O ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic, condenado à prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra na Bósnia, morreu nesta quinta-feira (27) no centro de detenção das Nações Unidas em Haia, na Holanda. Ele tinha 83 anos. A informação foi divulgada pela emissora de Belgrado Informer TV e reproduzida pelo G1, que classificou a própria cobertura como em atualização.
Mladic comandou o Exército da República Sérvia (VRS) durante a guerra da Bósnia (1992-1995), conflito que deixou cerca de 100 mil mortos. Ficou conhecido como "o carniceiro dos Bálcãs" por dois episódios centrais de sua condenação: o cerco de Sarajevo, que durou quase quatro anos e matou mais de 10 mil pessoas, e o massacre de Srebrenica, em julho de 1995, quando tropas sob seu comando executaram mais de 8 mil homens e meninos bósnios muçulmanos. O episódio é reconhecido pelos tribunais internacionais como o único genocídio cometido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Linha do tempo do caso
- 1995: o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) denuncia Mladic por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra;
- 1996-2011: foragido da Justiça por cerca de 16 anos, com proteção de redes de apoiadores na Sérvia;
- maio de 2011: preso no vilarejo de Lazarevo, na Sérvia, e extraditado para Haia;
- novembro de 2017: condenado à prisão perpétua em 10 das 11 acusações, incluindo o genocídio de Srebrenica;
- junho de 2021: o Mecanismo Residual da ONU, que sucedeu o TPII, rejeita o recurso e confirma a sentença em caráter definitivo;
- 27 de agosto de 2026: morre no centro de detenção da ONU em Haia.
A acusação sustentou, ao longo do julgamento, que Mladic exerceu comando e controle efetivo sobre as tropas que cometeram as atrocidades, tese aceita pelos juízes em duas instâncias. A defesa sempre negou as acusações. Em audiências, Mladic afirmou que defendia seu país e seu povo e classificou as imputações como monstruosas. Ele jamais manifestou remorso pelas mortes em Srebrenica e boicotou parte das sessões do recurso. Na Sérvia e na República Srpska, entidade sérvia da Bósnia, setores nacionalistas ainda o tratam como herói de guerra.
Como a sentença já havia transitado em julgado em 2021, a morte não altera o resultado judicial do caso: não há recurso ou etapa processual pendente. Até a publicação desta reportagem, o Mecanismo Residual da ONU não havia divulgado comunicado formal sobre o óbito nem sobre a causa da morte. Mladic tinha histórico de problemas de saúde, e seus advogados pediram diversas vezes, sem sucesso, a soltura por motivos humanitários.