O empresário João Carlos Mansur, ex-presidente do conselho de administração da gestora Reag Investimentos, entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada com informações centradas em Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (26) pela colunista Natália Portinari, da UOL Notícias.
Segundo a apuração da UOL, reproduzida pelo site Times Brasil, a proposta está em fase de ajustes finais antes da assinatura formal e contém 17 anexos com relatos de suspeitas de crimes financeiros. Como parte do acordo, Mansur deverá pagar cerca de R$ 40 milhões em multas, valor que corresponderia ao montante recebido da Reag durante o período em que atuou na empresa. O documento ainda precisa ser formalmente assinado e submetido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para eventual homologação.
O foco principal da colaboração é Vorcaro. De acordo com a reportagem da UOL, Mansur descreveu negociações que teria realizado diretamente com o banqueiro e afirmou que, nessas tratativas, ficou claro que Vorcaro sabia dos supostos desvios de recursos do Banco Master.
O site BNews, citando a Revista Oeste, havia relatado dois dias antes que a defesa de Mansur e a PGR já haviam chegado a um entendimento sobre a maior parte dos termos de uma eventual delação. Segundo essa reportagem, Mansur é investigado em duas frentes: o caso do Banco Master e a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para apurar suspeitas de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. As tratativas para uma colaboração premiada começaram no fim de 2025, inicialmente com uma proposta ao Ministério Público Federal em São Paulo que não avançou.
Mansur e Vorcaro mantinham relações de negócios e chegaram a ser representados pelo mesmo advogado, José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca. Em março, segundo o BNews, investigadores chegaram a cogitar a possibilidade de que os dois apresentassem relatos complementares em eventuais acordos de colaboração separados.
O caso Banco Master
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no aeroporto quando tentava deixar o país em um jato particular com destino a Malta, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. O caso é apontado como um dos maiores esquemas de fraude bancária já registrados no país, com suspeita de desvio de recursos que somariam bilhões de reais.