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Mendonça nega irregularidade em relatório da PF que citou Moraes

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HBPor Henrique Barros•15 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, BBC News Brasil, G1

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça informou ao presidente da corte, Edson Fachin, que não cometeu irregularidades ao determinar a produção do relatório da Polícia Federal que identificou o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A resposta foi apresentada um dia antes da sessão em que, pela primeira vez na história do tribunal, os ministros reúnem-se para decidir se um colega deve ser investigado.

Em petição ao STF, Mendonça afirmou que o material lhe foi entregue presencialmente pela PF em agosto e que, diante da menção, nas conversas, ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, "impunha-se, com ainda maior razão, a adoção de providência", segundo a Folha de S.Paulo. A BBC News Brasil reporta que o ministro sustentou ter convocado os delegados de forma direta e presencial por cautela, "sem imputar qualquer suspeita a quem quer que seja", e que a apuração deveria observar a separação entre as atividades de inteligência e de polícia judiciária, a preservação do sigilo e o princípio da funcionalidade.

O que alega Moraes

Na véspera da sessão, Moraes enviou a Fachin um ofício de 44 páginas dividido em 121 pontos, no qual nega qualquer irregularidade e acusa o colega de "vingança" e de uso "político-eleitoral" do inquérito do Banco Master. Ele argumenta que não houve interferência sua para beneficiar Vorcaro antes da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025.

"Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal", escreveu o ministro.

Segundo a BBC News Brasil, os diálogos levantados pela PF mostram que Vorcaro cobrava atenção especial aos pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em 8 de fevereiro de 2024, o tesoureiro do banco enviou a Vorcaro o comprovante de uma transferência de R$ 3,42 milhões para o escritório. Moraes nega favorecimento e não responde a inquérito formal.

O procurador-geral da República também questionou a conduta de Mendonça. Em manifestação apresentada em 1º de setembro, dia em que o ministro tornou públicas as mensagens, Gonet pediu que a decisão fosse declarada nula. Para a PGR (Procuradoria-Geral da República), a investigação extrapolou os limites da atuação de um magistrado na fase pré-processual, e caberia ao próprio STF decidir sobre eventual apuração contra um de seus integrantes.

Linha do tempo do caso

  • Novembro de 2025: Vorcaro é preso; ele é investigado por suspeita de fraudes estimadas em R$ 12,2 bilhões no Banco Master.
  • Agosto de 2026: a PF entrega presencialmente a Mendonça, relator do inquérito das fraudes, relatório que identifica Moraes como interlocutor de Vorcaro, com 52 mensagens trocadas.
  • 1º de setembro: Mendonça torna as mensagens públicas; abre-se no STF a petição 16.662, que originou a sessão desta terça; a PGR pede a anulação da ordem.
  • 14 de setembro: Moraes envia o ofício em que fala em "farsa" e "vingança"; Mendonça responde negando irregularidades.

Na sessão desta terça-feira (15), Fachin, que assumiu a relatoria do caso e vota primeiro, afirmou que "compete ao plenário do Supremo Tribunal Federal investigar seus integrantes" e leu trecho da manifestação da PGR, segundo a qual a ordem para investigar Moraes é nula por "exceder os limites da competência do juiz". Dois ministros deixaram o colegiado de julgamento: Kássio Nunes Marques declarou-se impedido por presidir o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em ano eleitoral, e Dias Toffoli declarou-se suspeito, por foro íntimo. Nunes Marques negou ter julgado processos ligados ao Master e disse que seu filho nunca prestou serviços ao banco.

Segundo o G1, Fachin sinalizou aos colegas a disposição de concluir o julgamento ainda nesta terça-feira (15). A ala de Moraes não descarta pedir vista, o que daria mais tempo para análise e adiaria a decisão. Autorizada a abertura, Moraes passaria à condição de investigado em inquérito no STF.

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