O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (15) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça e submetido à Segunda Turma da Corte. Os comentários foram feitos durante a sessão do plenário que analisa se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes a partir de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Segundo o G1, Fux afirmou: "Tem que ter responsabilidade judicial. Não se pode admitir que fique um órgão agindo contra o Supremo Tribunal Federal. Peitando ministro do STF". Em concordância com o colega, Mendonça, que falava fora do microfone, declarou: "Temos hoje uma PF paralela".
"A Segunda Turma percebeu uma série de desvios de finalidade na atuação do diretor-geral da PF. [...] O que não pode é a PF trabalhar contra o Poder Judiciário; instrumentalizar pessoas para sustentarem posições contra o Poder Judiciário", disse Fux, que também afirmou ter "a maior admiração pela Polícia Federal".
Linha do tempo da crise
A crise na cúpula da corporação nasceu das investigações do caso Master, das quais Mendonça é relator. O ministro retirou o sigilo de relatório da PF produzido a seu pedido, com mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Os diálogos faziam menção direta ao nome "Andrei", identificado pela própria Polícia Federal como o diretor-geral. Segundo o G1, o material também apontou 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes e um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.
Na sequência, Moraes retirou o sigilo de seis "relatórios de inteligência" produzidos de forma oculta pela PF ao longo de agosto. Os documentos traziam apontamentos sobre a atuação de Mendonça nos casos Master e do INSS e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento de Andrei e do diretor de inteligência Leandro Almada, alegando que os papéis revelavam atuação irregular contra integrantes do STF e outras autoridades. O ministro Flávio Dino chegou a reintegrar os dois delegados, mas o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões e manteve Andrei no comando da PF.
Versões e próximos passos
Andrei Rodrigues nega irregularidade. Em manifestação encaminhada a Fachin, segundo o InfoMoney, o diretor-geral afirmou que os relatórios foram produzidos regularmente e entregues em cumprimento a determinação de Moraes no inquérito das fake news. Os próprios documentos registravam que não tinham valor probatório. Mendonça classifica os relatórios como apócrifos, sem assinatura e sem elementos formais de identificação, e sustenta que houve desvio de finalidade. Moraes rebate que os papéis não são apócrifos, porque foram elaborados por delegados, e chama a apuração contra ele de "fraudulenta". Nesta terça, o ministro acusou o colega de tentar direcionar a atuação da PF e disse ter testemunhas; Mendonça respondeu que a acusação "é mentira".
O julgamento virtual da Segunda Turma já conta com maioria de votos para referendar o afastamento, segundo o G1, mas a conclusão foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A situação definitiva de Andrei Rodrigues será definida por Fachin. As acusações de Moraes contra Mendonça estão marcadas para o plenário de 23 de setembro.