arrow_backVoltar
Federal Policestfbanco-masterjustice

Vorcaro diz ao STF que sofreu tortura psicológica na prisão para não delatar

bookmark_borderSalvar
HBPor Henrique Barros•2 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1 (ao vivo), ND Mais, G1

O empresário Daniel Vorcaro, preso desde março no inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que sofreu tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas na prisão para não relatar fatos ligados à PF (Polícia Federal) em uma eventual delação premiada. A revelação é da coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo. A oitiva ocorreu na semana passada, foi conduzida por um juiz auxiliar do gabinete e gravada em vídeo, com um representante do Ministério Público Federal presente e sem agentes da PF.

No depoimento, Vorcaro citou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo a apuração da Folha, o banqueiro afirmou que a corporação não teria interesse em ouvi-lo para evitar que fatos relacionados ao órgão viessem à tona. Na avaliação dele, as supostas intimidações estariam entre os motivos pelos quais a PF não teria aceitado a delação que tenta negociar desde a prisão. Interlocutores de Rodrigues negaram ao jornal qualquer relação próxima com Vorcaro e disseram que os dois se encontraram uma única vez, casualmente, em Londres, em um seminário jurídico organizado pelo grupo Voto, evento patrocinado pelo Banco Master sem que esse vínculo fosse divulgado na época.

Agentes ouvidos pela Folha afirmaram ainda que Vorcaro poderia ter procurado diretamente a PGR (Procuradoria-Geral da República) para tentar formalizar a delação, sem a participação da PF. A oitiva ocorreu justamente no gabinete de Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master no STF. O conteúdo do depoimento é protegido por sigilo.

O que diz o gabinete

Nesta quarta-feira (2), o gabinete de Mendonça confirmou a oitiva, que segundo o G1 foi revelada primeiro pelo jornal O Globo, e divulgou nota afirmando que o ato ocorreu por pedido expresso da defesa. O texto diz que a presença de representante do Ministério Público é exigência legal que foi cumprida e que a ausência de agentes da PF seguiu normas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que determinam o afastamento da equipe policial responsável pela investigação quando o depoente relata intimidações. Segundo a nota, a medida buscou proteger o depoente e não foi escolha de conveniência do gabinete. A equipe do ministro também informou que a relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes não foi citada no depoimento.

"O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", diz a nota.

Como o caso chegou até aqui

  • Março de 2025: Mendonça recebe Vorcaro em uma única reunião, para tratar de ação sobre precatórios que estava em julgamento no STF, segundo nota do gabinete.
  • Fevereiro de 2026: o ministro se torna relator do caso Master na Corte.
  • Março de 2026: Vorcaro é preso no inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master.
  • Terça-feira (1): vem a público relatório da PF que aponta mensagens de Vorcaro a um número atribuído a Moraes, com ofertas de contratos milionários e viagem a Londres, além de oito encontros entre os dois.
  • Quarta-feira (2): o gabinete confirma o depoimento urgente e a Folha revela o teor das declarações de Vorcaro.

O presidente do STF, Edson Fachin, disse que analisará os fatos e prometeu anunciar medidas nos próximos dias. A PGR pediu a nulidade da investigação aberta por Mendonça sobre as mensagens, mas, segundo o G1, o ministro deve insistir que o plenário da Corte analise o caso mesmo assim.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar