O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que informações colhidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme Dark Horse sejam compartilhadas com a Polícia Federal, segundo reportagem do Correio Braziliense publicada nesta terça-feira (25). A decisão abre uma nova frente de apuração dentro da corporação federal, que já investiga o caso sob outro inquérito.
O longa, uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi financiado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, hoje preso. Em junho deste ano, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação contra Karina Ferreira Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. As buscas atingiram também o Instituto Conhecer Brasil (ICB), outra empresa de Karina Gama que mantém contratos de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo.
Segundo o Correio Braziliense, o foco da operação paulista foi apurar o destino de emendas parlamentares enviadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) à produtora. De acordo com as apurações, Frias destinou R$ 2 milhões ao grupo de Karina Gama em 2024. Nas buscas, foram apreendidos documentos, celulares, computadores e outros itens que agora poderão subsidiar as investigações da Polícia Federal, já que o caso corre sob sigilo no Supremo.
Duas frentes de investigação
A Polícia Civil e a Polícia Federal mantêm apurações com focos distintos, aponta o jornal. A PF busca saber se houve lavagem de dinheiro no envio de recursos para o filme e se parte dos valores foi usada para manter nos Estados Unidos o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Já os valores empregados na produção do filme e sua relação com o Banco Master são apurados em outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça no STF, que também mira o eventual envolvimento do pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro.
As investigações sobre a produtora começaram depois de um pedido de Flávio Dino, relator no STF de processos sobre rastreabilidade e transparência de emendas parlamentares, para que a Controladoria-Geral da União (CGU) apurasse o envio de recursos dos deputados Mário Frias, Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC). Segundo o Correio Braziliense, investigadores têm reclamado, nos bastidores, da demora de Mendonça em autorizar diligências solicitadas no inquérito sob sua relatoria.
O caso ganhou destaque em maio, quando vieram à tona conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro em que o senador cobrava do banqueiro o pagamento dos R$ 134 milhões prometidos para a produção de Dark Horse, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados, segundo a Folha de S.Paulo. Após o vazamento dos diálogos, Flávio afirmou publicamente estar "100% disposto" a divulgar o contrato do filme com Vorcaro, mas o documento não havia sido apresentado até a publicação da reportagem da Folha nesta terça-feira.