arrow_backVoltar
public-safetyCorruptioncrimesao-paulopolice

MP: policiais civis de SP simulavam apreensões e escoltavam contrabando por propina

bookmark_borderSalvar
HBPor Henrique Barros•30 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

São Paulo: Um grupo de policiais civis de São Paulo é investigado pelo Ministério Público por suspeita de receber propina para facilitar esquemas de contrabando no estado. Segundo a apuração, os agentes simulavam apreensões de produtos ilícitos e escoltavam cargas de alto valor usando viaturas da própria corporação. O caso veio à tona nesta sexta-feira (28), com uma operação que apura os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, em diligências que contaram com a participação da Corregedoria da Polícia Civil.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a Justiça decretou a prisão preventiva, sem prazo definido, de sete pessoas, entre elas quatro policiais civis, e autorizou buscas em 18 endereços. Entre os alvos estão as delegacias de Embu das Artes e Santana de Parnaíba e o 2º distrito policial de Cotia, todos na Grande São Paulo. O G1 noticiou que três policiais civis foram presos durante a ação.

A investigação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) e começou em dezembro de 2024, a partir da prisão de Thiago Marcel Magnabosco pela Polícia Federal. Apontado como líder de uma organização criminosa especializada em contrabando e descaminho, Magnabosco guardava no celular mensagens que, segundo o Ministério Público, ligam o esquema a policiais civis paulistas.

Cronologia do caso

  • Junho de 2024: um caminhão com cerca de R$ 600 mil em produtos contrabandeados foi abordado pela Polícia Civil e ficou sob custódia dos agentes Bruno Moreno dos Santos e José Adriano da Silva Nishi. Segundo o Gaeco, os dois cobraram R$ 400 mil para liberar a carga.
  • Julho e agosto de 2024: ocorreram episódios semelhantes, desta vez com a atuação do advogado Sidiclei da Costa Almeida, apontado como intermediador da propina entre a quadrilha e os policiais.
  • Dezembro de 2024: o Gaeco inicia a investigação após a prisão de Magnabosco pela Polícia Federal.
  • 28 de agosto de 2026: a operação é deflagrada, com prisões preventivas decretadas e buscas em 18 endereços.

Além de Santos e Nishi, que tiveram a prisão preventiva decretada, os outros dois policiais civis citados como alvos são Vagner Ramalho e Marcos Vinícius de Souza Melo. Todos são tratados como investigados e mantêm o direito à presunção de inocência. A Folha informou que não conseguiu localizar nesta sexta-feira a defesa dos suspeitos.

Um dos arquivos anexados ao inquérito, reproduzido pela imprensa, mostra uma viatura da Polícia Civil em suposta escolta a produtos contrabandeados. A imagem foi localizada com um dos investigados. Como próximos passos, os presos preventivamente devem passar por audiências de custódia, e o Gaeco segue com as diligências. O Ministério Público ainda não informou se e quando pretende oferecer denúncia formal contra os investigados.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar