arrow_backVoltar
Corruptioncrimepolicejusticeroraima

Falsa operação policial rouba R$ 800 mil e 30 kg de ouro em Roraima; oito investigados

bookmark_borderSalvar
HBPor Henrique Barros•26 de agosto de 2026•Fontes: FolhaBV (Folha de Boa Vista), G1

A Polícia Civil de Roraima investiga oito pessoas, entre elas três policiais civis e um influenciador digital, pela montagem de uma falsa operação policial que roubou R$ 800 mil em espécie e 30 quilos de ouro de uma casa no bairro Caçari, em Boa Vista, em 29 de março de 2026. O caso avançou nesta quarta-feira (26), quando o delegado John Allan Cunha Castilho e o investigador Diego Gabriel Rodrigues de Araújo, ambos da Polícia Civil do Amazonas, tiveram prisões preventivas cumpridas pela Polícia Federal no Amazonas, na segunda fase da investigação conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Roraima, segundo o g1 e a FolhaBV.

De acordo com a investigação, o influenciador Ivan Luiz Bastos Guimarães, de 33 anos, conhecido nas redes como "Itz Ivan", intermediava vendas de ouro de garimpeiros e decidiu dar um golpe nas duas partes de uma negociação marcada na própria casa dele. Por volta das 19h, homens armados, de touca e com roupas escuras semelhantes às da polícia, invadiram o imóvel portando distintivos e usando uma viatura oficial descaracterizada, simularam uma prisão em flagrante, renderam o comprador do ouro e o próprio Ivan, que se passou por vítima, e fugiram com o minério e o dinheiro.

Quem são os investigados

A Draco atribui papéis distintos aos oito investigados. Ivan é apontado como um dos mentores do crime e operador financeiro do esquema; foi denunciado e preso em 21 de agosto, em Florianópolis, onde a polícia apreendeu celulares, computadores e um carro de luxo. Após o roubo, ele passou a ser ameaçado por garimpeiros, fugiu para Manaus e comprou imóveis milionários, segundo o g1. Castilho, primo do influenciador, teria recrutado Diego Araújo, dado cobertura tática do lado de fora da casa e ajudado o primo a levar o produto do roubo para o Amazonas. O investigador de Roraima Marcelo Henrique de Araújo Sobral é apontado como o comandante da falsa abordagem e teria recebido pelo menos R$ 200 mil da venda do ouro; preso na primeira fase, responde em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica, e está afastado do cargo. Durante a ação policial, ele ainda foi preso em flagrante por fraude processual ao danificar o próprio celular, segundo o g1. O cunhado dele, Guilherme Santana da Silva, entrou na casa com os policiais sob a promessa de receber R$ 150 mil e confessou participação no crime à polícia. Também foi presa na primeira fase Ariane Cabral Paes, esposa de Sobral. Ao todo, três investigados estão presos, um está foragido e quatro respondem em liberdade.

A primeira fase da operação, deflagrada em 21 de agosto, cumpriu quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão, com bloqueio judicial de cerca de R$ 20 milhões em bens e valores. A apuração envolve a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Roraima, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e o Controle Externo da Atividade Policial. Segundo o g1, os investigadores também apuram a participação de integrantes do grupo em outros roubos que teriam causado prejuízo superior a R$ 23 milhões no estado; a FolhaBV relata um episódio de janeiro em Alto Alegre, no qual uma apreensão de ouro de um garimpeiro teria sido simulada.

Cronologia e o que diz a defesa

  • Janeiro de 2026: a corregedoria inicia apurações que identificam o uso de uma viatura da Polícia Civil de Roraima em crimes, segundo o g1; a FolhaBV situa o início da investigação em março, após uma denúncia de roubo.
  • 29 de março: a falsa operação rouba o ouro e o dinheiro no Caçari; o comprador registra o assalto na polícia.
  • 21 de agosto: a primeira fase prende Ivan em Florianópolis e outros três investigados em Roraima.
  • 25 de agosto: a Justiça decreta a prisão preventiva do delegado Castilho.
  • 26 de agosto: a segunda fase cumpre as preventivas de Castilho e Diego Araújo no Amazonas.

A defesa de Castilho, dos advogados Gabriel Mourão e Carlos Villa Real, afirmou à FolhaBV que recebeu a prisão "com surpresa" e que, em 19 de agosto, o juiz das garantias havia registrado expressamente a ausência de indícios de participação do delegado, rejeitando na época pedidos de busca na residência dele e de quebra dos sigilos bancário e fiscal. "John Allan Cunha Castilho nega, de forma veemente, qualquer participação nos crimes que lhe são imputados. Não participou de planejamento, não participou de execução, não recebeu proveito", diz a nota, que destaca ainda que ele é concursado, primário e não foi ouvido antes da prisão, decretada por outro juízo. Os advogados ressalvam que a prisão preventiva é medida cautelar e não antecipa culpa. O g1 informou que tenta contato com as defesas dos demais citados.

Como próximo passo, a defesa de Castilho informou que atuará nos autos para esclarecer os fatos e contestar a preventiva, enquanto a Draco segue investigando os demais roubos atribuídos ao grupo. Um dos oito investigados permanecia foragido até a noite desta quarta-feira.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar