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Fraude com senha de juíza adultera mandado de prisão de réu no caso 'Escorpião do PCC'

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HBPor Henrique Barros•22 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Metrópoles

O Tribunal de Justiça de São Paulo afirma que credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul foram usadas para adulterar, no BNMP (Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões), o mandado de prisão do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, apontado pela polícia como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) e conhecido como Baianão ou "Escorpião do PCC". A principal suspeita é de ação hacker, segundo a Justiça gaúcha. O caso foi noticiado pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (22), único veículo, até agora, a relatar a fraude.

Com a alteração, o cadastro do réu passou a exibir o nome e o CPF de outra pessoa. Na prática, Alex deixou de constar como procurado quando seu nome era consultado pelas polícias do país, segundo o jornal. A fraude teria ocorrido em 23 de agosto. Uma verificação do TJ-SP constatou que o RJI (Registro Judiciário Individual) do réu foi alterado por meio da senha e do login de uma magistrada da cidade de Planalto, no Rio Grande do Sul.

Como o caso chegou até aqui

Alex é réu sob a acusação de matar a companheira Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, na madrugada de 29 de novembro de 2025, no 10º andar de um prédio na Vila Andrade, zona sul de São Paulo. Segundo a investigação, ele teria jogado a jovem da sacada do apartamento onde viviam. O Metrópoles noticiou que a decisão que converteu a prisão em preventiva, assinada pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, citou informações de que o acusado se vangloriava de ser "escorpião do PCC" e uma condenação criminal anterior.

Em 6 de agosto deste ano, o juiz Antonio Carlos Pontes de Souza concedeu liberdade provisória ao empresário, que foi solto, segundo a Folha. O Metrópoles relatou que a soltura veio acompanhada de medidas cautelares, como o afastamento das testemunhas e o comparecimento periódico à Justiça. O Ministério Público paulista recorreu, e o desembargador Hermann Herschander restabeleceu a ordem de prisão em 10 de agosto, citando a "periculosidade" do acusado. Segundo o MP, Alex é considerado foragido. A adulteração no BNMP foi descoberta quando a promotoria percebeu, em 16 de setembro, que o mandado de prisão não aparecia mais no sistema.

Apuração e próximos passos

Segundo a Folha, a Justiça do Rio Grande do Sul afirma que as credenciais da magistrada teriam sido "hackeadas/roubadas" e usadas também para modificar e assinar fraudulentamente outros documentos. O episódio foi encaminhado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que apura a fraude. Ao jornal, o conselho disse que não comenta casos específicos. O Ministério Público informou que, até o momento, não foi identificado o responsável pela adulteração.

A defesa do empresário nega o crime, afirma que a jovem cometeu suicídio e nega que ele pertença à facção criminosa. Alex segue réu no processo por homicídio, que continua em curso na Justiça de São Paulo. Não há prazo divulgado para a conclusão da apuração do CNJ.

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