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Dino amplia acesso da PF a provas do 'Dark Horse'; cogita-se concentrar caso no STF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar integralmente o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre a produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (26) pelo blog da jornalista Andréia Sadi, no G1, libera não apenas os relatórios já produzidos pela polícia paulista, mas também documentos, dados brutos extraídos das mídias apreendidas e os registros da cadeia de custódia, o histórico de como as provas foram coletadas, armazenadas e analisadas. A medida atende a um pedido da própria PF.

A investigação apura o financiamento do longa-metragem, que teria recebido cerca de R$ 61 milhões por meio do fundo americano Havengate Development, ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A PF apura se parte desses recursos foi usada para custear despesas do ex-deputado durante sua permanência nos Estados Unidos. Eduardo nega ter recebido dinheiro por essa via. O caso veio a público depois que o Intercept Brasil revelou conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que indicariam um acordo de cerca de R$ 134 milhões para financiar o filme. Flávio inicialmente negou que o Master tivesse financiado a produção; depois, confirmou ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro, afirmando que os recursos foram usados integralmente na produção.

Uma perícia contratada pela GoUp Entertainment, produtora do filme, avaliou apenas os gastos da empresa, sem examinar a origem dos recursos do Havengate. Segundo o laudo, citado pelo Poder360, o gasto total com a produção somou US$ 3,72 milhões no Brasil e US$ 9,66 milhões nos Estados Unidos entre junho de 2025 e junho de 2026, classificados no documento como recursos privados sem vinculação a verba pública ou à Lei Rouanet. O perito responsável, Anisio Castelo Branco, disse ao jornal O Globo que não tinha autorização para auditar o fundo Havengate, e que rastrear a origem do dinheiro repassado por ele foge do escopo de seu trabalho.

Disputa institucional em torno da apuração

Segundo Sadi, investigadores da PF avaliam, nos bastidores, propor que todas as frentes relacionadas ao financiamento do filme sejam concentradas no STF, sob relatoria de Dino, num processo de federalização do caso. A movimentação poderia partir de um pedido da própria PF ou de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR); segundo a coluna, isso não significa que a federalização já esteja decidida, mas apenas que é um dos próximos passos considerados possíveis. O pedido de acesso a dados brutos, e não somente ao material já selecionado pela Polícia Civil, indica que os investigadores federais querem examinar as provas originais e formar conclusões próprias.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, saiu em defesa da atuação da Polícia Civil paulista e classificou como desrespeitosas as críticas de que a investigação teria sido "segurada" no estado. Em entrevista um dia antes da decisão de Dino, Tarcísio afirmou que cumpriria a determinação do STF para compartilhar os documentos da apuração sobre a ONG ligada ao filme e negou que houvesse atraso na investigação conduzida em São Paulo. A ampliação do acesso da PF, na leitura da coluna de Sadi, sinaliza desconfiança institucional em relação à condução do caso pela polícia estadual, movimento que ganhou repercussão política no contexto da campanha eleitoral de 2026, na qual Tarcísio é aliado de Flávio Bolsonaro.

Não há data marcada para uma decisão sobre a federalização da apuração; trata-se, por ora, de discussão interna entre investigadores, que pode ou não avançar por meio de pedido formal da PF ou da PGR. O ministro André Mendonça também conduz, no STF, outra frente relacionada à investigação sobre o filme, além da apuração sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do caso envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até a publicação desta reportagem, nem a PF nem a PGR haviam formalizado pedido de federalização do caso Dark Horse.

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