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Perícia da PF confirma fraude de R$ 17 bilhões entre Master e BRB e cita seis diretores

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HBPor Henrique Barros•14 de setembro de 2026•Fontes: Terra, Estadão, G1

Uma perícia da Polícia Federal concluiu que houve gestão fraudulenta de ex-dirigentes do Banco de Brasília (BRB) na compra de carteiras do Banco Master, em aquisições que somaram R$ 17,5 bilhões entre 2024 e 2025. Elaborado em agosto, o laudo teve o sigilo retirado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das principais investigações do caso Master. Segundo o Estadão, o Terra e o G1, a perícia concluiu que as fraudes entre os dois bancos somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram estruturadas com produção massiva de documentos falsos e o uso de uma empresa de fachada.

Os peritos analisaram operações que somam R$ 47,8 bilhões e concentraram a conclusão de fraude em 25 aquisições de carteiras aprovadas pela diretoria colegiada do BRB, de R$ 17,5 bilhões ao todo. O Master, banco do empresário Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central. Para os peritos, estão descartadas explicações como insucesso econômico, assunção de risco elevado ou falha procedimental isolada.

"Conclui-se, portanto, que o acervo permite caracterizar, sob a perspectiva técnico-pericial, a prática de gestão fraudulenta no processo de aquisição de carteiras do Banco Master, materializada pela manipulação da sequência de governança, pela formalização retrospectiva de controles, pela burla material ao regime de alçadas e pela continuidade objetiva das operações apesar de alertas prudenciais e fragilidades concretamente identificadas", afirma o laudo.

O que a perícia apontou

Segundo o relatório, o BRB tinha "sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes sobre o Banco Master, formalmente incorporados ao seu ambiente informacional, mas não demonstrou sua consideração no processo decisório". Os peritos identificaram 22 operações, de R$ 7,63 bilhões, em que pareceres técnicos só foram emitidos depois dos pagamentos. Das 25 aquisições, 21 ficaram exatamente no teto de R$ 750 milhões da diretoria, valor que dispensava aprovação do Conselho de Administração, prática que a perícia descreve como fracionamento para evitar análise agregada. O banco também não comprovou ter feito uma due diligence estruturada sobre o Master, apesar de alertas internos e externos sobre riscos de liquidez, capital e modelo de negócios. Um grupo de trabalho criado pelo próprio BRB já havia apontado fragilidades de lastro, documentação, averbações, repasses financeiros e cadeia de originação dos créditos. Em junho de 2025, o Master respondia por 90,31% da exposição do BRB, que somava R$ 19,78 bilhões naquele mês.

Os diretores apontados

A perícia vinculou documentalmente às aprovações seis ex-integrantes da diretoria colegiada do BRB. Segundo o laudo, eles participaram de deliberações sobre a continuidade das operações, novas aquisições, a flexibilização de alertas de risco e a complementação posterior de documentos, e as decisões foram aprovadas por unanimidade. O apontamento é técnico e integra investigação em curso; os citados mantêm a presunção de inocência. São eles, com os cargos que ocupavam:

  • Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, presidente
  • Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora executiva de Gestão de Pessoas
  • Dario Oswaldo Garcia Junior, diretor executivo de Finanças e Controladoria
  • Luana de Andrade Ribeiro, diretora executiva de Controle e Riscos
  • Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor executivo de Atacado e Governo
  • José Maria Correa Dias Junior, diretor executivo de Tecnologia

O então diretor jurídico, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, não foi vinculado às aprovações porque, segundo as atas analisadas, não tinha direito a voto ou estava ausente nas deliberações.

Em síntese, o caso se desenrolou assim: as compras ocorreram entre 2024 e 2025, com pico de concentração em junho de 2025; o Master foi liquidado pelo Banco Central; as investigações passaram a tramitar no STF, sob relatoria de Mendonça; a perícia foi feita em agosto, para conferir as informações já levantadas pela PF e analisar documentos enviados pelo BRB; e o sigilo do laudo caiu em 10 de setembro.

Em nota, o BRB afirmou que foi vítima dos crimes e que os ex-dirigentes não podem ser confundidos com a instituição, sem comentar a situação de cada um deles. A defesa de Vorcaro, que está preso, não comentou o laudo.

Na sexta-feira (12), o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria da discussão sobre a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro e determinou a remessa à Presidência da Corte dos processos das investigações sobre o Master e o INSS. Os dois casos ficam paralisados até nova decisão de Fachin, que pode assumir a relatoria das investigações ou submeter a questão ao plenário. Não há data definida para esse pronunciamento. Na terça-feira (15), o STF se reúne para discutir a validade do relatório da PF sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro.

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