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PCC tinha poder de decisão sobre financiamento de campanhas em SP, diz Justiça

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HBPor Henrique Barros•18 de setembro de 2026•Fontes: Poder360, Folha de S.Paulo

A decisão judicial que autorizou a prisão temporária de Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, aponta que integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) tinham poder de decisão sobre aportes financeiros em campanhas políticas na capital paulista. A conclusão integra o documento que embasou a Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

De acordo com a investigação citada pela Justiça, 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo são controladas pela facção. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP-SP) informou que são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em sete cidades: São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Até a manhã desta quinta, nove suspeitos haviam sido presos. A reportagem da Folha fala em mandados de prisão contra 13 pessoas. Todos os alvos são investigados; ninguém foi condenado.

O que diz a decisão

Um dos pontos centrais da investigação foi a análise do aparelho celular do investigado José Daniel Satilite, proprietário da empresa de ônibus Translider. Segundo o documento judicial citado pela Folha, os diálogos recuperados tratavam da atuação da facção junto ao sistema judiciário e ao poder público:

"Os diálogos tratariam de questões relacionadas à 'Sintonia dos Gravatas' [setor que reúne advogados ligados ao PCC], pagamento de honorários, estratégias jurídicas em favor de integrantes presos, medidas judiciais de interesse da facção e articulações com agentes políticos."

É nesse contexto que a decisão aponta que membros da facção definiam aportes de dinheiro a campanhas eleitorais em São Paulo, segundo a Folha. O Poder360 descreveu a fase atual como a apuração do "braço político" do PCC, e a nota da SSP-SP afirma que as investigações identificaram "advogados e políticos que integravam a estratégia criminosa". A revelação chega a menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.

A defesa e os próximos passos

Esta é a terceira fase da Vectura Corrupta, conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, com apoio do MP-SP. As fases anteriores investigaram a infiltração da facção no transporte coletivo da capital. Leite, que já presidiu a Câmara Municipal, não foi encontrado nos endereços cadastrados. Por telefone, disse à Folha que está fora de São Paulo e que não está foragido. "Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados", afirmou.

Leite nega todas as acusações, entre elas a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf. Em áudio enviado ao Poder360, afirmou:

"Nego veementemente todo e qualquer relação com o PCC, desconheço qualquer membro dele nessa cidade ou neste país. A minha relação com as empresas de ônibus são uma relação institucional, considerando que, a pedido do senhor prefeito Bruno Covas, em 2019, ele me pediu para que conduzisse a essa pasta, a pasta dos transportes [...] Ademais, não estou foragido, vou me apresentar em 24 horas."

O próximo passo esperado no caso é a apresentação de Leite à polícia, prometida para dentro de 24 horas, ou seja, até esta sexta-feira (18). A prisão temporária é medida cautelar destinada à investigação e não configura condenação. Após o cumprimento dos mandados, caberá ao Ministério Público decidir sobre o eventual oferecimento de denúncia contra os investigados.

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