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Inquérito aponta que Moraes vetou nomes de fórum do Banco Master em Londres

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HBPor Henrique Barros•1 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no inquérito do Banco Master indicam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), participava de decisões sobre a lista de convidados e a programação de um fórum jurídico promovido pelo banco em Londres. Segundo reportagem do G1 desta terça-feira (1º), os diálogos registram vetos atribuídos ao ministro e mostram nomes de participantes submetidos à sua aprovação. O material integra o relatório da investigação sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado pela PF.

Em um dos episódios, de julho de 2025, a funcionária de marketing de Vorcaro, Ana Matos, sugeriu Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, como moderador de um painel do II Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, edição que acabou cancelada. Vorcaro rejeitou: "Rueda não, né? De jeito nenhum. Alexandre morre se vc fizer isso. Aliás, nos mata". Ana respondeu: "Ele manda colocar tornozeleira". Já em fevereiro de 2025, segundo o inquérito, o banqueiro havia dito que precisava "aprovar com alexandre", em referência à lista de convidados.

A primeira edição do fórum ocorreu em Londres entre 24 e 27 de abril de 2024. O relatório da PF descreve uma conversa de 18 de abril daquele ano entre Vorcaro e o ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro Fábio Faria sobre um veto atribuído a Moraes. "Mas eu acho que Alexandre gosta que ele saiba que ele vetou. Ego dele", escreveu Faria. Vorcaro respondeu: "No final ele vetou mesmo, ficou claro". O texto do inquérito não informa quem teria sido vetado.

Programa do evento e custeio de viagens

Em 21 de julho de 2025, Vorcaro escreveu a Ana Matos que "Alexandre reclamou MUITO do evento" e, questionado sobre o que havia acontecido, respondeu "Tudo". Na sequência, apontou um incômodo específico: "Que colocamos Tarcísio em destaque". A investigação não identifica de qual Tarcísio os interlocutores falavam. No dia seguinte, Ana relatou que passou o dia com a esposa do ministro, Viviane de Moraes, e com o próprio Moraes: "Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom".

Outras mensagens detalham o custeio de viagens ligadas ao fórum. Segundo o G1, Vorcaro autorizou o pagamento de despesas do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do filho dele, Pedro Gonet, e o alinhamento de um convite formal, com custos pagos pela organização, ao diretor-geral da PF, Andrei Passos. A coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, acrescenta que, em 19 de março de 2025, Vorcaro disse ao então diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza que Moraes "vai chamar o Paulo para dar um aperto". Segundo a coluna, investigações da PF e do próprio BC apontam que Neves de Souza atuava como consultor informal de Vorcaro em troca de dinheiro.

Vorcaro foi preso pela PF em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta, segundo a Folha. As reportagens do G1 e da Folha não registram resposta de Moraes às mensagens nem manifestação da defesa de Vorcaro sobre esse ponto, e os diálogos integram um inquérito em curso. Nesta terça, o ministro André Mendonça, do STF, pediu ao presidente da corte, Edson Fachin, o agendamento de uma sessão presencial do plenário para debater as mensagens entre Moraes e Vorcaro. Para Mendonça, o plenário é "o caminho inevitável" e a "instância soberana" para analisar as evidências da PF. A definição da data cabe a Fachin e ainda não foi marcada.

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