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PGR defende fim do sigilo sobre rede de pagamentos de Vorcaro no caso Master

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HBPor Henrique Barros•14 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, G1

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (14), a retirada do sigilo de mais uma frente de investigação do caso Master: o processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília, e do banco extinto. A decisão sobre tornar o material público cabe ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

O parecer responde a um pedido do ministro Alexandre de Moraes, apresentado no domingo (13). Ele quer que o processo, identificado como Pet 15.645 e distribuído por prevenção ao ministro André Mendonça, seja aberto e disponibilizado a todos os ministros antes do julgamento desta terça-feira (15) sobre o relatório da Polícia Federal que aponta uma suposta relação entre ele e Vorcaro. Segundo a CNN Brasil, Moraes afirma que a petição contém "elementos essenciais" para o julgamento.

A manifestação da PGR é assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho. Segundo ele, a Procuradoria não havia se manifestado antes sobre o tema porque não tinha ciência da existência do processo, que sequer aparecia visível à instituição no sistema do STF. A PGR diz ter defendido a abertura de todos os pedidos de retirada de sigilo já analisados no caso.

"Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser retirado o sigilo", escreveu o vice-procurador-geral.

Como o caso chegou até aqui

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A PF localizou 52 mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro entre 21 de dezembro de 2023 e a data dessa prisão. Um relatório da corporação, produzido por determinação de Mendonça, afirma que o ministro atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes. A PGR, porém, defende no STF o arquivamento do relatório, sob o argumento de que sua produção foi irregular: teria sido determinada sem comunicação prévia à Presidência do tribunal, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.

A disputa por documentos ocupa a Corte há dias. Na sexta-feira (11), Mendonça retirou o sigilo de dezenas de procedimentos após cobranças da PGR e de ministros por maior acesso ao material das investigações. Moraes criticou o que classificou como divulgação "seletiva" e afirmou que arquivos digitais continuavam fora do conjunto liberado. Segundo o G1, o STF já tornou públicos 53 procedimentos relacionados ao caso Master, após pedido de Fachin.

O que vem a seguir

Cabe agora a Fachin decidir se a Pet 15.645 será tornada pública. O próximo passo do caso está marcado para esta terça-feira (15), quando o plenário do STF julga o relatório da PF sobre as mensagens entre Moraes e Vorcaro, em sessão que deve definir se a Corte abre investigação contra o ministro. Nenhuma das pessoas citadas foi condenada, e Moraes ainda não é alvo de inquérito.

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