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MP de SP denuncia quatro PMs por segurança irregular a empresa de ônibus ligada ao PCC

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HBPor Henrique Barros•30 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou quatro policiais militares acusados de integrar uma organização criminosa que prestava segurança privada irregular a diretores da Transwolff, empresa de ônibus da capital paulista investigada por suspeita de lavar dinheiro do PCC, a maior facção criminosa do país. A denúncia foi apresentada na quarta-feira (26) à Justiça Militar, segundo a Folha de S.Paulo, e ainda precisa ser recebida pela Justiça para que os acusados se tornem réus. O Ministério Público pediu a prisão preventiva do tenente-coronel José Henrique Martins Flores e a manutenção das prisões dos outros três policiais, detidos desde fevereiro.

De acordo com a acusação, Flores administrava empresas de segurança registradas em nome de parentes, usados como laranjas, e determinava a emissão de notas fiscais frias para dar aparência de legalidade aos pagamentos. O capitão Alexandre Paulino Vieira atuava como coordenador operacional do esquema: caberia a ele recrutar os policiais e negociar diretamente com os diretores da Transwolff. Os sargentos Alexandre Aleixo Romano Cezário e Nereu Aparecido Alves, este último já reformado, executavam a escolta armada e a vigilância dos executivos, de familiares deles e das garagens da empresa. Segundo o G1, o grupo usava o treinamento e as armas da própria Polícia Militar, com participação de integrantes da Rota, tropa de elite da corporação.

Ainda conforme a denúncia, o sargento Nereu também cuidava da logística financeira do esquema. Durante as investigações, a polícia apreendeu na casa dele uma mala com R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo. O MPSP afirma que os policiais sabiam das ligações criminosas dos empresários e, mesmo assim, mantiveram os serviços ilícitos em funcionamento até o início de 2026.

A cronologia do caso

  • 4 de fevereiro de 2026: a Corregedoria da PM deflagra a Operação Kratos, e o capitão Paulino, o sargento Romano e o sargento reformado Nereu são presos preventivamente.
  • Maio de 2026: a Corregedoria indicia os policiais que faziam a segurança dos diretores da Transwolff, segundo apuração do G1.
  • 26 de agosto de 2026: o MPSP oferece a denúncia contra os quatro policiais à Justiça Militar de São Paulo.

O que dizem as defesas

Os advogados Mauro Ribas e Renato Soares, que defendem o capitão Paulino, afirmam que ele "nunca integrou, participou ou prestou serviço para qualquer organização criminosa" e que os serviços de segurança privada eram administrados por meio de uma empresa regularmente inscrita. Já a defesa de Nereu diz ter recebido a denúncia com "absoluta surpresa" e considera as acusações descabidas, em especial a imputação do crime de lavagem de dinheiro. Segundo o advogado Márcio Antonio Sousa Ferreira da Silva, os R$ 1,18 milhão apreendidos pertencem ao empresário Ricardo Barnabé, para quem o sargento prestava serviços, e a origem lícita dos valores teria sido documentada nos autos. As defesas do tenente-coronel Flores e do sargento Romano não se manifestaram até a publicação das reportagens.

O próximo passo cabe à Justiça Militar de São Paulo, que vai decidir se recebe a denúncia, o que tornaria os quatro acusados réus, e se decreta a prisão preventiva do tenente-coronel Flores. Não há data definida para a decisão.

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