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Filho de Fux chamou Vorcaro de 'irmão' e falou em 'tapete vermelho'

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Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e preso por suspeita de fraudes, mostram uma relação de proximidade entre o banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os diálogos vão de maio de 2024 a agosto de 2025 e foram reproduzidos na terça-feira (15) pelo Metrópoles e pelo portal Metro1. O conteúdo do aparelho havia sido entregue na segunda (14) aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, que pediram acesso ao material para subsidiar a sessão em que o STF analisava a relação entre Moraes e o ex-banqueiro.

Em diferentes momentos, Rodrigo Fux se refere a Vorcaro como "irmão". Em 17 de maio de 2024, abre uma conversa com "Fala irmão. Tudo bem?"; em novembro, ao se dizer livre para uma ligação, escreve "Vamos irmão? Liberei". Em 4 de dezembro de 2024, ao combinar um encontro em seu escritório, no Rio, o advogado disse que remarcou outro compromisso para receber o banqueiro às 14h e, na sequência, enviou: "Tapete vermelho irmão". Vorcaro respondeu: "Valeu irmao!". Um mês antes, o banqueiro havia pedido "Quero te chamar pra me ajudar num caso". O filho do ministro respondeu "Será um prazer, se eu puder ajudar" e, depois de uma videoconferência, recebeu um documento para análise.

O elo com o gabinete de Fux

A conexão direta com o ministro aparece nas conversas de março de 2025, segundo o Metro1. No dia 11, Rodrigo Fux procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília e disse que passaria antes pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. Às 10h12 do dia 12, avisou: "Bom dia. 10:30hs tô aí". Às 13h29, perguntou "Qual a data de Londres mesmo?" e pediu que o material sobre o compromisso fosse enviado ao e-mail dele e a Patrícia, secretária de Luiz Fux no STF. "E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim", escreveu, indicando endereço de domínio institucional do tribunal. Vorcaro respondeu "Vou pedir!". Para o Metro1, os diálogos indicam que o advogado articulou a participação do pai em um evento ligado a Vorcaro em Londres, mas não esclarecem qual seria o papel do ministro nem permitem concluir que ele tenha se encontrado com o banqueiro.

Os limites do material são destacados nas próprias reportagens: as mensagens não identificam quem participaria dos encontros combinados e, isoladamente, não permitem afirmar que Luiz Fux estivesse envolvido nas reuniões. As conversas misturam assuntos profissionais e sociais. Segundo o Metrópoles, houve encontro em Brasília em fevereiro de 2025, em casa indicada por Vorcaro no Lago Sul, e, no Carnaval do Rio de 2025, o banqueiro convidou o advogado e a família para um camarote.

Em nota, o escritório Fux Advogados afirmou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo. Para o escritório, o tom das mensagens reflete uma tentativa de aproximação comercial do banqueiro e de sócios, que não se concretizou e ocorreu mais de um ano antes das notícias sobre suspeitas de fraudes e implicações criminais envolvendo Vorcaro. Procurado pela assessoria do STF, o ministro não havia se manifestado até a publicação. Nenhuma das reportagens cita acusação formal contra Rodrigo Fux.

Como o caso chegou até aqui

O celular foi apreendido pela PF nas investigações sobre o Banco Master, e o conteúdo veio a público horas antes da sessão de terça (15), em que o STF analisava supostos diálogos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, cuja mulher, Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de R$ 131 milhões com o banco, segundo o G1. Na mesma leva de mensagens, conversas entre Vorcaro e o ex-diretor jurídico do Master mencionavam supostos pagamentos de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Kevin negou ter recebido esses valores e disse ter sido remunerado em R$ 281,6 mil pela empresa de consultoria Consult, por serviços tributários sem relação com o STF. Nunes Marques afirmou que o filho nunca prestou serviços ao Master e se declarou impedido de participar do julgamento, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A sessão terminou sem decisão sobre a condução dos casos de Moraes e do ministro André Mendonça, relator do caso Master: o placar chegou a 4 a 3 pela análise separada, o ministro Flávio Dino pediu vista e o julgamento foi interrompido. Segundo a Folha de S.Paulo, a retomada pode levar até 90 dias e ficar para depois das eleições de 4 de outubro. As mensagens envolvendo Rodrigo Fux integram o material da PF em análise pelos ministros.

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