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Produtora de 'Dark Horse' pagou R$ 102 mil em dinheiro vivo por SUV e acionou o Coaf

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Karina Ferreira da Gama, produtora do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, comprou um SUV híbrido BYD Song Plus por R$ 102.190, pagos integralmente em dinheiro vivo. A compra ocorreu em 13 de janeiro de 2025, na concessionária BYD Dahruj, em São Paulo, e foi comunicada ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por ter sido quitada com "valores totais em espécie", segundo o G1. O detalhe consta da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Make Up, deflagrada na manhã desta quinta-feira (10) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Operações pagas em dinheiro acima de R$ 50 mil no sistema financeiro e de R$ 100 mil em cartórios geram comunicação automática ao Coaf, mesmo sem indício de crime, porque quantias elevadas em espécie são difíceis de rastrear. A decisão registra ainda que o veículo, um Song Plus 1.5 16V automático híbrido, modelo 2025, valia R$ 184.858 na Tabela Fipe, R$ 82.668 acima do preço pago. O documento não explica a diferença entre os dois valores.

A comunicação ao Coaf, por si só, não significa que a compra seja criminosa. Karina é investigada no inquérito e mantém a presunção de inocência. A operação desta quinta não teve mandados de prisão: a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Karina e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do filme, estão entre os alvos. A Go Up, empresa produtora, não está nos mandatos; duas entidades de propriedade de Karina, o Instituto Conhecimento Brasil (ICB) e a ANC, foram alvo de buscas, segundo a Agência Brasil. Os crimes investigados são peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Linha do tempo do caso

O inquérito apura suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares. Uma auditoria da CGU apontou, em maio, suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades ligadas a Karina, como gastos sem comprovação. Segundo a decisão de Dino, o ICB, presidido pela produtora, recebeu recursos de emendas de autoria de Frias, e a Go Up recebeu dinheiro de pessoas e empresas do núcleo investigado, o que poderia indicar "possível integração patrimonial e operacional" com entidades beneficiadas por emendas. A PF afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema, com tentativas de ocultação dos desvios até julho deste ano. Em paralelo, o STF apura, sob relatoria do ministro André Mendonça, dentro do caso Banco Master, o repasse de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro ao filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro.

O que dizem as partes

Em maio, Frias enviou manifestação ao STF na qual negou que as emendas destinadas a ONGs ligadas à produtora tenham sido enviadas a "qualquer produção cinematográfica". O senador Flávio Bolsonaro, citado na investigação paralela, negou ter combinado qualquer vantagem indevida com Vorcaro e afirmou que os recursos repassados ao filme eram integralmente privados. Procurados pelo G1 e pela Agência Brasil, os citados na operação não haviam se pronunciado até a publicação das reportagens.

O inquérito segue sob a relatoria de Dino no STF. Os próximos passos são a análise, pela PF e pela CGU, do material apreendido nas buscas desta quinta e, eventualmente, a avaliação pela Procuradoria-Geral da República sobre o oferecimento de denúncia. Não há data definida para essa etapa.

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