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PF apreende quase R$ 1 milhão em espécie e 21 carros em operação contra Adail Filho

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HBPor Henrique Barros•18 de setembro de 2026•Fontes: G1, Congresso em Foco

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 990 mil em espécie, além de US$ 10 mil e € 1.255, no cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Dinastia do Lago, deflagrada nesta quarta-feira (16). A ação apura suspeitas de fraudes em contratos públicos da gestão de Coari, no interior do Amazonas, e tem entre os principais alvos o deputado federal Adail Filho (MDB-AM) e o pai dele, o prefeito Adail Pinheiro (Republicanos), ambos tratados como investigados.

Em Manaus, os agentes federais apreenderam R$ 352.750, US$ 10 mil e € 1.255, além de 11 carros em endereços ligados aos investigados, entre eles a residência do deputado. Em Coari, a PF encontrou cerca de R$ 637.750 e outros 10 veículos, o que eleva para 21 o total de carros apreendidos. Imagens divulgadas pela corporação mostram ainda relógios e joias entre os bens recolhidos, sem valor estimado informado. Segundo o site Congresso em Foco, foram cumpridos 29 mandados nas duas cidades.

O que apura a operação

Segundo a PF, a investigação aponta possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, com suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras para pagamento de vantagens indevidas e para ocultar a origem e os destinatários finais dos valores. Os fatos podem configurar, em tese, os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, peculato e organização criminosa. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Adail Pinheiro, que segundo o Congresso em Foco cumpre o quarto mandato, e secretários municipais foram afastados dos cargos por 90 dias. Adail Filho foi alvo de busca e apreensão, mas permanece no exercício do mandato na Câmara dos Deputados.

Como começou o caso

A operação é desdobramento de um inquérito instaurado no STF por Moraes, após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação começou após a prisão em flagrante de três empresários, Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho, no aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Eles transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília e não apresentaram, na ocasião, comprovação da origem do dinheiro.

Documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos foram analisados com autorização judicial e, segundo o processo, apontaram movimentações financeiras suspeitas, empresas ligadas aos investigados com contratos com a Prefeitura de Coari e repasses de emendas parlamentares destinadas ao município em 2024 e 2025. Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, a pedido da PF, que citou a complexidade dos fatos e a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Em um dos despachos, o ministro escreveu:

"Na mesma ocasião, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos que, após análise autorizada judicialmente, revelaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício do Deputado Federal Adail Filho e de seu pai, Manoel Adail, prefeito do Município de Coari/AM."

A defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmou que recebeu o cumprimento dos mandados "com surpresa". O advogado Fabricio de Melo Parente classificou o afastamento do prefeito como "desnecessário" e disse que apresentará as medidas cabíveis após ter acesso ao conteúdo da investigação. Para os advogados, as buscas não representam formação de culpa nem reconhecimento da prática de crimes, e os investigados não teriam relação com os fatos que deram origem ao inquérito. O g1 informou que tenta localizar a defesa dos três empresários presos em 2025. O próximo passo é a análise, pela PF, do dinheiro, dos veículos e dos documentos apreendidos nesta quarta, que pode subsidiar eventual indiciamento a ser reportado ao STF, enquanto o afastamento do prefeito vale por 90 dias.

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