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Mensagens da PF mostram 'A Turma' lamentando saída de Toffoli do caso Master

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HBPor Henrique Barros•14 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, UOL, Times Brasil, A Tarde

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que integrantes de "A Turma", grupo que, segundo os investigadores, era pago pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para intimidar pessoas e obter informações sigilosas, consideraram uma piora e lamentaram a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal). A apuração é da Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (13), com base em material da investigação da PF.

Em uma conversa de WhatsApp interceptada em 27 de fevereiro, Bruno Correa Lopes, apontado pela PF como responsável pela compra de imóveis e pela intermediação de negócios da família Vorcaro, conversou com Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, também investigado na operação Compliance Zero. Manolo enviou o link de uma reportagem sobre supostos desvios de Daniel e Henrique Vorcaro, e a dupla passou a discutir a deterioração dos negócios da família com o avanço das investigações. O diálogo ocorreu duas semanas depois de Toffoli pedir para deixar o caso.

"Cobra aí, por favor, porque o que acontece... senão enfraquece, eu não posso cobrar dele, né? Depois que pega tudo, a gente não consegue ficar cobrando. Quero resolver isso hoje", disse Bruno, segundo a Folha.

Linha do tempo do caso

  • 12 de fevereiro: Toffoli admite integrar o quadro societário da empresa Marindt, administrada por parentes, e pede para deixar a relatoria; os dez ministros assinam nota conjunta afastando suspeição.
  • 27 de fevereiro: a PF intercepta a conversa em que integrantes de "A Turma" tratam a saída de Toffoli como uma piora.
  • 28 de agosto: Vorcaro presta depoimento à PF e diz não se lembrar do destinatário de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes.
  • Início de setembro: o ministro André Mendonça retira o sigilo de relatório da PF que apontou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes, e a crise se instala no STF.

Por que Toffoli deixou o caso

A saída ocorreu em 12 de fevereiro, mesmo dia em que o ministro reconheceu que integra o quadro societário da Marindt, empresa administrada por parentes e que integrou o grupo do resort Tayayá, no Paraná, investigado por suspeitas de irregularidades. Segundo reportagens de A Tarde e do UOL, o pedido veio após uma reunião dos dez ministros, que assinaram nota conjunta reconhecendo "a inexistência de suspeição ou de impedimento" e a plena validade dos atos praticados por Toffoli na relatoria. O caso foi enviado para livre redistribuição. Toffoli não é réu nem alvo de acusação penal no caso Master; as mensagens registram a leitura do grupo investigado sobre a mudança, e não qualquer conduta do ministro.

Segundo relatório da PF citado pelo Times Brasil, "A Turma" tinha seis integrantes e recebia cerca de R$ 400 mil por mês. O líder do grupo, segundo os investigadores, seria o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Entre os membros estava Felipe Mourão, o Sicário (Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão), que se matou após ser detido pela PF, segundo a Folha. A corporação sustenta que o grupo era remunerado para obter informações, inclusive sigilosas, comprar servidores públicos, invadir sistemas oficiais e intimidar quem contrariasse interesses de Vorcaro.

Vorcaro é investigado por suspeita de pagar propina a diretores do Banco Central e por suposto vazamento de investigações contra o banqueiro. Em depoimento à PF em 28 de agosto, ele disse não se lembrar do destinatário de mensagens que os investigadores atribuem a Moraes e afirmou que o "G" citado em uma nota provavelmente era o presidente do BC, Gabriel Galípolo. A defesa disse ao delegado que Vorcaro está disposto a colaborar, mas apenas em uma futura delação premiada.

Próximos passos

O plenário do STF pode decidir nesta terça-feira (15) se abre uma apuração contra Moraes a partir do relatório da PF com as 52 mensagens. Em 23 de setembro, a corte analisará o relatório de inteligência apresentado por Moraes, sem valor probatório segundo o G1, que questiona a atuação de Mendonça na condução das investigações do Master e do INSS.

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