arrow_backVoltar
crimeminas-geraisimmigrationunited-stateshuman-trafficking

MPF denuncia família de MG que enviou quase 700 brasileiros ilegalmente aos EUA

bookmark_borderSalvar
HBPor Henrique Barros•26 de agosto de 2026•Fontes: G1

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 12 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa liderada por uma família de Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, especializada no envio ilegal de brasileiros aos Estados Unidos. Segundo a apuração, entre 2017 e 2023 o grupo viabilizou a travessia de ao menos 673 pessoas, o que coloca o caso entre os maiores esquemas de contrabando de migrantes já registrados no país. A denúncia foi apresentada à Justiça na semana passada, e os 12 respondem em liberdade.

De acordo com o MPF, o grupo cobrava de R$ 50 mil a R$ 100 mil por pessoa pela travessia clandestina e movimentou mais de R$ 40 milhões. Os denunciados responderão por organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.

Para os procuradores, o comando do esquema cabia a dois irmãos, responsáveis por captar as vítimas e conduzi-las até a fronteira do México com os Estados Unidos. O pai deles também participava do grupo, e outros familiares atuavam na lavagem dos recursos: ao todo, cinco dos 12 denunciados são da mesma família. A investigação mapeou mais de 300 transferências bancárias feitas diretamente por vítimas aos irmãos, e o dinheiro circulava por contas abertas com documentos falsos ou em nome de terceiros.

Vídeos de agradecimento e dívidas forçadas

Segundo o MPF, os migrantes eram obrigados a gravar depoimentos em vídeo agradecendo e elogiando o serviço, material usado depois para convencer novas vítimas. Além do pagamento, o grupo exigia a entrega de veículos, a assinatura de notas promissórias e de termos de confissão de dívida e procurações que permitiam a venda de imóveis em favor de integrantes do esquema. Os adultos também eram incentivados a cruzar a fronteira com crianças, para reduzir o risco de deportação ao chegar aos Estados Unidos. Ao menos 223 dos migrantes eram menores de idade, conforme a Operação Siblings, da Polícia Federal, que investigou o caso.

A Operação Siblings cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, sendo 11 em Governador Valadares, dois no Espírito Santo e um no Distrito Federal, segundo a CNN Brasil. Também foram decretadas 11 medidas cautelares, com prisões e apreensão de passaportes, além do sequestro de bens que pode chegar a R$ 43 milhões. Duas pessoas foram presas em flagrante durante a ação, uma por posse irregular de munição e outra por resistência, e a polícia apreendeu documentos, dinheiro em espécie, joias e veículos.

De acordo com a PF, a organização tinha núcleos especializados na captação de migrantes, na compra de passagens aéreas, em reservas de hotéis, na falsificação de documentos públicos e na abertura de contas bancárias em nome de terceiros. A polícia estima que o grupo agenciou 669 migrantes rumo aos Estados Unidos via México e que mais de 1.500 pessoas, entre adultos e menores, foram vítimas do esquema. Para a PF, foi a maior operação de contrabando de migrantes já realizada em Governador Valadares em número de vítimas, e as penas pelos crimes apurados podem superar 33 anos de prisão.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar