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PF prende candidato a deputado do PL suspeito de treinar milícia na Raposa Serra do Sol

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A Polícia Federal prendeu na manhã desta sexta-feira (25), em Boa Vista, o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL), por suspeita de compra de votos. A prisão ocorreu durante a Operação Cunhambebe, que apura o envolvimento do político na criação e no treinamento de uma milícia privada para atuar na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao norte de Roraima. Trindade é investigado e mantém a presunção de inocência.

A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, em endereços ligados ao candidato em Boa Vista e no município do Cantá. Os mandados foram autorizados pelo juiz Victor Oliveira de Queiroz, da 4ª Vara Federal Criminal de Roraima. Segundo apurou a Rede Amazônica, os agentes encontraram durante as buscas indícios de crimes eleitorais, e o candidato foi levado para a sede da PF no estado. O g1 informou que tenta contato com a defesa de Trindade, que não havia se pronunciado até a publicação.

Como o caso começou

As investigações começaram em maio deste ano, depois que agentes da Polícia Rodoviária Federal e do Ibama foram atacados durante uma ação contra o garimpo ilegal na comunidade Napoleão, uma das áreas mais afetadas pela extração de ouro com uso de cianeto dentro da terra indígena. Integrantes de um grupo tentaram bloquear a passagem das viaturas, e vídeos registrados na região mostram os agentes perseguidos por motocicletas, em meio a sons semelhantes a tiros. A PF descobriu então que Trindade ministrava um curso de segurança privada clandestino, sem autorização do órgão, que ensinava táticas operacionais. A pedido da polícia, a Justiça suspendeu o curso por 180 dias. Segundo o g1, o candidato é apontado como responsável por incentivar crimes e tentar barrar a fiscalização ambiental na região, e a milícia seria formada por indígenas.

Suspeitas da PF e restrições da Justiça

Em nota oficial, a Polícia Federal, que não cita o nome do candidato, afirma que o objetivo da operação é esclarecer a extensão dos fatos, identificar eventuais participantes e interromper atividades ilícitas em curso, e lista os crimes suspeitados:

"Segundo os elementos reunidos até o momento, há indícios da prática, em tese, dos crimes de constituição de milícia privada, incitação ao crime, receptação qualificada, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, exercício ilegal de atividade econômica e embaraço à fiscalização ambiental."

Na decisão, o juiz Victor Oliveira de Queiroz proibiu Trindade de entrar em qualquer terra indígena de Roraima e de manter contato com membros da comunidade Napoleão ou com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima. Ele determinou a apreensão de documentos e aparelhos eletrônicos para perícia e autorizou que o candidato seja revistado em via pública, já que viaja constantemente pelo interior em campanha eleitoral. Se descumprir qualquer restrição, o político pode ter a prisão preventiva decretada.

Os próximos passos são a perícia do material apreendido nas buscas desta sexta e a apresentação de Trindade à Justiça Federal, para a qual ainda não havia data divulgada até a publicação. Acusações de compra de votos são julgadas pela Justiça Eleitoral, que pode cassar a candidatura em caso de condenação. Trindade concorre a deputado federal por Roraima nas eleições de outubro.

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