O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), avalia rever sua decisão de se afastar e voltar a votar os processos da investigação do Banco Master depois das eleições de outubro. A informação é da Folha de S.Paulo. O ministro se declarou impedido de participar da sessão de 15 de setembro, em que o plenário começou a analisar o relatório que reúne mensagens do banqueiro investigado Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo interlocutores ouvidos pela Folha, o afastamento se explicaria pelo receio do impacto eleitoral da análise, já que Kassio preside a Justiça Eleitoral em plena campanha. Ele teria dito a pessoas próximas que a decisão valeu para aquele momento específico, e que cada nova discussão será avaliada de forma independente. O portal Metrópoles registrou avaliação semelhante: o impedimento declarado em relação a Moraes não se estenderia automaticamente ao pedido de investigação contra o ministro André Mendonça, relator do caso Master, por suposto abuso de autoridade. Auxiliares ouvidos pelo portal esperam que ele vote contra a abertura de inquérito, mas a decisão ainda não está tomada.
Linha do tempo do impasse
O impasse tem origem na investigação que apura a compra de precatórios pelo Banco Master, de Vorcaro, títulos de dívidas judiciais do poder público que são negociados com desconto. Depois que a Polícia Federal apreendeu o celular do banqueiro, mensagens extraídas do aparelho mostraram contatos com autoridades, entre elas Moraes e familiares. Chegaram ao STF pedidos para investigar Moraes e Mendonça. Na sessão de 15 de setembro, o plenário discutiu uma questão de ordem sobre o julgamento conjunto dos dois pedidos: o placar parcial ficou em 4 a 3 contra, e o ministro Flávio Dino pediu vista, o que suspendeu a análise. A sessão marcada para a quarta-feira (23) foi adiada pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin.
Kassio e o ministro Dias Toffoli ficaram fora dessa votação. Toffoli declarou-se suspeito após a divulgação de relações comerciais com Vorcaro e deixou de atuar nos julgamentos ligados ao caso. Kassio afirmou, ao anunciar o impedimento, que o ideal seria não participar de julgamento com potencial de produzir efeitos nos rumos da eleição. Segundo a Folha, ele sustenta nos bastidores que o cargo de presidente da corte eleitoral o coloca como árbitro da disputa, em posição mais delicada que a dos colegas. A ausência enfraqueceu Mendonça: Kassio vinha votando ao lado dele em todos os processos até então.
O nome de Kassio nas mensagens
O nome do ministro também aparece no material da investigação. Horas antes da sessão de 15 de setembro, vazaram trechos de mensagens do celular de Vorcaro com citações a Kassio, entre elas diálogos que mencionam pagamentos a seu filho, o advogado Kevin Marques, conforme a Folha. O g1 relatou que a apuração aponta um grupo apelidado de "turma do KN", iniciais atribuídas a Nunes Marques, ao qual estariam ligados o desembargador Newton Ramos, do TRF-1, e a advogada Camilla Ramos. Em uma conversa de junho de 2025, ela comemorou com Vorcaro uma vitória de usinas na 2ª Turma do STF, com placar de 3 a 2 e "um excelente voto do Min Nunes Marques". Em nota, o ministro afirmou que "nunca autorizou ninguém a falar em nome dele". As citações seguem sob investigação, e nenhuma das pessoas mencionadas foi condenada.
Kassio e Mendonça dividem ainda tarefas no TSE: integram, ao lado da ministra Estela Aranha, a comissão que trata dos processos sobre propaganda eleitoral, segundo a Folha. Por enquanto, o julgamento dos pedidos contra Moraes e Mendonça segue suspenso pelo pedido de vista de Dino, e a sessão de quarta-feira foi retirada da pauta por Fachin. Se mantiver a avaliação atual, a volta de Kassio ao plenário no caso Master só deverá ocorrer depois da eleição de outubro.