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PF: lobista Roberta Luchsinger pagou servidores do Ministério do Desenvolvimento

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HBPor Henrique Barros•25 de setembro de 2026•Fontes: G1, Brasil em Folhas

A Polícia Federal encontrou, no celular da lobista Roberta Luchsinger, mensagens que registram pagamentos em dinheiro vivo a dois servidores do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Segundo reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, exibida na noite desta quinta-feira (24), os repasses ocorreram em junho de 2023, em depósitos de R$ 20 mil. Seis meses depois, a pasta contratou por mais de R$ 31 milhões uma empresa de tecnologia representada pela lobista.

Os diálogos foram extraídos pela PF no âmbito de investigação que apura suspeita de tráfico de influência envolvendo Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois são alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março de 2023, Ulisses Barbosa, motorista e auxiliar pessoal da lobista, escreveu: "Trouxe a mala. Um lado tá os 500k - 500 mil. Dou o outro lado tá o que sobrou da mala, 90 mil mais ou menos".

Os pagamentos de junho de 2023

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, citado pelo G1, parte desses valores foi entregue ao empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Lulinha. As mensagens registram ainda uma ordem de Luchsinger para que o motorista entregasse R$ 193 mil a Bittar. Em 2 de junho de 2023, a lobista pediu:

"Vai lá no meu quarto e no meu armário na parte de cima tem uma sacola com dinheiro. Você pega 60 mil, por favor, para fazer uns pagamentos para mim".

Na sequência, ela orientou depósitos de R$ 20 mil em pelo menos três contas. Quase três horas depois, o motorista escreveu: "Já estou no banco. Acima de 50 mil por dia, por CPF, a moça disse que o Banco Central já fica de olho. Já aciona tipo um alerta lá. Só avisando...". Luchsinger respondeu: "Ok. Pode fazer". A PF identificou fotos de dois comprovantes de depósito de R$ 20 mil: um para Rannier Costa Ciriaco, secretário-executivo adjunto do ministério, e outro para José Martinho Ferreira, chefe do cerimonial da pasta.

Contratos posteriores e defesas

Em dezembro de 2023, o ministério contratou a empresa 3Structure, do empresário de tecnologia Cleber Ribas, então representado por Luchsinger, por mais de R$ 31 milhões. Houve aditivo de R$ 2 milhões em novembro de 2025 e um novo contrato, de R$ 19 milhões, em abril de 2026. O ministério negou que tenha havido favorecimento na licitação, realizada por pregão eletrônico, e afirmou que os dois servidores citados não têm ligação com a área de tecnologia e não participaram do certame.

Segundo o site Brasil em Folhas, o inquérito relatado pelo ministro André Mendonça, do STF, apura se Lulinha atuou em negócios da estatal Dataprev para beneficiar Ribas, e o site registra que o chefe de cerimonial já havia sido preso, em 2014, transportando R$ 180 mil quando trabalhava como motorista de Wellington Dias, atual ministro da pasta. Ainda segundo o site, a defesa de Lulinha, pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que ele desconhece a natureza dos pagamentos e não tem relação com irregularidades, e a defesa de Luchsinger disse que não comentaria "vazamentos ilegais nas vésperas de uma eleição". O G1 reportou que não houve retorno das defesas de Rannier, de José Martinho, de Ribas, de Ulisses Barbosa e de Bittar.

Nenhum dos citados foi denunciado. Os inquéritos seguem em curso no STF e, se a PF os concluir, caberá ao procurador-geral da República decidir sobre o oferecimento de denúncia à corte. A divulgação das mensagens ocorre a dez dias do primeiro turno da eleição presidencial, na qual o presidente Lula disputa a reeleição.

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