competência para isso. “Qualquer ato, tabela, expediente, comunicação, planilha, ofício ou solicitação que pretenda atribuir a presidente de partido político ou a ex-parlamentar a autoria, titularidade ou poder de indicação sobre emenda parlamentar deve ser considerado juridicamente inidôneo e revestido de nulidade absoluta”, escreveu Dino na decisão. Origem da investigação A medida é um desdobramento das investigações sobre a execução de emendas parlamentares iniciadas com a Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025. De acordo com o Poder360, a análise do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca — assessora da Câmara ligada ao ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) —, apontou aos investigadores uma possível atuação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na destinação de recursos mesmo sem mandato eletivo. Em julho, a Polícia Federal identificou 21 emendas, que somam R$ 119,2 milhões, sob suspeita de influência de Valdemar. A apuração também indicou possível participação do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos). Dino determinou o bloqueio de bens de ambos no âmbito das investigações. O tema ganhou repercussão depois que Valdemar afirmou, em entrevista à GloboNews em 14 de julho, que faz “sugestões” a deputados e senadores do PL e que dirigentes de outras legendas agiriam da mesma forma, segundo a CartaCapital. Diante da declaração, Dino cobrou manifestação dos 21 partidos com representação no Congresso sobre a existência de cotas de emendas reservadas a presidentes de siglas. Todos os que responderam — incluindo o PL — negaram a existência dessas reservas. Podemos e Solidariedade foram os únicos partidos que não enviaram resposta ao STF. O ministro deu às duas siglas o prazo de cinco dias úteis para prestarem esclarecimentos, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. O Poder360 informou que procurou ambos os partidos, sem obter retorno até a publicação de sua reportagem. Dino também determinou que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), comuniquem aos órgãos técnicos das duas Casas que presidentes de partido não têm competência para alocar emendas. As manifestações dos partidos serão encaminhadas à Polícia Federal para subsidiar as investigações, e o ministro alertou que o descumprimento das determinações pode acarretar responsabilização disciplinar, penal e civil.

HBHenrique Barros