O homem apontado pela Polícia Civil como coordenador do grupo de seguranças de rua envolvido no linchamento de Cláudio Rafael Landeiro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, tem 14 anotações criminais, segundo o G1. Aluisio da Silva Filho prestou depoimento na tarde de quarta-feira (26) à 12ª DP (Copacabana), delegacia que conduz o inquérito. O histórico inclui registros por ameaça, lesão corporal, porte ilegal de arma e o roubo de um turista no bairro. Aluisio não está preso e foi ouvido na condição de investigado, o que preserva a presunção de inocência.
Cláudio Rafael, de 37 anos, foi agredido na noite de 11 de agosto após ser falsamente acusado de furtar uma bicicleta que, na verdade, pertencia à irmã dele. Levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, morreu no dia 12. Segundo a Folha, a vítima foi golpeada mais de 60 vezes, e o porrete usado nas agressões foi buscado pelo segurança Davi Santos Machado em um bar da Rua Barata Ribeiro.
Cronologia do caso
- 11 de agosto: Cláudio Rafael é acusado de furto e passa a ser agredido por seguranças de rua e entregadores em Copacabana; parte do espancamento é filmada.
- 12 de agosto: ele morre no Hospital Municipal Miguel Couto.
- 20 de agosto: o segurança Davi Santos Machado é preso em Mesquita; o segurança Jorge Luiz Ricardo Dias, 56, se entrega à 12ª DP.
- 21 de agosto: os entregadores Felipe Eduardo dos Santos e Ailton José da Silva são localizados e presos, segundo a CNN Brasil.
- 25 de agosto: a polícia ouve cinco pessoas, entre elas os donos de um bar, um restaurante e uma farmácia que pagavam pelo serviço do grupo.
- 26 de agosto: Aluisio presta depoimento, e a polícia informa suas 14 anotações criminais.
Em depoimento, Aluisio apresentou a própria versão. Disse que coordena há mais de 25 anos um grupo de apoio que atua nas proximidades das ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, sem CNPJ, com quatro integrantes, contando ele e os dois seguranças presos. Segundo ele, os membros não se denominam "seguranças", mas "apoiadores", e não tinham autorização para abordar ou seguir pessoas suspeitas, impedir que deixassem algum local, fazer revista pessoal ou reter objetos. A orientação, afirmou, era acionar o 190 em ocorrências graves, sem emprego de força física. Aluisio disse ainda que soube da morte de Cláudio dias depois, que uma testemunha relatou um pedido de silêncio feito por Davi e que o funcionário negou participação no crime. Ele admitiu que já havia recebido reclamações sobre o comportamento agressivo de Davi, que teria agredido um homem em situação de rua. A TV Globo tentou contato com a defesa de Aluisio, sem sucesso até a última atualização da reportagem.
A investigação sustenta outra leitura. Comerciantes de um bar, um restaurante e uma farmácia confirmaram em depoimento, segundo a Folha, que pagavam pela segurança privada irregular de Davi e Jorge, e são investigados por possível contribuição com o esquema de vigilância clandestina; o filho do dono do bar é investigado por omissão de socorro. Jorge, ao se entregar, confessou ter participado da abordagem e disse ter presenciado parte das agressões, conforme a CNN Brasil. Os quatro presos, dois seguranças e dois entregadores, respondem por homicídio triplamente qualificado, crime hediondo.
O caso expôs a atuação de vigilantes irregulares na Zona Sul carioca. Entidades do setor de segurança privada, reunidas na terça-feira (25) em Brasília, cobraram da Polícia Federal, órgão responsável por autorizar empresas de vigilância, uma fiscalização mais rigorosa, informou a Folha. O próximo passo do inquérito é a captura do quinto agressor, que aparece nas imagens chutando a cabeça da vítima: segundo O Dia, o Tribunal de Justiça do Rio expediu mandado de prisão contra Wellington Luiz Santos de Souza, identificado pela polícia como autor dos chutes. O depoimento de Aluisio será anexado à investigação da 12ª DP, que não divulgou prazo para a conclusão.