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Berger, assessor de Lula, é aconselhado a deixar cargo após presentes de lobista

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O chefe de gabinete adjunto da Presidência, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, foi aconselhado por pessoas do entorno do presidente Lula a pedir demissão, informou o Metrópoles na noite desta quinta-feira (24). A pressão veio um dia depois de a coluna do site revelar que o assessor recebeu presentes de dezenas de milhares de reais da lobista Roberta Luchsinger, sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Segundo a reportagem, ainda não está claro se Berger deixará o cargo ou quando. A definição ocorre a dez dias do primeiro turno das eleições.

Entre os presentes listados pelo Metrópoles, com base em mensagens obtidas da lobista, estão um relógio Cartier Tank de ouro de R$ 66 mil, comprado em 29 de abril de 2024; um quadro do pintor Antonio Veronese adquirido por 13 mil euros, cerca de R$ 83 mil na cotação da época; um anel para a mulher do assessor; e uma festa de aniversário em camarote do estádio Mané Garrincha, em Brasília, em 9 de novembro de 2024, durante show de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Na época, Berger era o número dois do Ministério da Saúde, na gestão da então ministra Nísia Trindade, e, segundo a reportagem, atuava com Luchsinger na liberação de recursos para estados e municípios. O camarote da festa pertence à empresa 3Structure, para quem Luchsinger fazia lobby; a empresa conquistou contratos públicos de R$ 86 milhões no governo Lula, segundo o site.

Nas mensagens divulgadas, o assessor agradece a festa de seus 67 anos:

"Bom dia, amiga. Agradeço demais toda a consideração e amizade. A festa que você e demais amigos me dedicaram estava linda, impecável."

Como o caso chegou ao Planalto

A crise nasceu das investigações da Polícia Federal sobre Lulinha. Segundo a Folha de S.Paulo, a PF analisa mensagens e movimentações financeiras em três inquéritos que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência, e suspeita que Luchsinger defendia interesses privados junto a órgãos federais em parceria com dois sócios ocultos: Lulinha e o empresário Fernando Bittar. Pelo menos quatro integrantes ou ex-integrantes do governo são citados nas apurações: Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social; José Martinho Ferreira de Araújo; Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula; e Swedenberger. A saída de Marcola do governo, no início de agosto, levou a crise à antessala do Planalto, noticiou a Gazeta do Povo. Em sabatina na TV Globo, no dia 27 de agosto, Lula negou conhecer a lobista. "Eu não conheço essa moça. Nunca vi essa moça na minha vida. Nunca conversei com essa moça", disse o presidente, que a chamou de "pilantra".

O Metrópoles também relata que Luchsinger providenciou roupas, ingressos de shows e uma peça de joalheria para Cláudia Troiano, a Claudinha, secretária pessoal do presidente, que teria se hospedado no apartamento da lobista em São Paulo, em março de 2025. Quando a relação entre Berger e Luchsinger veio a público, o Palácio do Planalto decidiu mantê-lo no cargo para não "queimar a largada", registrou o site.

Em nota, o Planalto afirmou que Berger e Claudinha negam "categoricamente" ter recebido presentes ou vantagens indevidas de Luchsinger. Berger mantém silêncio sobre as acusações; nas mensagens, porém, ele agradece pela festa e envia foto do quadro de Veronese pendurado em casa, acompanhada de emoji de coração. Não há, até agora, indiciamento divulgado de qualquer pessoa citada nas apurações. O próximo passo imediato é político: segundo o Metrópoles, o entorno do presidente aguarda a decisão de Berger sobre o cargo. Quanto aos inquéritos da PF, a Folha não informa prazo para conclusão.

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