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Ex-presidente da Câmara de SP, Milton Leite se entrega e é preso em Mogi das Cruzes

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HBPor Henrique Barros•18 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite apresentou-se à Polícia Civil na tarde desta sexta-feira (18), na sede da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e foi preso por força de um mandado de prisão temporária de 30 dias. Segundo a Folha de S.Paulo, é naquela delegacia que tramita o inquérito da Operação Vectura Corrupta, que apura suspeita de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo paulista. Leite é investigado e nega as suspeitas; não há denúncia ou condenação contra ele.

O ex-vereador era considerado foragido desde a quinta-feira (17), quando agentes não o encontraram no endereço residencial dele durante a deflagração da operação. Ele afirmou à época que se apresentaria em 24 horas e negou as acusações. Na manhã desta sexta, a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) foram até Sorocaba, no interior paulista, procurá-lo em um imóvel de um assessor. Não o encontraram, mas apreenderam cerca de R$ 740 mil em dinheiro vivo, parte em dólares, dentro de uma mala, e identificaram uma passagem secreta entre o imóvel do assessor e uma casa de Leite, segundo o InfoMoney. A origem do dinheiro não foi informada pelas autoridades.

O que aponta a investigação

Deflagrada na quinta pela Polícia Civil e pelo MP-SP, a Vectura Corrupta investiga a suspeita de que empresas de ônibus que operam transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes do PCC após a obtenção de licitações. Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, dez haviam sido cumpridos antes da entrega de Leite, e outras cinco pessoas seguem foragidas, entre elas Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do clube de futebol Água Santa. A investigação também apura suspeita de corrupção de funcionários públicos e de financiamento de campanhas pelo PCC nas eleições municipais de 2024 e na disputa atual. A ação é desdobramento da Operação Dercúrio, de agosto de 2024, contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas atribuído à facção.

A prisão de Leite foi autorizada pelo desembargador Sergio Ribas. Na decisão, citada pelo InfoMoney, ele escreveu que o ex-vereador é "citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC" e que há declarações de policiais militares, em procedimento que tramita no Tribunal de Justiça Militar, de que Leite seria o dono de fato da Transwolff. A empresa de ônibus gerenciou por anos linhas da capital paulista e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo rompido em 2024, após ser alvo da Operação Fim da Linha do MP-SP sob suspeita de envolvimento com a facção, que a companhia nega.

O que dizem as defesas

Leite negou as suspeitas. "Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]", afirmou o político, segundo a Folha. Já a defesa da Transwolff afirmou que ele nunca teve participação societária na empresa, nem atuou na gestão ou deu ordens a funcionários, e que afirmações nesse sentido são equivocadas. Vereador por sete mandatos consecutivos, Leite presidiu a Câmara Municipal por seis anos e deixou o Legislativo ao final de 2024, após 28 anos, mas seguiu com influência na política paulista.

A prisão temporária vale por 30 dias, prazo que se encerra por volta de 18 de outubro. Até lá, Polícia Civil e MP-SP devem concluir o inquérito ou pedir à Justiça a conversão da custódia em prisão preventiva, enquanto a defesa pode pedir a revogação da medida. O delegado Fabrício Intelizano, da Dise de Mogi das Cruzes, disse em coletiva que a possibilidade de vazamento da operação será apurada, embora não haja confirmação de que isso tenha ocorrido.

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