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Policiais civis simulavam apreensões e escoltavam contrabando em SP, diz MP

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HBPor Henrique Barros•30 de agosto de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, G1

O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação Merx, que apura um esquema no qual policiais civis do estado simulavam apreensões de produtos ilícitos e escoltavam cargas de contrabando em troca de propina. A Justiça decretou a prisão preventiva de sete pessoas, entre elas quatro policiais civis, e autorizou buscas em 18 endereços, incluindo três unidades da própria corporação na Grande São Paulo: as delegacias de Embu das Artes e Santana de Parnaíba e o 2º Distrito Policial de Cotia.

A investigação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com participação da Corregedoria da Polícia Civil e apoio do Departamento de Operações Estratégicas (Dope). Os crimes apurados são corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo o MP, os agentes interceptavam cargas de celulares e outros eletrônicos de origem irregular e, em vez de formalizar a apreensão, cobravam dos responsáveis valores que chegavam a cerca de 70% do valor das mercadorias para liberá-las, total ou parcialmente. Em ao menos quatro episódios documentados desde 2024, as vantagens indevidas somariam R$ 2,35 milhões.

De acordo com a apuração, a estrutura da própria Polícia Civil foi usada no esquema: sistemas da corporação teriam servido para monitorar as cargas que seriam interceptadas, e dependências de delegacias, para armazenar mercadorias e registrar a apreensão de apenas parte dos produtos, o que dava aparência de legalidade às operações. Uma imagem anexada ao inquérito, localizada com um dos investigados, mostra uma viatura da Polícia Civil em suposta escolta a produtos contrabandeados, segundo a Folha de S.Paulo.

A linha do tempo do caso

  • 17 de junho de 2024: um caminhão com cerca de R$ 600 mil em produtos contrabandeados é abordado pela Polícia Civil. Segundo o Gaeco, os policiais Bruno Moreno dos Santos e José Adriano da Silva Nishi cobraram R$ 400 mil para liberar a carga, e apenas parte da mercadoria foi formalmente apreendida;
  • julho e agosto de 2024: ocorrem novos episódios semelhantes, com a atuação do advogado Sidiclei da Costa Almeida, apontado como intermediador da propina entre a quadrilha e os policiais;
  • dezembro de 2024: Thiago Marcel Magnabosco, apontado como líder de uma organização especializada em contrabando e descaminho, é preso pela Polícia Federal. Mensagens encontradas em seu celular conectam o esquema a policiais civis de São Paulo e dão origem à investigação do Gaeco;
  • 28 de agosto de 2026: a Operação Merx cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Goiás.

Além de Santos e Nishi, tiveram a prisão preventiva decretada os policiais civis Vagner Ramalho e Marcos Vinícius de Souza Melo, o advogado Sidiclei, o empresário paranaense Jonathan Renan Vieira e o próprio Magnabosco, considerado foragido e apontado pela investigação como estando no Paraguai. Segundo o g1, ao menos quatro dos sete alvos haviam sido presos até a última atualização da operação. Um quinto policial, o investigador Vagner de Lima, não teve prisão decretada, mas foi afastado da função, teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas.

A Justiça também autorizou a quebra de sigilos e determinou o bloqueio de bens dos investigados em até R$ 4 milhões. Na frente financeira, o Gaeco identificou transferências destinadas à empresa Rivieira Soluções em Tecnologias Ltda. e a terceiros que seriam usados como interpostas pessoas para receber e ocultar os valores pagos aos policiais, segundo a apuração.

Todos os citados são investigados e não há qualquer condenação no caso. A Folha informou que não identificou a defesa dos investigados nesta sexta-feira, e o g1 disse que tenta localizar os advogados dos citados, com espaço aberto para manifestação.

O próximo passo do caso é a continuidade das diligências pelo Gaeco, que poderá oferecer denúncia à Justiça contra os investigados ao fim do inquérito. O MP não divulgou prazo para a conclusão. As prisões preventivas decretadas nesta sexta não têm prazo definido e devem ser reavaliadas periodicamente pelo Judiciário, conforme prevê o Código de Processo Penal.

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