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Overclean: PF apura fraude de R$ 80 milhões em contratos da Educação de BH

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HBPor Henrique Barros•17 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, G1 Minas

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a 10ª fase da Operação Overclean, com 24 mandados de busca e apreensão em seis estados, para apurar suspeita de fraude em contratos de mais de R$ 80 milhões firmados pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Segundo a PF, ao menos três contratos já analisados somam esse valor, e outros procedimentos de contratação também estão sob exame, o que pode aumentar a cifra final.

Os mandados foram cumpridos em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Durante as buscas foram apreendidos cerca de R$ 230 mil em espécie, em Ervália, na Zona da Mata mineira, e em São Paulo capital, informa o G1. Ainda havia equipes em campo e o valor podia aumentar. De confirmadas as suspeitas, os investigados podem responder por crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Entre os alvos da fase estão o ex-secretário de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral, que também já ocupou secretaria em Salvador, e pessoas ligadas ao empresário José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", segundo a CNN Brasil. A investigação aponta que Barral teria favorecido a contratação de empresas de Moura e do empresário Alex Parente na capital mineira. Barral já havia sido alvo de fase anterior da operação. Para a PF, os fatos ainda são suspeitas apuradas em inquérito, e todos os alvos mantêm a presunção de inocência.

Como o caso chegou até aqui

A Overclean foi autorizada pela Justiça Federal em dezembro de 2024, para apurar irregularidades em uma contratação do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) na Bahia. Como o caso tem ligação com políticos com foro privilegiado, foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o relator é o ministro Nunes Marques. Segundo os investigadores, o grupo movimentou R$ 1,4 bilhão e se dedicava a desviar verbas públicas de contratos de engenharia, inclusive por meio de emendas parlamentares. Em agosto, a PF indiciou José Marcos Moura e outras 24 pessoas, entre agentes públicos e privados. À época do indiciamento, Moura negou irregularidades.

A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que a atual gestão não firmou contratos para aquisição de material didático e que usa livros disponibilizados pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), do governo federal. A prefeitura disse ainda que não recebeu nenhuma solicitação ou demanda relacionada à operação e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos.

O próximo passo é a análise do material apreendido, que será incorporado ao inquérito em curso no STF. A PF não divulgou prazo para a conclusão das apurações nem anunciou novas fases. Segundo o G1, a corporação trata os fatos como suspeitas e considera a investigação em andamento.

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