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Presidentes de 17 seccionais da OAB pedem apuração do caso Moraes-Vorcaro

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Presidentes de 17 das 27 seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já se manifestaram publicamente pela apuração do caso que envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, segundo levantamento do Poder360 publicado nesta terça-feira (8). As posições variam do pedido de investigação rigorosa, linha da OAB Nacional, a pedidos de afastamento e suspeição. As acusações ainda estão em fase de apuração.

A crise na Corte foi aberta em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. No mesmo dia, a OAB Nacional, presidida por Beto Simonetti, defendeu uma "apuração rigorosa e isenta de todos os fatos". Em vídeo divulgado na segunda-feira (7), Simonetti cobrou respostas rápidas do tribunal:

"O Brasil vive um momento que exige serenidade, transparência e respostas. Por isso mesmo, precisamos de respostas rápidas e claras do Supremo Tribunal Federal. (...) Quando essa confiança é abalada, é dever de todos trabalhar para restabelecê-la."

O que pedem as seccionais

Simonetti convocou para a quarta-feira (9) uma reunião extraordinária para discutir a crise. Fachin, por sua vez, cancelou o encontro que teria no mesmo dia com representantes da Ordem, segundo o Poder360. Entre as seccionais, apenas Paraná e Rio Grande do Sul pediram medidas mais duras: o Paraná defendeu o afastamento de Moraes e a suspeição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas mensagens, e o Rio Grande do Sul pediu a suspeição de Gonet e investigação contra Moraes. O Mato Grosso do Sul classificou os fatos como "gravíssimos", o Ceará afirmou que eles "atingem a confiança da sociedade na Justiça" e a Paraíba defendeu o fim da competência criminal do STF. As seccionais do Acre, Alagoas, Amapá, Distrito Federal, Maranhão, Piauí, Roraima, Sergipe, São Paulo e Tocantins não haviam se manifestado até a publicação do levantamento; Bahia e Rio Grande do Norte apenas republicaram a nota nacional.

Entenda o caso

O relatório tornado público por Mendonça tem 218 páginas e foi elaborado pela PF a partir da análise do celular de Vorcaro. Segundo o g1, reúne 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes entre outubro e novembro de 2025, período em que o Banco Master já era alvo de investigações. Para a corporação, os dois combinaram encontros e conversaram sobre as apurações que envolviam o banco. O documento também cita Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Questionado, Gonet pediu a anulação da apuração e alegou ilegalidade no relatório.

Os desdobramentos se sucederam em uma semana. Na quinta-feira (3), Moraes pediu, dentro do inquérito das fake news, do qual é relator há sete anos, a investigação de Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Na sexta-feira (4), o presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, retirou o pedido do inquérito e passou a tratar do caso em procedimento conduzido pela Presidência do tribunal, com promessa de resposta "firme, proporcional e rigorosa". No domingo (6), Mendonça liberou para o plenário o pedido de abertura de investigação contra Moraes.

Impeachment entra na campanha

O caso chegou ao debate eleitoral. Quatro candidatos ao Senado por Minas Gerais defenderam, no encontro promovido pelo g1 na manhã desta terça, a investigação das denúncias de envolvimento de ministros do STF com o esquema financeiro do Banco Master e o impeachment dos magistrados caso haja comprovação, segundo o Valor Econômico. Marcelo Aro (PP) disse ser "100% favorável" ao impeachment, afirmou que o STF "passou dos limites" e alegou existir um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da esposa de Moraes e o Banco Master. Áurea Carolina (PSOL) disse que não se recusaria a atuar em processos de impeachment, mas defendeu apuração rigorosa dentro dos ritos da democracia. Carlin Moura (Avante) propôs mandatos com prazo determinado para ministros e o afastamento das autoridades envolvidas durante as apurações. Arcanjo Pimenta (MDB) afirmou que o impeachment deve ser levado adiante se houver justificativa constitucional.

À tarde, participaram da segunda rodada do debate Aécio Neves (PSDB), Domingos Sávio (PL) e Manoel Carvalho (MDB); Marília Campos (PT) e Carlos Viana (PSD) foram convidados e recusaram. No STF, o próximo passo tem data marcada: na sexta-feira (11) termina o prazo que Fachin deu a Moraes, a Mendonça, à Procuradoria-Geral da República e à PF para prestarem informações. Caberá ao presidente do tribunal definir quando o plenário será convocado e se a sessão será aberta ou fechada.

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